segunda-feira, 22 de agosto de 2016

O recado foi passado, à base de muito calor humano

As manchetes internacionais até a abertura da Olimpíada preocupavam. Medo da Zika. Água podre que causaria lesões gravíssimas. Tiros nos locais de competição.

Começaram os jogos e nada disso aconteceu. Correu tudo bem, com um show da calorosa torcida brasileira que empurrou o Rio 2016 para o sucesso.

Custou caro, é claro. Como disse uma das músicas do animado encerramento, "como será o amanhã?". Mas uma vez escolhido, o Rio não poderia deixar de fazer os jogos. Deu certo, a forma como aconteceram as cerimônias, o parque olímpico ficou lindo (pena que custou o fim do autódromo de Jacarepaguá) e a área do porto virou um ponto turístico sensacional.

É hora de cobrar o legado, se tudo que foi exposto será realizado. Mas o Rio passou o recado.


sábado, 20 de agosto de 2016

A medalha, o fim do peso olímpico e as lições que ficam

Lucas Figueiredo / Mowa Press
Sim, o futebol olímpico do Brasil fez vergonha no início dos Jogos.

Sim, agora foram campeões. Nos pênaltis. Na disputa onde um chute errado pode colocá-lo no céu ou no inferno.

O Brasil se livra daquele peso do "título que nunca teve". Agora tem.

Não foi brilhante. Foi voluntarioso depois que viu a água bater na bunda. Não tinha toda aquela qualidade, mas mostrou vontade depois que todo mundo caiu de pau.

O adversário não era aquela Alemanha. Mas era um time bem treinado. Do mesmo nível que a seleção olímpica do Brasil. Aí vem o primeiro aviso, que não é novidade pra ninguém: eles tem um trabalho de base muito melhor. Se tivesse vindo o sub-23 "real" deles, possivelmente o resultado não seria esse.

Dou os parabéns, mas ao mesmo tempo deixo o aviso: há muito trabalho a ser feito. A conquista é importante pelo simbolismo da medalha que nunca veio, mas não diz muita coisa ao olhar no calibre dos adversários.

Mas serve pra alguma coisa sim: primeiro, esses atletas jovens passaram por um teste de pressão que nunca esquecerão na sua vida. Neymar sentiu na pele o que o povo brasileiro espera dele: um jogador comprometido e que dê à surrada camisa amarela a importância que ela tem, mesmo com os problemas da nossa confederação.

Agora, o bastão passa para Tite, que pode aproveitar dessa onda positiva para iniciar seu trabalho pra valer.




segunda-feira, 8 de agosto de 2016

A vergonha do futebol olímpico

É uma espécie de carma. O futebol (masculino) olímpico sempre enfrenta dificuldades em olimpíada, carregando aquele fardo do título que nunca veio. Aí a cobrança aumenta e o time, que sofre daquele surto de indiferença nacionalista. É fato que não há foco. E também não parece haver padrão tático.

Rogério Micale assumiu o trabalho com moral, com discurso modernista e dando a esperança de que o time não passasse dificuldades olímpicas. Errado. Se viu em campo o mesmo caos, com excesso de individualismo, nada muito diferente da era Dunga. Pouco tempo de treino? Peraí. O time foi construído em meses de amistosos de preparação e com 15 dias de treinos que dariam, ao menos, pra colocar um mínimo de padrão.

O empate com o Iraque despertou mais uma vez aquele discurso ufanista de mudanças na CBF. Entendo que o viés da discussão não é exatamente esse, mas a observação é válida. Especificamente no caso olímpico, é questão de ver quem está a fim de jogar. Neymar não está, e a faixa de capitão aumenta mais ainda o seu estrelismo. Merece banco.

Mas também teve o problema da convocação, com Renato Augusto usando uma das vagas acima de 23 anos, mesmo atuando no futebol chinês e sem acrescentar ao time na parte técnica e na experiência.

O vexame já está feito. Vamos ver até onde isso vai dar.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Segundona: terceira rodada que pode complicar os primeiros clubes

A Série B do Catarinense chega neste final de semana à sua terceira rodada, o que pode já fazer com que os times que lideram o campeonato, Barroso e Operário, cheguem aos nove pontos. A pressão maior é do Marcílio Dias, zerado na competição, e que vai jogar fora contra o Tubarão. Em se confirmando o favoritismo, o Marinheiro permanecerá zerado na classificação, com uma distância já grande do "G2", tendo o clássico contra o Barroso na semana que vem.

