segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

A Chape ficou. Muitas lições estão aí para serem assimiladas

Liamara Polli / Jovempan.com.br


A festa foi grande, com a Arena Condá batendo recorde de público. A festa foi parecida com a de um título. Apesar de não gostar desse tipo de comemoração, afinal, o time não foi bem no Brasileiro e se salvou do rebaixamento por pouca distância, a permanência da Chapecoense na Série A significa uma saúde financeira e um aporte altamente necessário para que o time possa tocar suas atividade e lidar com os problemas decorrentes da tragédia na Colômbia.

Apesar de muita gente secar, o futebol de Santa Catarina precisa de dois times na Série A. Uma consequência direta poderia ser a perda de uma vaga na Copa do Brasil para o Estado.

Até o mais clubista sabe que deu tudo errado nesse ano em Chapecó: time era favorito disparado para levar o Estadual, caiu para o Figueirense dentro de casa. Depois começou a venda de jogadores, sem reposição a altura. Teve troca de técnico, de diretor.... Bom, um reflexo dessa insatisfação é a existência de uma chapa de oposição nas eleições do clube. Até ontem, não era hora pra se caçar bruxas, até porque havia uma decisão e todas as energias estavam concentradas nela.

Dá pra fazer uma boa limpeza no elenco e renovar consideravelmente para o ano que vem. Questiono até se o treinador deve ser mantido (deverá ser, parte do acordo). Claudinei Oliveira conseguiu seu intento, mas na maioria dos jogos sob seu comando, o time não tinha vontade, era burocrático, quase sonolento. Aliás, o próprio jogo contra o São Paulo foi assim. Sorte que uma bola cruzada caiu certinho na cabeça de Leandro Pereira.

Calendário garantido, verba garantida, é hora de apagar 2018 da memória. Sim, porque quem ganhou o returno do Brasileirão do ano anterior sabe que teve muitos buracos na estrada que acabaram estragando uma expectativa enorme.

Erros estão aí para serem assimilados e consertados. A temporada expôs muitas rachaduras na estrutura. Hora de preparar a massa pra consertar onde dá e derrubar o que ficou seriamente avariado para construir uma parede bem mais forte.

sábado, 24 de novembro de 2018

O Avaí chegou lá!

Frederico Tadeu / Avaí FC
Vamos ser sinceros que o jogo em si não teve aquele drama típico de uma decisão. Mas era tudo que o Avaí precisava. Um jogo em que o tempo passasse o mais rápido possível, sem criar muitas dificuldades para o goleiro Rubinho, que estava a um tempão sem entrar em campo. Correu tudo como o planejado: a Ponte Preta não teve força ofensiva (nem passou perto do time que construiu uma baita arrancada na reta final do campeonato) e o Leão não teve dificuldades em garantir o que lhe interessava. Missão cumprida.

Os números mostraram certa preocupação: chegou a um ponto que os números dentro de casa poderiam ameaçar o acesso, mesmo com retrospecto excelente fora da Ressacada (32 pontos). Houve uma pequena melhora, muito tímida, desse rendimento em casa, tanto que o time conquistou apenas 3 dos últimos 12 disputados em Florianópolis.

Geninho usou muito da sua experiência para fazer com que um elenco dentro da média se superasse para conseguir o acesso. Errou por algumas vezes, é verdade, principalmente em substituições, mas não há como criticá-lo neste momento porque o objetivo foi alcançado.

Para mim, o grande vencedor dessa caminhada chama-se Francisco Battistotti. Deu um jeito com um clube sem dinheiro, equilibrou-se aqui e ali e agora receberá como prêmio um orçamento bem mais gordo para trabalhar no ano que vem. Afinal, o acesso não tem apenas o efeito esportivo, com o retorno à elite e trazendo de novo os melhores times do Brasil para o seu estádio. Com isso também vem o novo modelo de contrato do Brasileirão e um aumento muito substancial das cotas de televisão.

Hora de comemorar, torcedor avaiano. Mais uma vez, a Ressacada lotada (e dessa vez, com invasão de campo) saúda seu retorno à primeira divisão. Alguns dias de festa e descanso, e depois é hora de planejar a próxima temporada, com um desafio muito grande pela frente: permanecer e ficar na Série A por um bom tempo.

sábado, 17 de novembro de 2018

A brilhante vitória avaiana em Maceió. Decisão no sábado será para os fortes



O Avaí fez um jogo maiúsculo em um Rei Pelé lotado contra o CSA. Fez um jogo de fortes. De superação. Passou por cima da desvantagem numérica depois da infantil expulsão de Capa. Segurou o desespero do adversário. Venceu. Está a um empate da Série A.

Mas com o Avaí não tem nada que seja fácil. Tem que ser sofrido. Quis a tabela que o time tenha que enfrentar a Ponte Preta na última rodada, ainda que tenha a vantagem do empate. Os números da arrancada do time de Gilson Kleina impressionam: sete vitórias e um empate nos últimos oito jogos, um futebol bem acertado e números muito consideráveis como visitante.

