quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Catarinense 2017: Almirante Barroso

CLUBE NÁUTICO ALMIRANTE BARROSO
Fundação: 11 de maio de 1919
Cores: Verde e Branco
Estádio: Camilo Mussi (particular) - 3000 pessoas
Presidente: Hélio Orsi
Técnico: Renê Marques
Ranking BdR 2016: 14o. lugar (como SC Litoral)
Catarinense 2016: Campeão da Série B


Pra quem não acompanhou a segundona do ano passado, eis o Barroso, a grande novidade do Campeonato Estadual. Explicando sua origem em rápidas palavras: em 2015, o Sport Club Litoral, de Penha, conseguiu o acesso à Série B com a desistência do Atlético de Ibirama que acarretou na subida do Guarani de Palhoça. Com isso, abriu-se mais uma vaga e o Litoral, vice-campeão da terceirona, ganhou vaga na divisão superior. No ano passado, visando uma exposição maior, propôs uma parceria com o quase centenário Clube Náutico Almirante Barroso. Tecnicamente não é um retorno, até porque a diretoria do clube em si não apita nada na gestão do futebol. Mas, em se tratando do brasão da camisa e até do local que o clube jogará, é possível dizer que a parte alviverde do futebol itajaiense estará na primeira divisão.

O Barroso estrela a primeira polêmica do Campeonato Estadual: o campo sintético do acanhado estádio Camilo Mussi, localizado na parte central de Itajaí. Vamos aos fatos: não há nada que proíba jogos naquele campo tampouco as marcas amarelas dos campos menores (a regulamentação apenas pede que elas estejam em cores diferentes, e estão. Não serão retiradas.). O campo em si não é igual ao da Arena da Baixada. É praticamente um carpete com aqueles flocos de borracha. E isso é, com certeza, um diferencial competitivo para o Almirante. Foi ali que o time conquistou importantes vitórias para conquistar o acesso e o título da segundona. Não há nada que impeça isso. Os outros times que terão que lidar com essa dificuldade extra. Particularmente, não tenho nada contra isso, até porque campeonatos grandes possuem campo sintético, inclusive com outras marcações, como nos EUA e no Canadá.

O time barrosista terá mais uma vez no comando o ex-goleiro Renê Marques, de 39 anos, que atuou no Bahia e no saudoso Grêmio Barueri. Depois de uma passagem pelo Mato Grosso do Sul, ele assumiu o Barroso obtendo o título, despertando até interesse de outras equipes. Resolveu permanecer na região onde está adaptado e conta com moral. E é bom ressaltar que não foi só o campo que levou o time para a elite. Mesmo jogando fora de casa, ele conseguiu fazer um conjunto barato e sem estrelas dar certo.




Para se manter na primeira divisão e buscar voos mais altos, o Barroso tomou a arriscada estratégia de manter grande parte da base do time da segundona. Atletas como Buru, Rodrigo Couto, Rodolfo e Safira estão no elenco, que recebeu recentemente o reforço do veterano atacante Schwenck, de 37 anos e longa ficha de serviços prestados no futebol nacional.

Terceirizado, o futebol do Barroso não tem dinheiro para gastar a vontade. O time da Série B era bem montado, mas a realidade de 2017 é outra. Contando com um atacante que, na minha opinião, trará mais marketing do que futebol, fica complicado imaginar algo que não seja a luta para evitar o rebaixamento contra equipes mais estruturadas. A opção de jogar na grama sintética será um fardo a carregar na temporada, o bombardeio de críticas vem aí, mas poderá acabar sendo uma salvação para o Almirante, já que outros times terão que rebolar lá dentro e, segundo um jogador me confidenciou, quem não joga lá leva tempo para se adaptar.



quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Catarinense 2017: Atlético Tubarão

A partir de hoje, o Blog lança a edição 2017 das análises dos times do Campeonato Catarinense 2017. Diariamente, abordaremos cada clube, com um apanhado do seu trabalho, perfis dos principais personagens e um exercício de adivinhação sobre onde cada um pode chegar. Iniciando a série, vamos ao perfil do Tubarão, que retorna à elite com o vice-campeonato da Série B do Estadual no ano passado.


CLUBE ATLÉTICO TUBARÃO
Fundação: 14 de Abril de 2005 (como ACRE Cidade Azul)
Cores: Azul, Preto e Branco
Estádio: Domingos Silveira Gonzales (Municipal) - 3500 lugares 
Presidente: Gilmar Negro Machado
Técnico: Marcelo Mabília
Ranking "BdR" 2016: 9º lugar
Catarinense 2016: Vice-campeão da Série B


O Atlético Tubarão volta à primeira divisão cheio de expectativa, depois de colocar fim à síndrome do "quase" que durou alguns anos na segundona. Depois de bater na trave e até chegar escapar o acesso nos critérios de desempate, desta vez uma sólida campanha levou o Peixe à elite com a melhor campanha na fase de classificação. Acabou ficando com o vice, sendo superado pelo Barroso na decisão.

Chama a atenção o processo de reestruturação do clube, que chegou a passar por dificuldades há alguns anos. Hoje a gestão é terceirizada, com aporte financeiro e a filosofia de ser um clube com processos profissionalizados. O velho estádio de Vila Oficinas  (onde antigamente jogava o Ferroviário) foi remodelado, com troca total do gramado e melhoria da estrutura, que estava precisando de um maior cuidado. Os planos são ousados: o Tubarão quer subir degraus no campeonato brasileiro e fazer que a cidade de Tubarão volte a aparecer no cenário nacional 15 anos depois daquele outro Tubarão (que não tem a ver com esse) que chegou a disputar a Sul-Minas em 2002.


O clube teve uma escolha muito feliz no ano passado ao contratar Marcelo Mabília, de 44 anos, para o comando técnico. Ex-jogador do antigo Tubarão FC na década de 90, tendo passagem também pelo Figueirense, apareceu com destaque por aqui em 2015, quando fez ótima campanha com o Internacional de Lages, conquistando inclusive uma vaga na Copa do Brasil. Neste intervalo, também treinou o Tombense. Montou um time experiente para conquistar o acesso e conseguiu, com alguns dos jogadores de confiança nos tempos de serra. E, com alguns deles no elenco, tentará voos mais altos no Estadual, buscando uma vaga na Série D em 2018.



O elenco, que tem remanescentes de 2016, como o atacante Valdo Bacabal, foi reforçados com nomes conhecidos, como o colombiano Wason Rentería, aquele mesmo que passou pelo Internacional, o zagueiro Gustavo Bastos, ex-ABC e Avaí, o goleiro Luis Carlos, ex-Sport e o bom volante Ricardo Conceição, de três temporadas no Paraná Clube e uma passagem curta pela Chapecoense.

