domingo, 8 de abril de 2018

Figueirense cala a Arena Condá, com a cabeça no lugar e nas mãos de Denis

Toda e qualquer final em jogo único tem ingredientes próprios que vão além da disputa ter metade do tempo do usual. Toda a caminhada de 18 partidas se resume em 90 minutos. Uma bobeada, um chute desviado, uma falta maldosa ou até mesmo a falta de cabeça podem ser fatais.

No caso da Chapecoense, o psicológico pesou. O Figueirense entrou em campo com a cabeça no lugar, sabedor da responsabilidade do outro lado, e foi melhor, pelo menos, nos 35 minutos iniciais. Lá, o jogo já estava 1 a 0, com o Figueira tocando bem a bola e controlando a partida. Como era de se esperar, o desespero virou abafa, e a receita era segurar. Embaixo da trave estava Dênis, que deu conta do recado e até contou com estrela, na falta de Canteros que explodiu na trave. Com o contra-ataque exposto, abriu-se o caminho para Maikon Leite, colocado por Milton Cruz na reta final do jogo exatamente para isso, tocasse na saída de Jandrei para sacramentar o título.

A Chape foi para a final com números fortes: eram treze jogos sem perder, com gols marcados nas últimas sete partidas. Dênis quebrou essa sequência. O Figueirense foi a campo bem armado, tranquilo e conhecendo bem o adversário. Não é novidade que Jandrei gosta de ficar adiantado, uma vez que a saída de bola começa com ele muitas vezes. Na roubada que originou no gol de Ferrareis, ele estava na marca do pênalti e foi recuando. O jogador do Figueira foi esperto e arriscou. O goleiro se atrapalhou, e o time que já estava pilhado em excesso estourou o medidor.

O grande nome deste título do Figueirense foi Milton Cruz. Já lá no começo do campeonato chamava a atenção pelo fato de ter um time bem arrumado. Perdeu um pouco do gás na reta final, é verdade, mas deu mostras de ter o elenco nas mãos. Tanto que foi melhor preparado para a decisão, contra um adversário que carregava números dignos de um superfavoritismo.

O jogo em si não foi o melhor em emoção. O campeonato em si teve regulamento criticado. Mas ele estava ali e a situação da decisão estava escrita. Parabéns a quem foi mais eficiente dentro dos noventa minutos que realmente valiam. Parabéns ao Figueira.


sábado, 7 de abril de 2018

Os micos do Campeonato Catarinense 2018

Chegou a hora de uma tradição do Blog.

 Na véspera da decisão, o BdR divulga a sua lista dos micos do Catarinense 2018. Tem de tudo, de troféu feio, caça corneta e até carro maca empurrado. Esse foi um ano repleto de ocorrências, e todo um trabalho meticuloso de seleção teve que ser realizado para escolher o top 10. Vamos á lista!



10 - Cobertura da NSCTV - Depois de conseguir comprar o campeonato pela pechincha de R$ 5,3 milhões, 40% a menos do que o ano anterior, ficou a curiosidade sobre a qualidade da cobertura da afiliada da Globo sob nova direção no Estadual. O resultado foi bem decepcionante. Transmissões sem graça com narrador e comentarista trancados no estúdio (até em jogos em Florianópolis) e, por consequência, sem atratividade. Pelo menos em três transmissões que acompanhei, a empolgação da equipe, em um som baixinho de ambiente, deram sono. A estratégia foi tão ruim que, na confusão de Figueirense x Avaí, Cleiton César não conseguia informar direito o que estava acontecendo por não estar no local e ficar limitado ao quadrilátero da TV. De repente um acadêmico recém-saído da faculdade pode ter boas ideias e coordenar melhor esse departamento. Só olhar o que os vizinhos do RS fizeram.

9 - Premiere vende pacotes, sem ter os direitos: Alegando dificuldades financeiras, o Premiere não fechou acordo para a transmissão do catarinense em Pay-per-view, vindo a despertar a criação do FC Play no returno. Mas, mesmo sabendo disso, a emissora colocou nas redes ações de venda de pacotes. Muita gente cancelou pacote. Essa negociação até hoje não foi bem esclarecida.






8 - Hino do Hercílio Luz no Estádio do Tubarão: o cara que cuida do sistema de som do estádio Domingos Gonzales, em Tubarão, é louco e não tem amor pela vida. No jogo contra o Brusque, pelo primeiro turno do Estadual, o cidadão saudou a chegada tocando no sistema o hino... do Hercílio Luz. Para comprovar que ele estava fora de si, depois das vaias, tocou... o hino do antigo Tubarão Futebol Clube. Consegui ver da cabine ele sendo cumprimentado pelos torcedores.

7 - Carlos Alberto, a furada do ano: em Brusque x Concórdia, o inoxidável Carlos Alberto foi protagonista de uma cena histórica. Ao tentar um cruzamento pela direita, Carlinhos foi com vontade demais na bola e acabou cometendo um furo histórico que correu o mundo. Boa praça do jeito que é, ele deu risada da própria desgraça. Como o time ganhou o jogo, tava tudo certo.