A rodada tem três jogos interessantes. Em Brusque, o Barra, que passou o carro no Marcílio, enfrenta um Operário de Mafra que impressionou até aqui. No domingo pela manhã, o Barroso defende a liderança contra o Hercílio Luz, machucado depois da derrota em casa para o Atlético Tubarão. Teve até treino fechado por lá, com muita cobrança. De quebra, o time anunciou dois reforços: o atacante Soares, ex-Figueira e Flu, e o meia Roger Guerreiro, ex-Flamengo que atuou na seleção polonesa. Se o time da casa vencer, levará uma moral gigante para o jogo mais esperado do ano em Itajaí.

A outra partida a prestar atenção é Tubarão x Marcílio, na estreia do Peixe no estádio de Vila Oficinas, agora liberado. O time de Mabília encontrou bom futebol na vitória sobre o Hercílio e pegará um adversário fragilizado, que tem um elenco comprovadamente frágil e que demitiu o técnico José Macena.

A situação do Marcílio Dias inspira cuidados, e nesta semana surgiram boatos de reforços e de quem seria o novo treinador. Aí vem o dilema: se o Marinheiro quiser se recuperar, vai ter que montar um time novo (mercado até tem, com o final da primeira fase da Série D, tem atleta na praça). O problema é dinheiro. A turma que botava grana no clube não está junto, ainda mais em ano eleitoral. Imagino que o aporte só viria com o desembarque da atual diretoria. O problema é que pode ser tarde demais.


quinta-feira, 28 de julho de 2016

Inter de Lages vende ingressos com desconto em folha (até parcelado!)

Que fazer futebol não é fácil, todos sabem. E fazer em clubes menores, é tarefa ainda mais complicada. E o Inter de Lages criou uma estratégia de venda de ingressos que acho ser única no país: o ingresso consignado, com valor descontado em folha

Várias empresas da cidade, e até o sindicato dos servidores públicos aderiram à iniciativa. O valor pode ser até parcelado em cinco vezes, caso o torcedor compre cinco ingressos.

A promoção vale para o jogo do colorado lageano neste final de semana, contra o Caxias. Taí uma ideia que pode fazer muita gente pensar como isso não apareceu antes.




O atropelamento em Campinas e suas sequelas

Se o Figueirense tivesse sido eliminado da Copa do Brasil pela Ponte por 1 a 0, o resultado seria lamentado, mas interpretado como um "vida que segue".

Mas não, foi 5 a 0. Meio que um 7 a 1. Uma derrota que dispara mais que um sinal de alerta. Chama a atenção que algo precisa ser feito, já que o time foi lá e acabou atropelado, às portas do início do returno do campeonato brasileiro.

Bom ressaltar que esse time fez um bom jogo contra o Corinthians e poderia ter vencido a partida, com direito a erro de arbitragem.

Uma atuação pífia de um time que ganhou pressão extra para o resto do Brasileiro. Foi defenestrado da Copa do Brasil com uma sonora goleada que vem em mau momento, para um time que não sabe o que é vencer há um bom tempo

Argel precisa rever conceitos do time e ver onde ainda poderá tentar reforçar o grupo.




domingo, 24 de julho de 2016

Chapecoense vence com drama para se manter "na conta" da classificação

No sábado, o Figueirense arrancou um empate que poderia ser algo melhor em São Paulo, não fosse um erro bisonho do árbitro que não expulsou Cássio. Era gol? Não era, mas como o time vencia e tinha a chance de ampliar, era claro que o cenário era absolutamente favorável para uma vitória, que não veio. Resultado ruim para os dois, e o Figueira segue na zona de rebaixamento, mesmo jogando bem. Nada de desespero, mas muito trabalho para Argel.

Já a Chapecoense sofreu um monte para vencer um Botafogo que vinha tentando se acertar, mesmo presente na borda do Z4. Caio Junior foi feliz nas alterações e a vitória fez o time chegar no "meio da meta", faltando três rodadas para o fim do primeiro turno.

