domingo, 26 de fevereiro de 2017

Bruscão x Timão, o jogo que mexe com a cultura da região

Acho que era ano 2000, por aí. Eu fui a Chapecó transmitir um Brusque x Chapecoense do Estadual. O primeiro tempo foi horrível, tinha torcedor dormindo. No intervalo, aconteceu um Gre-Nal de crianças. Deu briga na arquibancada. Em outro ida ao Oeste, fui fazer um lanche lá no Bar do Boca. De repente, passam colorados puxando gremistas em uma carroça em plena Avenida Getúlio Vargas.

Isso faz parte do passado por lá. A Chape é a dona da cidade. Aqui em Brusque isso ainda é muito presente.

O jogo Brusque x Corinthians mexe muito com o espírito do segundo time, ou "misto", como torcedores de cidades com futebol estabilizado, como Criciúma, Joinville e Floripa, falam. Isso tem explicação.

Eu passei por isso.

Camisa de torcedor para o jogo (foto: Facebook)
A região do Vale foi "catequizada" por emissoras de rádio de fora, que entravam no AM com som local no período da noite. Além do mais, por causa do relevo, cerca de duas em cada três residências tem antena parabólica, o que os tira do circuito das emissoras abertas locais que, no caso de Brusque, não davam bola alguma para cá. Acho que minha profissão veio disso. Eu tinha nove ou dez anos, e em dado momento tinha dificuldade para dormir. Meu pai, vascaíno que carrega a maior decepção em ter deixado seu filho virar flamenguista, me ensinou, com um rádio nove faixas que eu ganhei na minha primeira comunhão, a sintonizar a Globo e a Tupi, com seus noticiários esportivos noturnos. Mais tarde descobri a Rádio Gaúcha, com os debates da madrugada do recém-falecido Jayme Copstein. Me ajudava a relaxar e dormir. Sim, enquanto muitos ouvem música para relaxar, eu ouço notícia.

O Brusque foi campeão catarinense em 1992, mas acumulou uma série de acessos e descensos desde então. Resultados expressivos em nível nacional, nenhum. E assim cresceu a torcida, sempre com um time grande acompanhado do local para os mais velhos. Quando o sistema de som do Estádio Augusto Bauer anuncia um gol no Carioca ou no Paulista, é uma festa. Aqui tem Fla-Brusque, Vasco-Brusque, Fiel-Brusque, consulado do Inter. Teve até um encontro gigante de palmeirenses. Temos que compreender, essa é a realidade. Até o Bruscão conquistar resultados bons, como os títulos nacionais de Avaí, JEC e Criciúma ou acessos para, no mínimo, a Série C, será assim. Some-se aí o fato do Brusque ser um clube comandado por um grupo de abnegados que não conta com apoio das entidades empresariais da cidade, e nem tem um departamento eficiente de comunicação e marketing, por falta de dinheiro. O clube não tem plano de sócio: tentou criar um ano passado que foi um fracasso. A Kanxa, fornecedora de material (para um clube de uma cidade têxtil, que poderia fabricar aqui), demorou quase dois meses pra entregar camisas para venda. Não é fácil.

Quis o destino que o Brusque herdasse da Chapecoense uma vaga na Copa do Brasil e enfrentasse um dos maiores clubes do país, em casa, para aflorar esse sentimento duplo do torcedor. O Corinthians pediu, e todos os ingressos de visitante foram para São Paulo. Os alvinegros da região tiveram que comprar ingresso no espaço do Brusque. Pode dar confusão, ou não. Lado a lado estarão moradores da mesma cidade que estarão em uma situação diferente. Se fosse Flamengo, Vasco, Palmeiras, Inter ou Grêmio seria igual. Mudariam apenas as pessoas. O Brusque, que leva seus 2 ou 3 mil torcedores por jogo, não atrai a atenção de toda a cidade, que tem 120 mil habitantes. O Corinthians, com todo o seu poder midiático que chega em doses cavalares pela TV, tem muitos fãs. Sendo que grande parte nunca viu um jogo dele ao vivo.

O jogo desta quarta será um divisor de águas. É o primeiro jogo do Brusque em rede nacional. Será o maior acontecimento esportivo dessa cidade depois da final do Estadual de 1992, onde Claudio Freitas fez aquele gol antológico contra o Avaí. Aparece uma oportunidade do clube capitalizar mais torcedores e chegar próximo de onde os cinco grandes do Estado chegaram.

O resultado do jogo em si é o de menos. O Corinthians é favorito, apesar do Brusque ter estabelecido uma boa sequência, culminando com um 3 a 0 em Lages no sábado de carnaval. Será um jogo para contar para os netos.

