quarta-feira, 26 de abril de 2017

A dureza e os desafios do rebaixamento para Metrô e Barroso

Time rebaixado em Santa Catarina passa por uma verdadeira provação. O calendário é cruel, e a Série B do Estadual sempre acontece apenas no segundo semestre. Isso faz com que o time fique um ano sem jogar, tendo despesas com os campeonatos de base (obrigatórios pelo regulamento) até o final desta temporada. A ficha mesmo só vai cair lá pra novembro ou dezembro, quando o torcedor notar que não haverá time pra se preparar para o Estadual. É uma realidade dura, próximo a uma prisão, que cria um vácuo de tempo que não passa nunca. Neste ano, o Barroso e, principalmente, o Metropolitano, de tantos anos na primeira divisão, sentirão essa barra.

Mas onde eles erraram pra tomar esse castigo? São duas razões diferentes.

O Barroso foi prejudicado pela arbitragem naquele jogo contra o Figueirense sim, mas teve outras oportunidades para conquistar pontos. O goleiro Rodolfo foi diretamente responsável pelo empate em casa contra o Joinville e pela derrota para a Chapecoense, quando o seu time vencia por 2 a 0 e permitiu o início da virada ao tomar um frangaço. O grande erro do time de Itajaí foi acreditar que o time da segunda divisão era capaz de fazer frente na primeira. E mesmo com um investimento menor, o dinheiro seria melhor gasto com goleiro e zagueiros mais experientes, para ter uma retaguarda mais organizada. Além do mais, a supremacia no campo sintético, que foi preponderante no acesso em 2016, não se refletiu neste ano. Os outros times se prepararam para o terreno. No fim, não foi tanta vantagem assim.

Em Blumenau, a falta de dinheiro custou a vaga para o Metropolitano. É mais um capítulo de uma novela chamada "Como é Difícil fazer futebol em Blumenau".  O Presidente Pedro Nascimento, que assumiu um mandato tampão após a renúncia do seu antecessor Ivan Kuhnen, não quis fazer loucura. Gastou o que tinha no orçamento. A folha era de 80 mil reais mensais. O maior salário do time era de 8 mil. Tinha jogador do elenco profissional ganhando salário mínimo. Quando se faz um investimento assim baixo, se corre um risco. A comissão técnica que iniciou o campeonato foi montada também em cima desta platafoma. Mauro Ovelha veio e até conseguiu fazer o time render mais, mas era muito tarde. O presidente foi para a rádio e soltou as verdades. O clube deve para vários fornecedores. O dinheiro da venda do atacante Maurinho foi usado para pagar um empréstimo feito em nome da mãe do ex-presidente. Não havia renda, não havia como trazer reforços de emergência. O rebaixamento era próximo e o time não respondeu como devia.

De certa forma, o rebaixamento no estadual serve como um questionamento para as comunidades, para saber se realmente as cidades e seus torcedores querem um projeto forte. Até a próxima série B vai um bom tempo. E até lá os torcedores vão remoer muito as tristezas de uma temporada para esquecer.


quinta-feira, 20 de abril de 2017

A eliminação é dolorida, mas ficam boas e preocupantes observações para o futuro do JEC

O roteiro não teve o final que o torcedor do Joinville queria ver. Foi um jogo em que o tricolor teve todas as chances possíveis de evitar os penais e levar a vaga nos noventa minutos. Mas estamos falando de um time em reconstrução que tem as suas conhecidas falhas.

Assessoria JEC
Menos mal que houve como levar a decisão para os pênaltis depois de sair atrás no placar. Aí qualquer detalhe faz a diferença. Magrão é conhecido pegador de penais. Eliminação e vida que segue. Muita gente deve pensar o mesmo que eu: o time poderia ir mais longe, mas deixou uma impressão de que poderá evoluir na Série C.

Falando dos 90 minutos, o JEC mostrou o seu principal problema, mais uma vez: a qualidade no ataque. Na primeira chance, Alex Ruan chutou a grama quando estava na frente de Magrão. Logo depois, Marlyson, numa intranquilidade tremenda, perdeu na cara do gol. Teve pênalti não marcado, sim. Mas ele poderia nem fazer falta. No segundo tempo, Fabinho Santos foi mexer em um time bem postado e deu tudo errado, principalmente com o seu xará Fabinho Alves, vivendo uma péssima temporada. O Sport alugou o meio, segurou o JEC e achou um gol na qualidade de Leandro Pereira. Qualidade essa que falta, e muito, para o ataque tricolor.

