quarta-feira, 27 de abril de 2016

1996, a decisão que demorou para acontecer

Chapecoense e Joinville voltam a decidir o título estadual depois de vinte anos. Em 1996 aconteceu uma das decisões mais polêmicas do estadual, com direito a gol anulado com campo invadido, foguetório, WO e decisão às vésperas do Natal, vencida pela Chape.

Confira esta matéria do repórter Luan Vosnhak, do Jornal do Meio-dia de Joinville, que relembra esse caso com depoimentos de Benson e Bandoch, que jogaram aquela decisão pelo JEC:



As questões que envolvem a decisão

* Publicado no jornal "Notícias do Dia" de 27/04/2016

Passada a última rodada, que não teve graça alguma, chegamos na semana que antecede a decisão do campeonato estadual. Vinte anos depois daquela final que foi para o folclore do futebol catarinense, com direito a foguetório, abandono e jogo final a dias do Natal, Joinville e Chapecoense entram numa condição de igualdade que seria algo surpreendente até 40 dias atrás. Hoje, devido ao crescimento de um e a queda de outro, virou algo impossível de prever. 

Aí vem as perguntas que vão pautar essa final. A primeira é: o que aconteceu com a Chapecoense? O time de Guto Ferreira era tão favorito que pavimentava o seu caminho para um título direto sem sobressaltos. Depois do empate em casa para o Brusque, onde ainda conseguiu reverter um 3 a 0 do adversário no primeiro tempo, nada foi como antes. O time perdeu o volume de jogo, Maranhão caiu em qualidade na sua condição de principal armador do time e, sem um plano B, as derrotas para Metropolitano e Joinville acenderam o alerta para algo que aterroriza o torcedor do Oeste, que não vê o time inspirado de tempos atrás. É indispensável que o conjunto verde volte a ser aquele do turno, sob pena de um inesperado fracasso aparecer.

Do lado do Joinville, muitos perguntam o que Hemerson Maria fez para conquistar invicto o título do returno. E ainda, querem saber o quão longe pode ir esse time, que construiu sua recuperação em cima de forte marcação e eficiência na saídas de bola, mesmo sem atacantes decisivos, como tem o seu rival. Esta será a grande graça dessa decisão, que promete: teremos o confronto de um elenco numeroso, mas que perdeu o seu rumo, contra bravos jogadores que chegam com a motivação lá em cima para conquistar um título que era considerado improvável.
A partida de ida terá importância extrema para o Joinville, que terá que reverter a vantagem dos dois resultados iguais da Chapecoense. Até lá, muito mistério e treinos fechados. No final de tudo, o futebol nos reservou uma decisão muito interessante.

sábado, 23 de abril de 2016

"Audáxia"

O nome dele é engraçado, Tchê Tchê. Lateral direito de habilidade, e ainda por cima é ambidestro. Contra o Corinthians, fez um golaço de pé esquerdo de fora da área e depois fez um na disputa de pênaltis, de pé direito. Tem muito time atrás de um jogador assim.

E tem mais de um time que chama a atenção por eliminar São Paulo e Corinthians jogando muita bola. Fernando Diniz, o técnico, vai ter seu perfil contado e recontado na TV na próxima semana. Mas existe uma coisa que precisa ser mencionada: continuidade. Ele teve tempo para fazer seu trabalho, e colhe os frutos. Não vai dar certo em clube grande, pois paciência é uma palavra que não existe em seus vocabulários.

Guardadas as proporções, lembra o São Caetano de Jair Picerni em 2000, com um time muito unido, de toque com qualidade e sem medo de ninguém.

