sábado, 19 de maio de 2012

Ecos da abertura da Série B

A primeira rodada da Série B para os catarinenses reservou diferentes conclusões que não podem ser olhadas como definitivas. Certo mesmo é que a velha máxima do "Estadual não é referência" não escapou de novo. Que o digam  Avaí e Joinville.

O JEC perdeu para um time qualificado do Atlético, que para mim é o maior favorito ao acesso. Tomou dois gols de pelada, é verdade, mas serviu para mostrar o nível do que vem pela frente. A partir de agora a diretoria vai ver onde pode se reforçar para dar mais qualidade ao jogo, que vai precisar.

O Avaí empatou um jogo que poderia ter vencido, contra um Boa sem nada de mais, em um campo pior que a Arena Condá. O gol de Pirão salvou o que seria a primeira derrota de Hémerson Maria. Houve queda de rendimento por causa dos fatos da última terça? Só a sequencia de jogos dirá.

E o Criciúma fez o serviço de casa e matou o Guaratinguetá em casa. Paulo Comelli pediu paciência com o time completamente novo e desentrosado. Mas temos que admitir que o início foi promissor. Mas as próximas partidas vão mostrar se toda essa reformulação do time valeu a pena.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

A logomarca e o mascote do JASC 2012

O Blog publica abaixo a logomarca oficial e o mascote dos Jogos Abertos de Santa Catarina deste ano, que acontecerá em Caçador, em novembro:

A logomarca foi desenvolvida pela Karine Panissa, natural de Caçador, formada em Design Gráfico pela Unoesc. Em seu trabalho ela procurou mostrar a diversidade étnica de Santa Catarina, resgatando a origem de Caçador, com traços que lembram o Rio do Peixe, a estrada de ferro e a frase que reflete para os 100 anos da Guerra do Contestado: “A Batalha Agora é por Medalhas”.


O mascote foi idealizado pela equipe da Dose Design, composta pelos designers Junithi Ueda e Cassiano Vivan e pelo ilustrador Gerson Witte. A equipe buscou inspiração na Maria fumaça e no Museu do Contestado, para eles, símbolos de Caçador que representam a história do município. Apoiados na função desempenhada pelo maquinista da Maria Fumaça, eles desenvolveram um “menino maquinista”.

SC na Série B: o que esperar

A Série B começa nessa sexta, com 38 rodadas que prometem ser equilibradas. Tem de tudo nesse ano: ex-campeão brasileiro, time tradicional que não consegue voltar, forças do nordeste e gente que está voltando e quer ser grande. No meio disso tudo, três catarinenses: o campeão estadual e rebaixado Avaí, o campeão brasileiro da C Joinville e o Criciúma, que até prometia no ano passado e acabou numa tremenda pasmaceira.

O campeonato é longo, mas hoje, não vejo em nenhum dos três a condição real de ser um favorito ao acesso. Todos têm seus problemas, que passam da qualidade técnica até a falta de um elenco grande para encarar a maratona. Mas também, nenhum dos três devem brigar contra o rebaixamento. Existem times em condição bem pior.

O Joinville manteve a base do time campeão da Série C. Só entrou no Estadual de vez quando Argel Fucks chegou ao time, ajeitando o meio-campo e fazendo Lima e Rangel receberem bolas. A diretoria investiu em posições chave, principalmente na defesa, onde mostrou muitos altos e baixos. Chegaram Maurício e Leandro Carvalho, jogadores de patamar salarial alto, que vão para campo com duas missões: defender melhor o gol de Ivan e conquistar uma maior posse de bola para o sistema de armação, que deve ter Ricardinho e Tiago Real, num primeiro momento. Mas Leandro Campos encheu a bola de Ramon no treino, o que pode ser uma pista de mudança. O JEC estava numa crescente na era Argel. Resta saber como Leandro Campos vai levar o time. Assim como o Criciúma, que também trocou treinador, é uma incógnita saber o que vai acontecer.

É que o Criciúma contratou, de novo, um time novo. No ano passado, o vice estadual a sequência de treinadores fizeram o elenco inchar. Márcio Goiano fez a limpa, mas com o andar do Estadual, chegavam muitos jogadores e saíam poucos. Com a má campanha no catarinense, veio Paulo Comelli que trouxe mais de meio time novo. Acho que, do time titular anterior, só vai ficar Lucca, Gilmar e Zé Carlos. O que esperar de um time que vai se entrosar durante o campeonato? Pode dar muito certo e o time conseguir uma arrancada, ou pode patinar na partida e ter que recuperar terreno durante o campeonato. O maior problema do Criciúma é esse: contrata, contrata e não consegue ter uma base duradoura.

