domingo, 11 de julho de 2010

"Quem é o Rodrigo?"

Foi a frase que eu ouvi antes de apagar dentro daquela cabine. Quase 13 anos de carreira, e passei pela situação mais difícil da minha vida.

Vou contar o que eu lembro. As avaliações eu deixo pra vocês. Esse post não vai aceitar comentários. A repercussão deixo para os colegas de imprensa, que, ao seu critério e com a sua competência, farão a repercussão do fato. É pra ninguém dizer que eu estou buscando autopromoção com isso.

O que eu lembro foi o seguinte: O Joinville colocou a nossa emissora na cabine 6 da Arena Joinville, que fica isolada, no fundo de um corredor sem ninguém por perto. Nosso ângulo de trabalho é ruim, a cabine fica em frente à linha de fundo da direita das tribunas. Nas outras três partidas que fiz lá esse ano, fomos colocados em uma cabine junto às emissoras locais, mais especificamente ao lado da Rádio Globo, com localização central. Dessa vez, nos colocaram no fundão. Tudo certo, já tinha feito jogos lá. Até tinha falado que a cabine era "pé-quente", já que transmiti o título de 2008 dali.

Acabou o jogo, aos 52 minutos do segundo tempo, e a festa tomou conta de todos, com a alegria do título. Cerca de um minuto depois, eu estava olhando a torcida do Brusque e ouço a porta sendo aberta com força, e alguém berrando "Quem é o Rodrigo?". Olho pra trás, era o Delfinzinho, com uma jaqueta da CBF. Nem deu tempo pra reagir. Tomei um soco no rosto, caí da cadeira e bati com a cabeça na parede. Tomei mais uns dois ou três chutes, e apaguei. Quando consegui ver algo, tinha um rapaz de boné com uma cadeira plástica na mão ameaçando o Maurício (Haas, jornalista do "Município Dia-a-dia") e o Xirú. Mas eles acabaram fugindo, e o Maurício segurou a porta até que a PM chegasse ali, coisa de dois ou três minutos depois. Fui atendido pelos paramédicos no local e encaminhado pro hospital da Unimed em Joinville, voltando depois pra casa, pelas 3 da manhã. O Boletim de Ocorrência já foi lavrado, e todas as providências legais serão tomadas.

Esse é o relato. O Maurício, o Xirú, nosso comentarista e o repórter Giovani Ricardo são as pessoas mais certas para dar mais detalhes do que aconteceu. Quero agradecer ao pessoal da imprensa, que ajudou muito a gente naquela hora, e a solidariedade de quem lê esse blog ou acompanha nosso trabalho.

E um agradecimento muito especial ao Maurício e ao Xirú. Não sei se estaria aqui pra contar a história se não fossem eles. Salvaram minha vida.

E não pretendo voltar a falar do assunto aqui.

PS.: É bom registrar aqui que a torcida do Joinville não tem NADA a ver com o acontecido. Tenho o maior carinho por essa cidade, onde tenho parentes morando. E desejo boa sorte ao JEC na Série D. Que consiga o acesso.