sábado, 26 de junho de 2010

Brusque mostra que o JEC não é imbatível

Não existe unanimidade no futebol. E o Joinville deve tomar a lição do jogo deste sábado como um aviso que a reta final da Copa Santa Catarina não será a mesma moleza do primeiro turno, é só ver a novela do Campeonato Estadual. O Brusque melhorou, é um bom time, e como jogou quatro partidas contra o JEC em menos de um mês, não há mais segredo entre os dois times.

O Brusque tentou mostrar um jogo responsável na Arena. Sem ser retranqueiro, usou da experiência de Pereira na esquerda e segurou bem a pressão do JEC. Lima foi anulado pelo zagueiro Rogélio. Houve um momento no primeiro tempo em que a cabeça dos jogadores não estava fria. Logo, muitas reclamações com a arbitragem, que renderam um grande número de cartões. Menos mal que os times foram para o intervalo no zero a zero.

Começa o segundo tempo, e o Cris, em bola cruzada, manda pro gol, e João Ricardo tira em cima da linha, acho. Não tenho base alguma pra dizer se a bola entrou ou não, não vi o VT. Mas mesmo tomando o gol, o Brusque soube aguentar a pressão louca do Joinville, que, empurrado pela torcida, não quis saber de jogar com o freio de mão puxado. Essa desculpa não cola. Depois das expulsões de Paulinho e Renato Santos, os espaços se abriram, e num contra-ataque encaixado por Guto, Pantico fechou a classificação brusquense.

Agora vem a final. Vamos esperar o adversário, que sai do jogo Criciúma x Chapecoense. A análise do confronto decisivo, só amanhã.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Muito pouco para quem quer ser campeão

Dá até pra fazer uma comparação com o jogo da Coreia do Norte, que fez uma forte retranca e tomou apenas dois gols do Brasil.

Mas dessa vez, o adversário era outro. Mas parece que a classificação já garantida criou algum tipo de bloqueio no time brasileiro, que criou duas chances no primeiro tempo e fez um jogo apagadíssimo no segundo. Por ter terminado a primeira fase como o líder, dá pra dar um pequeno desconto, e fica nisso. Jogo duro de assistir.

Não há muito o que esticar sobre a fraca partida contra Portugal. Apenas a certeza de que o uso de um número muito grande de reservas em campo pode ser temeroso. O time titular é bom, mas a partir de momento que o banco de reservas é chamado, Deus nos acuda...

Vem aí o Chile, é clássico do continente, dois times que se conhecem muito bem, promessa de jogo franco, que é jogo de mata-mata. O Brasil é favorito, mas o time do Bielsa é bem armado. Mas o que mais me preocupa é o jogo das quartas-de-final. Mas há de se passar pelas oitavas antes.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Au revoir, e agora, arrivederci

A França já está em casa, tentando curar as feridas da humilhante desclassificação da Copa. Olha que curioso: o governo francês entrou na briga, o ministro já quer derrubar a cúpula da Federação Francesa... Já pensou se isso acontecesse aqui?

Agora é a vez da Itália, eliminada sem vencer um jogo, na última colocação da sua chave. Eu fico pensando nos motivos e nas implicações da humilhação italiana em campos africanos. Já quero olhar um pouco pra frente. Partindo de uma avaliação, o time de Marcello Lippi é velho, sem uma grande renovação, e sem jogadores de criatividade no meio-campo. Seria Pirlo, que machucou, e virou Di Natale, que também não deu conta do recado. Mas a falta de qualidade do time também pode ser refletida na qualidade do futebol interno do país.

Longe de dizer que o Campeonato Italiano é de má qualidade, mas o volume de jogadores estrangeiros é tão grande que os "nativos" ganham poucas chances. Basta olhar a Inter de Milão, campeã nacional e europeu, que é praticamente um combinado Brasil-Argentina. Primeira coisa a mudar, que poderá ser polêmica e criar um efeito cascata no mundo: a adoção de critérios que garantam a participação de italianos no campeonato nacional. Os jogadores precisam entrar em campo para que ganhem qualidade. O efeito foi sentido na África e o futuro não parece bom, já que não há um quadro de renovação satisfatório no futebol da Bota.

Copa que segue, e o desenho do poderio sul-americano vai se concretizando. A composição das chaves das oitavas dá chances reais para que o quadrangular da Copa América aconteça: Brasil e Uruguai podem se encontrar numa das semi-finais, enquanto que a Argentina poderá deparar com Paraguai ou Chile no outro jogo. Más que tal?