E o campeão Avaí? Conquistou o campeonato estadual com uma motivação enorme, coisa de mata-mata, circunstância diferente da maratona de 38 rodadas. Vamos ver os efeitos daquela desastrosa coletiva de terça-feira e os efeitos dessa nova parceria. Se não tivesse acontecido tudo isso, era só dizer que o time precisaria de alguns reforços. Nessa nova situação, não se sabe nem se Hémerson Maria está tão seguro assim no cargo, diante desse novo cenário financeiro do clube. Mas mesmo assim, o Leão tem um Cléber Santana em ótima fase, um promissor Felipe Alves, uma segura dupla de zaga e um goleiro confiável. Aqui, há uma espinha dorsal definida. É torcer para que isso não se estrague. Além do mais, são necessárias peças de reposição no time, principalmente do meio pra frente.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

A nova roupa do Metropolitano

O Metropolitano apresentou uma nova camisa na noite desta quarta, muito bonita por sinal, nas cores grená com detalhes em verde. A homenagem é para o Grêmio Esportivo Olímpico, um dos clubes mais importantes de Blumenau.

Mas a nova camisa também parece bastante com a primeira camisa da história do Blumenau Esporte Clube, datada de 1980. Até o patrocinador (Hering) é o mesmo. Pode ter sido involuntário, mas vai ter muita gente que quando ver esse uniforme em campo vai se lembrar do antigo BEC. Voluntário ou não, boa sacada:

A camisa do BEC dos anos 80 (a esquerda) e o novo modelo do Metropolitano(direita)

Primeira camisa da história do BEC, usada em 31/08/1980




quarta-feira, 16 de maio de 2012

A capa do Guia Brasileirão 2012 da Placar

Segue abaixo, em primeira mão, a capa do Guia do Brasileirão 2012 da revista Placar, o qual tive a incumbência de escrever os perfis dos quatro times catarinenses das Séries A e B. A revista estará nas bancas na próxima terça-feira, e tem Júlio César, do Figueirense, como um dos destaques da capa:





terça-feira, 15 de maio de 2012

A autocrise avaiana

Filipe Calmon / InfoEsporte

O que aconteceu hoje no Avaí foi um espetáculo de mau gosto. Algo jamais visto em minha carreira. Um time campeão do Estado, focado, unido, pode estar desmoronando 48 horas depois do título conquistado. Não houve quem não ficasse constrangido com aquilo.

Carlito Arini foi demitido para a surpresa dos jogadores, que segundo Cléber Santana, craque do time e um dos líderes do elenco, não sairia do clube com a garantia do presidente Zunino. Aconteceu o que mais ou menos estava planejado. Terminado o Estadual, efetivaria-se a parceria com o Corinthians, com a chegada de Marcelinho Paulista e Narciso, que só não veio junto porque Hémerson Maria conquistou o título e hoje é uma unanimidade entre a torcida. Até quando, não se sabe.

A assessoria de comunicação do clube se viu num problemão, tendo que retirar os jornalistas da sala de imprensa ao ver que o circo ia pegar fogo. A roupa suja foi lavada na frente de todos, e nem mesmo o discurso apaziguador de Leandro Silva uma hora depois colou. Logo Leandro, que declarou antes da semifinal em Chapecó que haviam pessoas dentro do clube que não acreditavam na classificação. O que parecia uma cena de apoio, com todos os jogadores presentes na sala ao redor de Zunino e Marcelinho, virou um ato de saia-justa, com o novo gerente assumindo com o título de persona non-grata, fato declarado por dois dos líderes do elenco.

Está se mudando a ordem das coisas no pior momento possível, quando o time ganhou uma união enorme após a reação que trouxe o título. A partir de sábado, no jogo contra o Boa, veremos a reação diante de tudo isso. Tarefa para Hémerson Maria, que deverá ser acionado para ser o bombeiro da situação e tentar fazer o time não levar esse problema para o campo.

