sábado, 3 de dezembro de 2011

Chegou o título do JEC

Que festa bonita. Quem não veio, perdeu.

Chegou a vez do JEC dar a volta olímpica na Arena ao conquistar o seu primeiro título nacional após 35 anos de história. E com uma goleada irrepreensível então, nada mais justo.

Na verdade, o jogo serviu para premiar a crescente que o Joinville teve durante o segundo semestre, que começou lá na Copa Santa Catarina, quando a diretoria teve peito para derrubar Giba e trazer Arturzinho, que com muita motivação e inteligência criou um grupo muito coeso, bem postado taticamente e que foi premiado com o acesso por antecedência e o título da Série C com duas vitórias.

O CRB foi completamente envolvido. Já veio a Joinville prejudicado pelos minutos de sono no jogo de ida que lhe custaram uma derrota dificílima de ser revertida. O JEC veio focado, com a estratégia definida de jogar no erro do adversário no início de jogo para coibir qualquer tipo de empolgação do time alagoano, que passou a semana buscando motivação para vencer.

Não adiantou. Lima, o camisa 9, o artilheiro, estava muito bem marcado. Mas Gilton, um garoto questionado por muitos, mas que vejo muita qualidade na ala esquerda, achou espaço num cruzamento para que os trabalhos fossem abertos. Foi o golpe que faltava para que a festa começasse.

E aí foi rolando o segundo tempo, com o CRB apertando e, igualzinho como aconteceu em Maceió no jogo de ida, a expulsão de Marco Antonio derrubou o time de novo. E aí o JEC marcou com Eduardo, depois com Pedro Paulo em belo passe de Ramon e finalmente com Gilton.

Fecha-se com chave de ouro um trabalho competente de Arturzinho, que pegou um time que precisava de algo a mais para buscar o acesso. O título tem grande participação dele, que dedicou o troféu à torcida. Ele não deve permanecer no clube para 2012, mas deixa um legado muito interessante para o próximo ano: além de ter um grupo qualificado (não parecem ser muitas as baixas do elenco), traz também um boom no número de sócios do clube, agregado a novos patrocínios que engordarão o caixa do clube e darão uma condição ainda melhor do time entrar em condição de brigar pelo título catarinense.

Parabéns a torcida do Joinville, campeão da Série C. Um título que traz responsabilidade. Ano que vem, como um campeão nacional e com calendário cheio na Série B, a cobrança vai ser maior. Mas há condições reais do time fazer bonito.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Fala, Capixaba

O atacante Ronaldo Capixaba conversou hoje pela manhã com meu amigo Juca Miguel, da Gazeta de Joinville. Ele dá sua posição quanto à novela da sua ida para o Avaí, anunciada na noite anterior pelo presidente Márcio Vogelsanger:


Tensão com a ida de Ronaldo Capixaba para o Avaí

A noite foi agitada lá pra Joinville, e é um tipo de agitação nada boa para uma véspera de decisão de Série C. Ainda mais se falando do atacante Ronaldo Capixaba, peça importante do JEC no Campeonato. É o artilheiro do time.

As notícias que vinham diziam que ele já tinha encaminhado a sua renovação de contrato. Mas tudo virou na noite de ontem, quando o presidente Márcio Vogelsanger, em tom de indignação, deu entrevista ao programa "Sérgio Silva" do canal 11 de Joinville, e declarou: "Perdemos o (Ronaldo) Capixaba para o Avaí". Notícia que movimentou as redes sociais na última madrugada.

Procurado pela imprensa hoje de manhã, Vogelsanger manteve a informação e mostrou que continuava indignado com a situação. Chegou a declarar ao amigo Gabriel Fronzi, da Rádio Cultura: "Artilheiro de gols de penalti de Araque. Que vá para o Avaí e afunde de vez lá”. Deu pra ver que o ambiente não estava bom. Márcio também criticou a postura de um homem chamado "Mineiro", que seria o agente do jogador,que teria intermediado o negócio com o Avaí.

