quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

A FCF sem Delfim

A tragédia na Colômbia, que dói em todos os nossos corações, e que afetará por muito tempo a cidade de Chapecó e a Chapecoense, acabou também provocando um outro grande impacto dentro do futebol catarinense, com o desaparecimento de Delfim de Pádua Peixoto Filho, presidente da FCF.

Três décadas no poder. Sempre polêmico. Discordei de muitos posicionamentos dele. Concordei em outros. Faz parte, isso é futebol. Era um pai que fez o possível e o impossível para defender sua família. Insurgiu contra a CBF. Seu twitter, nos últimos meses, só continha retweets de matérias contra Marco Polo Del Nero. Essa voz, de uma oposição ferrenha, se calou.

Fica a dúvida de como será o futebol catarinense a partir de agora. Afinal, 3 décadas não são 3 meses nem 3 anos. Uma mudança na Federação que teve um presidente por tanto tempo provoca aquela saída da zona de conforto.

O atual mandato vai até abril de 2019. É bom ressaltar que o estatuto da FCF praticamente inviabiliza duas candidaturas no processo eleitoral, já que exige assinaturas de um percentual de eleitores e ele tinha as ligas na mão. Certa vez, um presidente da liga de Brusque (que estava inativa e teve interventor nomeado recentemente) disse que ganhava bolas e diária de hotel em Balneário Camboriú para votar. Vamos concordar, o homem era bom de política. Há uns bons anos atrás, o ex-presidente do Criciúma Moacir Fernandes tentou montar uma chapa opositora. A ideia morreu na casca, já que as ligas definem o vencedor.

Para agradar os clubes e conquistar mais um mandato,  o "Dr. Delfim", como era chamado nos corredores da FCF, costurou bem as alianças. Do sul, se juntou com Antenor Angeloni, então presidente do Tigre, com quem se afinou muito bem, e colocou Rubens Angelotti, seu braço-direito no clube, como um dos vices. Do Oeste, trouxe Nei Maidana, ex-presidente da Chape. No Vale indicou Ericsson Luef, ex-diretor do Metropolitano e dono da empresa Hemmer, que acabou dando nome ao Estadual de 2015, aquele que acabou com tapetão e troféu roubado. Na capital, colocou o saudoso João Nilson Zunino, já ex-presidente do Avaí  e em complicado estado de saúde. Quando tomou posse, ele já não estava entre nós. Teve ainda Laudir Zermiani, o incansável presidente da Liga Joinvilense, único representante do futebol amador. Quando tirava licença, Delfim nomeava um deles pra sentar na cadeira de presidente. Chegou a ficar um bom tempo fora, esperando a brecha para assumir a CBF. Foi vítima de um golpe quando aconteceu a manobra para colocar o Coronel Nunes no lugar de José Maria Marin em uma das vice-presidências.

Mas em caso de vacância não há nomeação, assume o mais velho, assim como na CBF. Como Zunino faleceu, Rubinho vai assumir a presidência da FCF, dando aos clubes o comando do futebol estadual. O trágico acidente impediu que Delfim terminasse aquele que ele dizia ser seu último mandato ou indicasse um sucessor de sua confiança. Dentro do suntuoso prédio de Balneário Camboriú existem fieis escudeiros seus que poderiam muito bem ser indicados para assumir o comando daqui a três anos.

Os clubes, que também terão que se organizar na Associação, que era presidida pelo competentíssimo Sandro Pallaoro, terão dentro da FCF um presidente indicado por um dos seus, o que me dá a ideia, em um primeiro momento, de um estreitamento do contato e até, porque não dizer, de profundas mudanças dentro da Federação e uma gestão unida dos rumos do futebol em Santa Catarina. Essa visão me agrada bastante. Resta ver o que o novo presidente fará ao assumir o gabinete.

