sábado, 31 de agosto de 2013

Foi acidente de percurso em Chapecó?

Aguante Comunicação / Chapecoense
A Chapecoense perdeu para o Icasa e pôs fim a uma sequência de mais de nove meses sem perder dentro da Arena Condá. Para quem tem gordura sobrando na classificação, a derrota dói sim, mas não há motivo pra terra arrasada, muito menos para chamar o time de cavalo paraguaio.

Considero um acidente de percurso, que pode ter sido potencializado pela presença do Milton Neves na arquibancada (não podia escrever esse post sem mencionar esse fato. Claro que uma coisa não tem a ver com outra).

O time de Gilmar Dal Pozzo não fez por merecer coisa melhor. Talvez um empate. Pegou um time fechadinho, que foi muito feliz na marcação, que fez 1 a 0 em uma improvável cabeçada no ângulo de Tadeu. O empate veio logo depois, com o segundo gol seguido de André Paulino no campeonato.

No segundo tempo, Gilmar tentou fazer o pálido ataque funcionar, colocando Rodrigo Gral no lugar de Caion, que pouco rendeu. Quero crer que a ausência da dupla Bruno Rangel - Fabinho Alves tenha sido o motivo da derrota. Se for só isso, eles voltam e o time retoma a velocidade.

Perder nunca é bom, mas as vezes umas derrotas assim servem pra chamar a atenção que cada jogo é uma decisão e que o time não vai ganhar ao natural. Tem um returno inteiro pela frente e a Chapecoense ainda é favorita a subir, jogando como time grande, pra cima dos adversários. Agora não é hora de se apequenar. Derrotas fazem parte do contexto.


Com bom público, Avaí cumpre obrigação e segue em frente

Jamira Furlani / Avaí FC
Contra o lanterna, virtual rebaixado, nenhum time pode pensar em perder ponto. Jogue feio, jogue bonito, mais vença. Com ingresso a preço reduzido, torcedores atenderam o chamado.

E veja só, contra o fraco ABC, o Avaí foi só o segundo catarinense a vencer. A Chapecoense foi a primeira. O JEC não passou de um zero a zero e o Figueira deu aquele vexame em Natal. Contra adversários diretos, obrigação cumprida e pontos perdidos dos concorrentes.

Não teve espetáculo mas ganhou, com um frango do goleiro e um gol de pênalti de Cléber Santana, o melhor em campo que saía da mesmice do time que parecia travado. Aliás, foi um jogo bem ruinzinho.

O clube vai comemorar os seus 90 anos batendo na porta do G4, com bons resultados nas últimas rodadas e a promessa de um bom returno.

Ainda falta um bom bocado pro time ser de confiança e ter um convincente padrão de jogo. Mas entrar na segunda parte do campeonato perto da zona de acesso não pode ser desconsiderado. Se o time se acertar de vez, entra com tudo na briga lá no sprint final. Mas não vai poder repetir uma atuação abaixo da média como contra o ABC. Acontece que o adversário é fraco demais, vai com certeza pra Série C.

Terça tem jogo difícil, contra o surpreendente Boa Esporte, lá em Minas, onde o líder Palmeiras sucumbiu.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

A Chapecoense está pronta para a Série A? - Parte 2

Continuando a série de posts que tenta responder perguntas e talvez quebrar alguns mitos sobre a iminente subida da Chapecoense para a Série A.

Parte 2) Dinheiro: É o que move o futebol e que faz times se arrebentarem totalmente ou chegarem ao sucesso, dependendo da competência dos dirigentes. A Chapecoense vive em 2013 um mundo novo, onde nunca arrecadou tanto, devido aos contratos de TV da Série B e dos acordos publicitários, obviamente vitaminados pela exposição de um campeonato de pontos corridos. O que antes era problema, hoje é solução. Entrou dinheiro na casa dos milhões no clube. Aliás, por causa de um milhão de dívidas a Chapecoense correu risco de fechar as portas no passado.

O faturamento do clube com outras fontes também sofreu uma alta interessante. Segundo reportagem de Rodrigo Goulart publicada no jornal "Diário do Iguaçu" no último dia 23, a Chapecoense espera movimentar cerca de R$ 12,5 milhões neste ano. Destes, 25% vem da TV, mais ou menos o mesmo é oriundo dos sócios e pouco mais de 12% vem da publicidade estática, que é limitada por causa da Série B. O passivo é de, aproximadamente, R$ 1,2 milhão. No mundo do futebol de alto rendimento, não é nada. O presidente Sandro Pallaoro ainda acha pouco. Em entrevista ao mesmo jornal, disse que "pelo momento que o time atravessa na Série B, algo inédito na história do clube, tinha que faltar ingresso na Arena Condá. O torcedor precisa abraçar a equipe e lotar o estádio".

Pelo planejamento apresentado, o time vai fechar o ano dentro do caixa planejado. Em caso de acesso, a reviravolta que aconteceu em 2013 vai acontecer com muito mais força em 2014. Somente o valor equivalente ao total movimentado no ano vai vir no cheque da TV. Como na Série A o buraco é mais embaixo e o time precisa ser mais qualificado, o clube terá que incrementar suas fontes de renda. Os patrocínios de camisa, que hoje superlotam o uniforme, terão seus valores revistos. Os valores dos ingressos não poderão ser jogados lá pro céu, já que o torcedor do Oeste, principalmente os de outras cidades, não podem ser sacaneados. Se o acordo com a Caixa for mantido já é um ótimo negócio, já que o valor pago por ela é diferenciado. Caso o mercado local não dê a condição de levantar um valor "padrão Série A", a solução buscada pelo Criciúma é interessante e pode ser copiada: a busca de patrocinadores de fora que topem a marca no uniforme verde, como a Dotz e a Philco. Um departamento de marketing competente será primordial.

E o resto vai da competência do comando do futebol, já reconhecida. Quando estava na Série C, o trio Cadu Gaucho, João Carlos Maringá e Mauro Stumpf montou um time cascudo, comandado por um excelente técnico, que garantiu o acesso e o vice-campeonato estadual. Com mais alguns reforços, vem patrolando na Série B. Caso o acesso à primeira divisão se confirme, eles terão um desafio muito maior: pegar o orçamento disponível e montar um time que certamente sairá desta temporada desfalcado, com o assédio de outros clubes sobre os jogadores com contrato encerrando, como Bruno Rangel. O patamar salarial vai aumentar, o assédio de empresário querendo encaixar jogador também.

A história do futebol já provou que dá pra montar bons times com orçamentos menores, ao mesmo tempo que já apareceram times péssimos com orçamentos milionários. Conciliar orçamento (que será muito maior) e mercado de atletas será o grande desafio da Chapecoense caso chegue na Série A. O nível de exigência será infinitamente maior para se manter no topo.


quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Segundona: STJD põe ordem, e vale o que aconteceu no campo

Em decisão apertada, o STJD decidiu na tarde de hoje absolver Brusque, Concórdia e Hercílio Luz das acusações de escalação de jogadores irregulares na Divisão Especial. A denúncia, feita pelo Marcílio Dias, tinha sido acatada pelo pleno do TJD catarinense.

Traduzindo: ninguém perde ponto e vale o que está no campo. No final de semana acontece a última rodada da fase de classificação. Tudo indica que Tubarão e Concórdia se juntarão ao Brusque e ao Marcílio Dias, que já estão no quadrangular.

A situação de momento é a seguinte:

Brusque - Classificado como campeão do primeiro turno. Leva um ponto extra para o quadrangular final e decidirá o acesso em casa.

Marcílio Dias - não tem chance de levar o returno, mas já garantiu uma das duas vagas pelo índice técnico

Tubarão e Imbituba brigam pelo título do returno. Estão empatados em pontos e no saldo de gols, e enfrentam os piores times do campeonato, XV de Indaial (já rebaixado) e Porto, respectivamente. A conta é simples: quem fazer o maior placar, leva a vaga e um ponto extra no quadrangular.

O Tubarão, se não vencer o returno, classifica-se pelo índice técnico. Caso o time da Cidade Azul fature a fase, o Concórdia dependerá de um empate com o já morto Hercílio Luz para entrar na última vaga do retrospecto.

Tudo indica que, no final das contas, os quatro times considerados favoritos lá no início disputem as duas vagas na elite em 2014. Serão seis rodadas decisivas.

A Chapecoense está pronta para a Série A? - Parte 1

Já ouvi de todos os lados essa pergunta. Jornalistas de outros estados me perguntam qual o segredo da Chapecoense, e se ele tem alguma chance de fazer graça na Série A de 2014, caso suba. A análise é longa, tem vários fatores nisso, e o Blog vai analisar isso em alguns posts. Podem ser dois, três ou quatro, mas vou passar algumas coisas que coletei e gostaria de compartilhar com vocês.

Parte 1 - A torcida: a Chapecoense tem um grande mercado consumidor, ou torcida suficiente? