sexta-feira, 26 de junho de 2009

Histórias da Segundona: Cuba em Mafra

Mais uma história da Segundona...

Era 2004, lá em Mafra, no Estádio Pedra Amarela, em cima de um morro gelado. Costuma fazer muito frio lá, e no inverno a coisa piora, com aquele vento que vem cortando.

Era uma partida entre Operários Mafrenses e Carlos Renaux, pela Série B1. Fomos eu e meu repórter, Delamar Silva, com a esposa grávida a tira-colo. O campo era simpático: estacionei o carro perto do alambrado. A Patrícia viu o jogo de camarote e o Thiaguinho na barriga não reclamava.

Cheguei na cabine, e embaixo da escada haviam vários troféus antigos do Operário jogados. Um descaso com um time que tem história em Santa Catarina. Perguntei pro amigo da rádio local: "Não tem tomada aqui?" e ele foi solícito: arrumou um benjamim, pra arrumar energia do único bocal de luz existente. Não fosse ele, acho que a transmissão não saía.

Lá pelas tantas, o espeto corrido da viagem (naquela região eles são experts em carne de ovelha) fez efeito e fui procurar um banheiro, a fim de regularizar o intestino. Encontrei um, atrás do vestiário. Abri a porta e vi uma coisa jamais vista: um tipo de "assento" sanitário que obriga o cristão a fazer o serviço de cócoras! Anos depois, vi a mesma peça na cela da Delegacia de Polícia daqui. Pensei: "aqui não né?" e fui no vestiário do Renaux. Chegando lá, havia um sanitário, mas com uma placa enorme na porta: "Não usar". Saí do estádio e contei com a simpatia do pessoal do Posto de Gasolina próximo.

Fazia um frio do cacete. E como esquentar esse povo? Simples... A barraca de bebidas tinha duas divisões. De um lado, aqueles fardos de garrafas de Coca-cola 2 litros. Do outro, caixas de vodca de uma marca que nunca vi, em garrafas de plástico. O pessoal lá não tomava cerveja. Era Cuba da boa! Pensa como a torcida não tava no final do jogo.

Indo embora, me apresentaram um torcedor que entornava mais um copão de cuba como saideira. Era chamado de "Carlinhos da Farmácia", e nos tratou muito diplomaticamente, mesmo depois de algumas vodcas com coca e gelo misturadas com a derrota do seu time. Dias depois, vim saber que era o prefeito da cidade.

5 comentários:

  1. Interessante essa história Rodrigo.

    Falando em Operário, no catarinense de 1956 aconteceu um fato curioso, e uma injustiça para o futebol de Brusque e de SC.

    O Paysandú foi campeão estadual da Primeira Divisão, com um timaço. Julinho Hildebrand, Nilo, Wallace, Otávio, Heinz. Verdadeiros craques de bola, muitos convocados para a seleção catarinense da época que disputava o brasileiro.

    Naquele ano de 1956, o Operário de Mafra e o Operário de Joinville disputavam a segunda divisão. O Operário de Joinville foi campeão da segunda divisão.

    Pela primeira vez na história, a Federação Catarinense estipulou que o Campeão Estadual de 1956 sairia do jogo entre o campeão da primeira x campeão da segunda divisão. Uma injustiça.

    Ainda de ressaca pela conquista do título da primeira divisão, o Paysandú foi obrigado a jogar 2 partidas contra o Operário. Perdeu a primeira em Joinville por 2x1 e a segunda em Brusque por 3x1.

    Apenas como curiosidade, naquele ano o Paysandú foi campeão com 9 pontos perdidos, e o Carlos Renaux ficou em 8º lugar com 21 pontos perdidos. O Paysandú teve um dos maiores esquadrões do futebol catarinense em 1956.

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  2. Ich, teu passado te condena Rodrigo...

    Já fosse parar até na DP e tivesse a oportunidade de presenciar um vaso sanitário onde o fax pro Lula é mandado de cócoras...

    Brincadeira... Abraço

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  3. muito bala esta... engraçada!

    Lá pras bandas de Itaianga, geralmente em postos de gasolina, estes tipos de "vasos" são comuns... ou eram pelo menos na época que viajava com meu pai por ai...

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