sábado, 21 de abril de 2012

Sobre o fim do apoio da Cimed

A nota oficial (publicada no post anterior) dá a desculpa-padrão que toda empresa dá para fechar seu ciclo no esporte: redirecionar investimentos.

Não vou fazer aqui nenhum exercício de adivinhação sobre o motivo que fez a Cimed encerrar o seu ciclo (esse é o termo mais correto) no time de vôlei de Florianópolis. Acredito que nenhum desses tipos de patrocínio é eterno. Acontece que ele é tão "pendurado" na empresa que se cria um tipo de desespero. O mundo não acabou. A Malwee abandonou o futsal e o time de Jaraguá voltou dois anos depois. O basquete de Joinville perdeu um forte patrocinador mas conseguiu se manter.

Mas no caso específico do voleibol há algumas coisas a considerar. É inegável que houve retorno para a marca, que poderia ser maior (e algumas empresas deixaram de apoiar o esporte por causa disso) por causa da "proibição" de citar o nome do patrocinador que dá nome à equipe. Culpa da Globo? Não. É culpa da CBV, que faz o contrato de televisionamento e permite que isso aconteça. (o vôlei é diferente do futebol, os clubes não participam de negociações e não faturam com TV). Aí, o patrocinador gasta um monte pra ver o time ser chamado de "Florianópolis", "Osasco" ou "Rio de Janeiro". O Sesi escapa dessa exceção, mesmo sendo uma fundação totalmente privada. A Cimed gastou um monte, e seu nome não era falado nas transmissões.

E outro inegável motivo esbarra na falta de um ginásio decente na capital. Raciocine comigo: se Floripa tivesse um ginásio confortável para 4 mil pessoas, seriam 4 mil fãs torcendo para o time sem apertos. Hoje o time, que tem jogadores titulares da seleção, joga no apertado Capoeirão, que tem várias goteiras e fez o time pagar mico em rede nacional, com um jogo paralisado por excesso de umidade na quadra. Sem falar na limitação de público. Isso depõe contra o patrocinador.

Não quero dizer que esses foram os motivos que fizeram a Cimed deixar o vôlei de Florianópolis. Talvez tenha sido mesmo a intenção de redirecionar os investimentos. Mas talvez, se os resultados viessem, com a justa menção de quem paga a conta na TV e um local digno para time jogar e torcedor assistir, haveriam argumentos para uma mudança de ideia.

E fica aqui a campanha para um ginásio decente em Florianópolis. Não precisa ser uma Arena cheia de fru-frus. Apenas um ginásio, com boa quadra e boas arquibancadas.

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