A conta é a seguinte: considerando a meta histórica de 44 ou 45 pontos para escapar do rebaixamento, a Chape chegou a metade desse número três jogos antes do final do primeiro turno, e essa é a verdadeira "gordura" a ser medida. Depois de uma sequência de três jogos e apenas um ponto conquistado, essa vitória veio em excelente hora.



quinta-feira, 14 de julho de 2016

Conheça a segundona: Porto


FUTEBOL CLUBE DO PORTO
Fundação: 9 de junho de 1999
Cores: Azul e Branco
Estádio: Antiocho Pereira (Municipal de União da Vitória-PR) - 12.000 lugares
Presidente: Israel Trancoso
Técnico: Richard Malka

Ranking "BdR" 2015:  20o. lugar
Catarinense 2015: 9o. Lugar na Série B



Time catarinense que manda seus jogos no Paraná, o Porto teve bons momentos na segunda divisão de 2013, quando fez um primeiro turno promissor mas acabou perdendo ritmo na reta final, em um ano que tinha Brusque e Marcílio Dias fortes para conquistar o acesso. O modesto mas batalhador time de Porto União fez má campanha no ano passado, com apenas três vitórias em dezoito partidas. Só não sofreu para evitar o rebaixamento graças ao Blumenau, que acabou eliminado depois de uma sequência de irregularidades. Chega mais uma temporada e a luta continua. O Porto tenta montar uma estrutura forte sendo o único time profissional da região das "Gêmeas do Iguaçu", já que a Associação Atlética Iguaçu, de União da Vitória, não joga profissionalmente desde 2010. Restou o seu estádio, o Antiocho Pereira, que é usado pelo vizinho de Santa Catarina.


O técnico do Porto para 2016 é Richard Malka, que retorna à equipe. Ele tem currículo vasto no interior paranaense, onde já treinou Foz do Iguaçu, Engenheiro Beltrão, Paranavaí, Roma de Apucarana e Nacional de Rolândia. Morador da cidade, ele assume o desafio com a responsabilidade de tentar o acesso em um campeonato duro, de pontos corridos, contra equipes de investimento muito maior.






Não há estrelas no time de Porto União, que acredito ter o menor investimento entre os dez times da Série B. O destaque é o atacante Sadan, com passagens pelo finado Caçador e pelo futebol do Mato Grosso do Sul. Pouco se sabe sobre o restante do elenco, que treina "escondido" e sem passar muitas informações? Poderá ser uma surpresa? Acho muito difícil. Será uma vitória se o time da cidade do Steinhager se manter na segundona por mais uma temporada.



quarta-feira, 13 de julho de 2016

Conheça a segundona: Jaraguá



SPORT CLUB JARAGUÁ

Fundação: 15 de abril de 2008
Cores: Vermelho, Preto e Amarelo
Estádio: João Marcatto (pertence ao Juventus) - 10.000 lugares
Presidente: Valdemir Salviano da Silva
Técnico: Michael Neves
Ranking "BdR" 2015: 18o. Lugar
Catarinense 2015: 3o. Lugar na Série C



O Jaraguá é um clube novo e persistente. Desde 2011 disputa a terceira divisão do campeonato estadual e sempre bate na trave na hora de decidir o acesso. Terceiro lugar da Série C do ano passado, o clube ganhou uma vaga na segundona graças à desistência do Juventus de Seara. Neste ano, teremos um clássico local, com o Jaraguá enfrentando o Juventus, clube mais tradicional da cidade. É uma rivalidade que tem muito de parceria. Há algum tempo, o Jaraguá cedeu jogadores ao moleque travesso, em terrível crise financeira, para terminar um campeonato. E neste ano, eles compartilharão o uso do Estádio João Marcatto durante o campeonato. Cabe aqui também mencionar que a cidade de Jaraguá do Sul ainda não comprou a ideia da Série B. Muito pouco se vê de movimentação para um campeonato que logo começará.

Michael Neves, de 41 anos, é o técnico do Jaraguá para a segundona. Ele comandará pela primeira vez um time profissional na carreira. Lageano, Neves comandou o sub-20 do clube no ano passado e tem experiência na base do Fluminense e no futebol amador de Joinville.  Ele sabe o tamanho do desafio que tem pela frente: “Venho me preparando uns seis anos para assumir essa função e sinto que estou preparado. Meu objetivo inicial é fazer um bom campeonato, não trabalho com a hipótese de rebaixamento”. Ele conta com todo o apoio da diretoria, que diz acreditar no futebol moderno a ser implantado pelo treinador.

