domingo, 26 de março de 2017

JEC e Avaí vacilam, e a Chapecoense aproveita

O domingo do Estadual teve um Joinville não aproveitando a vantagem de ter um homem a mais contra o Metropolitano e o Avaí dando verdadeiros presentes para a Chapecoense para mudar o panorama do returno. Aliás, não só dele.  A Chape é a nova líder da classificação geral, que define o mando de campo nas finais. O Brusque perdeu para o Tubarão por 3 a 2 e ficou para trás.

Beto Lima / JEC
Em Blumenau, o JEC não foi o time de outras partidas. Não apareceu o toque de bola das vitórias sobre Figueirense e Criciúma. Para completar, Fabinho Santos insistiu com a escalação de Bruno Batata como titular e o time não funcionou. Poderia até ter tomado gol no primeiro tempo, não fossem as boas defesas de Matheus. No segundo tempo, a expulsão de Valkennedy (irresponsável, diga-se de passagem) deu 30 minutos para o tricolor conseguir a vitória com vantagem numérica e preparo físico superior. Não deu, nem passou perto. Está mais para dois pontos perdidos do que para um conquistado.

A tarde, a Chapecoense não esperava um Avaí tão solidário. As falhas de Marquinhos, que errou um domínio de bola e permitiu que Andrei Girotto fizesse o primeiro, e de Kozlinski, que aceitou um chute de fora da área, facilitaram as coisas. A Chape só precisou administrar a partida sobre um time que só jogou mais ou menos durante vinte minutos da primeira etapa. O time de Vágner Mancini vence o primeiro de três confrontos diretos contra os seus adversários diretos, que serão todos na Arena Condá. O próximo jogo é contra o Brusque, na quarta, e no domingo de Páscoa a partida será contra o Joinville. Há um favoritismo para que o jogo de hoje se repita na decisão. Mas favoritismo precisa ser confirmado.


sábado, 25 de março de 2017

Arbitragem prejudica o Barroso e interfere diretamente na luta contra o descenso. Até quando?

AI / Figueirense FC
Hoje, o trio de arbitragem de Almirante Barroso x Figueirense interferiu diretamente no resultado do jogo e, por consequência, na dura briga contra o rebaixamento no Estadual.

André Luiz Back, que já havia sido suspenso pela FCF em 2012 por dar dois cartões amarelos a um jogador do Avaí sem expulsá-lo, errou feio ao marcar um pênalti inexistente contra o Almirante Barroso, que já havia sido duplamente prejudicado em impedimentos igualmente inexistentes marcados pelo assistente Maycon Machado.

O jogo não foi bom, mas o Barroso foi melhor. Criou as melhores chances de gol, se aproveitou da estratégia suicida do Figueira, que seguidamente é repetida, de marcar em linha, para ficar na cara do gol. Em duas oportunidades, o assistente não permitiu. O Figueirense foi mais do mesmo. Sem criatividade no meio-campo, nenhum fato novo criado e treinado pelo técnico, que insiste em um apagado Bill no comando de ataque, permitiu que o time de Itajaí comandasse o jogo dentro da sua casa.

O final, nós sabemos. A vitória joga o Figueira para 16 pontos na classificação geral e com um grande alívio diante da ameaça do rebaixamento. Já o Barroso, que poderia encostar no Tubarão para sair do Z2, fica na lanterna e até pode ver a diferença para o oitavo lugar subir para seis pontos. Vejam o estrago que a arbitragem fez.

Eu não acredito em má intenção, e sim em falta de preparo. A Associação de Clubes fala em uma comissão para monitorar a arbitragem, e eu concordo com a ideia. É necessário observar e catalogar esses erros que muitas vezes vão para a gaveta e nunca mais são mencionados, tirando quem escala da zona de conforto. Se não dá pra profissionalizar a profissão, pelo menos a gestão do campeonato dá.

