quarta-feira, 14 de julho de 2010

Vitória da cabeça de Lopes

Quando foi anunciar a contratação de Antonio Lopes, o presidente do Avaí, João Nilson Zunino, explicou a escolha, dizendo que ele seria o nome certo para a situação presente do clube. Fazia sentido. O time vinha de uma goleada sofrida em casa para o Fluminense, e precisaria de algo novo para chachoalhar o ambiente na retomada do Brasileirão. Funcionou. O time jogou leve, suportou a pressão do São Paulo e conseguiu algo que poucos conseguem, bater o tricolor no Morumbi.

O time jogou concentrado. Soube marcar, explorou muito bem os contra-ataques e abriu dois a zero, com Roberto carimbando a trave antes. Lopes conseguiu trazer tranquilidade ao time, encontrar as brechas sãopaulinas, e daí explorar o potencial do seu plantel, que foi treinado poucas vezes sob seu comando. Sofreu um gol em um lance de bate-rebate, mas não perdeu a cabeça e segurou até o final do jogo. A medalhinha de Antonio Lopes é forte.

Menção honrosa aqui para o jovem goleiro Renan, que já teve uma atuação destacada contra o Vasco e mostra ser o nome de maior futuro da base avaiana. Torcedores azuis, conversando comigo, falam que a diferença entre eles e Zé Carlos é a qualidade da reposição de bola do titular afastado. Mas como estamos falando de um jovem e promissor goleiro de 19 anos, natural da simpática São João Batista, não há nada que não possa ser treinado e melhorado. Eu já sou da campanha que ele deve ser titular. E que venha o Palmeiras do Felipão.

Quem vai pra onde?

Em matéria no jornal "Município" de hoje, o jornalista Maurício Haas fez um grande levantamento dos destinos do elenco do Brusque após o título da Copa Santa Catarina. Alguns tiveram seus contratos renovados, outros vão ser emprestados e vários seguirão outros rumos. Repasso aqui uma pequena resenha dos destinos do elenco:

João Ricardo (G), Tayron (Z), Guto (V), Leonardo (A) e João Neto (LD) - Pertencem ao clube com contrato longo e foram emprestados ao Goiânia, time da segunda divisão de Goiás, que tem no comando Edinho Porto, que já treinou o Brusque duas vezes.

Wender (G), Rogério Souza (LD) e Leandro Leite (V) - Renovaram seus contratos com o Brusque até o final de 2011, e foram emprestados ao Goiânia. Além deles, Lourival (A) e Valmir (LE) também vão para Goiás, mas sem vínculo com o Brusque.

Marcelo (Z) - Vem fazendo há algum tempo cursos de treinador de futebol, e já vem ensaiando o fim de sua carreira no campo. Suca quer levá-lo ao Atlético Tubarão, mas ainda não definiu seu destino. Se não jogar mais, poderá até ser aproveitado na comissão técnica do Brusque

Carlos Alberto (V) - Vai para o Luverdense-MT

Pereira (LD / V) - Renovou contrato com o Brusque até o final de 2011. Anunciou que iria para o Metropolitano, mas mudou de ideia e chegou a dizer que iria participar da leva de atletas que iriam para o Goiânia. Mas ontem houve nova reviravolta, e ele irá mesmo jogar a Série D pelo time de Blumenau. Mas vai por empréstimo. Ao final da Série D, retornará ao Augusto Bauer.

Rafael Xavier (A) e Luiz Henrique (Z) - Voltam para o futebol gaúcho. Xavier veio ao Brusque por empréstimo, e retornará ao São José-Poa. Luiz Henrique já tem acerto com o Sapucaiense.

Pantico (A) - Já treina no Joinville, assim como Rogélio (Z), Têti (M) e Diogo Oliveira (M), que já estão em Criciúma.

Indefinidos - Valdo (A) recupera-se de uma luxação no ombro, decorrente de uma queda na partida contra o Criciúma, pelo returno da Copinha. Poderá ser emprestado quando estiver bom. Já Cris (Z) tem proposta de renovação com o Brusque, podendo ir para o Goiânia, mas também tem interesse do exterior. Paulinho (A) também deve renovar. Já Tom (LE) continua sendo do clube, mas não quis ir para Goiás.