Se pudesse escolher, preferia que o Leão não fosse pra esse jogo com vantagem do empate. Essa é uma informação perigosa. Entrar em campo sabendo que se joga por dois resultados pode criar um efeito venenoso e acabar fazendo com que a Ponte proponha o jogo fora de casa, atraindo pressão. Historicamente, o Avaí tem essa dificuldade de se impor dentro da Ressacada, mas precisa virar esse jogo pra não correr risco. É o pior adversário possível para a última rodada, em uma tabela complicadíssima na reta final, ainda mais com um retrospecto de três jogos seguidos sem vencer em casa e, por consequência, jogar fora os pontos que poderiam resultar no acesso com antecedência.

Bom, não adianta ficar chorando o leite derramado. Com Kozlinski suspenso, a semana será de suspense sobre o goleiro do time. Defendo que Aranha, recuperado, mesmo sem ritmo de jogo, assuma a posição não só pela qualidade, mas pela experiência e importância da sua presença em campo. Será um jogo de nervos, em uma Ressacada entupida de gente e um confronto direto pelo acesso.

Geninho terá que por a faca nos dentes. Encontrar o balanço durante a semana que faça o Avaí, pelo menos uma vez na vida, ter uma proposta altamente propositiva em casa. Permitir que a Ponte, no ritmo que está, dê as cartas em campo, é tática suicida.

A semana será de muita expectativa. O torcedor avaiano passará a semana esperando a chegada do sábado. O mais importante em muito tempo, talvez o confronto de acesso mais difícil de todos, até porque é um confronto direto na última rodada. Que o time tenha uma boa semana de preparação e que Geninho saiba o que fazer, sob as bênçãos da infalível Nossa Senhora da Ressacada.

sábado, 1 de setembro de 2018

Entrevista: Alexandre Monguilhott

Na última quinta-feira, entrevistei o advogado Alexandre Monguilhott, candidato à presidente da Federação Catarinense de Futebol em uma chapa de oposição formada por outros profissionais do direito, que conseguiu, inclusive, suspender a data da eleição, marcada rapidamente pela FCF.

Na última semana, houve um consenso com a promessa de mudanças no estatuto da Federação, e a eleição de Rubens Angelotti aconteceu, com mandato até abril de 2023. Nessa conversa, ele falou de bastidores desse processo e da expectativa de dias melhores para o futebol catarinense. Assista:

domingo, 19 de agosto de 2018

Com expectativa alta e sem resultados, a crítica incomoda

Cenário desenhado: o Figueirense perdeu de virada para o Goiás voltando a jogar mal e mantendo o desmpenho ruim dentro do Orlando Scarpelli (é o 14o. melhor mandante, com apenas 4 vitórias em 11 partidas). Como tem um desempenho razoável fora (é o sexto melhor visitante), está a apenas 3 pontos do G4. Nada tão preocupante quanto no ano passado, quando o time ficou um bom tempo flertando com o rebaixamento.

O problema é que o time entrou numa queda delicada de rendimento, e tem ainda a questão dos atrasos salariais, que provocou uma reação do presidente Claudio Vernalha. O pessoal que entrevista está na obrigação de perguntar. Ele tem a opção de responder, sendo que vem reconhecendo o problema. Ele tem o poder na mão, referendado pelos conselheiros que aceitaram essa terceirização.

Carrego comigo um raciocínio há tempos: Vernalha já falou várias vezes em aportes para saldar salários atrasados e outras pendengas. Conclui-se, então, que ele não está dando jeito de colocar o clube na situação de se autossustentar. Será que nesse bolo há condição e caixa para ficar colocando, colocando e colocando mais dinheiro sem ter uma previsão de lucrar, ainda mais se o time não conseguir subir para a Série A? 

O sucesso do projeto é diretamente ligado aos resultados em campo e vejo problemas para o presidente. O elenco não é ruim para uma Série B. Milton Cruz ganhou um título estadual quando não era o favorito e oscilou na Série B. Queira ou não, está rondando o G4 com um tempo para tentar arrumar a casa para o chamado "Sprint Final". 

Mas a história dos salários vai continuar incomodando. Jogador, assim como qualquer trabalhador, tem direito a receber o que é combinado. Se receber em dia, tem condição de ser cobrado por o que rende em campo. O problema aqui é que no ano passado foi vendido um projeto moderníssimo de gestão que indicava que o Figueirense não teria problemas para ter um elenco qualificado para tocar suas atividades. Com os atrasos, somando com a revolta de dirigentes com as perguntas da imprensa, passa-se a impressão de que a atual gestão terceirizada não está conseguindo lidar direito com o abacaxi. Se tudo estivesse bem, considerando que os atrasos seriam rapidamente resolvidos, a situação seria tratada com certa tranquilidade.

A cobrança pelos resultados está aí. A Série B é um campeonato de baixa visibilidade e que não dá lucro. Sem acesso por mais um ano, é sinal de mais uma temporada dos chamados "aportes" para dar jeito nas contas. A operação de gestão do Figueira está entrando em problemas e não é necessário ser técnico ou estar lá dentro para notar isso. O nervosismo do sistema "defende atacando" nas entrevistas é apenas mais um sinal.




quarta-feira, 25 de julho de 2018

O rebaixamento do Joinville - Parte final

A Série D é um inferno, ainda mais pra quem estava acostumado com um calendário legal na Série B, ou até mesmo as 18 rodadas da primeira fase da C, que provocam um fim de temporada ainda em agosto, no máximo setembro. Na quarta divisão nacional, se o time não passar da primeira da fase, encerrará sua participação em apenas 45 dias. Se ficar na segunda fase, serão só dois meses, ou oito jogos. É um campeonato deficitário por si só, praticamente sem TV e que representa a carne de pescoço que cada time precisa encarar se quiser a busca pela estabilidade.

