sábado, 26 de maio de 2018

Conheça a Segundona: Marcílio Dias

Começa hoje mais uma tradição aqui do Blog. A série "Conheça a segundona" vai trazer, diariamente, os perfis dos dez times que disputarão, a partir do próximo dia 3, as duas vagas para a primeira divisão do Estadual em 2019. O regulamento permite boas disputas, com turno e returno classificando quatro times para semifinais e final. Iniciando a série, vamos com um clube que sempre entra como favorito na briga, o Marcílio Dias. Boa leitura!

 
CLUBE NÁUTICO MARCÍLIO DIAS
Fundação: 17 de março de 1919
Cores: Azul e Vermelho
Estádio: Dr. Hercílio Luz (particular) - 10.000 lugares
Presidente: Lucas Brunet
Técnico:  Renê Marques
Ranking "BdR" 2017: 14o. lugar
Catarinense 2017: 3o. Lugar na Série B



O Marcílio Dias teve um grande azar na última segundona, que acabou lhe custando o acesso. Foi vítima do regulamento e, com a segunda melhor campanha geral do campeonato, acabou pegando vaga pelo índice técnico e teve que enfrentar o Concórdia, o melhor time, em duas partidas. Do outro lado estavam Hercílio Luz e Camboriú, notadamente piores, que decidiram a outra vaga. De toda forma, mesmo com a decepção na reta final, o clube mostra que está se recuperando de uma gestão horrorosa do passado que só trouxe coisa ruim. O jovem presidente Lucas Brunet continuou o trabalho, firmou parcerias, arrumou a casa e retorna para mais uma Série B com mais energia para brigar forte pelo acesso. O objetivo é estar na primeira divisão no ano que vem, quando completará o seu centenário no mês de março, com o Estadual em andamento.

O Marinheiro segue no comando de Renê Marques, ex-goleiro do Bahia, campeão da Série B do Estadual de 2016 pelo Almirante Barroso. Ele assumiu o Marcílio em agosto do ano passado, depois de um primeiro turno apenas razoável do time. Sob seu comando, o time não levou o returno, mas conseguiu uma arrancada para uma classificação tranquila. Acabou caindo no mata-mata do acesso. Reconhecido pelo seu trabalho e muito querido em Itajaí, Renê tem a absoluta confiança do torcedor rubro-anil para tocar o projeto do acesso, com a diferença que, desta vez, ele iniciou o planejamento do zero. E montou um time interessante para a Série B.


Além de jogadores remanescentes de outras temporadas, caso do veterano atacante Schwenck e do zagueiro Rogélio, o Marcílio segue a regra de buscar reforços em quem já teve sucesso na segundona, como o atacante Wilson Junior, pertencente ao Brusque, e o meiocampista Andrei Alba, da Chapecoense, ambos campeões pelo Concórdia no ano passado. Renê buscou montar um time que não estranhasse o ambiente, que terá jogos em estádios menores, campos ruins, pegada e exigência da vitória para entrar entre os quatro semifinalistas. Até agora o elenco mostra-se bem interessante.

O Marcílio chama a atenção pela organização e o envolvimento com seu apaixonado torcedor. Há algum tempo, convocou torcedores para ajudar a trabalhar nas melhorias do velho Estádio Dr. Hercílio Luz, e muita gente atendeu o chamado. O quase centenário Marinheiro é candidato sério ao acesso, para recolocar Itajaí no mapa da primeira divisão.






sábado, 19 de maio de 2018

O nível a se alcançar

Figueirense x Fortaleza - Foto: Beko Amorim / FFC


O Fortaleza é um time muito bem armado por Rogério Ceni. O melhor da Série B, com uma ótima arrancada importante para quem quer chegar ao acesso. Se o time vai aguentar o ritmo, é outra história. Mas não deu chance ao Figueirense, consolidando a sua liderança.

O Figueira chega a sua terceira derrota seguida cheio de problemas, sob a pressão de uma torcida indignada e com problemas financeiros, somando-se aí a lesão de Betinho e um momento nada favorável no mercado, com janela do exterior fechada e nenhum bom atleta desempregado. Pra trazer alguém vai ter que pagar, e o time tá mal das contas. Aí já viu.

Milton Cruz precisa dar um jeito, e com urgência, para fazer seu time ser mais compacto e, principalmente, ter um repertório maior de jogadas. O jeito de jogar já é conhecido dos outros e aí o time não rende. Jorge Henrique, bem marcado, pouco trabalhou. Aí a válvula de escape vai pras alas, também sem qualidade. Sem Betinho, Cruz perde um jogador que tinha essa função de "unir" o time. Complicou muito, em se falando de planos de acesso.

O Fortaleza, assim como Vila Nova, CSA e até o Avaí, que teve em Geninho o desenvolvimento de um esquema que mostra, acima de tudo, uma boa fluidez de jogo, dão uma ideia do patamar a chegar para brigar pelo G4. Convenhamos que o Figueirense tem um bom caminho para trilhar. Não há muito tempo até enfrentar o CSA, outro time certinho, que traz uma base da Série C.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Flashback que não pegou

O aviso já havia sido dado no Estadual, quando o Criciúma passou um bom tempo namorando com a zona de rebaixamento e conseguiu, a partir da contratação de Argel, aquela motivada a mais para não correr riscos. Acabou terminando num cômodo quarto lugar, mas com todos sabendo que a montagem de elenco tinha sido falha e que muita coisa precisava ser revista para a Série B.