Com um orçamento que não é grande, mas também não é dos menores, o Tubarão mostra sua cara na primeira divisão com uma grande organização, pelo menos é o que dá pra ver de fora. O elenco é interessante e o técnico é bom, dando a certeza que a montagem do elenco foi bem feita. Resta ver onde irá chegar em um campeonato de nível técnico maior. A cidade azul, de tanta tradição no futebol, merece um representante à altura da sua importância.



sábado, 31 de dezembro de 2016

Top 10 dos Micos do Futebol Catarinense em 2016

Terminou um ano que jamais esqueceremos. O futebol catarinense ainda tenta, na medida do possível, retomar uma normalidade depois da tragédia de 29 de novembro. Mas o post vem pra trazer um pouco de bom humor. Temos outras histórias para contar, muitas engraçadas. E, fechando 2016, vem aí a lista dos micos do ano, que contou com a ajuda de muitos internautas. E vamos à lista, liderada pelo grande campeão de votos.

1- Termo de compromisso do Figueirense: campeão disparado, e que serve de "non-case" de marketing, ou "algo que nunca se deve fazer": mal na tabela, o presidente Wilfredo Brillinger convocou uma entrevista coletiva no início de outubro, para apresentar um "documento" assinado por todos os jogadores, se comprometendo a "dar o nosso máximo em campo, até a última gota de suor, até ficar sem fôlego e a torcida ficar sem voz". Virou manchete nacional e foi aumentando a piada com o passar das rodadas sem vitória. Bom lembrar que os jogadores recebem salário justamente para se dedicarem, né? Eu gostaria muito de saber quem teve essa infeliz ideia. Resultado disso também foi a recontratação de Fernando Kleimann, competente profissional de marketing que estava no Joinville, para arrumar o setor. Duvido muito que ele faria isso.

2- Joinville rebaixado: o que o Joinville Esporte Clube fez com o seu torcedor em 2016 é algo de uma vergonha extrema. O ano até parecia ser razoável, depois do vice-campeonato estadual. Mas a sequência de erros de contratações da diretoria, que não teve competência para montar um grupo com uma mínima qualidade para não cair e acabar voltando para Série C, somando a merece um mico gigante na lista. E mesmo com tantos erros, o JEC chegou à última rodada com chance de escapar. Só que o Oeste venceu o Náutico em Recife para sepultar de vez o sonho tricolor. Dá pra escrever um livro: baixíssimo rendimento em casa, um Lisca doido que mostrou total falta de conhecimento trazendo jogadores de baixa qualidade até um Jael ultravalorizado que conseguiu perder dois pênaltis numa partida. Dói, mas foi merecido.

3- Roberto Cavalo e a "mão na taça": O técnico do Criciúma, demitido ao fim da temporada, mostrou excesso de confiança no seu taco durante o Estadual, com pitadas de falta de humildade. Após vencer o Figueirense em Florianópolis, declarou que seu time estava com a "mão na taça". Passou longe, Perdeu o primeiro turno para a Chapecoense e caiu muito de rendimento no segundo, ficando em terceiro lugar. A falta de humildade pesou. Aliás, ele durou muito no comando do Tigre, Não imaginava que o presidente fosse aguentar ele até o final da Série B.

4- Leo Moura no Metropolitano: sua chegada teve direito a festa no Shopping e declarações de amor. Acabou com uma ida pela porta dos fundos e muita reclamação. Durou um mês a história do ex-lateral do Flamengo em Blumenau. Depois de dizer que estava cada vez mais adaptado ao futebol catarinense e adorando a cidade, foi embora para o Santa Cruz decepcionando aqueles torcedores que compraram camisas com seu nome. Bem feito: acabou rebaixado lá.
Aliás, o Metrô teve uma temporada complicada, apostando em Valdir Espinosa, campeão como dirigente no Grêmio, como treinador. Não funcionou, e o clube apostou em Cesar Paulista, o eterno tapa-buraco que, desta vez, terá a oportunidade de comandar o time desde o início em 2017.


5- Braga e o Whatsapp: Um dos destaques do Avaí no Campeonato Catarinense até então, o volante Braga acabou virando manchete depois de xingar fortemente a diretoria avaiana através de um áudio no Whatsapp. Ainda afirmou que o então técnico Raul Cabral chorou no vestiário após a derrota para o JEC e que os diretores interferiam na escalação. Acabou tendo que se desculpar através de um vídeo, sem mostrar autenticidade alguma. O mais legal para o torcedor avaiano é olhar para essa situação terrível do primeiro semestre e, sob o comando de Claudinei Oliveira, o time chegou à Série A. Aliás, Braga desapareceu depois deste fato.


6- Marcílio Dias: é de chorar a situação deixada por uma diretoria irresponsável em um dos mais tradicionais clubes de Santa Catarina, que logo completará cem anos. Sem conhecimento nenhum de futebol, o presidente Carlos dos Santos e o diretor Egon da Rosa montaram um time sem qualidade alguma para jogar a segunda divisão. Trouxeram o time do Brusque para tentar ajudar, mas a falta de estrutura até para concentrar não colaborou. O time permaneceu na segundona e viu o Barroso subir como o grande campeão. Pelo menos, no meio disso tudo, uma boa notícia: a diretoria que promoveu o maior vexame do Marinheiro foi embora, permitindo que novas cabeças comandem uma reestruturação.

7- Ah, a nossa imprensa sofrida: O Avaí mandou o jogo contra o Brusque no estádio Renato Silveira e o pessoal da imprensa sofreu demais, e como sofreu, na varanda. Havia pouco espaço para todos, a energia elétrica não aguentou (muitos aparelhos ligados mais o ar condicionado dos camarotes da cartolagem) e a chuva ferrou com todo mundo, que teve que ir atrás de tudo quanto é tipo de plástico para proteger os equipamentos, Uma equipe de rádio não teve condição alguma do trabalho, culpa de um toldo furado. E isso passou na vistoria. Em um ano tão complicado para a nossa imprensa, fica aí a prova de que todos precisam passar por todo tipo de dificuldades para trabalhar em paz.

8- Comidinhas de estádio, mas não assim: Nada mais normal que comer uma pipoca ou uma coxinha no estádio, certo? Pois é, mas torcedores do Joinville ficaram assustados quando foram a um dos banheiros do estádio Robertão na partida contra o Camboriú e lá encontraram a estufa de salgados ao lado da privada! Com certeza, o pessoal que fez um lanchinho no jogo ficou preocupado.