E que tenhamos uma noite tranquila.


sábado, 25 de fevereiro de 2017

Avaí campeão invicto do turno, com algo a mais que os outros

Leandro Romano / Avaí FC
O Avaí confirmou o título do primeiro turno do estadual no segundo match-point que teve a disposição mostrando que nem o gramado sintético de Itajaí é capaz de segurá-lo. Mostrou sua qualidade muito superior e não deu chance ao Barroso, que aposta em sua casa para se segurar na primeira divisão. Não deu.

O Leão vai à final do campeonato com uma condição bastante interessante para levar o título sem final. Isso não quer dizer uma garantia. Hoje, o time mostra uma organização bem maior que os oponentes, que não conseguem estabelecer uma sequência. Se não vejamos: o Figueirense deu um aperto no clássico mas voltou a ser a mesma bagunça contra o Tubarão. A Chapecoense cresce, mas ainda não consegue se estabelecer. Pesa ainda a Libertadores, que começará em breve e, obviamente, será priorizada. O Criciúma era o time mais próximo disso, mas quem falha do jeito que falhou contra o Metropolitano precisa ser olhado com ressalvas. Dos pequenos há o Brusque, que venceu fora de casa o Inter, que fez excelente campanha, mas não vê o título como prioridade.

No ano passado vemos uma Chapecoense arrebentar no primeiro turno mas perder terreno no segundo, abrindo espaço para uma final contra o Joinville. Em situação parecida está o Avaí, que tem time superior mas pode acabar, em uma escorregada, tendo que jogar a decisão.

Quem chega a um título de turno invicto merece respeito. Não dá pra aplicar teorias da conspiração. A única coisa certa é que o time, obviamente, precisará se qualificar para a Série A, já que o nível do Estadual não é dos melhores. Mas entre os dez clubes, é o que está em melhores condições de chegar ao topo. Cabe agora ao time de Claudinei Oliveira evitar a tensão dos dois jogos finais.




domingo, 19 de fevereiro de 2017

Sob forte calor, Avaí encaminha o turno

Jamira Furlani / Avaí FC
Sob um calor infernal (e vamos ser sinceros, perigoso), Avaí e Brusque fizeram um jogo que não tinha como ser acelerado diante das condições. Pela importância, deveria ter mais gente. Se fosse no horário previamente marcado, era pra mais de 10 mil. Que jogassem mais tarde ou até segunda... mas enfim, aconteceu. Vamos falar do jogo.

O Leão foi muito mais eficiente e fez por merecer vencer a partida. O Brusque, completamente entregue, errrando um sem número de passes e dando apenas um chute a gol, foi presa fácil. No primeiro tempo, o time da casa se impôs e, mesmo desfalcado, mostrou que tem o padrão muito bem assimilado pelo grupo e peças de reposição no banco capazes de manter a força. O ritmo for forte, mesmo com o calor.

No segundo tempo, o Brusque até conseguiu o empate, mas sobrava qualidade ao Avaí que, além de vencer o jogo, também carimbou a trave de Rodolpho mais de uma vez. Uma vitória que amplia ainda mais a frente do time, que pode confirmar o título do turno contra o Figueirense e ainda mais, manter uma distância que pode lhe garantir a decisão do campeonato em casa (caso, claro, não leve também o segundo turno)

O Bruscão de Pingo tem que apagar esse jogo da memória. Nada funcionou, e dois problemas precisam ser analisados: se Assis tem essa bola toda pra continuar sendo titular e se a dupla de zaga Clayton-Neguete não precisa passar por mudanças. Chegou um zagueiro, Willames, com a ideia de ser titular. Resta saber se o treinador tera culhão para mexer em um setor que mostra seguidas falhas de posicionamento.

A liderança avaiana não é fruto de sorte. É a consolidação do melhor time do campeonato. O nível não está lá dos melhores, mas tem vantagem quem é mais organizado. E nesse quesito, a supremacia avaiana não deixa dúvidas.



sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Noite de classificação. O Corinthians vem aí

A torcida esperou com muita ansiedade esse Brusque x Remo. E até parece que isso transpareceu para o time. O resultado foi um jogo de muita emoção, onde todos que estavam no estádio pareciam “pilhados”. Notei que o time não parecia o mesmo. Se fosse basquete ou futsal, daria pra pedir um tempo pra respirar. Saiu o primeiro gol, jogo indo em ritmo bom. Veio o empate, numa pedrada de fora da área. Chegou o pênalti. Assis perdeu e mandou a tensão lá pra cima.

O intervalo foi decisivo. O time conseguiu colocar a cabeça no lugar e o jogo começou a se desenvolver melhor. Prêmio disso foi o gol de Ricardo Lobo, em um cruzamento pela esquerda. A partir daí o Remo foi pro desespero e a partida ficou extremamente perigosa, com contra-ataque escancarado e um show de bolas aéreas.