Agora, com quatro derrotas seguidas no Brasileirão, o alarme soou. O prazo de validade de Argel acabou (por mais que ele conte com muitos fãs, o seu discurso de ultramotivação, que funcionou no catarinense, acabou no Brasileiro) e o time não responde. Precisa de organização, coisa que, convenhamos, não é especialidade do técnico. O Tigre tem o pior início de campeonato neste século, superando 2009 e o ano passado, quando conquistou 1 ponto em quatro rodadas. Fechou um mês sem vencer e agora enfrenta a pressão da torcida e de uma imprensa que cobra forte. E agora, presidente?

O time está sem cabeça. O gol contra de Nino é prova disso. Até o goleiro Luiz, com grande ficha de boas atuações, anda falhando. A estratégia de trazer medalhões que fizeram história no passado foi bastante questionada, e agora a conta está chegando. Quem foi o heroi que achou que Zé Carlos voltaria fazendo gol a rodo como antigamente? No Paraná, sua saída foi comemorada. Mesma coisa com Sueliton, Marlon e Fabio Ferreira, que retornaram somente com a história.

Li, nas matérias dos jornais de hoje, várias vezes a palavra "cobrança". Será que é só isso que vai resolver?

Agora o problema é maior: o time terá que fazer severas modificações no plantel e gastar para liberar e tentar achar no mercado atletas que venham pra acrescentar. Na situação atual, ainda que a matemática permita, não se vê no Tigre um time com um padrão de organização próximo a Figueirense e Fortaleza, por exemplo, para brigar pela parte de cima. Num primeiro momento, o negócio é tentar se ajeitar pra evitar o rebaixamento, em meio a públicos pequenos e muita desconfiança. Argel deverá ser demitido se for derrotado pelo Guarani na próxima rodada.




sexta-feira, 27 de abril de 2018

O Bê-a-bá da eleição da FCF

O ex-presidente da Federação Catarinense de Futebol, Delfim de Pádua Peixoto, falecido na tragédia da Colômbia, era um político nato. Sabia como juntar todos do seu lado e não dar chance para seus opositores o ameaçarem na disputa pelo comando da cadeira forte do futebol de Santa Catarina. Sua última eleição foi por aclamação. Amarrou um estatuto que lhe dá o campo, a bola e o juiz a seu favor. Sabia agradar. Há um bom tempo, entrevistei um ex-presidente da Liga Desportiva Brusquense (hoje extinta) que me afirmou que ganhava bolas e diárias no Hotel Marambaia nos dias de eleição. Não havia nada ilegal nisso, apesar de questionarmos a moralidade. Resumindo: um presidente da FCF só sai do cargo se quiser ou se for muito desastrado na parte política. O caso envolvendo a eleição marcada para segunda-feira é muito interessante. Se você não está entendendo o que acontece, vou tentar explicar da forma mais sucinta e didática.

Primeira situação interessante: a eleição na FCF não tem data, como acontece no mundo político. O presidente, que tem mandato encerrando em 12 de abril do ano que vem, tem um ano para convocá-la, na data que quiser, podendo ser agora ou na véspera da posse. Isso deixa uma possível oposição perdida, pois não sabe quando terá que ir pra rua fazer campanha. Rubens Angelotti não deu tempo pro outro lado se articular. Começou o prazo, ele já convocou a Assembleia pra duas semanas depois, para não dar tempo do opositor viajar o Estado para divulgar sua plataforma. Por exemplo, o presidente do Brusque, Danilo Rezini, conversou comigo pelo Whatsapp e quando perguntei para ele sobre quem apoiaria na eleição, me disse que o pleito ocorre a "toque de caixa", sem tempo para analisar a composição da chapa e as propostas da oposição. Admitiu que foi procurado pelo candidato opositor.

Segunda situação: a chapa só pode ser inscrita com o apoio por escrito de, no mínimo, 40% dos clubes e ligas aptos a votar. Isso, por si só, limitaria a duas pessoas concorrendo à presidência. O mais curioso, e ressalte-se que isso é legal, é que no mesmo dia da publicação do edital no jornal (17/04), Angelotti já tinha as assinaturas para inscrever sua candidatura. Já tinha o documento pronto. Não deixou tempo (uma semana apenas da publicação até o fim do prazo de inscrições) para que a oposição se montasse. Eles conseguiram quatro apoios, incluindo aí o do Joinville, que constitui no único clube grande que declaradamente apresentou posição contrária à atual gestão.

Alexandre Monguilhott, candidato da oposição, teve sua candidatura impugnada pela Comissão Eleitoral e buscou a justiça de Balneário Camboriú para barrar a eleição na segunda, sem sucesso até agora.

