sábado, 29 de maio de 2010

Sem ataque, ponto para o zagueiro

Seria muito dolorido para o Figueirense voltar de Brasília com a terceira derrota seguida. O ambiente, que já não era bom com os rumores de demissão de Márcio Goiano, não piora, mas se estabiliza. O jogo em Taguatinga foi absolutamente terrível, e se expôs mais uma vez o problema crítico no ataque alvinegro. E volto a perguntar aqui onde anda o William, que sumiu no jogo. E cadê o tal do Marcelo Nicácio, que veio para o clube depois de uma novela interminável, e acho que deve ter chutado uma ou duas bolas a gol? Vi um legítimo time-enceradeira em campo. Cria, toca, passa... mas não chuta. E de repente, para de marcar e toma um gol, como foi o marcado por Rosembrick.

Aí, tem que aparecer um zagueiro, João Filipe, vindo lá de trás pra fazer o gol, nos descontos. Um empate que, além de valer um pontinho que já não era mais esperado fora de casa, tira aquela figura da derrota que era iminente. E mais uma vez, prova o que foi mostrado terça-feira, na derrota para o Náutico. Falta jogador de qualidade, falta experiência em campo. Não vejo o Figueira como um candidato ao rebaixamento, mas ao mesmo tempo falta muito mingau pra ser um time para brigar pela Série A. Um ponto em três partidas, e o time já está da metade pra baixo na classificação, em décimo segundo.

Um time que o principal atacante é o zagueiro é sinal de problema sério.

Quanto custa para subir?

Na volta de Itajaí hoje, eu ouvia a programação esportiva das rádios locais, informando que o Marcílio Dias pretende entrar na Divisão Especial para conseguir o acesso com uma folha de pagamento do elenco de R$ 4o mil mensais. Fazendo uma conta rapidinha, dá menos de dois mil reais mensais de média para cada jogador do elenco. Difícil é imaginar quais serão os jogadores que topariam jogar uma segunda divisão com salário tão baixo, enquanto campeonatos como as segunda divisões do Rio Grande do Sul ou de São Paulo pagam bem mais.

Existem times considerados baratos, que com uma folha baixa consegue títulos e acessos, mas são casos isolados que acontecem hora ou outra. Mas a realidade do futebol indica que, para conseguir um time que consiga um acesso ou até mesmo uma boa classificação, é necessário investir. E investir certo, com consciência. O Brusque, em 2008, subiu para a primeira divisão com uma folha próxima aos 100 mil reais mensais, e não sofreu sustos para conseguir o acesso. O Marcílio é o grande favorito a conseguir uma vaga para retornar à primeira divisão, mas ao trabalhar com folha pequena, estará se equivalendo aos seus adversários. E convenhamos, caso o Marinheiro não consiga subir neste ano, todo o planejamento feito pela atual diretoria irá por água abaixo.

Mas quando se tem dinheiro, tem que saber gastar. Uma informação sobre o Figueirense que ouvi hoje no "Clube da Bola" me deixou assustado: de que o alvinegro tem cinquenta jogadores no time profissional. Cinquentinha, mais de quatro times inteiros. Faça uma avaliação de quem está nesse elenco que jamais disputou uma partida no time principal, e dá pra fazer a primeira peneirada. Um dinheiro que poderia ser usado na contratação de jogadores de qualidade para conseguir o acesso à Série A, e que acaba desperdiçado. E pelo o que o Figueira vem mostrando em campo, alguns reforços são necessários. Se houver uma boa diminuição de elenco, o dinheiro vai aparecer sem mágica, uma vez que ele já está dentro do clube.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

A mais inacreditável das alegrias

Já ouvi muitas vezes a expressão "comentarista nunca perde jogo", pois o que ele falar depois da partida sobre o que deveria ser feito, não dá pra voltar atrás pra consertar.

E baseado nisso, eu confesso: não acreditava na coisa incrível que aconteceu hoje no Augusto Bauer. Um conjunto de fatores fizeram o Brusque marcar três gols em 11 minutos e garantir a vaga na final contra o Joinville, e ainda por cima decidindo o título em casa.

O primeiro tempo foi desesperador. Joceli dos Santos apostou no futebol de Paulinho no meio-campo para tentar furar o ferrolho da Chapecoense. Mas ele não acertou vários passes, e ficou fácil para o esquema de Guilherme Macuglia, que só subia no contra-ataque, que teve duas oportunidades de marcar, mas falhou na finalização com Neílson, que era tratado como um cracaço lá no Oeste. O Brusque não chegava ao ataque, e o tempo passando. Final de primeira etapa, e o sonho dos três gols ficavam lá distantes.

