
Jogo com resultado completamente enganoso. Mas só vence uma partida quem faz gols e consegue manter o escore positivo até o apito final do árbitro.
Mas há aquele velho ditado que diz que "a bola pune". Puniu o Figueirense, dono supremo da partida, que não soube abrir vantagem no placar, recuou a equipe quando era notadamente mais time, e deixou o Brusque tentar, aos trancos e barrancos, bolas aéreas e chutes a gol no final do jogo.
Eu falava durante a transmissão que se o Brusque fosse para o intervalo perdendo apenas por 1 a 0, podia se considerar um time de sorte. Foi um massacre, um jogo de meia-linha onde o Figueira controlou, por baixo, uns 70% de posse de bola. Poderia ser uns 3 a 0, mas foi apenas um, com um gol de cabeça de Héber. O Bruscão fez o seu pior primeiro tempo do campeonato, sendo envolvido totalmente, sem qualquer poder de reação. Aloísio, coitado, corria o campo todo e não achava bolas que se transformariam em chances de ataque.
Começou o segundo tempo, e o panorama não mudou muito até a expulsão de Coutinho e Pereira, que trocaram gentilezas no meio-campo. Com um time de qualidade bem superior, mandando em campo, a receita para o Figueira era simples: marcar pelo menos mais um gol para não incorrer em sustos. Jorginho fez o contrário. Repetiu o mesmo erro da partida em Joinville, tirando Breitner para colocar um volante, Jackson, deixando a dupla de ataque isolada, com quase nenhuma ligação. Aí deixaram o Brusque ir gostando de atacar. Era só ter mantido o esquema, colocando um outro jogador de criação no lugar de Breitner. Foi ali que Jorginho correu o grande risco.
E foi aí que a bola puniu. Jorginho recuou o time, assumiu pra si um risco e deixou o Brusque, que já estava desmontado, subir de forma desorganizada, mas perigosa. E foi ali que Vinicius aproveitou uma sobra e mandou um canudo aos 48 do segundo tempo, para empatar o jogo. Um empate que o Brusque não mereceu de forma alguma nesta noite. Mas se o Figueirense deu a possibilidade, resta a Nestor Simionato agradecer.
O Figueirense, entregando pontos fora de casa como entregou em Joinville e Brusque, pode estar jogando fora uma classificação em primeiro lugar, que todos sabemos que é primordial nas finais do turno. Jorginho errou em duas partidas o que talvez Márcio Goiano não tenha errado em um ano, e com isso ganha uma desconfiança cada vez maior do torcedor alvinegro.
Já o Brusque precisa tentar dar um jeito nessa apatia que tomou conta do time. Zaga muito mal postada (e Nestor mudou Thiago por João Vitor, com resultado pior ainda), volantes sobrecarregados, meio-campo que trabalha pouco e uma lateral-esquerda em estado de coma (Cris foi tirado ainda no primeiro tempo). Ainda não vejo o Brusque como candidato a rebaixamento, mas é tanto problema junto que é bom ter prudência e agir para evitar o pior. E sábado tem jogo em Criciúma, onde o Tigre é amplo favorito. Não vai ser lá que a recuperação vai começar.