sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Angeloni, o Papai Noel fora de época

Existem teorias do futebol moderno que continuam sendo desmontadas. Mas nada é tão surpreendente quanto o que está acontecendo no Criciúma.

Antenor Angeloni, o novo salvador da pátria em terras criciumenses, é um senhor milionário, que deu sua contribuição para o clube: foi presidente por três vezes, foi o responsável pela mudança das cores do clube, do azul e branco para o atual tricolor e marcou época no Estádio da rua 13 de maio.

Há 26 anos ele não pisa no Majestoso para assistir um jogo. Na empresa, uma das maiores redes supermercadistas do Brasil, vê as vendas subirem em voo de cruzeiro. Uma pessoa que curte os seus 76 anos de vida numa tranquilidade total.

Mas eis que, diante da crise técnica e financeira, ele resolve sair do cenário bucólico e colocar na massa. As notícias que vêm do sul são, até certo ponto, assustadoras, que têm feito a torcida do Tigre arregalar os olhos e festejar um título. Angeloni quer aportar R$ 3 milhões do bolso no clube para saná-lo. A primeira parte, de R$ 400 mil, já está na conta do clube, para saldar salários atrasados, décimos terceiros e dívidas com o FGTS. O novo presidente, que será aclamado na segunda-feira, quer deixar o clube zerado. Quer limpar todos os erros dos presidentes anteriores, e deixá-lo novinho em folha.

É impressionante. Um homem que não tem porque arrumar problema na vida, aceitar assumir a presidência de um clube de futebol que mexe com o dia-a-dia de uma cidade. Eu gostaria de conhecer o Sr. Antenor e parabenizá-lo pela iniciativa. Ele é corajoso. Eu só fico triste em saber que, quando ele deixar a presidência, o clube sofre risco de, sob comando de novos dirigentes, voltar a acumular dívidas devido à incompetência administrativa.

Estou curioso para ver a cara deste novo Criciúma.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

A morte de Marcílio Krieger

Muita gente não deve saber quem Marcílio Krieger era. Mas o jurista catarinense, falecido na manhã desta quinta aos 71 anos de idade, foi um dos principais nomes do direito desportivo do Brasil.

Se não esteve presente nos principais casos de "tapetão" no futebol brasileiro, ele era consultado. Frequentemente, as emissoras de TV recorriam a ele para esclarecer dúvidas que apareciam.

Natural de Brusque, advogado formado em 1963 pela Universidade Federal de Santa Catarina, é autor de várias obras enfocando a área do direito ligado ao esporte. Também colaborou com a Comissão Mista do Congresso Nacional nos debates em torno do Projeto Pelé, mais tarde convertido na Lei Pelé (Lei nº 9.615/98).

Foi auditor do STJD no Rio de Janeiro, palestrante-convidado das CPIs da Nike e do Futebol no Congresso Nacional, tendo participado de reuniões em Brasília e Porto Alegre. Marcílio Krieger também fez parte da comissão de juristas que elaborou o Código Brasileiro de Justiça Desportiva em 2002 e 2003, ao lado de Luiz Zveiter. No final do ano passado, ganhou uma obra em sua homenagem, escrita pelos professores Leonardo de Bem e Rafael Ramos, intitulado “Direito desportivo. Tributo a Marcílio Krieger”.

Morreu um catarinense que fez história no futebol. Não jogando, mas participando da mudança das Leis que regem o esporte, escrevendo belos artigos, questionando as atitudes dos dirigentes e criando polêmica contra as decisões, as vezes questionáveis, da justiça desportiva.

Sávio reaparece, e Verdão desperta

Tem torcedor do Avaí que, depois da vitória do seu time lá em Erechim, tem uma ponta de revolta com o técnico Péricles Chamusca. Eu explico: o jogo de hoje deixou uma pergunta no ar: "Por que o Sávio não entrou em campo contra o Joinville?" Longe de dizer que a coisa poderia mudar, mas a verdade é que o veterano desencantou. Que bom.