A realidade muda bastante da terceira divisão, onde há limite de idade para atletas e o investimento é bem menor. A diretoria do Jaraguá correu bastante atrás da máquina para qualificar o time, e apostou em um time jovem, com jogadores de todos os cantos do país. O principal destaque é o atacante Marreta, de 23 anos, joinvilense com base no Vasco da Gama, e que leva no currículo o fato de ser o autor do último gol da história do Estádio Olímpico de Porto Alegre, com a camisa do Guarani de Venâncio Aires. (a última partida lá disputada, um Gre-Nal, acabou em 0 a 0).

O Jaraguá tem um dos menores investimentos da Série B e, logo, entra com o objetivo de não ser rebaixado. O fato de disputar as atenções com o Juventus nessa temporada pode ajudar a espalhar a imagem do clube, para a partir daí, buscar um bom crescimento. Mas pelo time que tem, é coadjuvante no campeonato.


segunda-feira, 11 de julho de 2016

Conheça a segundona: Marcílio Dias


CLUBE NÁUTICO MARCÍLIO DIAS
Fundação: 17 de março de 1919
Cores: Azul e Vermelho
Estádio: Dr. Hercílio Luz - 10.000 lugares
Presidente: José Carlos dos Santos
Técnico: José Macena
Ranking "BdR" 2015: 14o. lugar
Catarinense 2015: 10o. Lugar na Série A



A situação do quase centenário Marinheiro de Itajaí é delicadíssima. Rebaixado pela segunda vez em três anos, o Marcílio vive uma enorme guerra política onde quem mais perde é o clube. A justiça e até a Federação foram acionados para resolver o problema. Pra se ter uma ideia, dois conselhos deliberativos distintos foram formados no Marcílio, cada um chamando para si a legitimidade. Um deles chegou a fazer reunião no estacionamento do Estádio Dr. Hercílio Luz. O grupo de oposição questiona muito o trabalho do presidente José Carlos dos Santos e de seu braço-direito, Egon da Rosa, na condução dos destinos do clube. Os resultados em campo não são nada bons: o time foi rebaixado no ano passado na lanterna e, no começo deste ano, o time terminou na oitava colocação da Copa Santa Catarina sub-20. Falta dinheiro, faltam resultados, e o torcedor rubro-anil está profundamente decepcionado. Para dar mais emoção neste ano, o Litoral resolveu se juntar com o Almirante Barroso para provocar a volta da rivalidade e jogar mais pressão na diretoria marcilista, que tem a obrigação, pelo histórico que tem, de voltar imediatamente para a primeira divisão. Mas isso não será uma tarefa fácil.

O Marcílio será comandado na Série B por José Macena, técnico paulista que tem no seu currículo passagens pelo futebol de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Sua passagem de maior destaque foi no Oeste, durante a Série B do Brasileirão em 2014. Macena era figura vista no clube desde o final do ano passado, e agora terá a missão de montar um bom time com recursos bem mais escassos que outros concorrentes. Não será fácil, até porque a segundona será em pontos corridos e duas ou três derrotas podem enterrar o time. Para se ter uma ideia, em 2015 o Tubarão fez 36 pontos e não subiu.

O elenco do Marcílio é barato. Sem muito dinheiro em caixa, com apoio proibido da Prefeitura (que em outras temporadas era um parceiro fortíssimo) e desacreditado com o empresariado de uma das maiores economias do Estado, o Marinheiro montou o time que dá, usando uma base do grupo de campanha bem fraca na Copinha sub-20, mesclando com atletas sem tanta experiência no futebol catarinense. Destacam-se o zagueiro Paganelli, ex-Juventus , o meia Luiz Miguel, ex-Oeste, o goleiro Rudy, ex-Bahia de Feira e o zagueiro Stevys, 26 anos, ex-Pelotas.

O Marcílio sobra em tradição, mas este elenco está bem aquém dos grandes times rubro-anis que já vi atuar no Gigantão das Avenidas. O Marinheiro não é favorito para o acesso, e a montagem dos outros clubes mostra quem se qualificou mais. O ano indica ser complicado para o torcedor itajaiense, cansado, com orgulho ferido, e rezando para voltar a ver o seu time forte e brigando na elite do campeonato estadual. Mas vai que rola uma surpresa.






