sábado, 24 de junho de 2017

Conheça a segundona: Operário de Mafra

ESPORTE CLUBE OPERÁRIO DE MAFRA
Fundação: 11 de fevereiro de 2013
Cores: Preto e Branco
Estádio: 16 de Abril/ Itaiópolis (Municipal) - 2.000 lugares
Presidente: Luciana Teixeira Borges
Técnico: Edmar Heiler
Ranking "BdR" 2016: 19o. lugar
Catarinense 2016: 6o. lugar na Série B





O Operário de Mafra, na forma como se encontra, é o maior time itinerante de Santa Catarina. Ele é originário do Biguaçu, campeão da Série C do Estadual em 2011, que se transferiu para Canoinhas em 2012, com a primeira mudança de nome. Anos depois, a vaga acabou indo para Mafra, onde o atual Operário foi fundado, em fevereiro de 2013. Neste ano, nova mudança. O time deixa o estádio Pedra Amarela e mandará seus jogos perto dali, em Itaiópolis, cidade de apenas 20 mil habitantes. Depois de uma briga política que acabou em um racha com a Prefeitura, o clube resolveu mandar seus jogos no simplório Estádio 16 de Abril, com capacidade para dois mil torcedores.


O ano do Operário não está sendo fácil. Já foi alvo de críticas e até matéria no UOL sobre a situação das equipes de base, que viajam em condições complicadas para disputar o campeonato estadual, que é obrigatório segundo o regulamento da FCF. Os números impressionam: em quatro partidas, o time tomou 74 gols. A crítica foi para a Prefeitura de Mafra, que teria cortado o auxílio ao clube e forçado os atletas a pagarem sua alimentação para jogar. Falando no profissional, o Operário apareceu como um possível candidato ao acesso no ano passado. Montou uma base interessante com jogadores rodados no Estado e vinha conquistando bons resultados. Mas o dinheiro acabou, o time acabou desmontado e cheio de dívidas. Terminou em sexto lugar. O trabalho do técnico Edmar Heiler e da sua esposa, que é a presidente do clube, é hercúleo. Mesmo diante de um cenário completamente desfavorável, não desistiram e vão colocar o time para jogar, com um elenco bem modesto.

O jovem elenco tem base no time que participou da Copa Santa Catarina sub-20, onde terminou em oitavo lugar de dezesseis clubes. Até por causa da limitação do regulamento, o elenco não será a altura daquele do ano passado, que tinha nomes conhecidos como Xipote, Leandro Branco e João Neto. O destaque do time 2017 é Pedro, lateral de 22 anos que fez base no Coritiba, com passagem pela Chapecoense. Também chegam o zagueiro Rennan, ex-Criciúma, o meia Jonathan Teixeira, ex-Brusque, e o volante Daniel, ex-Hercílio Luz e Guarani. Vale também a pena falar do goleiro, Willian, de apenas 17 anos de idade, nascido no ano 2000. O outro é Bruno, que chega por empréstimo do Avaí.

O Operário não aparece na lista dos melhores da Série B e caminha para mais um ano como coadjuvante. Confesso que me impressionei negativamente com a questão envolvendo o descaso com a base, que dá um sinal de desorganização. Mas o casal Heiler nunca desiste e vem, mais uma vez, para a segundona, desta vez em nova casa.



sexta-feira, 23 de junho de 2017

Conheça a segundona: Marcílio Dias

Está no ar mais uma tradição do Blog. Começa na próxima semana a Série B, segunda divisão do futebol catarinense, onde dez times buscarão duas vagas na elite em 2018, substituindo o Almirante Barroso e o Metropolitano. Neste ano, uma mudança importante (e que eu não concordo) no regulamento impôs o limite de 23 anos aos atletas inscritos, sendo liberados apenas cinco acima da idade.

Isso vai nivelar por baixo um campeonato profissional que vale vaga para a primeira divisão. Neste ano, temos clube estreante, outros tradicionais e até um que mudou de cidade. Vamos começar nossa série com o favorito ao acesso, que deveu muito ano passado, o Marcílio Dias. Aproveite a série!


