quinta-feira, 5 de abril de 2012

Criciúma envolvido no "jogo da referência"

Foto: Fernando Ribeiro / Criciúma EC
A frase é velha: não use o Campeonato Catarinense como referência que a surpresa pode ser desagradável.

Não que o Criciúma tenha enfrentado o Atlético-PR achando que o time era bom. Mas essa equipe, que briga pelo título do returno do Estadual, mostrou todas as suas deficiências diante de um adversário da Série B. E olha, o time do Silvio Criciuma escapou de ser eliminado em um jogo só.

E hoje o time jogou mal, muito mal. O primeiro tempo mesmo foi uma coisa feia. Lucca foi anulado. Bolas eram rifadas a todo momento, e Zé Carlos reclamava. Faltava qualidade, e o Atlético foi encaixando o seu jogo, até fazer 1 a 0. Era nervosismo demais. O sistema de marcação tricolor inexistiu. O Atlético trabalhou com muita liberdade.

Teve um pênalti claro para o Tigre no começo do segundo tempo, mas o gol de Zé Carlos foi absolutamente ilegal perante a regra. Aqui, um parêntese: o árbitro José de Caldas Souza, inexperiente, deu o gol, enquanto o auxiliar Marrubson Freitas, de ficha muito mais longa em partidas de Série A, ficou imóvel e anotou a falta.

O Criciúma mereceu perder, o Atlético foi infinitamente superior. Jogou melhor, marcou melhor, foi mais rápido e ainda contou com a lambança irresponsável de Andrey (que tinha feito algumas boas defesas) para fazer o segundo gol, e vai ser lembrado pelo erro. A melhora no segundo tempo foi tímida, insuficiente para passar pelo mais organizado time do Paraná, que joga pelo empate na volta para pegar Cruzeiro ou Chapecoense.

E nota zero para Guerrón, que é bom jogador, mas não precisava ficar tirando sarro daquele jeito. Ele tem qualidade, é um atacante perigoso e diferenciado, mas podia sair sem essa.

E o Criciúma toma um banho de realidade a pouco mais de um mês do início da Série B. Joinville e Avaí também devem ter observado o jogo com carinho.

Atlético-PR negocia compartilhamento da Arena com o JEC

O Atlético-PR sofreu um grande baque ontem, quando o Paraná Clube, dono do Estádio da Vila Capanema, anunciou que não cederia suas dependências para o rubro-negro mandar seus jogos no Campeonato Brasileiro da Série B.

Surgiu a alternativa Joinville, já utilizada pelo arquirrival Coritiba na Série B de 2010, quando o clube teve que pagar punição pelos incidentes naquela partida contra o Fluminense, na última rodada do Brasileirão de 2009.

Repórteres de Curitiba me ligaram informando que as informações dentro do Atlético são poucas, praticamente nulas. Mas o lado joinvilense já admite a negociação.

Segundo informações que troquei pelo twitter com o Fernando Mattos, diretor de marketing do JEC, a proposta já foi enviada a Curitiba e uma reunião na próxima segunda-feira poderá encaminhar o negócio do compartilhamento da Arena Joinville, que teria dois times mandando jogos lá.

A proposta: Na partida de abertura do returno, em que o Atlético é mandante contra o JEC, a renda seria repartida. O Joinville não se importaria com eventuais prejuízos no gramado, mas pediria ao Atlético uma colaboração para a manutenção do solo.

Num primeiro momento, a negociação envolve as parcerias comerciais entre JEC e Atlético. Mais a frente, a Felej, Fundação de Esportes de Joinville e administradora do estádio, entraria na conversa para os demais acertos. Mas como já houve um acordo com o Coritiba há dois anos, não vejo aí o maior problema.

É um tipo de acordo interessante, que movimenta o Estádio e a própria cidade, conforme eu pude constatar quando aconteciam jogos do Coxa em Joinville.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Ninguém vai calar Lenny?

Trabalho dobrado para a assessoria de imprensa do Figueira.

Voltando de Floripa sábado, ouvi uma longa entrevista de Lenny à Rádio Estadão ESPN (ouça aqui), em que ele voltou a detonar o Figueirense, falando daquela novela da sua recuperação, alegando que foi "fritado" no clube e que não havia estrutura no Departamento Médico do clube, que estaria trazendo mais problemas físicos aos jogadores, com erros de procedimento.

Hoje, mais uma matéria, dessa vez no UOL, com conteúdo similar. Aí, a Assessoria corre pra divulgar nota ou arrumar um direito de resposta para o clube dar a sua versão.

Vem cá, não seria hora do clube ser mais enérgico, pedir para o seu empresário calar a boca do jogador ou, em última hipótese, meter um processo nele para que prove as acusações?