Saiba que teve diretor do Joinville achando que "seria bom" o time deixar a Série C e ir para a D. Há alguns meses, o novo grupo que comanda o clube surgiu com a ideia de transformar o JEC em uma Sociedade Anônima, com o objetivo de criar um fato novo e uma nova dinâmica de administração. Tudo bonito no papel, mas... quem se interessaria em aportar dinheiro em um clube na quarta divisão nacional, que estará em campo praticamente por apenas um semestre, em um campeonato sem visibilidade? A falta de habilidade na área do futebol de quem comandou o clube em tempos recentes levou o Joinville a uma situação desesperadora. Não consigo compartilhar da calma que o presidente Vilfred Schapitz passa nos microfones. O clube não morrerá, isso é verdade, mas entrará em uma situação delicadíssima. No domingo, ele admitiu que o JEC está em problemas com o Profut. Poderá ser retirado do programa, com consequências seríssimas, se não regularizar o que deve.

O Joinville Esporte Clube movimenta uma economia. Só emissoras de rádio que transmitem os jogos, são quatro. Se elas estarão firmes em 2019 na quarta divisão, sem TV pra fazer Offtube, só o tempo dirá. A cidade é estreitamente ligada ao clube. Basta andar pela cidade e ver, em todos os cantos, bares que tem no seu letreiro o brasão tricolor. A queda para a D também pode prejudicar toda essa cadeia, de um clube que chegou a ter 12 mil sócios, jogos com nunca menos de 5 ou 6 mil torcedores e uma venda considerável de itens licenciados, na loja do estádio ou no em um dos shoppings da cidade (cuja funcionária estava sem receber salário e precisou da ajuda de colegas vizinhos para dar um jeito na vida).

Trabalho lá há 5 anos. Vivi bons e maus momentos do clube. Este, com certeza, é o pior. O torcedor, machucado, não vai ao estádio para não se incomodar ainda mais. A sequência de erros organizacionais está culminando em um vexame histórico que inclusive prejudicará o futebol catarinense, já que a queda do JEC resultará em perda de pontos no ranking de Estados na CBF, o que dá um risco enorme da perda de uma vaga na Copa do Brasil.

O Joinville não precisa de promessas e discursos bonzinhos. Precisa de ações concretas e um futebol forte. Sem resultado, não tem como chamar o torcedor de volta. E não é com saída de jogadores e manutenção de técnico tampão com nome de craque argentino que a situação vai melhorar.

segunda-feira, 23 de julho de 2018

O rebaixamento do Joinville - Parte 2



Seguimos falando da grande sequência de erros que acabaram levando o Joinville para a Série D do Brasileirão. Nos últimos dias, muita gente (e eu me incluo nisso) passou a olhar para a tabela e fazer contas. Até era possível escapar, bastava "apenas"ganhar as quatro partidas que restavam, em um cenário altamente desfavorável. Afinal, o "catadão" montado em etapas pela diretoria, que ia se dissolvendo com o passar das rodadas, não respondia em campo. A derrota para o Botafogo melou tudo e decretou a degola.

Guarde esse número: 35. Na Série C, ninguém pode sair contratando aos montes, nem mudando todo o elenco no final do primeiro turno. Há limite de inscrições, o que faz com que os clubes façam bem as contas. Se um deles for embora, não tem substituição. No JEC, com os resultados não aparecendo, o elenco foi diluindo, em um processo desencadeado pela parceria com a LA Sports, onde o presidente Vilfred Schapitz já demonstrou arrependimento.

Antes do início da Série C, a nova diretoria do JEC viu na parceria com a empresa a possibilidade de montar um time melhor com um custo mais baixo. A proposta era simples: jogadores viriam com um salário menor, mas com um bônus ao fim do campeonato em caso de acesso. Como os resultados não vieram, eles foram deixando o clube, um a um. Emerson, Pierre, Misael, Davi....
a cada semana eram anunciadas as suas saídas no site do clube, sob o argumento de "insatisfação com o rendimento pessoal". Balela, era o bônus que não iria vir. Como não haveria nenhum tipo de multa, o clube, na pindaíba que vive, acabou liberando. O último foi o questionado lateral Jonas, outro que veio com muita expectativa. Nesse momento eles preferem abandonar. Mas a história não esquecerá deles.

Faltando algumas "vagas" no elenco, veio a demissão de Matheus Costa, aquele que foi, ao meu ver, uma das maiores bolas foras já dadas na história do tricolor. Trazer um cara desconhecido, que só tem passagem como interino do Paraná e sequer ficou para a temporada seguinte? Pois é. Nas coletivas, adorava pedir paciência. Enquanto isso, as rodadas passavam e os resultados não vinham. Caiu após a quarta derrota seguida, em casa, para o Cuiabá.

