quinta-feira, 18 de maio de 2017

Sem invenção, o time rende melhor. Chapecoense conquista grande vitória

O sinal já havia sido dado na partida contra o Nacional em Montevidéu. Vágner Mancini inventou uma formação com Nathan para reforçar a marcação e sem armação nenhuma no meio, acabou tomando uma surra. Na final do Estadual, a mesma coisa. Correu risco seríssimo de ver o Avaí dar a volta olímpica dentro da sua casa.

Demorou, mas as pancadas surtiram efeito já contra o Corinthians. Somando-se com a entrada de Jandrei no gol no lugar de Artur Moraes, Mancini resolveu, finalmente, ir no que estava funcionando. João Pedro não veio para isso, mas acabou encaixando muito bem no meio. Apodi foi bem na ala e até se aprimorou em Buenos Aires, auxiliando um pouco mais na marcação.

Aí o time funcionou. Bom ressaltar que enfrentou o melhor time do grupo, que para mim era o grande favorito (e agora está seriamente ameaçado para a última rodada). Não foi uma vitória de acaso. Houve volume de jogo de um time que seguia um caminho correto até vê-lo interrompido por uma convicção errada do técnico. Más atuações o fizeram mudar de ideia. E agora o time está bem próximo de uma classificação dada como improvável há algum tempo.

Agora, tem o caso do zagueiro Luiz Otávio, que teria jogado de forma irregular. A Chape vai defender que não havia sido comunicada em tempo hábil. Sinal que teremos tapetão pela frente em uma situação que era possível evitar. Tomara que isso não acabe custando a eliminação do time, que foi brioso e mereceu a vitória na Argentina. Custo a crer que o departamento jurídico dê mais um tiro no pé, depois daquela tentativa malsucedida de tirar Betão e colocar Andrei Girotto na final do campeonato estadual. Mas vamos ter que esperar um pouco para entender melhor essa história.

No campo, deu tudo certo. Uma grande vitória da Chapecoense.


domingo, 14 de maio de 2017

Primeiras impressões

É apenas a primeira rodada da segunda parte da temporada, onde o Estadual ficou pra trás e aquelas dúvidas e incertezas sobre a qualidade dos times começam a ser esclarecidas. O final de semana de abertura do Brasileiro trouxe algumas observações bem importantes.

No sábado, o novo Figueirense deixou uma primeira impressão muito boa, batendo fora de casa um Goiás qualificado, vindo de título Estadual, com um time caro e que sempre aparece como candidato a acesso. De todos, é o time que mais chama a curiosidade pelo fato de ser praticamente novo após o papelão no catarinense.

No mesmo horário teve a Chapecoense, que conseguiu um bom empate com o Corinthians mostrando algumas mudanças que podem ser indicativos de melhora, para afastar a desconfiança que apareceu mesmo com o título estadual. A zaga formada por Victor Ramos e Luiz Otávio agradou, mostrando que pode ter um comportamento melhor que as opções já usadas por Vágner Mancini. A chegada de Seijas vai colocar uma qualidade na armação, coisa que a Chape tapou buraco em algumas oportunidades com João Pedro. O mais importante era não mostrar deficiência técnica. Isso passou longe. Agora é trabalhar para tornar o time cada vez mais confiável e não correr risco de descenso.

O Criciúma não teve a mesma sorte. Perdeu um caminhão de gols, foi prejudicado pela arbitragem e poderia ter vencido o Santa Cruz. Acabou perdendo e jogando pressão extra em Deivid. Ele não conseguiu dar jeito para criar regularidade no time no Estadual e já inicia a Série B deixando dúvidas.

No domingo, o Avaí não fez um jogo bom contra o Vitória. Olhando da parte técnica, o empate era merecido. Claro, não dá pra ignorar um pênalti claro não marcado pela arbitragem que poderia transformar o resultado em vitória. Os pontos podem fazer falta, mas o futebol mostrado dá claros sinais de que o trabalho a ser feito no time será enorme, sem muito tempo de paciência. Mais jogadores estrearão e a grande esperança do torcedor avaiano é que Claudinei Oliveira consiga fazer essa turma render a ponto de contrariar todos os exercícios de futurologia que estão publicados por aí enquadrando seu time como favorito ao rebaixamento. O elenco não é numeroso e não conta com figurões. Logo, muito trabalho terá que ser feito.

Lá na Série C, o Joinville estreou empatando em Erechim contra o Ypiranga. O desafio aqui é outro, já que são 18 rodadas para definir 4 vagas no mata-mata. A ver se o time tem qualidade suficiente para conseguir uma das vagas.


domingo, 7 de maio de 2017

Chapecoense, a campeã nos 180 minutos. Avaí vendeu caro o título

A Chapecoense conquista o título estadual na soma dos 180 minutos. No fim, o primeiro capítulo, com a expulsão de Capa e Girotto e o gol de Luiz Antônio fizeram uma grande diferença. Porque o Avaí foi outro time. Em casa não teve inspiração. Em Chapecó foi bravo. Poderia estar vencendo por 2 a 0 ainda no primeiro tempo, coisa que nem o mais otimista torcedor avaiano planejava. É o tipo de derrota que pode doer ao torcedor avaiano, mas talvez não o deixe revoltado.

Vágner Mancini correu risco ao escalar um time que comprovadamente não funcionou na tentativa anterior. O uso de Nathan na vaga de Andrei Girotto deixou o time torto, sem uma dinâmica. O jogo caminhava sem muita graça, até a pedrada de Leandro Silva que surpreendeu Artur Moraes. A Chape sentiu o golpe, balançou e quase foi à lona quando Marquinhos perdeu um gol claro que mudaria toda uma história do confronto.