sexta-feira, 24 de março de 2017

JEC vence no último minuto e reduz briga do returno a quatro clubes

Assessoria JEC
Nos acréscimos, o capitão Renan Teixeira marcou um gol importantíssimo para o Joinville. Não só pela vitória sobre o Criciúma que garante o tricolor na liderança isolada do returno do Estadual. Mas mandou o recado que o time está crescendo e vai brigar pela vaga na final. Mesmo com um elenco em formação, o JEC mostra um comprometimento muito grande. Sabe que não tem grande vantagem técnica, mas tira da sua união uma força a mais para ser forte. Ao meu ver, o time não é o favorito, mas espantou a crise que passava pelo Morro do Meio, inclusive com pedido de impeachment. Com um bom dinheiro na conta vindo da Copa do Brasil, a diretoria pode montar em paz o time para a Série C.

Com a vitória, o Criciúma fica bem distante das chances de decisão. A briga se reduz a quatro clubes: além do JEC, Chapecoense e Brusque acompanham de perto, com o Avaí um ponto atrás tendo a oportunidade de liquidar o campeonato. Bom notar que esses times ainda não se cruzaram. Os confrontos começam neste final de semana.

A Chape tem uma vantagem técnica pelo fato de enfrentar esses três adversários em casa, sendo dois (Avaí e Brusque) nas próximas rodadas. O time só jogará pela Libertadores depois da Páscoa, no intervalo entre a oitava e a nona rodada, e poderá centrar fogo no Estadual. A goleada sobre o Tubarão e a grande virada sobre o Barroso deram moral ao time de Vagner Mancini, que vai crescendo no seu futebol.

O Avaí não tem do seu lado a pressão por já estar na final, o que por si só é um fator positivo. Enfrentará o JEC na semana que vem em casa no que pode decidir se o time ainda estará vivo ou se pode se concentrar na final. Ainda há o Brusque, que terá Tubarão e Chapecoense fora de casa para ver se pode sonhar com o returno. O time de Pingo observa com muito carinho a classificação geral, que dá aos três primeiros uma vaga na Copa do Brasil do ano que vem. Hoje, o Bruscão está em terceiro com seis pontos de vantagem para o Criciúma. Dá pra administrar e garantir um bom dinheiro em 2018.


Paulinho e a seleção que convence

Os três gols de Paulinho em Montevidéu dizem muito sobre o atual momento da seleção, que apenas espera a confirmação matemática para a Copa, recuperando o interesse do torcedor e goleando o Uruguai fora de casa. Ele era contestado, por ter feito parte do time do 7 a 1 e por ter se "refugiado" na China, em um campeonato de nível bem mais baixo. Pois Tite começou a formar seu time por ele, e eis que um volante virou goleador na partida. Três gols, algo sensacional. Só não chama a atenção de um grande europeu por causa do custo. Resumindo: ganha um caminhão de dinheiro sem pressão no Oriente, joga bem e arrebenta na seleção.

Mas a seleção não é só Paulinho. Tite colocou comprometimento no time, que já tem 90% da base montada para a Copa e a autoestima renovada do torcedor. Não há polêmica nas convocações, o time não tem grandes opiniões contrárias (talvez tenha exceção no gol, onde Alisson está longe de ser uma unanimidade). No resumo, o time convence. Pegou um adversário tradicional, não se abalou com o gol tomado e foi colocando seu jogo em prática. Teve cerca de 70% de posse de bola no Centenário, é mole? A seleção chama a atenção. O momento é bom.

O técnico da seleção terá o resto do ano para ajeitar o time que já conta com uma base. Há uma forma de jogar definida, com qualidade distribuída e sem aquela necessidade de Neymar carregar o piano. Ele continua importante, mas não é mais aquele responsável por tudo. Isso é bom. Tem gente boa no time.

Eu gostei, e todo mundo gostou.

Hoje, além de ver o jogo, resolvi estudar a torcida. Aqueles mais próximos estavam esperando para ver o Brasil jogar. Até não muito tempo atrás, o desinteresse era total.


terça-feira, 21 de março de 2017

Solidariedade

Neste mundo competitivo em que vivemos, e ultimamente com tantas notícias ruins por causa de várias demissões na imprensa (eu fui uma das vítimas, na rádio que trabalhava aqui em Brusque), uma ação de solidariedade me chamou a atenção.

