sexta-feira, 16 de março de 2012

RIC entra na briga pelo Catarinense 2013, sem exclusividade

O Polidoro Júnior falou no ar hoje pela manhã, e logo, a RIC deu a palavra oficial: está na briga pelos direitos do Campeonato Catarinense para as temporadas de 2013, 14 e 15. Segundo a nota, a emissora abre mão da exclusividade e deseja transmitir um segundo jogo em TV Aberta em horário alternativo, as quintas a noite e sábados a tarde.

Não é uma novidade no Estado. Em 2005 e 2006, a Rede SC (hoje RIC) e RBS fizeram um compartilhamento das transmissões. A então afiliada do SBT (que pagou 100 mil reais) transmitia um jogo a cada sábado, enquanto a retransmissora da Globo (que pagou 200 mil), ficava com uma transmissão na quarta e outra no domingo. As finais eram transmitidas pelas duas emissoras. O rolo veio no ano seguinte, quando a Rede Record (que ainda era separada, com emissoras em Floripa, Itajaí e Xanxerê), ofereceu o dobro do ano anterior e levou a exclusividade que levou àquele rolo de 2009, que envolveu a agência Propague, o então presidente da Associação de Clubes, Carlos Crispim, Federação e RBS. Aliás, tem processo tramitando ainda no Tribunal de Justiça tratando desse caso.

Sem dúvida que quanto mais exposição o futebol catarinense ter, é melhor. A experiência americana, onde a exclusividade não existe, mostra que a distribuição dos jogos em vários canais aumenta a audiência, e, por consequência, valoriza clubes e patrocinadores.

Mas essa batalha da RIC não vai ser simples. Primeiro, não é segredo pra ninguém que a FCF é muito afinada com a RBS. Até demais. Segundo, que há claramente dentro da Associação de Clubes uma divisão de opiniões. Há aqueles que querem que seja aberta uma consulta às quatro redes que operam no Estado para ouvirem todas as propostas. E também há outros, e aí está incluído o presidente da Associação de Clubes, que querem renovar o contrato o quanto antes.

Bom lembrar que o valor pago hoje pela TV Aberta não chega aos R$ 2 milhões anuais, muito abaixo do que recebem os clubes do Rio Grande do Sul, Paraná e até Goiás, que tem uma representatividade menor que Santa Catarina no Brasileirão (um time na A, um na B e um na C). No ano passado, um emissário da RBS esteve presente na reunião da Associação de Clubes apresentando um estudo por eles produzido, indicando que a rede teve prejuízo na exibição do campeonato estadual, com o intuito de acalmar os ânimos dos clubes no quesito aumento de valores. Mas os clubes menores chiaram, e resolveram deixar isso mais para a frente. E pedem para que seja aberta a consulta para outras redes.

Não é possível fazer como no Campeonato Brasileiro, onde os clubes negociaram individualmente com a Globo, por dois motivos: primeiro que acredito que nenhum clube catarinense vai aceitar receber 150 mil reais separadamente. Isso iria inflacionar demais o preço. E segundo, que se apenas uma parte dos clubes vier a fechar, vai inviabilizar a transmissão. A lei brasileira impede que, por exemplo, um jogo do Metropolitano, que fechou com emissora A, contra o Avaí, que fechou com emissora B, tenha transmissão por qualquer uma das duas emissoras.

Qualidade de transmissão é algo que não me preocupo. Não sei se vocês sabem, mas quem produz grande parte das transmissões do Campeonato Catarinense é a Band. Sim, a Band Santa Catarina, antiga TV Barriga Verde, que tem uma produtora muito capacitada. Hoje em dia, a grande maioria das emissoras abertas e fechadas contratam produtoras que montam toda a estrutura, ficando para a emissora apenas a equipe de microfone. Não é necessário que a emissora tenha um caminhão de externa. Produtoras de todo o Brasil fazem esse serviço com qualidade e em alta definição.