Com a motivação lá em cima, o Avaí teve outra grande chance no segundo tempo. Correu atrás. Deu espaço, o que era esperado. Quase tomou o empate. No fim, prevaleceu o regulamento, que dá justiça ao time que teve melhor rendimento durante o campeonato.

O Avaí desta final recuperou o time do primeiro turno. Nos últimos jogos da fase de classificação, aconteceram escorregões que poderiam ter levado o jogo de volta para casa e aí mudar toda uma dinâmica da decisão.

A Chapecoense era favorita, mas teve problemas em administrar a superioridade de elenco e folha salarial. Faltou futebol, principalmente daquele time que levou o returno. Mancini demorou demais para retomar o esquema que funcionava melhor. No fim deu certo, mas não houve a tranquilidade que muita gente esperava. O Avaí vendeu caro o título.

Nem vai dar tempo pra festa, já que quarta tem jogo na Colômbia. Parabéns à Chapecoense, campeã com justiça por toda a boa campanha feita. Mas é necessário ressaltar a luta do Avaí, que não era favorito e esteve a centímetros de chegar lá.


sábado, 6 de maio de 2017

Os micos do Campeonato Catarinense 2017

Chegou a hora de uma tradição do Blog.

Na véspera da decisão, o  BdR divulga a sua lista dos micos do Catarinense 2017. Tem de tudo, de furo de imprensa até pé murcho. Não foram tantas ocorrências assim, mas o "Havanzão" desta temporada reservou alguns fatos curiosos.

Vamos á lista!

10) O quebra-pau antes da última rodada: o Internacional de Lages, que quase caiu, abre a lista dos micos de 2017 graças ao goleiro Neto Volpi, que já tinha sido alvo de polêmica semanas antes, com a proposta indecorosa vinda de um dirigente do Paraná. Desta vez, ele foi conhecer o sereno de Lages, onde faz frio, e chegou tarde demais na concentração. Deu descontrole, briga feia, e o grandalhão acabou demitido, sem antes passar pelo hospital. Um outro detalhe: nesta temporada, teve mais gente dispensada por causa do sereno da Princesa da Serra, se é que você me entende.

9) O campo da discórdia: Almirante Barroso x Joinville foi o primeiro jogo da história do Campeonato Catarinense da primeira divisão a ser disputado em campo sintético. Mas o gramado artificial do Camilo Mussi tinha uma particularidade: linhas amarelas que marcam os quatro campos de society que são alugados durante a semana. Virou manchete nacional assim que as primeiras imagens apareceram. Além do mais, o campo era baixo, irregular e com muitas pedras. "Parecia que estávamos jogando no asfalto", disse o atacante Rossi, da Chapecoense. De fato, o campo não serviu de vantagem para o Barroso, que acabou rebaixado.



8) André Luiz Back: A arbitragem mais desastrosa do ano vai para este senhor, que pouco é acionado pela Federação Catarinense, é reincidente por dar dois amarelos para um jogador do Avaí em outro campeonato sem expulsá-lo e, mesmo assim, é escalado para jogos importantes. Seu trabalho em Almirante Barroso x Figueirense foi decisivo para a definição do rebaixamento: marcou dois impedimentos inexistentes para o time de Itajaí e um pênalti esdrúxulo que deu a vitória ao Figueira. Foi o responsável pelo assalto do ano. Que nunca mais seja escalado na primeira divisão. Outro que acabou afastado foi Edson da Silva, outro reincidente em erros graves, que fez besteira em Avaí x Tubarão. Que se acabe a insistência em nomes que não tem qualidade.


7) Ataque do Figueirense: Um dos mais ricos times do Estado com o mais pífio dos ataques. Comandado por Bill, atacante que nada fez e que foi expulso ao acertar uma cotovelada na boca do estômago de um zagueiro do Joinville, tomando quatro jogos de suspensão. Os números do Figueira no returno do campeonato são dignos de rebaixamento: apenas dois gols marcados, sendo que um foi irregular. O Estadual do Figueira foi para esquecer: acabou goleado pelo Almirante Barroso, teve jogador falador dizendo que ia engolir o Brusque (e foi engolido) e um rebaixamento evitado por erros de arbitragem. Prova disso é que a barca foi grande antes da Série B.

6) Roger Flores: o ex-atacante que virou apresentador no Sportv mostrou seus conhecimentos de matemática em uma rodada do catarinense. Em uma rodada que teve impressionantes 25 gols marcados em cinco jogos, o narrador André Lino chamou a atenção para o número: “Em Santa Catarina, em cinco jogos, foram 25 gols, Roger. Faça as contas para determinar essa média de gols altíssima aqui em Santa Catarina. Um abraço, bom programa”. Roger não demorou para fazer a difícil conta: "média de três por jogo!!!"Dá zero pra ele.


5) Top Fake da Bola: O famoso prêmio para os melhores do campeonato catarinense sempre trouxe polêmica. Muitos até deixaram de participar depois de surgirem muitas suspeitas sobre os critérios de classificação, que premiava quem pouco aparecia. Pois bem, a tradicional lista da seleção da rodada se superou neste Estadual, criando uma grande suspeita sobre a sua credibilidade: no dia 27 de fevereiro, o prêmio colocou o lateral-direito Maicon Silva, do Criciúma, como destaque da rodada contra o Metropolitano, e ainda por cima na lateral-esquerda. Acontece que ele não entrou em campo naquela partida. Teve mais alguns problemas: o volante Renan Teixeira, do Joinville, lesionou-se antes da metade do returno e mesmo assim figurou entre os melhores da fase. Como confiar?