9- França: fruto da teimosia da diretoria, o volante do Figueirense nada fez no campeonato estadual. Para fechar sua passagem com chave de ouro, arrumou confusão em uma briga de trânsito e resolveu desaparecer. Finalmente, depois de uma passagem turbulenta com direito a polícia e até agressão a cinegrafista, acabou demitido. Depois de ser cansativamente defendido pela diretoria alivnegra, foi embora, rumo a Londrina.



10- O voo do estagiário: Grande Camboriú, do twitter animado (até profetizou resultado) e seu estagiário animado. Depois de uma das mais cômicas cenas da história, onde o time teve que empurrar um ônibus na volta de Chapecó após o rebaixamento, desta vez a menção vai para o grande estagiário que, depois da goleada sobre o Guarani de Palhoça no final do primeiro turno, botou a cabeça do mascote resolveu fazer "peixinho" no gramado encharcado. Pena que a reação não deu certo. O time não achou o bom futebol e acabou rebaixado novamente. Tomara que volte!



segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Contrato de TV do Estadual está acabando. Hora dos clubes prestarem atenção

Em 2017, encerra o atual contrato de televisionamento do campeonato estadual, alvo de uma choradeira enorme dos dirigentes, sendo que alguns deles participaram da negociação que tem pontos bem desfavoráveis e um valor que não chega a 20% do que é investido pela mesma empresa no campeonato gaúcho, onde um time pequeno recebe bem mais que o um catarinense na Série A.

Vamos relembrar: em 2013, com grande participação do então presidente da FCF Delfim de Pádua Peixoto, os clubes da primeira divisão assinaram a renovação de contrato. A primeira oferta do grupo RBS havia sido de R$ 4 milhões por ano para quatro temporadas. O clubes pediram um pouco mais. Conseguiram R$ 5 milhões, mas com um acordo de cinco anos e liberação total de transmissão para a praça. Ou seja, a TV aberta seria concorrente deles próprios. Aceitaram. No primeiro ano já deu berreiro.

Matéria do jornal Zero Hora deste sábado informa que os clubes gaúchos recusaram uma oferta do grupo RBS de R$ 34 milhões pelos direitos do campeonato gaúcho. sendo que, destes, R$ 26 milhões seriam divididos entre Grêmio e Internacional. Mesmo assim, sobraria aos pequenos algo em torno de R$ 800 mil , o que já é cerca de 30% a mais que a Chapecoense, campeã catarinense, recebe. Os menores desejam melhorar a proposta para que eles recebam, ao menos, R$ 1 milhão pelo Gauchão (já receberam isso em outros anos). Aqui, os menores recebem em torno de R$ 200 mil.

A Associação de Clubes de SC é conhecida pelos problemas para negociar contratos de televisionamento. Chegou ao cúmulo de assinar contrato com a RBS em 2009 sabendo que tinha outro vigente com a Record no mesmo ano. Se incomodou, usou um argumento fraco e acabou perdendo na justiça (o então presidente da Associação, Carlos Crispim, faz parte da diretoria atual). Também chegou a ter verba retida na justiça por uma agência de propaganda, que exigia comissão por um serviço que ela não fazia, já que a negociação das transmissões era feita por dirigentes de clubes. Acabaram entrando em acordo.

Passada o último ano do atual contrato, chegará a hora da negociação de 2018 para a frente. Agora, a conversa não será mais com o grupo RBS, que vendeu as suas operações no Estado, e era grande parceiro da antiga presidência da FCF, e sim com o grupo NC, que assumiu o comando do negócio.

Passou da hora de tentar mais. Vejo que a SC Clubes busca formas de se profissionalizar, mas os direitos de transmissão são uma área que nunca foi bem resolvida. Uma coisa ruim que existe no Brasil é a exclusividade, ao invés de serem comercializados "pacotes" que permitem a transmissão por mais de uma emissora, alternativa que é usada com sucesso em outros países. Agora que os clubes tem um presidente indicado por eles na Federação (que, por regulamento, recebe 10% da cota) e um contrato por encerrar, espero ver um avanço que equipare os clubes catarinense pelo menos aos seus vizinhos do sul.


domingo, 18 de dezembro de 2016

O Ranking "BdR" do Futebol Catarinense em 2016

Com o ano terminando, o Blog traz dois dos seus tradicionais posts: além dos micos do ano, que serão divulgados na próxima semana, é a vez do nosso ranking.

O Blog do Rodrigo apresenta o seu ranking de clubes pelo oitavo ano consecutivo. O Ranking "Blog do Rodrigo do Futebol Catarinense 2016" traz, com base nos resultados de cada clube na temporada, a classificação dos melhores do Estado.

Tem uma diferença básica para o ranking da CBF, que conta apenas competições nacionais, enquanto este também conta o Estadual e eventuais participações em competições internacionais. Este exercício serve para ver o andamento dos clubes dentro do cenário doméstico, somando suas atuações a nível nacional e internacional com o torneio do primeiro semestre.

Também mostra todos os times que estão em atividade em Santa Catarina ou estiveram até 2014 em qualquer divisão. Quem não passou pelo Blog antes, o ranqueamento do ano passado está aqui, e os critérios de cálculo estão no fim do post. Cálculos feitos, vamos à classificação. Algumas explicações vão junto, e em parênteses vão a pontuação e a colocação no ano anterior. Existem mudanças na classificação dos cinco grandes e a consolidação do Inter de Lages como sexta força do Estado. A Chapecoense, pelo título estadual e as campanhas na Série A e Sul-americana abre espaço na frente.

RANKING "BLOG DO RODRIGO" DO FUTEBOL CATARINENSE 2016

1) Chapecoense: 49,40 pontos (2015: 1o. com 46,59): Aqui, os números e resultados falam por si. Título estadual com a melhor campanha, bem a frente do segundo colocado. Boa pontuação na Série A bem a frente do Figueirense, sem contar a terceira fase na Copa do Brasil e a brilhante caminhada que culminou com o título sul-americano. Subiu quase três pontos no ranking e dificilmente perderá a liderança no próximo ano, já que o Figueira jogará a Série B, com pontos de menor peso e a diferença de sete pontos na média é praticamente inalcançável.


2) Figueirense: 42,80 pontos (2015: 2o. com 45,16): A fraca campanha no estadual e na Série A fez o Figueira sustentar o segundo lugar no ranking, mas perdendo quase três pontos em sua média. Foram 15 pontos a menos que a Chape no campeonato estadual, e outros 15 no Brasileirão, somando com uma eliminação na primeira fase da sul-americana. O alvinegro vê o Avaí se aproximar, sendo que o rival jogará uma Série A com peso maior. O estadual pode decidir a posição no próximo ranqueamento

3) Avaí : 39,20 pontos (2015: 3o. com 38,26): A campanha do acesso rendeu boa pontuação ao Leão, que subiu quase um ponto na sua média anual. O problema foram as campanhas ruins no Estadual (apenas 20 pontos em 18 jogos) e na Copa do Brasil (4PG em 4J). Mesmo assim, a diferença para o segundo lugar Figueirense caiu de sete para apenas três pontos. Se não decepcionar no campeonato catarinense e ter uma pontuação para permanecer na Série A, assumirá a segunda colocação em 2017 sem sustos.