E está na final do Paulista. Possivelmente será desmontado depois da decisão (Bruno Paulo já tem pré-contrato assinado com o Joinville, por exemplo), mas mostrou um bom futebol para a gente lembrar.


quinta-feira, 21 de abril de 2016

Dinheiro no cofre

*Publicado no jornal "Notícias do Dia" de 21/04/2016

Com o anúncio do Figueirense nesta semana, todos os cinco grandes clubes catarinenses fecharam a adesão ao contrato de televisionamento fechado para o Campeonato Brasileiro a partir de 2019. Ainda que exista um longo tempo até lá, sem garantia nenhuma de que eles estejam na primeira divisão, o objetivo dessa ação um tanto quanto antecipada é garantir poder para negociar nesses próximos três anos. Os clubes, em sua maioria, nem pensaram em esperar até lá e procurar negócios melhores. Querem o dinheiro das luvas, muito bem-vindos nessa altura da temporada, que caem a vista nos cofres.

Dúvidas surgiram sobre essa "divisão" da preferência dos clubes, e qual a consequência isso trará ao torcedor. A lei exige que, para que uma partida seja transmitida, os dois clubes envolvidos tenham contrato com a mesma empresa. Um jogo entre Joinville e Avaí, por exemplo, não teria transmissão pela TV fechada no Brasileirão-19, mas poderia ter normalmente pela TV aberta ou pelo Pay-per-view, cujos contratos são diferentes.

O que os conglomerados querem com essa antecipação é garantir o seu espaço no campeonato e, nesse período, tentar mudar a lei, copiando um modelo europeu onde os direitos de um jogo pertencem unicamente ao mandante, não interessando qual o adversário. Fora isso, também há a possibilidade de um acordo que una as duas empresas, algo que seria uma vitória para o grupo Turner, que entrou na briga e agitou os bastidores com cifras que fizeram os olhos dos dirigentes brilharem e a concorrência se mexer.

O modelo do campeonato inglês, que não tem exclusividade e garante uma divisão justa para todos baseando-se na audiência e nos resultados dentro de campo, é sem dúvida o melhor e o mais rentável. Mas é inimaginável pensar isso no Brasil, onde existe uma grande discrepância de valores e onde muitos clubes vivem de adiantamentos e dos gordos cheques das luvas para se manter em funcionamento. E com a assinatura desses novos acordos, somando com os que já existem na TV aberta, o sonho para que essa divisão seja mais justa será empurrado mais alguns anos para a frente.

terça-feira, 19 de abril de 2016

O milagre de Hemerson

*Publicado no jornal "Notícias do Dia" de 19/04/2016

Ninguém discute a competência de Hemerson Maria. Mas o que ele conseguiu fazer com o Joinville no estadual chega a ser um milagre. Pegou um time desmotivado que venceu apenas uma partida no returno e com um ataque sem qualidade, compactou o jogo e construiu sete vitórias em oito jogos baseado em sua defesa e no trio de volantes formado por Naldo, Kadu e Anselmo. 

Recuperou a autoestima do time e do torcedor e conseguiu fazer com que o clube possa enxergar um futuro promissor para a Série B, quando voltará a ter o mercado aberto para trazer as peças que precisa. Duas já chegaram, Pereira e Murilo, que podem dar um gás para que o título venha na terceira decisão consecutiva.

O JEC está na decisão com uma vitória convincente sobre a Chapecoense. O tricolor fechou bem os espaços e não deixou a articulação do adversário funcionar (Guto Ferreira trocou Maranhão por Hyoran a fim de mudar a dinâmica do time que precisava mostrar alguma reação). Venceu a partida com gols de Bruno Aguiar, o artilheiro do time, e de Rafael Donato.


Hoje, o clube tem a certeza que poderá ser o campeão contra uma Chapecoense que fica se perguntando o que está errado, sob pena de perder um título que parecia encaminhado. Tudo culpa desse manezinho que voltou para a Joinville que o recebeu tão bem e, com muito trabalho, arrumou a casa a ponto de chegar numa final de campeonato, algo que era improvável até cerca de um mês atrás. Torcedores dizem que, se ele conquistar o título, merece uma estátua na frente da Arena.