Tal estratégia não é exclusiva da FCF. Pesquisei e vi que outras entidades, não esportivas, também usam da mesma estratégia de não dar tempo para que uma oposição se organize. Penso que isso não é saudável para o processo como um todo, já que se a eleição acontecesse em mais tempo, os clubes poderiam decidir melhor, o debate aconteceria e a exposição de propostas poderia ser mais amplo. Mas, nesse Brasil que vivemos, com tudo o que acontece no futebol, sabemos que esse seria um cenário complicado. O processo eleitoral na Federação judicializou e poderemos ter novos capítulos.

domingo, 8 de abril de 2018

Figueirense cala a Arena Condá, com a cabeça no lugar e nas mãos de Denis

Toda e qualquer final em jogo único tem ingredientes próprios que vão além da disputa ter metade do tempo do usual. Toda a caminhada de 18 partidas se resume em 90 minutos. Uma bobeada, um chute desviado, uma falta maldosa ou até mesmo a falta de cabeça podem ser fatais.

No caso da Chapecoense, o psicológico pesou. O Figueirense entrou em campo com a cabeça no lugar, sabedor da responsabilidade do outro lado, e foi melhor, pelo menos, nos 35 minutos iniciais. Lá, o jogo já estava 1 a 0, com o Figueira tocando bem a bola e controlando a partida. Como era de se esperar, o desespero virou abafa, e a receita era segurar. Embaixo da trave estava Dênis, que deu conta do recado e até contou com estrela, na falta de Canteros que explodiu na trave. Com o contra-ataque exposto, abriu-se o caminho para Maikon Leite, colocado por Milton Cruz na reta final do jogo exatamente para isso, tocasse na saída de Jandrei para sacramentar o título.

A Chape foi para a final com números fortes: eram treze jogos sem perder, com gols marcados nas últimas sete partidas. Dênis quebrou essa sequência. O Figueirense foi a campo bem armado, tranquilo e conhecendo bem o adversário. Não é novidade que Jandrei gosta de ficar adiantado, uma vez que a saída de bola começa com ele muitas vezes. Na roubada que originou no gol de Ferrareis, ele estava na marca do pênalti e foi recuando. O jogador do Figueira foi esperto e arriscou. O goleiro se atrapalhou, e o time que já estava pilhado em excesso estourou o medidor.

O grande nome deste título do Figueirense foi Milton Cruz. Já lá no começo do campeonato chamava a atenção pelo fato de ter um time bem arrumado. Perdeu um pouco do gás na reta final, é verdade, mas deu mostras de ter o elenco nas mãos. Tanto que foi melhor preparado para a decisão, contra um adversário que carregava números dignos de um superfavoritismo.

O jogo em si não foi o melhor em emoção. O campeonato em si teve regulamento criticado. Mas ele estava ali e a situação da decisão estava escrita. Parabéns a quem foi mais eficiente dentro dos noventa minutos que realmente valiam. Parabéns ao Figueira.


sábado, 7 de abril de 2018

Os micos do Campeonato Catarinense 2018

Chegou a hora de uma tradição do Blog.

 Na véspera da decisão, o BdR divulga a sua lista dos micos do Catarinense 2018. Tem de tudo, de troféu feio, caça corneta e até carro maca empurrado. Esse foi um ano repleto de ocorrências, e todo um trabalho meticuloso de seleção teve que ser realizado para escolher o top 10. Vamos á lista!



10 - Cobertura da NSCTV - Depois de conseguir comprar o campeonato pela pechincha de R$ 5,3 milhões, 40% a menos do que o ano anterior, ficou a curiosidade sobre a qualidade da cobertura da afiliada da Globo sob nova direção no Estadual. O resultado foi bem decepcionante. Transmissões sem graça com narrador e comentarista trancados no estúdio (até em jogos em Florianópolis) e, por consequência, sem atratividade. Pelo menos em três transmissões que acompanhei, a empolgação da equipe, em um som baixinho de ambiente, deram sono. A estratégia foi tão ruim que, na confusão de Figueirense x Avaí, Cleiton César não conseguia informar direito o que estava acontecendo por não estar no local e ficar limitado ao quadrilátero da TV. De repente um acadêmico recém-saído da faculdade pode ter boas ideias e coordenar melhor esse departamento. Só olhar o que os vizinhos do RS fizeram.

9 - Premiere vende pacotes, sem ter os direitos: Alegando dificuldades financeiras, o Premiere não fechou acordo para a transmissão do catarinense em Pay-per-view, vindo a despertar a criação do FC Play no returno. Mas, mesmo sabendo disso, a emissora colocou nas redes ações de venda de pacotes. Muita gente cancelou pacote. Essa negociação até hoje não foi bem esclarecida.






8 - Hino do Hercílio Luz no Estádio do Tubarão: o cara que cuida do sistema de som do estádio Domingos Gonzales, em Tubarão, é louco e não tem amor pela vida. No jogo contra o Brusque, pelo primeiro turno do Estadual, o cidadão saudou a chegada tocando no sistema o hino... do Hercílio Luz. Para comprovar que ele estava fora de si, depois das vaias, tocou... o hino do antigo Tubarão Futebol Clube. Consegui ver da cabine ele sendo cumprimentado pelos torcedores.