4) Criciúma: 36,93 pontos (2015: 5o. com 36,07): Temos aqui a primeira troca de posições. O Criciúma teve um aumento de alguns décimos em sua média anual, e ultrapassa o Joinville pela grande diferença das campanhas na Série B deste ano (56 pontos contra 40), sendo que ambos tiveram a mesma campanha no Estadual, com 32 pontos conquistados. A tendência é que o Tigre mantenha a quarta colocação na próxima temporada, pela distância que tem para os times da frente e pelo fato do Joinville disputar uma Série C, onde os pontos tem um peso menor. Bastará não cair.

5) Joinville: 34,04 pontos (2015: 4o. com 38,11): Mesmo com o vice-campeonato catarinense, o JEC perde mais de quatro pontos na sua média anual para fechar o grupo dos chamados grandes. Foram 32 pontos conquistados no Estadual, segunda melhor do torneio. Mas a péssima campanha da Copa do Brasil (apenas quatro pontos em quatro jogos, eliminado na segunda fase com duas derrotas) e os 40 pontos que culminaram com o rebaixamento para a Série C sacramentaram esta queda. E tudo indica que aqui permanecerá na próxima temporada.


6) Internacional de Lages: 26,67 pontos (2015: 6o. com 24,25): O colorado lageano consolida-se como a sexta força do estado com uma temporada bem interessante no âmbito nacional. Se o ranking passado mostrava uma diferença apertada entre Leão Baio, Metropolitano e Brusque, agora já aparece uma folga. O time conquistou três pontos na Copa do Brasil, mais uma classificação inédita para a terceira fase da Série D, marcando 17 pontos no total. Aumentou em mais de dois pontos a sua média.



7) Brusque: 24,84 pontos 
(2015: 8o. com 24,17): O Brusque ganhou alguns décimos em sua média anual, ultrapassando o Metropolitano pelo melhor desempenho na temporada. No Estadual, o time de Mauro Ovelha conquistou o quinto lugar e a vaga na Copa do Brasil com 24 pontos ganhos, dois a mais que o rival de Blumenau. A diferença mesmo veio na Série D, onde o Bruscão conquistou uma inédita vaga para a segunda fase, com dez pontos conquistados em oito partidas.



8) Metropolitano:  23,51 pontos (2015: 7o. com 24,21): Pelo terceiro ano seguido, o Metropolitano diminui a sua média anual e agora aparece em oitavo na lista. A campanha no Estadual até foi razoável, mas a Série D estragou tudo. Com um time barato, o Metrô foi o lanterna da sua chave no Brasileirão com apenas quatro pontos conquistados. Como seus rivais Inter e Brusque foram mais eficientes no segundo semestre, conseguindo passagem para o mata-mata, o Metrô fica na oitava colocação.


9) Atlético Tubarão: 22,24 pontos (2015: 9o. com 21,82): 
O Atlético Tubarão, depois de bater na trave na segundona com boas campanhas, finalmente conquistou sua vaga na elite conquistando 44 pontos em 20 jogos, perdendo a decisão no critério de desempate para o Almirante Barroso. Mesmo com peso menor, os excelentes retrospectos na segundona lhe garantem um lugar no Top 10 do nosso ranking. E se fizer bom estadual (mesmo sem vaga na Série D), até pode beliscar uma posição acima.

10) Guarani de Palhoça: 19,85 pontos (2015: 10o. com 21,29): Premiado com uma vaga na primeira divisão depois da desistência do Atlético de Ibirama, o Bugre voltou a fazer má campanha e acabou rebaixado mais uma vez, com apenas 17 pontos conquistados. Perdeu quase dois pontos em sua média anual mas se segura no Top 10, já que o Camboriú também se deu mal no catarinense e o Atlético de Ibirama está fora dos campos.


11) Concórdia: 19,84 pontos (2015: 13o. com 17,80): Novidade interessante deste ano é a subida do Concórdia, terceira melhor campanha da Série B Estadual, com 33 pontos conquistados. O time treinado por Celso Rodrigues não conseguiu o acesso com alguns tropeços para times piores, mas fez um bom trabalho. Sobe duas posições e aumenta em mais de dois pontos a sua média.


12) Camboriú: 19,71 pontos (2015: 11o. com 21,16): Após subir três posições em 2015, o Cambura agora perde um posto. Conseguiu o acesso mas não se manteve na elite, conquistando apenas e tão somente 15 pontos em 18 partidas. Isso derrubou a sua média anual e o permitiu ficar atrás de dois times da Série B do Estadual.


A seguir, o restante da classificação:

13) Juventus / Jaraguá do Sul: 17,73 pontos (2015: 15o. com 16,29)

14) Almirante Barroso / Litoral : 17,47 pontos (2015: 22o. com 8,70)
empatado com  Hercílio Luz: 17,47 pontos (2015: 19o. com 14,18)
16) Barra: 16,87 pontos (2015: 17o. com 15,32)
17) Fluminense / Joinville 14,16 pontos (2015: 22o. com 9,73)
18) Marcílio Dias: 13,69 pontos (2015: 14o. com 16,54)
19) Operário de Mafra: 12,09 pontos (2015: 25o. com 6,32)
20) Jaraguá: 9,93 pontos (2015: 18o. com 14,62)
21) Juventus / Seara: 9,67 pontos (2015: 16o. com 15,87)
22) Atlético de Ibirama: 9,18 pontos (2015: 12o. com 19,29)
23) Atlético Itajaí: 8,80 pontos (2015: NR)
24) Porto: 6,88 pontos (2015: 20o. com 9,95)
25) Curitibanos: 5,38 pontos (2015: 24o. com 7,58)
26) Imbituba: 4,44 pontos (2015: NR)
27) Maga: 4,42 pontos (2015: 31o. com 1,84)

28) Santa Catarina: 4,10 pontos (2015: 26o. com 5,85 pontos)
29) Blumenau: 2,57 pontos (2015: 23o. com 8,28)
30) Canoinhas: 1,52 ponto (2015: 28o. com 5,30)
31) Caçador / Caçadorense: 1,40 ponto (2015: 27o. com 5,79)


Deixam o Ranking: Pinheiros e Oeste de Chapecó

* Para efeitos de ranking, Litoral e Almirante Barroso (houve troca de nome fantasia) são considerados o mesmo clube. 