Por pouco, mas escapou

Foi um jogo muito feio, o gol da vitória foi chorado, com participação de dois jogadores do Guarani. E dessa forma, jogando muito mal, que o Avaí escapou do rebaixamento no campeonato catarinense, salvo pela campanha no primeiro turno. Tem razão a torcida em vaiar o time, que pelo terceiro ano seguido brigou no estadual para não cair. Agora é a vez do presidente Francisco Battistotti mostrar o seu plano de impacto para evitar novo vexame na Série B. 

segunda-feira, 18 de abril de 2016

O Avaí escapou

O roteiro era de filme de terror para o torcedor. O Avaí marcou um gol e acabou com a seca do jeito mais sofrido possível, com a bola rebatendo duas vezes em jogadores do Guarani até sobrar para Iury colocar para dentro.

Teve vaia do torcedor. Merecida. Três anos seguidos brigando para não cair no estadual. Um time ruim que se salvou por causa do primeiro turno surpreendente.

Se Gonçalves falou em 3 ou 4 jogadores, Silas falou em sete. É daí pra cima.

Agora é ver o que o novo presidente vai trazer. Prometeu contratações de impacto. Vai precisar de sorte. E dinheiro.

Ele deu entrevista prometendo muito. Só quero saber de onde vai tirar dinheiro.

Mais um catarinense para o Avaí esquecer. Agora é apagar da memória, arrumar a casa e evitar novo vexame na Série B.



domingo, 10 de abril de 2016

A rodada dos sonhos do Joinville

Assessoria JEC
Na Arena, o JEC fez a sua parte. Abriu o placar com um pênalti, poderia ter ido para o intervalo com um empate não fosse um erro da arbitragem, e controlou o Inter de Lages na segunda etapa para garantir a vitória, que lhe manteria na liderança do returno com dois pontos de vantagem para a Chapecoense, que estava vencendo o Metropolitano.

Eis que o Metrô virou o jogo marcando um gol nos acréscimos pela quarta vez no estadual jogando em Jaraguá. Venceu, deu um enorme passo para escapar do rebaixamento (ultrapassou o Avaí) e viu o Joinville abrir longos cinco pontos de distância. Pode até perder na Arena Condá. Decidirá a ida na final em casa contra o Brusque, que já alcançou o seu objetivo.

O Joinville não é um time brilhante em campo, mas Hemerson Maria mostra que tem estrela e o time está conquistando os resultados. Do outro lado, a Chape entra no terceiro jogo sem vitória e viu sua liderança derreter. O empate arrancado na raça contra o Brusque, o jogo burocrático contra o Figueira e a pior atuação do ano em Jaraguá já põem uma pulga atrás da orelha do torcedor.

A Chapecoense terá a vantagem de decidir o título em casa, mas o time não tem o mesmo rendimento do primeiro turno. Há tempo para uma reanálise do que aconteceu de errado. Há um adversário embalado e que quer acabar com esse favoritismo. Domingo acontecerá uma possível prévia desse encontro decisivo. Será interessante assistir, principalmente, se a Chape mostrará reação.


A falha que definiu o clássico para o Figueira e abriu a semana tensa na Ressacada

Eduardo Valente / Notícias do Dia
Figueirense e Avaí não fizeram um jogaço. Tecnicamente o jogo foi fraco e a decepção maior até foi do Figueira, até pelo crescimento mostrado no campeonato e o favoritismo que levava para o jogo. No fim, isso não aconteceu.

O empate até era bom resultado para o Avaí, conquistando um ponto que seria valioso para a classificação geral e a fuga do rebaixamento. Mas a falha bisonha de marcação em um contra-ataque acabou sendo fatal. Guilherme Queiroz recebeu sozinho e Renan, de boas defesas até ali, não teve como segurar. O time de Vinícius Eutrópio fez o pior dos jogos das últimas rodadas. Acabou encontrando o gol no erro do adversário.