Tragédia à parte, apareceu uma oportunidade para uma guinada no futebol de Santa Catarina.


quarta-feira, 30 de novembro de 2016

A Chape vai se reerguer

A perda foi irreparável. Acho que todos estão sentindo com se tivessem perdido um irmão, um amigo, um ente querido. Mas assim como nas perdas familiares, todos devem, na medida do possível, tentar voltar à vida normal. É um processo até natural em qualquer situação de luto.

A Chapecoense se reerguerá, tenho certeza disso. Existem pessoas dentro do clube com capacidade, que podem trazer outros profissionais competentes. Uma das heranças deixadas por Sandro Pallaoro foi um clube sanado, com dinheiro em caixa, e com estrutura suficiente para ser bem tocado.

O clube perdeu a sua estrutura do futebol, aquela que colocou o time onde está hoje. Mas um saiu da Chape, passou por momento difícil e penso ser o momento ideal para a sua volta. João Carlos Maringá seria uma pessoa importante para essa retomada. Para quem não sabe, ele perdeu a esposa há alguns dias, vítima de câncer. Pode ser a oportunidade ideal para ambos retomarem a caminhada da vida.

É louvável a atitude dos outros clubes (e, segundo informações, já aceita pela CBF) de "blindar" o time do rebaixamento por três temporadas, além da ajuda para a remontagem do elenco. Atitude semelhante já está sendo ventilada no Estadual. Isso dá tranquilidade para uma reconstrução tranquila e bem estruturada. A Chape tem hoje uma das melhores divisões de base do Estado (venceu o jogo de ida da decisão do estadual de juniores contra o Criciúma. A volta seria nesta quinta, mas o jogo foi suspenso pela FCF), e ali há uma semente plantada com muitos valores (Hyoran, vendido para o Palmeiras, é um deles). Os jogadores que ficaram, como Rafael Lima, Boeck e Martinuccio, já garantem o início do trabalho.

Guardadas as proporções e circunstâncias, é como se o time fosse rebaixado. Muito clube faz uma revolução enorme no elenco. A Chape terá, forçosamente e de forma triste, que fazer isso. Mas dá, é possível. Com competência e o empurrão de um Brasil inteiro que torcerá por ele.



terça-feira, 29 de novembro de 2016

Nas alegrias e nas horas mais difíceis

O ano era 1999. Estava no início de carreira no rádio. Tudo era novo. A emissora botou eu e o Xirú, meu parceiro de tantos quilômetros, num carro alugado as 5 da manhã pra fazer um bate e volta pra Chapecó. Hoje não tenho mais saco pra isso, mas naquela época eu tava amando. Após a parada pro almoço no Barriga Verde (uma tradição), fui conhecer o famoso Estádio Regional Índio Condá, bem diferente do que ele é hoje. Ao entrar no campo, conheci o Picolé. Me saudou com um "e aí guri, tu és de Brusque? Vieram pra tomar quanto da Chape?". Dei risada.

Vi naquele jogo um cenário bem diferente do que é hoje. A partida foi morna. No intervalo, fizeram um amistoso Gre-Nal da criançada. Deu briga na arquibancada. Quem diria que uma década e pouco depois, esse cenário seria bem diferente.

No mesmo ano, Jogos Abertos em Chapecó. A rádio me mandou de ônibus pra lá. A Central de Imprensa era no piso superior da rodoviária. Lá tava o Picolé de novo. Junto, o professor Tadeu Costa. Criava ali um contato que nunca se encerrou. É incrível como esse pessoal nos recebia bem. Se faltasse alguma coisa, davam um jeito. E sempre rolava uma resenha a noite, depois da partida. Posso dizer que são grandes amigos.

No campo, eu vi o crescimento da Chapecoense, que chegou a ficar próximo a fechar as portas, trocando até de nome. Mas aquele rebaixamento mal resolvido foi a deixa para uma estruturação que levou o clube ao patamar onde se encontra atualmente. Meus amigos estavam eufóricos, viajando o Brasil a bordo da van do "Nene" ou de avião. Sim, essa turma da imprensa era tão unida que viajavam juntos.