Os critérios para definição do ranking, assim como no ano passado, são os seguintes:

Serão considerados os resultados dos clubes nas últimas TRÊS temporadas (2014, 2015 e 2016). Os pontos conquistados por cada equipe serão considerados, e não os títulos.

O cálculo para se chegar aos pontos ganhos em cada jogo é feito da seguinte forma:

Para jogos de campeonatos estaduais, pega-se os pontos ganhos no jogo (1 ou 3) x 1 x (valor do campeonato)

Campeonato Catarinense Divisão Principal (Série A)- 10
Campeonato Catarinense Divisão Especial (Série B)- 6
Campeonato Catarinense Divisão de Acesso (Série C)- 4
Copa Santa Catarina (e no caso do Estadual 2014, o Hexagonal da Morte) - 8

Para jogos de campeonatos nacionais, pega-se os pontos ganhos no jogo (1 ou 3) x 2 x (valor do campeonato)

Campeonato Brasileiro Série A - 10
Campeonato Brasileiro Série B - 7
Campeonato Brasileiro Série C - 6
Campeonato Brasileiro Série D - 4
Copa do Brasil - 8
Recopa Sul-Brasileira - 5

Para jogos de campeonatos internacionais, pega-se os pontos ganhos no jogo (1 ou 3) x 3 x (valor do campeonato)
Mundial de Clubes - 10
Taça Libertadores - 8
Copa Sul-Americana - 7
Recopa Sul-Americana - 5

(importante notar: Catarinense tem peso 1, Brasileiro 2 e Internacionais 3)

Para a pontuação geral, soma-se os pontos de todos os jogos nos últimos 36 meses (2014 + 2015 + 2016) e se divide pelo número de jogos disputados a cada ano, aplicando-se a desvalorização do ano anterior. Os pontos serão a soma das médias dos três anos.

O Ranking também usará o critério FIFA de desvalorização. Ou seja: os pontos conquistados na penúltima temporada serão multiplicados por 0,7. Traduzindo: os resultados de 2016 levam peso 1, os de 2015, vale 70%, e os de 2014 valem metade de 2015.

Obs.: 1) No caso de empate entre dois ou mais clubes, a ordem apresentada no Ranking é meramente alfabética, não sendo levados em conta os campeonatos disputados pelas agremiações.

2) Para efeito de "punição estatística" e equiparação aos clubes que disputaram mais de um torneio no ano, clubes da primeira divisão que só jogaram o Estadual, sem disputar outra competição, seja nacional ou a Copa Santa Catarina, terá computado zero ponto em uma partida na segunda competição.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

O caminho para a reconstrução da Chape

É muito interessante tentar desvendar a "linha" usada pela Chapecoense para se reconstruir e fazer uma boa temporada em 2017.

Dentro do possível, a palavra "continuidade" é usada. O técnico Vagner Mancini tem características em seu trabalho próximas a Caio Júnior. Na retaguarda, o ex-goleiro Nivaldo terá João Carlos Maringá, que esteve no clube até 2014, pegando junto. Rui Costa é um executivo com qualidades e com a missão mais complicada de negociar muito no mercado para remontar o elenco para ontem.

E a "continuidade" está presente na montagem do elenco. Grolli é um zagueiro formado na casa que está voltando. Bate-se numa tecla de trazer destaques de outras temporadas. Dizem que Leandro Pereira estaria na mira. Para o gol, um atleta que não passou por Chapecó, mas só deixou boas lembranças no Estado: Agenor, que está em uma incômoda reserva no Sport. Alguém com a sua qualidade não pode ficar mofando em banco de reservas.

Com o mundo observando, os primeiros passos dessa nova caminhada são bons. O clube busca as melhores opções no mercado dentro de sua filosofia que deu certo. A história dos empréstimos gratuitos não cola muito, até porque nenhum coirmão vai querer ceder um jogador que lhe interessa, não é mesmo? Só aqueles "separados"são oferecidos.

Encontrar qualidade é complicado, mas é possível. Há urgência, mas existe uma salvaguarda, já que a fase de grupos da Libertadores demorará um pouco pra começar. Primeira Liga e Estadual não podem ser exigidos. Faz parte do processo.


domingo, 11 de dezembro de 2016

Inter, o grande que conseguiu cair

Sem piadas. O Inter é grande. Tem torcida enorme e fanática. Tem um número gigante de sócios. É parte daquele que é o maior clássico do país. Mas a sua diretoria cansou de errar na temporada. Fez, além do time cair para uma inédita Série B, ganhar a antipatia de milhões de torcedores com as tentativas frustradas de tentar se manter na primeira divisão pelo tapetão.

A verdade é que o time é ruim. Duas vitórias fora de casa. É caso para rebaixamento. Aconteceu, e ainda com chance de se safar na última rodada. Mas o time agora treinado por Lisca nem fez sua parte para tentar um milagre.

O colorado chegou a ser líder no começo. Demitiu Argel quando o time era nono colocado, nada de alarmante. Falcão chegou para implantar sua filosofia, bem diferente do antecessor, e não durou muito. Celso Roth, supervalorizado e fora do cenário há muito tempo, não trouxe novidades e o time só definhou. Nem Lisca ganhando 100 mil reais por jogo conseguiu dar evolução. A diretoria, desesperada, ofereceu seis, sete milhões pelo milagre.

Outra prova da insatisfação foi a surra levada pela diretoria na eleição de sábado. Agora, o novo presidente terá um orçamento de Série A para enfrentar uma desgastante segundona. Antonio Carlos Zago, de brilhante passagem pelo Juventude, é uma boa opção.
A dor do torcedor colorado é grande mas é superável. O ano na Série B pode fazer o clube arrumar a casa e voltar forte. Muita flauta vai ter que ser ouvida, mas quem fez tudo errado está de saída.

Hora de tomar novos ares.




quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

A FCF sem Delfim

A tragédia na Colômbia, que dói em todos os nossos corações, e que afetará por muito tempo a cidade de Chapecó e a Chapecoense, acabou também provocando um outro grande impacto dentro do futebol catarinense, com o desaparecimento de Delfim de Pádua Peixoto Filho, presidente da FCF.

Três décadas no poder. Sempre polêmico. Discordei de muitos posicionamentos dele. Concordei em outros. Faz parte, isso é futebol. Era um pai que fez o possível e o impossível para defender sua família. Insurgiu contra a CBF. Seu twitter, nos últimos meses, só continha retweets de matérias contra Marco Polo Del Nero. Essa voz, de uma oposição ferrenha, se calou.

