quinta-feira, 24 de julho de 2014

Figueira traz o "Benazzi do terceiro milênio". Os dirigentes são muito previsíveis

Rosane Lima / Notícias do Dia
Argel Fucks tem fama de bombeiro, ou como diz o professor Joceli, "entra em avião pegando fogo". Tem amizade com o presidente, é cara de discurso forte e acostumado a pegar times em crise. Foi a escolha mais fácil do Figueirense, e acho que a mais barata, já que Gilmar Dal Pozzo saiu da Chapecoense valorizado.

Sua última passagem no Figueirense foi bem ruim, com apenas uma vitória em dez jogos. Foi tirado do Joinville após a demissão de Branco no vice-campeonato estadual em 2012.

É aquela história que todo mundo conhece: ele vai chegar no clube hoje, apresentar aquele discurso forte e motivador, gritar bastante na beira do campo e tentar fazer limonada com os limões que estão aí. É admitir que o time foi mal montado e agora querer espremer o máximo o que dá. Se não der certo, ele vai ser trocado e a vida segue. Se conseguir tirar o time do buraco, vai somar mais uma salvação no seu currículo, cheio de incêndios apagados e sem títulos conquistados.

Não era a melhor opção, o rumo poderia ser outro para buscar uma solução que não seja a de curtíssimo prazo e na base do berro. Analisar quais foram os erros e quem foram os responsáveis até aqui seria bem melhor e ajudaria bem mais. Mas como os dirigentes do futebol brasileiro são bem previsíveis, essas coisas acontecem.


Guto fora do Figueira. E sem tempo para uma boa arrumação

Flávio Tin / Notícias do Dia
O Figueirense confirmou o que já era esperado. Não foi depois do jogo contra o Bragantino, mas no dia seguinte Guto Ferreira acabou demitido. Seus números: 3 vitórias (Corinthians, Coritiba e Bragantino), um empate e sete derrotas.

O problema não é só ele, mas passou por ele. Teimoso, insistiu em um sistema que não funcionava, e ainda fazia questão de dizer que estava tudo certo. A fome por resultados de um time que continua na zona de rebaixamento custou sua cabeça.

O pior não é a troca de técnico. É saber que o time entrou na parada da Copa mal, teve 40 dias para corrigir os problemas que não foram corrigidos, e agora o Brasileirão vai correr com pouco tempo para uma grande arrumação. Quem vier terá um grande desafio.

O favorito é Gilmar Dal Pozzo, que inclusive já está morando em Floripa. É um bom nome, mas não faz milagres. Em Chapecó conseguiu implantar um trabalho a longo prazo. E prazo é o que nem ele e nem um outro treinador terão.


quarta-feira, 23 de julho de 2014

Quase 100 passes errados no jogo, e o Palmeiras venceu

Um jogo horroroso na Ressacada. De quase cem passes errados, 97 pra ser exato. O desfalcado time do Palmeiras prevaleceu no meio-campo contra um Avaí com a cabeça em outro lugar que não seja o campo. Perdeu e está praticamente eliminado. Se fosse jogo da primeira ou segunda fase, nem teria volta.

Cléber Santana e Marquinhos não jogaram, e o time travou. Sem válvula de escape pelas laterais, o time foi presa fácil para os palmeirenses.

O foco tem que voltar para a Série B. Sábado tem jogo contra o Joinville.

A Copa do Brasil vai encaminhando o seu fim para os catarinenses. A Chapecoense não conseguiu passar pelo Ceará mas tem tudo para fazer sua primeira participação em competição internacional, na Sul-americana. Criciúma e Figueirense também devem estar lá. Tem mais calendário pela frente.


terça-feira, 22 de julho de 2014

Eliminação que doeu no torcedor e no caixa

Luiz Henrique / Figueirense FC
Além da má fase que o Figueirense atravessa, essa eliminação da Copa do Brasil para o Bragantino ainda acabou em prejuízo financeiro, algo em torno de 500 mil reais que vão pro caixa do adversário, entre cotas e renda de um jogo contra o São Paulo.

