O Joinville se acha confortável em ser o campeão do primeiro turno do Estadual. A afirmação até pode ser verdadeira, mas há motivos para que o clube fique em situação de se preocupar com o returno, ou até de ficar injuriado caso venha a conquistar mais essa fase.
Não é novidade para ninguém que, caso o Joinville vença o returno, não será campeão de forma direta, assim como os Campeonatos Carioca e Gaúcho, que têm regulamentos parecidos, pregam. Ridículo? Com certeza. Mesmo com a melhor campanha das duas fases, o campeão corre risco de, numa tarde infeliz ou num deslize dos "maravilhosos" árbitros catarinenses, colocar tudo por água abaixo. O Elton Carvalho, na sua coluna de hoje do "Notícias do Dia" de Joinville, traz uma passagem que lembra isso: Em 1998, o Avaí venceu os dois turnos do Campeonato Estadual, e mesmo assim teve que jogar um quadrangular contra Criciúma, Tubarão e Brusque, com dois pontos de bonificação. Em campo, as coisas para o Leão não deram certo e o time acabou em quarto, com o Tigre sendo campeão. Claro que essa regra tem um só motivo: televisão. A FCF não iria deixar o campeonato acabar sem uma decisão, sob pena da TV mostrar a final do Paulista ou do Carioca.
Então, o JEC precisa, pelo menos, se classificar entre os quatro do returno e acompanhar de perto a pontuação do Avaí, que, se vencer o returno como o primeiro da classificação, pode ganhar a decisão em casa, que neste ano não terá prorrogação. Será pelo método tradicional, com jogos de ida e volta com saldo de gols.
Mas existe um ponto que não foi tocado que merece destaque: em nenhum campeonato do mundo, uma decisão em partida única tem vantagem de empate para algum time. Pode ver: no Gaúcho, Carioca, Liga dos Campeões, Copa do Mundo... Sempre que acontecem decisões em uma partida, o empate leva para a prorrogação ou pênaltis. Nisso, o Joinville foi, de certa forma, premiado pelo regulamento, aprovado pelos clubes. Ah, e o time visitante desse jogo único, a título de indenização pela não-realização do jogo de ida em sua casa, ganha uma "ajuda de custo" de 5 mil reais. Dependendo da viagem, não paga as despesas. O certo seria copiar a Copa do Brasil, com renda dividida em caso de empate ou 60% para o vencedor e 40% para o perdedor.
O Joinville não pode pensar em colocar o pé no freio e esperar a decisão. O histórico recente do estadual mostra que, na maioria, os times campeões do primeiro turno não conseguem ser campeões no final. Aqueles que levam a segunda etapa vêm em um embalo maior, e geralmente apresentam um melhor rendimento em decisões. Além de levar a vaga na final, Sérgio Ramirez precisa é fazer com que o seu Joinville, que não poderá ser campeão direto, mantenha o embalo para a decisão, no final de abril.
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