Chegou a segunda etapa, e Joceli teve que tirar Paulinho, já perseguido pela torcida e intranquilo em campo. Entrou Lourival, que fez o time chegar com força ao ataque. Pressionada, a Chapecoense aguentava bem, até Rafael Xavier marcar o primeiro gol, aos 18 minutos. O gol acendeu a torcida e o time do Brusque, e matou o psicológico do time de Chapecó, que assistiu à pressão louca do time da casa. Não demorou para sair o segundo, também com Xavier, aos 25, em lance de contra-ataque de Pereira que nenhum jogador verde chegou perto. Guilherme Macuglia mudou, e aí ele errou, fechando o time mais ainda, e permitindo que o Brusque ocupasse o ataque. Em outro cruzamento, Valdo fez o terceiro e fechou a classificação. A Chapecoense não tinha mais perna nem cabeça pra chegar na frente.

Deu tudo certo: classificação, melhor campanha e o direito de jogar a decisão do turno da Copinha em casa, e com a vantagem dos dois resultados iguais. O Brusque conseguiu corrigir a péssima atuação de Chapecó, onde perdeu um jogador no começo, tomou três gols praticamente iguais e uma atuação intranquila em campo. Que a lição do oeste seja assimilada na partida de domingo na Arena. Uma vitória que motivou ainda mais o grupo do Brusque, e deixou a torcida em êxtase.
Foto: Rafael Voitina - Município dia-a-dia

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Joguinho ruim... e o Grêmio venceu

No jogo do Olímpico, senti que alguma coisa estava "travando" o time do Avaí. O time jogou mal, entrou dormindo no primeiro tempo e tomou dois gols rapidinho. Com um prejú danado, ficou complicado recuperar a cabeça e o futebol. Tomou mais um, e a tal da invencibilidade se foi. E daí que o time não é mais invicto?

Dá pra sentir que alguma coisa no sistema de Péricles Chamusca não está encaixando. Hoje, deu pra ver que o jogo não entrou, com muitos erros de passe. Dificilmente ele mudará alguma coisa para o jogo de sábado, contra o Vitória. Poderá mexer nos jogadores, mas não alterará o esquema. Os jogadores de tanto destaque nas rodadas anteriores sumiram, mas foi difícil tirar alguem que tenha se salvado na derrota por 3 a 0 para o time de Silas, que salvou a sua pele no tricolor, dentro de Porto Alegre.

O campeonato continua, e o próximo adversário é um bom time, que está na final da Copa do Brasil e vem de vitória contra o Atlético-MG. O Brasileirão é longo, e ainda estamos em época de ajustes. Quem sabe no sábado o Avaí faça o torcedor esquecer a horrível atuação desta quarta. Foi um jogo bem ruinzinho.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Segunda derrota, e sinal de alerta

O Figueirense perdeu para o Náutico em casa de uma forma pra lá de dolorida. Perdeu com um jogador a mais durante boa parte da partida, e teve um sem número de chances de gol. Aliás, reclamar de falta de chances o time não tem o direito.

De certa forma, aquele termômetro que já falei aqui, o período de início de campeonato para sentir se o elenco atual é suficiente para ficar entre os quatro de cima para garantir o acesso, parece estar frio e preocupa. A circunstância do jogo, em que o Figueira tinha vantagem numérica e várias chances de gol, não permitia uma derrota. Se viu no segundo tempo um jogo de meia-linha, e dentro do que pôde, o Náutico jogou fechadinho e conseguiu o seu objetivo. Claramente, dá pra notar que falta uma liderança dentro de campo que controle a ansiedade da garotada. Aqueles jogadores que poderiam fazer a diferença nessa situação falharam. Onde está o Willian, aquele atacante que ganhou os prêmios de melhor do Campeonato Estadual, sendo implacável nas chances que aparecem? Hoje, os tais jogadores que poderiam fazer a diferença, como Firmino e Fernandes, este no segundo tempo, não foram felizes.

O Figueira despenca na classificação e terá o Brasiliense, fora de casa, no próximo sábado. Qualidade o time tem, mas é necessário jogar com os nervos no lugar. As chances aparecem, mas precisam ser aproveitadas.

Foto: Ricardo Duarte - ClicRBS

Brusque contrata meia Ratinho, ex-Criciúma

O Brusque está sofrendo um grande problema no setor de armação. Sem uma opção de qualidade para suprir a vaga deixada por Têti e Diogo Oliveira quando estão fora de combate, a diretoria surpreendeu com um reforço de última hora, antes do jogo contra a Chapecoense.

Trata-se do meio-campo Ratinho (Cléverson Ribeiro Miguel, 30 anos, 1,75cm e 68kg), que jogou no Criciúma em 2006, e neste ano jogou pelo Rio Branco de Paranaguá (5 gols em 2009 e um em 2010) e no Sinop, do Mato Grosso. A diretoria trabalha para colocá-lo no BID nesta quarta para que ele tenha condições de jogo na partida decisiva contra a Chapecoense. Têti continua contundido e está fora da partida.