CLUBE NÁUTICO MARCÍLIO DIAS
Fundação: 17 de março de 1919
Cores: Azul e Vermelho
Estádio: Dr. Hercílio Luz (particular) - 10.000 lugares
Presidente: Lucas Brunet
Técnico:  Hudson Coutinho
Ranking "BdR" 2016: 18o. lugar
Catarinense 2016: 8o. Lugar na Série B



2016 foi um ano para o torcedor do quase centenário Marcílio Dias esquecer. Uma diretoria trapalhona fez um péssimo trabalho e levou o clube a uma terrível antipenúltima colocação na última segundona. O ex-presidente Carlos dos Santos e seu fiel escudeiro, Egon da Rosa, montaram um grupo de baixa qualidade que começou o campeonato com quatro derrotas seguidas. A partir da eliminação do Brusque na Série D, um grupo de empresários trouxe o técnico Mauro Ovelha e mais alguns jogadores para tentar salvar o barco à deriva. Não resolveu. Não havia dinheiro, credibilidade nem estrutura para tentar o milagre. Um ano jogado fora para um ex-campeão catarinense que tem camisa e condição de estar na elite. O efeito da péssima campanha no ano passado foi a saída conturbada do ex-presidente combinada com uma eleição de conselho que foi parar até na justiça. Passada a tempestade, Carlos saiu e uma nova eleição aconteceu. O novo presidente, Lucas Brunet, jovem e cheio de ideias, é o responsável por reestruturar o clube. Vem conseguindo, com ações de marketing e obras no velho Estádio Dr. Hercílio Luz. Até agora, um trabalho que chama atenção de forma bem positiva.

Para conseguir o acesso, a nova diretoria deu bola dentro. Dois profissionais experientes comandam a montagem do elenco, que tem que superar a limitação da exigência do sub-23. Tonho Gil, ex-técnico de várias equipes no Estado, é o superintendente de futebol. E para o comando técnico, o marinheiro contratou Hudson Coutinho, profissional de competência reconhecida no Estado, que vem de um bom tempo de serviços prestados no Figueirense, onde chegou a ser técnico por um período. Aos 44 anos e com uma outra boa passagem no Guarani de Palhoça, o treinador montou um elenco com jogadores de sua confiança, muitos jovens com passagem pelo profissional de grandes equipes.


Diante da limitação do regulamento, o Marcílio não tinha como ir ao mercado e montar o time que quisesse. Mas dentre os acima da idade, destacam-se o zagueiro Rogélio, ex-Brusque, Avaí e Criciúma, e o meia Rodrigo Couto, que disputou o último catarinense pelo Almirante Barroso. Dos jovens, destacam-se o lateral André Krobel, revelado no Joinville (e pivô do tapetão que deu o título estadual ao Figueirense em 2015) e o meia Leo Lisboa, ex-Figueirense. Ambos os dois, mais alguns atletas, são ligados ao Tombense.

O Marcílio montou um bom time e boa estrutura para a segundona, bem diferente da tragédia do ano passado. Terá a possibilidade de arrancar bem no campeonato, jogando as cinco primeiras partidas em Itajaí (Jaraguá e Barra mandarão seus jogos no estádio Camilo Mussi, do Almirante Barroso). Pode ser o pontapé inicial para a volta à primeira divisão. Dessa vez, bem mais arrumado.


quinta-feira, 22 de junho de 2017

Diego e Guerrero esmagam a Chapecoense

Gilvan de Souza / Flamengo
No primeiro tempo, só deu Flamengo, no segundo, um erro do goleiro Thiago até deu uma esquentada no jogo. Mas as falhas da defesa da Chapecoense voltaram a aparecer, e à granel: mais cinco gols tomados que transformam o time na segunda pior defesa do campeonato, a frente apenas do Vasco.

A verdade é que a vitória, da forma que aconteceu, é a segunda do Flamengo na Ilha do Urubu, que pode se transformar numa arma rubro-negra na temporada. A torcida muito próxima, sem alambrados (engraçado, em SC a PM diz que não pode) intimida. Hoje, o time buscou energia depois de uma falha de Thiago que poderia custar caro.

Diego jogou muito, participou de quatro dos cinco gols, fazendo dois. Temos aqui uma dupla que vai fazer muito no resto do ano, e a Chapecoense pagou o pato. Pior, tem uma zaga exposta, que já mostrou falhas de acompanhamento e, principalmente, de bola aérea, que criam grande preocupação. Esse precisa ser o foco nos próximos dias. Melhor, o foco deveria ser "retomar o foco". No início do campeonato, esse posicionamento não era tão ruim. Acabou descambando de uma forma extremamente perigosa.