Fica a dúvida de como será o futebol catarinense a partir de agora. Afinal, 3 décadas não são 3 meses nem 3 anos. Uma mudança na Federação que teve um presidente por tanto tempo provoca aquela saída da zona de conforto.

O atual mandato vai até abril de 2019. É bom ressaltar que o estatuto da FCF praticamente inviabiliza duas candidaturas no processo eleitoral, já que exige assinaturas de um percentual de eleitores e ele tinha as ligas na mão. Certa vez, um presidente da liga de Brusque (que estava inativa e teve interventor nomeado recentemente) disse que ganhava bolas e diária de hotel em Balneário Camboriú para votar. Vamos concordar, o homem era bom de política. Há uns bons anos atrás, o ex-presidente do Criciúma Moacir Fernandes tentou montar uma chapa opositora. A ideia morreu na casca, já que as ligas definem o vencedor.

Para agradar os clubes e conquistar mais um mandato,  o "Dr. Delfim", como era chamado nos corredores da FCF, costurou bem as alianças. Do sul, se juntou com Antenor Angeloni, então presidente do Tigre, com quem se afinou muito bem, e colocou Rubens Angelotti, seu braço-direito no clube, como um dos vices. Do Oeste, trouxe Nei Maidana, ex-presidente da Chape. No Vale indicou Ericsson Luef, ex-diretor do Metropolitano e dono da empresa Hemmer, que acabou dando nome ao Estadual de 2015, aquele que acabou com tapetão e troféu roubado. Na capital, colocou o saudoso João Nilson Zunino, já ex-presidente do Avaí  e em complicado estado de saúde. Quando tomou posse, ele já não estava entre nós. Teve ainda Laudir Zermiani, o incansável presidente da Liga Joinvilense, único representante do futebol amador. Quando tirava licença, Delfim nomeava um deles pra sentar na cadeira de presidente. Chegou a ficar um bom tempo fora, esperando a brecha para assumir a CBF. Foi vítima de um golpe quando aconteceu a manobra para colocar o Coronel Nunes no lugar de José Maria Marin em uma das vice-presidências.

Mas em caso de vacância não há nomeação, assume o mais velho, assim como na CBF. Como Zunino faleceu, Rubinho vai assumir a presidência da FCF, dando aos clubes o comando do futebol estadual. O trágico acidente impediu que Delfim terminasse aquele que ele dizia ser seu último mandato ou indicasse um sucessor de sua confiança. Dentro do suntuoso prédio de Balneário Camboriú existem fieis escudeiros seus que poderiam muito bem ser indicados para assumir o comando daqui a três anos.

Os clubes, que também terão que se organizar na Associação, que era presidida pelo competentíssimo Sandro Pallaoro, terão dentro da FCF um presidente indicado por um dos seus, o que me dá a ideia, em um primeiro momento, de um estreitamento do contato e até, porque não dizer, de profundas mudanças dentro da Federação e uma gestão unida dos rumos do futebol em Santa Catarina. Essa visão me agrada bastante. Resta ver o que o novo presidente fará ao assumir o gabinete.

Tragédia à parte, apareceu uma oportunidade para uma guinada no futebol de Santa Catarina.


quarta-feira, 30 de novembro de 2016

A Chape vai se reerguer

A perda foi irreparável. Acho que todos estão sentindo com se tivessem perdido um irmão, um amigo, um ente querido. Mas assim como nas perdas familiares, todos devem, na medida do possível, tentar voltar à vida normal. É um processo até natural em qualquer situação de luto.

A Chapecoense se reerguerá, tenho certeza disso. Existem pessoas dentro do clube com capacidade, que podem trazer outros profissionais competentes. Uma das heranças deixadas por Sandro Pallaoro foi um clube sanado, com dinheiro em caixa, e com estrutura suficiente para ser bem tocado.

O clube perdeu a sua estrutura do futebol, aquela que colocou o time onde está hoje. Mas um saiu da Chape, passou por momento difícil e penso ser o momento ideal para a sua volta. João Carlos Maringá seria uma pessoa importante para essa retomada. Para quem não sabe, ele perdeu a esposa há alguns dias, vítima de câncer. Pode ser a oportunidade ideal para ambos retomarem a caminhada da vida.

É louvável a atitude dos outros clubes (e, segundo informações, já aceita pela CBF) de "blindar" o time do rebaixamento por três temporadas, além da ajuda para a remontagem do elenco. Atitude semelhante já está sendo ventilada no Estadual. Isso dá tranquilidade para uma reconstrução tranquila e bem estruturada. A Chape tem hoje uma das melhores divisões de base do Estado (venceu o jogo de ida da decisão do estadual de juniores contra o Criciúma. A volta seria nesta quinta, mas o jogo foi suspenso pela FCF), e ali há uma semente plantada com muitos valores (Hyoran, vendido para o Palmeiras, é um deles). Os jogadores que ficaram, como Rafael Lima, Boeck e Martinuccio, já garantem o início do trabalho.

Guardadas as proporções e circunstâncias, é como se o time fosse rebaixado. Muito clube faz uma revolução enorme no elenco. A Chape terá, forçosamente e de forma triste, que fazer isso. Mas dá, é possível. Com competência e o empurrão de um Brasil inteiro que torcerá por ele.



terça-feira, 29 de novembro de 2016

Nas alegrias e nas horas mais difíceis

O ano era 1999. Estava no início de carreira no rádio. Tudo era novo. A emissora botou eu e o Xirú, meu parceiro de tantos quilômetros, num carro alugado as 5 da manhã pra fazer um bate e volta pra Chapecó. Hoje não tenho mais saco pra isso, mas naquela época eu tava amando. Após a parada pro almoço no Barriga Verde (uma tradição), fui conhecer o famoso Estádio Regional Índio Condá, bem diferente do que ele é hoje. Ao entrar no campo, conheci o Picolé. Me saudou com um "e aí guri, tu és de Brusque? Vieram pra tomar quanto da Chape?". Dei risada.

Vi naquele jogo um cenário bem diferente do que é hoje. A partida foi morna. No intervalo, fizeram um amistoso Gre-Nal da criançada. Deu briga na arquibancada. Quem diria que uma década e pouco depois, esse cenário seria bem diferente.

No mesmo ano, Jogos Abertos em Chapecó. A rádio me mandou de ônibus pra lá. A Central de Imprensa era no piso superior da rodoviária. Lá tava o Picolé de novo. Junto, o professor Tadeu Costa. Criava ali um contato que nunca se encerrou. É incrível como esse pessoal nos recebia bem. Se faltasse alguma coisa, davam um jeito. E sempre rolava uma resenha a noite, depois da partida. Posso dizer que são grandes amigos.

