Nesse post dominical, vou procurar ir em outro caminho. Muitos falam de como será o futuro do futebol brasileiro a partir de 2012, quando entrará em vigor o novo contrato de transmissão do Campeonato Brasileiro. Eu ouvi algumas queixas e comentários, e aproveito o blog para esclarecê-los, até por viver no meio e julgar interessante deixar claro a quem me acessa aqui. Algumas curiosidades poucas pessoas sabem.
Há esse racha do Clube dos 13. É importante lembrar que neste ano nada muda em relação às transmissões do Brasileirão, ou seja, Globo e Band na aberta, Sportv na fechada e os jogos do PFC. A negociação tão falada vale a partir de 2012.
Eu gosto de pegar a experiência americana para mostrar como os clubes ainda precisam aprender a negociar direitos. Na NFL, a liga de futebol americano, o Pay-per-view, que é o que os clubes daqui tanto querem proteger, é algo secundário. Lá, quatro redes (NBC, CBS, FOX e ESPN) transmitem os jogos da liga, sendo que cada cidade assiste, sem PPV, quatro jogos por domingo e mais um na segunda. Jogos dos times locais fora de casa têm transmissão garantida para a cidade e se, nos jogos dentro de casa, a totalidade dos ingressos de um jogo em casa no domingo tiver se esgotado até meia-noite do sábado anterior, o jogo passa para a praça. Simples assim. Há o pay-per-view, mas para assinantes de fora das regiões onde se localizam os times.
Muito se fala, e já li uma declaração de um dirigente do Coritiba, sobre o medo de fechar contrato com a Record. E fui questionado hoje sobre as condições técnicas de outra emissora se não a Globo de transmitir jogos do Brasileirão. Vou responder: primeiro, vou voltar ao caso americano. Há alguns anos, a FOX, que é o equivalente à Rede TV do Brasil, apresentou proposta milionária e ficou com parte dos direitos da NFL. (outra parte é da CBS, a NBC passa um jogo nacionalmente todo domingo a noite e a ESPN, na segunda-feira). Como o produto era bom, a audiência continou sendo enorme, não importando qual rede o transmitisse. Assim que imagino o Campeonato Brasileiro. Tendo um bom produto, com boa transmissão, não importando o canal, a audiência será boa.
O dirigente do Coxa questionou as condições técnicas da Record. Pouca gente sabe que, na grande maioria das transmissões externas, não são as emissoras que têm equipes de transmissão. Hoje, as produtoras independentes mandam na questão de transmissões esportivas, inclusive em alta definição. O próprio Sportv, aqui em Santa Catarina, por várias vezes contratou a TV Barriga Verde/Band para produzir uma transmissão ao vivo. Tais equipes chegam, montam tudo, e deixam tudo pronto para que as equipes de locutores apenas cheguem e façam o seu trabalho. Hoje, a grande maioria é terceirizada e a própria Globo usa disso. Logo, essa barreira não existe. Existem produtoras de muita qualidade no Brasil.
Há, sim, uma briga política em que se encontram desculpas públicas para desconstituir a licitação aberta pelo Clube dos 13 que, diga-se de passagem, é séria e bem-feita. Mas vendo que não venceria a disputa, a Globo começou a negociar individualmente com cada clube. Muita coisa há de rolar até o Brasileiro do ano que vem, mas certo é que esse racha pode trazer respingo ao torcedor. Se, num jogo, se enfrentarem dois times, onde eles tenham vendido os direitos para emissoras diferentes, essa partida não será transmitida. Alguns clubes receberam dinheiro de forma adiantada da Rede Globo e, temendo algum tipo de represália, evitam, ao menos publicamente, admitir um acerto com a Record. Eu, sinceramente, espero que o futebol brasileiro se espelhe no exemplo americano, onde contratos bilionários são feitos, garantindo a exposição das equipes, sem qualquer tipo de prejuízo. E na licitação, quem pagar mais, leva. Por mais que eu seja um defensor para que não haja uma exclusividade de emissora, o Clube dos 12 optou por um tipo de consulta, com regras estabelecidas. Mas há clubes, como o Corinthians, que vêem na "negociação em separado", sem uma licitação, uma forma maior de faturar. E sabendo que o contrato é só pro ano que vem, sinal de muita água que há de passar por baixo da ponte.