Eis que Bruno Rodrigues e Caíque apareceram com destaque para criar as jogadas dos dois gols e forçar as penalidades. Não sei se eles foram treinados, mas senti que Danrlei não estava confortável no momento da sua batida. Mas, como diz a máxima, só perde pênalti quem bate. Para um time desacreditado, a inédita chegada à quarta fase da Copa do Brasil tem que ser comemorada. Colocou 2 milhões de reais no caixa do clube.

Depois de enfrentar o Brusque no domingo, o time entra em pré-temporada para a Série C. O time vai ganhar qualidade no meio com as voltas de Kadu e Renan Teixeira. Falta reforçar a armação (Eliomar, do Brusque, está chegando) e resolver o problema do ataque, que mostra intranquilidade e falta de precisão. Se a diretoria for competente nesta intertemporada, o futuro promete ser bom.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Empate em casa contra o Nacional. Difícil sim, impossível nunca

Chapecoense x Nacional reservou uma daquelas cenas que muita gente deve ter dito que "nunca viu isso em futebol". No segundo tempo, Tulio de Melo, a centímetros do gol, chuta a bola que bate na trave, caprichosamente caminha por toda a linha de gol até ser afastada pelo zagueiro do Nacional.

Ficou a decepção do resultado, uma vitória que era perfeitamente possível. Mas a situação está longe de estar resolvida, já que vejo mais qualidade na Chape do que no Nacional. Tá certo que o próximo jogo será lá no Uruguai, numa pressão desgraçada, mas se o time passar por isso, tem condição de vencer lá. Até o empate não é mal resultado, até porque a briga será pau a pau pela segunda vaga. Até porque o Lanús tem um ótimo time e deve ser o primeiro com certa tranquilidade.

Mancini usou a mesma formação da vitória sobre o Joinville, com três atacantes, colocando Tulio de Melo no segundo tempo para ter maior presença de área. É o que há de melhor no time, que pegou um jogo bem mais complicado que qualquer um no catarinense, pelo volume de jogadas fortes, pela displicência do árbitro equatoriano e pela falta de sorte no incrível lance da bola que não quis entrar.

Serve como uma espécie de aula de jogo em Libertadores, onde muitos árbitros tem um nível bem maior de tolerância. A classificação é bem possível. Se não vier, há uma caminhada na Sulamericana pela frente. Todos sabiam que não ia ser fácil. Hoje a "dificuldade copeira" foi levada a um nível bem alto.



segunda-feira, 17 de abril de 2017

Há exatos 50 anos, Perdigão conquistava o primeiro título estadual do Oeste

* Por Adalcir "Pardal" Ceccatto, de Videira
Em 16 de abril de 1967 a SE Perdigão conquistava em Joaçaba, diante do Comercial, o Campeonato Catarinense de Futebol, imortalizando assim, o alvirrubro videirense, pois aquela foi a primeira conquista de um clube do Oeste do Estado.
A história da SE Perdigão havia iniciado em 1964 quando um grupo de apaixonados por futebol, encabeçados por Flávio e Fioro Brandalise se reuniu nas dependências da Perdigão para deliberar sobre a formação de uma nova equipe, que durou apenas cinco temporadas (1965 a 1969), mas gravou seu nome na história do futebol catarinense.

A primeira diretoria, de caráter provisório foi formada por Flavio Brandalise (presidente), Silvio dos Passos (secretário) e Fioro Brandalise (tesoureiro). No dia 31 de agosto de 1.964 aconteceu a primeira assembléia geral quando foram aprovados os estatutos e a primeira diretoria composta: Moacir Brandalise (presidente), Silvio dos Passos (vice-presidente), Varteli Trancoso (tesoureiro), Sergio Vargas (secretário), Plauto Grazziotin (diretor de esportes) e Fioro Brandalise (diretor social).
A primeira competição foi o campeonato municipal diante de tradicionais equipes do município, como Alvorada, Floresta e a Associação Atlética Videirense, que há muitos anos vencia o citadino. A conquista foi de maneira invicta, credenciando a Perdigão a disputar o campeonato catarinense daquele ano, integrando o zonal Oeste e chegando a quarta colocação do estadual.
A boa colocação na competição de estreia motivou o grupo e diretoria. Em 1966 nova conquista no municipal e mais uma vez a vaga no estadual. No Grupo B (Oeste) além, da Perdigão estavam: Comercial (Joaçaba), Sadia (Concórdia), Guarani (Xaxim), Vasco da Gama (Caçador), Guaycurus (Concórdia), Cruzeiro (Joaçaba) e Atlético (Chapecó). A Perdigão terminou em primeiro, com o Comercial em segundo, garantindo os dois para o quadrangular final diante de Almirante Barroso (Itajaí) e o Metropol (Criciúma), que era o grande bicho-papão no Estado (campeão cinco vezes na década de 60).