A calma que tanto atrapalhou o time no primeiro tempo reapareceu para que um mísero desses contra-ataques encaixasse para matar o confronto. Mas não, teve que ter emoção. Bola na trave deles, um susto a cada bola levantada.

 Deu tudo certo.

Uma vitória que eleva a moral do clube em todos os aspectos, desde a promoção do time em rede nacional, até o próprio espírito de união dentro do elenco que ganha, com toda certeza, um gás a mais para o campeonato catarinense, onde o Bruscão é vice-líder e poderá, por que não, pregar uma peça no Avaí na Ressacada para seguir vivo no turno do Estadual.

Hora de pés no chão. Há jogos importantes pelo Estadual que podem garantir uma volta à Copa do Brasil para noites tão interessantes como tivemos ontem. O time vai evoluindo e ontem passou por uma pressão enorme. As metas estão claras e é bom não perdê-las. O dinheiro entrou na conta e a diretoria consegue respirar. Vamos em frente com muita tranquilidade e profissionalismo.

E sendo curto e grosso:  Quer classificar? Joga aqui. Espero que a diretoria do Brusque não pense em vender o mando (pode ter certeza que o telefone vai tocar hoje com uma oferta) em troca de uma classificação altamente possível. Afinal, o Corinthians não vem convencendo e, sim, é possível passar de fase. É um ato que mostra que o time quer ser grande.

O Brusque já botou a mão em R$ 250 mil como cota de participação na primeira fase da Copa do Brasil. A ida para a segunda vai render aos cofres do clube mais R$ 315 mil. Isso ninguém tira. Já uma ida para a terceira fase pode dobrar esse bolo. Renda de jogo é o de menos, até porque ela é dividida entre os clubes.

Viremos a página, domingo tem o Avaí.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Fatores sintéticos

Assessoria CNAB
A vitória impressionante do Almirante Barroso sobre o Figueirense ontem não só aumenta a crise no alvinegro, que vê os planos de conquista do turno irem embora e a pressão sobre o técnico Marquinhos Santos ficar praticamente insustentável. Chama a atenção para o fato que levou o clube de Itajaí para o acesso e que será preponderante caso o time queira se sustentar na elite: o campo, onde tanto o Figueira quanto o JEC (que quase venceu o jogo) mostraram dificuldades.

O segundo tempo foi um banho de bola, onde o Figueirense só levava perigo na bola aérea e, no resto, mostrava uma gigante desorganização. Concordo com a opinião de que a passagem de Marquinhos Santos no clube não deu certo. Ele não acertou a mão, e tudo indica que não vai conseguir. Veio prestigiado, trouxe vários jogadores que ele indicou, mas o futebol não rende. Vamos para a quinta rodada do turno e o time não reagiu. Pela frente há uma "pré-temporada" para a segunda fase, já que nesta o Avaí já abriu oito pontos de distância, com uma organização muito maior.

Já o Barroso, o patinho feio do campeonato e criticado pelo seu gramado (e sobre a polêmica dou assunto por encerrado, até porque dois times já jogaram lá e terá que ser assim até o final) mostrou virtudes. É um time que não tem estrelas, mas tem uma grande motivação. O empate em Chapecó deu uma energia a mais e fez o time acreditar que é possível enfrentar qualquer um. Quem apostava antes do campeonato que ele seria rebaixado certo precisa ter calma. Até porque, lá embaixo da tabela, está um Atlético Tubarão que entrou na disputa cheio de holofotes, com dezenas de matérias destacando sua organização, mas pecando no ponto mais importante: futebol. O time do sul não marcou gol em quatro jogos, tem no ataque um Rentería que é mais marketing que futebol e criando um clima complicado para Marcelo Mabília fazer seu trabalho.




sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Lição bem feita: Criciúma atropela o Brusque sem dó

Fernando Ribeiro / Criciúma EC
A torcida encheu o Augusto Bauer para ver aquele Brusque que chamou a atenção de todos contra o Figueirense. Em Florianópolis, o Bruscão foi organizado e extremamente focado para conseguir a vitória. No primeiro jogo em casa, aconteceu o contrário.

O time escapou de tomar uma goleada no primeiro tempo e acabou completamente envolvido pelo Criciúma, cujo treinador soube ler com excelência todas as deficiências do adversário para construir uma vitória tranquila e incontestável, que poderia ser bem maior, tamanha a superioridade.