Como sempre, faltou ao Avaí qualidade no ataque. Até agora, Silas parece ter organizado o time para jogar um pouco mais fechado para não deixar tantos espaços. Mas na frente o problema é enorme, com um William isolado e Rômulo sem jogar absolutamente nada. Aí fica difícil.

Com isso, o Figueira pode focar na Copa do Brasil e na Série A, já que não corre mais nenhum tipo de risco. Enquanto isso, o Avaí vai para um jogo que promete ser dramático contra um Guarani que vem de duas vitórias seguidas. Uma derrota vai levar o time para a última rodada na condição real de ser rebaixado em caso de derrota. Considerando que o presidente deve renunciar nesta segunda, conforme informa a reportagem do Notícias do Dia, a semana promete ser tensa na Ressacada.






segunda-feira, 4 de abril de 2016

Joinville vence apertado para liderar. Vitória do Brusque coloca Avaí na efetiva luta contra o rebaixamento

O Joinville conseguiu fazer um gol no Camboriú para liderar o returno e seguir firme na luta para evitar o título da Chapecoense.

Uma partida que não mostrou novidades para o setor mais crítico do JEC: o ataque. O mais interessante, e isso é bom, é que tanto o torcedor como a comissão técnica não se ilude com os resultados e sabe que o elenco é limitado. Mas é assim que o time vai se comportando e tem uma porta aberta para entrar e tentar quebrar o favoritismo da Chape. Terá um jogo contra o Inter na semana que vem em casa para ir à Chapecó no que deve ser a decisão do returno. Como não devem chegar jogadores essa semana e, logo, sem novidades pro ataque, Hemerson Maria precisa se agarrar no que tem para tentar surpreender.

No Augusto Bauer, o Brusque respira tranquilo com 22 pontos, vaga praticamente assegurada na Série D e bem longe da briga pelo rebaixamento. Quem entrou com tudo nesse confusão foi o Avaí. Na partida, só deu time do Mauro Ovelha. Fez o gol logo no começo, poderia ter ampliado, e controlou o meio campo que faltava muito em marcação do adversário. Do lado de fora, o estreante Silas mais observava do que mexia no time, percebendo o tamanho do problema que terá que administrar. Para resolver, parece até simples: trazer um time novo, que esse aí não tem jeito, salvo raras exceções. O problema é que o time precisará vencer para não cair pela segunda vez em sua história. Vai ter que buscar energia no clássico, onde não é favorito, e ainda torcer para que os adversários não pontuem. A situação é crítica.

Já o vencedor Brusque correrá agora atrás do bônus, que é a vaga na Copa do Brasil.


domingo, 3 de abril de 2016

Duas opções: campeão sem final ou Chape x JEC na decisão

Se Criciúma e Figueirense mantinham alguma possibilidade de chegar à final do Estadual, ela se foi com os resultados desse final de semana. Primeiro foi o Tigre, numa atuação abaixo da média, que acabou perdendo para o frágil lanterna Guarani. 

E agora foi o Figueirense, que mesmo prejudicado por Célio Amorim em um gol irregular da Chapecoense, não soube aproveitar a vantagem numérica em campo. Agora, o time que vinha evoluindo lentamente terá bastante tempo para se concentrar no campeonato brasileiro.

Foi um jogo no Scarpelli em que a Chape fez um primeiro tempo muito discreto, dando chance para o Figueirense, melhor no jogo, controlar as ações. Mas depois de toda a confusão que foi o gol de empate do time de Guto Ferreira, o Verdão soube segurar a partida para se manter invicto e tirar mais um da parada.

A situação agora é simples: ou a Chapecoense é campeã sem uma decisão ou o Joinville capitaliza as três partidas que tem em casa e ir para Chapecó para segurar a liderança para sagrar-se campeão do returno e ir para a final contra o mesmo adversário que há 20 anos provocou uma polêmica enorme com direito a WO na decisão e jogo remarcado para a semana do Natal, na famosa decisão do foguetório.