Ratinho (M), Marimon (G) e Alexandre (G) tiveram seus contratos encerrados e estão atrás de novos clubes.

Veio, venceu e voltou ao G4

O Figueira venceu o lanterna da Série B na noite fria de terça. Era o lanterna, mas vai saber se o time não melhorou na pausa da Copa. E tem mais: vitória contra o lanterna ou contra o líder só se torna vitória no apito final do árbitro. A vitória foi por dois a zero, e três pontos colocaram o alvinegro de volta ao G4 nesse início de segunda etapa do Brasileiro.

Se no primeiro gol, de Firmino, o goleiro Max deu uma mão, no segundo apareceu a estrela de William, aquele rapaz que arrebentou no Estadual e estava devendo no Nacional. Tomara que o gol marcado contra o Vila Nova sirva para espantar a má fase, e fazer William jogar o que sabe. O Figueira precisa muito dele.

E ainda por cima é tarefa de casa feita. Requisito indispensável para quem quer subir.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Campeões que reforçam Criciúma e JEC

Dois times de Santa Catarina reforçaram-se com jogadores campeões da Copa SC pelo Brusque. Ao meu ver, tanto Pantico, que foi para o JEC, quanto Diogo Oliveira, Têti e Rogélio tem tudo para fazer bons papéis nos seus novos clubes.

Sou fã da composição do ataque de um time com um jogador rápido com outro jogador mais preso na área. E nisso aí, Pantico poderá ser um companheiro de equipe perfeito para Lima no Joinville. Como o camisa 9 da Arena não conta com tanta velocidade, e nem Cris contava, Pantico poderá ser o homem-chave no contra-ataque, e permitirá que Lima não se preocupe tanto na questão de marcação. Se Edinho souber usar e separar as potencialidades dos dois, terá um ataque matador. Resta saber como ele comporá o meio-campo, já que Emerson e Miro Bahia deixaram o clube e Marcelo Silva poderá ser o companheiro de Ricardinho na articulação. Ou o tricolor pode tentar achar outro camisa 10.

Já no Criciúma, reforço em dose tripla. Só que, para que os três deem certo no Tigre, vai depender um pouco da boa vontade de Argel. De Rogélio não há muito o que discutir. É ágil, líder e bom cabeceador no ataque, costuma fazer os seus gols. Agora, a situação da meia é um pouco mais delicada. Não há dúvida que Diogo e Têti, juntos, formam uma dupla quase perfeita. Basta ver o estrago que fizeram jogando pelo Brusque. É aquele caso de jogadores que, quando juntos, rendem muito acima da média. Mas duvido que Argel fará isso. Considerando que o técnico tricolor deverá colocar Márcio Guerreiro como um dos homens de meia na estreia, um dos dois irá para o banco, e a dupla campeã da Copinha não se repetirá.

De qualquer forma, os tricolores ganham muito com os reforços dos campeões da Copinha.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Onde o Brusque poderá jogar?

Passada a festa pelo tricampeonato da Copa Santa Catarina, tenho recebido vários questionamentos pertinentíssimos sobre o local que o time mandará seus jogos no ano que vem. Podem chamar o Augusto Bauer de chiqueiro, buraco, campo de amador, o escambau. Ele é mesmo, e ninguém da cidade nega que o estádio oitentão está aquém do que o futebol moderno existe.

O planejamento para o local que o clube mandará seus jogos no ano que vem existe, mas anda a passos de tartaruga. Já se falou muito, mas não apareceu nenhuma ação efetiva que dê alguma esperança que algo poderá ser feito. Mas com a classificação à Copa do Brasil assegurada, uma sirene soou e já vi sinais de gente, tanto do clube quanto da Prefeitura Municipal, começar a trabalhar sobre o caso. O tempo é curto.

