sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Barbieri é o segundo a cair. E a campanha não era ruim

Divulgação CAM
Luiz Carlos Barbieri foi avisado por telefone que não era mais o técnico do Metropolitano. Há exatamente uma semana, o time era líder do campeonato, se preparava para enfrentar a Chapecoense e, com duas derrotas seguidas, o treinador acabou perdendo o cargo. Não exatamente pelos resultados, mas pelo clima com a diretoria que, segundo conta o pessoal de Blumenau, estava insustentável.

Penso que ele foi demitido pelas palavras. Ele cobrou pra quem quisesse ouvir a contratação de reforços. No gol, por exemplo, ninguém chegou para o lugar de Flávio, que foi para o Fortaleza. Também questionou a preparação física e disse que faltava melhor postura para os atletas. Traduzindo: atirou pra tudo que é lado.

Fiz uma pesquisa rápida com torcedores do Metrô que não concordaram com a demissão de Barbieri, que sete dias atrás era unanimidade e, mesmo o time tendo nove pontos na classificação e a "liderança" na briga pela vaga na Série D, não resistiu.

Acho que a diretoria do Metrô agiu por impulso e não pensou no que o treinador falou, no planejamento ou nas consequências da troca de técnico. Representantes do clube foram atrás de Mauro Ovelha, que balança no Ibirama. OK, Ovelha, como qualquer outro técnico poderá chegar. Mas ele vai fazer o mesmo que Barbieri: pedir reforços. E a diretoria verde vai ter que se mexer para qualificar o time, que mostra que depende demais de Rafael Costa e não tem um plano B.

Dessa vez, o problema não era técnico. Mas como diz aquela velha máxima do futebol, a corda arrebenta no lado mais fraco, o do treinador. A campanha não é ruim até o momento e, realmente, o time precisa de reforços (ainda que o mercado no momento esteja bem limitado). Boa sorte ao novo treinador, seja quem o clube trouxer. Mas é bom o pessoal que comanda o futebol do clube fazer uma profunda autoanálise.


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Chapecoense ou Figueira: um levará o turno

A rodada do meio-de-semana serviu para deixar o Avaí mais longe do título do turno. No ritmo que a Chapecoense está, apenas o Figueirense tem a condição de tentar uma virada, apesar de ter uma tabela mais complicada.

Temos aqui um cenário bem claro: obrigação de vencer os pequenos, e tentar o melhor entre os grandes. Nisso aí aparece o Joinville como um dos diferenciais: enquanto a Chapecoense bateu o JEC fora de casa, os times da capital, dentro dos seus estádios, apenas empataram com o tricolor, e com o mesmo placar.

E com mais uma boa atuação de Rodrigo Gral, a Chape bateu o Juventus e deu mais um passo para garantir a primeira vaga nas semifinais. Faltam três partidas, sendo duas fora de casa, onde o time de Gilmar Dal Pozzo, que mostra o melhor futebol do campeonato, vai para Camboriú de olho no que acontece no clássico. Se o Avaí colaborar, o turno pode vir até com antecipação.

Estive na Ressacada, onde vi um jogo animado entre Avaí x JEC. Sem muitas novidades: o Joinville até marca bem, mas ainda tropeça na falta de eficiência no seu sistema de armação, enquanto o Leão ainda tem problemas de ataque. A dupla Danilo-Rodriguinho ainda não me convence, e acho que tem muito torcedor com a mesma preocupação. O Joinville achou o empate no talento de Marcelo Costa, depois de dois momentos de desatenção, um logo após fazer o primeiro gol, e outro no primeiro lance do segundo tempo. Para o Avaí, péssimo resultado, pois poderá chegar a 4 pontos de distancia da Chapecoense se vencer o jogo atrasado contra o Guarani. Para o JEC é um resultado que dá tranquilidade para Artur Neto trabalhar. Contra o Criciúma, ele terá a volta de Lima e a chegada de Matheus Carvalho, vindo do Fluminense.

Lá em Ibirama, o Figueirense fez seu dever e venceu o Atlético, time que é a maior decepção do campeonato, com grande investimento e resultado mínimo. A perseguição continua, mas a derrota para o Metropolitano em Blumenau, onde a Chapecoense venceu, faz a diferença, hoje.

E o Metropolitano perdeu a segunda seguida para o Camboriú. Pessoal de Blumenau acha que pode ter gente querendo derrubar Barbieri e até se fala no nome de Mauro Ovelha. Aquele time que era líder e vivia em estado de graça virou grupo em crise. Esses 10 dias sem jogos podem trazer mudanças por lá.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Majestoso fechado, campeonato (mais) bagunçado

Rogério Dimas / Rádio Difusora
A decisão da diretoria do Criciúma de fechar o Estádio Heriberto Hulse para a partida contra o Guarani foi uma atitude forte da diretoria tricolor. Eu entendo que o jurídico do clube, temendo que o Ministério Público fizesse o que fez em Palhoça, resolveu pedir o cancelamento logo para não correr riscos e, de quebra, jogou a responsabilidade para todos os envolvidos. O discurso bonzinho do competente Dr. Albert Zilli é uma estratégia muito inteligente, diga-se de passagem.

