domingo, 13 de abril de 2014

Sangue nos olhos, o detalhe e o título alvinegro

Eduardo Valente / Notícias do Dia
Em um jogo tenso e equilibrado, não há espaço para fraqueza.

Foram 45 minutos de um grande fraquejo do Joinville. Do outro lado, havia um time "pilhado" do Figueirense, que não pensou em dar botinada e jogou bola com sangue nos olhos. E enfrentou um adversário que estava com o futebol em algum lugar, menos no Scarpelli, no primeiro tempo. Afinal, onde estava o JEC que chegou na final?

Um jogo que pode ir pra história até do futebol mundial por ter um pênalti marcado aos 10 segundos de jogo, em uma entregada de Murilo Um gol que mudou todo o esquema montado por Hemerson Maria, que optou em mudar a proposta do jogo de ida, ao invés de apenas substituir Jael. Aí, perdendo no começo de jogo, e com Murilo sem ritmo, o tricolor não botou a cabeça e o futebol no lugar e foi presa fácil.

Um lance polêmico no segundo gol, é verdade. Vai servir pro torcedor do JEC reclamar pra sempre. Mas o time fez por merecer coisa melhor no primeiro tempo?

No segundo, o Figueira tratou de segurar. O JEC voltou a ser o time do primeiro jogo, pressionou, descontou e quase empatou numa defesaça de Volpi em um lance de Francis. Não havia mais tempo. O Figueirense é campeão com a vantagem da melhor campanha do quadrangular e por jogar ligado durante todos os noventa e poucos minutos do jogo. Em uma partida como essa, não há espaço para fraquezas. Vinicius Eutrópio fez o time entrar com uma garra incrível.

Além do primeiro tempo ridículo, o torcedor do Joinville também pode reclamar do jogo de Blumenau contra o eliminado Metrô no quadrangular, onde o time tinha a chance de ter a vantagem dos resultados iguais e da final em casa. Viesse a vitória, a história podia ser outra. Como o time não conseguiu fazer o seu dever, foi a final com desvantagem, sem conseguir superar o cascudo time do Figueirense.

Se diz aquela máxima que o futebol é detalhe, foi ele que deu o título pro Figueirense. Para quem fosse, seria justo. Parabéns aos alvinegros.


Mais uma mancha no "melhor campeonato de todos os tempos"

Agressão ao cinegrafista Fabiano Correia
Voltei de Florianópolis ouvindo Marcílio Dias x Ibirama. Pouco me importei com o que acontecia com o Brusque. Vou falar sobre isso no final do texto.

Recebi mensagem de um torcedor marcilista, que me disse que "pra você ter uma ideia, a revolta do torcedor marcilista era a mesma do pessoal do Brusque ano passado. O que esse árbitro fez não existe".

Torcedor não é bobo. As imagens estão aí. O comentarista da Rádio que eu ouvia dizia: "esse jogo está muito esquisito". E torcedor revoltado vira uma bomba relógio. Descarrega sua emoção na hora. Conheço muita gente que é calma no dia-a-dia mas vira bicho numa arquibancada. Como algo estranho acontecia no jogo, com uma atuação abaixo da crítica do Marcílio e uma arbitragem polêmica de um desconhecido árbitro chamado William Steffens, que expulsou jogadores marcilistas a esmo, marcou um pênalti inexistente, deixou o campo, voltou, não marcou um pênalti para o Marcílio e terminou o jogo aos 40 minutos. Aí o caldo ferveu.

Duas vítimas do sábado. Uma foi o presidente da Federação, que resolveu ir embora no meio da confusão. Ainda que eu tenha minhas convicções de que a gestão do futebol catarinense precisa tomar outro caminho, nada justifica o que aconteceu. Não é assim que vai se resolver alguma coisa, ainda mais contra uma pessoa idosa, ponto. A Polícia agiu com rapidez.

Rapidez que não aconteceu para achar o responsável pela agressão ao companheiro Fabiano Correia, da RICTV Itajaí, que tomou uma garrafada. Só quem já passou por isso, e quem me conhece sabe que eu não sou muito de tocar no que aconteceu comigo em 2010, sabe o tamanho da revolta. Jornalista esportivo abandona o seu final de semana pra viajar pelo Brasil, as vezes perde datas importantes pra transmitir futebol. E acaba tomando bordoada. Solução pra isso? Nenhuma. Ninguém é punido como deve.

Vamos falar do Brusque, que caiu. Prejudicado? Sim. Mas era um prejuízo totalmente evitável. O time poderia ter evitado, nas nove rodadas anteriores, ter que depender do último jogo para não cair. Após perder de 3 a 1 para o péssimo time do Ibirama, passou a precisar de um resultado. E quando o time entra nessa situação, tudo pode acontecer. Não vi o jogo em Itajaí, mas pela revolta, logo quem, dos torcedores da casa, dá pra dizer que algo estranho aconteceu.