4) Xi, Erramos: As vezes a pressa induz ao erro. Eu errei, você deve ter errado, todos erramos. Mas vamos concordar que um dos maiores grupos de comunicação do país precisa trabalhar para evitar erros, muito mais quando se cai em armadilha de perfil falso. Aconteceu com o novo Grupo NC. Após a vexatória goleada sofrida para o Almirante Barroso, todos os sites do conglomerado anunciaram a demissão do técnico Marquinhos Santos, que havia sido postada por um perfil falso do Figueirense. Quando viram o tamanho do problema, tiveram que voltar atrás e reconhecer o erro. Provavelmente alguma cabeça de estagiário rolou. Ele seria demitido dias depois, após a eliminação da Copa do Brasil para o Rio Branco, do Acre.








3) A polêmica nova marca do JEC: Depois de não renovar contrato com a Umbro, o Joinville decidiu fabricar os uniformes na cidade e possivelmente faturar mais. O problema era o nome da nova marca. Em homenagem ao octacampeonato Estadual, o JEC resolveu criar o "OCTA", subsitituindo a letra O pelo número 8, que parecia um "B". No fim, todo mundo começou a ler "BCTA", criando uma dupla interpretação que você sabe qual é. Em uma semana, o BCTA virou OCTO. Mas não tem como negar que a repercussão foi grande para o clube.


2) O Banheiro chegou!: Inter de Lages e Criciúma se enfrentavam no Vidal Ramos Jr. no primeiro turno, e torcedores do Tigre tiveram um problema: o banheiro do estádio ainda não tinha chegado. Você não leu errado. O banheiro químico do setor visitante chegou às pressas com a bola rolando. As fotos do torcedor Antonio Uliana documentaram o fato.





1) O Bailão da Terceira Idade: O Campeonato Catarinense teve vários jogos no horário das dez da manhã, por ordem da televisão, que mexia a agenda ao seu bel prazer, em pleno verão. Mas um desses jogos teve seu horário modificado por outro motivo muito importante: a partida entre Almirante Barroso x Brusque, no segundo turno, foi colocada para o período da manhã por causa de um Bailão da Terceira Idade que ocupa o estacionamento do clube durante a tarde. A música faz parte do Camilo Mussi: na partida contra o Joinville, enquanto a bola rolava, uma banda tocava o som do Kiss em uma animada festa de aniversário embaixo da arquibancada.









sexta-feira, 5 de maio de 2017

O "Trash Talk" pré-final

A semana antes da decisão do Estadual é de muito diz-que-diz, e sempre foi assim. O Avaí, que tem uma desvantagem enorme para tirar fora de casa sem ter o melhor time, busca de todas as formas possíveis buscar energia para o jogo de domingo.

Muita coisa é o que chamamos de "trash talk". Certas coisas não gosto muito, como dizer que "o mundo está contra a gente", ou que o time adversário estava comemorando o título antecipado em Floripa logo após o jogo de ida. Até surgiu informação, que dessa vez não veio do clube e sim da imprensa da capital, de que já haveria carro de bombeiro reservado. Não é assim que se leva.

De toda forma, a Chapecoense mostra que está focada para que nenhum acidente de percurso aconteça em casa. Poupou os titulares da partida da Copa do Brasil e permitiu que eles descansassem no meio de uma maratona que ainda será dura. Depois da final, o time vai à Colômbia enfrentar o Nacional e na sequência tem o Corinthians na abertura do Brasileirão.

O Avaí parece ter superado o estresse do que Marquinhos falou após o jogo na Ressacada. O momento é de menos recado pra fora e mais motivação e organização para dentro. Não vai ser simples chegar em Chapecó e fazer 2 a 0. O time de Claudinei Oliveira está há mais de um mês sem vencer (a última foi contra o Brusque dia 2/4), não retomou o rumo na reta final do returno e agora tem uma grande desvantagem.

É um indicativo que o time terá que se reforçar muito para o Brasileirão que está aí. Há um claro favorito para a decisão do Estadual. A Chapecoense é favorita pelo resultado no jogo de ida, pela qualidade do seu elenco e as opções no banco. Ao Avaí cabe falar menos e encontrar o caminho para reverter uma situação bastante complicada.


domingo, 30 de abril de 2017

Chapecoense vence um Avaí sem inspiração, no jogo que o juiz quis aparecer

Frederico Tadeu / Avaí FC
Um passo enorme para o título. Com um gol de Luiz Antônio, a Chapecoense está muito próxima de levar mais um Estadual em uma partida que teve polêmica causada pelo "showman" Héber Roberto Lopes.

Infelizmente, temos que falar de arbitragem. Mas o torcedor avaiano não pode se agarrar nisso para analisar ou até justificar a derrota. Faltou inspiração, principalmente no segundo tempo, e o técnico Claudinei Oliveira, em uma troca, tirou o que poderia ser o diferencial diante de uma situação adversa. A saída de Marquinhos matou o time e faltou poder de reação.

Vamos falar das expulsões: Capa, como jogador profissional que é, deve saber que é um risco deixar o cotovelo em uma disputa de bola. Ainda mais deixando ele tão em cima, no rosto do seu marcador. Aí, você joga a decisão na consciência do árbitro, que pode não dar nada ou exagerar. Aconteceu o pior, e o time sentiu. Vinte minutos depois, Héber compensou e expulsou Girotto em um lance mais leve. No meio desse tempo, a Chape fez 1 a 0.

Mas havia muito jogo pela frente, e o Avaí tinha tempo para empatar e talvez virar. A saída de Marquinhos foi criticada pelo próprio, e eu assino embaixo: mesmo se for pra recompor a marcação ainda no primeiro tempo, você não pode tirar o craque do time, o cara que pode decidir em uma bola parada ou jogada individual numa situação complicada, ainda mais em final. Além do mais, a opção pelo desconhecido Maurício Tomazi, em plena decisão, é bastante questionável. Antes Claudinei Oliveira tivesse tirado Rômulo, onde o dano seria bem menor. 

A Chapecoense, que tinha o regulamento para si, entrou em campo para administrar e saiu lucrando com o placar a favor. Luiz Antonio aproveitou um buraco entre as linhas de marcação avaianas para fazer o gol, e a partir daí tratou de gastar o relógio e esperar o apito final. Faltou ao Avaí algumas doses a mais de vontade e, principalmente, qualidade de finalização. O final da partida reservou várias oportunidades, com conclusões bem abaixo da média. É obrigatório reconhecer a superioridade técnica.

Agora, o Avaí terá que juntar os cacos e conversar muito (Marquinhos esbravejou contra o técnico no fim da partida e isso vai repercutir a semana toda), para tentar a partida perfeita em Chapecó para fazer os dois gols de diferença. E tem que ser um jogo de excelência, onde Marquinhos terá que jogar como nunca, o time terá que suprir a falta de Capa na ala esquerda e, principalmente, ficar de olho na linha de contra-ataque da Chape, sempre à espreita esperando um golpe fatal.

Tecnicamente o jogo foi decepcionante, mas a Chapecoense não quis trocar chumbo e o Avaí ficou devendo em futebol. Vamos aguardar a decisão.




quarta-feira, 26 de abril de 2017

A dureza e os desafios do rebaixamento para Metrô e Barroso

Time rebaixado em Santa Catarina passa por uma verdadeira provação. O calendário é cruel, e a Série B do Estadual sempre acontece apenas no segundo semestre. Isso faz com que o time fique um ano sem jogar, tendo despesas com os campeonatos de base (obrigatórios pelo regulamento) até o final desta temporada. A ficha mesmo só vai cair lá pra novembro ou dezembro, quando o torcedor notar que não haverá time pra se preparar para o Estadual. É uma realidade dura, próximo a uma prisão, que cria um vácuo de tempo que não passa nunca. Neste ano, o Barroso e, principalmente, o Metropolitano, de tantos anos na primeira divisão, sentirão essa barra.

Mas onde eles erraram pra tomar esse castigo? São duas razões diferentes.

O Barroso foi prejudicado pela arbitragem naquele jogo contra o Figueirense sim, mas teve outras oportunidades para conquistar pontos. O goleiro Rodolfo foi diretamente responsável pelo empate em casa contra o Joinville e pela derrota para a Chapecoense, quando o seu time vencia por 2 a 0 e permitiu o início da virada ao tomar um frangaço. O grande erro do time de Itajaí foi acreditar que o time da segunda divisão era capaz de fazer frente na primeira. E mesmo com um investimento menor, o dinheiro seria melhor gasto com goleiro e zagueiros mais experientes, para ter uma retaguarda mais organizada. Além do mais, a supremacia no campo sintético, que foi preponderante no acesso em 2016, não se refletiu neste ano. Os outros times se prepararam para o terreno. No fim, não foi tanta vantagem assim.

Em Blumenau, a falta de dinheiro custou a vaga para o Metropolitano. É mais um capítulo de uma novela chamada "Como é Difícil fazer futebol em Blumenau".  O Presidente Pedro Nascimento, que assumiu um mandato tampão após a renúncia do seu antecessor Ivan Kuhnen, não quis fazer loucura. Gastou o que tinha no orçamento. A folha era de 80 mil reais mensais. O maior salário do time era de 8 mil. Tinha jogador do elenco profissional ganhando salário mínimo. Quando se faz um investimento assim baixo, se corre um risco. A comissão técnica que iniciou o campeonato foi montada também em cima desta platafoma. Mauro Ovelha veio e até conseguiu fazer o time render mais, mas era muito tarde. O presidente foi para a rádio e soltou as verdades. O clube deve para vários fornecedores. O dinheiro da venda do atacante Maurinho foi usado para pagar um empréstimo feito em nome da mãe do ex-presidente. Não havia renda, não havia como trazer reforços de emergência. O rebaixamento era próximo e o time não respondeu como devia.

De certa forma, o rebaixamento no estadual serve como um questionamento para as comunidades, para saber se realmente as cidades e seus torcedores querem um projeto forte. Até a próxima série B vai um bom tempo. E até lá os torcedores vão remoer muito as tristezas de uma temporada para esquecer.


quinta-feira, 20 de abril de 2017

A eliminação é dolorida, mas ficam boas e preocupantes observações para o futuro do JEC

O roteiro não teve o final que o torcedor do Joinville queria ver. Foi um jogo em que o tricolor teve todas as chances possíveis de evitar os penais e levar a vaga nos noventa minutos. Mas estamos falando de um time em reconstrução que tem as suas conhecidas falhas.

Assessoria JEC
Menos mal que houve como levar a decisão para os pênaltis depois de sair atrás no placar. Aí qualquer detalhe faz a diferença. Magrão é conhecido pegador de penais. Eliminação e vida que segue. Muita gente deve pensar o mesmo que eu: o time poderia ir mais longe, mas deixou uma impressão de que poderá evoluir na Série C.

Falando dos 90 minutos, o JEC mostrou o seu principal problema, mais uma vez: a qualidade no ataque. Na primeira chance, Alex Ruan chutou a grama quando estava na frente de Magrão. Logo depois, Marlyson, numa intranquilidade tremenda, perdeu na cara do gol. Teve pênalti não marcado, sim. Mas ele poderia nem fazer falta. No segundo tempo, Fabinho Santos foi mexer em um time bem postado e deu tudo errado, principalmente com o seu xará Fabinho Alves, vivendo uma péssima temporada. O Sport alugou o meio, segurou o JEC e achou um gol na qualidade de Leandro Pereira. Qualidade essa que falta, e muito, para o ataque tricolor.

