domingo, 10 de maio de 2009

Tema de Domingo: O Catarinense dá audiência?

Domingo passado, vi aqui no Centro de Brusque uma festa misturada, de Flamenguistas e Corinthianos. Quando a Chapecoense ganhou a vaga na decisão do campeonato, a festa em Chapecó foi conjunta com a torcida do Inter, que naquela tarde sagrou-se campeão gaúcho.

É a realidade, não há como esconder: vivemos em um Estado que a grande maioria torce pelo time da sua cidade (onde houver), mas também por uma equipe do eixo Rio-São Paulo-Porto Alegre. Florianópolis perdeu muito dessa característica, mas ela ainda está presente.

Aí vamos trazer pro cenário local: o torcedor catarinense teve, no domingo passado, um cardápio cheio na televisão: finais do Catarinense (RIC), Carioca (RBS) e Paulista (TVBV) ao mesmo tempo. Não teve torcedor que ficasse sem ver a final do seu clube de coração.

O Ibope só dispõe de dados de audiência na Grande Florianópolis, onde a RIC teve primeiro lugar em audiência por ser um jogo do Avaí. E se a decisão fosse entre Chapecoense e Joinville, por exemplo. Seria a primeira do Ibope? Vou pegar o exemplo aqui do Vale do Itajaí, onde os times cariocas possuem claramente a maior preferência popular. Mesmo sem medição de audiência, não tenho dúvidas que a final entre Flamengo e Botafogo tenha suplantado Avaí x Chapecoense nos números. E assim acho que o mesmo quadro se repetiu em várias cidades do interior, exceto Chapecó, que estava na decisão.

Há uma clara briga entre duas emissoras visando os direitos de transmissão do catarinense, mas eu pergunto: é vantagem em audiência? Hoje, a RBS usa de uma estratégia que garante o primeiro lugar com folgas no futebol no interior: as emissoras de Joaçaba e Chapecó transmitiram o Campeonato Gaúcho, enquanto as demais foram com o Carioca. Caso a RBS transmita o catarinense no ano que vem e tire o Carioca do ar, haverá uma procura pelos Bares com Pay-per-view e pelas antenas parabólicas, que são populares e muito difundidas. Há, sim, um retorno institucional, do tipo "somos a dona dos direitos", mas não sei até quando isso reverte em números absolutos, exceto na Capital, e só quando a dupla Avaí-Figueira aparece na telinha. Talvez, quando houver medição do Ibope no interior, esses dados apareçam com mais força. A RIC corre com outra ótica: como não possui os direitos de outro Estadual, tenta obter um diferencial, e deve ter ficado satisfeita com os ganhos em audiência do Catarinense.

Por mais que o interesse no Campeonato Catarinense tenha aumentado nos últimos anos, e isso é muito bom, os torcedores, principalmente aqueles do interior do Estado, uma população em torno de 5 milhões de pessoas, nutrem preferência por grandes clubes do futebol brasileiro. São os ditos "mistos", condenados por muitos torcedores, mas que são uma realidade.

E isso não é exclusividade de SC: no vizinho Paraná, pesquisa feita pela Gazeta do Povo mostra que as maiores torcidas do Estado são dos times paulistas. Os três grandes da capital só lideram na Região Metropolitana de Curitiba. No caso de lá, a Band tem o Paulistão com total exclusividade.

3 comentários:

  1. Excelente post, Rodrigo.

    Acredito que nas cidades cujos times jogam o estadual, a emissora que transmitir o catarinense tenha sim mais audiência que as que transmitirem outros campeonatos.

    Nos municípios vizinhos a essas cidades, creio que seja quase "fifty-to-fifty", e apenas nos municípios mais afastados os campeonatos paulista, carioca e gaúcho têm mais audiência, e com folga.

    Por isso a batalha pela exclusividade da transmissão do catarinense se deve ao fato de a maior parte da população catarinense (digo isso com base no "achômetro", não pesquisei) se concentrar nas cidades que possuem times que jogam estadual e municípios vizinhos.

    Em tempo: muito bom o teu blog, leio sempre.

    Abraço.


    (PS.: Deu um erro aqui e é possível que eu tenha enviado o mesmo comentário mais de uma vez. Se isso aconteceu, rejeita os que forem a mais.)

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  2. Não da meio-a-meio não. Sem conta que tanto a Ric quanto a RBS quase que só passam times da capital. A sorte da Ric é que o Carioca só empolga nos clássicos e nas finais.

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  3. Eu relutei em comentar isso aqui, mas vou falar o que penso. Acho que aqui em Florianópolis e em Criciúma nos últimos anos com as equipes tendo um calendário mais fixo (quase para o ano inteiro)acho que diminui bastante os torcedores "mistos". E somente com as equipes buscando espaço nas competições nacionais é que poderemos diminuir cada vez mais isso. Mas voltando a questão da audiência, se for pensar somente nos números, poderiamos exagerar e pensar pq várias equipes disputam o campeonato tanto da primeira divisão, como na segunda e principalmente na terceira e se afundam em prejuízos. Então vamos acabar com os campeonatos e ficar apenas assistindo na TV os campeoantos Brasileiro, Paulista, Carioca e Gaúcho. A coisa não é por aí, é uma cadeia ou uma rede que envolve muitas pessoas direta e indiretamente (atletas, patrocinadores, torcedores, anunciantes, comércio etc...)

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