No último final de semana, o fato que chamou a atenção foi que o Brusque, sem ter marcado nenhum gol nos jogos de preparação, fez dois gols contra o Figueirense, mesmo mostrando os mesmos problemas que tem indignado Mauro Ovelha. O setor de ataque precisa de muitos ajustes. Tanto é que a diretoria teve que correr atrás de dois na semana passada para tentar resolver o problema. O setor de armação mostra dificuldades para trabalhar e o time fica pendurado nas atuações individuais. Chegou o jogo de ontem e o Criciúma, precisando de uma reação depois da derrota para o Avaí, resolveu tomar cuidado. Resolveu marcar forte a saída do Bruscão e teve muito sucesso. Conseguiu encurralar e liquidar a partida no início do segundo tempo. Daí foi só administrar a pressão desesperada do Brusque, que tinha mais preparo físico, mas uma desvantagem enorme no placar. Sem eficiência, tomou o quarto no final para mandar o torcedor embora.

Para o Brusque, jogo de domingo contra o Metropolitano é pra tirar a dúvida: afinal, que time é esse? O banho de bola do Criciúma acende o alerta para que o “auê” todo criado pela vitória na estreia tenha que ser deixado pra trás e que o foco precisa ser todo na organização do time como um todo, para que ele, assim como o Tigre, possa se impor sobre os adversários. Já o Criciúma terá contra o Joinville uma chance de ficar vivo no turno e deixar aquela derrota na estreia para trás.


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Show de horrores em Joinville

Enquanto a Chapecoense, com seu time praticamente novo, vai colocando a bola no chão e trabalhando bem para conquistar duas vitórias na arrancada do Estadual, Joinville e Figueirense protagonizaram um desserviço ao bom futebol numa noite chuvosa perante a pouco mais de 2 mil herois na Arena e outros milhares que aguentaram assistir ao jogo na TV. Coisa feia.

Ambos não convenceram nas duas rodadas, e dão toda razão para o início da corneta da torcida, que exige uma reação de ambos depois da última temporada. Falta muita coisa: o Figueira era amontoado em campo, mal distribuído, com dificuldades para construir jogadas. Já o JEC até parecia um pouco mais organizado, mas não tem qualidade de ataque. Vamos concordar: quando o clube trouxe o atacante Ciro, de algumas temporadas quase em branco, era sabido que a aposta era grande e com grande chance de dar errado. Bingo. Tem também Alex Ruan, meio que uma invenção do técnico, com a mesma fraqueza técnica.

Por mais que ambos digam que o plano é outro, para o Brasileiro, a falta de resultados no Estadual pode acabar em demissões de dirigentes que querem resultados imediatos. Novos tropeços no final de semana podem causar as primeiras dúvidas.

Nesta quinta, o Avaí e o Brusque, que venceram fora de casa na estreia, entram em campo. Se tropeçarem, podem começar a abrir caminho para que a Chapecoense arranque para ser o favorito ao título do turno. Não é o time perfeito, ainda há o que evoluir. Mas ninguém pode negar que estão jogando certinho, arrumando bem a casa para a Libertadores.


domingo, 29 de janeiro de 2017

Vai ou não vai?

Encerrada a primeira rodada do estadual, tivemos duas vitórias de visitantes contra apenas uma de mandante, a Chapecoense, que bateu o Inter de Lages. Claro que toda análise profunda antes da terceira ou quarta rodada é muito complicada. Mas tem assunto.

Primeiro, há a expectativa da Chapecoense, que remontou o time com um bom orçamento e venceu na estreia. Diante de atuações nada convicentes de Figueirense, Criciúma e até o Avaí, que ganhou fora sem dar espetáculo, me pergunto se não há uma possibilidade considerável da Chape, se o time ir encaixando e os outros patinarem, levar essa mais uma vez. Tem o Brusque, que mostrou muita entrega ao bater o Figueirense. Para acompanhar com carinho.

Estive em Itajaí para acompanhar a estreia do Joinville contra o Almirante Barroso. Aqui, temos o caso de um time em remontagem completa com orçamento bem inferior. E o começo não foi bom. O técnico Fabinho Santos tem muito o que arrumar, mas a diretoria vai ter que se coçar pra arrumar mais qualidade, que acho insuficiente para uma Série C. O goleiro Jhonatan vai ser pressionado cada vez mais depois deste domingo, onde mostrou certa insegurança. Enfim, na lista de prioridades do JEC, o Estadual está mais pra parte baixa.

A semana começará com a polêmica do campo sintético do Barroso. Engraçado ver tantas críticas ao estádio se o time jogou a segundona toda no ano passado exatamente neste mesmo piso, aprovado pela antiga gestão da FCF. A culpa não é do Barroso. É de quem acompanhou a construção e liberou. Nessa hora, ninguém assume. Ou o responsável não está mais aqui para assumir.


Brusque arranca bem no Estadual

Não foi nenhuma atuação perfeita, aliás, bem longe disso. Mas não faltou entrega. De virada, o Brusque venceu o Figueirense por 2 a 1 e arrancou bem no campeonato. E jogou mais um problema no colo do Figueira, com duas derrotas seguidas em casa e a exigência de uma resposta, mesmo no mês de janeiro.