Eis que Bruno Rodrigues e Caíque apareceram com destaque para criar as jogadas dos dois gols e forçar as penalidades. Não sei se eles foram treinados, mas senti que Danrlei não estava confortável no momento da sua batida. Mas, como diz a máxima, só perde pênalti quem bate. Para um time desacreditado, a inédita chegada à quarta fase da Copa do Brasil tem que ser comemorada. Colocou 2 milhões de reais no caixa do clube.

Depois de enfrentar o Brusque no domingo, o time entra em pré-temporada para a Série C. O time vai ganhar qualidade no meio com as voltas de Kadu e Renan Teixeira. Falta reforçar a armação (Eliomar, do Brusque, está chegando) e resolver o problema do ataque, que mostra intranquilidade e falta de precisão. Se a diretoria for competente nesta intertemporada, o futuro promete ser bom.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Empate em casa contra o Nacional. Difícil sim, impossível nunca

Chapecoense x Nacional reservou uma daquelas cenas que muita gente deve ter dito que "nunca viu isso em futebol". No segundo tempo, Tulio de Melo, a centímetros do gol, chuta a bola que bate na trave, caprichosamente caminha por toda a linha de gol até ser afastada pelo zagueiro do Nacional.

Ficou a decepção do resultado, uma vitória que era perfeitamente possível. Mas a situação está longe de estar resolvida, já que vejo mais qualidade na Chape do que no Nacional. Tá certo que o próximo jogo será lá no Uruguai, numa pressão desgraçada, mas se o time passar por isso, tem condição de vencer lá. Até o empate não é mal resultado, até porque a briga será pau a pau pela segunda vaga. Até porque o Lanús tem um ótimo time e deve ser o primeiro com certa tranquilidade.

Mancini usou a mesma formação da vitória sobre o Joinville, com três atacantes, colocando Tulio de Melo no segundo tempo para ter maior presença de área. É o que há de melhor no time, que pegou um jogo bem mais complicado que qualquer um no catarinense, pelo volume de jogadas fortes, pela displicência do árbitro equatoriano e pela falta de sorte no incrível lance da bola que não quis entrar.

Serve como uma espécie de aula de jogo em Libertadores, onde muitos árbitros tem um nível bem maior de tolerância. A classificação é bem possível. Se não vier, há uma caminhada na Sulamericana pela frente. Todos sabiam que não ia ser fácil. Hoje a "dificuldade copeira" foi levada a um nível bem alto.



segunda-feira, 17 de abril de 2017

Há exatos 50 anos, Perdigão conquistava o primeiro título estadual do Oeste

* Por Adalcir "Pardal" Ceccatto, de Videira
Em 16 de abril de 1967 a SE Perdigão conquistava em Joaçaba, diante do Comercial, o Campeonato Catarinense de Futebol, imortalizando assim, o alvirrubro videirense, pois aquela foi a primeira conquista de um clube do Oeste do Estado.
A história da SE Perdigão havia iniciado em 1964 quando um grupo de apaixonados por futebol, encabeçados por Flávio e Fioro Brandalise se reuniu nas dependências da Perdigão para deliberar sobre a formação de uma nova equipe, que durou apenas cinco temporadas (1965 a 1969), mas gravou seu nome na história do futebol catarinense.

A primeira diretoria, de caráter provisório foi formada por Flavio Brandalise (presidente), Silvio dos Passos (secretário) e Fioro Brandalise (tesoureiro). No dia 31 de agosto de 1.964 aconteceu a primeira assembléia geral quando foram aprovados os estatutos e a primeira diretoria composta: Moacir Brandalise (presidente), Silvio dos Passos (vice-presidente), Varteli Trancoso (tesoureiro), Sergio Vargas (secretário), Plauto Grazziotin (diretor de esportes) e Fioro Brandalise (diretor social).
A primeira competição foi o campeonato municipal diante de tradicionais equipes do município, como Alvorada, Floresta e a Associação Atlética Videirense, que há muitos anos vencia o citadino. A conquista foi de maneira invicta, credenciando a Perdigão a disputar o campeonato catarinense daquele ano, integrando o zonal Oeste e chegando a quarta colocação do estadual.
A boa colocação na competição de estreia motivou o grupo e diretoria. Em 1966 nova conquista no municipal e mais uma vez a vaga no estadual. No Grupo B (Oeste) além, da Perdigão estavam: Comercial (Joaçaba), Sadia (Concórdia), Guarani (Xaxim), Vasco da Gama (Caçador), Guaycurus (Concórdia), Cruzeiro (Joaçaba) e Atlético (Chapecó). A Perdigão terminou em primeiro, com o Comercial em segundo, garantindo os dois para o quadrangular final diante de Almirante Barroso (Itajaí) e o Metropol (Criciúma), que era o grande bicho-papão no Estado (campeão cinco vezes na década de 60).

A primeira fase do estadual foi disputada no ano de 66, mas o quadrangular final iniciou apenas no dia 12 de março de 1967 quando a Perdigão recebeu o Almirante Barroso e fez 3 a 0 sem chances ao adversário.  No dia 19 o jogo que foi considerado chave por todos os jogadores do elenco. A Perdigão foi até Criciúma enfrentar o Metropol e saiu de lá com um heróico 0 a 0. No dia 26 novo jogo no Luiz Leoni e mais uma vitória por 3 a 0, desta vez diante do Comercial.
Na abertura do returno do quadrangular final a Perdigão foi a Itajaí, mas voltou de lá com uma derrota por 2 a 0, recolocando o Barroso na disputa pelo título. No dia 09 de abril Videira parou para assistir o confronto diante do Metropol. Funcionários da Perdigão foram dispensados para acompanhar a partida e cerca de 12.000 pessoas foram ao Estádio Municipal Luiz Leoni ver a vitória por 2 a 0.
Na última rodada a Perdigão jogava no Estádio Oscar Rodrigues da Nova, em Joaçaba diante do Comercial, enquanto que em Criciúma se enfrentavam Metropol e Almirante Barroso. O scratch videirense liderava o quadrangular e dependia apenas de si para levantar o caneco.
 O jogo começou movimentado e logo  11 minutos do primeiro tempo Barra Velha abriu o marcador para os joaçabenses, mas Zinho, artilheiro do estadual naquele ano, deixou tudo igual aos 43 do primeiro tempo. No segundo tempo muito equilíbrio e jogo duro até que Barra Velha, cobrando pênalti, fez o segundo do Comercial aos 24 minutos da etapa final. A apreensão tomou conta do elenco ao final do jogo, pois diferentemente dos dias atuais a comunicação não era tão ágil assim e não se sabia o resultado do outro confronto.

