sábado, 9 de junho de 2012

Tutorial da Crise nas Séries C e D

O torcedor acompanha todos os dias a guerra de liminares em todo o Brasil que atravanca o início das Séries C e D. Há muita informação que surge, e as vezes isso confunde o torcedor. Pensando nisso, o Blog está fazendo um tira-dúvidas para explicar melhor ao internauta onde estão os problemas. Este pequeno tutorial busca explicar o que aconteceu, e para mostrar que a CBF tem sim a sua culpa nessa crise. Os casos de Brasil de Pelotas e Rio Branco são diferentes.

- Caso Brasil de Pelotas: foi rebaixado pelo STJD pela escalação de um jogador suspenso quando jogou pelo Ituiutaba. O atleta não contou que estava suspenso e o clube o escalou. O principal detalhe: a CBF não sabia que o jogador estava suspenso. Teve que aparecer a denúncia de um clube (se não me engano o Joinville) que checou as súmulas e decisões, para depois encaminhar a denúncia. Aqui está o erro número 1: os sistemas da CBF e do STJD não eram interligados. Logo, ao dar entrada no sistema, o nome do jogador não aparecia como estando suspenso e o Brasil não sabia que não podia escalar. Coisa simples de resolver na era da informática. Esse erro foi admitido pelo presidente da FGF, Francisco Novelleto, em entrevista ao jornal Pioneiro em 1o. de junho: "Acho que a CBF errou. O Brasil-Pe fez tudo o que tinha que fazer, buscou informações para a transferência do jogador (o lateral-direito Cláudio) e não foi informado da suspensão que ele tinha. Eu até questionei isso lá na CBF e eles me disseram que não havia interligação entre os sistemas da CBF e do STJD. Pô, na Era da Informática, não tinha isso lá? Aqui na FGF já havia essa interligação com o nosso TJD há tempos. De tanto eu chiar, a CBF fez. Agora, já tem. Eles dão a ficha completa do atleta". Este é o principal argumento do Brasil na justiça comum, de que não houve má fé em escalar Cláudio, sendo que a CBF não informou na hora que ele teria uma suspensão para pagar.

Você pode perguntar: e a justiça comum? Aqui, há duas interpretações: a lei é clara em dizer que a justiça comum não pode ser ouvida antes de esgotadas as instâncias desportivas. Isso realmente aconteceu e, portanto, a ação é legítima perante o código. Mas ao mesmo tempo existe um regulamento da CBF que proíbe tal conduta e, como signatário, o Brasil deveria obedecer.  Aí vem aquela do "uma é superior a outra", no caso, a decisão judicial. Outra pergunta: a Fifa pode suspender o time? A resposta é não. Uma entidade da Suíça não tem poder sobre o estado de direito do Brasil.  Pura pressão barata. Se fosse assim, a CBF tinha baixado um ato suspendendo o time. Não o fez porque não pode.

Essa mesma linha de pensamento vem sendo aceita em todas as instâncias da justiça, desde a sua origem lá em Pelotas, e ninguém consegue derrubar. A tendência é que se mantenha assim. O argumento é forte.

- Caso Rio Branco: aqui, envolve uma decisão de justiça comum com acordo que resultou em meleca. O negócio foi o seguinte: a Arena da Floresta, onde o clube mandava seus jogos, havia sido interditada pelo STJD. O clube acreano entrou com uma ação na justiça comum para liberar a venda de ingressos, sem ter esgotado as instâncias na esfera desportiva. Sabendo dessa liminar, o STJD excluiu o Rio Branco da Série C, sendo que o time estava classificado para a segunda fase, rebaixando-o para a Série D e salvando a cabeça do Araguaína-TO, que havia sido rebaixado no campo. Aí que veio o problema que a CBF entra: o Rio Branco recorreu dessa decisão na justiça comum (dessa vez podia) e parou a Série C do ano passado. Se vendo num grande problema, a CBF e o STJD tiveram que fazer um acordo extrajudicial no Acre, que acabou garantindo o Rio Branco na Série C deste ano mediante a retirada da ação judicial que paralisava o campeonato. Foi o que aconteceu. Se vendo prejudicado, o Araguaína (que acabou rebaixado de vez) e o Treze (quinto colocado na Série D 2011) se acharam no direito de protestar, conseguindo vitórias nos tribunais dos seus Estados, questionando o acordo que a CBF, de mãos amarradas, teve que fazer fora dos tribunais no ano passado. Eles sabiam que isso ia dar rolo nesse ano.

Nos dois casos, dá pra ver que a CBF está de mãos atadas. Não pode eliminar ou suspender times por ordem judicial, assim como também os clubes conseguiráo fácilmente decisões que impeçam qualquer tipo de represália da entidade. E o máximo que a Conmebol ou a Fifa poderão fazer é impedir a participação em torneios por ela promovidos, como Libertadores ou Mundiais.