Após a demissão, começou a corrida pela substituição. Hélio dos Anjos foi contatado, mas sua pedida salarial ultrapassa e muito o que o clube pode pagar. Pintado foi sondado. Na quarta ou quinta opção estava Márcio Fernandes, ex-Santos e com algumas passagens sem muito brilho por aí. Ligaram para ele, disseram qual o teto salarial e ele topou. Essa quarta ou quinta opção chegou ao vestiário, com os jogadores sabendo que ele tinha sido o primeiro a dizer "sim" depois de muitos "nãos". O resultado foi desastroso. Além de piorar, o time ficou medroso. No jogo contra o Ypiranga, o JEC entrou em campo para não perder, quando precisava ganhar. No desespero, começou a colocar jogadores da base pra ver se algo novo aparecia. Chegou a falar, após a humilhante goleada para o Cuiabá, que não sabia o que acontecia, já que falava as coisas para o time, e ele não reagia. Era a deixa que tinha perdido o comando, que tenho lá minhas dúvidas se um dia teve. Acabou demitido.

Ato seguinte, a diretoria novata surpreendeu mais uma vez: disse que não contrataria um novo técnico até a chegada de um novo executivo de futebol. Quatro ou cinco foram "entrevistados", segundo o presidente (um deles foi Abel Ribeiro), e ainda não houve definição, e isso com o time ainda tendo alguma chance de escapar. Coube a Pedrinho Maradona, técnico do sub-20 que, diga-se de passagem, faz péssima campanha no Estadual, a oportunidade de fazer algo novo. Pediu pra ser chamado de Pedro Medeiros, mas nada que mudasse o panorama. Mais uma derrota.

No próximo post, vamos falar sobre o futuro do JEC. Tem gente que acha "uma boa" a queda para a D. Também tem o projeto do JEC SA, uma ideia legal, mas muito difícil de vingar na quarta divisão nacional. Não perca.

domingo, 22 de julho de 2018

O rebaixamento do Joinville - Parte 1

A derrota para o Botafogo de Ribeirão Preto em casa transformou o estado grave do JEC em um coma irreversível. O time será rebaixado, ainda que um monte de rasuras em papel possa dizer o contrário. Vamos combinar: faltam três jogos, dois fora de casa. Como visitante, o time só perde e não fez nenhum gol. O time não se acerta e perde jogador toda semana. Vai se recuperar? Só quando o sargento Garcia prender o Zorro.

Parte da atual diretoria do JEC, presidida por Vilfrid Schapitz (quarto, da esquerda para a direita)


Dá pra escrever um livro sobre acontecimentos e erros dos últimos meses que culminaram com o humilhante rebaixamento para a Série D, menos de 4 anos depois do título nacional da Série B que levou o JEC à elite. Por isso, o Blog vai fragmentar esse "dossiê" em partes. Há muita coisa a ser dita, mas com uma conclusão: o rebaixamento foi absolutamente justo. Agora, o clube terá que passar pelo inferno da quarta divisão, em um campeonato curto com vários mata-matas para se conseguir o acesso. Não é fácil.

Hoje vou falar sobre a diretoria, alvo de tantas críticas. Primeiro, é necessário dizer que nem na gestão de Nereu Martinelli (que levou o time à Série A), o clube teve equilíbrio financeiro. Tanto é que o próprio Nereu aparece como credor de um empréstimo contraído para pagar contas do clube. Uma hora a sua saída do clube iria acontecer, e Jony Stassun surgiu como o nome para recolocar o JEC na elite. Todos sabemos o que aconteceu.

Nereu conhecia de futebol, tinha caminhos, tinha contatos. Até acho que a melhor fase dele era na direção de futebol, na gestão de Márcio Vogelsanger, que deu o título da Série C em 2011. As novas gestões tinham ideias, visões até legais de negócio, mas faltou uma coisa primordial: conhecimento de futebol. A queda para a terceira divisão, em 2016, provocou uma queda brusca de arrecadação. O número de sócios diminuiu, empréstimos tiveram que ser feitos de novo (Stassun cobra da atual diretoria um deles, bem grande) e faltou qualidade nas contratações. Só atacantes, foram 12 ou 13. Folha inchada, futebol não funcionou. Mais um ano na Série C.

Bom ressaltar que o Joinville iniciou sua pré-temporada para 2018 bem antes dos outros. Deu férias para os jogadores com a Copa SC em andamento e, em dezembro, já trabalhava sob o comando de Rogério Zimmermann que, com um elenco liimtado, fez um estadual honesto. Na Copa do Brasil, acabou caindo na segunda fase para o Vila Nova, em jogo único fora de casa. Nesse meio-tempo, um novo grupo, comandado por Schapitz (ex-vice de Nereu) e Alexandre Poleza, se candidatou ao processo sucessório e exigiu de Stassun a participação em uma espécie de comitê de transição.