Zunino não esconde que a parceria com o Corinthians (que ele negou há um mês) é boa financeiramente para o clube, que terá uma perda de renda enorme com a queda para a Série B. Mas ao arrumar essa briga com o plantel (e pode ter certeza que essa reunião de uma hora não mudou nada), ele corre o risco de perder jogadores como Cléber Santana e Leandro Silva, se alguma proposta melhor aparecer. Foram atletas trazidos por Arini, que são leais a ele, e que tomaram um golpe tão duro que os fizeram reclamar para todos ouvir. Não é nem questão de fazer corpo mole: o ambiente mudou pra pior, e tudo reflete em campo.

Que pisada de bola do Zunino. Está jogando fora um trabalho que lhe deu um título.

Esta é a autocrise avaiana. Foi o melhor termo que achei, criação do amigo Marcelo Herondino.

Assista abaixo ao vídeo da coletiva, feito pelo pessoal do Infoesporte. Houve uma discussão do presidente Zunino com o Alisson Francisco da RBS. A declaração dos atletas está aos 19:30:


Jogadores condenados por "esterilizar" árbitro

Uma incrível história do futebol amador de Concórdia teve decisão judicial nesta semana. Três jogadores vão ter que pagar indenização a um árbitro, que teria ficado estéril com os chutes desferidos na "região delicada".

A matéria é do site da Rádio Aliança, de Concórdia:

O poder judiciário da comarca de Concórdia condenou, em pedido de tutela antecipada, três pessoas ao pagamento de indenização por danos morais e pessoais que passam de R$ 60 mil ao árbitro de futebol Gilmar Bonatto. Os réus são: Robson Mauro Fornari, Mauri de Lara e Gerson Balbinot.

O fato aconteceu no ano de 2006 durante uma partida de futebol pelo campeonato interiorano de Concórdia entre os times Lageado Guilherme e Linha Oito de Maio. Depois de apresentar um cartão amarelo para um dos jogadores da equipe local, Bonatto acabou agredido violentamente pelos demais jogadores.

A agressão foi tão violenta que precisou ser encaminhado ao Hospital para realizar exames, onde ficou constatada a laceração e a perda da vascularização de seu testículo esquerdo. Além disso, em consequência das lesões, afirmou ter ficado infértil.


segunda-feira, 14 de maio de 2012

Argel e o desafio do Figueira

Voltando um pouco no tempo. Antes da decisão de domingo, o presidente Nestor Lodetti deu uma entrevista ao Marcos Castiel na TVCOM, de certa forma, menosprezando o Campeonato Estadual. Falou que o planejamento principal é a Série A e a Sul-americana, e até sugeriu participar do próximo Catarinense com um time sub-23.

Por mais essa história de sub-23 seja uma besteira sem tamanho, vamos pra pergunta: cadê o planejamento?

Branco caiu na cabeça quente do pós-decisão, pior momento para você planejar uma mudança. E caiu como uma bomba quando veio a notícia de que Argel Fucks seria o novo treinador.

É um nome que foge completamente do perfil do Figueira, clube conhecido por ter bons moços no comando técnico, que agem sob uma organização exemplar. Argel tem personalidade forte. Quando estava no Criciúma, deu bronca no time com a porta do vestiário aberta para a imprensa escutar. Conseguiu o acesso à Série B sob os gritos de "Fora Argel" e arrumou problemas com os jornalistas, já que não gosta de engolir criticas. Fala o que dá na telha, principalmente quando não chegam os reforços que pede, como aconteceu há alguns dias no Joinville. Cada coletiva dele é um show.

O discurso de Chico Lins ontem a noite era de "atitude rápida a ser tomada". Argel é um treinador do estilo que eu chamo de "vamo lá, porra!". Pegou o Joinville que não rendia sob o comando de Gonzaga Milioli, arrumou o time, mas criou problemas no elenco com sua língua afiada, principalmente com o lateral Gilton.

Diante do que Lodetti disse antes do jogo, o Figueirense não está em crise. Fez uma boa campanha no Estadual, conquistou os dois turnos sem levar o título por erro dos seus dirigentes e acabou perdendo a decisão de forma incontestável, é verdade, mas teve problemas de lesões que atrapalharam o seu caminho. Mas se o planejamento a longo prazo foi feito para a Série A, trocar toda a comissão técnica (e aí está incluído Marcelo Cabo, peça importante do departamento de futebol, para muitos o real técnico do time) a uma semana da estreia no Brasileirão, e ainda contratando um técnico de perfil completamente diferente dos anteriores, soa como aposta.