Mauro Ovelha convive com um problema, que se apresentou no Scarpelli mas, nas circunstâncias de um jogo de futebol, acabou acobertado pela vitória. Desde o primeiro jogo treino, o time não conseguia responder bem no ataque. Em três testes, o time não marcou gol. Chegou no primeiro jogo oficial, foram dois, sendo um de bola enfiada para Michel Douglas e outro de pênalti. O time parecia saber o que tinha que fazer, tinha ciência que ainda falta um "quê" para o time encaixar. Por isso, não faltou disposição em cima de um adversário pressionado que não conseguia jogar bola.

O Brusque enfrentará o Criciúma em casa na quinta-feira com a oportunidade de estabelecer uma arrancada, com tempo e calma para ajeitar e continuar a arrumar o setor de articulação. Já o Figueirense irá a Joinville para evitar uma terceira derrota seguida.

O campeonato começou com duas vitórias de visitantes. E algo me diz que neste domingo vai ter mais.




sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Catarinense 2017: Joinville



JOINVILLE ESPORTE CLUBE
Fundação: 29 de janeiro de 1976
Cores: Vermelho, Branco e Preto
Estádio: Arena Joinville  (Municipal)  - 22.000 lugares
Presidente: Jony Stassun
Técnico: Fabinho Santos
Ranking "BdR" 2016: 5o. Lugar
Catarinense 2016: Vice-campeão




O JEC vive uma nova era por causa do trágico fim de 2016. Com tropeços seguidos e muitos pontos perdidos dentro de casa, o tricolou acabou rebaixado para a Série C, e agora terá que viver uma outra realidade, sem tantos holofotes, sem verba de televisão e com muita desconfiança do torcedor. O presidente Jony Stassun, um dos principais alvos da ira da fanática torcida, terá que ser criativo para se virar diante de uma realidade completamente diferente de anos recentes. A missão da temporada é clara: sequer "esquentar" a vaga na Série C e retornar para a B já em 2018. O estadual é o ponto de partida para a montagem de um novo time, com uma folha de pagamento bem mais enxuta, repleto de apostas para um ano novo melhor.

E uma das marcas desse reinício está no comando técnico. Nada de figurões ou "reis do acesso". Cabe a Fabinho Santos, ex-atleta do clube e com bom trabalho no comando da base do tricolor. Pela primeira vez no time de cima, ele sabe que o desafio e a pressão dos torcedores são bem maiores. Dentro de um momento de recomeço, penso ser um opção acertada do clube, nem tanto por causa do fator financeiro. Fabinho mostrou credenciais para ganhar a oportunidade, e pelo fato de ter uma ligação muito forte com o clube, conta com crédito do torcedor em uma temporada na terceira divisão nacional que não será nada fácil. Aliás, a Série C costuma ser bem mais complicada até que a B, já que a fórmula não é de pontos corridos.


A reformulação do elenco foi gigante, e necessária. Saíram jogadores titulares, como Jael e Naldo, permaneceram alguns que são egressos da base, como o goleiro Jhonatan e o volante Kadu. Dentro da nova realidade financeira e folha de pagamento mais enxuta, muitas são as apostas no elenco, como o lateral Caíque, o zagueiro Max e o também lateral Alex Ruan. A camisa 10 será do interminável Lucio Flávio, experientíssimo meia de 37 anos, e exímio cobrador de faltas. Caberá a ele a missão de fazer o time funcionar e, principalmente, criar as chances do ataque, que tem dois nomes conhecidos: Fabinho Alves, ex-Chapecoense, e Bruno Batata, de 32 anos, ex-Londrina.

O JEC, que vive uma fila indigesta de títulos no Estadual, vem de uma de sequência de três vice-campeonatos seguidos, sendo dois para o Figueirense e um, no ano passado, para a Chapecoense. Desta vez, o Estadual não é uma prioridade, algo que já é considerado por grande parte da torcida. Se esse novo time, com nova filosofia, comandado por um jovem treinador "der liga", será algo espetacular. Mas o início de 2017 deverá servir como preparação para uma Série C que promete ser muito dura, onde nem sempre a melhor campanha consegue o acesso.


quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Catarinense 2017: Chapecoense




ASSOCIAÇÃO CHAPECOENSE DE FUTEBOL
Fundação: 10 de maio de 1973
Cores: Verde e Branco
Estádio: Arena Condá (Municipal)- 20.000 lugares
Presidente: Plínio Arlindo de Nes Filho
Técnico: Vagner Mancini
Ranking "BdR" 2016: 1o. Lugar
Catarinense 2016: Campeão