É um aviso: ou se chuta o balde de vez e se parte pra resolver esse problema urgentemente e levar o campeonato até o final, ou ele não termina, com a falta de datas disponíveis no apertado calendário brasileiro. Já que a Federação não resolve, os clubes precisam tomar essa iniciativa.

Eu fico pensando o quão feliz deve estar a Chevrolet, que investiu 300 mil reais para associar o seu nome a um campeonato que trave cai e jogo é transferido por falta de segurança, virando manchete negativa Brasil afora. O campeonato pode muito bem se chamar "Chevetão 2013".


terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Agência bloqueia parte dos direitos da TV do Catarinense

Campeonato Catarinense é assim: a cada rodada, uma emoção diferente.

Nós trouxemos aqui no Blog toda a novela envolvendo a venda dos direitos de transmissão do Estadual para os próximos cinco anos. Valor de R$ 4 milhões anuais. Eu havia trazido aqui que a Propague, agência de propaganda que mantém contrato com a Associação dos Clubes, tinha direito por contrato de levar 12% de todos os contratos firmados. Isso daria a bolada de R$ 480 mil.

Acontece que os clubes argumentam que o contrato com a Propague acabou, e a agência acionou todos os clubes na justiça, conseguindo que os 12% da comissão sejam separados e depositados em juízo. Caso os clubes já tenham recebido o dinheiro da TV, eles terão que devolver essa percentagem para uma conta judicial.

Para os clubes pequenos, é muita coisa. É dinheiro contado que poderá não pingar mais na conta. E se já pingou, terá que ser devolvido.

Mais um longo dia no futebol, juntando com o cancelamento do jogo Criciúma x Guarani.

O processo corre na comarca da Capital, sob o no. 023.13.006263-7

UFC Joinville: Lima x Artur Neto


Nesse mês que estou trabalhando em Joinville, tenho entendido muita coisa dos bastidores do tricolor que, a distância, não apareciam tanto. Eu tenho notado uma expectativa muito grande do torcedor sobre o trabalho do presidente Nereu Martinelli, que é um verdadeiro pára-raio do clube: tudo o que acontece de ruim, cai diretamente sobre a sua cabeça. Efeitos de quem não tem, por exemplo, um diretor de futebol pra dividir a bronca.

E a principal coisa que eu notei nos últimos dias é que o atacante Lima não é a unanimidade que eu pensava que fosse lá. Claro que imaginava pessoas reticentes ao camisa 9, mas não na proporção que eu tenho sentido junto ao torcedor. Tanto que no jogo contra o Ibirama, no sábado, grande parte da torcida vaiou a organizada União Tricolor, que naquele momento entoava o nome do jogador.

Mas quando se mexe com o nome de um jogador que tem sua história escrita no clube, há de se levar o assunto com cuidado. Faltando sete gols para igualar o recorde histórico de Nardela, Lima vive um momento sui generis nesses cinco anos de clube: encara um treinador que declaradamente está em pé de guerra com ele. E hoje está assim: Lima diz que Artur o persegue, dizendo que ele não está em forma. Por outro lado, Artur faz questão de deixar claro que ninguém tem regalia. Nesse cenário, como a foto acima, o presidente Nereu fica tentando resolver o problema do ego dos dois. Dentro do elenco, Lima tem defensores, como o lateral Eduardo, que desabafou ao final do jogo de sábado.

Certo é que, hoje, se o JEC ainda não rendeu com Lima, fica pior sem ele. Os reservas, Ronaldo e Bruno Veiga, pouco mostraram para fazer merecer a posição de titular. E diante da falta de gols do setor ofensivo do time, alguém deveria ser "culpado" pelo pobre futebol. Artur escolheu centrar as baterias em Lima, além de dar bolas fora na entrevista coletiva, do tipo "o time jogou bem" ou "Ronaldo fez uma ótima partida", sem ter chutado uma bola sequer a gol.

Time rachado desse jeito não vai pra frente. Lima já disse que não sai do clube, e Artur vai permanecendo, mesmo não mostrando um excelente futebol. Quem vai levar a melhor nessa "luta" eu não sei, mas a solução tem que aparecer, rápido. Não tem coletivo que sobreviva a uma briga dessa por muito tempo.


