Não é uma novidade no Estado. Em 2005 e 2006, a Rede SC (hoje RIC) e RBS fizeram um compartilhamento das transmissões. A então afiliada do SBT (que pagou 100 mil reais) transmitia um jogo a cada sábado, enquanto a retransmissora da Globo (que pagou 200 mil), ficava com uma transmissão na quarta e outra no domingo. As finais eram transmitidas pelas duas emissoras. O rolo veio no ano seguinte, quando a Rede Record (que ainda era separada, com emissoras em Floripa, Itajaí e Xanxerê), ofereceu o dobro do ano anterior e levou a exclusividade que levou àquele rolo de 2009, que envolveu a agência Propague, o então presidente da Associação de Clubes, Carlos Crispim, Federação e RBS. Aliás, tem processo tramitando ainda no Tribunal de Justiça tratando desse caso.
Sem dúvida que quanto mais exposição o futebol catarinense ter, é melhor. A experiência americana, onde a exclusividade não existe, mostra que a distribuição dos jogos em vários canais aumenta a audiência, e, por consequência, valoriza clubes e patrocinadores.
Mas essa batalha da RIC não vai ser simples. Primeiro, não é segredo pra ninguém que a FCF é muito afinada com a RBS. Até demais. Segundo, que há claramente dentro da Associação de Clubes uma divisão de opiniões. Há aqueles que querem que seja aberta uma consulta às quatro redes que operam no Estado para ouvirem todas as propostas. E também há outros, e aí está incluído o presidente da Associação de Clubes, que querem renovar o contrato o quanto antes.
Bom lembrar que o valor pago hoje pela TV Aberta não chega aos R$ 2 milhões anuais, muito abaixo do que recebem os clubes do Rio Grande do Sul, Paraná e até Goiás, que tem uma representatividade menor que Santa Catarina no Brasileirão (um time na A, um na B e um na C). No ano passado, um emissário da RBS esteve presente na reunião da Associação de Clubes apresentando um estudo por eles produzido, indicando que a rede teve prejuízo na exibição do campeonato estadual, com o intuito de acalmar os ânimos dos clubes no quesito aumento de valores. Mas os clubes menores chiaram, e resolveram deixar isso mais para a frente. E pedem para que seja aberta a consulta para outras redes.
Não é possível fazer como no Campeonato Brasileiro, onde os clubes negociaram individualmente com a Globo, por dois motivos: primeiro que acredito que nenhum clube catarinense vai aceitar receber 150 mil reais separadamente. Isso iria inflacionar demais o preço. E segundo, que se apenas uma parte dos clubes vier a fechar, vai inviabilizar a transmissão. A lei brasileira impede que, por exemplo, um jogo do Metropolitano, que fechou com emissora A, contra o Avaí, que fechou com emissora B, tenha transmissão por qualquer uma das duas emissoras.
Qualidade de transmissão é algo que não me preocupo. Não sei se vocês sabem, mas quem produz grande parte das transmissões do Campeonato Catarinense é a Band. Sim, a Band Santa Catarina, antiga TV Barriga Verde, que tem uma produtora muito capacitada. Hoje em dia, a grande maioria das emissoras abertas e fechadas contratam produtoras que montam toda a estrutura, ficando para a emissora apenas a equipe de microfone. Não é necessário que a emissora tenha um caminhão de externa. Produtoras de todo o Brasil fazem esse serviço com qualidade e em alta definição.
Tenho a visão que a RIC vai tentar entrar num local fechado, onde as principais lideranças parecem não ligar muito para valores e exposição, e querem fechar a exclusividade com a RBS o quanto antes. Só que desta vez, há um ingrediente diferente: os clubes do interior já mostraram que querem ser ouvidos. Uma comissão de 4 ou 5 presidentes foi formada para tratar diretamente da comercialização dos direitos de TV para os próximos anos. Se realmente for aberta a licitação, haverá a proposta oficial. Tudo depende dos clubes, que reclamaram do pouco dinheiro recebido durante estes três anos e tem a chance de aumentar o faturamento.