6 - Sportv passa o Catarinense de graça - Que a SC Clubes nunca foi um modelo de organização, principalmente no assunto direitos de transmissão, isso ninguém discute. São campeões em pataquadas e já tomaram até processo milionário por causa disso. Esse ano, inovaram: deram à FCF a procuração para fechar contrato com a Globosat para exibir cinco jogos do catarinense totalmente de graça, sem dar um centavo para clube algum. Desses cinco jogos, o Sportv só passou quatro. O último, entre Concórdia x Figueirense, só foi exibido na internet por falta de interesse. Considerando que a TV Aberta teve redução substancial de cota e a TV Fechada foi gratuita, o ano foi de uma das menores arrecadações em direitos para os clubes.

5 - O torcedor é leigo - Mico para o volante Michel Schmoller, do Joinville, que conseguiu aumentar ainda mais a raiva do torcedor tricolor. Após o empate com o Tubarão, na Arena, Michel foi entrevistado e tratou de dizer que torcedor não tem conhecimento para reclamar: "Quem tá fazendo isso, são pessoas leigas no assunto. Não vou falar a palavra do português correto porque fica feio. Eu sinto pelo futebol ter esse tipo de torcedor. Quem entende de futebol sabe que jogar com um a menos é difícil. Eu fico triste por torcedores que são leigos no futebol". No mesmo jogo, o técnico Rogério Zimmermann, que acho que tem parafuso a menos, chamou torcedor para a Briga. Foi demitido dias depois.

4 - O regulamento: O mais engraçado sobre a questão do malfeito regulamento do Catarinense 2018 é que, depois de toda a comprovação do fracasso, ninguém quer ser o pai da criança. Pior: o diretor jurídico da FCF, Rodrigo Capella, já encontra caminhos legais para justificar uma mudança de regulamento no ano que vem. E teve mais: a Federação, sabedora que a Chapecoense teria Libertadores para jogar, colocou o time do Oeste para atuar três vezes em cinco dias, contrariando o regulamento que ela mesma publicou. Todos concordam que essa fórmula não deu certo. E não foi por falta de aviso lá no ano passado.

3 - Os caça-cornetas: Esse é o ano do JEC na lista. Eis que o clube teve uma "brilhante" ideia para perseguir os torcedores revoltados que desferiam a sua ira sobre o time, que só se recuperou no campeonato na reta final. Em uma conversa com a imprensa, o então gerente de futebol Carlos Kila revelou que o Joinville iria colocar câmeras nos jogos para filmar a torcida, com o objetivo de detectar os mais exaltados e convidar para uma conversa. O serviço chamado de "caça-corneta", pegou mal, como não poderia deixar de ser, e a diretoria tricolor teve que desmentir a toque de caixa. Kila seria demitido dias depois, junto com Rogério Zimmermann.

2 - O carro-maca: Quando a fase não é boa, até o carro-maca ajuda a conspirar. Na partida contra o Avaí, na Arena, o veículo que serve pra transportar os lesionados atolou no meio do gramado. Apressados por causa do tempo (o jogo terminou 2 a 0 para os visitantes), os jogadoes ajudaram a empurrar o carrinho pra fora. A cena viralizou e ficou marcada como mais um momento da era Rogério Zimmermann no clube.


1 - O troféu: Estaduais por aí tem taças bonitas, naquele formato tradicional, que chamam atenção na sala de conquistas. Aqui em Santa Catarina, tudo tem que ser diferente: a Federação entrega ao patrocinador do campeonato o direito de confeccionar o troféu, e corre o risco de acabar tendo que entregar um souvenir ao invés de uma taça. Já tivemos carro de plástico, Policial de ferro, tampa de pepino e estátua da liberdade. O desse ano é mais uma obra prima: uma estrela de acrílico confeccionada pelo Angeloni, que recebeu apelido de "troféu de funcionário do mês". Com certeza, um item de mal gosto que não diz jus a um título de campeão estadual. Só dar uma olhadinha nos troféus dos outros estaduais. Pelo amor de Deus, né!

domingo, 1 de abril de 2018

Não é só a Fórmula: o Campeonato Catarinense precisa de muito mais

Neste sábado, na abertura da última rodada do campeonato catarinense, oitenta e poucas testemunhas estiveram no Estádio Municipal de Concórdia para assistir o time da casa contra o Figueirense, jogo que não valia absolutamente nada. Recorde negativo e histórico da primeira divisão.

Não dá pra colocar só a culpa na fórmula, apesar dela ser um fator importantíssimo, sendo aprovada pelos clubes com o aviso de muitos que iria dar problemas com interesse nas últimas rodadas. A média vai despencando, e vai dar uma segurada com os 20 mil previstos para o jogo único da decisão. É até engraçado: ninguém quer ser o pai da criança de uma fórmula mal feita e o diretor jurídico da FCF, que é remanescente da antiga gestão, já busca um jeito de agir, dentro da lei, para mudar o regulamento do ano que vem.