O time alvinegro foi eliminado simplesmente pelo penúltimo colocado da Série B, que tem apenas duas vitórias em doze jogos. E foi esse Bragantino que fez um a zero e colocou o Figueira em parafuso, trazendo consigo a raiva da torcida. Com o time sem funcionar, as jogadas individuais acabaram na virada que levou o jogo para os penais, onde faltou a tranquilidade para Cleiton e Jean Carlos, que erraram o rumo do gol.

Guto Ferreira poderá cair nas próximas horas. É até irônico dizer, mas se a classificação viesse nos pênaltis, poderia maquiar um pouco a má situação ou dar uma sobrevida ao treinador. Com a eliminação, o processo pode ser acelerado. Foi apenas a terceira vitória sob o seu comando, contra um empate e sete derrotas. Os números falam por si.

O problema não é só técnico. Mas a eliminação somada com prejuízo financeiro doeu fundo na diretoria. Pode vir aí alguma tentativa de mudar a situação do jeito mais rápido, leia-se trocando o treinador.


Nem com discurso manso Dunga e a CBF convencem

Ele chegou mansinho na entrevista coletiva e usou dos mesmos argumentos de anos atrás para justificar sua volta à seleção.

E não convenceu.

Fruto da imaginação de uma gestão infinita da CBF, maquinada por outras gestões infinitas do futebol Brasil afora, o comando do futebol brasileiro perde uma grande chance de fazer uma correção de rota na seleção. Primeiro, traz um Gilmar Rinaldi que era empresário até um dia antes da nomeação (e que por isso mesmo vira uma pessoa com o dobro de pressão e desconfiança), e um treinador que comandou apenas um time nestes quatro anos, ganhando um título estadual. Não arrumou mais emprego depois disso.

Eu sou partidário do Tite. O treinador da seleção tem que mostrar as suas credenciais no clube. Há de se admitir que ele ganhou tudo no Corinthians. Por isso, ganha o posto de candidato e merecia uma chance. Se preparou para isso. Dunga, adepto de volantes à lá Felipe Melo pouco fez, sendo chamado agora com o velho e manjado discurso do "amor a camisa".

Senhores, precisamos de amor a camisa, sim. Isso nem deveria ser objeto de discussão. Espírito de equipe também. Ótimo. Mas antes disso, precisamos de qualidade na ponta da chuteira, um esquema tático que funcione, uma organização geral do futebol brasileiro de cima pra baixo.

Mas partindo de uma Confederação que tem raízes no conservadorismo e no "não vamos mudar nada porque isso não influi nas nossas vidas", isso era esperado.

Depois de tomar duas lambadas de Alemanha e Holanda em casa, a gloriosa CBF aparece com Gilmar e Dunga como a solução dos problemas.

Como diria o Paulo Alceu, a vida segue. Vamos em frente pra ver no que dá, principalmente pra saber se o "Dunguinha paz e amor" mudou ou era só impressão inicial.


sábado, 19 de julho de 2014

O dia que a Chapecoense calou o Morumbi

Ivan Storti / Lancenet / ND
A torcida do São Paulo estava pronta pra festa. Foram 47 mil torcedores empurrados por um valor justo de ingresso. É aquele tipo de jogo que o torcedor vai com a certeza que verá muitos gols do seu time. 

Só que do outro lado tinha uma Chapecoense bem armada, que defendeu muito bem, soube aproveitar a chance que teve e garantiu o resultado. Algo sensacional, mais um feito para o caderninho do clube que impressionou o país no ano passado.

Por favor, que o assunto da busca do Verdão por um novo técnico esteja encerrado. Sob o comando de Celso Rodrigues, o time recuperou a grande diferença técnica do início do Brasileirão, conquistou resultados e conseguiu ir para a parada da Copa fora da zona de rebaixamento. E no primeiro jogo pós-Copa, vence o São Paulo do Muricy com muita garra. Deixa assim que tá bom. O time está competitivo, isso é o que interessa.

Sábado que também teve a derrota do Figueirense para o Grêmio, para mais de 6 mil torcedores que não lotaram o Scarpelli, com o absurdo preço do ingresso a 100 reais. O principal problema: falta de chutes a gol. Contei uns dois ou três, sem perigo. Guto Ferreira mexeu o time e não resolveu. Tomou o gol no início da partida e não teve competência, e parece que nem vontade de empatar. O meio não funcionou e o ataque não fez absolutamente nada. 