O Flamengo ganha gás para arrancar e tentar algo mais para cima. Já a Chapecoense precisa fazer uma autoanálise. Há ainda uma gordurinha que o deixa afastado do desespero. Só que essa terapia precisa ser rápida, já que no domingo tem um Atlético-MG precisando muito da vitória.



Nada deu certo para o Avaí

Jamira Furlani / Avaí FC
A derrota do Avaí para o Fluminense vai ficar marcada pelos erros de Kozlinski, o gol contra e o desvio de Maicon que resultaram em gols. Foi o que definiu o jogo. Mas por trás disso existem mais fatores.

É preciso constatar que o Flu controlou o jogo. A diferença nas médias de idade pesou e o tricolor voou pra cima do Avaí. O erro bisonho de Kozlinski ajudou a definir um quadro que poderia se desenhar de uma forma, digamos, normal: havia uma grande diferença técnica. Além disso, o gol serviu como um duro golpe. Se o time avaiano foi para o jogo com uma motivação, algum gás novo, talvez com a estreia de um jogador experiente como Maicon, foi tudo para longe em dois erros. No primeiro, algo inconcebível para um goleiro de Série A. E no segundo, um cruzamento em que facilmente poderia ser afastado pelo camisa 1. Não foi. E Maicon, sentindo a falta de ritmo de jogo, fez contra. Claramente o time foi abatido para o vestiário. Não haveria reação.

No segundo tempo o Fluminense apenas tratou de administrar, com seu preparo físico muito melhor. Ainda saiu o terceiro gol, em um desvio de Maicon que matou o goleiro e que teve a cena de Rômulo dando o dedo na cara de Juan. Dá pra ver que o clima do jogo foi sinistro.

Não tinham desculpas para o técnico dizer se não trabalhar, trabalhar e trabalhar. Ele vai trocar o goleiro titular para apagar parte do incêndio e buscar a receita mágica para recuperar o time no técnico e psicológico. Joel chegou, estreou e já mostrou mais qualidade no ataque que qualquer um do elenco. Mas é pouco, muito pouco.


quarta-feira, 21 de junho de 2017

Protestos e problemas que intensificam a crise no Figueirense

O Figueirense deu ao técnico Marcelo Cabo uma amostra do tamanho do problema a ser enfrentado. O time que quase foi rebaixado no estadual, remontado para a Série B com um início promissor, voltou à vala comum e hoje está merecidamente presente na zona de rebaixamento, com derrotas doloridas em casa para o Boa Esporte e, agora, para o Luverdense.

O jogo foi maluco no primeiro tempo, com defesas abertas e muitos gols. No segundo, como era de se esperar, o ritmo baixou e o time do Mato Grosso segurou bem a barra. Mais uma derrota, protestos e mais protestos.

A situação alvinegra não é fácil mas está longe de ser desesperadora. Duas vitórias já devolvem o time pra zona intermediária (bem longe de título, como um jornal sugeriu ontem). Marcelo Cabo precisa resolver a desorganização por etapas: primeiro, dar um mínimo de confiabilidade para a zaga, que não se entende e também foi atingida pelo problema envolvendo Marquinhos. Ali está o pior problema. A partir daí, dá pra se preocupar mais para a frente.

Não há muito tempo para isso. Até porque a paciência do torcedor acabou faz tempo. A diretoria precisa se mexer e botar a mão no bolso para qualificar.


terça-feira, 20 de junho de 2017

Libertadores com final única, jamais

A Conmebol está empenhada em transformar a Libertadores em Champions League.

Pensa em fazer final em jogo único. Antes, poderia se preocupar em organização, segurança nos estádios, punições mais justas. Enquanto estádios sulamericanos tiverem que contar com policial com escudo ou com funcionário segurando guarda-sol para proteger cobrança de escanteio, o torneio está bem longe de virar padrão.

Vamos ao assunto da final em jogo único. Neste ano, a Liga dos Campeões realizou sua final em Cardiff, no País de Gales. Na tarde do jogo, milhares de torcedores tomaram um trem-bala de Londres para o local do jogo. De lá, muita gente veio da França, através do Eurotúnel. Por via aérea, sobram opções para os principais aeroportos do planeta, com centenas de companhias para todos os gostos.