O curioso caso da demissão de Eutropio e a chegada de Argel

O mais curioso no fato que envolve a demissão de Vinicius Eutrópio no Figueira é que o time não foi tão mal assim contra o Grêmio em Porto Alegre. Perdeu para um time do G4 nos acréscimos. Vendeu caro a derrota.

O que determinou a demissão também aconteceu em Porto Alegre, quando o Inter demitiu Argel após a derrota para o Santa Cruz. Simples e fácil de entender. Depois de sondar Antonio Carlos Zago, fato confirmado pelo próprio e já há um bom tempo atrás, o Figueira só queria um nome para não deixar o time com interino por muito tempo.

O presidente Wilfredo Brillinger quer e Argel não ficará muito tempo desempregado. A vida segue, e o time precisa escapar do rebaixamento.

A gente não viu de tudo ainda no futebol. Aqui tivemos um caso de técnico que foi demitido não por causa de uma derrota. Mas sim porque outro nome ficou desempregado, dando a abertura pra a troca. Como diria uma professora que me deu aulas de química, não haveria demissão ontem, em condições normais de temperatura e pressão.




sexta-feira, 8 de julho de 2016

Conheça a segundona: Barra

BARRA FUTEBOL CLUBE
Fundação: 18 de janeiro de 2013
Cores: Azul e Amarelo
Estádio: Augusto Bauer (pertence ao C. A. Carlos Renaux) - 5.500 pessoas
Presidente: Ana Deyse Mauro Rebouças
Técnico: Círio Quadros
Ranking "BdR" 2015: 17o. Lugar
Catarinense 2015: Campeão da Série C




Com três anos de existência, o Barra é um clube que tem uma organização bem interessante e dinheiro em caixa. Mandará os seus jogos no Estádio Augusto Bauer em Brusque, onde pagou, de forma adiantada, a taxa do aluguel ao Carlos Renaux. Foi campeão da Série C do ano passado com uma facilidade tremenda, fazendo uma campanha quase perfeita de doze vitórias e apenas um empate, com 51 gols marcados e apenas 11 sofridos. Chega à segunda divisão com autoridade, aumentando a sua estrutura e com um time que tem total condição de conquistar o acesso. O Barra quer ser uma referência na formação de jogadores. Possui um Centro de Treinamento em Camboriú com dois campos oficiais, além de uma casa que serve de alojamento para atletas, coisa que muito clube mais velho não tem.

O técnico do Barra é Círio Quadros, de 54 anos e com currículo no futebol gaúcho, onde treinou o Riograndense-SM, Aimoré, Sapucaiense e o Caxias. Veio para Santa Catarina no ano passado, onde comandou o time no título incontestável da terceira divisão. Ganha a oportunidade de comandar a campanha na Série B, montando um time que mescla experiência com jovens talentos, alguns egressos do trabalho de base realizado no clube.





O elenco do Barra mostra que o clube não entra apenas para participar. Muitos dos nomes mais experientes são rodados no futebol catarinense, caso do volante Cambará, ex-Brusque, do zagueiro Elton e do atacante Diogo Dolem, ambos ex-Metropolitano, do lateral Ruan, do Novo Hamburgo, o meia Chiquinho, ex-Caxias e do atacante Cadu Mineiro, ex-Chapecoense que disputou o último estadual da primeira divisão pelo Camboriú. Comparando com elencos dos outros clubes, colocaria entre os três ou quatro mais fortes deste campeonato.

O Barra não tem torcida, possivelmente jogará com pequenos públicos, mas investiu forte para conseguir o acesso. Não me surprenderei se o clube chegar nas últimas rodadas disputando uma das duas vagas, até porque o trabalho de montagem do elenco chama muito a atenção. Vai para a lista dos candidatos.


quarta-feira, 6 de julho de 2016

Conheça a segundona: Concórdia


CONCÓRDIA ATLETICO CLUBE
Fundação: 2 de março de 2005
Cores: Vermelho, Verde e Branco
Estádio: Domingos Machado de Lima (Municipal) - 8.000 lugares
Presidente: Hilton de Almeida
Técnico: Celso Rodrigues
Ranking "BdR" 2015: 13o. lugar
Catarinense 2015 : 6o. Lugar na Série B




