sexta-feira, 30 de agosto de 2013

A Chapecoense está pronta para a Série A? - Parte 2

Continuando a série de posts que tenta responder perguntas e talvez quebrar alguns mitos sobre a iminente subida da Chapecoense para a Série A.

Parte 2) Dinheiro: É o que move o futebol e que faz times se arrebentarem totalmente ou chegarem ao sucesso, dependendo da competência dos dirigentes. A Chapecoense vive em 2013 um mundo novo, onde nunca arrecadou tanto, devido aos contratos de TV da Série B e dos acordos publicitários, obviamente vitaminados pela exposição de um campeonato de pontos corridos. O que antes era problema, hoje é solução. Entrou dinheiro na casa dos milhões no clube. Aliás, por causa de um milhão de dívidas a Chapecoense correu risco de fechar as portas no passado.

O faturamento do clube com outras fontes também sofreu uma alta interessante. Segundo reportagem de Rodrigo Goulart publicada no jornal "Diário do Iguaçu" no último dia 23, a Chapecoense espera movimentar cerca de R$ 12,5 milhões neste ano. Destes, 25% vem da TV, mais ou menos o mesmo é oriundo dos sócios e pouco mais de 12% vem da publicidade estática, que é limitada por causa da Série B. O passivo é de, aproximadamente, R$ 1,2 milhão. No mundo do futebol de alto rendimento, não é nada. O presidente Sandro Pallaoro ainda acha pouco. Em entrevista ao mesmo jornal, disse que "pelo momento que o time atravessa na Série B, algo inédito na história do clube, tinha que faltar ingresso na Arena Condá. O torcedor precisa abraçar a equipe e lotar o estádio".

Pelo planejamento apresentado, o time vai fechar o ano dentro do caixa planejado. Em caso de acesso, a reviravolta que aconteceu em 2013 vai acontecer com muito mais força em 2014. Somente o valor equivalente ao total movimentado no ano vai vir no cheque da TV. Como na Série A o buraco é mais embaixo e o time precisa ser mais qualificado, o clube terá que incrementar suas fontes de renda. Os patrocínios de camisa, que hoje superlotam o uniforme, terão seus valores revistos. Os valores dos ingressos não poderão ser jogados lá pro céu, já que o torcedor do Oeste, principalmente os de outras cidades, não podem ser sacaneados. Se o acordo com a Caixa for mantido já é um ótimo negócio, já que o valor pago por ela é diferenciado. Caso o mercado local não dê a condição de levantar um valor "padrão Série A", a solução buscada pelo Criciúma é interessante e pode ser copiada: a busca de patrocinadores de fora que topem a marca no uniforme verde, como a Dotz e a Philco. Um departamento de marketing competente será primordial.

E o resto vai da competência do comando do futebol, já reconhecida. Quando estava na Série C, o trio Cadu Gaucho, João Carlos Maringá e Mauro Stumpf montou um time cascudo, comandado por um excelente técnico, que garantiu o acesso e o vice-campeonato estadual. Com mais alguns reforços, vem patrolando na Série B. Caso o acesso à primeira divisão se confirme, eles terão um desafio muito maior: pegar o orçamento disponível e montar um time que certamente sairá desta temporada desfalcado, com o assédio de outros clubes sobre os jogadores com contrato encerrando, como Bruno Rangel. O patamar salarial vai aumentar, o assédio de empresário querendo encaixar jogador também.

A história do futebol já provou que dá pra montar bons times com orçamentos menores, ao mesmo tempo que já apareceram times péssimos com orçamentos milionários. Conciliar orçamento (que será muito maior) e mercado de atletas será o grande desafio da Chapecoense caso chegue na Série A. O nível de exigência será infinitamente maior para se manter no topo.


Um comentário:

  1. Caso a Chapecoense realmente suba, e estamos torcendo que sim, ano que vem sim, será montar um time pra se manter na Série A. Consegue se manter na série A, monta o CT, arruma a casa, dai sim ir pra cima, e sabemos que será muito mais complicado, ficar na série A do que na B, a diferença de valores de um tipo "elite" pra Chape, é gigantesco. Mas como você mesmo falou, as vezes os times milionários, não consegue fazer o mesmo que um time montando com jogadores, que estão querendo se firmar em algum time grande. Força pro nosso verdão!!! --- Audrey!

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