7 - Carlos Alberto, a furada do ano: em Brusque x Concórdia, o inoxidável Carlos Alberto foi protagonista de uma cena histórica. Ao tentar um cruzamento pela direita, Carlinhos foi com vontade demais na bola e acabou cometendo um furo histórico que correu o mundo. Boa praça do jeito que é, ele deu risada da própria desgraça. Como o time ganhou o jogo, tava tudo certo.

6 - Sportv passa o Catarinense de graça - Que a SC Clubes nunca foi um modelo de organização, principalmente no assunto direitos de transmissão, isso ninguém discute. São campeões em pataquadas e já tomaram até processo milionário por causa disso. Esse ano, inovaram: deram à FCF a procuração para fechar contrato com a Globosat para exibir cinco jogos do catarinense totalmente de graça, sem dar um centavo para clube algum. Desses cinco jogos, o Sportv só passou quatro. O último, entre Concórdia x Figueirense, só foi exibido na internet por falta de interesse. Considerando que a TV Aberta teve redução substancial de cota e a TV Fechada foi gratuita, o ano foi de uma das menores arrecadações em direitos para os clubes.

5 - O torcedor é leigo - Mico para o volante Michel Schmoller, do Joinville, que conseguiu aumentar ainda mais a raiva do torcedor tricolor. Após o empate com o Tubarão, na Arena, Michel foi entrevistado e tratou de dizer que torcedor não tem conhecimento para reclamar: "Quem tá fazendo isso, são pessoas leigas no assunto. Não vou falar a palavra do português correto porque fica feio. Eu sinto pelo futebol ter esse tipo de torcedor. Quem entende de futebol sabe que jogar com um a menos é difícil. Eu fico triste por torcedores que são leigos no futebol". No mesmo jogo, o técnico Rogério Zimmermann, que acho que tem parafuso a menos, chamou torcedor para a Briga. Foi demitido dias depois.

4 - O regulamento: O mais engraçado sobre a questão do malfeito regulamento do Catarinense 2018 é que, depois de toda a comprovação do fracasso, ninguém quer ser o pai da criança. Pior: o diretor jurídico da FCF, Rodrigo Capella, já encontra caminhos legais para justificar uma mudança de regulamento no ano que vem. E teve mais: a Federação, sabedora que a Chapecoense teria Libertadores para jogar, colocou o time do Oeste para atuar três vezes em cinco dias, contrariando o regulamento que ela mesma publicou. Todos concordam que essa fórmula não deu certo. E não foi por falta de aviso lá no ano passado.

3 - Os caça-cornetas: Esse é o ano do JEC na lista. Eis que o clube teve uma "brilhante" ideia para perseguir os torcedores revoltados que desferiam a sua ira sobre o time, que só se recuperou no campeonato na reta final. Em uma conversa com a imprensa, o então gerente de futebol Carlos Kila revelou que o Joinville iria colocar câmeras nos jogos para filmar a torcida, com o objetivo de detectar os mais exaltados e convidar para uma conversa. O serviço chamado de "caça-corneta", pegou mal, como não poderia deixar de ser, e a diretoria tricolor teve que desmentir a toque de caixa. Kila seria demitido dias depois, junto com Rogério Zimmermann.

2 - O carro-maca: Quando a fase não é boa, até o carro-maca ajuda a conspirar. Na partida contra o Avaí, na Arena, o veículo que serve pra transportar os lesionados atolou no meio do gramado. Apressados por causa do tempo (o jogo terminou 2 a 0 para os visitantes), os jogadoes ajudaram a empurrar o carrinho pra fora. A cena viralizou e ficou marcada como mais um momento da era Rogério Zimmermann no clube.


1 - O troféu: Estaduais por aí tem taças bonitas, naquele formato tradicional, que chamam atenção na sala de conquistas. Aqui em Santa Catarina, tudo tem que ser diferente: a Federação entrega ao patrocinador do campeonato o direito de confeccionar o troféu, e corre o risco de acabar tendo que entregar um souvenir ao invés de uma taça. Já tivemos carro de plástico, Policial de ferro, tampa de pepino e estátua da liberdade. O desse ano é mais uma obra prima: uma estrela de acrílico confeccionada pelo Angeloni, que recebeu apelido de "troféu de funcionário do mês". Com certeza, um item de mal gosto que não diz jus a um título de campeão estadual. Só dar uma olhadinha nos troféus dos outros estaduais. Pelo amor de Deus, né!

domingo, 1 de abril de 2018

Não é só a Fórmula: o Campeonato Catarinense precisa de muito mais

Neste sábado, na abertura da última rodada do campeonato catarinense, oitenta e poucas testemunhas estiveram no Estádio Municipal de Concórdia para assistir o time da casa contra o Figueirense, jogo que não valia absolutamente nada. Recorde negativo e histórico da primeira divisão.

Não dá pra colocar só a culpa na fórmula, apesar dela ser um fator importantíssimo, sendo aprovada pelos clubes com o aviso de muitos que iria dar problemas com interesse nas últimas rodadas. A média vai despencando, e vai dar uma segurada com os 20 mil previstos para o jogo único da decisão. É até engraçado: ninguém quer ser o pai da criança de uma fórmula mal feita e o diretor jurídico da FCF, que é remanescente da antiga gestão, já busca um jeito de agir, dentro da lei, para mudar o regulamento do ano que vem.