O único representante da região Oeste na segundona conseguiu um acesso recente, disputando a elite em 2011 e a Série D do Brasileiro no ano seguinte. O clube não fez boa campanha no ano passado, com um grupo mais modesto que contava com a presença do experiente atacante Rodrigo Gral. Fazer futebol na cidade é um grande desafio, já que há um concorrente de peso ali perto do estádio municipal: o time de futsal, que disputa a Liga Nacional e ocupa a maior parte do noticiário. Fiz um exercício de procurar notícias do CAC nos sites de rádios locais e encontrei a grande maioria de informações do futsal. É em cima deste cenário que o Galo do Oeste tem que usar de criatividade e muitas ações para trazer torcedores e dinheiro para montar um time forte. Uma das soluções encontradas foi uma parceria com a Chapecoense, que cedeu jogadores do seu time sub-20 para dar cancha na segundona. O Criciúma também cedeu atletas, formando uma estrutura que foi adicionada com alguns jogadores experientes.



E o técnico do Galo para a segundona tem passagem recente pelo Brasileirão e é muito querido em Chapecó: Celso Rodrigues, ex-auxiliar técnico do Verdão e que chegou a treinar o time na Série A após a saída de Gilmar Dal Pozzo em 2013. Terá uma oportunidade interessante para mostrar serviço fora da Chape, e quem sabe construir uma carreira solo de sucesso como treinador. Acredito que tenha sido essa a intenção ao aceitar o convite do Concórdia.






Com orçamento limitado, a diretoria montou um elenco jovem, com muitos jogadores que vem por empréstimo sem custo. No meio deles, nomes experientes com o do zagueiro Rafael Morisco (lembra dele?), de 29 anos, que, depois de fazer certo sucesso na Chapecoense, acabou indo para o Vasco. Ele já havia atuado no CAC no ano passado. Outro reforço experiente é o goleiro Vanderlei, ex-Brusque, que é residente na cidade.

O Concórdia pode ser surpresa no campeonato. Possui jogadores jovens que treinavam em alto nivel nos seus clubes de origem, mesclando com experiência e com um treinador competente que poderá tranquilamente alçar voos altos depois de anos de trabalho na Chapecoense. Se conseguir encontrar o balanço ideal, vai incomodar.



terça-feira, 5 de julho de 2016

Conheça a segundona: Almirante Barroso

CLUBE NÁUTICO ALMIRANTE BARROSO
Fundação: 11 de maio de 1919
Cores: Verde e Branco
Estádio: Camilo Mussi (particular) - 3000 pessoas
Presidente: Hélio Orsi
Técnico: Renê Marques
Ranking BdR 2015: 22o. lugar (como SC Litoral)
Catarinense 2015: Vice-campeão da Série C




O Barroso, inativo no futebol desde 1971, retornou direto na segunda divisão através de uma parceria com o Sport Club Litoral, que por sua vez comprou o finado NEC, de tantas confusões no futebol catarinense no passado. Dentro de campo, o Litoral não conseguiu o acesso direto à Série B, mas acabou sendo beneficiado pela desistência do Atlético de Ibirama da primeira divisão, o que acabou dando uma chance ao Guarani de Palhoça, abrindo mais uma vaga na segundona. Buscando uma exposição maior, e aproveitando a péssima situação política do Marcílio Dias, o presidente do Litoral, Adriano Cipriano, procurou o Barroso. Assinou uma parceria de 10 anos para uso do nome do clube e reformou o estádio Camilo Mussi, que também é situado no centro de Itajaí, assim como o Marcílio. O campo foi totalmente reformado e sediará, no dia 17 contra o Porto, o primeiro jogo oficial disputado em gramado sintético em Santa Catarina (o gramado é esse da foto, com marcações diferenciadas pala society). O clube fez barulho, lançou uniformes com grande festa e está pronto para duas brigas: primeiro, buscar o acesso. E depois, entrar na concorrência com o Marcílio, por anos o único time da cidade, mas que vive uma situação horrível (isso será assunto no post dedicado ao Marinheiro).

O técnico do Barroso para a Série B é Renê Marques, ex-goleiro do Bahia e Marcílio Dias e que comandou o time na terceira divisão do ano passado. No primeiro semestre treinou o Naviraiense, do Mato Grosso do Sul, onde passou por um susto: em março, em um jogo contra o Ivinhema, Renê sofreu um princípio de AVC. Recuperado, trabalha normalmente.








