sábado, 13 de março de 2010

Chapecoense, uma nau à deriva

Não foi derrota. Foi humilhação, com direito a olé. A Chapecoense vai caminhando a passos largos para a Segunda Divisão, ao tomar três a zero do Juventus, que não havia vencido ninguém. Suca deverá ser demitido. Mas a culpa é dele?

Antes do jogo, o meia Steve deu uma entrevista a uma rádio local dando a entender que o grupo estaria rachado, e que iríamos descobrir onde está o problema. Depois do jogo, teve de tudo, com direito a bate-boca do treinador com repórter, ao Jandir Bordignon chamando o Tadeu Costa de mentiroso, e outras coisas. Isso denuncia o cenário: o time está sem comando, a deriva em um rio que está próximo da queda à segundona. Pode trazer o Felipão que não resolve. O problema deve ser corrigido de cima para baixo. Começando com quem contrata.

O Brusque agradece. Com um jogo a menos, tem três pontos de vantagem e duas vitórias a mais. Poderá até perder para a Chapecoense no domingo que vem, que mesmo assim não sai da zona de rebaixamento. Sem contar que o clima no Bruscão é absurdamente mais tranquilo. Mas com esse time, visivelmente dividido, a degola é inevitável. A não ser que venha um novo time, que venha com uma união enorme, para fazer o time jogar bola. Serão apenas dois jogos em casa nos cinco que restam. A derrota para o Juventus, e poderia ser goleada, foi uma consequência do trabalho feito. A vitória sobre o Brasiliense foi pura enganação. Aprendi uma coisa no futebol: não adianta ficar espalhando que tem dinheiro sobrando no caixa. Tem que ter alguém competente que contrate bem, cobre os resultados e que coíba as confusões.

Enquanto ouço os pós-jogos das rádios do Oeste, tenho a certeza de que é improvável uma solução a curto prazo para a Chapecoense. O jogo da Copa do Brasil, contra o Atlético-MG, mais atrapalhará do que ajudará o time a escapar da segundona. É improvável, mas não impossível. A partir de agora, o time do Nei Maidana não depende mais de suas forças para escapar da degola. Precisa secar o Brusque, e começar a partir de segunda, quando enfrenta o Joinville do ex-técnico Mauro Ovelha.

sexta-feira, 12 de março de 2010

O fim das Participações no Figueirense

E hoje foi batido o martelo. Sem guerra jurídica, mas com a perda de jogadores da base para um empresário, o fim da gestão da Figueirense Participações foi selado. Agora, o clube conseguiu o que queria: irá caminhar com suas próprias pernas em dez dias, e terá a missão de fazer o time voltar a Série A.

Quero chamar a atenção para um fato, que remete aos meus tempos de faculdade e início da carreira jornalística, final da década de 90. A mesma Figueirense Participações que hoje deixa o alvinegro sob o alívio de grande parte da torcida, foi a responsável por uma importantíssima guinada no futebol catarinense. Apesar de toda a discussão que envolveu a figura de Paulo Prisco Paraíso no governo Estadual, a partir do momento que a "Participações" montou aquele time de 99 com Júlio César e Camanducaia, forçou outros times, e aí cito o próprio Avaí, que se viu em meio a uma fila sem títulos até o ano passado e viam Criciúma e Joinville crescer no cenário do Estado nos últimos anos, a buscar se profissionalizar. Houveram inovações para a época, como a grande campanha de sócios, a comercialização de espaços e a primeira vez em que houve um uso efetivo das ferramentas de marketing no futebol catarinense.

Mas como a Participações era um negócio que visava lucro, o torcedor alvinegro tinha sérias reclamações, principalmente quando vinha a ideia que "o Figueirense busca lucro, e não títulos". A derrocada começou em 2007, quando o time perdeu a Copa do Brasil em casa para o Flu. Lembro-me como se fosse ontem que o técnico Mário Sérgio havia dito que estava ali "para revelar jogadores para venda, não para ganhar títulos". A lua de mel acabou ali.

E nisso, entram os conselheiros do clube, que mostraram que não são vaquinhas de presépio e, dentro dos seus direitos, questionaram a parceria. Os blogs dos alvinegros, e faço questão de citá-los de novo aqui, foram de importância enorme, pois traziam à tona todos os problemas, e deixavam abertas à toda a torcida as discussões acerca dos acertos e erros do clube. No fim desse debate, a figura do Figueirense Futebol Clube volta a existir. O clube perdeu vários talentos numa negociação polêmica com a Brazil Soccer, mas esse era o custo da liberdade. Os livros de história contam que a independência do Brasil de Portugal não foi feita de graça. Os portugueses levaram riquezas de nosso país, para depois nos deixar livres. O clube teve que pagar um preço pela liberdade, mas com um trabalho bem feito, novos Lucas, Robertos e Alexandres podem aparecer, e render bons dividendos.