Pressão agora está com o JEC, que não pode pensar em perder ponto nos jogos na Arena contra Camboriú, Inter e Brusque, para ter uma chance de estragar o título antecipado.


quinta-feira, 31 de março de 2016

O efeito Silas

* Coluna publicada no "Notícias do Dia" de 31/03/16

Silas não foi a primeira opção do Avaí para o lugar de Raul Cabral no comando do time, mas depois de ouvidas as reações das redes sociais e de Marquinhos na entrevista coletiva, veio a escolha por um nome que o torcedor do clube conhece e a maioria gosta. E eu concordo. Diante do que vinha sendo especulado e dentro de uma realidade financeira, era a melhor opção.

Como primeiro impacto dessa mudança, o clube perde um pouco de peso sob as suas costas. A saída de Raul Cabral foi desgastante e a semana pós-derrota para o Joinville vem sendo tensa, tendo no vazamento do áudio do volante Braga mais um componente para bagunçar. Como Silas não é qualquer técnico por ter no currículo um acesso, um título estadual e uma ida à semifinal da Copa do Brasil pelo Avaí, a própria torcida vai dar um tempo na pressão e estipulará uma trégua até que a Série B comece. 

Acontece que o Avaí que Silas encontrará é bem diferente daquele que ele treinou em 2008 e 2011. Vai ter que mostrar também a sua parte de paciência. O clube continuará a ser cobrado, já que o elenco atual é fraco e precisará ser reforçado mesmo com o caixa reduzido. A diretoria, que em 2016 ainda não acertou nas contratações, agora não poderá se escorar na imagem do técnico para justificar a má campanha. Que tratem de dar condições de trabalho, caso contrário, nem Guardiola resolve.

Empate mentiroso

O pessoal lá do Paraguai deve estar revoltado com a sua seleção. Jogo sob controle, contra um Brasil que se escondia nas linhas de marcação e não tinha padrão algum para a criação de jogadas. Chegou o segundo tempo, o time recuou demais e a seleção de Dunga, na base do "vamos pra cima", conseguiu o empate e quase virou a partida. Mas ficou para nós a decepção de ver mais uma vez um time sem criatividade, lento, que está longe de ser um grupo confiável para uma Copa do Mundo. Há uma grande distância até as duas próximas rodadas, contra Colômbia e Equador, que vivem boa fase. Mas o torcedor brasileiro começa a sentir que há uma possibilidade do Brasil não disputar a próxima Copa. Ainda acho isso improvável, mas é necessário que algo aconteça para ontem. Dunga não sabe o que fazer.

domingo, 27 de março de 2016

Figueira vence e acende um fio de esperança. O Joinville agradece e fica de olho

Bady aproveitou uma falha de Ezequiel para abrir o placar de uma importante vitória do Figueirense em Criciuma. O lateral do Tigre tentou tirar a bola da área e acabou dando uma assistência para o gol alvinegro. Rafael Moura depois ampliaria para fechar um resultado muito interessante para o campeonato.

Se perdesse, o Figueira estaria fora do páreo e o Criciúma entraria na perseguição a um ponto de Chape e JEC. Mas com essa vitória, é o time de Vinicius Eutrópio que ainda tem um fio de esperança para tentar alguma coisa no returno, ainda que não dependa apenas de si para isso. De quebra, ganhou empolgação para um jogo decisivo contra a Chapecoense no sábado, onde terá que vencer para se aproximar. Acontece que, se vencer, ajuda o Joinville, que joga no domingo contra o Camboriú e terá um total de três partidas na Arena nas quatro rodadas que faltam, com a chance de ser líder isolado. Um empate seria perfeito para o tricolor de Hemerson Maria.