No campo, eu vi o crescimento da Chapecoense, que chegou a ficar próximo a fechar as portas, trocando até de nome. Mas aquele rebaixamento mal resolvido foi a deixa para uma estruturação que levou o clube ao patamar onde se encontra atualmente. Meus amigos estavam eufóricos, viajando o Brasil a bordo da van do "Nene" ou de avião. Sim, essa turma da imprensa era tão unida que viajavam juntos.

A Chape virou o time mais querido do Brasil, pela forma como conquistou seus resultados, em uma cidade hospitaleiríssima dos seus 200 mil habitantes. É um clube organizado, sanado, com dinheiro em caixa. Todo jogador iria querer jogar lá, isso é fato. Resultado disso era a final da sulamericana e a provável ida a uma Libertadores, que coroaria esse sucesso. Quis o destino que isso não acontecesse, causando perplexidade mundial.

As vidas não serão mais recuperadas, mas a Chapecoense é grande e se reerguirá. Os clubes da Série A tiveram uma atitude louvável ao anunciar que colaborarão para isso e solicitando que a CBF garanta uma "Imunidade" de três anos na Série A. É correto, até porque esse processo não será rápido.

Grandes jogadores se foram. Alguns experientes e em boa fase, como Cléber Santana, como aqueles que conseguiram bons contratos em outros clubes.

Perdi grandes amigos.

Renan, um jovem brilhante, fizemos alguns trabalhos na RIC. Ficou noivo recentemente. Tava cheio de planos.

Douglas, o Piazinho, de tantas histórias e tantos Jogos Abertos nas costas. Sempre solícito, buscava até no aeroporto se precisasse.

Picolé, quem me recebeu no meu primeiro Jasc lá, onde o centro de imprensa era no piso de cima da rodoviária.

Galiotto, o italiano mais engraçado que eu conheci, temos várias histórias pra contar. Carinhosamente eu o chamava de "Haroldo", pois eu achava que a voz dele parecia com a do Haroldo de Souza.

Fernando, uma voz fantástica. Quando ele ganhou o prêmio Acaert lá em Joinville ( eu era um dos três finalistas), ele me abraçou e me disse "cara, tens um futuro brilhante".

Cléberson, que tava trabalhando no clube, sabia tudo de tênis de mesa.

Grande Giba, torcedor fanático que virou jornalista pra ser assessor do clube.

Djalma, brilhante cinegrafista da RBS, que encontrei ao acaso lá na praia do Siriú curtindo um descanso com a família.

Rafael, meu parceiro, força aí que você vai sair dessa.

Ano que vem tem Jogos Abertos lá. Falta um ano, mas já sinto que serão os 550 km mais doloridos que eu vou percorrer. Porque essa turma, que recebe a todos tão bem, não estará mais lá pra darmos muita risada.

Quero também mandar um abraço para a família do presidente Delfim. Todos sabem que tive minhas diferenças com ele no campo do futebol. Mas não passa disso.

E um grande abraço para todo o povo de Chapecó e para os familiares das vítimas. Nosso ano já acabou, será uma ferida que levará muito, mas muito tempo para sarar.







sábado, 26 de novembro de 2016

O rebaixamento do JEC virou realidade. Dolorido, mas merecido

Quando um time entra na última rodada dependendo de alguém pra não cair é sinal que muita coisa foi feita de forma errada e que há apenas um fio de esperança em uma situação muito grave. O rebaixamento do Joinville segue a regra: o time venceu o Vila Nova, mas o Náutico não teve time e tranquilidade pra ganhar do Oeste, que entrou com muito mais vontade no primeiro tempo, abriu 2 a 0, e provocou pânico em Pernambuco.

Tivesse feito um dos pênaltis contra o Bragantino, ou não amarelado contra o Goiás, ou marcado em algum outro jogo que deixou escapar os pontos de forma boba, isso não aconteceria.

Mas é bom olhar o que foi esse ano do JEC. Mesmo quando foi vice-campeão estadual, havia um certo alerta de que o time precisava ser qualifiicado. Aí começou um processo muito criticado. Julio Rondinelli ganhou carta branca do presidente Jony Stassum para trazer um caminhão de jogadores de qualidade duvidosa. Os resultados não vieram, E foi chegando gente. Trocaram de técnico, e mais gente veio... até jogador em fim de carreira. O fardo foi pesando e o rebaixamento, antes hipótese descartada, virou algo a se considerar.

O Joinville conseguiu perder a vaga na Série B para um Oeste que ficou quase TRÊS meses sem vencer uma partida. E foi merecido, diante de tanta coisa errada. Agora o time vai ter que construir todo um caminho de baixo, em uma chave complicada na terceira divisão, onde a regularidade não resolve, e sim um mata-mata cruel. O Fortaleza está aí pra comprovar.

Há anos digo que time que cai da B para a C tem que ser muito ruim. Não houve injustiça. Dói, mas o Joinville não merecia ficar na segunda divisão. É a realidade.


quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Sofrimento "Copero" que leva a Chape à final da Sulamericana

Conmebol
A Chape chegou lá.

Não fez o seu melhor jogo no ano. Mas chegou.

Chegou a uma decisão de Copa Sulamericana que surpreende a muitos, mas não àqueles que conhecem o trabalho sério do clube e, principalmente, o que esse time tem rendido nessa temporada.

Contra um time argentino, a Chape teve que sentir na pele aquela expressão "Copero". Pegou um San Lorenzo que não tem toda aquela qualidade, mas provocou e apertou muito, principalmente no início do segundo tempo, quando Caio Junior pôs o time a esperar o adversário de maneira perigosa. Tomou pressão forte.

A situação melhorou um pouco com a saída de Tiaguinho, nome importante contra o São Paulo que não apareceu com o mesmo brilho contra o outro santo argentino. A entrada de Lucas Gomes, num primeiro momento, e de Bruno Rangel mais a frente surtiu efeito, permitindo contra-ataques perigosos. Pesou o nervosismo e eles não foram aproveitados.

E Danilo apareceu mais uma vez para um milagre, coisa da Igreja de Condá (procure o perfil no twitter). Lá estava sua perna na hora certa, no lugar certo, para evitar o gol de um San Lorenzo desesperado. Todos ficaram sem voz. E veio o apito final.

O Verdão do Oeste supera mais uma barreira na sua caminhada rumo ao incerto. Ninguém sabe o que o futuro reserva para esse clube que vive surpreendendo. A final vem aí, e o time sabe que não poderá jogar em Chapecó, nem dentro de Santa Catarina (nisso ainda temos em falta), contra um adversário complicado, que poderá ser o Cerro ou o Nacional campeão da Libertadores, que está a dias de ir para o Japão encarar o campeonato mundial. É uma barreira a mais que pode ser ultrapassada. É necessária uma concentração muito maior, até porque a atuação desta quarta foi a pior da última sequência.