Agora, imagine uma decisão entre um clube brasileiro e um argentino em Lima, capital do Peru. Não há uma ligação terrestre fácil, não existe uma gama tão grande de voos para lá, assim como os preços não são nada convidativos. Dificilmente o estádio contaria com torcedores dos times. Seria jogar para uma plateia de neutros que oportunamente escolheriam os times pra torcer.

Se fosse final com dois brasileiros, então, o contrassenso é maior ainda.

Tem coisa que não dá pra copiar. A América do Sul não conta com a logística avançada que a Europa tem. Não seria fácil pra vender, nem pra levar os torcedores. Ideia pra se esquecer.

Em alguns aspectos dá pra tentar copiar a Europa. Outras, melhor deixar assim. Temos mais vocação pra cimentão do que cadeira de Arena.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Luidy tira a vitória do Criciúma e salva o pescoço de Goiano (Será?)

Tudo caminhava para uma vitória até tranquila do Criciúma no Scarpelli. A sorte do Figueirense é que Luidy marcou dois gols no final para conquistar um pontinho praticamente dado como perdido.

Sem olhar para o resultado final, Figueira x Criciúma foi um claro retrato de um time desorganizado, que até começou bem mas perdeu o rumo, contra um que começa a dar sinais de organização sob o comando do novo treinador. É inegável que o Tigre fez a melhor partida na Série B. Mas a forma como tomou o empate chama a atenção que o caminho para a confiabilidade é longo.

Um jogo em que Douglas Moreira, o Dodi, foi o melhor em campo, surgindo como elemento surpresa nos dois gols tricolores. O modo como o Figueira ficou atônito depois do segundo gol, com a torcida jogando totalmente contra, indicava até um placar maior. Mas Márcio Goiano botou Luidy no jogo e teve muita, mas muita sorte.

Era certo que a derrota custaria o cargo do técnico. O trabalho de captação feito pela nova gestão do futebol não foi ruim, mas Goiano não está dando conta de organizar isso tudo, somado com os problemas extracampo. Até é capaz dele não cair após esse empate, mas ficará seriamente pendurado.

No fim, o empate foi ruim para os dois. Mas dá um retrato claro que há um time subindo devagar e outro que cai substancialmente de rendimento. A ver qual serão as reações diante disso.




domingo, 11 de junho de 2017

A polêmica da tecnologia ataca novamente na Ressacada

O jogo Avaí x Flamengo deixou o gosto de que o time da casa poderia ter conseguido a vitória. Sem inspiração, o Fla deu a deixa para que o Leão construísse suas jogadas. Abriu o placar mas tomou o empate logo depois. Faltou aquele extra do ataque que todos já sabem. Não é e não vai ser fácil encontrar jogador de qualidade a essa altura da temporada. Mesmo assim, não dá pra desistir.


Mas, infelizmente, a partida vai ser lembrada pelo pênalti marcado e desmarcado pelo árbitro. Sem entrar no mérito so lance, se foi ou não pênalti (para mim foi, pelo ato de "trancar" o braço de Everton), a demora motivada pela "conversa" do árbitro com o assistente motiva toda a desconfiança de interferência externa.

Vou ser objetivo: na Série A, os árbitros tem sistema de rádio. Nesse lance, se o assistente realmente tinha certeza que não foi nada, berraria literalmente no ouvido do juiz. Atrás do gol está Paulo Salmazio, um jovem árbitro de 26 anos que voltou atrás em uma expulsão na partida Guarani x Figueirense pela Série B e que, portanto, tem retrospecto de indecisão. Nisso aí passaram-se minutos que despertam a desconfiança. O que Luis Roberto disse na transmissão da Globo ("vão consultar a gente") tem grande probabilidade de ser verdade.

Afinal, árbitros usam rádio. Todo rádio tem uma frequência, que pode ser copiada em qualquer lugar do estádio. Sou a favor da tecnologia, e ela deve estar em regulamento. A Série A pode ter isso. Todos os jogos são televisionados, com dezenas de câmeras. Dá pra fazer.

Nisso aí, o Avaí já foi prejudicado duas vezes. Na primeira rodada, um pênalti indiscutível contra o Vitória. E agora, em um penal marcado que levou um tempo enorme para ser cancelado. Algo precisa ser feito, não por causa desse jogo, mas pra que essa interferência, que de vez em quando aparece, transforme-se em uma evolução definitiva com uso correto da imagem.


quinta-feira, 8 de junho de 2017

Nove gols no jogo! Grêmio chacoalha a Chape

O resultado de 6 a 3 permite vários tipos de pensamentos.