O Avaí cumpriu a missão. Enfrentou um adversário bem inferior (aliás, o futebol do interior gaúcho tomou pau: três eliminações hoje) e fez mais do que precisava. Sávio fez dois, e isso traz uma confiança enorme. Não duvido que entrará no time titular domingo em Brusque, quando Leonardo estará fora, suspenso pelo terceiro amarelo. Que venha o Coritiba, que não deve ter problemas para passar pelo Luverdense. Ali, o buraco é mais embaixo e a segunda partida será no Paraná. Mas quem quer chegar longe, não tem que escolher adversário.

Agora, a Chapecoense supreendeu positivamente a todos. Vencer sem tomar gols é ótimo nesse sistema de disputa. Vencer de três, e não tomar nenhum, é melhor ainda. Garante uma vantagem ótima. Mas o resultado de hoje traz uma pergunta: a Chapecoense renasceu? É cedo para dizer. O torcedor vai dizer que sim, mas uma partida só, contra o time do Roberto Fernandes, deu um ótimo indício de melhora, mas falta uma regularidade para comprovar que Suca achou o mão no time (ou que realmente o elenco estava de mal com Mauro Ovelha, use a versão que melhor lhe convier). E pelo jeito, Vanderlei Luxemburgo e Obina conhecerão a bela Chapecó.

E quem também deve estar rindo é a torcida do Figueirense, vendo o seu ex-técnico se quebrar no Oeste, levando a rodo Michel Schmoller, que acabou dispensado.

Noite de gala do futebol catarinense. E vamos em frente.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

As aventuras do regulamento do Estadual

O Joinville se acha confortável em ser o campeão do primeiro turno do Estadual. A afirmação até pode ser verdadeira, mas há motivos para que o clube fique em situação de se preocupar com o returno, ou até de ficar injuriado caso venha a conquistar mais essa fase.

Não é novidade para ninguém que, caso o Joinville vença o returno, não será campeão de forma direta, assim como os Campeonatos Carioca e Gaúcho, que têm regulamentos parecidos, pregam. Ridículo? Com certeza. Mesmo com a melhor campanha das duas fases, o campeão corre risco de, numa tarde infeliz ou num deslize dos "maravilhosos" árbitros catarinenses, colocar tudo por água abaixo. O Elton Carvalho, na sua coluna de hoje do "Notícias do Dia" de Joinville, traz uma passagem que lembra isso: Em 1998, o Avaí venceu os dois turnos do Campeonato Estadual, e mesmo assim teve que jogar um quadrangular contra Criciúma, Tubarão e Brusque, com dois pontos de bonificação. Em campo, as coisas para o Leão não deram certo e o time acabou em quarto, com o Tigre sendo campeão. Claro que essa regra tem um só motivo: televisão. A FCF não iria deixar o campeonato acabar sem uma decisão, sob pena da TV mostrar a final do Paulista ou do Carioca.

Então, o JEC precisa, pelo menos, se classificar entre os quatro do returno e acompanhar de perto a pontuação do Avaí, que, se vencer o returno como o primeiro da classificação, pode ganhar a decisão em casa, que neste ano não terá prorrogação. Será pelo método tradicional, com jogos de ida e volta com saldo de gols.

Mas existe um ponto que não foi tocado que merece destaque: em nenhum campeonato do mundo, uma decisão em partida única tem vantagem de empate para algum time. Pode ver: no Gaúcho, Carioca, Liga dos Campeões, Copa do Mundo... Sempre que acontecem decisões em uma partida, o empate leva para a prorrogação ou pênaltis. Nisso, o Joinville foi, de certa forma, premiado pelo regulamento, aprovado pelos clubes. Ah, e o time visitante desse jogo único, a título de indenização pela não-realização do jogo de ida em sua casa, ganha uma "ajuda de custo" de 5 mil reais. Dependendo da viagem, não paga as despesas. O certo seria copiar a Copa do Brasil, com renda dividida em caso de empate ou 60% para o vencedor e 40% para o perdedor.

