sábado, 21 de janeiro de 2012

Primeiros jogos, diferentes cenários

Muitos gols no primeiro dia do Campeonato Estadual. Cada partida com uma história diferente

Foto Jandyr Nascimento / Santa.com.br
Em Ibirama, o Atlético, mais entrosado que o adversário, apertou no começo, mas o Criciúma entregou três pontos com erros de Andrey. Aliás, não só dele, pois no primeiro tempo o time tinha uma avenida chamada Fabinho Capixaba, que permitia o Atlético subir como quisesse. E Maicon aproveitou uma falha bisonha de Henik para abrir o placar, e uma falta próxima da área para amplicar. Claramente, o cenário era de um Tigre completamente fora de ritmo.

Mas o Atlético começou a arriar no segundo tempo. O Criciúma descontou e tinha nas mãos a grande chance de conseguir uma incrível virada. Mas aí, o seu Andrey sai desesperado numa bola lançada pela linha de fundo, dando o gol para o time da casa que rezava para a partida acabar. Não contente, desabou no chão em um chute desviado, fechando o jogo. Pior que hoje, o Tigre não vai jogar. Mas Márcio Goiano viu que vai ter que melhorar e muito o time, e em tempo recorde, a fim de não ver o bonde do primeiro turno ir embora. Se viu hoje um time que abusou de errar passes, sem ataque e principalmente, sem calma. O Atlético foi colocando seu jogo em campo, aproveitou as brechas e, mesmo sem perna, segurou o importante resultado.

Foto Edu Cavalcanti / ClicRBS
Já em Floripa, a ducha de água geladíssima vai para o Marcílio Dias. Muito se falou nos últimos dias do futebol do Marinheiro e, ao encarar o primeiro desafio, uma goleada. Há de se ressaltar o modo que Jamelli montou seu time: estruturou um 3-6-1 com André Neles isolado na frente. É um esquema que até pode funcionar, se bem treinado. Deu tudo errado. O time marcou mal, deixou o Figueirense fazer o que quiser na intermediária e, quando viu, já estava 3 a 0.

Tá certo que o alvinegro é mais qualificado e é candidato ao título, mas que pelo menos o time de Itajaí mostrasse algum tipo de resistência. É o tipo de jogo que até complica pra avaliar o time da casa, já que passeou em campo. Mas vi qualidade no Luiz Fernando, atleta que tem que ser observado com carinho, mostrando muitas virtudes. Já o Marcílio precisa repensar alguns conceitos, corrigir o esquema tático para a partida contra o JEC, sob pena de instalar crise logo no início do campeonato. E conhecendo como eu conheço a torcida de lá, a pressão já começou. E o Figueirense começa o campeonato com a moral elevadíssima, que dá muita tranquilidade para Branco trabalhar.

Palpitando - 1a. rodada

Primeira rodada do Estadual, e os palpites do Blog voltaram. Não tem nada de adivinhação, previsão, nada. É palpite puro. Se der certo, beleza. Se não der.... sem problema.

Atlético x Criciúma - O vice-campeão da segundona enfrenta um Criciúma que contratou muito, mas ainda não foi testado. Vou de empate em 1 a 1.

Figueirense x Marcílio Dias - O Figueira fez um jogo-treino e mostrou que não vem pra brincadeira. O Marcílio promete, mas no Scarpelli, não tem como tirar o favoritismo. Figueira 1 a 0.


Chapecoense x Avaí - Um jogo interessante, mas acho que não haverá vencedor. Empate em 1 a 1.


Metropolitano x Brusque - Os dois times desfalcados, sem importantes peças de ataque. Vou de zero a zero.


Joinville x Camboriú - O entrosado campeão da Série C enfrenta o caçula na Arena. Não tem como não cravar o JEC. Vou de Joinville, 2 a 0.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

A roupa do Brusque para 2012

Abaixo, em primeira mão para os amigos do Blog, os uniformes do Brusque para 2012. A camisa amarela, que foi usada no título estadual de 1992, está de volta. O segundo uniforme será todo branco:







Catarinense 2012: Figueirense

FIGUEIRENSE FUTEBOL CLUBE
Fundação: 12 de junho de 1921
Cores: Preto e Branco
Estádio: Orlando Scarpelli - 19.908 pessoas
Presidente: Nestor Lodetti
Técnico: Branco
Ranking "BdR" 2011: 1o. Lugar
Catarinense 2011: 3o. Lugar



Um fim de ano quase brilhante, que só não foi perfeito por causa daquele algo a mais que faltou para que o time chegasse na Libertadores. Assim ficou marcado o 2011 do Figueira que, se não mostrou no Estadual uma grande campanha, chegou ao encerramento da temporada chamando a atenção do Brasil.  A parceria com Eduardo Uram, que pra muitos é polêmica, ajuda muito o time a ser forte e fazer boas campanhas, sem correr risco de brigar na parte de baixo.