E mais: os campeonatos poderiam começar com a decisão da justiça comum, não há nenhum impeditivo. O problema é que o Santo André solicitou no STJD o adiamento do início das Séries C e D, alegando possíveis prejuízos. O Pleno aceitou, e ordenou a CBF, que por isso está impedida de marcar os jogos.

São casos muito complexos, que a justiça vem dando razão aos clubes. Vendo as razões acima você entende porque não estou nem um pouco otimista com o início dos campeonatos.



Zé Carlos em estado de graça

Quatro vitórias em cinco jogos. Até aqui, uma campanha excelente do Criciúma, que patrolou o Goiás em casa de forma absolutamente incontestável.

E o time ganha uma espécie de dor de cabeça: Zé Carlos está chamando a atenção de vários clubes pelos gols que tem feito neste estado de graça que ele vive. Hoje foram mais três, que vão para o noticiário em todo o Brasil.

A fase do atacante é tão boa que ele nem participou tanto assim. O Tigre teve apenas cinco finalizações certas no jogo, então daí dá pra ver o excelente aproveitamento do time, que se estabelece no G4 abrindo uma diferença de dois para o Joinville, quinto colocado.

E a evolução do time é nítida, isso que é o mais importante.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Experimentou, consertou e venceu

Hemerson Maria estreou uma nova disposição tática no time, e uma mudança tão grande, depois de um 4-4-2 clássico que funcionou bem no estadual mas que vinha apresentando problemas com a falta de um meia ao lado de Cléber Santana, não vai funcionar perfeitamente nos primeiros 45 minutos. O treinador avaiano correu um risco desgraçado, tomou um banho de bola no primeiro tempo, mas contou com um pouco de sorte para ter a chance de arrumar o time e sair do Ipatingão com vitória.

Sorte porque o Ipatinga teve a chance de matar o jogo no primeiro tempo. Encontrou duas avenidas nas laterais (principalmente em cima de Patric) e só conseguiu fazer um. A bagunça na marcação avaiana era enorme, o time não apresentava saída de bola e perdia a posse rapidamente. A situação era crítica e levava à derrota, até que Mika fez o gol de empate com a colaboração do goleiro Gilvan. Isso deu a oportunidade para Hémerson arrumar o monstrengo no vestiário. Não era necessário muita coisa. O Ipatinga não é isso tudo e criou tantas chances na frente simplesmente porque o Avaí não marcava na intermediária.

Assim como aquela épica semifinal em Chapecó, Diogo Orlando veio compor a marcação e Patric ganhou liberdade para subir. Isso solucionou o buraco do primeiro tempo, anulou o Ipatinga e aí o time começou a jogar bola, até ser premiado com o gol do estreante Julinho. Foi uma coisa extremamente natural. Faltava organizar a saída, dar a chance do time controlar a posse de bola, e foi isso que aconteceu.

Era um jogo em que nem se podia pensar em empatar, contra um time inferior. O time entrou em um risco mudando o jeito de jogar do time no meio do campeonato. No fim, o risco deu certo e a vitória veio, mas ainda com o aviso de que essa nova formação precisa ser muito, mas muito aprimorada até o próximo jogo contra o América-MG, que é um time bem mais qualificado. É necessário mais tempo para saber se a nova formação avaiana é a certa.


quinta-feira, 7 de junho de 2012

Excelente resultado do Figueira, mas...

Quem não viu o jogo, ou viu até aquele gol em que o Caio, que estava sumido no jogo, apareceu atrás do Leandro Castán para empatar a partida, sabe que esse empate caiu do céu. O Figueira estava desarticulado de uma forma que assustou. Mas empatar com o time completo do Corinthians, com um jogador a menos por boa parte do segundo tempo é um excelente resultado.

Ponto que deve ser creditado à estrela de Caio. O time em campo não colaborou em nada.

Na verdade, Argel montou um time para tentar o empate, e em dado momento do jogo, pra não tomar mais. Vejamos: os laterais apresentam os problemas críticos que já escrevemos aqui. O sistema de marcação alvinegro tem situações que não são permitidas, ainda mais quando o time está em campo postado com três volantes. Julio César pode ter falhado em não acompanhar Alessandro no lance do gol do Corinthians. Mas ali era o lugar dele estar? Não deveria haver uma distribuição melhor, para que a jogada pela direita, que é muito usada, fosse coibida? Foi ali que o time de Tite que, diga-se de passagem não fez uma partida boa, abriu o placar.