Em entrevista ao Infoesporte, o gerente de futebol do JEC, Nazareno Silva, disse que "Mineiro" entrou no meio do negócio, sendo que quem trouxe Capixaba para Joinville foi Daniel Coracini, ex-volante do clube. Ronaldo foi procurado hoje pela manhã, e declarou que não sabia do acerto com o Leão da Ilha. Certo é que seu clima lá complicou-se bastante. Seu contrato terminou no último dia 30, e para jogar amanhã na decisão, ele necessitará de um aditivo que deverá ser publicado hoje no BID. Mas com todo o clima negativo criado, não duvido que ele acabe não jogando. Tudo que o JEC não precisa agora é de vaias em um momento decisivo.

E, sinceramente, Capixaba não é insubstituível. Se Arturzinho optar por colocar o garoto Aldair ou mesmo Bruno Rangel no time titular ao lado de Lima, o time não perde em qualidade para levar o título nacional.

Abaixo, você ouve entrevista concedida por Márcio Vogelsanger, mais calmo, ao repórter Gabriel Fronzi, confirmando a negociação.


Sonora capixaba by gabrielfronzi

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Aelson vai para o Avaí. Só o primeiro?

A notícia vinda do Oeste hoje é que o lateral-esquerdo Aelson, 26 anos, é jogador do Avaí para 2012. O acerto foi feito na tarde desta quarta, e ele é o primeiro comandado de Mauro Ovelha a tomar o mesmo rumo do comandante, coisa que até certo ponto era previsível.

Considerando que o presidente Zunino determinou que o Campeonato Estadual é uma prioridade, nada mais natural que Ovelha se cerque dos seus jogadores de confiança para chegar lá. Aelson é um deles, eleito um dos três melhores de sua posição no último catarinense.

A diretoria do Verdão diz que há um acordo com Ovelha para que o Avaí não interfira nos negócios do clube do Oeste. A saída de Aelson foi intermediada pelo seu empresário, que apresentou a proposta avaiana à Chapecoense, que resolveu liberar o atleta.

Mas quem garante que outros empresários não façam o mesmo, nutridos por uma vontade de Ovelha contar com a espinha dorsal do último título em 2012? Não duvido se mais gente tomar o voo da Avianca e desembarcar na Ressacada nos próximos dias.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Angeloni, mais 10 anos a frente do Tigre

Foto: Denis Luciano / Engeplus
Aconteceu no domingo: dona Maria da Glória, moradora do bairro Comerciário, nas cercanias do Heriberto Hulse, foi com seu esposo dar uma observada nas grandes obras que o estádio está passando. Chegando lá, encontrou o presidente Antenor Angeloni e sua esposa nas arquibancadas, vistoriando a obra. Eis que chega um torcedor, que efusivamente abraça o presidente, o beija e diz:
- Seu Antenor, muito obrigado. Agora já posso morrer feliz.

A era moderna de Antenor Angeloni, hoje referendada para mais 10 anos de gestão com uma autonomia ainda maior, vai marcar ainda mais, isso tenho certeza. Ouvi seu discurso emocionado na Assembleia que o reelegeu. Parecia um menino, super motivado, prometendo um novo estádio dentro dos padrões "para receber qualquer partida da América", alojamentos melhores e times competitivos, sem sair do pé no chão. Há de se admitir: não fosse ele aparecer em um dos momentos mais críticos do clube, sabe-se-lá se haveria ainda o Criciúma. Os resultados da sua curta gestão estão aí pra quem quiser ver.

Antenor topou o desafio e, além de motivar a cidade, se motivou. Deu um novo gás ao clube, conseguiu o acesso para a Série B e planeja estar na A em três anos. Sabe que o orçamento terá que ser maior, o que implicará em aumentar a arrecadação, seja com sócios ou com licenciamento da marca. Está cercado de pessoas conhecidas na região que dão a confiança de que a gestão do clube, sob o novo formato, será de sucesso.

A Assembleia do Conselho Deliberativo aprovou, por aclamação dos 205 conselheiros presentes (são 300 ao total) a reeleição de Angeloni para a presidência e a assinatura de um contrato que passa a gestão do futebol do clube para a empresa Gestão de Ativos (GA), que tem como proprietários Antenor e seu irmão, Arnaldo. A GA se compromete a sanar as dívidas do clube, reformar o patrimônio e controlar o futebol tricolor em um contrato de cinco anos, renováveis por mais cinco. Além disso, toda a arrecadação e as despesas do clube, e os direitos econômicos dos atletas que pertencem ao Tigre passam para a GA. Foi uma exigência do presidente, para que ele possa implantar um planejamento de longo prazo sem que pudesse aparecer algum obstáculo no meio do caminho.