O repórter Marciano Régis, da tradicional Rádio Nereu Ramos de Blumenau, comunicou ao grupo NC que não participará mais do projeto "Rádio GE", onde a emissora (gratuitamente) usa material de repórteres de rádio no Estado em seus programas, solidário aos vários companheiros que foram demitidos pelo grupo de comunicação.

Parabéns pela atitude.

E que nossa classe consiga permanecer unida, em um momento de muitos fechamentos de vaga e gente boa sem prefixo, canal ou jornal para trabalhar.




segunda-feira, 20 de março de 2017

O futebol às dez da manhã e as interferências da TV

Dia desses, conversei com o Rodrigo Rodrigues, gerente de futebol do Brusque, sobre a programação do time para um jogo marcado para as dez da manhã de um domingo. Segundo ele, os atletas precisam acordar pelas 6:30 e estar no saguão do hotel, com café tomado, as 7:30. Os atletas sentem. O torcedor sente. Tem quem gosta, mas não é o ideal.

Mesmo fora do horário de verão, os jogos nem foram passados para as 11. Há uma explicação técnica para isso, que foge de qualquer tentativa de colocar mais público no Estadual (que anda com uma média beeem complicada): o Premiere possui um certo número de canais disponíveis, e precisa se virar pra encaixar todos os estaduais neles de forma que não faltem espaço na grade das operadoras. Um se ferra, adivinha quem? Sim, o Catarinense. Nenhum jogo do Goiano, Carioca, Gaúcho ou Mineiro é deslocado para esse horário. O Paulistão até tem jogos pela manhã, mas a verba recebida lá é muito mais vantajosa.

Vamos voltar ao assunto negociação. Ou os clubes começam a apertar o cerco e tratam de contratos vantajosos com a televisão e essa zorra de horários, ou não veremos a coisa crescer. Os regulamentos precisam estabelecer faixas de horários, e a televisão, que não joga partidas do Grêmio ou Inter para as dez da manhã, que encontre um jeito.

O Joinville, que teve que se mexer para evitar uma partida contra a Chapecoense para uma manhã de sábado, dia útil, terá que enfrentar o Criciúma, um jogo importantíssimo para o campeonato, as 18h de uma quinta-feira, quando poderia jogar na noite de quarta, uma vez que entrará com time reserva contra o Cruzeiro amanhã pela Primeira Liga. No final de semana, jogará as 10 da manhã de domingo em Blumenau contra o Metropolitano.

É ano de vencimento de contrato. Cabe aos torcedores de todos os dez clubes da primeira divisão fazerem uma cobrança forte nos dirigentes para que o futebol seja um produto valorizado. Afinal, hoje uma Chapecoense, que disputa Libertadores da América, ganha menos de cota que um pequeno clube do interior gaúcho.

domingo, 19 de março de 2017

25 gols e o Joinville líder

Uma rodada que a rede balançou muito. Teve sete a zero e um quatro a quatro. No resultado disso tudo, temos um líder que era considerado como improvável até umas semanas atrás. O Joinville teve uma semana cansativa, mas proveitosa. Classificou para a quarta fase da Copa do Brasil e venceu duas partidas no Estadual que lhe dá não só a liderança do returno, mas uma tranquilidade depois de uma turbulência enorme. Afinal, o time se afastou da briga do rebaixamento e já garantiu um bom dinheiro com a campanha na Copa do Brasil.

Contra o frágil Figueirense, o time mostrou uma união enorme. Fabinho Santos poupou alguns jogadores da maratona desgastante e tudo deu certo, com um grande domínio do jogo e três pontos que dão moral para a próxima semana, quando o tricolor enfrenta Criciúma e Metropolitano. Por outro lado, o Figueira jogou a toalha no Estadual e resolveu fazer a limpa no departamento de futebol. Chega Carlito Arini com tempo para fazer uma limpa e montar um time confiável. Até porque esse que está aí é de nível baixíssimo.

Criciúma e Brusque fizeram um jogo maluco. Golaços e falhas de defesa. No final, o Bruscão deixou escapar uma vitória com um 4 a 2 na mão na reta final do jogo. Muitos podem dizer "Ah, empate tá bom, campanha tá ótima". OK, é um bom argumento. Mas quem quer que o Brusque vá longe, ou até sonhe em final, precisa cobrar o fato de permitir o empate. No fim, pesou o elenco limitado de peças na defesa. Mas ambos seguem com chances no returno, que ainda tem sete rodadas pela frente.

A Chapecoense passou o carro no Tubarão com um sete a zero e dá o recado de que quer chegar na final do Estadual. Com um período sem jogos da Libertadores, o Verdão terá a possibilidade de se dedicar ao campeonato. Outra goleada foi a do Avaí, que começou o jogo contra o Metropolitano vencendo por 2 a 0 e terminou num 4 a 1.

Teremos briga interessante no rebaixamento: o Barroso venceu, o Inter vem caindo de rendimento, Metropolitano em crise profunda e o Tubarão balançado depois de uma chacoalhada histórica. O descenso será decidido entre esses quatro. Quem não se mexer pode cair no buraco.


quinta-feira, 2 de março de 2017

Por um travessão

Para o Corinthians, será apenas mais um confronto onde, com muito sufoco e graças a um travessão, o time seguiu em frente na Copa do Brasil. Para o Brusque, será uma decepção que durará muito tempo em uma partida em que os torcedores contarão para os netos onde eles estavam na noite de primeiro de março de 2017.

Uma bola no travessão. Isso é futebol.

Não foi uma primazia de jogo, mas o Brusque soube equilibrar o jogo contra o Coringão, que marcou forte a saída e depois precisou recompor em cima dos espaços que abriram. A defesa brusquense dava alguns sustos com as bolas recuadas (e, é bom mencionar, quase inexistentes no estadual) mas vinha dando jeito. No segundo tempo, as oportunidades aumentaram com a reestreia de Jadson, que tentou dar mais qualidade ao time paulista. Mais tarde, Fábio Carille colocou Jô, mas sem a rede balançar. Era alerta de pênaltis.

O erro de Jadson deu a letra para que o Brusque tivesse a bola da classificação. Ele chutou com força demais e explodiu o travessão. Costumo dizer que "só perde pênalti quem bate", por causa do tamanho da pressão em uma decisão dessas. Nas alternadas, Carlos Alberto chutou pra fora. Estão xingando o técnico pela escolha. Se tivesse feito, ninguém teria falado. É futebol.

A cidade acordará triste pelo resultado, mas certo de que o time é bom. Tem aí um estadual pela frente, com boas possibilidades de conquistar mais uma ida à Copa do Brasil. O Corinthians tomou um susto, dentro do seu processo de montagem de time. Afinal, ficou muito próximo da eliminação.

A festa foi legal, e não tivemos problemas. Segurança funcionou muito bem

E vida que segue. O Brusque volta a focar o Estadual, enfrentando o Joinville no sábado.


terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Sim, é possível

O novo regulamento da Copa do Brasil criou uma verdadeira arapuca para times grandes. Não há mais a chance do jogo de volta para recuperação, tampouco a brecha para se poupar time. No ano de estreia, já tivemos times de maior expressão eliminados no início. De certa forma, essa nova dinâmica permite aos clubes menores uma possibilidade real de crime.

E é isso que o Brusque persegue. Surpreender. E isso é possível.

Vieram propostas, mas a pressão da comunidade pesou. Não havia saída para a diretoria, que teve que manter o jogo aqui, mesmo com público reduzido. Essa é a chave do jogo. Uma partida só, no Augusto Bauer e sua grama de jardim (que, diga-se de passagem, nunca esteve tão boa), com o empate levando a decisão para os pênaltis.