O caso de Concórdia meio se explica por outros fatores: a cidade historicamente prefere futsal a futebol (em algumas cidades do Oeste isso é muito forte. Joaçaba, por exemplo, que é um pólo regional, resolveu até demolir o estádio), e isso reflete na própria sustentabilidade do negócio futebol. O time já estava mal, caiu, tempo ruim, transmissão ao vivo na internet, pessoal não vai mesmo.

O Campeonato Estadual em si foi um fracasso de divulgação, mesmo com a SC Clubes enchendo o peito por causa do FC Play, que pagou o preço dos problemas técnicos (particularmente tive dois, com um Hercílio x Brusque que perdi o segundo tempo e uma quarta-feira que o suporte me deu a senha aos 40 minutos do segundo tempo de JEC x Figueirense) e uma rentabilidade bastante questionável. Que divulgação usaram pra divulgar o serviço? Apenas as redes sociais dos clubes. Nem uma placa, nem o espaço publicitário que eles tem direito por contrato na detentora dos direitos.

Duvido que serão divulgados os números reais das vendas dos pacotes. Fonte do Blog informa que os números foram bem preocupantes. Um dirigente de clube ouvido por mim disse ter medo de ter que "pagar a conta" das vendas que acabaram não se concretizando. Uma transmissão só não é barata. Imagine então três, quatro, por rodada. A ideia é excelente, eu usaria outro formato para capitalizar mais. Mas faltou divulgação melhor do FCPlay.

A detentora dos direitos, que conseguiu comprar o campeonato pela pechincha de 40% de desconto em relação ao ano passado, pouco fez para divulgar seu produto. Apenas um VTzinho de "vá ao estádio" veiculado em alguns breaks nas afiliadas regionais. Apenas como comparação, a RBS, que pagou muito mais pelos direitos do Gauchão, fez cobertura bem mais ampla. Não havia repercussão: muitos jogos no interior não tinham sequer repórter para "fechar um VT" sobre a partida. O programa diário não trazia matérias aprofundadas. As transmissões, um capítulo a parte, foram fracas, com narrador e comentarista presos no ar condicionado do estúdio mesmo em jogos na Capital, em uma transmissão fria, com qualidade técnica abaixo das transmissões da Globo em SP e RJ, que não convidava o torcedor a permanecer vendo o jogo. Cleiton César que o diga, ficando sem muito o que falar na confusão em Figueirense x Avaí, já que seu ângulo de visão estava limitado às 40 polegadas do monitor que estava a sua frente. Se estivesse na cabine, com certeza conseguiria trazer muito mais detalhes do que estava acontecendo. Mora em Chapecó e pegava um avião pra ir a Florianópolis transmitir um jogo que acontecia perto da sua casa.

Tem também o troféu, uma peça publicitária sem graça que faz nosso catarinense passar vergonha diante do que será dado ao campeão em outros Estados. Aqui, o erro é da Federação, que deixa o patrocinador fazer o troféu e tem que aceitar estátuas, tampas de pepino e, agora, uma estrela de plástico. Não sei por que é tão complicado fazer um troféu bonito, que tenha destaque em uma sala de troféus. O nome do patrocinador pode ser colocado em um selo na base.

O Campeonato Catarinense 2018, como produto, foi isso: começou com pompa e um discurso revolucionário. Terminou com fracasso de público, todo mundo criticando a fórmula e louco pra que acabe logo.


* Observação: Fonte do Blog diz que o argumento oficial da coordenação de esportes da NSCTV para os offtubes no Estadual é a segurança técnica para evitar algum problema, o que é uma tese que não se sustenta, pelo fato do narrador poder ser traído por um erro do Diretor de TV, coisa que aconteceu recentemente em um jogo do Vasco pela Libertadores, onde o corte saiu errado e o narrador ficou em fria. A verdade é que se faz uma economia burra, que prejudica o próprio produto, dando resultados negativos no Ibope. 

sexta-feira, 16 de março de 2018

Qualidade, classificação e dinheiro no bolso

Ao ligar a TV para ver Avaí x Fluminense, pensei: lá vem o Flu pra pressionar feito louco e deixar o contra-ataque aberto. Isso não aconteceu. Aliás, nem parecia que o time do Abel Braga precisava vencer para avançar na Copa do Brasil. Isso tem que ser creditado à forma que o Avaí se postou em campo, mesmo com dez jogadores (Getúlio errou ao dar um bico na bola com lance parado, mas sua reclamação procedia, ele não estava em impedimento) e se classificou vencendo.

Sobrou entrega ao time avaiano. Claudinei Oliveira acertou nas alterações e foi premiado, quando Lourenço, que havia entrado poucos minutos antes, fez o gol da classificação e da tranquilidade azul. E olha que a vitória poderia ser maior.

Enquanto isso, o presidente devia estar sorrindo de orelha a orelha. A classificação lhe garantiu, até agora, mais de R$ 4 milhões acumulados com a chegada na quarta fase da Copa do Brasil, o que, somando aos R$ 6 milhões da cota de TV mais patrocínios e outras rendas, em uma ótima condição de caixa para o Brasileirão. (e muuuito mais dinheiro que a paupérrima cota do campeonato catarinense). Dinheiro que ajuda e muito na qualificação do elenco para tentar o acesso.