Os olhos do Brasil estão voltados para a Chapecoense. A tragédia que talvez nunca mais esqueceremos chamou a atenção do planeta para o time do Oeste que nós, em Santa Catarina, já conhecemos da sua história e da sua caminhada que iniciou lá de baixo, com um iminente fechamento de portas e rebaixamento para a segunda divisão do Estadual, até a escalada nas séries do campeonato nacional que culminou em uma permanência sem sustos na Série A e um título sul-americano, que colocará o Estado na Libertadores 25 anos após o excelente Criciúma de Levir Culpi em 1992. Sem boa parte da diretoria que levou a Chape ao alto, a comunidade se engajou, com o apoio de um mundo todo, para reiniciar a vida. O novo presidente, Plínio Arlindo de Nes Filho, o Maninho, capitaneia o processo, recebendo a confiança de toda uma comunidade. Quem conhece os bastidores do clube sabe que ele tem, desde 2009, um papel importante na gestão do clube, sem ser o presidente de fato. Agora ele é, dando garantia que a Chape está em boas mãos.

Cada personagem desse conto de renascimento tem o seu lugar na história. A nova diretoria trouxe um executivo, Rui Costa, que tem seu banco de dados e contatos, para iniciar o processo de construção do elenco em tempo recorde. Buscando um perfil parecido com Caio Junior e Guto Ferreira, dois últimos comandantes do time, veio Vágner Mancini, de 50 anos, que apareceu para o Brasil quando comandou um desacreditado Paulista de Jundiaí ao título da Copa do Brasil. Diante das opções do mercado, foi uma decisão acertada, já que é um nome que foge daquela lista de nome ultraconhecidos e, em alguns casos, ultrapassados e com experiência suficiente para assumir esse desafio. Em poucos dias de trabalho, conseguiu colocar o time em campo com um mínimo de organização, o que é louvável para um trabalho que começou do zero.

O time montado, que vai enfrentar uma lista enorme de competições em 2017, tem muito do perfil da Chape de outros anos: sem grandes medalhões, muita pesquisa no mercado (nomes que estavam na "mira" dos dirigentes que se foram acabaram vindo) e aposta na juventude. Contando com ajuda extra de outros clubes solidários à situação, o clube foi se formando, com a experiência do atacante Wellington Paulista, a força do zagueiro Douglas Grolli, a aplicação do volante Andrei Girotto e a velocidade do atacante Rossi, que impressionou bastante o treinador. Num primeiro momento, a barreira é o entrosamento. Passada esta etapa, dá pra dizer que o trabalho foi bem feito em tempo curto.

A Chapecoense, que enfrentará uma Libertadores em março, entra no Estadual com plena condição de brigar pelo título, embora sem a superioridade evidente do ano passado, quando o time foi campeão com absoluta justiça. Encarando a situação de outra forma e a bem grosso modo, esse processo de remontagem não é novidade: basta imaginar aqueles times rebaixados que acabaram refazendo todo o elenco. De maneira forçada, e não do jeito que queríamos, a Chape teve que fazer isso. Pode até ter dificuldades no primeiro turno, mas tem elenco e possibilidade de chegar a decisão e defender o seu título conquistado por muitos que não estão mais entre nós.


quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Catarinense 2017: Criciúma

CRICIÚMA ESPORTE CLUBE
Fundação: 13 de maio de 1947 (como Comerciário. O nome mudou em 17 de março de 1978)
Cores: Amarelo, Branco e Preto
Estádio: Heriberto Hulse (particular) - 20.000 lugares
Presidente: Jaime Dal Farra
Técnico: Deivid
Ranking "BdR" 2016: 4o. Lugar
Catarinense 2016: 3o. Lugar


O Criciúma até chegou a dar uma esperança para o seu torcedor em 2016, mas a temporada acabou em decepção. Foram vários os fatores, que passam pela teimosia do ex-técnico Roberto Cavalo até as vendas de peças importantes que poderiam ajudar o time. No campeonato estadual tudo até correu bem, com o time ficando em terceiro lugar (mas com a segunda melhor campanha). Mas no resto, deu tudo errado: na Copa do Brasil, uma eliminação precoce na primeira fase para o rebaixado Operário de Ponta Grossa, enquanto que na Série B o time teve um aproveitamento de pouco mais de 49%, terminando na oitava colocação, a sete pontos do G4. Foram muitos os pontos perdidos que acabaram determinando o fim de ano do Tigre. Pressionado, o presidente Jaime Dal Farra demorou, mas teve que se mexer, tentando um fato novo para 2017.