A Chape virou o time mais querido do Brasil, pela forma como conquistou seus resultados, em uma cidade hospitaleiríssima dos seus 200 mil habitantes. É um clube organizado, sanado, com dinheiro em caixa. Todo jogador iria querer jogar lá, isso é fato. Resultado disso era a final da sulamericana e a provável ida a uma Libertadores, que coroaria esse sucesso. Quis o destino que isso não acontecesse, causando perplexidade mundial.

As vidas não serão mais recuperadas, mas a Chapecoense é grande e se reerguirá. Os clubes da Série A tiveram uma atitude louvável ao anunciar que colaborarão para isso e solicitando que a CBF garanta uma "Imunidade" de três anos na Série A. É correto, até porque esse processo não será rápido.

Grandes jogadores se foram. Alguns experientes e em boa fase, como Cléber Santana, como aqueles que conseguiram bons contratos em outros clubes.

Perdi grandes amigos.

Renan, um jovem brilhante, fizemos alguns trabalhos na RIC. Ficou noivo recentemente. Tava cheio de planos.

Douglas, o Piazinho, de tantas histórias e tantos Jogos Abertos nas costas. Sempre solícito, buscava até no aeroporto se precisasse.

Picolé, quem me recebeu no meu primeiro Jasc lá, onde o centro de imprensa era no piso de cima da rodoviária.

Galiotto, o italiano mais engraçado que eu conheci, temos várias histórias pra contar. Carinhosamente eu o chamava de "Haroldo", pois eu achava que a voz dele parecia com a do Haroldo de Souza.

Fernando, uma voz fantástica. Quando ele ganhou o prêmio Acaert lá em Joinville ( eu era um dos três finalistas), ele me abraçou e me disse "cara, tens um futuro brilhante".

Cléberson, que tava trabalhando no clube, sabia tudo de tênis de mesa.

Grande Giba, torcedor fanático que virou jornalista pra ser assessor do clube.

Djalma, brilhante cinegrafista da RBS, que encontrei ao acaso lá na praia do Siriú curtindo um descanso com a família.

Rafael, meu parceiro, força aí que você vai sair dessa.

Ano que vem tem Jogos Abertos lá. Falta um ano, mas já sinto que serão os 550 km mais doloridos que eu vou percorrer. Porque essa turma, que recebe a todos tão bem, não estará mais lá pra darmos muita risada.

Quero também mandar um abraço para a família do presidente Delfim. Todos sabem que tive minhas diferenças com ele no campo do futebol. Mas não passa disso.

E um grande abraço para todo o povo de Chapecó e para os familiares das vítimas. Nosso ano já acabou, será uma ferida que levará muito, mas muito tempo para sarar.







sábado, 26 de novembro de 2016

O rebaixamento do JEC virou realidade. Dolorido, mas merecido

Quando um time entra na última rodada dependendo de alguém pra não cair é sinal que muita coisa foi feita de forma errada e que há apenas um fio de esperança em uma situação muito grave. O rebaixamento do Joinville segue a regra: o time venceu o Vila Nova, mas o Náutico não teve time e tranquilidade pra ganhar do Oeste, que entrou com muito mais vontade no primeiro tempo, abriu 2 a 0, e provocou pânico em Pernambuco.

Tivesse feito um dos pênaltis contra o Bragantino, ou não amarelado contra o Goiás, ou marcado em algum outro jogo que deixou escapar os pontos de forma boba, isso não aconteceria.

Mas é bom olhar o que foi esse ano do JEC. Mesmo quando foi vice-campeão estadual, havia um certo alerta de que o time precisava ser qualifiicado. Aí começou um processo muito criticado. Julio Rondinelli ganhou carta branca do presidente Jony Stassum para trazer um caminhão de jogadores de qualidade duvidosa. Os resultados não vieram, E foi chegando gente. Trocaram de técnico, e mais gente veio... até jogador em fim de carreira. O fardo foi pesando e o rebaixamento, antes hipótese descartada, virou algo a se considerar.