Entendo que o Leão não tem mais o que almejar no Campeonato Estadual e não precisa mais se preocupar com ele, onde poderá fazer testes. A meta é chegar nas oitavas da Copa do Brasil, o que renderá mais uma grana boa. O sorteio é na segunda, e no pote há tanto times complicados quanto totalmente possíveis de avançar.




quinta-feira, 15 de março de 2018

Figueirense joga muito nos 90 minutos, mas acaba eliminado por Victor

Bruno Cantini / CAM
É complicado falar que o Figueirense foi eliminado "de cabeça erguida", porque a "não-ida" para a quarta fase da Copa do Brasil acarreta em quase 2 milhões de reais que não entram para o clube. Mesmo assim, o time jogou muita bola contra um adversário de Série A. Foi pra cima, buscou fechar espaços, e fez o Atlético tocar a bola de um lado para o outro atrás de uma brecha no bem postado time alvinegro.

No final, a eliminação veio pela circunstância. Não tem mais gol qualificado, e pela frente estava um dos maiores goleiros do país. O aproveitamento tinha que ser excepcional. Não deu e vida que segue.

Continua a boa impressão que temos do trabalho de Milton Cruz no início de temporada. Pode até parecer um contrassenso usar o termo "boa impressão" se o time ocupa a segunda colocação no Estadual e perdendo apenas um jogo, para o Galo, na temporada. A questão aqui é que o objetivo principal está na Série B, onde vale o acesso, em um campeonato desgastante. O caminho para a formação do time é correto e está bem encaminhado. Mas sempre há espaço para evoluir.

Em BH, o time fez tudo certo, nada que tenha que ser reparado nos 90 minutos. Um partidaço. Mas nos penais, não dá pra bater mal contra Victor. Esperava mais do próprio Jorge Henrique, que tem experiência em qualidade de chute. Mas estaria comentendo uma injustiça gigantesca ao criticar quem participa de uma disputa de pênaltis. É a vida e isso é o futebol.






sexta-feira, 9 de março de 2018

Cenário da decisão vai se definindo. Avaí vai perdendo em casa a chance de encostar

O regulamento maravilhoso do Campeonato Catarinense vai fazendo com que os dois finalistas, que decidirão o título em apenas um jogo, possam ser praticamente conhecidos no próximo final de semana. Bastará a Chapecoense vencer o Joinville (onde não perde desde 2012) e o Figueirense vencer o Avaí, que teremos apenas uma disputa pelo mando de campo. Lá embaixo, no rebaixamento, pode demorar um pouco mais para se definir, mas os números de Concórdia (4 derrotas seguidas) e Inter de Lages (2 pontos nos últimos 15 disputados) não definem, mas encaminham o cenário.

Mas o personagem principal da rodada foi o Avaí e sua incrível inconstância. Depois de uma grande vitória em Joinville e sabendo do empate do Figueirense em Brusque, o time perde mais uma vez para um pequeno dentro de casa, em uma noite que o goleiro do Hercílio pegou tudo e a defesa falhou no gol de Marrone. É uma loucura: o time de Claudinei Oliveira é o melhor visitante do campeonato, mas é o terceiro pior mandante, à frente apenas de Criciúma e Concórdia. O time fez um ponto em casa em nove disputados contra Concórdia, Tubarão e Hercílio. Aí, não merece ir a final mesmo e a reclamação do torcedor procede com toda a justiça. Se o time consegue o mais difícil, que é produzir bem fora, não tem que classificar sem fazer a tarefa de casa.

Se a cabeça no clássico com o Figueirense prejudicou, não sei. Mas não deveria.

O Figueirense também foi mal. Enfrentou um Brusque que busca se organizar com o campeonato andando. Teve 15 minutos iniciais onde ditou o ritmo, e conseguiu uma baita jogada (a única na partida) de contra-ataque onde fez o gol com Henan. Depois viu o Brusque de Pingo reagir, acuar o Figueira no fim do primeiro tempo (Ferrareis teve que cair pra esfriar o abafa) e continuar pressionando no segundo, sem que o time esboçasse reação. O Brusque mereceu o empate e, se vencesse, não seria nada injusto. Resultado: perdeu a liderança para a Chapecoense, que mesmo não sendo invicto (perdeu um jogo com os reservas e o goleiro titular, Jandrei, não tomou gol ainda), lidera o campeonato.

Nesse regulamento de pontos corridos com repescagem, o Figueira teve mais sorte que juízo que o Avaí bobeou de novo dentro de casa. Deverá ir para a final, até porque seu rival é irregular e o Joinville, que é quarto, não tem time e treinador pra chegar junto.

Logo, na semana que vem, no máximo, teremos jogos inúteis apenas para cumprir tabela.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Argel é chamado pelo Criciúma pra fazer o que sabe

Esse namoro demorou pra virar casamento. Após anúncio, ruído de comunicação, desmentido, proposta de reconciliação e o anúncio oficial, foi um tempo. Enquanto isso, o Criciúma seguia com técnico interino em busca de dias melhores. Cada vez mais pressionada, a diretoria traz Argel Fucks com a missão de fazer o que o treinador sabe fazer bem (e odeia que falem sobre isso): apagar incêndio.