Tenho a visão que a RIC vai tentar entrar num local fechado, onde as principais lideranças parecem não ligar muito para valores e exposição, e querem fechar a exclusividade com a RBS o quanto antes. Só que desta vez, há um ingrediente diferente: os clubes do interior já mostraram que querem ser ouvidos. Uma comissão de 4 ou 5 presidentes foi formada para tratar diretamente da comercialização dos direitos de TV para os próximos anos. Se realmente for aberta a licitação, haverá a proposta oficial. Tudo depende dos clubes, que reclamaram do pouco dinheiro recebido durante estes três anos e tem a chance de aumentar o faturamento.

terça-feira, 13 de março de 2012

Pitacos de meio de semana: Maurinho, Mauro e Itamar

Alguns dos assuntos da semana a serem analisados:

- O Metropolitano anunciou na noite desta terça que o atacante Maurinho foi vendido para o Dínamo Minsk, da Bielorrússia. Uma entrevista coletiva na manhã de quarta vai dar os detalhes da negociação, mas pelo que se fala nos bastidores, vai render uma boa grana para o time de Blumenau (atualização: segundo o Jornal de Santa Catarina desta quarta, Maurinho foi vendido por 500 mil dólares) e para o XV de Indaial, clube formador do jogador. Perde o time um jogador titular, que deve ser substituído por Pantico, mas pode ganhar um investimento bom para trazer reforços ao time ou cobrir o investimento da temporada. E ainda há o interesse do Cruzeiro pelo futebol do atacante Rafael Costa. Aliás, olhando bem a classificação geral do campeonato, dá pra ver que o Metrô tem seis pontos de vantagem para o Avaí, quarto no geral e primeiro fora da zona de classificação. É uma gordurinha boa a ser administrada por César Paulista. Os jogos a partir de agora serão mais complicados. O time de Blumenau passou bem na tarefa de marcar nove pontos nos três piores times do campeonato. Agora é hora de ver se o time vem para alcançar um voo mais longo.

- Já no Avaí, Mauro Ovelha foi mantido no cargo. A tabela pode colaborar, não sei se esse é o termo certo, para se criar um fato ilusório, que pode se transformar em realidade caso o técnico e o elenco tenham competência. Colocação complicada? O raciocínio é o seguinte: o Leão tem pela frente, em sequência, os três piores times do campeonato (Brusque e Marcílio em casa, Camboriú fora). Obviamente, o time tem a obrigação de somar nove pontos. E depois, vem, na ordem, Figueirense, Joinville e Metropolitano, três dos melhores do Estadual. Onde quero chegar: se Mauro Ovelha souber usar esses três jogos para acertar o time, entrará bem no clássico. Se vencer pela superioridade individual do time e ainda não conseguir montar um time competente para bater os adversários das três últimas rodadas, ferrou. Se não conseguir fazer 100% contra os três piores então, já era. Não tem palavra de confiança que segure.

- E lá em Chapecó, Itamar Schulle foi o escolhido para o lugar de Gilberto Pereira. Bom ressaltar que a imagem dele lá em Novo Hamburgo não era ruim. Levou o Noia à decisão do turno do Gauchão, e nem mesmo a goleada sofrida para o Grêmio abalou sua imagem. Mas talvez possa ter sido um argumento para que ele largasse um bom salário e um contrato longo no Rio Grande para assumir um time problemático no oeste catarinense. Schulle ainda pode classificar a Chapecoense para as semifinais do Estadual (tem tabela complicada pela frente), mas o seu objetivo é arrumar a casa para a Série C. E conhecendo o seu jeito de trabalhar, vai ter lista grande que vai ser deixada na mesa do presidente assim que ele chegar na Rua Clevelândia. Achei uma escolha interessante da Chapecoense. Vamos ver como será o comportamento inicial. Pode dizer muita coisa.

A parceria JEC-BMG

Antes que perguntem, essa foto é uma montagem!
Não é um simples contrato de patrocínio.

A relação do Joinville com o Banco BMG transcende a simples colocação de uma logomarca na camisa. É uma parceria comercial, que dá uma boa receita ao clube, para montar um bom time para a Série B.