Mas isso faz parte. O time que teve três treinadores no hexagonal poderia fazer melhor. Com um elenco rachado, com jogadores sem comprometimento, o caminho estava traçado. A queda de rendimento era flagrante. Eu não sei qual será o futuro do futebol brusquense, já que o time só voltará a campo na metade do ano que vem. Mas deixa a mensagem de que o clube precisará ter mais profissionalismo, pois não soube administrar um racha no elenco que era flagrante. Nem Joceli, nem Lio resolveram. E não sei se o Guardiola resolveria.

É triste, mas é a realidade, para tristeza do torcedor brusquense. E uma ironia: o torcedor que gritou "eliminado" pro JEC no Augusto Bauer, hoje vê o time rebaixado pro Chevettinho 2015 e o tricolor na final. Coisas do futebol.


sexta-feira, 11 de abril de 2014

Vai com Deus, "Seu" Rubens

"Oi amiguinho, é Rubens Fachini..."

Era assim que ele dizia quando eu atendia o telefone.

O Seu Rubens foi um cara espetacular. A cara dos Jogos Abertos, a bandeira do Esporte Amador de Santa Catarina. Flamenguista roxo (sempre usava camisas com a marca do Zico). Chegou a ser locutor de rádio (dos bons, já me disseram) e presidente do Brusque.

E se hoje os Jogos Abertos existem e sobrevivem, muito se deve a ele. Com todo respeito, ele era bem chato. Ia falar com o governador para pedir ajuda para que os JASC não caíssem no ostracismo. Organizou as cerimônias e o traslado do fogo simbólico de Brusque até a cidade-sede tirando dinheiro do bolso. Chegou a mandar uma carta-desabafo para o então secretário César Souza Jr. reclamando do abandono. Não gostava de homenagens. Ano passado, recebeu a surpresa de que seria condecorado e foi às lágrimas.

Lutador. Tinha câncer. Tomava vários remédios e não se deixava derrubar.

Quem me conhece, sabe como eu sou fã de Jogos Abertos. Defendo com unhas e dentes o ideal que o seu Rubens e o saudoso Arthur Schlösser criaram lá em 1960. É a maior festa do esporte amador do Estado. A oportunidade de atletas do extremo-oeste terem integração com participantes de olimpíadas em dez dias de overdose esportiva lá no mês de novembro. Por várias vezes ele me mostrou preocupação com o que acontecia, desde o esvaziamento do interesse da mídia até os rumos que o esporte aqui da terrinha tomava, uns anos atrás.

Há uns 10 anos, sentado em uma mesa do restaurante Tapioca lá em Timbó, no meio dos Jasc, eu disse pra um grupo de amigos da imprensa: "o dia que o seu Rubens ir embora, os Jogos Abertos correm risco". É missão nossa, da comunidade esportiva desse Estado, lutar para que o ideal não se acabe.

E nesse momento, Arthur Schlosser deve estar recebendo o seu amigo Rubens lá no céu com um forte abraço. Abraço de amigos que não se veem a muito tempo, e que serão eternamente reverenciados aqui embaixo na Terra.

Vai com deus Seu Rubens. Vai com Deus, amigo.


Top 10 dos Micos do Catarinense 2014

O Chevetão 14 está acabando neste domingo, com uma lista de fatos absurdos que supera o número de 10 estipulados nessa lista. Como novos fatos bisonhos acontecem a cada semana, a lista sofreu alterações de última hora mas está aí.

São fatos bizarros e preocupantes, do "melhor catarinense de todos os tempos" apregoado pela Federação. Cá entre nós, passou longe.

Vamos a lista! Espero que gostem.

10 - Paulo Turra - Depois de apostar no ex-auxiliar Emerson Nunes para o comando técnico, a diretoria do Avaí viu o tamanho da besteira que estava fazendo. Tinha a chance de contratar alguém experiente para arrumar a casa, e acabou trazendo Turra, que conseguiu fazer pior. Primeiro, pipocou legal ao não querer comandar o time no primeiro jogo depois de ser anunciado, o clássico no Scarpelli. Assistiu dos camarotes o time treinado pelo ex-auxiliar Raul Cabral vencer o jogo. Quando assumiu, foi um vexame só. Perdeu três jogos seguidos e foi demitido. Pra fechar com chave de ouro sua passagem pela capital, organizou uma entrevista coletiva em um hotel da cidade para contar sua versão da saída do clube. Quase ninguém foi. Até agora eu só soube de um repórter que apareceu lá.