E além de agir como bombeiro, cria uma fina cortina de fumaça para dar um tempo de alívio ao presidente Jaime Dal Farra, que enfrenta ferozes discursos pedindo a sua saída. Para isso, gastou uma boa grana para trazer o técnico. Muitos torcedores queriam. Talvez, o método "Vamo lá, porra!" dele sirva para mexer um elenco que claramente tem carências. Mas talvez o chacoalhão sirva para, pelo menos, deixar o Tigre longe da zona de rebaixamento no Estadual. Sem chances de título estadual e humilhantemente eliminado em casa para o Cianorte na Copa do Brasil, a sua missão é conquistar pontos suficientes para não cair e focar na Série B, que começa em abril.

Argel é assim. Tem quem gosta dele, tem quem não gosta. Suas coletivas são cheias de frase de efeito. Tem torcedor que ama isso. Eu não contrataria para o meu time, mas admito que, em um mercado limitado a essa altura do campeonato e com o time jogando mal, a saída encontrada pelo Criciúma não é errada. Apesar de investir em um técnico mais caro e perder poder para contratações, um rebaixamento pode ser muito pior.

E que venham as impagáveis coletivas.




terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

A Caça aos Corneteiros

A notícia é, no mínimo surreal. O Joinville vai colocar uma pessoa para filmar as arquibancadas nos jogos do clube para identificar os torcedores mais exaltados (os corneteiros de primeira linha) para identificá-los e convidá-los para uma reunião com o Departamento de Futebol, a fim de esclarecer o que todo mundo já sabe, das dificuldades diante do baixo orçamento do clube.

Sou bem pé no chão quanto à campanha do JEC no Estadual: sem grande expectativa, o objetivo principal do time é a Série C que começa em abril. Há troca de diretoria e a necessidade de engordar o caixa. Além do mais, a montagem do time e os resultados mostram que o tricolor não tem condição de ser campeão estadual. Mas se a prioridade é o Brasileirão, basta não cair que tá tudo certo.

Mas a ideia de monitorar torcedor, não por causa de violência ou desordem, mas para ver quem critica o clube (e paga ingresso ou mensalidade para isso, dentro do seu espaço) é de uma infelicidade tremenda. Aliás, a semana foi de descontrole, com o técnico Rogério Zimmermann se estressando com torcedor e o meio-campo Michel Schmoller, que não começou ontem no futebol, dizer que torcedor não entende de futebol. Pelo amor, vocês são profissionais e sabem como a coisa funciona! O que melhora no ambiente em provocar um torcedor já ferido com temporadas de más notícias? Isso só aumenta a cobrança sobre um time que, mesmo com orçamento limitado, precisa reconhecer que errou nas escolhas, como Evaldo e Dick, só pra citar dois jogadores.

Espero que voltem atrás dessa ideia infeliz. Que já tem repercussão altamente negativa na cidade.


segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

E vem aí o Catarinense pela Internet. Desafio maior é ser rentável

O teste aconteceu no domingo e a iniciativa começa pra valer no dia 4. A Associação de Clubes resolveu transmitir o campeonato em formato pay-per-view com preço bem convidativo.

Não é inédito, mas é ousado. Tenta implantar acesso pago para jogos do Catarinense. Outros estaduais tem transmissões, porém gratuitas e abertas ao mundo.

Não assisti os jogos, mas pelo que pude acompanhar, o produto é bem entregue. Já tive o prazer de trabalhar com a produtora responsável, a Primer, em transmissões que fiz na época da RIC Record. Ali tenho certeza que tá tudo certo. No pacote, a produtora escalou um time de narradores, comentaristas e repórteres da capital, que terão bastante trabalho. No quesito imagem, acho que não haverão problemas. Uma sugestão que deixo é disponibilizar as partidas on demand, pra quem quiser assisti-las em outro horário.

Os preços são bem convidativos, a R$ 9,90 por jogo e R$ 49,90 pelas oito rodadas finais do campeonato. O valor é até simbólico perto do que o Premiere, por exemplo, cobra (aqui no sistema que assino são 64 reais mensais).

Mas tenho uma preocupação grande sobre a rentabilidade deste modelo. Considerando que um jogo tem um custo de produção de aproximadamente 13 mil reais (partidas no Oeste esse valor aumenta por motivos óbvios), essas transmissões precisariam ser bem vendidas.

Vamos a um exemplo. A ideia, divulgada pelos promotores, é de transmitir todos os jogos do campeonato, o que é bem ousado e muito legal, partindo do ponto que todos poderão, enfim, ter acesso ao campeonato todo. Vamos supor então a transmissão de uma partida entre Concórdia e Internacional de Lages, no Oeste, com um deslocamento caro para uma equipe de transmissão. Partindo do preço de quase 10 reais por ponto, seriam necessárias 1300 assinaturas para cobrir o custo de transmissão. Considerando que o Inter, no último jogo, colocou 780 torcedores no Estádio e as médias dos clubes menores do estadio giram em torno dos mil pagantes, teria que haver um esforço gigantesco para conseguir bater a meta para pagar os custos de transmissão. E isso que não estou falando em dinheiro sobrando para os clubes.