Há de se botar a mão à palmatória aqui: Jorginho, criticadíssimo durante o ano, chegou a ter seu cargo a perigo, bateu boca com a torcida, mas no final tudo acabou em lua de mel. O técnico deixou o clube rumo ao Japão com a missão cumprida, conquistando bom conceito no cenário nacional. Isso tornou a decisão do nome do novo comandante, que iria levar adiante o bom momento alvinegro, em uma decisão bem delicada. Não houve quem não se surpreendeu com a escolha de Branco como treinador. Um nome que tem história como jogador, mas sem currículo algum à beira do gramado (tirou o diploma de técnico dias após ser anunciado). Seu trabalho não será fácil, pelo fato de não ser possível sequer aplicar uma solução de continuidade no que Jorginho fez, por causa do grande número de jogadores que foram embora. Branco terá que começar do zero, implantar a sua filosofia, superar as desconfianças e mostrar que pode ser um técnico de elite.

No começo do ano, falou-se muito a palavra "desmanche". Mas com o movimento dos últimos dias, a expressão mais correta é "grande reforma". O FIgueira trouxe nomes de reposição de qualidade, o que, na teoria, não enfraquece o time. São 11 remanescentes da campanha de 2011, que se juntam a uma legião de reforços, uns conhecidos, outros nem tanto. Quatro titulares permaneceram: o goleiro Wilson, os volantes Túlio e Ygor e o atacante Julio César, que renovou até 2013 com o alvinegro, mesmo com sondagens de clubes do Rio. Ainda permaneceram peças importantes como Fernandes, Aloísio e Héber, que serão de muita utilidade. Dos novos reforços, chegam bem indicados o paraguaio Mário Saldívar, pupilo de Arce, ex-lateral do Palmeiras que, segundo conversa com jornalistas do país vizinho, será o futuro titular da seleção de seu país. Também chegaram o bom zagueiro Canuto, do Libertad, o meia Doriva, do Criciúma e o volante Toró, do Atlético-MG, para citar alguns. Mas dois requerem atenção especial. Pessoal da imprensa argentina que consultei falou maravilhas de Franco Niell, atacante que estava no futebol mexicano. Elogiaram sua velocidade, precisão no chute e, principalmente, a raça. E por fim, aquele que será, para mim, o foco das atenções: Roni (foto), o jovem meia revelado no Criciúma. Fez um Estadual sensacional no ano passado, levou o Top da Bola, mas entrou em crise técnica na Série B, e seu futebol desapareceu. Talento ele tem, de sobra. Se conseguir recuperar o bom futebol que tem, vai repetir o título de craque do campeonato.

Quando se tinha medo que o Figueira não fosse ter a mesma qualidade em comparação à bela campanha da última Série A, eis que o clube traz reforços interessantíssimos, que colocam o time como favorito ao título. Há apenas um porém, que responde pelo nome de Branco. Elenco de qualidade ele tem, e um técnico tem o poder de salvar ou acabar com um time. Como ninguém sabe a sua forma de trabalho e, principalmente, como lidará com as pressões do dia-a-dia, fica essa pequena dúvida acerca da expectativa do clube do Estreito no estadual.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Catarinense 2012: Avaí

AVAÍ FUTEBOL CLUBE
Fundação: 1 de setembro de 1923
Cores: Azul e Branco
Estádio: Aderbal R. da Silva - 18.000 lugares
Presidente: João Nilson Zunino
Técnico: Mauro Ovelha
Ranking "BdR" 2011: 2o. lugar
Catarinense 2011: 4o. Lugar

Dono de um quarto lugar no último estadual, uma boa campanha na Copa do Brasil e da pior campanha no Brasileiro, o Avaí está tentando se reinventar quebrando alguns paradigmas. Depois de um fim de ano que mostrou um elenco inchado, sem qualidade nem preparo físico e sob protestos fortes da torcida, algo de radical precisaria ser feito para 2012. O pressionado presidente João Nilson Zunino usou um discurso enérgico, de priorizar o estadual para dar uma satisfação ao torcedor que tanto sofreu no ano passado. Para isso, fez uma coisa que eu, defensor do futebol catarinense, gostei muito, mas encontrava uma resistência gigante por parte da torcida e imprensa da Capital: o uso de destaques do futebol de Santa Catarina.