9 - No Sesi ninguém entra! - Essa eu presenciei. Brusque e Atlético de Ibirama se enfrentariam em uma quente quarta-feira em Blumenau. Quando o pessoal chegou para trabalhar, deu de cara com o portão fechado. Até o trio de arbitragem foi expulso pelos vigias do Sesi, que brigavam até com quem fazia as imagens. Resultado: os torcedores viajaram para ver o jogo e deram de cara com o cadeado trancando a entrada do estádio, que foi barrado pelo Sesi por causa de dúvidas envolvendo a liberação do campo. No dia seguinte, o Metropolitano teve que mudar às pressas sua partida contra o Joinville para o estádio do Marcílio Dias.  Sinistro.

8 - As tabelas - O Departamento técnico da Federação gosta de brincar com o torcedor. Além de marcar a sétima rodada da fase de classificação antes da sexta, fazendo que, por exemplo, o Avaí jogasse três partidas seguidas em casa, fez lambança pior no quadrangular: trouxe o jogo Metropolitano x Joinville, pela última rodada, de domingo para sábado, de sábado para domingo a noite, para depois voltar ao horário original das 16h que deveria acontecer, por ser partida da última rodada. Não é a primeira vez que a turma lá se enrola todo com os horários dos jogos. É fácil ficar colocando culpa na TV...

7 - Carooooona! - Aconteceu com a Chapecoense, que agora é time de Série A. O time se deslocava de São Carlos para o Aeroporto de Chapecó quando, de repente, o ônibus que levava o time quebrou no meio da estrada, em uma área que não tem sinal de celular. O técnico Gilmar Dal Pozzo fez sinal para um outro ônibus que por ali passava, que levou os jogadores até um frigorífico da Sadia. Chegaram a tempo de pegar o voo. Detalhe: naquele mesmo dia, o clube inauguraria o seu novo busão.




6 - "Sua Gostosa!!" - Celso Teixeira, técnico do Juventus, ficou conhecido no Criciúma por deixar o clube de maca, após tomar um engradado de refrigerante nas costas em uma partida no Heriberto Hulse. Conhecido como "Menino Maluquinho" no meio do futebol, virou manchete nacional por "elogiar" a assistente Maíra Labes (logo a sobrinha do presidente e da FCF) ao ser expulsa de campo: "Eu vou sair, sua gostosa", teria dito o treinador. Mas se bem que a foto mostra que... bom, deixa pra lá.


5 - Não tem bola pra treinar - A FCF, que tem um contrato de anos com a Penalty para o fornecimento de bolas, sacaneou legal com os times do Campeonato. Recebeu uma remessa pequena que só usava para as partidas (e recolhia depois) e não distribuiu para os clubes, que simplesmente não encontravam bola para vender. Resultado: teve time que fez toda a pré-temporada com a bola do ano passado. Aliás, não sei porque os clubes até hoje não resolveram vender os direitos da bola do campeonato e não ter essa corrida pra encontrar a oficial do ano.

4 - Caminhão-arquibancada em Brusque - Essa eu também vi. O jogo era Brusque 1x1 Joinville, pela primeira fase. Estádio Augusto Bauer lotado e sem lugar pra ver o jogo em um bom ângulo. Não para um grupo de torcedores, que não se sabe como conseguiram entrar no Estádio com um caminhão caçamba e posicionar o "camarote móvel" estrategicamente atrás do gol. Acabou virando atração, coisa que eu vi muito em jogos amadores pelo interior.

3 - Pirão com sereno - O que o volante Pirão, então na Chapecoense, conseguiu fazer é algo de ir pros livros. Depois  de uma noitada no agitado borbulhamento de Chapecó, o jogador conseguiu dormir dentro do seu carro no início da manhã, em frente à entrada da garagem do prédio em que morava. Depois desse ato ninja, acabou demitido no dia seguinte. Com certeza, ele não esquecerá tão cedo as baladas do Oeste.



2 - Jabá Totalflex - O atacante do Juventus é mais uma vítima do sereno. Fez barba, cabelo e bigode, desde arruaça no centro da cidade, depois de ir pro boteco antes do treino, segundo relato da Polícia. Detalhe: as 10 horas da manhã. Diante do ato de indisciplina, a Diretoria do Juventus decidiu não demiti-lo. Afinal, mesmo jogando com dois combustíveis ele manteve o bom rendimento.