E aí chegou Deivid, ex-atacante que teve apenas uma oportunidade de comandar um time, o Cruzeiro, no início da temporada de 2016. E, vamos concordar, teve um excelente rendimento, com apenas duas derrotas e 11 vitórias em 18 jogos. Acontece que ele perdeu quando não devia, na semifinal do campeonato mineiro para o rival América (a outra derrota havia sido para o Fluminense, pela Primeira Liga). Pesou o fato de ser um técnico novato. Com pressão do torcedor, acabou substituído e passou o ano sem trabalhar, até surgir o convite do Tigre em dezembro.
Para 2017, o Criciúma sustentou uma boa base do ano anterior. A defesa segue tendo seus pilares com o ótimo goleiro Luiz e a dupla de zaga Raphael Silva-Diego Giaretta. A garotada segue representada por Douglas Moreira e Barreto. Mais para a frente, Alex Maranhão permanece, assim como Adalgiso Pitbull. Entre os reforços, o destaque vai para Pimentinha, que apareceu bem no Sampaio Corrêa, chegou a ser alvo de interesse de outros clubes aqui do Estado, e se juntou ao plantel carvoeiro.

O segredo para o Tigre ter um 2017 para ser bem lembrado passa pela capacidade de Deivid montar um time confiável em cima da estrutura do ano passado que Roberto Cavalo não deu conta. A atuação contra o Fluminense, na estreia da Primeira Liga, deixou uma boa primeira impressão. Viu-se um time aguerrido e que tentou, dentro do que é possível, a criação de jogadas. Há uma vantagem a ser considerada pelo fato de ser mantida uma espinha dorsal. Se isso vai resultar em título ou acesso, é outro papo. O início do trabalho parece bom.



domingo, 22 de janeiro de 2017

Catarinense 2017: Metropolitano

CLUBE ATLÉTICO METROPOLITANO
Fundação: 22 de janeiro de 2002
Cores: Verde e Branco
Estádio: Sesi (Particular) - 6000 pessoas 
Presidente: Pedro Nascimento
Técnico: César Paulista
Ranking "BdR" 2016: 8o. Lugar
Catarinense 2016: 7o. Lugar


O Metropolitano, que completa 15 anos de existência no dia 22 de janeiro, teve um 2016 bem complicado. Pra começar, não pode mandar seus jogos dentro do estádio do Sesi por causa de reformas na pista de atletismo. Jogando em Jaraguá, o time teve dificuldades, pouco público e não conseguiu mais que um sétimo lugar, com seis derrotas e oito derrotas. Iniciou o catarinense com Valdir Espinosa no comando, que acabou substituido pelo sobrinho Caco, também limado do clube em abril. Menos mal que o time conseguiu se segurar na primeira divisão e conquistar a vaga na Série D por dois anos. No segundo semestre, com orçamento muito mais limitado, o Metrô sequer passou da primeira fase, algo meio que esperado, já que a ordem era economizar e não perder a vaga na D em 2017.

Desde o início dos trabalhos para esta temporada, a diretoria passou o recado que não poderia exagerar nos gastos. E a solução caseira é, de certo modo, a correção de uma injustiça. César Paulista, craque dentro de campo e bom treinador fora dele, era tratado como um tapa-buraco. Se o treinador não dava certo e o time estava em baixa, lá vinha o César para arrumar a casa. Desta vez é diferente, com ele capitaneando o projeto desde o início. Com a missão de fazer um bom time com um orçamento limitado, em uma situação que não está sobrando grana pra ninguém.


O time do Metrô para esse estadual tem muitos nomes desconhecidos aqui no Estado, mas tem algumas figuras carimbadas, caso do meio-campo Thiago Cristian, que por aqui já jogou no Concórdia e no Brusque, além do próprio Metropolitano, do veterano atacante Sabiá, que no ano passado jogou a segunda divisão pelo Juventus de Jaraguá do Sul, e o argentino Mariano Trípodi, outro que retorna a Blumenau depois de uma passagem nada boa pelo Joinville e um tempo no futebol argentino.

O desafio do Metropolitano para o Catarinense 2017 não é uma novidade para Cesar Paulista, que tem competência e capacidade para montar bons times sem que o clube gaste um caminhão de dinheiro. As atuações do time nos jogos-treinos, considerando que, por economia, o trabalho começou somente no dia 2 de janeiro, dão esperança para que o time faça um bom campeonato.


sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Catarinense 2017: Internacional de Lages

ESPORTE CLUBE INTERNACIONAL
Fundação: 13 de junho de 1949
Cores: Vermelho e Branco
Estádio: Vidal Ramos Júnior (Municipal) - 12.000 lugares
Presidente: Cristopher Nunes
Técnico: Joel Cornelli
Ranking "BdR" 2016: 6o. lugar
Catarinense 2016: 6o. lugar



O colorado da Princesa da Serra, bem estruturado desde o seu retorno ao futebol na terceira divisão, teve um 2016 razoável. No campeonato estadual ficou em sexto, caindo duas posições em relação ao ano anterior. Já na Série D, o Inter teve a melhor participação entre os catarinenses. Após passar pela fase de grupos e eliminar o Caxias na segunda fase, acabou parando no Ituano, ficando muito próximo do acesso. O time mostrou ter encontrado um caminho para se organizar. Usa uma estratégia de montagem diferente dos outros e se dá bem.