O elenco barrosista para a Série B não tem medalhões como alguns dos seus concorrentes, mas conta com alguns jogadores conhecidos em Santa Catarina, caso do volante Jânio, ex-Brusque, do meia Safira, ex-Londrina e Foz, além de Rodrigo Couto, talvez o mais experiente, que tem passagens pelo Marcílio Dias (tem torcedor que achou traição), Metropolitano, Camboriú e Ibirama.

O alviverde de Itajaí, que muita gente não sabia que existia, chega para tentar dar uma chachoalhada na cidade que tem uma das maiores economias do Estado, mas que não colhe bons resultados no futebol já há algum tempo. Fico curioso para saber como será isso. O novo clube do futebol catarinense, quase centenário em sua história, está se preparando melhor que o rival da Rua Gil Stein Ferreira. Terá apoio da comunidade mesmo depois de tanto tempo sem jogar? E como será a disputa interna com o novo-velho rival Marcílio? Algo a ser olhado com carinho no campeonato que está chegando.



sábado, 2 de julho de 2016

Conheça a segundona: Juventus


GRÊMIO ESPORTIVO JUVENTUS 
Fundação: 1o. de maio de 1966
Cores: Grená, Preto e Branco
Estádio: João Marcatto - Particular (7.000 lugares)
Presidente: Sérgio Luiz Meldola
Técnico:Eduardo Clara
Ranking "BdR" 2015: 15o. Lugar
Catarinense 2015: 4o. lugar na Série B


O moleque travesso teve um 2015 bem fraco na Série B, perdendo 8 dos 18 jogos da fase de classificação. O clube, que teve a administração terceirizada, prometeu o acesso, mas acabou montando um elenco de baixa qualidade que não vingou. Neste ano, a empresa I9 anunciou seu desembarque do comando do futebol, voltando a deixar a tarefa nas mãos da diretoria. A montagem do elenco vinha bem, com o time se apresentando como candidato ao acesso, até que uma bomba estourou há alguns dias: José Pereira, o então diretor de futebol (conhecido por organizar o "Jogo das Estrelas" em Itajaí no final do ano) foi para a imprensa detonar o ex-presidente e vereador Jeferson de Oliveira, acusando-o de cobrar propina dos valores arrecadados junto a patrocinadores da equipe via whatsapp. Diante de uma situação complicada, coube ao presidente Sérgio Meldola tomar a atitude de afastar os dois do clube. Ou seja: aconteceu uma crise antes mesmo da bola rolar.

O Juventus, que completou 50 anos de existência recentemente, tem planos interessantes: o marketing faz um trabalho legal, a camisa está cheia de patrocinadores e a campanha de sócios está na rua. Em uma temporada que o clube terá um rival local (o Jaraguá, estreante na segundona) para dividir as atenções, o tricolor jaraguaense contratou um treinador que conhece o terreno onde vai pisar: Eduardo Clara, de 45 anos, que tem no currículo um acesso à elite com o Camboriú em 2011, que retorna depois de um período no Norte do país. Nos últimos dias, ele analisou jogadores da base local que poderiam ser aproveitados no time de cima.

O elenco do moleque tem alguns jogadores conhecidos, como o veterano goleiro Paulo Sérgio e o atacante Jean Carlos, ex-Atlético de Ibirama e Joinville, o também atacante Sabiá, ex-Metropolitano e o zagueiro Linno, ex-JEC. Mas quem se destaca nessa lista, até com certa surpresa, é o experiente meia Rosembrick, de 37 anos de idade, reconhecido pela sua passagem no Santa Cruz, indicado por Tite para jogar no Palmeiras e com um curto período no Criciúma. É um jogador que teve sérios problemas extra-campo em sua carreira, tanto que não conseguiu nenhum trabalho de destaque nas últimas temporadas. Mas ganhou uma chance em Jaraguá.

O elenco do Juventus tem interessantes nomes e entra na Série B do Estadual com a condição de buscar o acesso. Resta saber se as coisas dentro de campo funcionarão bem. Ano passado, a promessa era grande e o time não correspondeu. Agora, depois de uma briga grande que resultou na saída do diretor de futebol, vamos ver se isso não afetará o desempenho do clube.