Vamos falar do jogo. Existe uma frase já dita muitas vezes no futebol de que "futebol é momento". E, vamos combinar, o momento do Brusque é muito bom. Vice-líder do Estadual, com quatro vitórias em cinco partidas, o time de Pingo colhe bons resultados, mesmo tendo problemas a resolver. Vejo um time que vai evoluindo no ataque, com o crescente número de oportunidades que surgem para Jonatas Belusso e Ricardo Lobo. Mesmo otimismo não vejo na defesa, onde Pingo chegou a reclamar das falhas de posicionamento da dupla Cleyton-Neguete, este último guindado a titular depois da estranha dispensa de Gustavo ainda na pré-temporada. Veio Willames, o irmão de Willian José, da Campinense para, teoricamente, ser o titular. Ele jogou no sábado, e o time fez 3 a 0 no Inter.

O Corinthians teve um início de ano bastante irregular mas parece ter acertado o seu rumo. Fábio Carille poupou jogadores no final de semana para colocar o que tem de melhor a sua disposição no Augusto Bauer. Ele sabe que precisará de Jadson, tanto que deve estrear nesta quarta, para dar um ganho de qualidade considerável ao seu time.

Serão noventa minutos para definir o classificado, onde o Brusque terá que fazer a melhor atuação do ano ou, na pior das hipóteses, empatar com a melhor até aqui. O time precisa ter foco e não cair no nervosismo, como vimos no primeiro tempo da partida contra o Remo. O técnico Pingo tirou o treino do estádio na véspera do jogo para ter calma para trabalhar. Fez o certo.

Vejo um grande respeito de todas as partes, reflexo da boa campanha do Bruscão no campeonato estadual. E quem viu as vitórias contra Chapecoense e Remo, construídas em cima de muita entrega e bom futebol, não tem como não acreditar na possibilidade de bater um dos maiores times do país.






Top sem bola

É complicado escolher uma seleção de campeonato. Cada um tem a sua. Fórmulas, existem várias. Até aí, sem problema. Mas a partir do momento que uma Federação toma uma eleição como a sua "oficial", que é entregue com toda a pompa em um evento um dia após a decisão, a história muda um pouco.

Há alguns anos, o renomado instituto Mapa realiza o chamado "Top da Bola", a escolha dos melhores do catarinense. Como muita gente indignada já perguntou como funciona, eu explico:

Teoricamente, todos os radialistas que transmitem os jogos deveriam votar nos jogos que trabalharam. Um exemplo: vamos supor que trabalhei em um Brusque x Joinville. Preciso fazer uma "seleção" desse jogo, escolhendo o melhor goleiro do jogo, dois laterais, dois zagueiros, etc. e dar uma nota para eles. Depois, eles juntam essas notas (o critério nunca ficou claro) e divulgam a seleção da rodada. Eu sei de caso que radialistas de uma cidade combinaram de todos darem 10 para determinado jogador. E ele não foi para a seleção.

Não voto há anos nessa eleição pois não consigo ver realidade dentro dela. Prova cabal veio nesta segunda, na divulgação da relação da "seleção" da oitava rodada do turno. Maicon Silva, lateral-direito do Criciúma, entrou na lista (foto) como o melhor lateral-esquerdo do final de semana. Acontece que ele não entrou em campo no maluco 5 a 4 contra o Metropolitano. Ficou no banco de reservas. Ora, como ele foi parar lá?




domingo, 26 de fevereiro de 2017

Bruscão x Timão, o jogo que mexe com a cultura da região

Acho que era ano 2000, por aí. Eu fui a Chapecó transmitir um Brusque x Chapecoense do Estadual. O primeiro tempo foi horrível, tinha torcedor dormindo. No intervalo, aconteceu um Gre-Nal de crianças. Deu briga na arquibancada. Em outro ida ao Oeste, fui fazer um lanche lá no Bar do Boca. De repente, passam colorados puxando gremistas em uma carroça em plena Avenida Getúlio Vargas.

Isso faz parte do passado por lá. A Chape é a dona da cidade. Aqui em Brusque isso ainda é muito presente.

O jogo Brusque x Corinthians mexe muito com o espírito do segundo time, ou "misto", como torcedores de cidades com futebol estabilizado, como Criciúma, Joinville e Floripa, falam. Isso tem explicação.

Eu passei por isso.