 Exemplo é o comando técnico. Note que o colorado vai meio que na contramão de outros times do seu porte que busca, na grande maioria das vezes, um nome já rodado. Primeiro veio Mabília, que poucos sabiam do seu trabalho como técnico, e fez boa campanha. No ano seguinte, Waguinho Dias passou por Lages e deixou boa impressão. Para 2017, chegou a vez de mais um novato no Estado: Joel Cornelli, de 49 anos, que iniciou seu trabalho em 1999 quando, junto com Tite, surpreendeu o Grêmio para levar o título do Gauchão. Daí em diante, rodou pelo país e até pelos Emirados Árabes, ganhando uma oportunidade no Internacional. Boa indicação ele teve.



O time colorado tem vários nomes conhecidos de outras jornadas, como o bom goleiro Neto Volpi, qu passou pelo Tubarão na segundona, e os volantes Michel Schmoller, um dos destaques na temporada passada, e Parrudo, outro que jogou a segunda divisão no sul do Estado. Da nova leva de reforços, destacam-se o atacante Paulo Henrique, natural de Lages e que tem passagens por Atlético-MG e Paraná, e Enercino, de 29 anos, vindo do Sampaio Corrêa e com bastante rodagem pelo futebol do Nordeste.




Desta vez, o Inter não tem um Marcelinho Paraíba (que tinha contrato com o clube para este ano mas acabou indo para a Paraíba depois de uma briga na justiça), mas possui atletas que podem render bem no Estadual. Sempre rendendo bem dentro do seu estádio, o colorado vem para manter a média de boas participações no campeonato.

Catarinense 2017: Brusque

BRUSQUE FUTEBOL CLUBE
Fundação: 12 de outubro de 1987
Cores: Verde, Vermelho, Amarelo e Branco
Estádio: Augusto Bauer (particular, pertence ao CA Carlos Renaux) - 5.500 lugares
Presidente: Danilo Rezini
Técnico: Mauro Ovelha
Ranking "BdR" 2016: 7o. lugar
Catarinense 2016: 5o. Lugar


O Brusque teve um 2016 bem razoável. Mesmo perdendo pontos incríveis no campeonato estadual, conquistou uma boa quinta colocação. Na Série D, conseguiu uma classificação inédita para a segunda fase, parando no bom time do São Bento de Sorocaba, que mais tarde viria a conquistar o acesso. Desta vez, o clube não passou pelo drama de flertar com o rebaixamento. Dá pra dizer que parte desse fato pode ser creditado à continuidade do clube, que desde a segundona de 2015 conseguiu sustentar uma base, com o mesmo técnico e, logo, uma mesma lógica de trabalho. Neste ano, com a ida da Chapecoense para a Libertadores. o clube disputará pela terceira vez na história a Copa do Brasil, contra o Remo, tendo a oportunidade de pegar o Corinthians na segunda fase.

E, talvez num recorde da história do clube, o Bruscão contará com Mauro Ovelha no comando pela terceira temporada seguida. O treinador parece ter gostado de trabalhar por aqui, assim como sua presença é importante para o clube, pois fez a diretoria se mexer e elevar o padrão de contratações. O experiente técnico campeão catarinense de 2011 não mudou muito: aposta em times experientes, que marcam forte e tenham uma saída rápida. Já ouvi gente dizer que ele é ultrapassado, algo que não concordo. Depois de uma passagem conturbada no Marcílio Dias no segundo semestre do ano passado, quando enfrentou sérios problemas de estrutura da ex-diretoria do Marinheiro, ele retorna com o mesmo estilo que o consagrou no futebol catarinense.

O time do Bruscão manteve atletas do ano passado, como o zagueiro Cleyton, o interminável volante Carlos Alberto (que jogará como lateral neste ano) e o meia Eliomar. Entre os principais destaques que chegam, estão o excelente goleiro Rodolpho, campeão em 2011 com Ovelha na Chape, o zagueiro Gustavo, ex-Atlético-PR, os volantes Diogo Roque, ex-Chapecoense e Boquita, aquele mesmo ex-Corinthians, além do meia Assis, que retorna ao clube após uma passagem pelo Botafogo-PB.

Nos jogos treinos, Mauro Ovelha indica montar o time num esquema 4-2-3-1, que deu certo no último campeonato estadual. Ainda não conseguiu encontrar o "encaixe" ideal do time, mas o elenco é bom dentro do orçamento disponível do clube.