Lá em Criciúma Gama fez 1 a 0 para o Metropol aos cinco minutos de jogo, mas aos seis Ubirajara deixou tudo igual. A pressão do Almirante Barroso seguiu durante todo o jogo, mas a defesa do Metropol parecia intransponível. Aos 40 minutos da etapa final, em um contra-ataque, Idésio marcou o gol da vitória dos criciumenses e, consequentemente, o gol que garantiu o campeonato catarinense de 1966 para a Sociedade Esportiva Perdigão.

CURIOSIDADES:
- A equipe transformou o Estádio Municipal Luiz Leoni em um verdadeiro alçapão. Disputou 10 partidas em casa e venceu todas, sofrendo apenas três (03) gols dentro de seus domínios. Ao todo foram 13 vitórias, 05 derrotas e 02 empates. Marcou 42 gols e sofreu 22.
- O grupo viajava para os jogos em duas kombis da empresa e normalmente era pilotada pelos próprios jogadores. Nos dias mais frios do ano era normal parar na estrada para tomar “alguma coisa” e aquecer o corpo. Nos dias chuvosos era preciso por correntes nos pneus;
- No dia 02 de julho de 1967 aconteceu o jogo da entrega das faixas de campeão. No estádio Luiz Leoni foi sorteado um fusca aos torcedores pelo apoio a equipe. O adversário era o Carlos Renaux, equipe mais velha do Estado, que não tomou conhecimento do campeão e carimbou a faixa. 2 x 1.
- Em 1967 a Perdigão disputou a Taça Brasil. Caiu na primeira fase quando enfrentou o Grêmio, campeão gaúcho e o Ferroviário, campeão paranaense. A equipe empatou os dois jogos em Florianópolis no Estádio Adolfo Konder (não foi permitido jogar em Videira) e perdeu os dois confrontos fora;
- As chuteiras da equipe eram feitas sob medida pelo próprio sapateiro da empresa e que trabalhava no curtume. Sr Cacaca, como era conhecido, colocava o pé dos jogadores sobre o couro e fazia o corte. Depois eram utilizados pequenos pregos para prender;
- Não importa para quem se pergunte. Quem fez parte do grupo ou quem acompanhou o time sempre afirma que o grande craque do time era Constante Rogério Richetti, um cerebral camisa 10, que foi o grande maestro da conquista. Debaixo da trave a segurança de Zangão também fez a diferença e quase nunca se machucava.
- A equipe que iniciou em 1965, conquistou o Estado em 66 e disputou a Taça Brasil em 67 encerrou suas atividades em 1969. Grandes jogadores passaram pela equipe, como Valdomiro que veio do Comerciário e depois foi para o Internacional de Porto Alegre, onde seria campeão brasileiro e chegaria a seleção na Copa de 74. A grande revelação da Perdigão foi Milton Flores, o Peixe, que foi zagueiro titular no período pós 66.
- O elenco da Perdigão campeã era formado por: Odenir Oseas Seemann (Zangão), Gilberto José Liberalli (Arrepio), Valter Kluser (Batoque), Antonio Carlos Gomes dos Santos (Pelé), Nilso Brandalise, Luiz Jacinto da Rosa (Galego), Walldomiro Marcinko (Adi), Osvaldo João, Caubi de Lima, Lauro Ribeiro (Cigano), Adair Dias Gonçalves (Zinho), Constante Rogério Richetti, Mario Rosário de Barros José (Barros), Rubens de Lima Machado (Carioca), Jaime Bramatti (Serramalte), Luiz Dirnei Wolker (Luizinho), Luiz Abitante (Melão), Eloacir Nascimento, José Campolino dos Passos (Torrado), Fioro Brandalise - treinador e Darcy Flores – massagista.

domingo, 16 de abril de 2017

Returno definido, foco na final. Drama só no Rebaixamento

Sirli Freitas / ACF
A Chapecoense conquista com antecedência o returno do Estadual, o mando de campo e a vantagem dos dois empates na final de uma forma até supreendente: não imaginaria que o Avaí fosse perder em casa para o Almirante Barroso e transformar a última rodada em amistosa.

A vitória sobre o Joinville veio com um ritmo mais baixo. O JEC não tinha força ofensiva,  a defesa da Chape mantinha a situação sob controle, até que Danrlei cometeu um erro infantil ao falhar em um domínio de bola. Pênalti, Reinaldo fez 1 a 0. Aí foi só administrar diante de um adversário que estava com a cabeça no jogo contra o Sport. Deu tempo para Tulio de Melo fazer mais um e fechar a conta.

Assim como o Avaí no primeiro turno, a Chapecoense garante a Taça Sandro Pallaoro sem saber o que é perder na segunda parte do campeonato. Os números comprovam a evolução de um time que ainda procurava um caminho lá no início. Nos oito jogos do returno, foram 23 gols marcados e apenas 4 sofridos. Os números falam por si.