Boa sorte à torcida alvinegra.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Beto, ex-Criciúma, no Joinville

Vários sites de informação do nordeste informaram ontem a noite que o Joinville contratou o meia Beto, de 29 anos, que foi um dos destaques do Criciúma em 2008. Ele estava no Treze da Paraíba, time que o revelou antes de chegar a Santa Catarina. Segundo informações vindas do nordeste, o jogador não estaria adaptado à estrutura do clube, e foi afastado do grupo no último dia 2, passando a treinar de forma separada.

Depois de sair do Tigre, ele foi vendido (a preço de banana, multa pequena) ao Atlético-MG, onde acabou tendo uma grave lesão ocasionada por estresse. Depois, andou desaparecido, e agora está de volta, onde será comandado por Mauro Ovelha.

O Brusque foi atrás dele na semana passada, e o salário estava dentro das possibilidades, mas a diretoria teve a informação de que ele não estava na melhor condição física.

Beto é, sem dúvida, um excelente jogador, se jogar como era nos tempos do Criciúma. A torcida do JEC anda de pé atrás, principalmente depois de um jogo em março de 2008 que ele, após marcar um gol de cabeça, fez sinal para a torcida do Joinville ficar quieta. Já há no Orkut manifestações acerca disso.

Ricardo segura o Jacaré. E que venha o Galo

Mergulhado na crise, a Chapecoense se segurou do jeito que pôde, e garantiu a sua vaga na próxima fase da Copa do Brasil, mesmo perdendo para o Brasiliense por 2 a 1. Preste atenção nessa expressão: perdeu para o Brasiliense. Mas como teve uma gordura conquistada no Índio Condá, conseguiu a classificação.

Não assisti o jogo, mas antes de Mazinho (que entrou no lugar de Luciano Ratinho, machucado) fazer aquele gol que garantiria a classificação, as emissoras de rádio eram uníssonas: time sem vontade, sem "ralar a bunda no chão", desarticulado, e com o herói Ricardo, goleiro da base que substitui Nivaldo, salvando o time lá atrás. Nada de diferente em relação aos últimos jogos pelo estadual. Que venha Luxemburgo, Obina e o Galo Mineiro. Com certeza, um bom dinheirinho entrará no caixa.

Mas a classificação para a segunda fase da Copa do Brasil trará problemas na luta do time de Suca contra o rebaixamento: o time chega de Brasília, joga sábado em Jaraguá, depois enfrenta o Atlético em casa na outra quarta e terá decisão contra o Brusque, que não terá jogo no meio de semana, no dia 21. Terá uma maratona que seu adversário não terá, menos tempo para treinar e um desafio enorme pela frente.

Antes de ir pra festa na Avenida para comemorar a classificação, é bom notar que o time não mudou em nada.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Polícia Federal investiga compra de título catarinense

Reproduzo abaixo nota publicada pelo Polidoro Júnior, no jornal "Notícias do Dia" de segunda, dia 08 de março:

A Polícia Federal de Itajaí estaria prestes a divulgar uma armação promovida por um presidente de clube e que seria o maior escândalo do futebol catarinense nas últimas décadas. Há gravações de diálogos comprometedores e que envolve a “compra” de um título estadual. Eurico Miranda e o Caixa D´Água seriam fichinha perto desse dirigente, mas fica evidente que alguém o ajudou. Se a casa cair, cabeças rolarão.

O Poli não disse quando foi, quem foi envolvido e qual seria o clube em voga. Mas uma nota dessa merece destaque, e por isso reproduzo aqui no Blog. Ficaremos de olho.

Ibirama vai de Wagner Oliveira

O nome de Wagner Oliveira foi comentado durante todo o dia pela imprensa do Alto Vale como o favorito para assumir o comando do Atlético de Ibirama. Antecipando a confirmação oficial, o eficiente Bernardo Haas do FutebolSC.com conversou com o próprio técnico, que confirmou o fechamento do negócio.

Wagner, de 49 anos, além de treinador, fez história como jogador em Santa Catarina. Foi campeão estadual em 1985 pelo Joinville, na campanha do octacampeonato. Além de ser o artilheiro nesse mesmo ano, com 21 gols, conquistou a artilharia no ano seguinte, com 16 tentos marcados. Como técnico, teve três experiências no Estado, todas no JEC: em 1998, 2001 e 2006, onde foi campeão da Divisão Especial.

É um treinador reconhecido principalmente em Minas Gerais, onde comandou vários clubes. Acho bem interessante a escolha do Atlético por ele. Vai fugir daquela lista de treinadores com experiência limitada em Santa Catarina, para trazer alguém de outra praça, que respira outros ares, para recuperar o time, que fez um bom primeiro turno, mas patina no segundo.

terça-feira, 9 de março de 2010

Qual a lógica?