A primeira fase do estadual foi disputada no ano de 66, mas o quadrangular final iniciou apenas no dia 12 de março de 1967 quando a Perdigão recebeu o Almirante Barroso e fez 3 a 0 sem chances ao adversário.  No dia 19 o jogo que foi considerado chave por todos os jogadores do elenco. A Perdigão foi até Criciúma enfrentar o Metropol e saiu de lá com um heróico 0 a 0. No dia 26 novo jogo no Luiz Leoni e mais uma vitória por 3 a 0, desta vez diante do Comercial.
Na abertura do returno do quadrangular final a Perdigão foi a Itajaí, mas voltou de lá com uma derrota por 2 a 0, recolocando o Barroso na disputa pelo título. No dia 09 de abril Videira parou para assistir o confronto diante do Metropol. Funcionários da Perdigão foram dispensados para acompanhar a partida e cerca de 12.000 pessoas foram ao Estádio Municipal Luiz Leoni ver a vitória por 2 a 0.
Na última rodada a Perdigão jogava no Estádio Oscar Rodrigues da Nova, em Joaçaba diante do Comercial, enquanto que em Criciúma se enfrentavam Metropol e Almirante Barroso. O scratch videirense liderava o quadrangular e dependia apenas de si para levantar o caneco.
 O jogo começou movimentado e logo  11 minutos do primeiro tempo Barra Velha abriu o marcador para os joaçabenses, mas Zinho, artilheiro do estadual naquele ano, deixou tudo igual aos 43 do primeiro tempo. No segundo tempo muito equilíbrio e jogo duro até que Barra Velha, cobrando pênalti, fez o segundo do Comercial aos 24 minutos da etapa final. A apreensão tomou conta do elenco ao final do jogo, pois diferentemente dos dias atuais a comunicação não era tão ágil assim e não se sabia o resultado do outro confronto.

Lá em Criciúma Gama fez 1 a 0 para o Metropol aos cinco minutos de jogo, mas aos seis Ubirajara deixou tudo igual. A pressão do Almirante Barroso seguiu durante todo o jogo, mas a defesa do Metropol parecia intransponível. Aos 40 minutos da etapa final, em um contra-ataque, Idésio marcou o gol da vitória dos criciumenses e, consequentemente, o gol que garantiu o campeonato catarinense de 1966 para a Sociedade Esportiva Perdigão.

CURIOSIDADES:
- A equipe transformou o Estádio Municipal Luiz Leoni em um verdadeiro alçapão. Disputou 10 partidas em casa e venceu todas, sofrendo apenas três (03) gols dentro de seus domínios. Ao todo foram 13 vitórias, 05 derrotas e 02 empates. Marcou 42 gols e sofreu 22.
- O grupo viajava para os jogos em duas kombis da empresa e normalmente era pilotada pelos próprios jogadores. Nos dias mais frios do ano era normal parar na estrada para tomar “alguma coisa” e aquecer o corpo. Nos dias chuvosos era preciso por correntes nos pneus;
- No dia 02 de julho de 1967 aconteceu o jogo da entrega das faixas de campeão. No estádio Luiz Leoni foi sorteado um fusca aos torcedores pelo apoio a equipe. O adversário era o Carlos Renaux, equipe mais velha do Estado, que não tomou conhecimento do campeão e carimbou a faixa. 2 x 1.
- Em 1967 a Perdigão disputou a Taça Brasil. Caiu na primeira fase quando enfrentou o Grêmio, campeão gaúcho e o Ferroviário, campeão paranaense. A equipe empatou os dois jogos em Florianópolis no Estádio Adolfo Konder (não foi permitido jogar em Videira) e perdeu os dois confrontos fora;
- As chuteiras da equipe eram feitas sob medida pelo próprio sapateiro da empresa e que trabalhava no curtume. Sr Cacaca, como era conhecido, colocava o pé dos jogadores sobre o couro e fazia o corte. Depois eram utilizados pequenos pregos para prender;
- Não importa para quem se pergunte. Quem fez parte do grupo ou quem acompanhou o time sempre afirma que o grande craque do time era Constante Rogério Richetti, um cerebral camisa 10, que foi o grande maestro da conquista. Debaixo da trave a segurança de Zangão também fez a diferença e quase nunca se machucava.
- A equipe que iniciou em 1965, conquistou o Estado em 66 e disputou a Taça Brasil em 67 encerrou suas atividades em 1969. Grandes jogadores passaram pela equipe, como Valdomiro que veio do Comerciário e depois foi para o Internacional de Porto Alegre, onde seria campeão brasileiro e chegaria a seleção na Copa de 74. A grande revelação da Perdigão foi Milton Flores, o Peixe, que foi zagueiro titular no período pós 66.
- O elenco da Perdigão campeã era formado por: Odenir Oseas Seemann (Zangão), Gilberto José Liberalli (Arrepio), Valter Kluser (Batoque), Antonio Carlos Gomes dos Santos (Pelé), Nilso Brandalise, Luiz Jacinto da Rosa (Galego), Walldomiro Marcinko (Adi), Osvaldo João, Caubi de Lima, Lauro Ribeiro (Cigano), Adair Dias Gonçalves (Zinho), Constante Rogério Richetti, Mario Rosário de Barros José (Barros), Rubens de Lima Machado (Carioca), Jaime Bramatti (Serramalte), Luiz Dirnei Wolker (Luizinho), Luiz Abitante (Melão), Eloacir Nascimento, José Campolino dos Passos (Torrado), Fioro Brandalise - treinador e Darcy Flores – massagista.