Vou pro lado do resultado meio maluco, onde o Grêmio foi tecnicamente perfeito no seu ataque, contou com a sorte ao seu lado no gol do meio de campo e encarou uma Chapecoense nervosa. Era visível o semblante tenso, principalmente após a falha de Jandrei no primeiro gol de Michel. O segundo era efeito do primeiro, numa desatenção que pôs o time da casa a nocaute. Dois golpes bem encaixados que deram o primeiro knockdown.

O gol que Marcelo Grohe tomou ao não ir firme na bola ainda deu uma sobrevida à Chapecoense. Mas o nervosismo continuou, e o Grêmio soube se aproveitar tocando bola e, de novo, contando com a estrela de Renato, que tirou Barrios lesionado e viu Everton fazer dois gols nos dois primeiros toques na bola. Segundo knockdown.

Houve uma singela reação mas Luan deu mais dois golpes para encerrar o jogo. O Grêmio, e isso não é preciso provar pra ninguém, é um dos melhores times do país e mostrou sua força de novo. A Chapecoense precisa, na medida do possível, virar a página e focar na Ponte Preta. Para mim, o placar é de jogo atípico, que não determina quem é bom ou ruim.

Mas que foi um jogo maluco, isso foi.


sexta-feira, 2 de junho de 2017

A pouco atuante Associação de Clubes de SC perde o Avaí

O Avaí confirmou na tarde desta sexta que está deixando a Associação de Clubes de Santa Catarina, uma entidade que está completando 30 anos, tem um grande propósito, mas apresentou poucas ações efetivas nos últimos anos.

Na prática, isso não muda em absolutamente nada para o Leão da Ilha, que terá que ser ouvida na negociação dos direitos do campeonato estadual por ser um membro dele e pouco ou nada lucrou com essa filiação.

Sou crítico da Associação de Clubes pela forma com que negociou os últimos contratos de televisionamento e pela forma pobre com que tenta gerir o "produto futebol catarinense". Nos últimos anos participou de polêmicas, como a ação de tentar quebrar na marra o contrato assinado de televisionamento com a Record em 2009 para fechar com a RBS. Acabou derrotada na justiça e se incomodou um monte. Três anos depois, aceitou um aumento irrisório na renovação de contrato e deu de bandeja para a TV a transmissão dos jogos para a praça, derrubando a presença de público. Além do mais, não houve arrecadação com publicidade estática e os campeonatos da segunda e terceira divisões estão cheios de problemas. O contrato de naming rights do campeonato catarinense foi feito diretamente com a Federação, que tem garantida em regulamento o direito da placa central nos estádios.

A verdade é que a Associação não pensa como um conjunto, principalmente na divisão do dinheiro e na comercialização do seu principal produto. Ela poderia, por exemplo, ter montado com os votos dos seus membros uma chapa para comandar a FCF. Preferiu ser submissa ao presidente que esteve lá por três décadas.

Se o Avaí está insatisfeito com os rumos que a SC Clubes tomou, não há problema nenhum com a sua saída. Ele não será prejudicado. Inclusive poderá ser beneficiado, caso a Globo resolva abrir negociação individual pelos direitos do Estadual.

Se a Associação mudar muito sua conduta, trazendo dividendos para os clubes, arrumando a casa, e fazendo uma negociação vantajosa pelos direitos de TV, poderei mudar de ideia. Até agora, vi muita reunião, um sem número de fotos, mas poucas ações significativas.



quarta-feira, 31 de maio de 2017

Surrealidade e preocupação

Vai repercutir por um bom tempo, e bem longe daqui, o que aconteceu na chuvosa noite de terça no Orlando Scarpelli. Algo jamais visto. O goleiro Fábio cometeu uma falha inexplicável. Vi e revi o lance tentando entender o que ele quis fazer naquela falta do Boa cobrada lá do meio de campo.

O estádio ficou perplexo. Todos ficaram perplexos ao saber que Fábio tomou um táxi e simplesmente vazou no intervalo.

Logo no jogo em que ele ganhou a oportunidade de ser titular.

É algo que só saberemos mais detalhes, quando o goleiro, ou melhor, ex-goleiro do Figueirense resolver falar. É surreal o que aconteceu.