Mas quem já chegou até aqui, não pode se surpreender com mais nada. É tirar as lições dessa classificação, descansar e ir "para o pau", sob a bênção de Condá.


sábado, 19 de novembro de 2016

Avaí na Série A: um acesso que vale livro com muitos personagens

Ah sim, esse acesso vale livro. Ou um documentário. No mínimo uma reportagem bem extensa.

Vamos voltar um pouco no tempo? A contratação do "estagiário" Marcelo Gonçalves. A renúncia de Nilton Macedo Machado. A campanha vergonhosa no Estadual. Atraso de salários. Protestos fortes. Era uma temporada que dava medo.

Com 23 pontos, o Avaí terminava o primeiro turno na 15a. colocação, com oito derrotas em 19 jogos. Atrás até do Oeste de Itápolis. 16 pontos atrás do Vasco. Levante a mão quem (realmente) acreditava que o time chegaria à última rodada em segundo, com o acesso garantido.

Aconteceu, em um jogo casca grossa. O Leão pegou um bom time do Londrina, que teve seu segundo melhor público na Série B e que ficou perto do acesso. Jogo nervoso que foi vencido com a estrela de Diego Jardel, que em determinado chegou a ser afastado do elenco, lembra?

 A reviravolta histórica, talvez única, tem muitos personagens. Vai desde o goleiro Renan, o melhor do Estado (que veio depois da negativa de Ivan, lembra?), que salvou a pele do time inúmeras vezes, nas horas boas e ruins, passando pela liderança de Marquinhos, que ajudou a segurar a barra do elenco com os problemas financeiros e indo para o sacrifício ao campo para fazer o que sabe, bem feito, até a chegada de Claudinei Oliveira, que conseguiu fazer o time jogar bem e tirar o máximo do grupo de atletas, muitos com atuações discretas em outros clubes, que viraram peças importantes que chamarão a atenção do mercado.



Mérito também para Joceli dos Santos, um cara espetacular, com história no clube, que assumiu o barco pegando fogo em uma crise enorme para fazer o time ser vencedor. Mostrou também que o fator "da casa" não pode ser desprezado. Tantos vieram de fora cheio de nome e com resultado zero (como Gonçalves, o ex-zagueiro que muito falou e pouco fez), e a melhor pessoa estava ali, pertinho. Também é uma vitória do presidente Battistotti, que assumiu o clube depois da renúncia de Nilton Machado sob uma grande desconfiança de que não daria conta do recado. Eu fui um deles. Me penitencio e o parabenizo por aqui e, se um dia for possível, farei isso pessoalmente.

Teclo desde Florianópolis, onde vim passar o final de semana, e vi o torcedor avaiano voltar a sorrir, depois de tanta pancada. Foguetório, carreata, camisas na rua... o clima é outro. O que vai ser da Série A no ano que vem não sabemos, há muito o que fazer, principalmente para organizar o orçamento, pagar o que é devido e, principalmente, se manter no topo em 2017.

O segundo semestre mostrou que o caminho avaiano foi corrigido. Agora é hora de comemorar. Semana que vem dá pra começar o planejamento.

Parabéns Avaí. Uma volta por cima sem igual. Um acesso brilhante.




sábado, 12 de novembro de 2016

A trágica semana do JEC. Rebaixamento é iminente

Jornal O Popular
A semana mais tensa dos últimos tempos em Joinville (se não foi a pior em 40 anos de história) terminou hoje com a pior das notícias: o Oeste de Itápolis, sem vencer há 15 partidas, arrancou um empate aos 52 do segundo tempo em Pelotas, abrindo quatro pontos de distância para o tricolor e praticamente selando sua permanência na Série B.

Pra quem empatou com o Bragantino perdendo dois pênaltis e perdeu para o Goiás após estar vencendo por 2 a 0, isso é castigo divino.

O torcedor joinvilense sofre, mas tem na cabeça que, se o time cair, vai ser merecido. O campeonato abriu várias portas, deu inúmeras chances escancaradas para o time sair dessa, mas o JEC não aproveitou, esbanjando incompetência.

Não há desculpa pelo resultado em Goiânia. O time vinha se comportando bem até a expulsão imbecil de Reginaldo. Depois disso, apareceu outro problema sério, que está fora do campo. Não tenho nada contra a pessoa de Ramon Menezes, que foi um brilhante jogador. Mas o clube errou feio em trazer um técnico sem culhão para um momento tão crítico. Deu no que deu. Ele se encolheu, botou o time para se retrancar e não conseguiu equilibrar quando o Goiás também ficou com 10. Futebol é coisa séria, e briga contra rebaixamento não é coisa pra estagiário.

Agora, só milagre.  Vencer Oeste e Vila Nova, e contar com uma derrota do time paulista em Recife na última rodada.

Se cair, e tudo indica isso, vai ser merecido. Problemas na organização, montagem de elenco... A vergonha de cair da A para a C vai ser grande.

E que ninguém diga que "a Série C não é o fim do mundo". Pra quem cai, é sim. Sem exposição, sem TV, cotas quase inexistentes, classificação por mata-mata.... É horrível.


Avaí na porta do elevador, com o brilho de Marquinhos

Alceu Atherino /Avaí FC
O Avaí venceu a decisão contra o Náutico jogando da forma que o manual manda: indo pra cima, buscando a iniciativa e mostrando quem é que manda. No comando da nave estava um Marquinhos inspirado e descansado, depois de uma folga do jogo em Barueri que se mostrou muito útil. Desequilibrou e não deu brecha pro adversário reagir. O Náutico pode até reclamar de arbitragem, mas nada fez para reverter o cenário altamente desfavorável.

O Leão abre cinco pontos do quinto lugar e pode confirmar o acesso semana que vem, em Londrina. Em um jogo "casca-grossa" como esse, era determinante que um diferencial aparecesse. Apareceu.

Agora é o foco para o jogo do acesso. Até um empate pode ser negócio, dependendo do Bahia e do próprio Náutico. Mas o time tem a tranquilidade de jogar no Paraná sabendo que terá, dentro de casa, a chance de carimbar de vez um acesso altamente provável. E o melhor de tudo: jogando bem, melhor que Vasco, Bahia... talvez abaixo apenas do Atlético-GO, que joga, de longe, o melhor futebol.

Vai ser uma semana de muita expectativa para o torcedor avaiano, à medida que a hora do "match point" está chegando.