O Joinville conseguiu perder a vaga na Série B para um Oeste que ficou quase TRÊS meses sem vencer uma partida. E foi merecido, diante de tanta coisa errada. Agora o time vai ter que construir todo um caminho de baixo, em uma chave complicada na terceira divisão, onde a regularidade não resolve, e sim um mata-mata cruel. O Fortaleza está aí pra comprovar.

Há anos digo que time que cai da B para a C tem que ser muito ruim. Não houve injustiça. Dói, mas o Joinville não merecia ficar na segunda divisão. É a realidade.


quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Sofrimento "Copero" que leva a Chape à final da Sulamericana

Conmebol
A Chape chegou lá.

Não fez o seu melhor jogo no ano. Mas chegou.

Chegou a uma decisão de Copa Sulamericana que surpreende a muitos, mas não àqueles que conhecem o trabalho sério do clube e, principalmente, o que esse time tem rendido nessa temporada.

Contra um time argentino, a Chape teve que sentir na pele aquela expressão "Copero". Pegou um San Lorenzo que não tem toda aquela qualidade, mas provocou e apertou muito, principalmente no início do segundo tempo, quando Caio Junior pôs o time a esperar o adversário de maneira perigosa. Tomou pressão forte.

A situação melhorou um pouco com a saída de Tiaguinho, nome importante contra o São Paulo que não apareceu com o mesmo brilho contra o outro santo argentino. A entrada de Lucas Gomes, num primeiro momento, e de Bruno Rangel mais a frente surtiu efeito, permitindo contra-ataques perigosos. Pesou o nervosismo e eles não foram aproveitados.

E Danilo apareceu mais uma vez para um milagre, coisa da Igreja de Condá (procure o perfil no twitter). Lá estava sua perna na hora certa, no lugar certo, para evitar o gol de um San Lorenzo desesperado. Todos ficaram sem voz. E veio o apito final.

O Verdão do Oeste supera mais uma barreira na sua caminhada rumo ao incerto. Ninguém sabe o que o futuro reserva para esse clube que vive surpreendendo. A final vem aí, e o time sabe que não poderá jogar em Chapecó, nem dentro de Santa Catarina (nisso ainda temos em falta), contra um adversário complicado, que poderá ser o Cerro ou o Nacional campeão da Libertadores, que está a dias de ir para o Japão encarar o campeonato mundial. É uma barreira a mais que pode ser ultrapassada. É necessária uma concentração muito maior, até porque a atuação desta quarta foi a pior da última sequência.

Mas quem já chegou até aqui, não pode se surpreender com mais nada. É tirar as lições dessa classificação, descansar e ir "para o pau", sob a bênção de Condá.


sábado, 19 de novembro de 2016

Avaí na Série A: um acesso que vale livro com muitos personagens

Ah sim, esse acesso vale livro. Ou um documentário. No mínimo uma reportagem bem extensa.

Vamos voltar um pouco no tempo? A contratação do "estagiário" Marcelo Gonçalves. A renúncia de Nilton Macedo Machado. A campanha vergonhosa no Estadual. Atraso de salários. Protestos fortes. Era uma temporada que dava medo.

Com 23 pontos, o Avaí terminava o primeiro turno na 15a. colocação, com oito derrotas em 19 jogos. Atrás até do Oeste de Itápolis. 16 pontos atrás do Vasco. Levante a mão quem (realmente) acreditava que o time chegaria à última rodada em segundo, com o acesso garantido.

Aconteceu, em um jogo casca grossa. O Leão pegou um bom time do Londrina, que teve seu segundo melhor público na Série B e que ficou perto do acesso. Jogo nervoso que foi vencido com a estrela de Diego Jardel, que em determinado chegou a ser afastado do elenco, lembra?

 A reviravolta histórica, talvez única, tem muitos personagens. Vai desde o goleiro Renan, o melhor do Estado (que veio depois da negativa de Ivan, lembra?), que salvou a pele do time inúmeras vezes, nas horas boas e ruins, passando pela liderança de Marquinhos, que ajudou a segurar a barra do elenco com os problemas financeiros e indo para o sacrifício ao campo para fazer o que sabe, bem feito, até a chegada de Claudinei Oliveira, que conseguiu fazer o time jogar bem e tirar o máximo do grupo de atletas, muitos com atuações discretas em outros clubes, que viraram peças importantes que chamarão a atenção do mercado.