A aposta é grande, mas tem apoio de uma boa parcela da torcida: Mauro Ovelha (foto), o técnico campeão estadual e expert no futebol local, foi anunciado em meados de novembro passado como a esperança de uma nova vida no clube diante de uma nova realidade, que passa, inclusive, pela redução de orçamento que virá com o rebaixamento. A verdade é que, mais hora menos hora, Ovelha merecia uma chance em um clube que tem torcida e imprensa com tratamento bem diferente. E o próprio técnico merecia a oportunidade de provar que pode ser um nome de destaque no cenário nacional. Mesmo tendo assinado contrato até o fim do ano e com o discurso de priorização do presidente, Mauro terá o Estadual para mostrar trabalho. Se for bem, ficará para a Série B.

E o elenco, chamado pelo meu amigo Adir Júnior de "SC All Stars", traz vários nomes conhecidos do futebol catarinense, que foram recrutados por Ovelha pelo mesmo motivo: fazer um time com a cara do Campeonato Estadual. E como eles pertencem unicamente ao clube, podem ser investimentos para o futuro. Da Chapecoense, chegaram o lateral Aelson e o bom atacante Neilson (foto), que deverá fazer dupla de ataque com Ronaldo Capixaba, campeão da Série C no JEC, junto do zagueiro Renato Santos. De passagem pelo Criciúma vieram o lateral Pirão e o volante Mika. Juntando com o retorno de Marcinho Guerreiro e a presença de Cléverson, o time avaiano ganha uma característica muito próxima à Chapecoense do ano passado: o esquema deve ser o 3-5-2, com rápidos alas e meias e muito toque de bola.

Mauro Ovelha montou um bom time para o Estadual, com chances reais de conquistar o título. Mas ao contratar um time bem mais barato, perde a chance de ter algum diferencial, algum jogador que decida no seu plantel. Serão duras brigas no campeonato, mas o ex-zagueiro sabe os caminhos para conquistar o seu bicampeonato. Resta saber como ele vai suportar a pressão dentro da Ressacada, que é muito maior do que ele tinha em Chapecó.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Catarinense 2012: Joinville

JOINVILLE ESPORTE CLUBE
Fundação: 29 de janeiro de 1976
Cores: Vermelho, Branco e Preto
Estádio: Arena Joinville  - 20.000 lugares
Presidente: Márcio Vogelsanger
Técnico: Luiz Gonzaga Milioli
Ranking "BdR" 2011: 3o. Lugar
Catarinense 2011: 5o. Lugar




O torcedor joinvilense está em lua de mel com o clube da cidade. E olha que o ano passado não começou nada bem, com um modesto quinto lugar no Campeonato Estadual. O time resolveu participar da Copa Santa Catarina, que, se pra muitos é uma competição que nada acrescentou ao calendário, para o JEC foi absolutamente decisivo. Foi nesta competição que Giba foi demitido e Arturzinho foi contratado. O novo técnico veio, teve tempo para arrumar a casa, conquistar o título e entrar afinado na Série C, onde construiu uma boa campanha irrepreensível. O inédito título nacional veio com uma vitória absolutamente incontestável, com um time que sobrou na reta final. E a boa notícia é que as perdas foram mínimas para este ano.

Quando o presidente Márcio Vogelsanger anunciou os motivos para que Arturzinho não ficasse no clube e o conhecidíssimo Luiz Gonzaga Milioli (foto), que treinava a base, fosse efeitvado, ele deu o motivo: dinheiro. A vitoriosa campanha na Série C levou o clube a ter um custo acima do orçamento, e era necessário dar uma respirada. A decisão não foi ruim. Milioli é pessoa de dentro do clube, tem currículo, conhece o futebol catarinense e tem capacidade de apenas azeitar a máquina que foi ajeitada por Arturzinho. Isso porque as peças que saíram são fáceis de substituir no mercado.

Foram três jogadores que vinham atuando que o JEC perdeu: o meia Jailton, que pertence ao Atlético-PR e que, segundo informações, pode aparecer no Criciúma, e a dupla Renato Santos e Ronaldo Capixaba, contratada pelo Avaí antes mesmo da final da Série C. Mas isso não desmonta a espinha dorsal do time, que conta dentro do elenco com jogadores de qualidade que tem poder de decisão e que continuarão dando força ao grupo. São os casos do goleiro Ivan, do meia Ricardinho (que vai perder o início do Estadual com uma lesão no braço) e, claro, o artilheiro Lima (foto), que, curiosamente, ficou de fora de parte do Brasileirão passado, retornando na fase decisiva e marcando gols.