Agora fica a dúvida: o real time do Figueira é o que bateu o Coxa ou o que perdeu para o Grêmio? Coisa para se analisar.


Resultados que aumentam a importância do JEC x Avaí do próximo sábado

Assessoria JEC
A derrota do Joinville em Natal e a vitória avaiana sobre a Ponte Preta na Ressacada aumentaram e muito a importância do encontro entre os dois times sábado que vem, na Arena. Os resultados e a situação que os times vem para esse jogo (principalmente o JEC) referendam isso.

O Joinville está voltando do Nordeste com três pontos em dois jogos. OK, são pontos importantes, que somado a um impecável desempenho dentro de casa, podem colocar o time na Série A. Mas a partida em Natal me preocupou um pouco. Primeiro tempo fraco, Jael marcou de cabeça depois de um belo cruzamento de Marcelo Costa. Hemerson Maria tratou de tentar segurar o resultado e foi traído por uma infelicidade de Anderson Conceição, que sem querer desviou um chute de Renato que acabou no empate.

Depois disso, o time perdeu a cabeça. Bruno Aguiar acabou expulso depois do segundo gol do ABC, e depois Everton foi pra rua. O time já havia perdido Naldo com uma possível lesão grave no adutor. Ou seja: o time poderá cair para a quarta colocação neste sábado, e terá um jogo de seis pontos contra o Avaí em casa sem três importantes titulares. O time que entrou líder na 12a. rodada poderá sair da 13a. fora do G4. Mundo cruel esse da Série B.

O Avaí precisou de mais um pouco de drama para vencer a Ponte Preta com um golaço de Thiago Carleto, um dos jogadores que chegaram no time pós-posse de Geninho. Com drama ou não, o time chegou à segunda vitória seguida depois da Copa e agora terá o primeiro jogo fora de casa. É o primeiro tiro que o time azul dará para tentar entrar no G4 contra um time que deixou meia torcida ressabiada depois da derrota pro ABC.

Dos dois lados há motivos de sobra para transformar esse JEC x Avaí na Arena em um jogo especial dentre os 38 do campeonato. Algo como uma primeira decisão.


quinta-feira, 17 de julho de 2014

Figueira e Criciúma confirmam o bom reinício do Brasileirão

Felipe Gabriel / Lance / ND
Se na terça os dois catarinenses venceram, a quarta trouxe outras boas notícias. Jogando bem, Figueirense e Criciúma ganharam seus jogos e dão o sinal de que a intertemporada pode ter sido boa.

Em Curitiba, gostei muito da atitude do Figueira, que soube pressionar o Coxa. Fez o gol logo no começo do jogo e soube controlar bem o espaço. Não foi uma vitória ao acaso. O alvinegro teve uma atuação sólida. Tá certo que o Coritiba não vive uma das melhores fases, mas o grupo em si soube administrar bem a partida, e isso é o que importa. E quando alguma coisa dá problema, tem um Volpi inspirado lá atrás. Vale a mesma regra para todos: uma boa fase é marcada por uma sequência. Contra o Grêmio dá pra ter uma ideia melhor do que o Figueirense evoluiu na parada da Copa.

Já o Criciúma teve uma atuação muito boa que terminou em susto. Um jogo que vai ser marcado por um pênalti mandrake que Paulo Baier tropeçou em suas próprias pernas, enganando o árbitro. Por sorte, o time teve volume de jogo para fazer mais dois gols e tranquilizar a todos. Os dois gols do Fluminense no fim da partida, fruto de total desatenção da defesa, colocaram um pouco de drama. No final, aquele tropeço do Baier no começo do jogo fez a diferença, e o tricolor chega aos 11 pontos, já descontados aqueles três do jogador irregular.

Uma coisa é certa: os times se mexeram, identificaram os seus erros e conseguiram consertar os problemas mais graves. É um bom sinal.



terça-feira, 15 de julho de 2014

Na volta da Série B, o partidaço do JEC e a virada do Avaí

Recomeçou a Série B e tanto Avaí quanto Joinville fizeram a sua parte.