A nova diretoria só deu tiro no pé. Os associados que queriam pagar suas mensalidades não conseguiam deixar em dia por que o sistema dos boletos ficou fora do ar por falta de pagamento. O novo grupo assumiu o clube achando que poderia torná-lo sustentável na Série C a ponto de não ser necessário "tirar do bolso" para fechar as contas. Precisou, e inclusive um deles colocou a casa como garantia de empréstimo. Rogério Zimmermann e o gerente Carlos Kila foram demitidos, e a reposição foi desastrosa. Adilson Fernandes, que não veio para o cargo de gerente de futebol, acabou se tornando um "interino-permanente", sem experiência alguma no mercado. Jogadores como Elias, Murilo Rangel e Evaldo foram embora. Gelson, volante destaque do Estadual no Concórdia, foi anunciado como reforço e não ficou sob a alegação de reprovação nos testes físicos. Uma semana depois ele foi para o Tubarão, onde arrebentou, não se lesionou e fez torcedores de lá perguntarem para mim "que merda o JEC fez pra não ficar com ele".

Ato seguinte, veio a parceria com a LA Sports, que acabou na vinda de Mateus Costa, um cara sem experiência que carregava consigo o acesso do Paraná para a Série A nas rodadas finais, após a conturbada demissão de Lisca. O "almofadinha", como era chamado nos bastidores, mostrou que a escolha tomada foi errada. Já os atletas da LA vieram, nada fizeram, e desembarcaram.

No próximo post: Como os atletas da LA ajudaram a afundar ainda mais o time e as escolhas mal feitas culminaram com o rebaixamento.

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Os minutos finais que podem fazer a diferença. Só que o Brasil precisa acertar a mira


O Brasil caminhava para um empate dolorido. Bombardeou a Costa Rica e ia parando nas mãos de Navas até o gol salvador de Philippe Coutinho que aliviou todo mundo e tirou o peso de uma tonelada das costas de todos. O gol de Neymar teve um efeito enorme, além da própria sensação de alívio: ele sabe que está devendo. Sabe que a corneta está enorme no Brasil. Não o condeno pelas suas lágrimas. Pode ser um desabafo para que, enfim, a Copa comece para ele a partir desta sexta-feira.

Antes de falar do time como um todo, temos que falar do famoso VAR, que trouxe um fator altamente positivo para o jogo: para mim o pênalti não existiu, e se o time tivesse vencido por 1 a 0 por causa desse lance, hoje estaríamos todos dizendo que "o Brasil só venceu por causa do juiz". Ainda bem que isso não aconteceu! Isso fez o time ralar ainda mais a bunda no chão e buscar a vitória. Pense pelo lado bom, no efeito benéfico, no que pode ser aproveitado nesse momento de união.

Agora, o time. Douglas Costa terá que ser o titular do time na quarta contra a Sérvia. Willian não conseguiu dar conta e foi peça morta na direita, onde teve ao lado um Fagner que não comprometeu. Douglas deu outra opção ofensiva e colaborou muito para dar mais poder de fogo.

Mas, nem tudo são flores. Se o psicológico parece ter melhorado com a vitória da forma que veio, tem coisa a ser aprimorada, e mais ainda, nas finalizações, problemas já apresentados na estreia. Estamos ainda em uma primeira fase de Copa, e não vai dar pra esperar até o mata-mata pra que isso seja resolvido. Claro que lá o cenário deve ser outro, inclusive pegando seleções que deverão propor o jogo e deixar espaço para que o Brasil trabalhe.

Quanto a Neymar, acho melhor, neste momento acolhê-lo do que criticá-lo. Ele tem consciência que não está rendendo, vindo de uma lesão. Mas ele ainda tem talento e poder de decisão em um lance que pode mudar todo um panorama. Assuntos a serem pautados por Tite até o jogo da última rodada, quarta que vem.

domingo, 17 de junho de 2018

Pontos a reclamar, pontos a acertar

Analisar esse jogo de estreia do Brasil na Copa permitiria uma série de vertentes que convergem a um único ponto: a decepção pelo empate contra a Suíça. Foi falta em Miranda? Foi pênalti em Gabriel? Porque o jogador suíço cabeceou em meio a um monte de jogadores brasileiros? A reclamação pra cima da arbitragem deveria ser maior? Muitas outras questões apareceriam, mas a verdade é que o resultado provocará não uma mudança de comportamento, mas talvez um aperfeiçoamento.

O Brasil fazia um ótimo jogo até o golaço de Coutinho e depois retraiu. A Suíça alterou seu posicionamento no campo e o esquema de Tite não conseguiu encaixar. Mas, mesmo assim, era melhor quando tomou o empate. O esperado volume de jogo maior no segundo tempo não apareceu, e acredito que isso irá mudar daqui pra frente. Não é algo difícil de se ajustar. Acredito fortemente que, contra a Costa Rica, o foco será maior e o time brasileiro, enfim, vai começar a Copa do jeito que queremos.

Mas precisamos falar de arbitragem. Sendo seco, houve falta em Miranda e tenho dúvidas sobre o pênalti em Gabriel Jesus. O bendito árbitro de vídeo que chegou com a promessa de ser a solução para os problemas do mundo não vem sendo utilizado pra tudo. O árbitro de carne e osso deveria, ao menos, dar uma olhada no lance. Afinal, era um gol. Mas como encheram de regrinhas de "pode ou não pode ver o monitor", a polêmica persiste. E discordo de Tite quando diz que não se deve reclamar de arbitragem. Tem sim, porque ele acabou mudando o resultado de um jogo.

