Existem teorias do futebol moderno que continuam sendo desmontadas. Mas nada é tão surpreendente quanto o que está acontecendo no Criciúma.
Antenor Angeloni, o novo salvador da pátria em terras criciumenses, é um senhor milionário, que deu sua contribuição para o clube: foi presidente por três vezes, foi o responsável pela mudança das cores do clube, do azul e branco para o atual tricolor e marcou época no Estádio da rua 13 de maio.
Há 26 anos ele não pisa no Majestoso para assistir um jogo. Na empresa, uma das maiores redes supermercadistas do Brasil, vê as vendas subirem em voo de cruzeiro. Uma pessoa que curte os seus 76 anos de vida numa tranquilidade total.
Mas eis que, diante da crise técnica e financeira, ele resolve sair do cenário bucólico e colocar na massa. As notícias que vêm do sul são, até certo ponto, assustadoras, que têm feito a torcida do Tigre arregalar os olhos e festejar um título. Angeloni quer aportar R$ 3 milhões do bolso no clube para saná-lo. A primeira parte, de R$ 400 mil, já está na conta do clube, para saldar salários atrasados, décimos terceiros e dívidas com o FGTS. O novo presidente, que será aclamado na segunda-feira, quer deixar o clube zerado. Quer limpar todos os erros dos presidentes anteriores, e deixá-lo novinho em folha.
É impressionante. Um homem que não tem porque arrumar problema na vida, aceitar assumir a presidência de um clube de futebol que mexe com o dia-a-dia de uma cidade. Eu gostaria de conhecer o Sr. Antenor e parabenizá-lo pela iniciativa. Ele é corajoso. Eu só fico triste em saber que, quando ele deixar a presidência, o clube sofre risco de, sob comando de novos dirigentes, voltar a acumular dívidas devido à incompetência administrativa.
Estou curioso para ver a cara deste novo Criciúma.
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