O JEC vem forte para conquistar o título que não fica na Manchester há exatos 11 anos. A bela conquista na Série C tirou grande parte da pressão que o clube sofria, e ainda por cima incluiu o time em um outro patamar, com um calendário completo na Série B, aumento de investimentos, exposição e verbas de TV durante o ano. Considerando que o Estadual tem duas fases distintas, quem já possui um bom entrosamento pode fazer a diferença no primeiro turno. E isso, o JEC tem de sobra. Pela primeira vez em algum tempo o tricolor entra no Catarinense com moral de sobra para chegar ao título. Resta saber de Milioli não terá problemas para tocar em frente o legado de Arturzinho.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Catarinense 2012: Marcílio Dias

CLUBE NÁUTICO MARCÍLIO DIAS
Fundação: 17 de março de 1919
Cores: Azul e Vermelho
Estádio: Dr. Hercílio Luz - 10.000 lugares
Presidente: Abelardo Lunardelli
Técnico: Jamelli
Ranking "BdR" 2011: 9o. lugar
Catarinense 2011: 8o. lugar




O mau ano de 2011 do Marcílio Dias exigiu grandes mudanças. No Estadual, até começou bem, mas teve que brigar nas últimas rodadas para evitar a volta à segunda divisão. Ja na Copa SC, sob o comando de Joceli dos Santos, a campanha foi apenas razoável. Fim de um ano que, pra ser sincero, não acrescentou em nada. O novo ano chegou com fortes investimentos do clube fora de campo. Parcerias foram alinhavadas, incluindo um patrocínio do Banco BMG, novo ônibus e uma forte campanha publicitária na rua que conta inclusive com a figura do marinheiro mais famoso do mundo. O Marcílio conseguiu a licença para usar Popeye em suas peças, o que, sem dúvida, foi uma boa sacada.

E nesse novo ano do Marcílio, quando se fala em reformulação, é mudança total mesmo. A começar pelo comando. O marinheiro apostou em uma novidade, pelo menos como técnico: Paulo Roberto Jamelli (foto), ex-atacante e gerente de futebol do Santos, cargo que ocupou até o final de 2010. A sua vinda não é meramente uma contratação de treinador. Seu irmão, Carlos Eduardo, trabalha no marketing do clube, e a montagem do elenco foi diretamente comandada pelo técnico. Aliás, segundo o diretor de futebol Wagner Lúcio de Souza, a vinda de Jamelli traz um ganho para a imagem do clube, e espera-se que isso facilite no fechamento de contratos.

E quando digo que tudo é novo no Marcílio, é que a renovação foi grande mesmo. Do elenco do ano passado, apenas o zagueiro André Luiz ficou. Todo o resto é novo, com reforços escohidos a dedo por Jamelli. O padrão salarial do time também aumentou. No elenco estão jogadores rodados, como o meio-campo Rodrigo Pontes, ex-Coritiba, o atacante André Neles (conhecido no passado como André Balada), ex-Figueirense e América-RN, e o lateral-esquerdo Jorginho Paulista (foto), 31 anos, que jogará pelo 19o. clube em sua carreira. Acompanhei um jogo-treino do clube e posso destacar também o bom goleiro Lúcio, vindo da Portuguesa, e o lateral Thiaguinho, do Barueri. Grande parte destes reforços vieram do interior paulista, sem passagem pelo futebol catarinense.

O Marcílio está com um forte investimento, e apostou em um treinador que fez bonito como jogador, era gerente de um time grande, mas sua experiência como técnico é zero. Nos jogos-treinos, o time vem agradando a imprensa itajaiense, mas vejo um perigo em destinar a montagem do time nas mãos do treinador. Se não der certo durante o Estadual, Jamelli fatalmente sairá, deixando no clube todos os jogadores que foram trazidos por ele. A briga do Marinheiro no Estadual é, primeiro, não correr riscos de rebaixamento e depois, brigar pela vaga na Série D. É difícil pensar em algo maior em um time em que não se conhece a maioria dos jogadores. Certo é que a cidade de Itajaí merece um bom time. Depois de ser rebaixado, voltar no campo e fazer um catarinense ruim no passado, o torcedor não merece mais um insucesso.