É um modelo muito bom, mas é caro. Considere-se ainda a "pirateabilidade" do sistema ( afinal, vivemos no Brasil, onde o número de assinaturas de cabo cai na mesma proporção que sobe o número de "gatos") e as dificuldades conhecidas da estrutura de internet em Santa Catarina, onde nem mesmo as grandes cidades escapam de empresas que prometem uma banda e entregam 10 ou 15% dela (quem não tem fibra ótica em casa pode ter problemas). São desafios a serem superados.

Você pode perguntar: mas Rodrigo, você acha o modelo revolucionário, mas vê problemas nele a ponto de não dar certo? Longe disso. Tudo o que venha a acrescentar e render uma boa grana aos clubes é bem-vindo. Mas imagino que a Associação tenha colocado tudo na ponta do lápis para ter um produto rentável. Eu faria diferente, usando o poder do Youtube e das ferramentas de monetização, além do alcance mundial, para transmitir e difundir o campeonato em plataforma global, com uma grande preocupação comercial em ter cotas de patrocinadores que bancariam o investimento em uma plataforma aberta, em servidor altamente confiável, com acesso fácil em Smart TVs. Foi isso que fizeram Atlético e Coritiba nos clássicos do último campeonato paranaense.

De toda forma, torço pra que dê certo. Não vai ser fácil vencer uma resistência comum a produtos inéditos, mas o mercado está aí para ser conquistado.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

A polêmica da liberação da Arena Condá: porque não há critério único?

O problema que a Chapecoense enfrenta com a liberação da Arena Condá é exatamente a mesmo que o Joinville passou há exato um mês, na véspera da estreia do campeonato contra o Brusque: por causa de uma série de exigências, e principalmente o levantamento de uma barreira de acrílico bem alta, a Polícia Militar não quis liberar público.

No caso joinvilense, uma reunião com o comando em Florianópolis, com a presença de deputados e um aperto de mão fotografado, o estádio foi liberado e está recebendo torcedores normalmente.

Agora, a três dias do jogo Chapecoense x Avaí, depois da Arena Condá ter recebido até partida da Libertadores, vem de novo a tal da exigência do acrílico. A FCF teve que obedecer a ordem do órgão de segurança e vetou público no jogo.

As Arenas Condá e Joinville são novas, recém-reformadas e tem suas arquibancadas construídas de uma forma praticamente igual aos estádios de Copa do Mundo. Sem cerca, sem acrílico, sem alambrado.

Da mesma forma, o Augusto Bauer, o Municipal de Concórdia, os dois de Tubarão, só pra citar estes, tem uma configuração que permite, por exemplo, que objetos sejam jogados no gramado com tanta facilidade quanto seria em Joinville em Chapecó. Mas lá ninguém reclamou disso.

A perguntas principais são: por que isso? Por que não há uma igualdade nas exigências, seja para os estádios mais antigos ou mais modernos? Por que o Maracanã ou a Arena Corinthians não tem esse tipo de proteção e aqui é necessário a ponto de interditar estádio?

Não dá pra entender e, mais uma vez, nosso futebol perde de novo com mais esse desgaste.


quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Figueira e Chape, um jogo de baixíssimo nível

Luiz Henrique / FFC
Depois de tanta expectativa, Figueirense e Chapecoense fizeram um dos piores, se não o pior, dos jogos do Campeonato Estadual. Daqueles que foram transmitidos pela TV, foi o pior com toda a certeza.

O tipo da partida que ninguém quis se expor. O tempo foi passando, a paciência esgotando, e ninguém queria nada com nada. No final da partida, a Chape ainda tentou empurrar a marcação do Figueira e tentar alguma coisa. Sem qualidade. Sem nada que animasse o torcedor, que até foi em bom número considerando o horário.

O campeonato tem tudo para ser polarizado entre os dois. Aqueles que estão na tabela não conseguem engatar uma arrancada. O Avaí, mesmo sem a intenção declarada de título do treinador, já perdeu cinco pontos "imperdíveis" em casa para Concórdia e Tubarão e poderá perder mais terreno se for derrotado hoje pelo Brusque. Já o Joinville, vive de uma sina que o persegue desde o ano passado, com boa campanha em casa (tem 100% na temporada) e decepcionante fora (só venceu o Itabaiana pela Copa do Brasil. De resto, só derrotas). Ontem, deu gás ao lanterna Criciúma que precisava dar um alívio na crise.

O preocupante nisso tudo é que o nível técnico do Estadual como um todo é muito baixo. Restando menos de dois meses para o início do Brasileirão, fica a preocupação de que todos, sem exceção, precisam evoluir muito.


domingo, 11 de fevereiro de 2018

Cadê o sorteio de arbitragem?

Advertido por um leitor atento do Blog, fui assistir à uma das "Audiências Públicas" que estão no site da Federação Catarinense de Futebol para anúncio das arbitragens para as rodadas do Estadual.