domingo, 16 de abril de 2017

Returno definido, foco na final. Drama só no Rebaixamento

Sirli Freitas / ACF
A Chapecoense conquista com antecedência o returno do Estadual, o mando de campo e a vantagem dos dois empates na final de uma forma até supreendente: não imaginaria que o Avaí fosse perder em casa para o Almirante Barroso e transformar a última rodada em amistosa.

A vitória sobre o Joinville veio com um ritmo mais baixo. O JEC não tinha força ofensiva,  a defesa da Chape mantinha a situação sob controle, até que Danrlei cometeu um erro infantil ao falhar em um domínio de bola. Pênalti, Reinaldo fez 1 a 0. Aí foi só administrar diante de um adversário que estava com a cabeça no jogo contra o Sport. Deu tempo para Tulio de Melo fazer mais um e fechar a conta.

Assim como o Avaí no primeiro turno, a Chapecoense garante a Taça Sandro Pallaoro sem saber o que é perder na segunda parte do campeonato. Os números comprovam a evolução de um time que ainda procurava um caminho lá no início. Nos oito jogos do returno, foram 23 gols marcados e apenas 4 sofridos. Os números falam por si.

Agora, os dois times podem se focar na final, que tem seu primeiro jogo no dia 30 na Ressacada. A Chape terá ainda a Libertadores pela frente na terça, com a certeza de que o time vem em crescimento. O Avaí precisa achar esse foco com urgência. Não dá pra tolerar o fato de um time finalista do campeonato perca para um possível rebaixado dentro de casa. De quebra, jogou fora a oportunidade de decidir o campeonato no seu estádio

Rebaixamento aberto

Já lá embaixo, a vitória do Barroso criou um fato novo. Há uma chance real do time de Itajaí escapar da segundona, mas tudo passa pelo jogo do Inter de Lages contra o Avaí na Serra. O colorado só depende dele para sacramentar sua permanência, e pesa a seu favor o fato do time de Floripa não ter interesse nenhum na partida depois de perder para o Barroso. É de se esperar que Claudinei Oliveira coloque um time totalmente reserva, criando um ambiente bem desfavorável para Barroso e Metropolitano, que precisam vencer seus jogos e contar, pelo menos, com um empate do Inter. O Metrô tem situação ainda pior, já que tem apenas três vitórias e precisa, além do resultado em Lages, que o Barroso não vença o Tubarão.

Jogo contra time reserva não é garantia de vitória. Mas sem dúvida foi uma boa notícia para o Inter. Enquanto isso, o Barroso lamenta o erro de André Back na partida contra o Figueirense, que deixaria o time fora da zona de rebaixamento na última rodada pelos gols marcados. Já o Metropolitano teve a chance da vitória sobre o Criciúma na última bola. Não aproveitou e está muito próximo da degola.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Campeão do returno pode sair no sábado. Avaí vai se preparar para a final

Luiz Henrique / Figueirense FC
Faltam duas rodadas para o fim da fase de classificação, e a Chapecoense passou com tranquilidade por mais um desafio delicado, contra um Metropolitano desesperado. Foi mais fácil que a encomenda, ainda mais quando o zagueiro Junior Fell foi expulso. Sem forçar, o time de Vagner Mancini construiu a vitória e tratou de administrar no final. Com o empate no Scarpelli, a briga do returno tem um clube a menos. Pode até ser encerrada no sábado, quando a Chape pega o JEC na Arena Condá.

O Avaí não conseguiu superar a "pilha" do clássico com o Figueirense. Reclama de um pênalti (com razão, está dentro dos "novos padrões" da arbitragem), mas poderia ter feito mais, se impondo diante de um adversário que é tradicional, mas tem números muito abaixo no campeonato. O jogo foi um retrato do clássico do turno, que também terminou empatado. Diziam que o Figueira tinha crescido e iria decolar no campeonato. Todos sabemos que isso não aconteceu. Uma atuação que não é digna de quem está na final do Estadual. O Figueira comemora, já que não perdeu para ter a crise aumentada.