1- Carlos Berkenblind - Em homenagem à arbitragem catarinense, que decepcionou neste ano, o número 1 vai para o erro de arbitragem mais bisonho da década em Santa Catarina. O bandeirinha Carlos Berkenbrock (ou seria Berken"blind"?) simplesmente não viu o impedimento de Paulo Bauer no jogo contra o Metropolitano. E não era coisa de centímetros. Era de metro, mesmo. Uma vergonha injustificável.
E para fechar a lista com chave de ouro, o instituto Mapa o indicou como um dos melhores asisstentes do Estadual. Só pode ser piada, né?



quinta-feira, 10 de abril de 2014

"Tão nem aí" para a Copa do Brasil

Já que não existe nada em regulamento que evite jogos da Copa do Brasil em meio as duas finais do Estadual, Figueirense e Joinville foram pros seus confrontos pensando lá no domingo.

E foi complicado.

O Figueira saiu atrás e teve que conseguiur virar na base do desespero para cima do tal do Plácido de Castro. A eliminação passou perto, o que seria um vexame histórico, não importando quem estivesse em campo. Só mais um pitaco: é realmente sério que o alvinegro vai para a Série A com um goleiro fraco como Neneca na reserva de Volpi? Só pra constar

Já aqui em Novo Hamburgo, os titulares do JEC que entraram em campo contra o Noia pouco fizeram, e quem tinha uma chance decepcionou também. Perderam com um jogador a mais por praticamente todo o segundo tempo. Ainda tem o jogo de volta na Arena, lá no dia 22, mas o que poderia ser uma classificação simples contra um adversário que não mostrou nada de extraordinárrio virou um confronto em casa com obrigação de vitória por dois gols. Tá certo que o time titular vai voltar, mas a vantagem dos primeiros 90 minutos é do time de Itamar Schulle, que também acabou expulso.

Compromissos cumpridos, agora é foco na final.


segunda-feira, 7 de abril de 2014

Os ingredientes da grande decisão de domingo


Carlos Junior / Noticias do Dia
O Joinville conquistou a vantagem do empate na decisão de domingo com a vitória em um jogo quente, o que já vinha se anunciando desde a partida entre os dois ainda no quadrangular, em Floripa.

Venceu quem tinha vontade de ganhar. Por mais que Vinicius Eutrópio tenha dito o contrário, não vi em nenhum momento o Figueira partindo pra cima. Jogou no erro do adversário e só subia na boa.

Jogo complicado para a arbitragem. Bráulio Machado se perdeu, faltou muito jogo de cintura. Wellington Saci, que é o personagem do confronto por ser um ex-jogador alvinegro e ter saído de lá em um clima nada bom, foi o foco das provocações. Aliás, provocação dos dois lados foi o que não faltou. Decisão é assim, jogo pra quem tem futebol e controle emocional, que faltou muito ao Figueira desde aquela partida do quadrangular. Tem que ter menos mimimi e mais futebol.

Faltam noventa minutos, e não tem muito segredo no que vai acontecer: o Joinville, que não terá Jael mas contará com a volta do zagueiro Rafael, vai apostar na pressão alvinegra para enfiar um contra-ataque e complicar mais a vida do time da casa. Foi assim que o time jogou nas duas últimas vitórias em Florianópolis, ano passado na Série B e no quadrangular. Sem Jael, Hemerson Maria apostará em Francis ou Fernando Viana, opções que dão mais rapidez ao time. Duvido muito que o técnico tricolor faça um retrancão. Tem um time equilibrado na defesa (que começou a se ajustar depois dos 3 a 0 sofridos na primeira fase), e uma rápida saída pelas laterais.

Já o Figueira, que não mostrou brilho algum em Joinville, vai apostar nas bolas de Marcos Assunção para ver no que dá. O meio-campo alvinegro ficou preso na forte marcação do volante Naldo e pouco trabalhou. Dá pra dizer que foi uma boa para Eutrópio ter perdido o jogo com apenas um gol de diferença. Tem uma semana para tentar arrumar a receita para evitar o segundo título seguido de Hemerson Maria dentro do Scarpelli.




sábado, 5 de abril de 2014

Olha o MP aí outra vez

Depois de todo o rolo que aconteceu depois daquele fatídico Atlético-PR e Vasco, o Ministério Público joinvilense resolveu aparecer de novo.

Os promotores entraram, na noite de sexta, com uma ação pedindo a interdição da Arena Joinville, por causa de um problema antigo. Mas é bom ressaltar que a Arena tem os documentos e recebeu a famosa liberação para o Campeonato Catarinense, através de um TAC assinado com a supervisão do próprio Ministério Público.

O presidente Nereu Martinelli, em entrevista ao Clube da Bola hoje, se mostrou surpreso. Ele afirmou que aconteceu uma reunião na quinta-feira com o MP e que foi surpreendido na noite de sexta com o pedido de interdição.