Mérito também para Joceli dos Santos, um cara espetacular, com história no clube, que assumiu o barco pegando fogo em uma crise enorme para fazer o time ser vencedor. Mostrou também que o fator "da casa" não pode ser desprezado. Tantos vieram de fora cheio de nome e com resultado zero (como Gonçalves, o ex-zagueiro que muito falou e pouco fez), e a melhor pessoa estava ali, pertinho. Também é uma vitória do presidente Battistotti, que assumiu o clube depois da renúncia de Nilton Machado sob uma grande desconfiança de que não daria conta do recado. Eu fui um deles. Me penitencio e o parabenizo por aqui e, se um dia for possível, farei isso pessoalmente.

Teclo desde Florianópolis, onde vim passar o final de semana, e vi o torcedor avaiano voltar a sorrir, depois de tanta pancada. Foguetório, carreata, camisas na rua... o clima é outro. O que vai ser da Série A no ano que vem não sabemos, há muito o que fazer, principalmente para organizar o orçamento, pagar o que é devido e, principalmente, se manter no topo em 2017.

O segundo semestre mostrou que o caminho avaiano foi corrigido. Agora é hora de comemorar. Semana que vem dá pra começar o planejamento.

Parabéns Avaí. Uma volta por cima sem igual. Um acesso brilhante.




sábado, 12 de novembro de 2016

A trágica semana do JEC. Rebaixamento é iminente

Jornal O Popular
A semana mais tensa dos últimos tempos em Joinville (se não foi a pior em 40 anos de história) terminou hoje com a pior das notícias: o Oeste de Itápolis, sem vencer há 15 partidas, arrancou um empate aos 52 do segundo tempo em Pelotas, abrindo quatro pontos de distância para o tricolor e praticamente selando sua permanência na Série B.

Pra quem empatou com o Bragantino perdendo dois pênaltis e perdeu para o Goiás após estar vencendo por 2 a 0, isso é castigo divino.

O torcedor joinvilense sofre, mas tem na cabeça que, se o time cair, vai ser merecido. O campeonato abriu várias portas, deu inúmeras chances escancaradas para o time sair dessa, mas o JEC não aproveitou, esbanjando incompetência.

Não há desculpa pelo resultado em Goiânia. O time vinha se comportando bem até a expulsão imbecil de Reginaldo. Depois disso, apareceu outro problema sério, que está fora do campo. Não tenho nada contra a pessoa de Ramon Menezes, que foi um brilhante jogador. Mas o clube errou feio em trazer um técnico sem culhão para um momento tão crítico. Deu no que deu. Ele se encolheu, botou o time para se retrancar e não conseguiu equilibrar quando o Goiás também ficou com 10. Futebol é coisa séria, e briga contra rebaixamento não é coisa pra estagiário.

Agora, só milagre.  Vencer Oeste e Vila Nova, e contar com uma derrota do time paulista em Recife na última rodada.

Se cair, e tudo indica isso, vai ser merecido. Problemas na organização, montagem de elenco... A vergonha de cair da A para a C vai ser grande.

E que ninguém diga que "a Série C não é o fim do mundo". Pra quem cai, é sim. Sem exposição, sem TV, cotas quase inexistentes, classificação por mata-mata.... É horrível.


Avaí na porta do elevador, com o brilho de Marquinhos

Alceu Atherino /Avaí FC
O Avaí venceu a decisão contra o Náutico jogando da forma que o manual manda: indo pra cima, buscando a iniciativa e mostrando quem é que manda. No comando da nave estava um Marquinhos inspirado e descansado, depois de uma folga do jogo em Barueri que se mostrou muito útil. Desequilibrou e não deu brecha pro adversário reagir. O Náutico pode até reclamar de arbitragem, mas nada fez para reverter o cenário altamente desfavorável.