O Joinville não pode pensar em colocar o pé no freio e esperar a decisão. O histórico recente do estadual mostra que, na maioria, os times campeões do primeiro turno não conseguem ser campeões no final. Aqueles que levam a segunda etapa vêm em um embalo maior, e geralmente apresentam um melhor rendimento em decisões. Além de levar a vaga na final, Sérgio Ramirez precisa é fazer com que o seu Joinville, que não poderá ser campeão direto, mantenha o embalo para a decisão, no final de abril.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Viola só volta ao Brasil no sábado

O returno do campeonato começa no domingo, tem jogo dificílimo contra o Avaí, e o atacante Viola continua fora do país. Depois de todos os acontecimentos que já relatamos aqui no Blog, o jogador, que marcou três gols no Estadual, ainda está nos Estados Unidos, onde na quinta-feira rola uma "Viola Party" na academia que leva seu nome em Danbury, no estado de Connecticut.

Ele viajou para o exterior no dia 18 e só volta ao Brasil no sábado, véspera do jogo contra o Avaí. A ida aos "States" estava prevista no contrato com o jogador, informou a diretoria do clube.

Eu não acredito que ele entre em campo contra o Leão. Não está treinando com o time, e sabe-se lá se ele anda pelo menos se movimentando por lá. Colocá-lo pra jogar seria uma irresponsabilidade imensa.

Mas acontece que a partida será a única do Bruscão transmitida pela RBS pra todo o Estado, e aí, sabe como é...

Fica a pergunta: ele precisava ter ficado nove dias fora do país?

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Goleiro Fabiano quer deixar o Brusque

Jogador profissional precisa ter virtudes para vingar no futebol. E uma delas, é aceitar o banco de reservas, principalmente quando precisa reconhecer que está em má fase.

E não parece que isso esteja acontecendo com o goleiro Fabiano Heves, do Brusque. Ele ficou inconformado com o técnico Hélio Vieira, que o colocou no time reserva no treinamento da última sexta. Ele deixou o treino e foi conversar com a diretoria. Não treinou hoje e terá uma outra conversa com o presidente. Tudo indica que deverá deixar o clube.

Ele vinha apresentando falhas e deixou de ser confiável. O treinador tem razão em dar uma chance ao reserva Marimon. Mas quando o titular não aceita, a coisa fica insustentável.

Dentro da Arena, festa. Mas fora...

Sempre tive uma regrinha aqui para evitar criticar demais o que a imprensa do Estado fala. Mas existem casos que merecem ser citados, para provocar uma reação das autoridades, já que o assunto, pelo que li hoje, foi totalmente ignorado.

Não foi noticiado, ou pelo menos não vi em lugar nenhum, informações sobre o que aconteceu antes e depois da decisão do turno, em Joinville. Nem tudo foram flores no jogo em que o JEC conseguiu, num lance incrível, a vaga na final do campeonato.

Fora do estádio, vários problemas: segundo relatos dos torcedores nas redes sociais afora, teve gente do Joinville levando pau de policial montado, torcedor do Avaí insultado quando comprava o seu ingresso na Arena e até uma van da torcida "Vanguarda Avaiana" apedrejada por torcedores unformizados do Joinville.

Pior é ver nestas mesmas comunidades os mesmos torcedores se "prometendo" no próximo jogo entre eles. Lamentável em todos os sentidos.

Aí eu pergunto: de que adianta credenciar as organizadas, fichar os torcedores e proibir a venda de cerveja dentro dos Estádios, se a situação fora dele fica fora de controle por parte da Polícia? E a tal da justiça presente, que só trabalha dentro do Estádio e nunca coíbe as ações das cercanias? De que adianta estabelecer um limite "burro" de 400 metros sem venda de bebidas alcoólicas fora do estádio, se a turma já vem "calibrada" e se confronta nas ruas?