O Banco, que é hoje um dos maiores (se não o maior) proprietários de jogadores no país, faz operações semelhantes em outros clubes do país. Como funcionará com o JEC, assim que o contrato foi assinado: o BMG garantirá cerca de R$ 340 mil mensais ao clube, que, além de colocar a marca na camisa, cederá 25% dos direitos econômicos dos jogadores do elenco, sejam profissionais ou da base. Ou seja, em caso de venda, 1/4 volta para o parceiro.

Além do mais, o BMG indica diretores técnicos que auxiliarão e cuidarão da operação pelo parceiro. No caso do JEC, eles serão Erasmo Damiani (ex-Figueirense e Avaí), Marcelo Serrano e Leo Franco. No Juventude, onde acontece uma relação comercial parecida, aconteceu um pequeno desentendimento que levou a demissão do técnico Picoli. Todos negam, mas a especulação é grande que o dedo do parceiro foi decidido. Tanto é que o BMG será ouvido na decisão de designar um novo técnico para o clube.

Analisando tudo, o JEC não tem muita coisa a perder com tal acordo. É uma espécie de receita antecipada: o clube receberá algo em torno de 4 milhões de reais ao ano, mesmo se nenhum jogador for vendido. Se por acaso surgir negócio, o Banco reaverá o dinheiro com os 25% de jogadores que seriam comercializados. Se não reaver, o clube não tem nada a ver com isso.

Para evitar problemas, a diretoria tricolor está tirando todas as dúvidas antes de fechar contrato. E a partir do momento que o contrato com a Eletrosul for sacramentado, o incremento de caixa do campeão da Série C será fantástico.

domingo, 11 de março de 2012

Brusque 0x1 Criciúma: Cada vez mais pra baixo, e difícil de reerguer

Foto Márcio Costódio / Municipio Dia-a-dia
Times que estão em iminente rebaixamento são assim: mesmo quando aparece a oportunidade, o time não agarra e perde o jogo. Mesmo contratando, não tem santo que resolve. Marcílio Dias e Brusque estão assim. E como o Camboriú arrumou um empate com a Chapecoense, a diferença na briga contra a segundona sobe mais um pontinho.

O Brusque teve chances de vencer o Criciúma desfalcado, com jogadores poupados para o desafio da Copa do Brasil contra o Madureira. De certa forma, estava vendo que o Tigre estava de certa forma abrindo mão do Estadual. A vitória em Brusque pode dar um novo gás ao tricolor, que poderá ao mesmo acreditar em um voo mais alto. Pelo menos é o que Silvio Criciúma quer, para tentar se consolidar como técnico.

Rodrigo Dalonso, um árbitro que já elogiei muito, teve participação direta no jogo. Ao não dar o segundo cartão amarelo para Anderson Conceição no primeiro tempo, permitiu que o próprio jogador fizesse o gol da vitória. Sem contar um pênalti para o Brusque não marcado, em que a chute de Rafinha ia em direção ao gol e esbarrou na mão do jogador tricolor. Fora isso apareceram muitas chances. E como quem não faz leva, o Criciúma marcou em um bate-rebate no final. É coisa do futebol.

Joceli diz que é "questão de honra" sair da zona de rebaixamento. O pior de tudo não é arrumar o time (e está difícil, com pelo menos quatro desfalques para a próxima partida). É recobrar a motivação de um time que melhorou sim, mas ainda insuficiente para ser confiável a ponto de marcar pontos. São dois jogos fora de casa pela frente (Avaí e Ibirama), sempre de olho no que Camboriú e Marcílio farão nos seus jogos. Obrigatoriamente, terá que acontecer uma vitória fora de casa.

Mas aí que está o problema: quando se começa a fazer muita conta, é que o buraco está cada vez mais fundo. Pensar no Brusque fora do rebaixamento hoje em dia é querer um milagre.

E se fosse lá em Criciúma, seria digno de subir a pé o morro do Caravaggio.