Agora, os dois times podem se focar na final, que tem seu primeiro jogo no dia 30 na Ressacada. A Chape terá ainda a Libertadores pela frente na terça, com a certeza de que o time vem em crescimento. O Avaí precisa achar esse foco com urgência. Não dá pra tolerar o fato de um time finalista do campeonato perca para um possível rebaixado dentro de casa. De quebra, jogou fora a oportunidade de decidir o campeonato no seu estádio

Rebaixamento aberto

Já lá embaixo, a vitória do Barroso criou um fato novo. Há uma chance real do time de Itajaí escapar da segundona, mas tudo passa pelo jogo do Inter de Lages contra o Avaí na Serra. O colorado só depende dele para sacramentar sua permanência, e pesa a seu favor o fato do time de Floripa não ter interesse nenhum na partida depois de perder para o Barroso. É de se esperar que Claudinei Oliveira coloque um time totalmente reserva, criando um ambiente bem desfavorável para Barroso e Metropolitano, que precisam vencer seus jogos e contar, pelo menos, com um empate do Inter. O Metrô tem situação ainda pior, já que tem apenas três vitórias e precisa, além do resultado em Lages, que o Barroso não vença o Tubarão.

Jogo contra time reserva não é garantia de vitória. Mas sem dúvida foi uma boa notícia para o Inter. Enquanto isso, o Barroso lamenta o erro de André Back na partida contra o Figueirense, que deixaria o time fora da zona de rebaixamento na última rodada pelos gols marcados. Já o Metropolitano teve a chance da vitória sobre o Criciúma na última bola. Não aproveitou e está muito próximo da degola.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Campeão do returno pode sair no sábado. Avaí vai se preparar para a final

Luiz Henrique / Figueirense FC
Faltam duas rodadas para o fim da fase de classificação, e a Chapecoense passou com tranquilidade por mais um desafio delicado, contra um Metropolitano desesperado. Foi mais fácil que a encomenda, ainda mais quando o zagueiro Junior Fell foi expulso. Sem forçar, o time de Vagner Mancini construiu a vitória e tratou de administrar no final. Com o empate no Scarpelli, a briga do returno tem um clube a menos. Pode até ser encerrada no sábado, quando a Chape pega o JEC na Arena Condá.

O Avaí não conseguiu superar a "pilha" do clássico com o Figueirense. Reclama de um pênalti (com razão, está dentro dos "novos padrões" da arbitragem), mas poderia ter feito mais, se impondo diante de um adversário que é tradicional, mas tem números muito abaixo no campeonato. O jogo foi um retrato do clássico do turno, que também terminou empatado. Diziam que o Figueira tinha crescido e iria decolar no campeonato. Todos sabemos que isso não aconteceu. Uma atuação que não é digna de quem está na final do Estadual. O Figueira comemora, já que não perdeu para ter a crise aumentada.

O maior perseguidor da Chape é o Joinville, que venceu o Internacional com direito a um golaço de Tinga, e que terá neste meio de semana uma pedreira em Recife contra o Sport, pela Copa do Brasil. A classificação do campeonato permite dizer que o JEC, se quiser ir à final, não dependerá apenas dele para conseguir o objetivo: a diferença de dez gols no saldo manda que o tricolor vença na Arena Condá, o que é complicado, além de depender do Criciúma na última rodada. O JEC terá que manejar as prioridades: se conseguir um bom resultado em Pernambuco, precisará se preocupar com a meta mais importante. E francamente, nenhum torcedor do Joinville cobra título.

Desenha-se a final Avaí x Chapecoense, com a disputa pelo mando de campo ainda aberta. A Chape pegará JEC e Criciúma, enquanto que o Leão tem tabela mais fácil, enfrentando Barroso e Inter de Lages.

Enquanto isso, a luta pelo rebaixamento não mudou muito. O Barroso venceu, mas ainda tem uma distância a ser vencida, sem contar que precisa bater o Avaí na Ressacada. A preocupação bate à porta de Metropolitano e Internacional, que precisam desesperadamente pontuar, com times indo de mal a pior.





quarta-feira, 5 de abril de 2017

A histórica festa e a grande vitória da Chape

Conmebol
Chapecó viveu mais um dia que será registrado na história. A cidade se preparou, recebeu como nunca se viu o seu adversário, fez uma linda festa que marcou mais um capítulo do renascimento do Verdão pós-tragédia. Não só eu, mas muitos que lerem esse texto queriam estar lá nesse acontecimento especial do nosso futebol, onde se viu até a banda da Polícia Militar tirar a farda após a execução dos hinos e literalmente ir para a galera, animar a torcida com a bola rolando. Algo épico.

Mas, afinal, a Recopa é futebol, e tivemos o encontro de dois times campeões. Para a Chapecoense, que vinha de cinco vitórias seguidas no Estadual, era uma grande oportunidade de demonstrar a evolução do time, algo que é fácil de notar semana após semana e que indica que ainda poderá crescer. O Nacional, mesmo desfalcado, é um bom time, com excelente retrospecto no ano, comandado por um técnico competentíssimo.

A partida teve um início de estudos, típico de uma abertura de mata-mata, quando ninguém quer se expor muito. Aos poucos, a Chapecoense foi se soltando, e abriu o placar com o pênalti cobrado por Reinaldo, o melhor jogador em campo. Até dava pra ampliar antes do intervalo. No segundo tempo, o ótimo Torres empatou a partida. Mancni resolveu mudar o time e partiu para a velocidade com a entrada de Wellington Paulista e ainda com a força da bola aérea. Deu certo.

Apodi e Rossi faziam correr na direita. João Pedro encaixou muito bem na meia. Wellington fazia a zaga correr na área. Veio o gol de Luiz Otávio (que para mim merece ser titular do time). Deu certo, veio a vitória e a vantagem do empate para o jogo de volta.