A semana será de muito trabalho na seleção, e acredito que o foco será nas finalizações, que faltaram em qualidade nesta estreia. Nada de terra arrasada, e melhor que esses problemas pontuais apareçam agora. Ficou a decepção, senti falta do time forte e "pressionador" das eliminatórias. Mas esse jogo não passará seco. Haverá semana de cobrança e ajustes. Vamos pro próximo. Tem seleção forte que vai ter muita coisa a mais pra arrumar para a segunda rodada.

domingo, 10 de junho de 2018

Seleção está pronta. Agora é foco e cabeça no lugar

Lucas Figueiredo / CBF


O Brasil de Tite fez um último amistoso que agradou bastante. Pegou um adversário que apresentou situações de forte marcação, o que provoca na seleção a necessidade de apresentar alternativas em um cenário que encontrará na Rússia, principalmente na primeira fase. O time tem uma ótima mobilidade, coisa que não vi em nenhum outro time, com viradas de jogo, mudanças na marcação, variações nas armações, que foram usadas em profusão no final do primeiro tempo e no restante do jogo que deram a letra do que será o Brasil na Copa.

Aliás, Tite admitiu isso após o jogo. Vai buscar usar essa diferenciação, tentando vencer no cansaço quem buscar fechar as linhas de marcação, como a Áustria fez e a Suíça deverá fazer no domingo que vem. Cansar o adversário para dar o bote lá na frente. Funciona, ainda mais em fim de temporada pra quase todo mundo.

Chega ao fim essa fase de preparação para a Copa e o Brasil passou imune. Qual o recado disso? Primeiro, que quem observou a forma como Croácia e Áustria se portaram, e até pensaram em fazer o mesmo, vai ter que tentar rever conceito. Segundo, que times como Alemanha, França, Argentina e até a Espanha não chegam tão seguros de si na semana final para a Copa, devido ainda a falta de conjunto e futebol "encaixado".

O Brasil, que tem time montado na Eliminatória, que mostrou um encaixe sem sustos e que tem "apenas" a perda de Daniel Alves do seu time titular (o que parece não preocupar Tite, devido às outras vertentes possíveis em seu esquema), vai para a semana final com uma coisa muito importante em um evento desse porte: segurança. Com a cabeça no lugar e firmeza e foco no propósito, a dura caminhada na Copa dá boas esperanças para todos nós. Tite tem toda essa questão do ambiente sob controle. Que continue assim.

terça-feira, 5 de junho de 2018

Conheça a segundona: Juventus

GRÊMIO ESPORTIVO JUVENTUS 
Fundação: 1o. de maio de 1966 
Cores: Grená, Preto e Branco 
Estádio: João Marcatto - Particular (7.000 lugares)  
Presidente: Cristiano Humenhuk
"Técnico: Eduardo Clara 
Ranking "BdR" 2017: 15o. Lugar 
Catarinense 2017: 17o. lugar na Série B




O moleque travesso de Jaraguá do Sul é um clube que conta com muitos torcedores (pra se ter uma ideia, a primeira leva de camisas oficiais deste ano se esgotou rapidamente), mas vem devendo muito no que diz respeito ao futebol. A campanha do ano passado foi absurdamente trágica, com apenas três vitórias e onze derrotas em 18 jogos, terminando a Série B numa incômoda vice-lanterna, a frente apenas do seu rival de cidade Jaraguá, que acabou rebaixado para a terceira divisão. Para este ano, o clube teve troca de presidente: há cerca de um mês, Sérgio Meldola deixou o comando do clube para assumir o Olmpya, time feminino de Jaraguá. Assumiu Cristiano Humenhuk, de apenas 35 anos de idade, com planos bem definidos: “Nosso objetivo a curto prazo é levar o Juventus novamente a primeira divisão estadual e finalizar o conselho do clube que está bem encaminhado, a médio prazo, levar o clube a série D e continuar trabalhando na quitação de dívidas de gestões passadas”, afirmou.

Para o comando técnico do time, vem mais uma figurinha carimbada da segundona, com passagem por outros clubes do Estado, incluindo o próprio Juventus. Eduardo Clara, de 47 anos, retorna após passar por Jaraguá em 2016. Já treinou o finado União de Timbó, Camboriú (onde conseguiu acesso) e Atlético Tubarão. Seu último clube foi o São Raimundo, do Amazonas. Tem conhecimento da realidade desse torneio e a visão de mercado que busca a montagem de um time bom e barato. “O objetivo único é o acesso. Já subi com outra equipe em Santa Catarina e tenho esse sonho de levar o Juventus à Série A”.