O maior perseguidor da Chape é o Joinville, que venceu o Internacional com direito a um golaço de Tinga, e que terá neste meio de semana uma pedreira em Recife contra o Sport, pela Copa do Brasil. A classificação do campeonato permite dizer que o JEC, se quiser ir à final, não dependerá apenas dele para conseguir o objetivo: a diferença de dez gols no saldo manda que o tricolor vença na Arena Condá, o que é complicado, além de depender do Criciúma na última rodada. O JEC terá que manejar as prioridades: se conseguir um bom resultado em Pernambuco, precisará se preocupar com a meta mais importante. E francamente, nenhum torcedor do Joinville cobra título.

Desenha-se a final Avaí x Chapecoense, com a disputa pelo mando de campo ainda aberta. A Chape pegará JEC e Criciúma, enquanto que o Leão tem tabela mais fácil, enfrentando Barroso e Inter de Lages.

Enquanto isso, a luta pelo rebaixamento não mudou muito. O Barroso venceu, mas ainda tem uma distância a ser vencida, sem contar que precisa bater o Avaí na Ressacada. A preocupação bate à porta de Metropolitano e Internacional, que precisam desesperadamente pontuar, com times indo de mal a pior.





quarta-feira, 5 de abril de 2017

A histórica festa e a grande vitória da Chape

Conmebol
Chapecó viveu mais um dia que será registrado na história. A cidade se preparou, recebeu como nunca se viu o seu adversário, fez uma linda festa que marcou mais um capítulo do renascimento do Verdão pós-tragédia. Não só eu, mas muitos que lerem esse texto queriam estar lá nesse acontecimento especial do nosso futebol, onde se viu até a banda da Polícia Militar tirar a farda após a execução dos hinos e literalmente ir para a galera, animar a torcida com a bola rolando. Algo épico.

Mas, afinal, a Recopa é futebol, e tivemos o encontro de dois times campeões. Para a Chapecoense, que vinha de cinco vitórias seguidas no Estadual, era uma grande oportunidade de demonstrar a evolução do time, algo que é fácil de notar semana após semana e que indica que ainda poderá crescer. O Nacional, mesmo desfalcado, é um bom time, com excelente retrospecto no ano, comandado por um técnico competentíssimo.

A partida teve um início de estudos, típico de uma abertura de mata-mata, quando ninguém quer se expor muito. Aos poucos, a Chapecoense foi se soltando, e abriu o placar com o pênalti cobrado por Reinaldo, o melhor jogador em campo. Até dava pra ampliar antes do intervalo. No segundo tempo, o ótimo Torres empatou a partida. Mancni resolveu mudar o time e partiu para a velocidade com a entrada de Wellington Paulista e ainda com a força da bola aérea. Deu certo.

Apodi e Rossi faziam correr na direita. João Pedro encaixou muito bem na meia. Wellington fazia a zaga correr na área. Veio o gol de Luiz Otávio (que para mim merece ser titular do time). Deu certo, veio a vitória e a vantagem do empate para o jogo de volta.

Falei lá em cima em evolução. O jogo de volta acontece daqui a mais de um mês, após a final do Estadual. É de se imaginar que o time montado há quatro meses apresente uma melhora. A receita para levar o título parece ser a velocidade, onde um contra-ataque pode resolver a parada. Penso que é esse o caminho que Mancini deve seguir.

E no meio das comemorações, o time da Chape colaborou com o espetáculo. Muitos estão boquiabertos com o que foi feito em pouco tempo. O caminho correto está sendo seguido.


segunda-feira, 3 de abril de 2017

Campeonato Catarinense precisa se valorizar como produto televisivo

O Blog volta a falar em direitos de televisionamento, preocupado com o campeonato catarinense não só como um torneio, mas como um produto que precisa ser melhor vendido.

Hoje, o assunto é TV fechada. Se você acha que a televisão aberta paga pouco pelo campeonato estadual, nem queira saber quanto entra no Pay-per-view que, diferente das últimas negociações que acompanhamos do Brasileirão, onde o Cade exigiu separação total, coloca junto no pacote as transmissões no Sportv. É algo em torno de 20% do valor. Faça as contas.

Na manhã de domingo, Almirante Barroso e Criciúma jogaram pelo Catarinense em Itajaí. Jogo com transmissão do Sportv para todo o Brasil, menos para Santa Catarina.

Primeiro é bom mencionar que no campeonato paulista não há esse tipo de bloqueio para a praça, muito menos para todo o Estado. Segundo, que até acho que esse tipo de corte deva acontecer, mas precisa ser restrito ao "mercado" da cidade do jogo. Como divulgar um campeonato que não pode ser exibido no canal fechado (que já custa ao assinante) para o Estado interessado?