Falando do jogo, o resultado também trouxe uma certa perplexidade ao torcedor, em escala menor. O time que arrancou muito bem na Série B começou a patinar. A derrota para o Boa Esporte, naquela conta do acesso, "anula" a vitória da estreia, fora de casa, em cima do Goiás. Não é sinal de crise, mas uma chamada de atenção. É quase impossível manter nível alto em todas as 38 rodadas, mas a questão aqui ainda é de foco e de buscar detectar o que aconteceu de errado para não acabar perdendo distância.

O melhor é apagar esse jogo contra o Boa e tocar a vida pra frente, mas serve o alerta. Se bem que vai ser difícil esquecer por causa do episódio do goleiro fujão. Vai pra lista dos micos no final do ano.




terça-feira, 30 de maio de 2017

Chapecoense domina o Avaí e dá o recado

A Chapecoense controlou totalmente o jogo contra o Avaí. A certa altura da partida, preferiu não apertar para esticar o placar e apenas administrou. Houve uma grande supremacia. Jandrei foi tão espectador do jogo que os números do Cartola definem o que foi seu papel no jogo: ele marcou os cinco pontos da defesa que não toma gols, e só.

Vitória que coloca a Chape pela primeira vez na história como líder da Série A, coincidentemente no dia em que se completa meio ano da tragédia na Colômbia. Depois do susto na final do Estadual, é notório que o time vai ganhando mais corpo. A vitória na Argentina, o empate em São Paulo quando poderia vencer, além da vitória sobre o Palmeiras credenciam o time a ter uma temporada sem o desespero da parte de baixo.

O cenário do Avaí é diferente. Já era sabido ainda no estadual que o time precisaria se qualificar. Começou o Brasileiro, e o coro foi aumentando. A derrota em Chapecó foi o estopim definitivo, e não se fala em outra coisa na torcida. Não será fácil, diante da realidade de mercado e do que o clube pode pagar. Há situações que não vai dar pra trazer, outras que o time será a segunda escolha caso não pinte algo do exterior... enfim, uma bomba para a diretoria, com o tempo passando e a necessidade extrema de reforços que cheguem e joguem.

O tempo passa de forma diferente para os dois, com objetivos diferentes. Um tem um bom elenco e corre atrás de reforços pontuais, com dinheiro em caixa. Outro está atrás de um negócio sensacional com o campeonato andando. O recado da partida desta segunda foi bem claro.



terça-feira, 23 de maio de 2017

Vitória daquelas, e que venha a Sul-americana

O torcedor da Chapecoense viveu um dia muito pesado. A notícia da punição dada pela Conmebol do caso do jogo contra o Lanús foi dura. O erro que custou uma possível classificação para a segunda fase da Libertadores quebrou o clima que era tão bom depois das vitórias na Argentina e em casa, contra o Palmeiras.

A partida contra o Zulia ainda valia uma ida para a Sul-americana, que não é a mesma coisa, mas é uma opção a mais no calendário.

Público menor, torcida meio que abatida, frio, muita chuva. Não era um clima convidativo.

O final foi sensacional.

Tudo estava dando errado. O Zulia, time muito fraco, conseguiu sabe-se lá como, fazer 1 a 0. Diante do maior volume de jogo da Chape (foram quase 30 chutes a gol contra 4 do adversário), era de se esperar uma virada. O tempo passava e nada. Era bola na trave, pra fora, defesa do bom goleiro Vega. Cresceu o desespero. Chegou a reta final. Como num negócio sobrenatural, Arthur Caike empatou e, no lance seguinte, Girotto furou uma defesa que abusava da sorte, para virar a partida e carimbar a vaga na Sul-americana.

Olha como é o futebol: se quem foi no estádio estava abatido no começo com a ducha de água fria dada pela Conmebol, a vitória sobre o Zulia, da forma como aconteceu, meio que apaga a triste notícia da eliminação. Amanhã estará em todos os cantos a reação espetacular da Chape, que em dois minutos virou uma partida dada como perdida.

E assim o time seguirá seu caminho, entrando com boa motivação em mais uma competição, em busca de mais uma conquista. O time já mostrou que tem qualidade. Foi tirado da Libertadores por um erro interno, que serve como lição. Agora é mirar para a frente que tem muita coisa pra acontecer.



quinta-feira, 18 de maio de 2017

Sem invenção, o time rende melhor. Chapecoense conquista grande vitória

O sinal já havia sido dado na partida contra o Nacional em Montevidéu. Vágner Mancini inventou uma formação com Nathan para reforçar a marcação e sem armação nenhuma no meio, acabou tomando uma surra. Na final do Estadual, a mesma coisa. Correu risco seríssimo de ver o Avaí dar a volta olímpica dentro da sua casa.