O Leão abre cinco pontos do quinto lugar e pode confirmar o acesso semana que vem, em Londrina. Em um jogo "casca-grossa" como esse, era determinante que um diferencial aparecesse. Apareceu.

Agora é o foco para o jogo do acesso. Até um empate pode ser negócio, dependendo do Bahia e do próprio Náutico. Mas o time tem a tranquilidade de jogar no Paraná sabendo que terá, dentro de casa, a chance de carimbar de vez um acesso altamente provável. E o melhor de tudo: jogando bem, melhor que Vasco, Bahia... talvez abaixo apenas do Atlético-GO, que joga, de longe, o melhor futebol.

Vai ser uma semana de muita expectativa para o torcedor avaiano, à medida que a hora do "match point" está chegando.




quarta-feira, 9 de novembro de 2016

O drama das rodadas finais para o Joinville

Que jogo foi esse... Precisando vencer, o Joinville sai atrás no placar contra o Bragantino, consegue o empate e desperdiça dois pênaltis que lhe dariam a vitória...

É uma luta complicada, e os dois penais perdidos soam como dois golpes bem encaixados pelo adversário. O torcedor foi pra casa atordoado, depois de ganhar um fio de esperança após a vitória sobre o lanterna Sampaio no Maranhão.

Claro que no futebol o "se" não joga, mas eu não deixaria Jael bater o segundo pênalti, principalmente pelo fato dele ter desperdiçado a primeira cobrança com total displicência, batendo fraco no meio do gol. Pouco tempo depois, bateu de lado de pé no canto, facilitando para o goleiro. Mostrou falta de preparo psicológico. E nada mais restou ao treinador do que apoiá-lo com meia força na entrevista.

Nada está perdido mas o horizonte vai se fechando. A briga com Oeste e Bragantino por uma vaga fora do Z4 terá mais três capítulos, incluindo o encontro direto entre JEC e Oeste na semana que vem. O rebaixamento para a Série C é algo muito grave, seja pelo lado financeiro como técnico, até porque, para subir, é necessário passar por um mata-mata onde não necessariamente o melhor time sobe (o Fortaleza tá aí pra confirmar a tese).

É complicado acreditar porque o time é fraco. Gostaria de saber quem apostou em jogadores como Erick Luis e Claudinho que são, reconhecidamente, de baixo nível. Agora tem que ser com o que está aí. Se o milagre acontecer, não é pra comemorar. É pra protestar por tudo de errado que foi feito no ano. Ficar na Série B é obrigação, não conquista.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Tapetão na Segundona: Juventus denunciará Barroso no TJD

O tapetão será acionado para decidir o acesso no campeonato catarinense da Série B. O Juventus de Jaraguá do Sul, terceiro colocado do campeonato, ingressará com uma notícia de infração contra o Almirante Barroso, líder do campeonato e que conquistou o acesso à elite no campo.

A alegação é que o clube de Itajaí, que é o nome fantasia do Navegantes Esporte Clube, o dono original do CNPJ, que mais tarde tornou-se Sport Club Litoral (que subiu da Série C), carrega uma suspensão da Federação Catarinense de Futebol ainda vigente. De acordo com a acusação, seriam 11 infrações praticadas pelo Barroso.

O clube de Jaraguá contratou um escritório de advocacia de Joinville, que traz uma longa sustentação. Segundo a peça, o Navegantes (um dos clubes mais problemáticos dos últimos tempos, que pertencia na época ao folclórico Egon da Rosa, ex-presidente e hoje persona non grata dentro do Marcílio Dias) está suspenso pela FCF e sequer poderia estar em campo no ano passado. O clube acabou vendido e o Litoral, já com outro nome fantasia, conseguiu o acesso com o vice-campeonato da última Série B, beneficiado com a desistência do Atlético de Ibirama, que acabou subindo o Guarani de Palhoça para a primeira divisão, abrindo uma lacuna na segundona.