Mas ao mesmo tempo, estou curioso pra saber o comportamento de Argel na estrutura do Figueirense. Pode contar que as suas coletivas serão imperdíveis. Quer ver se perder o jogo.

domingo, 13 de maio de 2012

Avaí, a estratégia, frieza, outra vitória e o título

Marco Santiago / Notícias do Dia
O Avaí chegou na final do Estadual depois de uma virada incrível em Chapecó, para enfrentar o Figueirense, melhor campanha geral e campeão de dois turnos em duas partidas.

O Leão não era favorito. Mas quem é favorito precisa confirmar essa condição em campo. O Figueirense foi completamente envolvido pelo esquema sem segredos de Hémerson Maria, que não tem nas mãos um time brilhante, mas um grupo muito determinado. A grande motivação, aliada à tranquilidade do jogo final e à defesa muito bem postada foram as chaves do título merecido. Ganha quem fizer melhor o serviço na decisão e esquecer a campanha anterior. E o Avaí cumpriu muito bem o script de um time que não quer ter sustos em uma decisão.

Quem viu o noticiário durante a semana, desde o discurso de Fernandes no CT até o ato de confiança da torcida no sábado a tarde, quando 5 mil pessoas estiveram no Scarpellii, acreditaria que o time viesse com sangue nos olhos, motivado,  e com algum ingrediente novo para quem foi anulado no seu sistema de articulação no jogo. Não houve a contrapartida. Branco não trouxe nada de novo: Fernandes continuou não rendendo, o ataque não trabalhou jogadas, e a defesa do Avaí foi sendo consagrada. O time subia mais na base do bumba-meu-boi, de forma desorganizada, do que própriamente construindo jogadas.

Foto: Daniel Queiroz / Notícias do Dia
E aí apareceu o serviço de Hémerson Maria. O Avaí teve a frieza necessária para não cair no clima de desespero do adversário para conseguir o resultado e colocou o seu jogo em campo. A marcação funcionou bem, o time não se retrancou em demasia e as oportunidades foram surgindo. Passados os 20 minutos iniciais, os contra-ataques começaram a surgir nos pés de Cléber Santana e Robinho. Viu-se aí um jogo de igual pra igual, de um time que, acertadamente, não mudou a sua característica. E como o Figueira também não mudou o seu modo de jogar, ficou fácil.

Aí, no segundo tempo, Canuto apareceu. Fez um ótimo desarme no meio de campo, para depois cometer um erro na lateral e, desnorteado, esquecer da bola e cometer pênalti. Com o gol de Cléber Santana, acabou a ponta de esperança alvinegra. O Figueira se entregou, tanto que não deu combate a Laércio, que entrou pela diagonal na esquerda sem nenhum tipo de combate para marcar o segundo. Era só esperar o apito final.

Ainda que o Campeonato Estadual não seja parâmetro para o longo Brasileirão que vem por aí, o Avaí de Hémerson Maria terá uma boa condição para iniciar a Série B e dar tempo para que cheguem os reforços (que são indispensáveis) e se busque a regularidade, que é necessária na maratona de pontos corridos, uma circunstância bem diferente do mata-mata em que atuou com perfeição. Já o Figueirense, taxado como melhor ataque do Brasil há algum tempo, mostra as suas feridas. Seu ataque titular até pode ser bom, mas a falta de um companheiro para Roni e, principalmente, a completa inexistência de trabalho eficiente pelas laterais, compromete todo o conjunto. E aí, o time não funciona. E isso pode ser fatal na Série A.

Parabéns aos avaianos.


A bola vai rolar

Hoje é o dia da decisão.

Nas últimas duas semanas vivi o clima de decisão aqui em Floripa. Como estou fazendo minha pós por aqui, vi a repercussão, conversei com torcedores e fiz parte de um projeto inovador, em que as redes sociais nunca estiveram tão engajadas em uma final de campeonato em Santa Catarina.

Nunca tinha assistido o clássico da capital no estádio. Assisti o primeiro e hoje assistirei o segundo. Domingo passado, comi churrasco com velhos amigos embaixo da arquibancada da Ressacada. Ontem, vi quase 5 mil pessoas no treino aqui no Scarpelli. Esse jogo vai ser especial. Apenas a terceira final entre os dois times, que mexem a região da nossa capital.

Que vença o melhor. Se der Avaí, vai ser a confirmação de quem aproveitou bem a oportunidade em casa. Se o Figueira levar, vai ser o confronto mais importante da história, pelo tamanho da virada.

Estarei no twitter acompanhando o jogo. Vamos ver o que vai acontecer no fim deste dia.