O mandachuva tricolor garante que o jogo de domingo não está ameaçado por falta de tempo hábil para notificar a Felej, que é a autarquia municipal responsável pelo estádio

Há duas semanas, a Arena recebeu mais de 14 mil pessoas contra o Criciúma e ninguém tentou interditar o estádio. Pergunto: por que apareceu esse pedido de interdição a dois dias da decisão, e não antes de qualquer outro jogo do Estadual?

Melar uma festa bonita não, né!


quinta-feira, 3 de abril de 2014

Figueirense x Joinville, as decisões: parte 2, 1984 e 2006, a única final

JEC x BEC / Foto: site Nasceu Campeão
Continuando a contar um pouco da história dos encontros decisivos entre Joinville e Figueirense, hoje é vez de 84 e 2006. Uso o termo "encontros decisivos" por que decisão mesmo só aconteceu uma, em 2006. Não dá pra considerar uma última rodada em pontos corridos como uma final, até por que existiram outros times envolvidos e não tinha um "jogo de ida" imediatamente antes da decisão propriamente dita.

A máquina tricolor que dominou o futebol em Santa Catarina nos anos 80 continuou seu reinado que vinha desde 1978 e que só acabaria dois anos depois. Novamente um quadrangular que decidiu o caneco, sem decisão.

Regulamento longo, cansativo. O Joinville venceu dois dos três turnos (Taça Governador, contra o Figueira, e J. A. Rebelo, contra o BEC) e teve que jogar o quadrangular final, contra a dupla da Capital e o Blumenau. Classificado com um ponto extra, o JEC chegou à última rodada na mesma situação do ano anterior: precisava de um empate no Scarpelli para levar o caneco. Assim aconteceu. Os momentos finais do jogo, abaixo, onde foi executado pela TV o hino da cidade de Joinville:



Os times só voltariam a se enfrentar em 2006, aí sim, em uma decisão em duas partidas. O Joinville não começou bem o campeonato, classificando-se em quarto lugar na primeira fase, mas encontrando seu rumo entre os oito melhores. Do outro lado, o Figueirense (que mandou algumas partidas da primeira fase em Lages) classificou em primeiro no seu grupo, caindo na mesma chave do JEC na segunda fase. Na outra chave, classificaram-se Atlético de Ibirama e Juventus, duas surpresas.

Nas semifinais, o Joinville bateu o Juventus, e o Figueirense derrotou o Ibirama com duas vitórias cada.

Na primeira final, em 2/4/2006, a primeira acontecida na Arena Joinville, que completa 10 anos em 2014, o Joinville reverteu a vantagem alvinegra, vencendo pelo placar de 2 a 1. Uma semana depois, em um Scarpelli lotado, o Figueirense não só foi atrás no placar como aplicou 3 a 0 no adversário, gols de Cícero, Soares e Fernandes. O terceiro gol, marcado pelo maior artilheiro da história do alvinegro, abaixo:


Então é isso. Considerando apenas as finais em ida e volta, Joinville e Figueirense vão se encontrar pela segunda vez em busca do título estadual.


segunda-feira, 31 de março de 2014

Figueirense x Joinville, as decisões: parte 1, 1979 e 1983

Como todos os anos, o Blog inicia hoje uma série contando a história das decisões de Estadual envolvendo Figueirense e Joinville. Foram três decisões entre os times até hoje, e uma temporada em que o JEC levou o título e o Figueira ficou em segundo.

Por isso, o post de hoje tem duas temporadas. Cabe explicar que em 1979 não houve final. O campeonato daquele ano teve um hexagonal final, em pontos corridos, onde além do JEC (entrou com um ponto extra) e Figueira, também participaram Caçadorense, Chapecoense, Joaçaba e Criciúma.

Na última rodada, o Joinville empatou com a Chapecoense em 1 a 1 e o Figueirense bateu o Joaçaba, 2 a 0. Foi o segundo título seguido de uma série de oito de um time que dominou quase uma década inteira. Mas dessa vez, não teve uma final com confronto direto entre campeão e vice.

Em 1983 também não houve final. Um quadrangular decisivo em pontos corridos definiu o campeão daquela temporada, mas quis a tabela que Figueirense e Joinville se enfrentassem na última rodada, com o tricolor jogando pelo empate para assegurar o caneco.

Durante a fase final, que também teve Criciúma e Avaí, o Joinville venceu quatro jogos e perdeu apenas um, para o Tigre, na segunda rodada. No confronto do primeiro turno, no Ernestão, o JEC venceu por 1 a 0, gol de Zé Augusto. Com campanhas idênticas, o tricolor do norte foi para o jogo decisivo com dois gols a mais no saldo, o que lhe dava a vantagem do empate no Scarpelli.