Abaixo, você ouve áudio do advogado do escritório contratado pelo Juventus, Felipe Tobar, em entrevista ao programa "Panorama Esportivo", da Rádio Jaraguá AM, descrevendo minunciosamente o caso.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Resultado fantástico na Argentina

A Chapecoense foi grande mais uma vez e trouxe pra casa um resultado espetacular para carimbar a sua vaga na decisão da sul-americana.  Jogou bem, apresentando o cartão de visita desde o início, sem medo de um adversário tradicional. Teve um momento de instabilidade, mas conseguiu se acertar a tempo. Danilo fechou o gol na hora do desespero deles. Deu certo.

Ao contrário de muito time grande do Brasil que se encolhe jogando na Argentina, a Chape iniciou a partida buscando ocupar todo o campo e mostrando ao San Lorenzo que não seria uma partida de meia linha. O time vinha rendendo bem até o gol de Cauteruccio, em uma falha de cobertura que faz qualquer um sentir o golpe.

Veio o intervalo e os nervos voltaram ao lugar. O gol de Ananias foi um prêmio pra quem enfrentou com coragem um adversário grande e mostrou que não temerá ninguém para levar esse título.

Que venha a volta, com estádio lotado. Até lá, a Chape já estará relaxada no Brasileirão e poderá centrar forças no sonho da América.




quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Com autoridade na chuva: Chape a quatro jogos do título

Conmebol
Debaixo de um temporal, a Chapecoense bateu o Junior de Barranquilla com uma facilidade semelhante a uma primeira fase de Copa do Brasil. O time verde passou o carro desde os primeiros minutos, fez o gol ficar maduro e, depois de aberta a porteira, a superioridade aumentou. No final, o 3 a 0 carimbou uma classificação que até teve uma ponta de preocupação. A cansativa viagem para a Colômbia (nunca mais façam essa logística, hein?) expôs o time a uma situação complicada no segundo tempo na ida. Mas no fim, deu tudo certo. Deve pintar o San Lorenzo na área, em mais uma viagem para Buenos Aires, a segunda neste ano. Desta vez, para jogar no Nuevo Gasometro.

Classificação que eleva o nome do clube, único brasileiro vivo e com chance de terminar o ano com um título internacional, coloca mais uma gorda bolada no caixa e consolida a fase sensacional do clube, que sobe ano após ano em sua organização. No Campeonato Brasileiro, o time não vai ter susto. Pode se concentrar totalmente no sonho sul-americano, que é totalmente possível.

Pena que se o time chegar na final, e acredito muito nisso, a decisão terá que acontecer fora de Santa Catarina por causa da exigência mínuma de 40 mil lugares. Mas isso é apenas mais um capítulo dessa história tão legal de um time que esbanjou entrega, encurralou o adversário e segue em frente na segunda competição mais importante do continente, que vale vaga para a próxima Libertadores, Recopa e Copa Suruga no Japão... Olha a grana que isso dá.





quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Barroso e Tubarão, a um passo do acesso

Assessoria CNAB
Um é surpresa, outro era favorito no início e só confirmou o que se esperava. Almirante Barroso e Atlético Tubarão devem confirmar o acesso para a primeira divisão do Estadual neste final de semana, quando ambos jogam em casa contra Juventus e Porto, respectivamente.

O Barroso não tem um time cheio de medalhões, muito pelo contrário. É um elenco de desconhecidos, bem arrumado pelo técnico Renê Marques (ex-goleiro do Bahia e do Barueri) e que conta com o campo sintético do seu estádio como arma. Administrou a vantagem durante todo o campeonato e garante o acesso matemático com duas rodadas de antecedência se vencer o Juventus na manhã de domingo. Ouvi de fontes de Itajaí a intenção do Barroso em mandar seu jogos na primeira divisão no estádio do Marcílio Dias, que tem um gramado bem mais complicado, apesar da capacidade bem maior. Mas iriam abrir mão de uma grande arma sua, que é o campo sintético?