O elenco do Juventus tem muita gente desconhecida no Estado, fruto da garimpagem feita pela diretoria, mas dois nomes aqui se destacam: o inoxidável volante Anderson Pedra, de 31 anos e quatro passagens anteriores pelo clube, ainda com passagens por JEC e Paraná, e a grande estrela da companhia, o atacante Jonatas Obina, de 32 anos. Se o nome não é estranho, a gente lembra: Obina chegou a ser titular do Atlético-MG em algumas partidas em 2011, no time treinado pelo técnico Cuca. No ano seguinte foi emprestado ao Ipatinga e rodou bastante, até ser contratado pelo tricolor jaraguaense para a Série B. Pouca gente sabe, mas ele é cidadão naturalizado de Guiné Equatorial, tendo participado das Eliminatórias da Copa de 2014.

O Juventus não tem um elenco muito conhecido, fugindo da lista de outros times, repletos de jogadores tarimbados na segundona de Santa Catarina. Tem um técnico que conhece os caminhos, e isso precisa ser considerado. Além do mais, o clube deve ao seu apaixonado torcedor uma participação mais digna, depois do vexame do ano passado. Vamos ver até onde esse time poderá chegar.

sábado, 2 de junho de 2018

Conheça a segundona: Barra

BARRA FUTEBOL CLUBE
Fundação: 18 de janeiro de 2013
Cores: Azul e Amarelo
Estádio: Camilo Mussi (particular - pertence ao Almirante Barroso) 1.100 pessoas
Presidente: Benê Sobrinho
Técnico: Fabio Sanhudo
Ranking "BdR" 2017: 16o. Lugar
Catarinense 2017: 6o. lugar na Série B



O Barra entra em sua terceira temporada na segundona sem trazer muitas expectativas. O trabalho é bem realizado na base, o clube tem um CT e, com alojamento localizado a cerca de 30 minutos dos campos, ele cede bicicletas pra garotada ir treinar. As partcipações do time nos últimos anos não são vergonhosas, mas também não empolgam. Ano passado, o time fez um primeiro turno muito ruim, mas até conseguiu se recuperar na segunda metade. Teve até a chance de se classificar para as semifinais, mas algumas patinadas o deixaram na modesta sexta colocação. É uma lógica de time empresa: é clube novo, com torcida muito pequena, e sem identificação com a sua cidade-sede, já que é sediado em Camboriú e mandará os jogos mais uma vez no Estádio Camilo Mussi, em Itajaí. Antes disso, chegou a jogar em Brusque, para poucas testemunhas. O Pescador, como clube gosta de ser chamado, tem um estreante no comando: é Fábio Sanhudo, com passagem pela base do Internacional e trabalho longo no Barra com a base. Também trabalhou no futsal, comandando o time alemão do Regensburg no ano passado. Está no clube desde 2015 e, dentro do planejamento para este ano, foi guindado a técnico do time profissional.

O time do Barra terá muita gente jovem, mas abriu espaço para alguns experientes, que fazem a famosa "Mescla". Dois se destacam: um é o conhecidíssimo meia Athos, no alto dos seus 37 anos e sete acessos no currículo. Estava no Operário de Ponta Grossa, e tem passagens pelo Criciúma, Chapecoense, Marcílio Dias e Internacional de Lages. Outro conhecido é o também experiente atacante Cadu Mineiro (atualmente chamado apenas de Cadu, o "Mineiro" foi adotado na Chapecoense para diferenciá-lo do volante Cadu Gaúcho, que virou diretor do clube, falecido no acidente da Colômbia). De resto, o time pretende ser basicamente formado pela turma criada dentro do seu próprio CT.

O que esperar do Barra? Nada além do que foi nos outros anos. Não é um investimento para acesso, e tampouco é um trabalho ruim pra se pensar em rebaixamento. É o único dos dez times que é um clube empresa, sem aquele vínculo com torcedor e a tradicional cobrança. Poderá surpreender, mas tem elenco para, mais uma vez, ser meio de tabela.




sexta-feira, 1 de junho de 2018

Conheça a segundona: Metropolitano

CLUBE ATLÉTICO METROPOLITANO
Fundação: 22 de janeiro de 2002
Cores: Verde e Branco
Estádio: Sesi (Particular) - 6000 pessoas 
Presidente: Saulo Reitz
Técnico: Rodrigo Cascca
Ranking "BdR" 2017: 10o. Lugar
Catarinense 2017: 10o. Lugar na Série A



Ano duro para o torcedor do Metropolitano, que não vê o time entrar em campo desde julho do ano passado, quando encerrou a participação do time na Série D. Não foram dias fáceis, mas a tragédia meio que vinha sendo anunciada. Desde 2016 o time não vinha bem das pernas. O ex-presidente Pedro Nascimento não teve sucesso para conseguir bom orçamento e o time não se qualificou. Acabou rebaixado no Estadual em último lugar, com apenas 4 vitórias em 18 partidas. Fazer futebol em Blumenau não é fácil: a torcida vai em pequeno número, as vistorias enchem o estádio do Sesi de problemas, e agora a realidade é de segunda divisão. Coube ao novo presidente, Saulo Reitz, a missão de comandar essa volta por cima do Metrô, que terá que encarar a segundona depois de um longo período na primeira divisão. Passando por cima das dificuldades, ele conseguiu montar um time bem interessante.