O caso de Concórdia meio se explica por outros fatores: a cidade historicamente prefere futsal a futebol (em algumas cidades do Oeste isso é muito forte. Joaçaba, por exemplo, que é um pólo regional, resolveu até demolir o estádio), e isso reflete na própria sustentabilidade do negócio futebol. O time já estava mal, caiu, tempo ruim, transmissão ao vivo na internet, pessoal não vai mesmo.

O Campeonato Estadual em si foi um fracasso de divulgação, mesmo com a SC Clubes enchendo o peito por causa do FC Play, que pagou o preço dos problemas técnicos (particularmente tive dois, com um Hercílio x Brusque que perdi o segundo tempo e uma quarta-feira que o suporte me deu a senha aos 40 minutos do segundo tempo de JEC x Figueirense) e uma rentabilidade bastante questionável. Que divulgação usaram pra divulgar o serviço? Apenas as redes sociais dos clubes. Nem uma placa, nem o espaço publicitário que eles tem direito por contrato na detentora dos direitos.

Duvido que serão divulgados os números reais das vendas dos pacotes. Fonte do Blog informa que os números foram bem preocupantes. Um dirigente de clube ouvido por mim disse ter medo de ter que "pagar a conta" das vendas que acabaram não se concretizando. Uma transmissão só não é barata. Imagine então três, quatro, por rodada. A ideia é excelente, eu usaria outro formato para capitalizar mais. Mas faltou divulgação melhor do FCPlay.

A detentora dos direitos, que conseguiu comprar o campeonato pela pechincha de 40% de desconto em relação ao ano passado, pouco fez para divulgar seu produto. Apenas um VTzinho de "vá ao estádio" veiculado em alguns breaks nas afiliadas regionais. Apenas como comparação, a RBS, que pagou muito mais pelos direitos do Gauchão, fez cobertura bem mais ampla. Não havia repercussão: muitos jogos no interior não tinham sequer repórter para "fechar um VT" sobre a partida. O programa diário não trazia matérias aprofundadas. As transmissões, um capítulo a parte, foram fracas, com narrador e comentarista presos no ar condicionado do estúdio mesmo em jogos na Capital, em uma transmissão fria, com qualidade técnica abaixo das transmissões da Globo em SP e RJ, que não convidava o torcedor a permanecer vendo o jogo. Cleiton César que o diga, ficando sem muito o que falar na confusão em Figueirense x Avaí, já que seu ângulo de visão estava limitado às 40 polegadas do monitor que estava a sua frente. Se estivesse na cabine, com certeza conseguiria trazer muito mais detalhes do que estava acontecendo. Mora em Chapecó e pegava um avião pra ir a Florianópolis transmitir um jogo que acontecia perto da sua casa.

Tem também o troféu, uma peça publicitária sem graça que faz nosso catarinense passar vergonha diante do que será dado ao campeão em outros Estados. Aqui, o erro é da Federação, que deixa o patrocinador fazer o troféu e tem que aceitar estátuas, tampas de pepino e, agora, uma estrela de plástico. Não sei por que é tão complicado fazer um troféu bonito, que tenha destaque em uma sala de troféus. O nome do patrocinador pode ser colocado em um selo na base.

O Campeonato Catarinense 2018, como produto, foi isso: começou com pompa e um discurso revolucionário. Terminou com fracasso de público, todo mundo criticando a fórmula e louco pra que acabe logo.


* Observação: Fonte do Blog diz que o argumento oficial da coordenação de esportes da NSCTV para os offtubes no Estadual é a segurança técnica para evitar algum problema, o que é uma tese que não se sustenta, pelo fato do narrador poder ser traído por um erro do Diretor de TV, coisa que aconteceu recentemente em um jogo do Vasco pela Libertadores, onde o corte saiu errado e o narrador ficou em fria. A verdade é que se faz uma economia burra, que prejudica o próprio produto, dando resultados negativos no Ibope. 

sexta-feira, 16 de março de 2018

Qualidade, classificação e dinheiro no bolso

Ao ligar a TV para ver Avaí x Fluminense, pensei: lá vem o Flu pra pressionar feito louco e deixar o contra-ataque aberto. Isso não aconteceu. Aliás, nem parecia que o time do Abel Braga precisava vencer para avançar na Copa do Brasil. Isso tem que ser creditado à forma que o Avaí se postou em campo, mesmo com dez jogadores (Getúlio errou ao dar um bico na bola com lance parado, mas sua reclamação procedia, ele não estava em impedimento) e se classificou vencendo.

Sobrou entrega ao time avaiano. Claudinei Oliveira acertou nas alterações e foi premiado, quando Lourenço, que havia entrado poucos minutos antes, fez o gol da classificação e da tranquilidade azul. E olha que a vitória poderia ser maior.