Já o Atlético Tubarão deve vencer o fraco Porto no domingo e, se não garantir o acesso na matemática, vai ficar muito próximo disso. O time do técnico Mabília conseguiu uma grande vitória debaixo de chuva forte em Brusque contra o Barra e, com 32 pontos, está a um passo de retornar à primeira divisão. O time é o melhor da segundona no papel mas não conseguiu a mesma regularidade do seu rival de Itajaí. Mesmo assim prevaleceu a maior qualidade do elenco sobre os outros adversários, e a sina do "time que bate na trave" vai encerrar. Outros times que ameaçavam, como Juventus e Concórdia, tropeçaram em jogos contra times mais fracos para ficar longe da briga.

Ano que vem, Itajaí e Tubarão voltarão a fazer parte da rota do campeonato estadual.




quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Cansaço atrapalhou a Chapecoense

A Chapecoense fez uma operação maluca para chegar à Colômbia e isso refletiu diretamente no desempenho do time contra o Junior, principalmente no segundo tempo. Um jogo equilibrado contra um time comum, que mostrou fragilidades no setor defensivo. O gol deles teve competência com um pouco de sorte de Escalante: a imagem de baixo mostra que a bola ficou numa posição à direita do marcador, e o colombiano teve muita felicidade no chute.

Houve chance do empate no final do primeiro tempo, naquela bola do Ananias. No segundo tempo, começou a pesar a viagem. Alguns ajustes pontuais seriam necessários para arrumar o desempenho do time, principalmente no passe final para a definição. Mas o Junior arrumou a marcação e faltou energia para fazer o gol.

Mas não há terra arrasada. Na semana que vem, jogando em casa, a Chape tem muito mais time para conseguir a inédita classificação para a semifinal. Com ambiente tranquilo e precisando de uns pontinhos para não correr risco de rebaixamento, dá pra concentrar forças no sonho continental.

Mas por favor, na próxima viagem longa planejem um jeito mais fácil de chegar. Ir ao Mato Grosso, pra atravessar a pé pra Bolívia, pra descer de novo na outra ponta do país pra depois ir pra Colômbia foi um negócio que não funcionou.




quarta-feira, 19 de outubro de 2016

O cancelamento dos JASC e a "pressa" por uma nova sede

Contra a força da Natureza não dá pra brigar. Uma tempestade destruiu a cidade de Tubarão e, por motivos óbvios, não tinha como realizar os Jogos Abertos de Santa Catarina por lá, previsto pra começar em cerca de 20 dias. O estrago foi tamanho que vai ter local que vai precisar de um ano para ser consertado. Alguns terão que ser totalmente demolidos.

Fez-se o certo e criou-se um "problema" para a Fesporte: o que fazer? Note que botei a palavra "problema" entre aspas, certo? Pois é.

Vamos aos fatos: não há tempo hábil, ou acho que não tem, para que uma outra cidade assuma a bronca em um prazo de pouco mais de vinte dias. Se alguém assumir, seria para empurrar a competição para perto do Natal, como foi ano passado em Joaçaba. Blumenau sinalizou isso numa matéria do Jornal de Santa Catarina. A cidade tem estrutura sobrando e seria, ao meu ver, a opção mais tranquila. Mas isso esbarra em outro problema.

Não é novidade pra ninguém que o governo do Estado passa por problemas financeiros. Pra se ter uma ideia, os R$ 1,6 milhão prometidos para os JASC em Tubarão seriam depositados apenas hoje na conta da prefeitura local. Considerando que a administração da Fesporte tropeça em problemas (o presidente foi trocado por pura indicação política, colocando um nome sem experiência no lugar de um técnico na função), eu acho bem provável que a entidade venha, daqui a uns dias, dizer que não há disponibilidade e cancelar de vez os Jogos neste ano, dando mais problemas para atletas de várias modalidades que estão pegando pesado nessa época para chegar no auge na competição mais importante do ano.

Bom ressaltar que a Olesc, que é uma competição tão importante tanto, até por trabalhar com base,  também está sem sede. Vamos ver como isso será levado. Confesso não ter muita esperança.