Brusque vence, finalmente, o JEC

Tá certo que o JEC já está na final da Copinha, e que Lima, Carlinhos Santos e Tesser não estavam em campo. Mas fez muito bem para o astral do Brusque a vitória de ontem, ainda mais do jeito que veio. O time jogou bem, dominou os espaços e venceu por 3 a 1. Vai com moral para o jogo de volta, onde o Joinville é claramente favorito. Mas todo tipo de vantagem deve ser considerada.

O Joinville começou o jogo com o freio de mão puxado, e o Bruscão abriu 2 a 0. Vendo que a coisa estava feia, o técnico Edinho sacou um atacante para colocar o zagueiro Souza, e mesmo fechando o time, tomou o terceiro, com Pantico. Aí veio o que acho ser o erro de Joceli na partida. Sabendo que o adversário fechou o time para não tomar mais, ele colocou Marcelo, um terceiro zagueiro, para esperar o JEC, que gostou do jogo e fez um gol, de falta, com Ricardinho. A vantagem, que era de dois, ficou de um só. Se o Joinville fizer 2 a 0 em casa, no sábado, vai à final do returno.

Claramente, o jogo de volta será em outro nível, já que o JEC terá a volta de três dos seus principais jogadores. O Brusque provou nos minutos finais do jogo de ida que não sabe jogar retrancado. A saída deverá ser jogar de forma precavida, talvez lançando Pereira e Valmir, laterais que sobem e marcam melhor, nas vagas de João Neto e Tom, que pecam na cobertura e não tem tanta experiência. Não se trata de um esquema retranqueiro, e sim preventivo, já que as laterais do tricolor são fortíssimas, com Eduardo e Rafael Tesser. Vale aqui também ressaltar a tranquila atuação de Paulo Henrique Bezerra, que passou despercebido no jogo.

Sábado a noite tem o segundo capítulo desse mata-mata interessante. O JEC terá que buscar o placar, e o Brusque vai tentar mostrar que sabe jogar de forma competitiva fora de casa contra um grande adversário. O jogo promete.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Soy loco por ti, Copa

O assunto é falado nos últimos dias, e também vou dar meu pitaco. A América do Sul vêm fazendo bonito na Copa, e o modo como o futebol vêm sendo mostrado lá na África me permite puxar alguns motivos para justificar tal sucesso.

Como se sabe, as eliminatórias sul-americanas são disputadas ao longo de três anos, com todos jogando contra todos, em turno e returno, fórmula essa já usada há algumas Copas. Vou fazer uma pequena comparação com a Europa, onde os times são divididos em vários grupos, e cada seleção enfrenta no máximo um páreo duro, alguns medianos e outras babas, como Ilhas Faroe, Malta ou San Marino. Considerando esse "campeonato" que são as disputas na América do Sul, você tem um número maior de jogos, em campos complicados, que cria uma rivalidade que, por consequência, força um aumento de qualidade do futebol em campo. Vamos lembrar que a Venezuela, outrora saco de pancadas, chegou a ter chance de vaga na penúltima rodada das eliminatórias, que hoje é a seletiva mais dura do mundo. Basta lembrar que a Argentina só se classificou na última rodada, vencendo o Uruguai dentro de Montevidéu. Bom alertar que o Brasil não disputará as próximas eliminatórias, e logo, terá que achar uma solução para conseguir manter o ritmo com testes fortes.

Jogos entre sul-americanos costumeiramente não são bonitos. São partidas duras, de forte marcação, as vezes com arbitragens complicadas e muita, muita raça, típica dos latinos. E, vendo os jogos da Copa do Mundo, não se encontra um cenário muito diferente: partidas sem muita criatividade, sem a genialidade de outras épocas, com times que colocam um exército de volantes sanguinários para evitar qualquer tipo de gracinha. Pra ficar igual às Eliminatórias, só falta a altitude de três mil e poucos metros.

E apareceram as boas surpresas. O Paraguai já vem de uma boa sequência há algum tempo, com um time sem estrelas, mas muito ajustado. A seleção chilena classificou-se para a Copa sem sobressaltos, com uma forte marcação e uma equipe muito disciplinada na parte tática, comandada por Marcelo Bielsa. O time do Uruguai tem, talvez, a melhor geração dos últimos tempos, teve que passar pela Costa Rica na repescagem, mas não teve problemas. E tem Brasil e Argentina, com times internacionalizados, mas que guardam as marcas da disputa regional, que não se compara à Europa.