Falei lá em cima em evolução. O jogo de volta acontece daqui a mais de um mês, após a final do Estadual. É de se imaginar que o time montado há quatro meses apresente uma melhora. A receita para levar o título parece ser a velocidade, onde um contra-ataque pode resolver a parada. Penso que é esse o caminho que Mancini deve seguir.

E no meio das comemorações, o time da Chape colaborou com o espetáculo. Muitos estão boquiabertos com o que foi feito em pouco tempo. O caminho correto está sendo seguido.


segunda-feira, 3 de abril de 2017

Campeonato Catarinense precisa se valorizar como produto televisivo

O Blog volta a falar em direitos de televisionamento, preocupado com o campeonato catarinense não só como um torneio, mas como um produto que precisa ser melhor vendido.

Hoje, o assunto é TV fechada. Se você acha que a televisão aberta paga pouco pelo campeonato estadual, nem queira saber quanto entra no Pay-per-view que, diferente das últimas negociações que acompanhamos do Brasileirão, onde o Cade exigiu separação total, coloca junto no pacote as transmissões no Sportv. É algo em torno de 20% do valor. Faça as contas.

Na manhã de domingo, Almirante Barroso e Criciúma jogaram pelo Catarinense em Itajaí. Jogo com transmissão do Sportv para todo o Brasil, menos para Santa Catarina.

Primeiro é bom mencionar que no campeonato paulista não há esse tipo de bloqueio para a praça, muito menos para todo o Estado. Segundo, que até acho que esse tipo de corte deva acontecer, mas precisa ser restrito ao "mercado" da cidade do jogo. Como divulgar um campeonato que não pode ser exibido no canal fechado (que já custa ao assinante) para o Estado interessado?

O modelo ideal é o americano, daí o uso da palavra "mercado". Cada clube tem determinado uma região, com seu município-sede e redondezas, que é considerado como área de atuação e com público potencial para ir ao estádio. Transmissão para a praça, só se for comprovada a venda de todos os ingressos. Por exemplo, os mercados de Figueirense e Avaí seriam os municípios da Grande Florianópolis, o do Metropolitano englobaria Timbó, Indaial e Gaspar; Criciúma teria Içara, Siderópolis e Nova Veneza, e por aí vai. O bloqueio de transmissão deveria acontecer para o "mercado" que sedia a partida.

Hoje, temos uma situação que a TV Aberta tira público do estádio (os clubes venderam o bloqueio por apenas R$ 1 milhão a mais por temporada)  e a Fechada (não o pay-per-view) não exibe os jogos do Catarinense para Santa Catarina. É um modelo incorreto que tira dinheiro e exposição dos clubes. Fica mais uma vez o recado para quem for negociar o contrato neste ano: se querem um Estadual rentável, prestem atenção no que estão fazendo com o produto. O atual acordo permite coisas que causam enorme prejuízo.

Aliás, já deram uma ligada lá no Esporte Interativo...


domingo, 2 de abril de 2017

Resultados deixam suspense para as três rodadas finais

André Palma / Avaí FC
O final de semana do Estadual teve a Chapecoense confirmando a boa fase ao bater o Figueirense, com o JEC ficando no encalço após um 4 a 3 sobre o Tubarão na Arena, tendo Avaí e Criciúma logo atrás após vencerem fora de casa.

Teoricamente, a situação não mudou muito. O pessoal de cima venceu, e na briga pelo rebaixamento houve empate entre Inter e Metropolitano. Daí deve sair a segunda vaga. A primeira é do Barroso.

Brusque e Avaí fizeram um jogo maluco, mas que não foi um primor de qualidade. O time de Pingo saiu na frente, mas acabou se acomodando na partida, que caminhava em banho-maria até o gol de Alemão, na enésima falha de marcação de bola aérea do Brusque. Carlos Alberto ainda fez o 2 a 1, mas o Avaí conseguiu a virada com duas novas falhas, a última nos acréscimos, em uma jogada legal que foi muito bem observada pelo assistente. O Leão ganha moral para o clássico da cidade e solta o recado que ainda está na espreita aguardando um tropeço da Chapecoense, que terá um jogo interessante e complicado em Blumenau contra o desesperado Metropolitano, que precisa vencer para deixar a zona de rebaixamento. Havia um certo clima de baixo astral. Uma vitória como essa eleva a autoestima. Já o Brusque... Bem, o Brusque sonhava com alguma coisa no returno. Agora é melhor pensar em terminar a temporada dignamente, já que não há possibilidade de rebaixamento e com a vaga para a Série D do ano que vem conquistada. A defesa brusquense é um problema sério, tomando dezesseis gols nos últimos cinco jogos. É muita coisa, são números de rebaixamento. Há a possibilidade de vaga na Copa do Brasil, mas do jeito que a coisa anda, se a vaga não vier, segue o jogo.

O Joinville bateu o Tubarão aos trancos e barrancos, com erros do técnico Fabinho que quase custaram a esperança de título do returno. Faltou organização, e as trocas não foram das mais felizes. No fim deu certo, com destaque para os gols de Aldair, aproveitando-se de grande falha, e de Juninho, que aproveitou rebote para marcar gol de cobertura. O JEC terá pela frente o desesperado Inter de Lages na próxima semana, com a obrigação de vencer para ir a Chapecó no sábado de aleluia com a possibilidade matemática de título.

Pela manhã, o Criciúma não teve problemas para derrotar o Barroso, que não está matematicamente rebaixado. Apenas espera concretizar uma situação que está desenhada. Penso que o grande erro do time de Itajaí foi investir muito no ataque, quando precisava de bons defensores.