O tricolor foi ao Ceará, não tomou conhecimento do Vozão, sapecou 3 a 0 no primeiro tempo e vai para Natal líder do campeonato, jogando da forma que todos esperavam. Mesmo chegando ao segundo lugar na parada para a Copa, haviam problemas a ser resolvidos no JEC, principalmente no meio-campo. Chegaram Fabinho e Everton, Marcelo Costa jogou na sua posição e fez um partidaço.

O time foi muito bem colocado em campo, suportou a pressão e mostra um interessante cartão de visita para esse segundo semestre. É cedo pra dizer se o time vai jogar bem até o final, mas Hemerson Maria encontrou uma interessante combinação que pode dar muito certo. Sexta, contra o ABC, e sábado que vem, contra o Avaí, serão jogos para provar isso. A "arrumação" do time não passa por um jogo, e sim pela continuidade do trabalho. Foi um partidaço.

Já o Avaí teve um jogo bem curioso contra o Atlético-GO. O tipo do jogo que deu tudo errado no primeiro tempo, com gol tomado, zagueiro expulso e pênalti perdido, e que deu tudo certo no segundo, com dois gols de bola aérea. No momento em que o Leão era uma das grandes incógnitas nessa retomada de campeonato, a primeira impressão é boa. Que continue assim contra a Ponte Preta.




Tacalepau, Brasileirão!

Deixando saudade, a Copa acabou. Hora de voltar pro trabalho e ver o que vai acontecer nessa segunda parte de Brasileirão. Hoje tem Série B.

É praticamente um campeonato novo. A diferença é que tem gente que começa bem na frente ou bem atrás. Nunca os times tiveram um tempo tão bom para uma pré-resto de temporada. Quem errou feio na montagem dos times, como o Vila Nova, teve tempo pra arrumar a casa. Quem está bem pode ver o que falta pra deixar a máquina nos trinques.

O Joinville passou a primeira parte da Série B consolidado no G4, mas era bem claro que o time precisaria de algo mais para não cometer o mesmo erro do ano passado, quando perdeu jogos pelo caminho e acabou fora do acesso por causa dos tropeços em casa. Trouxe Eduardo Ramos, Anderson Conceição e Fabinho para dar a qualidade que o time ainda precisa, principalmente na parte da frente.

O Avaí conseguiu uma arrancada boa na parada para a Copa e está perto do G4. Geninho assumiu e teve que passar pelas dificuldades salariais do grupo. O time não trouxe muitos jogadores. Fico curioso em saber, a partir do jogo de hoje contra o Atlético, pra ver se houve uma boa evolução. Uma boa impressão inicial vai cair bem.

É bom notar que todo mundo aproveitou esse tempo pra arrumar a casa. E quem aproveitou mal esses 40 dias pode perder o bonde do acesso.


domingo, 13 de julho de 2014

Não teve goleada, mas sobrou competência da Alemanhã campeã

Goetze e Muller / @fifaworldcup

A Argentina fez a lição de casa e soube montar uma proposta de jogo para tentar bater a Alemanha. Reconheceu que o outro time era melhor, fechou os espaços no meio-campo e apostou no talento de Messi e no que a turma da frente iria conseguir.

A proposta quase deu certo, ainda que o time argentino tivesse na mão algumas chances de marcar. Mas a pragmática Alemanha não tremeu, lutou e mostrou os seus diferenciais, especialmente um que estava fora de campo. Dois reservas, Schurrle e Gotze, vieram do banco para garantir a conquista da Copa.

Falar em justiça no futebol é algo muito delicado. Mas se é que ela existe nos campos, acabou sendo feita para o time de melhor futebol dessa Copa. A "seleção do futuro" tão falada há 4 anos lá na África do Sul não passeou em campos brasileiros, mas soube passar pelas dificuldades com a sua frieza tradicional e chegar na decisão após chocar o Brasil com os 7 a 1.

Um time técnico, que joga com força, e com um impressionante trabalho coletivo. Fruto do bom trabalho de Joachim Loew que aproveitou essa excelente geração, montou o seu time, teve apoio da Federação depois dos tropeços e hoje colhe os seus frutos. Não é um time de um jogador. Tem um elenco qualificado, que se dá ao luxo de deixar um Podolski ou um Mertesacker no banco. Ainda tem jovens valores, caso de Draxler, que virão para brilhar no futuro, já que essa é a última Copa de gente de longos serviços prestados, como Lahm e Klose.