Enquanto isso, o presidente devia estar sorrindo de orelha a orelha. A classificação lhe garantiu, até agora, mais de R$ 4 milhões acumulados com a chegada na quarta fase da Copa do Brasil, o que, somando aos R$ 6 milhões da cota de TV mais patrocínios e outras rendas, em uma ótima condição de caixa para o Brasileirão. (e muuuito mais dinheiro que a paupérrima cota do campeonato catarinense). Dinheiro que ajuda e muito na qualificação do elenco para tentar o acesso.

Entendo que o Leão não tem mais o que almejar no Campeonato Estadual e não precisa mais se preocupar com ele, onde poderá fazer testes. A meta é chegar nas oitavas da Copa do Brasil, o que renderá mais uma grana boa. O sorteio é na segunda, e no pote há tanto times complicados quanto totalmente possíveis de avançar.




quinta-feira, 15 de março de 2018

Figueirense joga muito nos 90 minutos, mas acaba eliminado por Victor

Bruno Cantini / CAM
É complicado falar que o Figueirense foi eliminado "de cabeça erguida", porque a "não-ida" para a quarta fase da Copa do Brasil acarreta em quase 2 milhões de reais que não entram para o clube. Mesmo assim, o time jogou muita bola contra um adversário de Série A. Foi pra cima, buscou fechar espaços, e fez o Atlético tocar a bola de um lado para o outro atrás de uma brecha no bem postado time alvinegro.

No final, a eliminação veio pela circunstância. Não tem mais gol qualificado, e pela frente estava um dos maiores goleiros do país. O aproveitamento tinha que ser excepcional. Não deu e vida que segue.

Continua a boa impressão que temos do trabalho de Milton Cruz no início de temporada. Pode até parecer um contrassenso usar o termo "boa impressão" se o time ocupa a segunda colocação no Estadual e perdendo apenas um jogo, para o Galo, na temporada. A questão aqui é que o objetivo principal está na Série B, onde vale o acesso, em um campeonato desgastante. O caminho para a formação do time é correto e está bem encaminhado. Mas sempre há espaço para evoluir.

Em BH, o time fez tudo certo, nada que tenha que ser reparado nos 90 minutos. Um partidaço. Mas nos penais, não dá pra bater mal contra Victor. Esperava mais do próprio Jorge Henrique, que tem experiência em qualidade de chute. Mas estaria comentendo uma injustiça gigantesca ao criticar quem participa de uma disputa de pênaltis. É a vida e isso é o futebol.






sexta-feira, 9 de março de 2018

Cenário da decisão vai se definindo. Avaí vai perdendo em casa a chance de encostar

O regulamento maravilhoso do Campeonato Catarinense vai fazendo com que os dois finalistas, que decidirão o título em apenas um jogo, possam ser praticamente conhecidos no próximo final de semana. Bastará a Chapecoense vencer o Joinville (onde não perde desde 2012) e o Figueirense vencer o Avaí, que teremos apenas uma disputa pelo mando de campo. Lá embaixo, no rebaixamento, pode demorar um pouco mais para se definir, mas os números de Concórdia (4 derrotas seguidas) e Inter de Lages (2 pontos nos últimos 15 disputados) não definem, mas encaminham o cenário.

Mas o personagem principal da rodada foi o Avaí e sua incrível inconstância. Depois de uma grande vitória em Joinville e sabendo do empate do Figueirense em Brusque, o time perde mais uma vez para um pequeno dentro de casa, em uma noite que o goleiro do Hercílio pegou tudo e a defesa falhou no gol de Marrone. É uma loucura: o time de Claudinei Oliveira é o melhor visitante do campeonato, mas é o terceiro pior mandante, à frente apenas de Criciúma e Concórdia. O time fez um ponto em casa em nove disputados contra Concórdia, Tubarão e Hercílio. Aí, não merece ir a final mesmo e a reclamação do torcedor procede com toda a justiça. Se o time consegue o mais difícil, que é produzir bem fora, não tem que classificar sem fazer a tarefa de casa.

Se a cabeça no clássico com o Figueirense prejudicou, não sei. Mas não deveria.

O Figueirense também foi mal. Enfrentou um Brusque que busca se organizar com o campeonato andando. Teve 15 minutos iniciais onde ditou o ritmo, e conseguiu uma baita jogada (a única na partida) de contra-ataque onde fez o gol com Henan. Depois viu o Brusque de Pingo reagir, acuar o Figueira no fim do primeiro tempo (Ferrareis teve que cair pra esfriar o abafa) e continuar pressionando no segundo, sem que o time esboçasse reação. O Brusque mereceu o empate e, se vencesse, não seria nada injusto. Resultado: perdeu a liderança para a Chapecoense, que mesmo não sendo invicto (perdeu um jogo com os reservas e o goleiro titular, Jandrei, não tomou gol ainda), lidera o campeonato.

Nesse regulamento de pontos corridos com repescagem, o Figueira teve mais sorte que juízo que o Avaí bobeou de novo dentro de casa. Deverá ir para a final, até porque seu rival é irregular e o Joinville, que é quarto, não tem time e treinador pra chegar junto.