Parece que a profissão de Lenny, depois que deixou o Figueira, é falar mal do clube.

terça-feira, 3 de abril de 2012

A rigorosa punição de Souza

Não adiantou o discurso comovente do zagueiro Souza no TJD. Diante dele estavam auditores que não lhe deram ouvidos e aplicaram a punição máxima. Ele terá, por enquanto, que esperar Héber se recuperar para voltar aos campos.

Não vou discutir o mérito, e sim os precedentes. Os resultados de julgamentos do Tribunal catarinense nesse ano mostram decisões rigorosas nas comissões disciplinares que são abrandadas no Pleno. Vários foram os temas polêmicos que tiveram esse fim. Então, é esperar o que vai dar do recurso antes de dizer o que realmente vai acontecer. Enquanto isso Souza, que era primário, não joga. Na segunda instância, já sob o calor das repercussões da decisão anterior, pode haver reviravolta.

A decisão, única na história do futebol do Estado, abre o precedente do julgamento e punição em cima de imagens de vídeo em um lance que sequer foi assinalado pelo árbitro (e faço um protesto aqui, José Acácio da Rocha sequer foi advertido). Se daqui pra frente novas decisões acontecerem com o mesmo rigor, aí teremos uma coerência configurada.

Aproveito para perguntar à Procuradoria se vai haver denúncia em cima da briga com direito a cusparada na cara de dois jogadores do Avaí no clássico. Sim, porque houve agressão que o árbitro não viu e as câmeras mostraram tudo.

Souza já perdeu duas partidas, e vai perder mais algumas até que o Pleno do TJD se reúna. É um assunto pra lá de polêmico, que despertou uma revolta do torcedor do Oeste com aqueles que tanto pressionaram o tribunal a suspender o jogador preventivamente.

domingo, 1 de abril de 2012

Empate em clássico pegado. JEC comemora

O retrospecto dizia que o Figueirense deveria levar o clássico. Mas as circunstâncias dos últimos dias, combinando com o fator do confronto entre os dois times, culminou com o empate em 2 a 2, que manteve o Avaí na briga pela classificação no índice e o JEC na liderança do returno. Ao Figueira basta vencer um de dois jogos contra Brusque e Camboriú e o primeiro lugar geral estará assegurado.

A verdade é que o Avaí mostrou uma evolução. Tímida, mas mostrou, principalmente no campo da motivação. Ainda assim apareceram grandes erros na marcação pela direita, onde o potencial de marcação de Arlan era complicado. E o sistema defensivo avaiano, que é um problema crítico, vai precisar de um bom tempo para se ajustar. Uma prova foi no segundo gol do Figueira, onde Robinho, um meia, estava marcando Roni na área, marcando um pênalti. Sem querer discutir o lance, mas era para um zagueiro ou um volante estar ali na jogada.

O Figueirense marcou um gol logo no começo e teve mais dificuldades que o costume para encaixar o seu jogo.  Roni estava bem marcado, e o time não conseguiu jogar como um todo. Os lances de maior perigo vieram nos contra-ataques, quando o meio-campo estava menos congestionado. Mas há de se destacar a vontade avaiana, que acreditou com o placar adverso em 2 a 0 e, sob o comando de Cléber Santana, achou o empate. Sonolento, o Figueira não reagiu. Como disse, ainda há o que melhorar, mas o fato de ter arrancado um ponto no Scarpelli ajuda muito na melhora do ambiente na Ressacada. Hemerson Maria terá uma semana para a próxima decisão. Já o Figueira terá dois compromissos mais fáceis, tendo apenas que garantir uma eventual decisão em casa, além de recuperar seus jogadores.

Quem comemorou foi o JEC. Na Arena, o time teve mais volume de jogo que o Criciúma, venceu por 3 a 0 e é o novo líder do returno. Garante o troféu se vencer o Avaí na Ressacada (na última rodada pega o rebaixado Brusque em casa), entrando em excelente condição na reta final. Mas é importante observar, além do JEC, a Chapecoense: os dois times vem crescendo sensivelmente nos últimos jogos, e vão encaminhando sua vaga na próxima fase. Ao meu ver, Tigre e Avaí brigarão pela vaga derradeira. A tabela reserva jogões pela frente: no domingo de Páscoa tem Avaí x JEC e Criciúma x Metrô, e na última rodada o Avaí vai a Blumenau e o Tigre, a Chapecó.

Também esquenta a briga pela vaga na Série D. No último minuto, o Atlético venceu o Camboriú e diminuiu a diferença para o time de Blumenau para dois pontos com uma tabela, em tese, mais fácil, pegando o rebaixado Marcílio em casa na última rodada. Negócio tá ficando bom.