A Copa no Brasil termina com uma linda festa dentro de campo. Não podemos esquecer tudo o que aconteceu na preparação e que preocupou tanta gente. Mas com a festa rolando, tudo correu bem. A Alemanha está de parabéns por ter mostrado tudo aquilo que todos nós brasileiros queríamos em um time de futebol. A lição está aí para ser aprendida. Há um time a bater.


sábado, 12 de julho de 2014

Acabou o papelão, graças a Deus

Celio Messias / Vipcomm
A surra holandesa em Brasília teve uma cara de "já que deu tudo errado, vamos esculhambar de vez". Felipão mexeu o time sem treinar, colocou jogadores só pra terem um "gostinho de Copa" contra um time que não jogou em ritmo de decisão, mas com seriedade e a missão de jogar o que sabem.

São dez gols em dois jogos. A decepção aumentou mais com o futebol brasileiro que tomou uma aula de duas escolas europeias. E não sei como seria se o time enfrentasse a Argentina.

OK, foram dois erros de arbitragem no primeiro tempo. O resultado era o de menos, pra ser sincero. Queria que o time mostrasse um mínimo de vontade de tentar remediar a irremediável surra tomada no Mineirão. Não mostrou vontade alguma, um desrespeito aos milhões de torcedores que perderam o sono e até agora querem saber o que aconteceu na terça.

E parece que não foi simplesmente um apagão, não. Foi falta de futebol.

Não há muito o que dizer, daqui a pouco aparece uma outra cartinha da "Dona Lúcia" dizendo que está tudo bem e que futebol é assim.

Tanto se falou que "é hora de reestruturar". Isso já ouvi várias vezes, e esse é mais um aviso. Com esses gestores que estão aí na CBF, é difícil de acreditar que algo mude.

O jeito é rezar, torcer para que alguma luz apareça. Tem muito tempo até lá. Graças a Deus acabou esse papelão protagonizado pela seleção frente aos seus torcedores.



quinta-feira, 10 de julho de 2014

Minha casa nova no rádio em Joinville

A Copa está acabando, e na terça recomeça o Campeonato Brasileiro da Série B.

Como muita gente deve saber, até a parada para a Copa trabalhei na cobertura dos jogos do Joinville para a Rádio 103 FM, uma casa muito legal, onde fiz muitos amigos. Nessa parada do Brasileirão, a direção da emissora resolveu terceirizar o departamento de esportes para um novo grupo.

Recebi e prontamente aceitei o convite para um novo desafio, agora na Rádio Clube 1590 AM, outra tradicional emissora joinvilense. Ao lado de uma equipe competente, que também tem o narrador Cesar Junior, os comentaristas Nardela e Aurélio Ramos, os repórteres Marcelo Santos e Juliano Schmidt e o plantão Gerson Machado, vamos trazer a melhor cobertura do tricolor na Série B.

Minha estreia no novo prefixo está marcada para o dia 18, uma sexta-feira, quando o JEC estará em Natal para enfrentar o ABC. No primeiro jogo pós-Copa, contra o Ceará, o comando da jornada será do César Junior.

Conto com a audiência de todos!


terça-feira, 8 de julho de 2014

A Copa que não pertenceu ao Brasil

Jeferson Bernardes / Vipcomm
O atropelamento no Mineirão serviu para constatar que a Copa 2014 não pertenceu à seleção do Brasil.

É uma Copa que o mundo inteiro está curtindo pelo número de gols, pelo futebol ofensivo, as boas novidades, os times brigadores que eliminaram times tradicionais que vieram jogar pelo nome.

O futebol do Brasil não se encaixa nesse contexto. Não se acertou no ataque, não tinha velocidade, não apresentou novidade e não foi brigador.

Aí vem aquela frase tão falada nos últimos meses: "Imagina na Copa".

O hino nacional cantado à capela não pode ser a arma mais forte de um time de futebol. É muito bonito mas não ganha jogo. Muito menos se o pessoal chorar antes mesmo da bola rolar.