Uma delas você pode acompanhar aqui:
https://www.facebook.com/FederacaoCatarinenseDeFutebol/videos/858859250951644/

Note que não há sorteio de arbitragem, algo que existia há tempo.

Quem se lembra, na época da antiga direção (e bandeira antiga deste que vos tecla), os sorteios começaram a ser transmitidos em 2010. Inclusive era divulgado na escala o nome do árbitro "pé frio" que não foi designado.

A FCF admite que não o está realizando. O apresentador do sorteio diz, claramente, que "Os árbitros, assistentes, delegados e avaliadores foram escolhidos levando em conta a sua competência profissional, forma física e técnica". No critério deles.

Ou seja, voltou a ser como antes. O sorteio acabou. A transparência, também. Assume-se o risco.
Não é o certo.

Com a resposta, a Federação.




Comissão de arbitragem anuncia escalas sem realização do sorteio


sábado, 10 de fevereiro de 2018

Tubarão e Criciúma pagam o preço da montagem de elenco mal feita

Gabriel Machado / Inter de Lages
É até surpreendente. Tubarão e Criciúma entraram na temporada prometendo desempenhos bem melhores. Mas acabaram escancarando a falta de qualidade e, hoje, figuram na zona de rebaixamento do Campeonato Estadual. Reflexos de escolhas erradas e, pior que isso, falta de movimentação para mudar a situação. O tempo não para, e daqui a uma semana já termina o primeiro turno.

O Tubarão foi derrotado pelos reservas da Chapecoense e já vinha mostrando fraquezas no seu elenco. Waguinho Dias parece ter esgotado as suas possibilidades e o time não rende. Depois do título da Copa Santa Catarina, acreditava-se em um salto de qualidade do clube, que não poderia se impressionar depois de vencer uma competição de baixo nível no final do ano passado. Não deu muito certo e o time, que só venceu o Criciúma (companheiro de fase ruim) e o fraco América de Natal (que demitiu hoje o técnico Leandro Campos), irrita o presidente Luiz Henrique, que não escondeu sua insatisfação às rádios do Sul. Vale lembrar que o gerente de futebol e responsável pelas contratações é Julio Rondinelli, de trabalhos muito ruins no futebol catarinense, culminando com o rebaixamento do Joinville para a Série C, com um elenco inchado e de baixa qualidade. O treinador é bom, mas deve cair em caso de derrota para o Avaí na segunda-feira.

Em Criciúma, tudo começou com Lisca, escolha arriscada, que não durou muito. O time teve troca de técnico e de executivo, precisando de uma reação pra ontem. O clube demora demais para anunciar um técnico novo, deixando o interino Grizzo com a bomba. Além do mais, contratações são necessárias. 

Vamos concordar que o Tigre não tem mais chance de chegar entre os dois primeiros da classificação geral que vão à decisão em jogo único. Logo, um clube desse investimento precisa iniciar urgentemente um replanejamento para não cair e, num passo seguinte, limpar a casa para a disputa da Série B. Diferentemente do seu rival de Tubarão, que luta por vaga na Série D e não tem vaga garantida na Copa do Brasil, o Tigre tem apenas uma missão nos próximos meses. Mas precisa se mexer. Não dá pra contar que o time não será rebaixado se não houver reação. Esse campeonato, diferente de outros anos, não tem um time do grupo dos pequenos que você pode taxar como favoritíssimo ao rebaixamento. Isso provoca ainda mais atenção.


quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

O dia que a Federação cedeu o Estadual de graça

No ano passado, a Federação Catarinense Futebol de Salão conseguiu vender, por 20 mil reais, os direitos de transmissão de duas partidas finais do campeonato estadual da modalidade, entre Joinville e Concórdia. Não é muito, mas pelo menos alguma coisa rendeu (quanto foi para os clubes eu não sei, mas de graça, definitivamente não foi).

Todos sabemos o que aconteceu no caso envolvendo o Premiere e o Estadual do campo. Não houve acerto e a Globosat não quis continuar aqui. O motivo é aceitável, uma vez que o custo de produção de até quatro jogos por rodada, diante da exigência de acompanhar cinco clubes, pesou. Também constatamos que, faltando pouco mais de uma semana pra terminar o primeiro turno do Estadual, não houve avanço nas transmissões pela internet. Tem gente boa pelo estado que monta estrutura para boas coberturas, mas no apito inicial tem que mostrar outra coisa e ficar com o áudio. No fim, promessa vazia de novo. Falaram até em PPV pela internet, modelo bastante questionável no quesito rentabilidade.

Agora, vivemos a era do futebol 0800. Ontem, fomos surpreendidos pelo anúncio que a Federação assinou um contrato gratuito com o Sportv para transmitir cinco partidas do Estadual. E tem mais: além de não render um centavo pra ninguém, deu direito à emissora de mexer no horário dos jogos, chegando ao absurdo de marcar um Joinville x Avaí, partida que tem um bom apelo, para as cinco e meia da tarde de uma segunda-feira, na Manchester. Além do mais, pediram para que o clássico de Floripa entre Figueirense e Avaí fosse as 11h de domingo. No verão.