O técnico do Metropolitano é Rodrigo Cascca, de 39 anos, que tem no seu currículo uma passagem pelo Camboriú na temporada passada. Estava no Toledo-PR e colecionou alguns resultados interessantes. Veio para o clube para a função de coordenador técnico e, logo, participou diretamente da montagem do time. E como a diretoria não encontrou um nome que se encaixasse na realidade do clube para ser o treinador, Cascca tom
ou o caminho natural e passou também a comandar o time na beira do gramado. É conhecido na cidade, por já ter trabalhado no Blumenau em 2014.



O elenco montado pelo Metrô é até surpreendente diante da realidade financeira de todos os times da segundona. O principal nome do elenco é o experiente zagueiro Douglas Silva, de 34 anos, ex-Avaí, Figueirense, Vasco e Joinville, que fez um campeonato estadual excelente pelo Brusque, sendo inclusive indicado para a premiação dos melhores do Top da Bola. Muitos podem perguntar como ele pode jogar a segundona de SC tendo atuação tão boa no início do ano. Acontece que seu empresário é parceiro do clube e viabilizou a sua permanência por lá. Outros bons nomes trazidos pelo Metrô são o goleiro Martins, o volante Grando e o meia Bruninho, do Hercílio Luz (olho nele), o meia Diogo Palhinha, ex-Avaí, e o zagueiro Rafael Schmitz, de 37 anos, que resolveu abandonar a aposentadoria para ajudar o Metropolitano em campo. Sua carreira tem passagem por um bom tempo na Europa, principalmente na França.

Não tem como não colocar o Metropolitano na lista dos favoritos ao acesso. Até pelos anos de participação na primeira divisão, o time tem a obrigação de conseguir seu retorno no ano seguinte, o chamado "bate e volta". É um time que tem uma defesa bem interessante, bons meias e um treinador que mostrou bons trabalhos. Deve estar entre os quatro semifinalistas.


quinta-feira, 31 de maio de 2018

Conheça a segundona: Camboriú


CAMBORIÚ FUTEBOL CLUBE
Fundação: 11 de abril de 2003 (como SD Camboriuense)
Cores: Verde e Laranja
Estádio: Roberto Santos Garcia - Municipal (3.500 lugares)
Presidente: Renato Cruz
Técnico: Mauro Ovelha
Ranking "BdR" 2016: 11o. Lugar 
Catarinense 2016: 10o. lugar na Série A



O Cambura chega em mais um ano de segundona depois de uma temporada apenas regular no ano passado. O time da terra do mármore sempre aparece como um dos postulantes ao acesso, mas acabou caindo de produção com o campeonato de 2017 em andamento. Terminou o primeiro turno em segundo lugar, atrás apenas do campeão Hercílio Luz. Na segunda parte, perdeu gás, sofreu três derrotas mas mesmo assim, na última rodada, conseguiu ir para a semifinal na última rodada, ficando na frente do Guarani pelo saldo de gols. Mas como o time não estava rendendo a contento, acabou sendo presa fácil para o Hercílio no mata-mata decisivo, com duas derrotas, em casa e fora. Passada a experiência, o presidente Renato Cruz resolveu dar uma tacada mais alta: apostou na experiência do atual técnico campeão e de atletas que conhecem cada buraco deste campeonato traiçoeiro.

E a aposta do time laranja não é bem uma aposta, e sim uma contratação de peso: o técnico é nada menos que Mauro Ovelha, 50 anos, que dispensa maiores apresentações. É um dos ícones do futebol catarinense, excelente zagueiro e treinador reconhecido no Estado. Traz com ele um dado interessante: foi campeão em duas das últimas três edições da segundona (2015 com o Brusque e ano passado, com o Concórdia). Sua contratação não é pelo nome em si, mas pelo conhecimento que possui com esse tipo de campeonato. Tanto é que trouxe consigo vários nomes da sua confiança, a fim de montar uma estrutura capaz de chegar bem às semifinais, para chegar ao acesso." O casamento entre o Mauro e o Camboriú era uma questão de tempo. Ele e o clube já haviam conversado em outras oportunidades, e isso acabaria acontecendo uma hora ou outra. Estamos felizes por poder trazer esse nome tão importante do futebol do estado para defender as cores do Tricolor. É uma contratação que nos dá muita confiança para a temporada”, disse o presidente. Certamente ganhou carta branca para montar sua tropa para brigar pelo acesso.

E a lista de jogadores tem vários conhecidos nossos. Começando pelo experiente goleiro Zé Carlos, a melhor saída de bola que eu conheço, ex-Criciúma, Avaí e Brusque. Na turma de confiança, estão o atacante Aldair, ex-Joinville, o meia Paulinho Oliveira, ex-Brusque que foi campeão em Concórdia e o volante Ruan, que saiu do Criciúma após problemas disciplinares e acabou "recuperado" por Ovelha no Bruscão. Destacam-se também o atacante Mateus Arence, ex-Inter de Lages e Hercílio, e o zagueiro Igor Candiota, egresso da base do Joinville.

No papel, o Cambura tem um time bem interessante. Vai ser um time no estilo Mauro Ovelha, com forte marcação e buscando saídas rápidas em contra-ataque. É uma das minhas apostas para os quatro semifinalistas. É o tal do time que segue a receita do acesso em Santa Catarina, com aposta em gente experiente no campeonato.