quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Angeloni abre o coração para a realidade do Criciúma

“A situação do Criciúma é difícil. Se a gente continuar na Série A neste ano vai ser um milagre. Acho muito difícil, mas vamos lutar até o fim."

As palavras acima são do presidente do Criciúma, Antenor Angeloni, em entrevista à Rádio Eldorado, nesta quarta. Afirmações de um homem que assumiu o clube por inteiro com o contrato de gestão, apostou numa estratégia na montagem do elenco que poderia dar muito certo ou muito errado. Deu a segunda opção.

Há três meses e uns poucos dias, a torcida recebia, numa manhã de segunda-feira, o ônibus do tricolor, que vinha de Chapecó com um título de campeão estadual. Não bastaram nem cem dias para o panorama mudar totalmente: carros de jogadores foram depredados, enquanto torcedores no estádio vaiam, uns ficam de costas para o campo e pedem a saída de atletas e do dirigente Cícero Souza. O ambiente é de caos, palavra mais pertinente que consegui achar.

E tem jeito? Já vimos casos de times que engatam recuperações fantásticas e escapam do rebaixamento. O Avaí, Figueirense e até o atual campeão Fluminense já passaram por isso. Pra isso tem uma receitinha: uma motivação acima da média, para compensar a falta de qualidade técnica, os reforços pontuais que venham para resolver e a confiança da torcida, que vai ter que vir junto.

Ponto por ponto: na questão motivação, um fato novo precisa aparecer no grupo. Não necessariamente passa pela troca de treinador (apesar de ser o caminho usado por 95% dos dirigentes), mas uma chacoalhada ou lavação de roupa suja ajudam bastante. (Atualização: O Criciúma acaba de confirmar, na manhã desta sexta, a demissão de Vadão) Em alguns momentos, vejo um time sem alma, ou que luta de forma atrapalhada, sem aquele espírito de equipe do catarinense.

Reforços pontuais são complicados de trazer a essa altura. Na Série A, você só vai encontrar jogador encostado. O canal é a B, onde os bons jogadores são difíceis de tirar. Não apareceu ainda, por exemplo, um goleador como Zé Carlos, onde a bola batia na canela e entrava. E nem sei se ele seria o mesmo, caso voltasse.

Por último, o espírito de equipe. Um time que erra tantos passes de forma seguida demonstra algum problema interno. Um time que não vibra, com carência de jogadas ensaiadas e conjunto. Nesse ritmo descompassado, o Tigre caminha de volta para a Série B. Ainda há tempo. O presidente prometeu algo novo até segunda-feira.


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