O modelo ideal é o americano, daí o uso da palavra "mercado". Cada clube tem determinado uma região, com seu município-sede e redondezas, que é considerado como área de atuação e com público potencial para ir ao estádio. Transmissão para a praça, só se for comprovada a venda de todos os ingressos. Por exemplo, os mercados de Figueirense e Avaí seriam os municípios da Grande Florianópolis, o do Metropolitano englobaria Timbó, Indaial e Gaspar; Criciúma teria Içara, Siderópolis e Nova Veneza, e por aí vai. O bloqueio de transmissão deveria acontecer para o "mercado" que sedia a partida.

Hoje, temos uma situação que a TV Aberta tira público do estádio (os clubes venderam o bloqueio por apenas R$ 1 milhão a mais por temporada)  e a Fechada (não o pay-per-view) não exibe os jogos do Catarinense para Santa Catarina. É um modelo incorreto que tira dinheiro e exposição dos clubes. Fica mais uma vez o recado para quem for negociar o contrato neste ano: se querem um Estadual rentável, prestem atenção no que estão fazendo com o produto. O atual acordo permite coisas que causam enorme prejuízo.

Aliás, já deram uma ligada lá no Esporte Interativo...


domingo, 2 de abril de 2017

Resultados deixam suspense para as três rodadas finais

André Palma / Avaí FC
O final de semana do Estadual teve a Chapecoense confirmando a boa fase ao bater o Figueirense, com o JEC ficando no encalço após um 4 a 3 sobre o Tubarão na Arena, tendo Avaí e Criciúma logo atrás após vencerem fora de casa.

Teoricamente, a situação não mudou muito. O pessoal de cima venceu, e na briga pelo rebaixamento houve empate entre Inter e Metropolitano. Daí deve sair a segunda vaga. A primeira é do Barroso.

Brusque e Avaí fizeram um jogo maluco, mas que não foi um primor de qualidade. O time de Pingo saiu na frente, mas acabou se acomodando na partida, que caminhava em banho-maria até o gol de Alemão, na enésima falha de marcação de bola aérea do Brusque. Carlos Alberto ainda fez o 2 a 1, mas o Avaí conseguiu a virada com duas novas falhas, a última nos acréscimos, em uma jogada legal que foi muito bem observada pelo assistente. O Leão ganha moral para o clássico da cidade e solta o recado que ainda está na espreita aguardando um tropeço da Chapecoense, que terá um jogo interessante e complicado em Blumenau contra o desesperado Metropolitano, que precisa vencer para deixar a zona de rebaixamento. Havia um certo clima de baixo astral. Uma vitória como essa eleva a autoestima. Já o Brusque... Bem, o Brusque sonhava com alguma coisa no returno. Agora é melhor pensar em terminar a temporada dignamente, já que não há possibilidade de rebaixamento e com a vaga para a Série D do ano que vem conquistada. A defesa brusquense é um problema sério, tomando dezesseis gols nos últimos cinco jogos. É muita coisa, são números de rebaixamento. Há a possibilidade de vaga na Copa do Brasil, mas do jeito que a coisa anda, se a vaga não vier, segue o jogo.

O Joinville bateu o Tubarão aos trancos e barrancos, com erros do técnico Fabinho que quase custaram a esperança de título do returno. Faltou organização, e as trocas não foram das mais felizes. No fim deu certo, com destaque para os gols de Aldair, aproveitando-se de grande falha, e de Juninho, que aproveitou rebote para marcar gol de cobertura. O JEC terá pela frente o desesperado Inter de Lages na próxima semana, com a obrigação de vencer para ir a Chapecó no sábado de aleluia com a possibilidade matemática de título.

Pela manhã, o Criciúma não teve problemas para derrotar o Barroso, que não está matematicamente rebaixado. Apenas espera concretizar uma situação que está desenhada. Penso que o grande erro do time de Itajaí foi investir muito no ataque, quando precisava de bons defensores.


quarta-feira, 29 de março de 2017

Volume de jogo 3x0 Paraguai

Lucas Figueiredo / CBF
O resultado foi elástico, mas o Paraguai foi um duro adversário para a seleção de Tite enfrentar. Duro mesmo, na concepção da palavra. Marcou muito, bateu muito, e criou dificuldades.

Mas a fase do time do Brasil está tão sólida que a vitória foi se construindo ao natural. A vitória foi de um time que cresce em volume de jogo. E, claro, não só Tite como o torcedor vão aumentando a sua exigência. E o time responde. Não há o que mexer no time, salvo lesão, e caberá ao treinador afinar ainda mais os instrumentos para chegar na Rússia e enfrentar o único mal que está se criando: o excesso de confiança de um país.

Veja o que é um grande volume de jogo: Paulinho mais uma vez apareceu com sua impressionante versatilidade no ataque, sem desproteger a marcação. Peça importante junto com Phillipe Coutinho, onde apareceram em dois gols. Neymar fez o segundo em ótima jogada individual, numa arrancada que chegou a passar por três marcadores na área. Este time cresce na qualidade e no balanço entre o bom funcionamento coletivo e os talentos individuais.

E segue a missão de ir ajustando e planejando o crescimento para a Copa. Sem estresse nem pressão para as próximas rodadas, coisa que a Argentina vai remoer nos próximos meses.

domingo, 26 de março de 2017

JEC e Avaí vacilam, e a Chapecoense aproveita

O domingo do Estadual teve um Joinville não aproveitando a vantagem de ter um homem a mais contra o Metropolitano e o Avaí dando verdadeiros presentes para a Chapecoense para mudar o panorama do returno. Aliás, não só dele.  A Chape é a nova líder da classificação geral, que define o mando de campo nas finais. O Brusque perdeu para o Tubarão por 3 a 2 e ficou para trás.

Beto Lima / JEC
Em Blumenau, o JEC não foi o time de outras partidas. Não apareceu o toque de bola das vitórias sobre Figueirense e Criciúma. Para completar, Fabinho Santos insistiu com a escalação de Bruno Batata como titular e o time não funcionou. Poderia até ter tomado gol no primeiro tempo, não fossem as boas defesas de Matheus. No segundo tempo, a expulsão de Valkennedy (irresponsável, diga-se de passagem) deu 30 minutos para o tricolor conseguir a vitória com vantagem numérica e preparo físico superior. Não deu, nem passou perto. Está mais para dois pontos perdidos do que para um conquistado.

A tarde, a Chapecoense não esperava um Avaí tão solidário. As falhas de Marquinhos, que errou um domínio de bola e permitiu que Andrei Girotto fizesse o primeiro, e de Kozlinski, que aceitou um chute de fora da área, facilitaram as coisas. A Chape só precisou administrar a partida sobre um time que só jogou mais ou menos durante vinte minutos da primeira etapa. O time de Vágner Mancini vence o primeiro de três confrontos diretos contra os seus adversários diretos, que serão todos na Arena Condá. O próximo jogo é contra o Brusque, na quarta, e no domingo de Páscoa a partida será contra o Joinville. Há um favoritismo para que o jogo de hoje se repita na decisão. Mas favoritismo precisa ser confirmado.


sábado, 25 de março de 2017

Arbitragem prejudica o Barroso e interfere diretamente na luta contra o descenso. Até quando?

AI / Figueirense FC
Hoje, o trio de arbitragem de Almirante Barroso x Figueirense interferiu diretamente no resultado do jogo e, por consequência, na dura briga contra o rebaixamento no Estadual.

André Luiz Back, que já havia sido suspenso pela FCF em 2012 por dar dois cartões amarelos a um jogador do Avaí sem expulsá-lo, errou feio ao marcar um pênalti inexistente contra o Almirante Barroso, que já havia sido duplamente prejudicado em impedimentos igualmente inexistentes marcados pelo assistente Maycon Machado.

O jogo não foi bom, mas o Barroso foi melhor. Criou as melhores chances de gol, se aproveitou da estratégia suicida do Figueira, que seguidamente é repetida, de marcar em linha, para ficar na cara do gol. Em duas oportunidades, o assistente não permitiu. O Figueirense foi mais do mesmo. Sem criatividade no meio-campo, nenhum fato novo criado e treinado pelo técnico, que insiste em um apagado Bill no comando de ataque, permitiu que o time de Itajaí comandasse o jogo dentro da sua casa.

O final, nós sabemos. A vitória joga o Figueira para 16 pontos na classificação geral e com um grande alívio diante da ameaça do rebaixamento. Já o Barroso, que poderia encostar no Tubarão para sair do Z2, fica na lanterna e até pode ver a diferença para o oitavo lugar subir para seis pontos. Vejam o estrago que a arbitragem fez.