Demorou, mas as pancadas surtiram efeito já contra o Corinthians. Somando-se com a entrada de Jandrei no gol no lugar de Artur Moraes, Mancini resolveu, finalmente, ir no que estava funcionando. João Pedro não veio para isso, mas acabou encaixando muito bem no meio. Apodi foi bem na ala e até se aprimorou em Buenos Aires, auxiliando um pouco mais na marcação.

Aí o time funcionou. Bom ressaltar que enfrentou o melhor time do grupo, que para mim era o grande favorito (e agora está seriamente ameaçado para a última rodada). Não foi uma vitória de acaso. Houve volume de jogo de um time que seguia um caminho correto até vê-lo interrompido por uma convicção errada do técnico. Más atuações o fizeram mudar de ideia. E agora o time está bem próximo de uma classificação dada como improvável há algum tempo.

Agora, tem o caso do zagueiro Luiz Otávio, que teria jogado de forma irregular. A Chape vai defender que não havia sido comunicada em tempo hábil. Sinal que teremos tapetão pela frente em uma situação que era possível evitar. Tomara que isso não acabe custando a eliminação do time, que foi brioso e mereceu a vitória na Argentina. Custo a crer que o departamento jurídico dê mais um tiro no pé, depois daquela tentativa malsucedida de tirar Betão e colocar Andrei Girotto na final do campeonato estadual. Mas vamos ter que esperar um pouco para entender melhor essa história.

No campo, deu tudo certo. Uma grande vitória da Chapecoense.


domingo, 14 de maio de 2017

Primeiras impressões

É apenas a primeira rodada da segunda parte da temporada, onde o Estadual ficou pra trás e aquelas dúvidas e incertezas sobre a qualidade dos times começam a ser esclarecidas. O final de semana de abertura do Brasileiro trouxe algumas observações bem importantes.

No sábado, o novo Figueirense deixou uma primeira impressão muito boa, batendo fora de casa um Goiás qualificado, vindo de título Estadual, com um time caro e que sempre aparece como candidato a acesso. De todos, é o time que mais chama a curiosidade pelo fato de ser praticamente novo após o papelão no catarinense.

No mesmo horário teve a Chapecoense, que conseguiu um bom empate com o Corinthians mostrando algumas mudanças que podem ser indicativos de melhora, para afastar a desconfiança que apareceu mesmo com o título estadual. A zaga formada por Victor Ramos e Luiz Otávio agradou, mostrando que pode ter um comportamento melhor que as opções já usadas por Vágner Mancini. A chegada de Seijas vai colocar uma qualidade na armação, coisa que a Chape tapou buraco em algumas oportunidades com João Pedro. O mais importante era não mostrar deficiência técnica. Isso passou longe. Agora é trabalhar para tornar o time cada vez mais confiável e não correr risco de descenso.

O Criciúma não teve a mesma sorte. Perdeu um caminhão de gols, foi prejudicado pela arbitragem e poderia ter vencido o Santa Cruz. Acabou perdendo e jogando pressão extra em Deivid. Ele não conseguiu dar jeito para criar regularidade no time no Estadual e já inicia a Série B deixando dúvidas.

No domingo, o Avaí não fez um jogo bom contra o Vitória. Olhando da parte técnica, o empate era merecido. Claro, não dá pra ignorar um pênalti claro não marcado pela arbitragem que poderia transformar o resultado em vitória. Os pontos podem fazer falta, mas o futebol mostrado dá claros sinais de que o trabalho a ser feito no time será enorme, sem muito tempo de paciência. Mais jogadores estrearão e a grande esperança do torcedor avaiano é que Claudinei Oliveira consiga fazer essa turma render a ponto de contrariar todos os exercícios de futurologia que estão publicados por aí enquadrando seu time como favorito ao rebaixamento. O elenco não é numeroso e não conta com figurões. Logo, muito trabalho terá que ser feito.

Lá na Série C, o Joinville estreou empatando em Erechim contra o Ypiranga. O desafio aqui é outro, já que são 18 rodadas para definir 4 vagas no mata-mata. A ver se o time tem qualidade suficiente para conseguir uma das vagas.