Vamos dar a mão a palmatória: Felipão é defenestrado hoje mas teve um ano tranquilo, sem muitos questionamentos. Tudo porque ganhou a Copa das Confederações, competição que (adivinhem), não tinha nenhum dos três semifinalistas classificados neste ano além do Brasil. Uruguai, Itália e Espanha não foram longe.

Aquela competição do ano passado enganou de novo, assim como aconteceu na África do Sul. Um título superestimado que trouxe uma tranquilidade enganosa. E todos, repito, todos, se não caíram nessa onda, não tinham base para provocar uma grande mudança. Mas poderiam exigir uma evolução, já que na Copa do Mundo mais que oito equipes, realmente envolvidas no torneio.

Felipão apareceu na Seleção porque a cúpula da CBF queria dar uma resposta à demissão de Mano Menezes com aquela comissão técnica campeã em 2002, mesmo que muita coisa tenha mudado no futebol mais de uma década depois. Veio o velho esquema do camisa 9 plantado, que mostrou ser ineficaz na Copa. Depois de encaminhar o Palmeiras rumo ao rebaixamento, ganhou a seleção do Brasil como prêmio. Enquanto isso, na Alemanha, uma profunda e moderna reestruturação estava se encaminhando, com resultados promissores. Ainda em 2010, se falava que "A Alemanha é a seleção do futuro". Não sei se serão campeões, mas o trabalho lá realizado é algo de se parabenizar.

Em uma festa tão bonita, com jogos tão legais, dá pra dizer tranquilamente que o país só emprestou a casa. A Copa em si não pertenceu ao Brasil.


A realidade e a revolta da humilhante eliminação

Jefferson Bernardes / Vipcomm

Eu já chorei pela seleção. Era moleque lá em 90, naquele gol do Caniggia.

Vinte e quatro anos depois, sentei pra assistir o jogo sabendo que se o Brasil perdesse, iria ser justo. Afinal, são quatro camisas tradicionais, não existe zebra entre elas.

Mas nunca se viu no futebol mundial um apagão como esse da seleção do Felipão. Um primeiro tempo com um massacre alemão na Pampulha. O mundo repercutirá e lembrará desse 8 de julho em Belo Horizonte.

Não é falar de despreparo técnico. O time não estava com a cabeça no jogo. Escrevi essa semana que as semifinais eram "a hora de separar os meninos dos homens". Temos a resposta. Vemos um time bem armado, pragmático, que colocou sua proposta em campo contra um time que se assustou ao tomar um gol. Sim, um time experiente, com estrelas internacionais, tremeu na base ao tomar 1 a 0. Não boto isso na conta da ausência de Neymar e Thiago Silva. Tem gente ali com qualidade individual suficiente para substituí-los. Era só o técnico armar bem o time e os jogadores corresponderam.

Felipão apresentou uma proposta que sequer foi testada. Quando o castelo caiu virou pelada. Ele ficou lá, parado, assistindo o seu time ser destruído. Teve até direito a dois gols no segundo tempo, pra fechar uma outra marca histórica: a maior goleada já sofrida em 100 anos de história da seleção brasileira.

O Brasil está com um misto de revolta e tristeza. Assistiu ao segundo tempo tentando saber o que aconteceu. Quem acompanha futebol sabe que é em momentos decisivos que aparecem aqueles que se superam e fazem a diferença. Atônitos, aplaudiram os alemães no sétimo gol.

A eliminação esteve próxima na bola na trave de Pinilla nas oitavas. Contra a Colômbia o estresse foi menor, mas sem convencer plenamente. Chegou a Alemanha e todos viram o que aconteceu.

A Copa é competição de excelência. Tem que trabalhar duro, com seriedade. Preservar a necessidade do time trabalhar, sem auê nem puxação de saco. O exemplo alemão é algo pra ser seguido.

Jogadores serão marcados para sempre em uma data negra para o futebol brasileiro, que será lembrada pelas próximas gerações, e tudo gravado em alta definição. Termina um ciclo de uma seleção que não pode reclamar que não foi empurrada pelo seu torcedor, mas que botou tudo a perder em uma fraqueza que se um time de terceira divisão do catarinense não pode ter.

O jogo da vergonha que será lembrado pra sempre.