Eu não acredito em má intenção, e sim em falta de preparo. A Associação de Clubes fala em uma comissão para monitorar a arbitragem, e eu concordo com a ideia. É necessário observar e catalogar esses erros que muitas vezes vão para a gaveta e nunca mais são mencionados, tirando quem escala da zona de conforto. Se não dá pra profissionalizar a profissão, pelo menos a gestão do campeonato dá.

sexta-feira, 24 de março de 2017

JEC vence no último minuto e reduz briga do returno a quatro clubes

Assessoria JEC
Nos acréscimos, o capitão Renan Teixeira marcou um gol importantíssimo para o Joinville. Não só pela vitória sobre o Criciúma que garante o tricolor na liderança isolada do returno do Estadual. Mas mandou o recado que o time está crescendo e vai brigar pela vaga na final. Mesmo com um elenco em formação, o JEC mostra um comprometimento muito grande. Sabe que não tem grande vantagem técnica, mas tira da sua união uma força a mais para ser forte. Ao meu ver, o time não é o favorito, mas espantou a crise que passava pelo Morro do Meio, inclusive com pedido de impeachment. Com um bom dinheiro na conta vindo da Copa do Brasil, a diretoria pode montar em paz o time para a Série C.

Com a vitória, o Criciúma fica bem distante das chances de decisão. A briga se reduz a quatro clubes: além do JEC, Chapecoense e Brusque acompanham de perto, com o Avaí um ponto atrás tendo a oportunidade de liquidar o campeonato. Bom notar que esses times ainda não se cruzaram. Os confrontos começam neste final de semana.

A Chape tem uma vantagem técnica pelo fato de enfrentar esses três adversários em casa, sendo dois (Avaí e Brusque) nas próximas rodadas. O time só jogará pela Libertadores depois da Páscoa, no intervalo entre a oitava e a nona rodada, e poderá centrar fogo no Estadual. A goleada sobre o Tubarão e a grande virada sobre o Barroso deram moral ao time de Vagner Mancini, que vai crescendo no seu futebol.

O Avaí não tem do seu lado a pressão por já estar na final, o que por si só é um fator positivo. Enfrentará o JEC na semana que vem em casa no que pode decidir se o time ainda estará vivo ou se pode se concentrar na final. Ainda há o Brusque, que terá Tubarão e Chapecoense fora de casa para ver se pode sonhar com o returno. O time de Pingo observa com muito carinho a classificação geral, que dá aos três primeiros uma vaga na Copa do Brasil do ano que vem. Hoje, o Bruscão está em terceiro com seis pontos de vantagem para o Criciúma. Dá pra administrar e garantir um bom dinheiro em 2018.


Paulinho e a seleção que convence

Os três gols de Paulinho em Montevidéu dizem muito sobre o atual momento da seleção, que apenas espera a confirmação matemática para a Copa, recuperando o interesse do torcedor e goleando o Uruguai fora de casa. Ele era contestado, por ter feito parte do time do 7 a 1 e por ter se "refugiado" na China, em um campeonato de nível bem mais baixo. Pois Tite começou a formar seu time por ele, e eis que um volante virou goleador na partida. Três gols, algo sensacional. Só não chama a atenção de um grande europeu por causa do custo. Resumindo: ganha um caminhão de dinheiro sem pressão no Oriente, joga bem e arrebenta na seleção.

Mas a seleção não é só Paulinho. Tite colocou comprometimento no time, que já tem 90% da base montada para a Copa e a autoestima renovada do torcedor. Não há polêmica nas convocações, o time não tem grandes opiniões contrárias (talvez tenha exceção no gol, onde Alisson está longe de ser uma unanimidade). No resumo, o time convence. Pegou um adversário tradicional, não se abalou com o gol tomado e foi colocando seu jogo em prática. Teve cerca de 70% de posse de bola no Centenário, é mole? A seleção chama a atenção. O momento é bom.

O técnico da seleção terá o resto do ano para ajeitar o time que já conta com uma base. Há uma forma de jogar definida, com qualidade distribuída e sem aquela necessidade de Neymar carregar o piano. Ele continua importante, mas não é mais aquele responsável por tudo. Isso é bom. Tem gente boa no time.

Eu gostei, e todo mundo gostou.

Hoje, além de ver o jogo, resolvi estudar a torcida. Aqueles mais próximos estavam esperando para ver o Brasil jogar. Até não muito tempo atrás, o desinteresse era total.


terça-feira, 21 de março de 2017

Solidariedade

Neste mundo competitivo em que vivemos, e ultimamente com tantas notícias ruins por causa de várias demissões na imprensa (eu fui uma das vítimas, na rádio que trabalhava aqui em Brusque), uma ação de solidariedade me chamou a atenção.

O repórter Marciano Régis, da tradicional Rádio Nereu Ramos de Blumenau, comunicou ao grupo NC que não participará mais do projeto "Rádio GE", onde a emissora (gratuitamente) usa material de repórteres de rádio no Estado em seus programas, solidário aos vários companheiros que foram demitidos pelo grupo de comunicação.

Parabéns pela atitude.

E que nossa classe consiga permanecer unida, em um momento de muitos fechamentos de vaga e gente boa sem prefixo, canal ou jornal para trabalhar.