Camisa de torcedor para o jogo (foto: Facebook)
A região do Vale foi "catequizada" por emissoras de rádio de fora, que entravam no AM com som local no período da noite. Além do mais, por causa do relevo, cerca de duas em cada três residências tem antena parabólica, o que os tira do circuito das emissoras abertas locais que, no caso de Brusque, não davam bola alguma para cá. Acho que minha profissão veio disso. Eu tinha nove ou dez anos, e em dado momento tinha dificuldade para dormir. Meu pai, vascaíno que carrega a maior decepção em ter deixado seu filho virar flamenguista, me ensinou, com um rádio nove faixas que eu ganhei na minha primeira comunhão, a sintonizar a Globo e a Tupi, com seus noticiários esportivos noturnos. Mais tarde descobri a Rádio Gaúcha, com os debates da madrugada do recém-falecido Jayme Copstein. Me ajudava a relaxar e dormir. Sim, enquanto muitos ouvem música para relaxar, eu ouço notícia.

O Brusque foi campeão catarinense em 1992, mas acumulou uma série de acessos e descensos desde então. Resultados expressivos em nível nacional, nenhum. E assim cresceu a torcida, sempre com um time grande acompanhado do local para os mais velhos. Quando o sistema de som do Estádio Augusto Bauer anuncia um gol no Carioca ou no Paulista, é uma festa. Aqui tem Fla-Brusque, Vasco-Brusque, Fiel-Brusque, consulado do Inter. Teve até um encontro gigante de palmeirenses. Temos que compreender, essa é a realidade. Até o Bruscão conquistar resultados bons, como os títulos nacionais de Avaí, JEC e Criciúma ou acessos para, no mínimo, a Série C, será assim. Some-se aí o fato do Brusque ser um clube comandado por um grupo de abnegados que não conta com apoio das entidades empresariais da cidade, e nem tem um departamento eficiente de comunicação e marketing, por falta de dinheiro. O clube não tem plano de sócio: tentou criar um ano passado que foi um fracasso. A Kanxa, fornecedora de material (para um clube de uma cidade têxtil, que poderia fabricar aqui), demorou quase dois meses pra entregar camisas para venda. Não é fácil.

Quis o destino que o Brusque herdasse da Chapecoense uma vaga na Copa do Brasil e enfrentasse um dos maiores clubes do país, em casa, para aflorar esse sentimento duplo do torcedor. O Corinthians pediu, e todos os ingressos de visitante foram para São Paulo. Os alvinegros da região tiveram que comprar ingresso no espaço do Brusque. Pode dar confusão, ou não. Lado a lado estarão moradores da mesma cidade que estarão em uma situação diferente. Se fosse Flamengo, Vasco, Palmeiras, Inter ou Grêmio seria igual. Mudariam apenas as pessoas. O Brusque, que leva seus 2 ou 3 mil torcedores por jogo, não atrai a atenção de toda a cidade, que tem 120 mil habitantes. O Corinthians, com todo o seu poder midiático que chega em doses cavalares pela TV, tem muitos fãs. Sendo que grande parte nunca viu um jogo dele ao vivo.

O jogo desta quarta será um divisor de águas. É o primeiro jogo do Brusque em rede nacional. Será o maior acontecimento esportivo dessa cidade depois da final do Estadual de 1992, onde Claudio Freitas fez aquele gol antológico contra o Avaí. Aparece uma oportunidade do clube capitalizar mais torcedores e chegar próximo de onde os cinco grandes do Estado chegaram.

O resultado do jogo em si é o de menos. O Corinthians é favorito, apesar do Brusque ter estabelecido uma boa sequência, culminando com um 3 a 0 em Lages no sábado de carnaval. Será um jogo para contar para os netos.

E que tenhamos uma noite tranquila.


sábado, 25 de fevereiro de 2017

Avaí campeão invicto do turno, com algo a mais que os outros

Leandro Romano / Avaí FC
O Avaí confirmou o título do primeiro turno do estadual no segundo match-point que teve a disposição mostrando que nem o gramado sintético de Itajaí é capaz de segurá-lo. Mostrou sua qualidade muito superior e não deu chance ao Barroso, que aposta em sua casa para se segurar na primeira divisão. Não deu.