Existem duas possibilidades:

- Construção de um novo estádio: é sonho antigo um Estádio Municipal. Mas com o tempo exíguo, teria que se começar um projeto absolutamente do zero, em um terreno que até hoje não existe. Haveria de se procurar um local, negociá-lo, preparar o terreno e levantar um estádio novo em tempo absurdamente recorde. Como estamos falando em algo que teoricamente seria público, há uma série de entraves burocráticos a serem ultrapassados.

- Megarreforma no Estádio Augusto Bauer: Vou meio que me espelhar no que foi feito na Arena Condá, em Chapecó, onde duas arquibancadas gigantes foram erguidas atrás dos gols em um prazo muito pequeno. É loucura montar um novo Augusto Bauer? Ao meu ver não. Há um terreno em frente à entrada do Estádio que permite a construção de um "tobogã" de grande capacidade. Outro novo lance pode ser feito na atual descoberta, que seria demolida e daria lugar a outra que iria até o nível do gramado, já com os acessos para visitantes sinalizados e devidamente protegidos. O alambrado daria lugar às grades, que já existem no Orlando Scarpelli, e as tribunas passariam por adequações, novas cabines de imprensa e melhorias de segurança. Daí é só asfaltar o pátio de chão batido, e teremos um estádio confortável para 10 ou 12 mil pessoas. Não precisa mais que isso. Como o terreno já existe, seria mais rápido para iniciar as obras. O campo pode ser reformado junto com os trabalhos nas arquibancadas. E pela rapidez que pude constatar em Chapecó, onde as novas dependências foram erguidas em poucos meses, dá pra acreditar que essa seja a hipótese mais provável. Não se trataria de uma "reforminha" do Augusto Bauer. Seria uma ampla remodelação. Aí basta a prefeitura e os dois clubes da cidade sentarem e verem o que pode ser possível para ser feito. Posso garantir que teremos novidades nos próximos dias.

domingo, 11 de julho de 2010

Hora de louvar o tri do Bruscão

Semana começando, acho que é hora de tocar o barco pra frente, né? Pena que o ocorrido abafou um pouco o tricampeonato do Bruscão na Copa Santa Catarina.

Mas agora é hora de falar do jogo. Vamos lá.

Antes de falar do título, vou voltar ao ano de 2006. O então presidente Inácio Schwartz lançou um projeto chamado "Bruscão 2010 - Paixão pelo futebol". Entre outros pontos, visava tornar o clube sustentável financeiramente, e conquistar um título estadual neste ano. O Catarinense ficou com o Avaí, mas o Bruscão conquistou um troféu tão importante quanto. Afinal, a Copinha colocou o Brusque na segunda Copa do Brasil da sua história. A primeira foi em 1993, quando o clube foi eliminado na primeira fase pelo União Bandeirante, então vice-campeão do Paráná.

O clima antes do jogo foi tenso, principalmente com a desconfiança acerca da arbitragem. Já critiquei muito o Célio Amorim aqui, mas não tenho reclamação dele na decisão, que foi jogo duro, afinal, o JEC precisava da vitória e pressionou desde o primeiro minuto. Como o primeiro tempo terminou zero a zero, o desespero começa a bater de forma natural, e com eles os espaços no contra-ataque.

Joceli tirou Pantico no intervalo (e soube que ele não gostou disso no vestiário) e colocou Ratinho, um homem de meia. Começaria ali um princípio de retranca? Não, pois ele puxou uma bela jogada na esquerda, entrou na área e fez um a zero. Aí sim o JEC entrou no desespero.

Basicamente, o jogo teve dois nomes: o goleiro brusquense João Ricardo, que operou defesas espetaculares, e contou inclusive com a sorte em uma bola que escapava de suas mãos. O outro nome é Lima, o chamado "Limatador". É incrível como a pressão acaba com a qualidade de um jogador. O que o Lima perdeu de gol feito, foi algo inacreditável. Se o JEC perdeu a Copinha, a culpa deve ser dada ao seu camisa 9, que só precisava empurrar uma bolinha pra dentro, e perdeu de tudo que é jeito. O final foi dramático. O Joinville empatou, mas não conseguiu o gol do título. O um a zero do Augusto Bauer foi suficiente.