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Chapecoense tem o melhor caminho para levar o Turno

Divulgação CA Metropolitano
Com quatro vitórias em cinco rodadas, a Chapecoense é líder isolada do primeiro turno do Estadual com uma importante vantagem de dois pontos sobre o Figueirense (e o Avaí, caso vença o jogo atrasado contra o Guarani). Não dá pra bancar que o time levará o turno. Ano passado, ao fim da mesma quinta rodada, o Verdão do Oeste havia vencido todas as partidas, mas acabou sendo ultrapassado pelo Figueirense. Faltam quatro jogos, mas não pode subir no pedestal.

É fato que o caminho é menos tortuoso, pra não ter que dizer que é mais fácil. A Chape já pegou os quatro grandes, bateu o Metropolitano em Blumenau e agora terá pela frente quatro times que estão em má situação: Juventus (C), Camboriú (F), Guarani (C) e Ibirama (F). O Figueirense, por exemplo, ainda terá um clássico pela frente e uma partida contra o Criciúma, enquanto o Avaí, além de pegar o arquirrival, terá JEC e Metropolitano pela frente.

Enfrentar time em má situação na tabela pode ser fácil se a seriedade for mantida. É o tipo de jogo que se enfrenta um franco-atirador, não tão organizado mas com a motivação de aprontar. E aí você pode incluir todos os tipos de fatores, incluindo a arbitragem, que conseguiu neste final de semana a proeza de dar um gol de mão do Figueirense contra o Cambura.

Gilmar Dal Pozzo faz um ótimo trabalho, tem um time consistente, sem estrelas e um elenco muito bem ajustado. Tem tudo para levar a primeira vaga nas semifinais, sem mandar nenhum jogo dentro do seu estádio, em reformas.

Teve jornal hoje já dando a manchete de Chapecoense campeã. Ainda não é pra tanto. Mas que o time está no caminho certo, não há como negar.


Quem tem razão no jogo cancelado em Palhoça

Jamira Furlani / Avaí FC
O pessoal do Guarani estava feliz da vida que ia fazer uma boa renda ontem no jogo contra o Avaí. Só que uma ordem judicial entregue ao meio-dia melou tudo. O jogo vai acontecer em outro dia. O Ministério Público de SC conseguiu, via justiça comum, interditar o Estádio Renato Silveira, mesmo depois do local receber duas partidas (contra Figueirense e Camboriú). Tá certo isso?

Vamos a alguns pontos que são necessários destacar:

1) O jogo vai acontecer em outro dia, provavelmente na quarta-feira de cinzas. O jogo não aconteceu e o árbitro vai relatar ao TJD, que vai remarcar a partida. A razão é simples: o MP rejeitou todos os laudos dos estádios do Estadual, é verdade, mas o TJD baixou liminar liberando todos, ou seja, para a justiça desportiva, está tudo OK com o Estádio do Guarani. Antes, o Ministério Público trabalhava em convênio com a FCF para vistoriar os estádios. Agora, a situação é em outra esfera. Na sexta-feira, o MP ingressou com a ação na Comarca de Palhoça. O TJD tem um entendimento bem claro nesse assunto.

2) O MP agiu de forma muito estranha neste caso. Voltamos ao ponto: perante eles, todos os estádios foram rejeitados. Mas sem soltar uma notinha no site ou avisar que iria pedir a interdição do estádio por causa de alguma suposta irregularidade, o pessoal vai lá, sem ninguém saber, e consegue a ordem judicial, ainda sustentando que o Estádio tinha arquibancadas metálicas, que foram retiradas antes do jogo contra o Figueirense, na primeira rodada.

3) Em sua decisão, a juíza levanta o que aconteceu em Santa Maria para dar sua decisão. São casos bem diferentes e, relembrando, perante a justiça desportiva, que tanto se prega que deve trabalhar nesses casos, estava tudo OK. Mas nesse caso, eu acho que ela foi induzida ao erro.

Todo mundo perde nesse caso: o campeonato em si, que acumula mais um episódio de várzea, já que o jogo teria transmissão ao vivo pela TV Aberta e aquele papelão aconteceu; o torcedor, que perdeu sua tarde de domingo para ir a um jogo que não teve; o Guarani, que vai ter prejuízo com a remarcação do jogo e o próprio Avaí, que disputará um jogo no meio da semana antes do clássico, e perderá o zagueiro Alex Lima para o jogo contra o Joinville. Seguindo a tendência de casos semelhantes, como a partida contra o Guarani não aconteceu, o zagueiro pagará a suspensão no jogo seguinte.

Com todo o respeito ao pessoal do Ministério Público, mas me pareceu um ato de oportunismo e até falta de bom senso, pois os problemas poderiam ser apontados e discutidos com antecedência, sem a necessidade de uma ação judicial "de surpresa", de certa forma induzindo a magistrada a erro, já que as tais metálicas já não estão no Renato Silveira há tempo. Se queriam holofotes, conseguiram. Como explicar o fato de um estádio ter recebido duas partidas sem problema algum e ser interditado dessa forma na quinta rodada?