O Leão vai à final do campeonato com uma condição bastante interessante para levar o título sem final. Isso não quer dizer uma garantia. Hoje, o time mostra uma organização bem maior que os oponentes, que não conseguem estabelecer uma sequência. Se não vejamos: o Figueirense deu um aperto no clássico mas voltou a ser a mesma bagunça contra o Tubarão. A Chapecoense cresce, mas ainda não consegue se estabelecer. Pesa ainda a Libertadores, que começará em breve e, obviamente, será priorizada. O Criciúma era o time mais próximo disso, mas quem falha do jeito que falhou contra o Metropolitano precisa ser olhado com ressalvas. Dos pequenos há o Brusque, que venceu fora de casa o Inter, que fez excelente campanha, mas não vê o título como prioridade.

No ano passado vemos uma Chapecoense arrebentar no primeiro turno mas perder terreno no segundo, abrindo espaço para uma final contra o Joinville. Em situação parecida está o Avaí, que tem time superior mas pode acabar, em uma escorregada, tendo que jogar a decisão.

Quem chega a um título de turno invicto merece respeito. Não dá pra aplicar teorias da conspiração. A única coisa certa é que o time, obviamente, precisará se qualificar para a Série A, já que o nível do Estadual não é dos melhores. Mas entre os dez clubes, é o que está em melhores condições de chegar ao topo. Cabe agora ao time de Claudinei Oliveira evitar a tensão dos dois jogos finais.




domingo, 19 de fevereiro de 2017

Sob forte calor, Avaí encaminha o turno

Jamira Furlani / Avaí FC
Sob um calor infernal (e vamos ser sinceros, perigoso), Avaí e Brusque fizeram um jogo que não tinha como ser acelerado diante das condições. Pela importância, deveria ter mais gente. Se fosse no horário previamente marcado, era pra mais de 10 mil. Que jogassem mais tarde ou até segunda... mas enfim, aconteceu. Vamos falar do jogo.

O Leão foi muito mais eficiente e fez por merecer vencer a partida. O Brusque, completamente entregue, errrando um sem número de passes e dando apenas um chute a gol, foi presa fácil. No primeiro tempo, o time da casa se impôs e, mesmo desfalcado, mostrou que tem o padrão muito bem assimilado pelo grupo e peças de reposição no banco capazes de manter a força. O ritmo for forte, mesmo com o calor.

No segundo tempo, o Brusque até conseguiu o empate, mas sobrava qualidade ao Avaí que, além de vencer o jogo, também carimbou a trave de Rodolpho mais de uma vez. Uma vitória que amplia ainda mais a frente do time, que pode confirmar o título do turno contra o Figueirense e ainda mais, manter uma distância que pode lhe garantir a decisão do campeonato em casa (caso, claro, não leve também o segundo turno)

O Bruscão de Pingo tem que apagar esse jogo da memória. Nada funcionou, e dois problemas precisam ser analisados: se Assis tem essa bola toda pra continuar sendo titular e se a dupla de zaga Clayton-Neguete não precisa passar por mudanças. Chegou um zagueiro, Willames, com a ideia de ser titular. Resta saber se o treinador tera culhão para mexer em um setor que mostra seguidas falhas de posicionamento.

A liderança avaiana não é fruto de sorte. É a consolidação do melhor time do campeonato. O nível não está lá dos melhores, mas tem vantagem quem é mais organizado. E nesse quesito, a supremacia avaiana não deixa dúvidas.



sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Noite de classificação. O Corinthians vem aí

A torcida esperou com muita ansiedade esse Brusque x Remo. E até parece que isso transpareceu para o time. O resultado foi um jogo de muita emoção, onde todos que estavam no estádio pareciam “pilhados”. Notei que o time não parecia o mesmo. Se fosse basquete ou futsal, daria pra pedir um tempo pra respirar. Saiu o primeiro gol, jogo indo em ritmo bom. Veio o empate, numa pedrada de fora da área. Chegou o pênalti. Assis perdeu e mandou a tensão lá pra cima.

O intervalo foi decisivo. O time conseguiu colocar a cabeça no lugar e o jogo começou a se desenvolver melhor. Prêmio disso foi o gol de Ricardo Lobo, em um cruzamento pela esquerda. A partir daí o Remo foi pro desespero e a partida ficou extremamente perigosa, com contra-ataque escancarado e um show de bolas aéreas.

A calma que tanto atrapalhou o time no primeiro tempo reapareceu para que um mísero desses contra-ataques encaixasse para matar o confronto. Mas não, teve que ter emoção. Bola na trave deles, um susto a cada bola levantada.

 Deu tudo certo.

Uma vitória que eleva a moral do clube em todos os aspectos, desde a promoção do time em rede nacional, até o próprio espírito de união dentro do elenco que ganha, com toda certeza, um gás a mais para o campeonato catarinense, onde o Bruscão é vice-líder e poderá, por que não, pregar uma peça no Avaí na Ressacada para seguir vivo no turno do Estadual.

Hora de pés no chão. Há jogos importantes pelo Estadual que podem garantir uma volta à Copa do Brasil para noites tão interessantes como tivemos ontem. O time vai evoluindo e ontem passou por uma pressão enorme. As metas estão claras e é bom não perdê-las. O dinheiro entrou na conta e a diretoria consegue respirar. Vamos em frente com muita tranquilidade e profissionalismo.

E sendo curto e grosso:  Quer classificar? Joga aqui. Espero que a diretoria do Brusque não pense em vender o mando (pode ter certeza que o telefone vai tocar hoje com uma oferta) em troca de uma classificação altamente possível. Afinal, o Corinthians não vem convencendo e, sim, é possível passar de fase. É um ato que mostra que o time quer ser grande.

O Brusque já botou a mão em R$ 250 mil como cota de participação na primeira fase da Copa do Brasil. A ida para a segunda vai render aos cofres do clube mais R$ 315 mil. Isso ninguém tira. Já uma ida para a terceira fase pode dobrar esse bolo. Renda de jogo é o de menos, até porque ela é dividida entre os clubes.

Viremos a página, domingo tem o Avaí.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Fatores sintéticos

Assessoria CNAB
A vitória impressionante do Almirante Barroso sobre o Figueirense ontem não só aumenta a crise no alvinegro, que vê os planos de conquista do turno irem embora e a pressão sobre o técnico Marquinhos Santos ficar praticamente insustentável. Chama a atenção para o fato que levou o clube de Itajaí para o acesso e que será preponderante caso o time queira se sustentar na elite: o campo, onde tanto o Figueira quanto o JEC (que quase venceu o jogo) mostraram dificuldades.

O segundo tempo foi um banho de bola, onde o Figueirense só levava perigo na bola aérea e, no resto, mostrava uma gigante desorganização. Concordo com a opinião de que a passagem de Marquinhos Santos no clube não deu certo. Ele não acertou a mão, e tudo indica que não vai conseguir. Veio prestigiado, trouxe vários jogadores que ele indicou, mas o futebol não rende. Vamos para a quinta rodada do turno e o time não reagiu. Pela frente há uma "pré-temporada" para a segunda fase, já que nesta o Avaí já abriu oito pontos de distância, com uma organização muito maior.

Já o Barroso, o patinho feio do campeonato e criticado pelo seu gramado (e sobre a polêmica dou assunto por encerrado, até porque dois times já jogaram lá e terá que ser assim até o final) mostrou virtudes. É um time que não tem estrelas, mas tem uma grande motivação. O empate em Chapecó deu uma energia a mais e fez o time acreditar que é possível enfrentar qualquer um. Quem apostava antes do campeonato que ele seria rebaixado certo precisa ter calma. Até porque, lá embaixo da tabela, está um Atlético Tubarão que entrou na disputa cheio de holofotes, com dezenas de matérias destacando sua organização, mas pecando no ponto mais importante: futebol. O time do sul não marcou gol em quatro jogos, tem no ataque um Rentería que é mais marketing que futebol e criando um clima complicado para Marcelo Mabília fazer seu trabalho.