As autoridades podem probir bebida, fichar torcedor, e até, se quiser, fazer o povo entrar pelado no estádio. Mas o problema está antes e depois dos jogos, lá fora, nas ruas e nas provocações virtuais. Ali sim estão os potenciais criminosos. E não há combate algum por parte de autoridade alguma.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Lateral Rondinelli é novo reforço do Brusque

Mais um jogador foi confirmado na noite de hoje no Brusque. É o lateral-esquerdo Rondinelli (Rondinelli Sena Ribeiro, 31 anos, 1,78m e 77 kg), que jogou no ano passado no Americano e no Goytacaz, ambos do Rio de Janeiro.

Natural de São João da Barra (RJ), passou pelo Sport em 2001, Fortaleza e Cruzeiro em 2002 e pelo Goiás, em 2003.

É o quarto reforço confirmado antes do início do returno: já foram confirmados os volantes Leandro Leite e Carlos Alberto e o meia Diogo. Até terça, mais dois jogadores podem ser anunciados.

Sinal que o time que estreará no returno contra o Avaí será bem diferente daquele que encerrou o turno contra o Imbituba. Entrosar essa turma vai ser uma dificuldade para Hélio Vieira.

JEC leva o turno, na pressão e no detalhe

O Joinville estava sem pernas e subia de forma atrapalhada para o ataque. O Avaí vencia por 1 a 0 e se segurava do jeito que podia, e a torcida já comemorava. Mas o chute de Ricardinho, no último lance do jogo, desviou no pé de algum zagueiro e matou o goleiro Zé Carlos, que havia feito uma excelente partida. O gol que mudou tudo. O gol que colocou o Joinville na final do campeonato, deixou o Metropolitano muito próximo da Série D e que provocou alegria numa metade, e tristeza na outra parte da capital.

Antes de falar do jogo, uma palavra sobre o árbitro José Acácio da Rocha. Se o Avaí tivesse vencido, o JEC poderia reclamar um pênalti claro não marcado em cima do Lima no primeiro tempo. Mas aos 44, Medina foi derrubado pelo goleiro Fabiano, em outro pênalti não marcado. Compensou? não sei. Mas pelo menos a desculpa dos pênaltis ninguém vai ter.

Péricles Chamusca montou o time no 3-6-1, tentando jogar em cima das falhas do adversário, já demonstradas na semi-final contra o Metropolitano. Cruzamentos baixos, marcação forte nos atacantes e saídas pelos lados foram a tônica do primeiro tempo. Talvez o Avaí esteja querendo segurar o Joinville no primeiro tempo para dar o bote no segundo, quando historicamente o rendimento do adversário cai. E Ramirez mandou o time pra frente, correndo demais e correndo risco, já que a parte física poderia ser determinante na reta final do jogo. Foram várias chances desperdiçadas pelo time da casa. De falta de oportunidade o Joinville não poderia reclamar.

Na segunda etapa, o Avaí se soltou, e a partida melhorou consideravelmente. Zé Carlos fez duas defesas importantes, e Patrick, que é lateral direito, mandou um chute com a canhota no ângulo, silenciando a Arena. Seria o gol do título. O JEC passou a atacar de forma desesperada, o Avaí deixou o adversário chegar e não aproveitou as várias chances que teve nos contra-ataques. E o gol milagroso de Ricardinho no final não acha explicação técnica ou tática. Foi daqueles casos que irão pra história dos confrontos entre Joinville e Avaí. Um gol que fez valer o regulamento, daquele time que tinha a melhor campanha entre os 10 clubes do catarinense.

O Avaí continua tendo o melhor elenco do Estadual e entra no returno como favorito. O mal-feito regulamento do campeonato não premiará o Joinville se vencer a segunda fase. Logo, o time do Chamusca tem amplas condições de fazer a final contra o próprio JEC, que jogará o returno de sangue doce.

E festa em Blumenau, já que o Metropolitano, de acordo com o regulamento da Copa Santa Catarina do ano passado, assumirá a vaga na Série D caso o Joinville se classifique via campeonato Estadual. O time de Roberval Davino só não irá ao Brasileiro se Imbituba, Juventus, Brusque ou Atlético de Ibirama conquistem o título Estadual. Aí, será um milagre maior do que o gol salvador de Ricardinho.