E assim, torçamos para que a Copa do Mundo se transforme em uma Copa América. E é bem possível.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Quem deve calar a boca?

Que a seleção do Brasil fez um jogo digno de sua tradição para vencer a Costa do Marfim, ninguém duvida.

Mas a guerra midiática que um desabafo de Dunga, combinado com um editorial lido pelo Tadeu Schmidt na Globo, me preocupa bastante. São dois os pontos principais: primeiro, no momento que a Copa do Mundo está esquentando, uma guerra de egos no grupo brasileiro não é nada interessante. E segundo, que o tal do editorial teve efeito inverso. Não acreditei quando comecei a ver a frase "Deixa o Dunga trabalhar" pingando no twitter. A verdade é essa, dentro do futebol de resultado. Hoje, o Brasil está bem na Copa. Logo, Dunga está bem, por cima da imprensa, leia-se Globo, que resolveu jogar no ventilador algo que poderia ser resolvido internamente, com o seu grande parceiro comercial, a CBF.

A verdade é essa: há gente incomodada com a reclusão de Dunga, que não dá muito espaço à mídia e não dá privilégios, seja para a Globo e Bandeirantes ou para a Rádio Três Coquinhos. Se isso é certo? Bom, se isso resultar em título, ótimo. Se resultar em fracasso, será detonado, assim como a imagem do técnico, que assumiu guerra com o povo que tem a latinha na mão, que claramente não lhe dará o mesmo espaço para se defender. É a lei da mídia esportiva.

A CBF parece estar gostando da polêmica, ou estava gostando até ontem. Aposto que deva ter acontecido algum tipo de encontro para aparar esse tipo de aresta. Coitado do Tadeu Schmidt, que tem seu nome aparecendo como TT número 1 do Twitter. Ele é um funcionário que foi obrigado a ler uma nota do chefe. Coitado do Alex Escobar, que é tão bonzinho quando fala. Mas, se a Globo não tivesse tocado no assunto da brincadeirinha de Dunga, ninguém ligaria, pois sabemos que ele é turrão, e as vezes vingativo. Mas agora é hora de criar crise na seleção canarinho? Dunga poderá até ser punido pela Fifa, com base na polêmica criada por uma emissora... do seu país.

O Luiz Mendes, da Rádio Globo, que é um decano do rádio brasileiro, sugeriu que houvesse um boicote às entrevistas do Dunga. Obviamente não vai funcionar, pois alguém irá furar o que seria combinado. Então, há de estabelecer algum tipo de regra de convivência nesses 20 dias de Copa que faltam. Para evitar que o clima ruim respingue dentro do grupo, que vem ganhando corpo. A polêmica continuará, com certeza.

domingo, 20 de junho de 2010

Com cara de candidato ao título

Depois de pegar o retrancão coreano, a Seleção Brasileira devia uma boa atuação contra um time que o encarasse de igual pra igual. E a impressão deixada na vitória contra a Costa do Marfim é de um time que tem a condição de chegar lá. Vamos ser sinceros, comparando com os outros ditos favoritos da Copa. A vitória foi sem sobressaltos, o time não foi forçado, e tomou um gol e teve um jogador expulso por causa do árbitro, que deve ser da escola da Federação Catarinense. Os outros estão tropeçando nas suas próprias pernas e não mostram evolução.

O grande segredo para o crescimento do rendimento brasileiro chama-se passe. O começo da partida foi ruim, com erros infantis de domínio, e várias jogadas morreram assim. Foi o passe começar a entrar no segundo tempo, que os três gols surgiram. Kaká jogou o que sabe hoje, e o time cresceu enormemente na questão ofensiva. Lá atrás, menção para as boas atuações de Gilberto Silva e Felipe Melo. O gol tomado no final foi um reflexo da cabeça quente criada pela arbitragem. E Luis Fabiano apareceu com dois gols, sendo um com dois toques de mão, mas serviu para dar confiança ao atacante, cuja "secura" de gols causava preocupação.

A França provou hoje que, além da várzea que é seu time em campo, também mostra uma má fase na arbitragem. O juiz da partida exagerou em querer conversar com todo mundo, e deixou o pau comer. Kaká, que não tem sangue de barata, acabou expulso mesmo sem ter agredido o adversário. Por sorte, nada parece ser grave com Elano, outro que apanhou. No resumo da ópera, uma vitória convincente de uma equipe que vem, sim, mostrando uma evolução. A pulga que apareceu atrás da orelha lá no jogo contra a Coreia sumiu.