Logo, na semana que vem, no máximo, teremos jogos inúteis apenas para cumprir tabela.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Argel é chamado pelo Criciúma pra fazer o que sabe

Esse namoro demorou pra virar casamento. Após anúncio, ruído de comunicação, desmentido, proposta de reconciliação e o anúncio oficial, foi um tempo. Enquanto isso, o Criciúma seguia com técnico interino em busca de dias melhores. Cada vez mais pressionada, a diretoria traz Argel Fucks com a missão de fazer o que o treinador sabe fazer bem (e odeia que falem sobre isso): apagar incêndio.

E além de agir como bombeiro, cria uma fina cortina de fumaça para dar um tempo de alívio ao presidente Jaime Dal Farra, que enfrenta ferozes discursos pedindo a sua saída. Para isso, gastou uma boa grana para trazer o técnico. Muitos torcedores queriam. Talvez, o método "Vamo lá, porra!" dele sirva para mexer um elenco que claramente tem carências. Mas talvez o chacoalhão sirva para, pelo menos, deixar o Tigre longe da zona de rebaixamento no Estadual. Sem chances de título estadual e humilhantemente eliminado em casa para o Cianorte na Copa do Brasil, a sua missão é conquistar pontos suficientes para não cair e focar na Série B, que começa em abril.

Argel é assim. Tem quem gosta dele, tem quem não gosta. Suas coletivas são cheias de frase de efeito. Tem torcedor que ama isso. Eu não contrataria para o meu time, mas admito que, em um mercado limitado a essa altura do campeonato e com o time jogando mal, a saída encontrada pelo Criciúma não é errada. Apesar de investir em um técnico mais caro e perder poder para contratações, um rebaixamento pode ser muito pior.

E que venham as impagáveis coletivas.




terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

A Caça aos Corneteiros

A notícia é, no mínimo surreal. O Joinville vai colocar uma pessoa para filmar as arquibancadas nos jogos do clube para identificar os torcedores mais exaltados (os corneteiros de primeira linha) para identificá-los e convidá-los para uma reunião com o Departamento de Futebol, a fim de esclarecer o que todo mundo já sabe, das dificuldades diante do baixo orçamento do clube.

Sou bem pé no chão quanto à campanha do JEC no Estadual: sem grande expectativa, o objetivo principal do time é a Série C que começa em abril. Há troca de diretoria e a necessidade de engordar o caixa. Além do mais, a montagem do time e os resultados mostram que o tricolor não tem condição de ser campeão estadual. Mas se a prioridade é o Brasileirão, basta não cair que tá tudo certo.

Mas a ideia de monitorar torcedor, não por causa de violência ou desordem, mas para ver quem critica o clube (e paga ingresso ou mensalidade para isso, dentro do seu espaço) é de uma infelicidade tremenda. Aliás, a semana foi de descontrole, com o técnico Rogério Zimmermann se estressando com torcedor e o meio-campo Michel Schmoller, que não começou ontem no futebol, dizer que torcedor não entende de futebol. Pelo amor, vocês são profissionais e sabem como a coisa funciona! O que melhora no ambiente em provocar um torcedor já ferido com temporadas de más notícias? Isso só aumenta a cobrança sobre um time que, mesmo com orçamento limitado, precisa reconhecer que errou nas escolhas, como Evaldo e Dick, só pra citar dois jogadores.

Espero que voltem atrás dessa ideia infeliz. Que já tem repercussão altamente negativa na cidade.


segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

E vem aí o Catarinense pela Internet. Desafio maior é ser rentável

O teste aconteceu no domingo e a iniciativa começa pra valer no dia 4. A Associação de Clubes resolveu transmitir o campeonato em formato pay-per-view com preço bem convidativo.

Não é inédito, mas é ousado. Tenta implantar acesso pago para jogos do Catarinense. Outros estaduais tem transmissões, porém gratuitas e abertas ao mundo.

Não assisti os jogos, mas pelo que pude acompanhar, o produto é bem entregue. Já tive o prazer de trabalhar com a produtora responsável, a Primer, em transmissões que fiz na época da RIC Record. Ali tenho certeza que tá tudo certo. No pacote, a produtora escalou um time de narradores, comentaristas e repórteres da capital, que terão bastante trabalho. No quesito imagem, acho que não haverão problemas. Uma sugestão que deixo é disponibilizar as partidas on demand, pra quem quiser assisti-las em outro horário.

Os preços são bem convidativos, a R$ 9,90 por jogo e R$ 49,90 pelas oito rodadas finais do campeonato. O valor é até simbólico perto do que o Premiere, por exemplo, cobra (aqui no sistema que assino são 64 reais mensais).

Mas tenho uma preocupação grande sobre a rentabilidade deste modelo. Considerando que um jogo tem um custo de produção de aproximadamente 13 mil reais (partidas no Oeste esse valor aumenta por motivos óbvios), essas transmissões precisariam ser bem vendidas.