Assim aconteceu, o Joinville segurou o ataque alvinegro, que tinha o artilheiro Albeneir (24 gols, 13 a mais que Nardela, maior goleador tricolor), manteve o zero a zero e levou o hexacampeonato seguido. Os dois times seguiram dominando o futebol no Estado até o ano seguinte quando, de novo, se encontraram na última rodada. Mas isso é papo para outro post.

A ficha do jogo decisivo, que aconteceu em 18/12/1983:

Joinville: Naresi; Sidnei, Adilson, Léo e Jorge Silva; Palmito e Zé Augusto (João Paulo); Nardela, João Carlos, Vagner e Ademir.

Figueirense: Luiz Carlos; Almir, Levir, Carlos Roberto e Hamilton; Mundinho, Balduíno e Oliveira; Tadeu, Albeneir e William.

Árbitro: Antônio Rogério Osório, auxiliado por Dalmo Bozzano (Mozart Badia) e Alan Giovane Abreu.

Renda: Cr$ 17.358.000,00

Em vídeo: a festa do título tricolor, onde Adilson levanta a taça do hexacampeonato, gravado pelo Marcos Messias, do site Nasceu Campeão:

domingo, 30 de março de 2014

Os melhores e mais competentes na final

O Metropolitano foi o melhor da primeira fase, mas falhou na segunda. O Criciúma se classificou daquele jeito, não teve competência no quadrangular, e também caiu fora. Se é que se pode usar o termo "justiça" no futebol, deu a lógica e o indício de uma decisão quente e equilibrada por aí.

Joinville e Figueirense. Três confrontos no ano, uma vitória para cada lado e um empate.

Decisão definida em uma pelada e um jogão.

Carlos Junior / Notícias do Dia
O Joinville perdeu a chance de decidir em casa, que só cabia a ele. Um jogo contra o eliminado Metrô para seiscentas e poucas testemunhas que parecia pelada de solteiros contra casados. Poucas emoções, ataques que pouco queriam com a bola, e bote aí o desespero do JEC no final do jogo quando soube que precisaria vencer o jogo. Um zero a zero daqueles mais que merecidos pela falta de futebol. Hemerson Maria arrumou mal o time, que abandonou a organização para se transformar num amontoado que ia ao ataque de qualquer forma. Facilitou para o Metrô, que via espaços para contra-atacar. Jogo chato, resultado que deu a deixa para o Figueira carimbar a decisão no Scarpelli e a vantagem dos resultados iguais. Desfalcado de Bruno Aguiar e principalmente de Edigar Júnio, o time terá que provar que foi só uma má tarde.

Eduardo Valente / Notícias do Dia
Pouco vi de Criciúma x Figueirense, mas ir desfalcado para o Heriberto Hulse lotado, suportar a pressão, e fazer três gols, é algo sensacional e que dá moral para a final. A torcida está insandecida para os jogos finais onde os dois times, completos, vão fazer o tira-teima.

Não é questão de ficar em cima do muro. O campeonato está tão nivelado (por baixo), que ninguém se candidatou, em campo, a ser favorito. Pesa a favor do Joinville uma melhor organização (tirando fora o último jogo), enquanto o Figueira tem a vantagem da final em casa, o que não quer dizer muito: os últimos dois campeões estaduais fizeram o segundo jogo fora.

A última partida, que o JEC venceu no Scarpelli, foi quente, com muita briga, expulsos dos dois lados e muita dificuldade para a arbitragem. Dois times que já se enfrentaram três vezes e que não se entendem em campo. A Federação terá que tomar cuidado com as equipes de arbitragem que serão escaladas, se não vai virar confusão, já que nenhum deles passou limpo pelas polêmicas na temporada.

Que venham as finais.


sábado, 29 de março de 2014

Lima, rumo Chapecó

Paysandu.com.br
Falta apenas a liberação do Paysandu para que o atacante Lima volte ao futebol de Santa Catarina. Desta vez, na Chapecoense.

Autor de 13 gols até agora na temporada, o maior artilheiro da história do Joinville está muito próximo de Chapecó. Segundo informações, ele já acertou bases salariais com o Verdão e depende apenas da liberação do time paraense, que enfrenta o Remo neste domingo e terá no dia 20 a decisão da Copa Verde contra o Brasília.

Segunda-feira, depois do clássico Re-Pa, o Paysandu deve fazer uma contra-proposta. Pode pesar o fato de Lima poder jogar uma Série A, e provavelmente, como titular da Chapecoense. O clube paraense pode querer endurecer para liberá-lo, mas não será fácil segurar o jogador, já que o Verdão acena com o pagamento da multa rescisória.