Tá tudo errado. Presidente Rubinho, fica um apelo: muita gente me disse que as intenções do senhor são as melhores, e eu acredito nisso. Conversamos outro dia e senti boa vontade em fazer o bem para nosso futebol.  Mas entendo que você está mal assessorado. Teria muito mais resultado a liberação da transmissão por Youtube, aberto pra todo o planeta, de duas ou três partidas por rodada, do que jogar de graça no Sportv. É um contrassenso. Pior será se a Globosat não abrir o sinal do Sportv para o Estado e obrigar o torcedor catarinense a pagar pelo pacote do Premiere, que foi cancelado há algumas semanas justamente pela falta do catarinense. Definitivamente, não dá pra entender.



sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Sem Premiere, clubes demoraram muito em oferecer uma solução para recolocar Estadual na vitrine

Com muita pompa, no início da semana, o presidente da SC Clubes usou o microfone na sede da OAB, em Florianópolis, no lançamento do campeonato estadual, para dizer que o torneio foi muito bem comercializado, fruto de um sistema comercial exitoso implantado pela associação.

É uma meia verdade dele. Realmente, o campeonato teve apenas uma vez (em 2000, quando a RBS comprou o campeonato, gestionou tudo e até vendia os ingressos) o sistema de placas de publicidade igual para todos os estádios. Não é muito, mas é um avanço. Os naming rights foram vendidos a um banco (esse dinheiro é 100% da FCF), o troféu para o Angeloni, e mais alguns apoiadores apareceram. Tem até site de aposta estabelecido no paraíso fiscal de Curaçao que, diga-se de passagem, está fora do ar.

Só que o presidente não mencionou que esses ganhos seriam realmente importantes se o contrato de televisionamento fosse vantajoso. Como não é, e os clubes e FCF aceitaram o absurdo de assinar um acordo com valor 40% menor, com a longuíssima duração de 4 anos (esqueça reajuste até 2023) e ainda permitindo transmissão para a praça, todo esse trabalho importante foi realizado para cobrir o buraco deixado pelo acordo de TV, feito pela Globo e repassado à NSC, que não estava a fim de gastar nada. Tanto que, das quatro primeiras transmissões do ano, três serão em Florianópolis e uma em Criciúma (190km da Capital). Nada de viagem pra Chapecó.

Chegamos ao assunto do Premiere. O que a FCF disse em nota no seu site é verdade. A Globosat não viu vantagem econômica em transmitir o Estadual. Vou tentar explicar a conta. No Rio Grande do Sul, o PFC transmite todos os jogos da dupla Gre-Nal e apenas alguns da dupla de Caxias. Aqui em SC o buraco era mais embaixo, já que todos os jogos dos cinco grandes tinham transmissão (custo de produção de cerca de 20 mil reais cada) e, na ponta do lápis, não arrecadava isso tudo com assinaturas (a proliferação dos chamados gatos também colaborou para isso). Se houvesse transmissão de apenas dois jogos por rodada era processo na certa. Se privilegiassem esse ou aquele, dava problema também. Fonte ouvida pelo Blog confirma que não houve nenhum tipo de pressão por valor maior. Passou longe disso. Mas os clubes sabiam já há algum tempo que a Globosat tinha dado sinal que não ficaria.

Aí entrou o assunto internet. Os Atletibas do ano passado foram sucesso de audiência no Youtube. Transmissão gratuita, com patrocínio master de empresa de Telecom, com cotas vendidas, exposição de placas, uniformes e tudo o que já vimos na TV. Aqui em Santa Catarina, os clubes buscam um modelo que tem tudo pra não dar certo. O presidente da SC Clubes disse, em entrevista ao amigo Polidoro Junior, que o plano era trazer uma empresa de São Paulo (e olha que aqui temos gente boa) para produzir um modelo de Pay per view pela internet, a um preço sugerido de 40 reais.

Vamos aos pontos: primeiro, que um sistema desse é facilmente pirateável, causando evasão de renda. Segundo, que se o modelo de transmissão não for feito com absoluta perfeição, uma falha pode dar problema. Sem contar que, fechando o sinal para poucos em um campeonato de ínfimo apelo pessoal, a exposição ficaria limitada a pouca gente e um custo de produção a pagar. A FCF, na gestão Delfim, realizou modelo igual há aproximadamente 10 anos e ficou com o mico na mão. O modelo ventilado é completamente errado. Seria muito mais útil a venda de publicidade como se fossem cotas da TV, com transmissão absolutamente liberada e gratuita para o mundo. Seria mais viável para cobrir o custo e com chance menor de dar errado.

Mas o pior de tudo é: mesmo sabendo de antemão que não haveria pay-per-view no Estadual, não foi tomada nenhuma atitude sobre isso na primeira rodada. Agora, em cima da hora, até pode aparecer um paliativo. Mas os clubes já perderam um monte. Afinal, o campeonato tá rolando e ninguém está vendo, a não ser nos 90 minutos da TV aberta.