Vamos a um exemplo. A ideia, divulgada pelos promotores, é de transmitir todos os jogos do campeonato, o que é bem ousado e muito legal, partindo do ponto que todos poderão, enfim, ter acesso ao campeonato todo. Vamos supor então a transmissão de uma partida entre Concórdia e Internacional de Lages, no Oeste, com um deslocamento caro para uma equipe de transmissão. Partindo do preço de quase 10 reais por ponto, seriam necessárias 1300 assinaturas para cobrir o custo de transmissão. Considerando que o Inter, no último jogo, colocou 780 torcedores no Estádio e as médias dos clubes menores do estadio giram em torno dos mil pagantes, teria que haver um esforço gigantesco para conseguir bater a meta para pagar os custos de transmissão. E isso que não estou falando em dinheiro sobrando para os clubes.

É um modelo muito bom, mas é caro. Considere-se ainda a "pirateabilidade" do sistema ( afinal, vivemos no Brasil, onde o número de assinaturas de cabo cai na mesma proporção que sobe o número de "gatos") e as dificuldades conhecidas da estrutura de internet em Santa Catarina, onde nem mesmo as grandes cidades escapam de empresas que prometem uma banda e entregam 10 ou 15% dela (quem não tem fibra ótica em casa pode ter problemas). São desafios a serem superados.

Você pode perguntar: mas Rodrigo, você acha o modelo revolucionário, mas vê problemas nele a ponto de não dar certo? Longe disso. Tudo o que venha a acrescentar e render uma boa grana aos clubes é bem-vindo. Mas imagino que a Associação tenha colocado tudo na ponta do lápis para ter um produto rentável. Eu faria diferente, usando o poder do Youtube e das ferramentas de monetização, além do alcance mundial, para transmitir e difundir o campeonato em plataforma global, com uma grande preocupação comercial em ter cotas de patrocinadores que bancariam o investimento em uma plataforma aberta, em servidor altamente confiável, com acesso fácil em Smart TVs. Foi isso que fizeram Atlético e Coritiba nos clássicos do último campeonato paranaense.

De toda forma, torço pra que dê certo. Não vai ser fácil vencer uma resistência comum a produtos inéditos, mas o mercado está aí para ser conquistado.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

A polêmica da liberação da Arena Condá: porque não há critério único?

O problema que a Chapecoense enfrenta com a liberação da Arena Condá é exatamente a mesmo que o Joinville passou há exato um mês, na véspera da estreia do campeonato contra o Brusque: por causa de uma série de exigências, e principalmente o levantamento de uma barreira de acrílico bem alta, a Polícia Militar não quis liberar público.

No caso joinvilense, uma reunião com o comando em Florianópolis, com a presença de deputados e um aperto de mão fotografado, o estádio foi liberado e está recebendo torcedores normalmente.

Agora, a três dias do jogo Chapecoense x Avaí, depois da Arena Condá ter recebido até partida da Libertadores, vem de novo a tal da exigência do acrílico. A FCF teve que obedecer a ordem do órgão de segurança e vetou público no jogo.

As Arenas Condá e Joinville são novas, recém-reformadas e tem suas arquibancadas construídas de uma forma praticamente igual aos estádios de Copa do Mundo. Sem cerca, sem acrílico, sem alambrado.

Da mesma forma, o Augusto Bauer, o Municipal de Concórdia, os dois de Tubarão, só pra citar estes, tem uma configuração que permite, por exemplo, que objetos sejam jogados no gramado com tanta facilidade quanto seria em Joinville em Chapecó. Mas lá ninguém reclamou disso.

A perguntas principais são: por que isso? Por que não há uma igualdade nas exigências, seja para os estádios mais antigos ou mais modernos? Por que o Maracanã ou a Arena Corinthians não tem esse tipo de proteção e aqui é necessário a ponto de interditar estádio?

Não dá pra entender e, mais uma vez, nosso futebol perde de novo com mais esse desgaste.


quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Figueira e Chape, um jogo de baixíssimo nível

Luiz Henrique / FFC
Depois de tanta expectativa, Figueirense e Chapecoense fizeram um dos piores, se não o pior, dos jogos do Campeonato Estadual. Daqueles que foram transmitidos pela TV, foi o pior com toda a certeza.

O tipo da partida que ninguém quis se expor. O tempo foi passando, a paciência esgotando, e ninguém queria nada com nada. No final da partida, a Chape ainda tentou empurrar a marcação do Figueira e tentar alguma coisa. Sem qualidade. Sem nada que animasse o torcedor, que até foi em bom número considerando o horário.

O campeonato tem tudo para ser polarizado entre os dois. Aqueles que estão na tabela não conseguem engatar uma arrancada. O Avaí, mesmo sem a intenção declarada de título do treinador, já perdeu cinco pontos "imperdíveis" em casa para Concórdia e Tubarão e poderá perder mais terreno se for derrotado hoje pelo Brusque. Já o Joinville, vive de uma sina que o persegue desde o ano passado, com boa campanha em casa (tem 100% na temporada) e decepcionante fora (só venceu o Itabaiana pela Copa do Brasil. De resto, só derrotas). Ontem, deu gás ao lanterna Criciúma que precisava dar um alívio na crise.

O preocupante nisso tudo é que o nível técnico do Estadual como um todo é muito baixo. Restando menos de dois meses para o início do Brasileirão, fica a preocupação de que todos, sem exceção, precisam evoluir muito.