O Figueirense vai evoluindo lentamente, não tanto no coletivo mas em qualidade individual, um pouco tarde para entrar com os dois pés por uma vaga na final. Rafael Moura mais uma vez deixou o seu, Bady se consolida no time titular e o time começa a se desenhado para o Brasileiro, tendo um longo caminho ainda pela frente.  Mas há ainda uma chance matemática de correr por fora. A partida de sábado promete ser um grande teste para a Chapecoense, que trabalha para evitar uma decisão.

Na briga pelo rebaixamento, temos um grupo que começa Avaí (17 pontos), tendo na sequência Inter e Metropolitano (16) e o Camboriú (14), com o Guarani ainda longe (10).  Destes, só o Avaí perdeu, numa sequência preocupante, e com três dos últimos quatro jogos fora de casa. Se o Camboriú acabar pontuando nesse caminho, essa luta aí promete ser interessante para assistir de fora ou desesperadora para os torcedores desses times.  O Metrô escapou de perder para o lanterna ao empatar pela terceira vez nos acréscimos depois de estar perdendo por 2 a 1. Com esses cinco times jogando abaixo da média, poderemos ter emoções à vista.




sábado, 26 de março de 2016

Chape, na superação, conquista um ponto improvável, enquanto o JEC vence sem jogar bem

Sidney Silva / Brusque FC
A Chapecoense conseguiu um senhor feito, e precisa ser elogiado por isso. Buscou forças depois de tomar 3 a 0 do Brusque no primeiro tempo para conseguir o empate e, assim, permanecer invicto. E vamos concordar: o Bruscão foi a Chapecó para não perder. Sem atacante no time titular, o time achou espaço para fazer três gols.

Errou na estratégia do segundo tempo? Sem dúvida, controlava bem o campo e criava chances. Mas acabou recuando, permitiu a pressão, cometeu um pênalti logo no começo do segundo tempo e abriu espaço para a reação. Mas para quem foi para o Oeste buscando um ponto, não foi tão mal negócio assim. Times grandes que foram pra lá voltaram derrotados.

O time de Guto Ferreira manteve a invencibilidade mas deu a chance para que o Joinville empatasse com seu time na liderança do returno, em um jogo péssimo na Ressacada.

Petra Mafalda / Mafalda Press / Notícias do Dia
Partida sem ousadia, de dois times quadrados, sem se encontrar em campo. Pode até ser contraditório, mas veja esse time do Joinville, onde Hemerson Maria troca suas peças do ataque buscando um mínimo de qualidade. Venceu, em uma bola pela direita que teve o gol de Felipe Alves em uma má saída de Renan, e garantiu os três pontos tendo dois jogos em casa pela frente antes da possível decisão em Chapecó.

É fato que o JEC ainda não me inspira confiança, principalmente no seu ataque. Mas se vencer as duas próximas rodadas e arrumar o time até chegar ao jogo no Oeste, teremos chance de ver uma decisão antecipada do returno. E não esqueçamos do Criciúma, que se vencer o Figueirense vai encostar e tentar encostar nessa briga, ainda que dependa de tropeços.





Sem chance para erros

* Publicado no jornal "Notícias do Dia" em 24/03/2016

Faltam cinco rodadas para terminar o returno do estadual. Há dois clubes dispostos a evitar o título antecipado da Chapecoense, time que não baixou o ritmo, muito pelo contrário, depois do título da primeira fase. O campeonato poderá, a cada rodada, ter o risco de ser decidido com antecedência, o que diminuirá a graça dos últimos jogos, com confrontos que pouco ou nada valerão. A briga mais quente poderá ser a do rebaixamento, com o Camboriú se aproximando de Metropolitano e Internacional e o Guarani praticamente eliminado. Até a briga pela Série D esfriou, depois que a CBF resolveu inchar ainda mais o campeonato, dando uma vaga a mais para o Estado. Agora, quem não cair vai jogar o Brasileiro.