O JEC também se complicou na semi-final

Não é só o Brusque que terá uma difícil tarefa no jogo de volta das semi-finais da Copinha. O Joinville também, mas precisará de um gol a menos para se classificar. O Criciúma fez valer a vantagem de casa e meteu dois a zero, podendo perder por um gol para conseguir a vaga na final. Promessa de grande jogo na Arena quinta-feira.

O time do Criciúma é uma incógnita jogo após jogo: tem o alto investimento, vem em um processo de evolução e de constante chegada de jogadores. Logo, é difícil prever o que o time renderá no jogo seguinte. Pelo que se espera, o Tigre já entraria como um dos favoritos no segundo turno do torneio. Mas como conseguiu um bom resultado em casa contra a melhor campanha do Grupo A, é possível que os planos sejam antecipados.

E hoje, aparece a possibilidade da decisão do turno acontecer entre os dois classificados em segundo lugar, que curiosamente, perderam para Brusque e JEC na fase inicial.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Rafael Bittencourt volta ao JEC

O meio-campo Rafael Bittencourt, de 23 anos, está de volta ao Joinville. Emprestado ao União de Leiria de Portugal, acabou participando de alguns jogos por lá, mas ao fim do empréstimo, não houve o interesse do time português, e ele será reintegrado ao grupo do JEC.

É um jogador que fez sucesso no Brusque no segundo semestre de 2008, onde ganhou a Divisão Especial, Copa Santa Catarina e Recopa, e depois sumiu. Foi para o Joinville com uma grande expectativa, mas não foi aproveitado por Sérgio Ramirez, ficando em vários jogos até fora do banco de reservas. Aí surgiu a chance no futebol português, onde novamente não vingou. Agora espera ser utilizado pelo técnico Edinho na sua volta ao tricolor.

Vice-presidente do TJD comenta

Trecho da coluna do Roberto Alves de hoje, no Diário Catarinense:

A decisão do TJD de manter a Chapecoense na Divisão Principal do futebol catarinense, por conta do pedido de licença do Atlético-Ib, ainda repercute.

– Estou profundamente contrariado com a decisão final do TJD. Devo me curvar à maioria, pois isto é parte da democracia. Mas, quando esta maioria age em contrariedade à lei, não vejo alternativa que não denunciar a ilegalidade perpetrada. Fui, com minha consciência tranquila, voto vencido (eu, Danilo Linhares Costa e o Mário Bertoncini). Não posso me calar diante disto. A minha maior tristeza é o fato de logo a Chapecoense, a única representante do Oeste, estar envolvida nisso. Mas o que me move é uma questão de princípio, e não de paixão – palavras de Luciano Hostins, vice-presidente do TJD.

Equívocos da decisão

Segundo as normas orgânicas do futebol brasileiro, o pedido de licença é sempre de um ano, e não pode ser fracionado. Portanto, o Atlético de Ibirama estará afastado de todas as competições de 2011. Se o pedido é feito este ano para a licença ser gozada no próximo, então ela não ocorreu durante a realização da competição, e portanto não se aplica o regulamento da competição que diz que o tribunal é competente para julgar os casos omissos.

domingo, 23 de maio de 2010

Em Chapecó, a bola aérea decidiu

A Chapecoense foi competente em um ponto que, curiosamente, o Brusque treina exaustivamente: as bolas aéreas. Foram três, duas de escanteio e uma de falta, que originaram três dos quatro gols do time da casa, que abriu uma grande vantagem nas semi-finais do turno. O Brusque errou por cima, e pagou o preço. Vitória justa de uma Chapecoense que foi eficiente em campo. O Brusque vai precisar de um milagre na quinta-feira.

Têti fez falta no meio-campo do Bruscão. Aquele time rápido deve ter ficado em Brusque. No lugar dele, Joceli dos Santos abandonou Rogério Souza, que seria a solução óbvia, e colocou Leandro Leite, para reforçar a marcação. O time até conseguiu equilibrar o meio-campo, mas não foi o suficiente para criar chances de perigo. Foi aí que a Chapecoense fez dois gols em cruzamentos pela direita, e virou o intervalo bem na frente.

No segundo tempo, até o Brusque achou um gol, com uma falta de Valmir, mas a Chapecoense foi mais time e fez um terceiro com Neílson, após cobrança de escanteio, e com Xaro, aproveitando falha de Rogélio. O jogo foi isso: venceu quem errou menos e aproveitou as chances. O zagueiro Cris acabou sendo expulso no primeiro tempo em uma bola na lateral em que não devia ter acertado o braço como fez. Prejudicou o time, que no lance seguinte, tomou gol.

Virar o jogo em Brusque é impossível? Não, mas a chance é pequena. Terá que contrastar uma atuação brilhante contra um desastre do adversário. O importante é esquecer a ilusão dos 100% de aproveitamento e tentar alguma coisa na quinta. Se não der, é pontuar o máximo no returno, onde a classificação geral poderá decidir a vaga na Série D.

Hora de voltar pra casa.