Os Blogs, e principalmente aqueles ligados à torcida do Figueirense, bombaram com a informação da rescisão dos quatro jogadores do time, publicada no BID da CBF de ontem. Uma notícia apurada e fiscalizada por esse meio de comunicação, que traz uma interação e uma publicidade enorme á informação "cavada" por torcedores.

Falar em publicidade, acho o que marcou toda esse diz-que-diz, que fez os torcedores alvinegros se sentirem "traídos", foi a não-divulgação da negociação entre Figueirense Participações, Clube e Brazil Soccer lá em maio do ano passado, quando foi assinada a intenção de compra.

Claramente, dá pra ver que a negociação com a Brazil Soccer foi uma das condições sine-qua-non da Participações para encerrar a parceria pacificamente no dia 21 de março. O clube terá que sacrificar essa grande receita que poderá ter, em troca de não se incomodar por anos nos tribunais, o que traria uma instabilidade ao clube. O negócio não é desonesto. Faltou divulgá-lo? Faltou sim. Assim como falta detalhar aos sócios e conselheiros do clube qual é o ganho que o Figueira tem ao negociá-los. Muitos pensam no dinheiro. Acho que o clube pensou na tranquilidade.

E a minha solidariedade aos blogueiros alvinegros: foram bombardeados hoje, e chamados de vários termos que não vale aqui citar. Eles não estão contra o clube, apenas questionam onde está a transparência. E os Blogs são uma ferramenta poderosíssima.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Ramirez e Gelson caíram. E Ovelha voltou

No futebol, não existe uma unanimidade até a rodada seguinte. E o troca-troca de técnicos continua: mais dois caíram fora nesta segunda, enquanto um volta a ser empregado.

Sérgio Ramirez aguentou muito tempo em Joinville. Particularmente, não gosto dele por causa do temperamento. Mas tenho que admitir que fez um bom trabalho no JEC, colocando o time na final do Estadual e na Série D. Mas é uma pessoa de relacionamento difícil, que bate boca com a diretoria até por causa da colocação de um jogador a mais na delegação, o que aconteceu antes do jogo contra o Imbituba. Por questão de segundos, não foi demitido depois da final do turno contra o Avaí. Mas a sequencia de maus resultados, combinado com os 3 a 0 do Figueirense, custaram sua cabeça. Ele queria um projeto longo. Chegou a treinar os juniores no segundo semestre do ano passado para fazer um bom time. Não aguentou.

E o JEC confirmou no início da tarde que Mauro Ovelha, demitido da Chapecoense e com grande currículo de vice-campeonatos na carreira, assumirá o comando tricolor. Para Ovelha, é uma chance única de comandar um time de orçamento maior, que disputará o campeonato brasileiro e brigará pelo título. Ele estará altamente pressionado, e terá que largar aquela sua conhecida antipatia se quiser conquistar o torcedor.

E em Ibirama, um gol de pênalti aos 50 minutos do segundo tempo custou a cabeça do técnico Gélson Silva. Ali, o negócio é diferente: o Atlético tem histórico de cobrança a curto prazo. O time fez uma boa campanha no turno, arrancou um empate em Chapecó e em casa contra o Criciúma e perdeu em Imbituba, o que é normal. Mas Ayres Marchetti não deve ter uma boa noite de sono, e despachou o pastor. Não estranhe se Sérgio Ramirez aparecer por lá.

Obrigado ao Daniel dos Santos, do blog Esporte Alto Vale, que confirmou a saída do Pastor Gélson.

domingo, 7 de março de 2010

O Dever de casa foi feito. E a Chapecoense ajudou

O Brusque terá, pelo menos isso, uma semana tranquila para trabalhar até o jogo contra o Joinville. A vitória sobre o Juventus veio com tranquilidade, e a vitória do Avaí em Chapecó foi mais uma boa notícia depois de dias tão pesados no Augusto Bauer.

O jogo no Augusto Bauer mostrou um fato novo, e muito interesante: o atacante Pantico. O baixinho é bom, é veloz e mostrou para o que veio. Vamos ver qual a solução a ser usada pelo técnico Hélio Vieira ao colocá-lo em campo na Arena com Viola, mas Pantico mostrou ter qualidade.

Temos que colocar o pé no chão: não dá pra tirar o jogo contra o Juventus como base de comparação para saber se o time melhorou ou não. O efeito da vitória por 3 a 1 foi muito mais psicológico do que técnico. E ajudou. O ambiente até a bola rolar não era bom, com pouco público no Estádio, muita desconfiança e exigência por um bom resultado. Terminados os 90 minutos, o presidente, o treinador e o elenco vão para casa livrando-se de um peso enorme, e terão uma confiança maior para pegar o JEC, que não vence há seis jogos, no dia 15.

E com a vitória, o Brusque se garante fora da zona de rebaixamento até o confronto contra a Chapecoense no dia 21, e caso o Metropolitano vença amanhã no Heriberto Hulse, o Criciúma também entra na briga.

O Campeonato não acabou, mas dá pra ir pra casa aliviado.