No segundo tempo, o pouco que havia no sistema de armação do Figueira foi pro saco de vez, quando Argel sacou Roni para colocar Aloisio. Tá certo que o camisa 10 não é nenhum primor em armação, ele tem uma característica mais para atacante. Mas ele estava lá para fazer a ligação, e o técnico abriu mão. Aloisio correu pra lá e pra cá para atazanar os zagueiros, mas a organização ofensiva do Figueirense inexistia. Num lampejo, Caio apareceu no meio dos zagueiros e botou na rede para garantir um improvável ponto fora de casa. O medo é que Argel ache que esse é o esquema certo para enfrentar grandes times fora de casa. Não há espaço para sonhar em vitória ou pensar que o adversário que vai para o ataque deixa espaços a serem explorados.

O Figueirense empatou um jogo em que chutou apenas 5 bolas a gol, contra 16 do adversário. Teve 71% de passes certos, contra 86% do Corinthians. Isso diz muito para alertar que o caminho para o sucesso na Série A não é esse aí não. Tá certo que ainda faltam reforços em posições-chave (principalmente as laterais). Mas dá pra fazer coisa melhor, como um marcador que saiba carregar a bola, coisa que Pittoni pode fazer.

A questão aqui é mudar a postura. O caminho que Argel está tomando é perigoso. Nem todas as noites serão como essa.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

JEC foi gelado em campo, mas venceu o ASA

Paulo Caetano / Gazeta de Joinville
Primeiramente, há de se destacar o público que foi à Arena Joinville numa fria noite de terça: mais de sete mil pessoas encararam o vento gelado para ver o JEC enfrentar o chato time do ASA. Pena que o clima frio também tenha congelado o time da casa que não mostrou a vibração de outras partidas. Mas não tem tanto problema, já que o chute chorado de Tiago Real desviou em Alex e foi para a rede. Terceira vitória seguida e uma arrancada importante.

Um campeonato tão longo tem disso: todos os times terão maus dias. Hoje o JEC não mostrou nem um pouco do foco e motivação da partida da Ressacada. O ASA deixou sua proposta: montado com uma linha de 3 zagueiros e dois volantes, veio pra jogar fechadinho, tentando achar alguma coisa na frente e arrancar um ponto. Some-se a isso uma marcação que não deixou Eduardo jogar e Lima teve muitas dificuldades. Mas há de se aprender com mais essa dificuldade. Virão outros times que jogarão fechados, ainda mais se o jogo for dentro de Joinville

Depois de um primeiro tempo ruim, o segundo melhorou um pouco. Leandro Campos achou as pequenas trilhas para o gol e passou a explorar esses caminhos. Não foi o suficiente para o abafa, mas ajudou a criar chances. A expulsão do zagueiro do ASA ajudou bastante, abriu um pouco mais de espaço, e Tiago Real, logo ele, que não havia marcado gol algum em dois anos no clube, contou com o desvio de Alex para ir pra galera.

O time pode fechar a rodada no G4 e terá mais um jogo em casa, contra o Ceará, que não tem a mesma postura de jogo. Série B tem disso: más noites podem acontecer, o que não pode ocorrer é perder ponto dentro de casa. Dessa vez, a sorte sorriu para o Joinville. Haverá tempo para Leandro corrigir algumas coisas, principalmente situações de adversários retrancados, e ver como armar a zaga sem Maurício, que arrumou a cozinha lá atrás, que está suspenso.

terça-feira, 5 de junho de 2012

"Futebol de Sutiã" fala de Avaí x JEC, Figueira e Seleção

Terça-feira aqui no Blog é dia dos comentários das meninas do Futebol de Sutiã. Nesta semana, o trio Malu, Alessandra e Paula comenta a partida entre Avaí e Joinville, os preparativos do Figueirense para o confronto com o Corinthians e a derrota da seleção brasileira para o México.


domingo, 3 de junho de 2012

E a zona no Brusque não para

Quando mais a gente reza pra essa zona do futebol brusquense acabar, mais problema acontece.

Ontem, o Carlos Renaux enfrentaria o América pelo campeonato municipal amador, promovido pela Prefeitura. Qual a surpresa dos times ao chegar no Estádio e deparar com os portões trancados pela diretoria do Brusque, que vinha permitindo jogos do tricolor pelo municipal e partidas de competições promovidas pela Prefeitura sem problema algum.

Na foto abaixo, o presidente do Renaux, Juca Loos (blusa azul clara) e do Brusque, Mauricy de Souza (usando o celular ao seu lado), discutem a situação, que acabou no cancelamento do jogo, que terá nova data marcada pela Fundação Municipal de Esportes.


O que eu não entendo é que o próprio presidente do Brusque assinou um documento (acima) enviado pela diretoria do Renaux pedindo a liberação do estádio para os jogos do amador, inclusive escrevendo um "de acordo", e envolvendo atletas da comunidade, a grande maioria torcedora do outrora chamado "Bruscão". Mais combustível para a maior crise da história do clube. Onde isso vai parar?