Que bom seria se tivéssemos outros Antenores em Blumenau, Itajaí, Brusque e outras cidades que precisam de pessoas como essas para levantar o futebol. Criciúma tem a sorte de contar com uma pessoa que poderia estar muito bem curtindo sua aposentadoria depois de anos de serviços prestados, inclusive no clube (foi ele o responsável pela mudança de nome do Comerciário para Criciúma). Mas vendo que a coisa estava preta, resolveu pegar o barco e está colocando o Tigre nos eixos. Bom para a região da AMREC, bom para o futebol catarinense.

Figueira deve receber 18 milhões pelo Brasileiro 2012

A "Folha de São Paulo" de hoje informa que a Globo propôs ao Figueirense um contrato individual de R$ 18 milhões anuais pela transmissão do Campeonato Brasileiro a partir do ano que vem.

Isso significa uma verba três vezes maior que o faturamento com TV em relação a este ano, mas fica ainda distante do que a direção alvinegra considera justo, tanto pela recente exposição conseguida quanto por acreditarem que uma vaga na Libertadores serviria para conseguir mais dinheiro.

Se serve como parâmetro, a Ponte Preta ainda está no início das conversas e não deve assinar tão cedo pois espera ganhar o mesmo que a Portuguesa, que espera levar R$ 30 milhões anuais.

Só pra fazer uma comparação grosseira, a verba que o Figueira deve receber pelo Brasileirão 2012 é aproximadamente 112 vezes maior do que o time receberá de TV aberta no Campeonato Estadual. Bom lembrar que o contrato da RBS encerra esse ano e os clubes precisam aprender a negociar melhor.

domingo, 27 de novembro de 2011

Jogo é jogo, decisão é decisão

Foto Carlos Amorim / Figueirense FC
Foi nesse espírito que o Figueirense complicou bastante a sua árdua tarefa de tentar chegar à Libertadores. Não jogou mal, mas em momentos decisivos há de se mostrar um algo a mais. Foram seis pontos disputados em casa, e o time só precisava de unzinho para só depender de si no clássico contra o Avaí. Não teve tal competência.

Usando um pouco da máquina do tempo para destrinchar o jogo. Vendo alguns textos antigos do Blog, vi que, lá no começo do campeonato, a principal reclamação que recaía sobre Jorginho era a falta de qualidade no setor de meio-campo para abastecer o ataque. O time tinha dificuldade em marcar gols, até que o problema foi consertado, e isso puxou a excelente fase alvinegra. Eu vi no jogo de hoje um flashback: novamente, um time que controla bem a posse de bola, muitos passes mas sem criar perigo a gol. E numa jogada individual de Alex, Liédson fez o gol para sacramentar a vitória corintiana.

E em decisão, o time não pode regredir. Regrediu, e isso foi determinante para que o alvinegro caisse para sétimo na classificação.

Claro que a campanha alvinegra no Brasileirão como um todo não pode ser alvo de críticas, até porque o time entra na última rodada com chances de ir à Libertadores. Mas fica a sensação de que poderia ter ido mais longe em uma chance única, que apareceu e estava logo ali a frente.

Outro ponto a destacar são os relatos de torcedores e imprensa sobre tudo o que aconteceu no Scarpelli hoje. Olha, claramente estamos muito atrasados em relação à preparação para receber grandes eventos esportivos como esse. E digo em todos os aspectos, desde segurança, até venda de ingressos e organização para a imprensa. Se com 20 mil pessoas e um batalhão de profissionais foi complicado, imagine se um dia existir em SC um estádio para 30 ou 40 mil. Lições a serem assimiladas.

E o Coritiba entrou nessa briga pela Libertadores. Venceu o combalido Avaí e só depende de si para enfrentar a fase eliminatória. Basta vencer o Atlético-PR. O Figueira precisa vencer e torcer por tropeços. Se tivesse conseguido um empatezinho nos últimos dois jogos, bastaria vencer o Avaí.