Jogo terminado, e a festa em Brusque foi longe. Aquele time que jogou contra a Chapecoense no Estadual brigando pra não ser rebaixado conquistou uma recuperação brilhante, mostrou um espírito de equipe sensacional, deu um susto no Campeão Catarinense dentro da Ressacada e fez uma bela campanha na Copinha. Agora é planejar 2011, que já começa em dezembro, com o time indo ao Rio Grande do Sul lutar pelo bicampeonato da Recopa. Parabéns a todos os guerreiros. Como disse no post anterior, o time foi campeão, contra tudo e contra todos.

"Quem é o Rodrigo?"

Foi a frase que eu ouvi antes de apagar dentro daquela cabine. Quase 13 anos de carreira, e passei pela situação mais difícil da minha vida.

Vou contar o que eu lembro. As avaliações eu deixo pra vocês. Esse post não vai aceitar comentários. A repercussão deixo para os colegas de imprensa, que, ao seu critério e com a sua competência, farão a repercussão do fato. É pra ninguém dizer que eu estou buscando autopromoção com isso.

O que eu lembro foi o seguinte: O Joinville colocou a nossa emissora na cabine 6 da Arena Joinville, que fica isolada, no fundo de um corredor sem ninguém por perto. Nosso ângulo de trabalho é ruim, a cabine fica em frente à linha de fundo da direita das tribunas. Nas outras três partidas que fiz lá esse ano, fomos colocados em uma cabine junto às emissoras locais, mais especificamente ao lado da Rádio Globo, com localização central. Dessa vez, nos colocaram no fundão. Tudo certo, já tinha feito jogos lá. Até tinha falado que a cabine era "pé-quente", já que transmiti o título de 2008 dali.

Acabou o jogo, aos 52 minutos do segundo tempo, e a festa tomou conta de todos, com a alegria do título. Cerca de um minuto depois, eu estava olhando a torcida do Brusque e ouço a porta sendo aberta com força, e alguém berrando "Quem é o Rodrigo?". Olho pra trás, era o Delfinzinho, com uma jaqueta da CBF. Nem deu tempo pra reagir. Tomei um soco no rosto, caí da cadeira e bati com a cabeça na parede. Tomei mais uns dois ou três chutes, e apaguei. Quando consegui ver algo, tinha um rapaz de boné com uma cadeira plástica na mão ameaçando o Maurício (Haas, jornalista do "Município Dia-a-dia") e o Xirú. Mas eles acabaram fugindo, e o Maurício segurou a porta até que a PM chegasse ali, coisa de dois ou três minutos depois. Fui atendido pelos paramédicos no local e encaminhado pro hospital da Unimed em Joinville, voltando depois pra casa, pelas 3 da manhã. O Boletim de Ocorrência já foi lavrado, e todas as providências legais serão tomadas.

Esse é o relato. O Maurício, o Xirú, nosso comentarista e o repórter Giovani Ricardo são as pessoas mais certas para dar mais detalhes do que aconteceu. Quero agradecer ao pessoal da imprensa, que ajudou muito a gente naquela hora, e a solidariedade de quem lê esse blog ou acompanha nosso trabalho.

E um agradecimento muito especial ao Maurício e ao Xirú. Não sei se estaria aqui pra contar a história se não fossem eles. Salvaram minha vida.

E não pretendo voltar a falar do assunto aqui.

PS.: É bom registrar aqui que a torcida do Joinville não tem NADA a ver com o acontecido. Tenho o maior carinho por essa cidade, onde tenho parentes morando. E desejo boa sorte ao JEC na Série D. Que consiga o acesso.

Estou em casa

Gente, obrigado pelas dezenas de mensagens de apoio. Estou em casa, já passei pelo hospital e nós três que estávamos na cabine 06 da Arena quando houve a invasão do assessor e filho do presidente da FCF com outros amigos, já estamos tomando as providências cabíveis.

Nós estamos bem. Neste domingo, escreverei o que se passou naqueles minutos terríveis. Temi pelo pior, quando cinco descontrolados invadiram nosso espaço.

E dá-lhe Bruscão, tri-campeão da Copa Santa Catarina. Contra tudo e contra todos.