domingo, 10 de janeiro de 2010

O Catarinense economicamente perfeito

O Campeonato Catarinense começa na semana que vem, e gostaria de propor uma pequena reflexão neste post. Não é novidade para ninguém que tudo no futebol gira em torno do dinheiro. Muitos dirigentes (pra não dizer todos) reclamam da falta dele, para pagar o salário, para montar o time, para ampliar sua estrutura. O Catarinão que começa no próximo sábado é, para aqueles que não disputam o nacional das Séries A e B, o grande filé mignon. É onde o dinheiro entra. Para os outros, é um campeonato que não rende financeiramente, mas pega a questão da rivalidade regional. Santa Catarina é o único Estado onde a Capital não tem o total poder no seu campeonato local. Existem equipes no interior em condições de desbancá-la.

Bom, mas o motivo do post é outro: como tornar o nosso Catarinão economicamente perfeito, sendo um exemplo para o Brasil? São algumas sugestões, baseadas em exemplos que funcionam muito bem no mundo afora. Vamos à elas:

- Televisionamento sem exclusividade: Durante dois anos, em 2005 e 2006, o Catarinense tinha duas redes transmitindo: a Rede SC (hoje RIC) que passava um jogo na tarde de sábado, e a RBSTV, transmitindo jogos às quartas e aos domingos. Isso rendia aos clubes duas fontes de renda no televisionamento. Infelizmente, quando a Record comprou os direitos por três anos, de 2007 a 2009, tal prática acabou. Existem casos pelo mundo que provam que, onde não tem exclusividade, vem mais dinheiro. Tomamos por base os Estados Unidos. Lá, das quatro maiores redes, três transmitem o campeonato de Futebol Americano. Cada um tem seus jogos exclusivos, e sempre em TV Aberta. Se os ingressos do time da casa estiverem esgotados, a partida passa para a praça. Jogos do time fora de casa também passam em TV Aberta. Na Argentina, são três jogos seguidos nos domingos pro país inteiro ver. Por que não fazer isso em Santa Catarina? Por que os clubes não tomam a iniciativa de vender os direitos de televisionamento em pacotes, com envelopes fechados, que darão maior exposição em maior número de emissoras, e consequentemente, maior faturamento? O Pay-per-view não deixaria de existir, já que poderá exibir os outros jogos não transmitidos e garantir a exibição para fora do Estado, ou até onde a TV Aberta não pega. Nessas viagens que tenho feito pelo Estado, pude constatar que tem muita cidade que não tem repetidora ou o sinal é muito ruim. Minha cidade é um exemplo. Passou cinco quilômetros do centro, só quem tem parabólica assiste TV.

- Comercialização do Campeonato: Lá em 2000, a RBS comprou o campeonato por inteiro, sendo responsável, inclusive, pela venda dos ingressos. Abordei isso no meu Trabalho de Conclusão de Curso, naquele ano, onde tratei da visão do marketing esportivo aplicado ao Futebol Catarinense. Naquela experiência, a Globo tentou implantar um modelo que não funcionou muito bem na questão da bilheteria, mas trouxe uma ideia boa e inédita na época: a venda do campeonato inteiro a patrocinadores. Naquele ano, foram o Angeloni e a Portobello, que tiveram direito a placas nos estadios, tapetes atrás dos gols e até um gigante no centro do gramado. Depois disso, não aconteceu nada parecido. Apenas uma cota que a Federação vendeu para a Unimed no ano passado, obrigando os clubes a colocarem a placa no Estádio. Quanto os clubes levaram? Nada. É uma outra fonte de renda, que não vem sendo explorada em um campeonato que vai contar com atrações como Sávio e Viola, que vão atrair a atenção nacional.

- A Bola do Campeonato: esse é o caso mais grave, em que nenhum dirigente de clube sequer levantou um piu pra reclamar: a Penalty, que fornece as bolas para a disputa do Campeonato Estadual, tem contrato assinado com a FCF. Os clubes não ganham bolas, e precisam comprar novas a cada partida, ao custo aproximado de 200 reais cada uma. Eu pergunto: por que? Por que os clubes não assumem essa responsabilidade, já que eles são os donos da festa, vendem os direitos da bola a um fabricante, e além de levar uma grana, ganham as bolas para treinos e partidas? Há alguns anos, a FBA, que gerenciava a Série B, fez um contrato com a DalPonte, que além de repassar um valor, arrumou bolas para todos. Além do mais, de acordo com um dirigente de clube, a venda das bolas é feita pela própria FCF, que aliás, não tinha nenhuma em estoque, a uma semana do início do Campeonato. Ou alguém tenta achar em alguma loja, ou treina com as bolas do ano passado, como o Brusque tá fazendo.

São algumas sugestões, mas veja se não era possível conseguir mais dinheiro para melhorar ainda mais o nível técnico do nosso Campeonato, e ainda por cima tornar-nos um exemplo em marketing no futebol. Bom domingo a todos.

4 comentários:

  1. Vender o campeonato sou contra, ninguém é dono dele, nem a FCF, ficar botando dono assim acaba em rolo e sujeira. A nossa federação que é uma bagunça mesmo quando poderia ser séria e organizar um campeonato de verdade, mas enfim, temos o Delfim lá lucrando aos montes, com uma sede de 1º mundo e os clubes quebrando. O televisionamento NUNCA deveria ser exclusivo, além dele ficar impondo horários ridículos que quebram o torcedor que vai ao estádio, o lucro é muito pra pouco repasse. As bolas é dos problemas o menor, mas já ajudaria muito mesmo. No fim das contas o problema maior é a falta de união/organização dos clubes que não batem o pé pra nada, principalmente os menores. Dirigentes de Atlético, Metro, Juve, Brusque, Marcílio, JEC... deveriam ser mais unidos e representar seus interesses em qualquer situação, a FCF não vai fazer um campeonato com os 3 ou 4 grandes somente. Era só deixar de birra entre si que todos ganhariam.

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  2. Isso só vai melhorar quando aparecer alguém pra dar um ponta pé na bunda do safado do Delfim. O problema é que os clubes tem medo dele. Por que será?

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  3. Tem medo pq se reclamarem, a arbitragem te rebaixa e vc se ferra de tudo que é lado.

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  4. dirigentes de sc são pessimos.
    soluução pra arrumar dinheiro tem. essa historias das bolas e da placa da unimed eh uma piada, nao sei como q aceitam. e o pior eh q a federação alem de lucar em cima dos clubes, vendendo bolas e placas nos estadios, cobra taxas altissimas.

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