terça-feira, 17 de abril de 2012

A crônica de um rebaixamento - Parte 2

"Alô? é da TV Brusque? Aqui é do Brusque FC, vai ter apresentação de jogador daqui a pouco".

E lá íamos nós, toda mundo que cobre o clube, ver qual era a novidade do time. A ideia era apresentar o jogador assim que eles chegassem. Só que aconteceu um negócio curioso, pra não dizer que só podia ser brincadeira: tinha dias que, ao chegar lá, a "apresentação" era de jogadores que já estavam no clube ou atletas da base que sequer entrariam em campo durante o Estadual.

A montagem do time do Brusque para o Estadual causou calafrios em muitos momentos. Uma coisa é o time ter um orçamento limitado. Outra é o time saber contratar com um orçamento limitado. É só olhar o que fez o Camboriú.

Era força de jogador desconhecido e de má qualidade, que não tem lugar na várzea daqui: Vinicius Carioca, Marvyn, Marcelo Gaúcho, Fagner, Roger, Héverton, Jonatan, William (que disse na rádio que torcedor não pode xingar o time), entre outros. Decepções mesmo foram Talhetti, meia que era visto como uma "joia" no Figueirense e teve alguns lampejos de brilho, e Chris, que há dois anos arrebentava no JEC fazendo dupla com Lima. Some os salários dessa turma toda aí e veja quanto foi jogado fora do contado dinheirinho do clube. Até hoje, não se sabe qual foi o empresário que fez a façanha de indicar essa turma para o clube. Prova que faltou muita, mas muita experiência pra diretoria de futebol. Faltou um cargo de gerência.

O Departamento de Futebol do Brusque era assim: quando da posse, assumiu Fábio de Souza, que não tem experiência alguma nem em montagem de time amador. Vendo que a coisa não andava, Maurino Cazagrande, que era o diretor da base do clube (lanterna do Estadual Júnior de 2011) veio para a gerência de futebol. Foi ele que montou o time de 2008, que foi rebaixado e só subiu no mesmo ano graças ao regulamento que permitiu isso e havia salvado o JEC no ano anterior. O presidente havia prometido a contratação de um gerente de futebol para arrumar a casa, que não veio. Aí Cazão acreditou na sua base, a pior do Estado no ano passado, juntando com atletas sem currículo.

Marcelo Caranhato assumiu o time no final de 2011 com um discurso de "a culpa não é minha". Deixou claro que o clube tinha problemas financeiros, e que só assumiu depois de ouvir garantias do presidente. Aí foi o seu maior erro: depois de uma vitória mentirosa em Blumenau, em um jogo ruim que o justo seria um empate sem gols, os resultados não vieram. Em nenhum momento, Marcelo reclamou da diretoria. Usou um discurso de "o time é esse aí" antes dos jogos, deixando o psicológico lá em baixo. Caiu após perder um jogo em Camboriú onde William, o esquentadinho, fez dois pênaltis iguais no primeiro tempo e acabou expulso.

Naquela madrugada, chegou Joceli, entrando em "um avião pegando fogo", nas suas palavras. Ele sentiu o tamanho do problema ao elencar uma lista de jogadores e receber vários nãos. A diretoria chegava a anunciar um reforço na véspera, que no dia seguinte não chegava. Vieram o zagueiro Leo Breno, que terminou no banco, o lateral-esquerdo Rafinha, esse sim um reforço que ajudou, e o volante Luiz Henrique, que tinha a confiança do técnico, mas que se perdeu completamente no preparo físico. Seu peso nas rodadas finais assustava. O técnico também viu sua confiança em Felipe Oliveira ser quebrada na última rodada, quando o jogador sumiu da cidade e sequer se apresentou para viajar a Joinville. Joceli nem queria tocar no assunto. Talvez se lhe fosse dada condição de trabalho lá no começo, a coisa poderia ser diferente.

A campanha falou por si só: jogando em casa, um ponto conquistado (empate contra o Marcílio) e oito derrotas. Um elenco mal concebido, com um preparo físico pobre e sem reforços no meio do campeonato. Deu no que deu. Um ouvinte deu a teoria certa: o Brusque é que nem uma Coca-Cola dois litros: começa com todo o gás e no fim, é só agua com açúcar. Era bem assim: motivação no começo, as vezes um gol, mas o time se arrastava no final. E a novela repetiu em vários jogos.

Amanhã, as trapalhadas do marketing do clube.

Um comentário:

  1. Em time mal planejado um sozinho não brilha , então nem o Pele nesse time daria jeito.

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