Me chama a atenção como vem crescendo o volume de jogo da invicta Chapecoense. Dá a impressão de que pode entrar no Brasileiro para fazer bons resultados no seu início para não passar por drama lá no fim da temporada. Quem quiser derrubá-lo vai precisar fazer partidas praticamente perfeitas. Há um cenário desenhado para que o campeonato termine duas semanas antes do previsto. Será que o Joinville ou o Criciúma terão essa competência? Neste final de semana, ambos terão desafios interessantes: o JEC irá à Ressacada com a obrigação de vencer o combalido Avaí e sua enorme sequência de derrotas, enquanto o Criciúma receberá um Figueirense passando por um lento processo de reestruturação. Ambos não podem bobear, pois a Chape enfrenta o desfalcado Brusque em casa com grande chance de chegar aos 15 pontos.

Luvas nos cofres
A briga das duas emissoras de TV fechada pelos direitos do campeonato brasileiro a partir de 2019 tem esquentado e também trazido a salvação para a temporada de muitos clubes. Um caso é o do Avaí, que ao anunciar o fechamento do contrato de transmissão nesta semana, viu surgir um alívio momentâneo do problema financeiro, sabendo que uma boa verba das luvas irá pousar na conta do clube. Quem está com as contas em dia até pode esperar mais para a frente até escolher que caminho seguir. Pode até sair negócio melhor.

terça-feira, 22 de março de 2016

Seduzidos pelas gordas luvas da TV

O placar oficial em Santa Catarina da disputa pelos direitos em TV Fechada do Brasileirão está empatado. Hoje, o Avaí anunciou que fechou com a Globo/Sportv. Semana passada, o Joinville bateu o martelo com o Esporte Interativo. Segundo informou a Folha de São Paulo na edição do final de semana, a Chapecoense seguirá o caminho avaiano, enquanto Figueirense e Criciúma mudarão de lado e migrarão para o EI junto com o JEC.

Só clubes maiores e bem estruturados podem, se assim quiserem, esperar até 2018 para decidir com quem assinam apenas para a TV Fechada (Pay per view e TV Aberta são contratos diferentes). O resto pode até dar desculpas de audiência e exposição, mas a verdade é uma só: o dinheiro das luvas. Segundo informações, a grana oferecida pela Globo ao Avaí era melhor. Martelo batido e cheque na conta.

A estratégia do EI é de guerra. Resolveu procurar os clubes com muita antecedência, inclusive aqueles da Série B que não se sabe se estarão na elite em 2019. O objetivo é apostar para garantir espaço lá. E ainda há no caminho o desafio de mudar a Lei Pelé, que exige que os dois times de uma partida estejam "assinados com a mesma empresa" para ter o jogo exibido.

Li argumentos dos mais diferentes. Qualidade de imagem? Ambos são HD. Produção? Ambos usam as mesmas produtoras independentes para produção das partidas. Distribuição? Faltam algumas operadoras para todo mundo ter a mesma base.

Sigo muito o exemplo da FOX, quando conquistou os direitos da NFL. Havia medo de que o produto desvalorizasse com a venda do campeonato para a quarta emissora em audiência no país. Aconteceu o contrário.

Ainda que eu não concorde com o modo de venda dos direitos, quem negocia agora pode ter a solução dos seus problemas.

Poderiam ser feitos pacotes de jogos, horários diferentes, mais emissoras dentro, como é na Inglaterra e na NFL, onde três emissoras abertas hoje transmitem as partidas.

Mas essa foi a opção, com a sedução das gordas luvas. Quem está com a corda no pescoço está com os olhos brilhando.

Ah, só pra lembrar: o contrato de TV do Campeonato Catarinense, vence no ano que vem. A Associação de Clubes, que tem tradição de negociar mal o televisionamento do seu torneio, com direito a quebrar contrato em 2009 e permitir transmissão para a praça em 2013, tem a chance de, mais uma vez, tentar se valorizar.