Para o time de Gilmar Dal Pozzo vai ser uma boa. É um atacante que todos sabemos que é goleador, vive boa fase no futebol paraense (é o terceiro colocado do Prêmio Friendenreich), tem moral em Santa Catarina e, no concorrido mercado do futebol onde é difícil achar um camisa 9, trazê-lo da Série C, onde não há muita badalação, é um bom negócio.

Atualização das 21:24: Fontes próximas ao atacante garantem que Lima já tem contrato assinado com a Chapecoense. Deve viajar provavelmente após a decisão da Copa Verde, no dia 20.



quinta-feira, 27 de março de 2014

O que aconteceu com o Brusque

Depois de mais uma derrota no campeonato, dessa vez para o Avaí, que foi ajustado por Pingo, o Brusque está no início de um namoro com a zona de rebaixamento.

Pra piorar, Joceli dos Santos pediu demissão antes mesmo do jogo. Comunicou para a imprensa depois. Disse que tinham jogadores "que se achavam o Pelé". A diretoria já anunciou a contratação de Lio Evaristo, ex-técnico do Metropolitano.

Alguns já vieram perguntar "o que acontece com o Brusque?". São alguns fatores que nada tem a ver com a troca de técnico.

Domingo, depois do jogo em Chapecó, o atacante Ricardo Lobo, que começou bem e, com a sequência de más atuações parou no banco de reservas, veio para a imprensa criticar o técnico. Trouxe pra fora algo que estava bem pesado dentro do clube: depois de serem chamados de "sensação" e quase se classificar para o quadrangular, o sucesso subiu na cabeça de alguns jogadores. Empresários ligando e contatos de outros clubes fizeram o time perder o foco. E olha o que aconteceu.

Enquanto há no elenco jogadores que mostram motivação, outros não estão nem aí e vão provando que não são isso tudo. O que dizer do atacante Eydison, de 13 gols marcados na segunda divisão e apenas um no Estadual deste ano? Um dos maiores salários do time, prova que é um jogador muito bom para divisões de acesso. E é impressionante a queda de rendimento do time como um todo. Aquele time vibrante da primeira fase desapareceu.

O que fazer? A diretoria tem que tomar as rédeas da situação antes que Juventus e Ibirama resolvam reagir. A situação ainda não é para desespero, mas inspira cuidados.

É ver se Lio Evaristo arruma a casa. Não é tão complicado.

terça-feira, 25 de março de 2014

Como rasgar um regulamento, por FCF

O regulamento da Copa Santa Catarina de 2013, vencido pelo Joinville,que teve o Metropolitano como vice e o Guarani como terceiro colocado, é tão claro que dói a vista. Não deixa dúvida nenhuma quanto à distribuição de vagas para a Série D:

§ 1º Caso a associação que se sagrar a campeã da COPA SC/2013 já for integrante dos 
Campeonatos Brasileiros das Séries “A”, “B” , “C” ou “D” de 2014 ou vier a conquistar a primeira vaga da  Federação Catarinense de Futebol do Campeonato Brasileiro da Série “D” de 2014 através de sua classificação no Campeonato Catarinense de Futebol Profissional da Divisão Principal de 2014, a segunda vaga da FCF no Campeonato Brasileiro de Futebol da Série “D” de 2014 será da associação que, dentre as  não integrantes dos Campeonatos Brasileiros das Séries “A”, “B”, “C” e “D” de 2014, obtiver a melhor  colocação nesta competição (COPA SC/2013), conforme o disposto no art. 10 deste Regulamento. 

§ 2º Se porventura, além da associação campeã, a vice-campeã, ou ainda, as demais associações de 
colocações subseqüentes da COPA SC/2013 já forem integrantes dos Campeonatos Brasileiros de 2014, a segunda representante da FCF no Campeonato Brasileiro da Série “D” de 2014, será a associação que, excluídas as já integrantes dos Campeonatos Brasileiros mencionados no parágrafo anterior, obtiver a melhor colocação nesta competição (COPA SC/2013), na forma estabelecida no art. 9º deste Regulamento. 

Seguindo a ordem de todos os outros anos, Metropolitano leva a vaga como quarto lugar do Estadual, deixando a vaga da Copa Santa Catarina para o terceiro colocado, Guarani de Palhoça.

Desde 2009, quando a Série D teve sua primeira edição, foi assim.

Agora, a dona FCF, usando um ofício bem complicadinho da CBF, vai dar a vaga da Copinha para o melhor time do hexagonal do Estadual, tirando o Guarani de Palhoça da disputa.

É simples: quem decide a distribuição das vagas (e principalmente a segunda delas) para a D é a Federação, e não a CBF.

Vamos relembrar um pouco como foi a distribuição em anos anteriores? Em vermelho, aconteceram dois casos iguais ao de 2014:

2009: Brusque (campeão da Copa SC 2008) e Chapecoense (melhor do Estadual 2009)
2010: Joinville (campeão da Copa SC 2009, mas vice-campeão do Estadual 2010) e Metropolitano (vice-campeão da Copa SC 2009, entrou pois o JEC levou a vaga pelo Estadual)
2011: Brusque (campeão da Copa SC 2010) e Metropolitano (melhor do Estadual 2011)
2012: Metropolitano (melhor do Estadual 2012 e terceiro lugar na Copa SC 2011) e Concórdia (a vaga era do Brusque, vice-campeão da Copinha, que desistiu. Como o Metrô já tinha vaga pelo Estadual, a chance passou para o Marcílio Dias, que também abriu mão. Último colocado da competição, o Concórdia decidiu jogar o campeonato).
2013: Metropolitano (melhor colocado do Estadual 2013) e Marcílio Dias (vice-campeão da Copa SC).

Os regulamentos são iguais em todas as temporadas, e nos anos de 2010 e 2012, foi obedecida a mesma lógica que colocaria o Guarani na Série D em 2014. Mas como se trata de um clube pequeno da segunda divisão, talvez a leitura do regulamento não tenha sido a mesma.


domingo, 23 de março de 2014

É JEC na final

Carlos Junior / Noticias do Dia
Jogo disputado, entre os dois melhores times a essa altura do campeonato. O Joinville perdeu chances na cara do gol, mas conseguiu marcar, em um lance chorado no fim da partida. Passaporte garantido na final. O tricolor do norte volta à final depois de quatro anos, e vai tentar o título que não vem desde 2001, ainda na era do Ernestão.

E Hémerson Maria chega a sua segunda final em três temporadas.

Um time que passou por perrengues para chegar na final. Depois de fazer dois pontos nos três primeiros jogos do Estadual, o time jogou a primeira fase pressionado. Venceu Avaí e Juventus fora de casa, e poderia cair fora se tivesse perdido em Brusque. Arrumou um empate e classificou. No quadrangular, depois de dois empates em casa, foi pressionado de novo para o Scarpelli. Venceu, depois bateu o Tigre em casa e carimbou vaga na final.

Contra o Criciúma, foram duas chances mais do que claras no primeiro tempo, do tipo jogador na cara do gol, coisa de falta de tranquilidade. A impaciência aumentava, e a tensão do torcedor crescia. No segundo tempo, o Tigre fechou os espaços. Caio Junior tirou Gustavo e perdeu a referência na área, preferindo segurar o empate do que pressionar para a vitória. O Joinville não perdeu a cabeça e foi buscar furar a linha de zaga criciumense. Conseguiu, em um gol chorado de Jael. Passaporte carimbado.

Agora, o Joinville vai a Blumenau no domingo para tentar garantir a decisão na Arena. Do outro lado, Criciúma e Figueirense vão decidir a outra vaga, com o empate favorecendo o Alvinegro. O que é promessa de um grande jogo. O Tigre, que tem um time melhor, vai pegar um Figueira desfalcado e que joga por dois resultados.

Última rodada que promete.


sábado, 22 de março de 2014

Pro gasto: Figueira segue em frente para a última rodada e elimina o Metrô

Luiz Henrique / Figueirense FC
Sem fazer um grande jogo e aproveitando a pasmaceira do Metropolitano, o Figueirense venceu por 2 a 1 e vai vivo para a última rodada em Criciúma. Vai para o jogo decisivo com problemas, mas com chances. Vai ter que se superar.

Resultado que eliminou o Metropolitano, time que fica fora da briga pela inoperância do seu ataque, que marcou 17 gols em nove jogos na primeira fase, e apenas dois em cinco partidas no quadrangular. Mesmo tomando um gol de pênalti no começo do jogo, o time não fez nada para mudar o cenário, apenas uma pressãozinha no final da partida, quando conseguiu descontar. Para piorar, João Paulo falhou feio no lance do segundo gol, enterrando qualquer chance. Fim de campeonato.

Não dá pra projetar a última rodada sem o resultado de JEC x Criciúma, no domingo. Certo é que o Figueirense terá que fazer um resultado no Sul pra não depender de outros resultados. E sem Thiago Heleno e Leandro Silva suspensos, mais Assunção sentindo uma fisgada, Vinicius Eutrópio vai ter que se virar e dar qualidade pro time, que vem de dois jogos que não convenceram.

Contra o Joinville, sem vibração, o time perdeu. Contra o Metropolitano, o "jogando pro gasto" funcionou. No jogo decisivo, o time vai ter que mostrar muito mais futebol. Se não vai ficar pelo caminho.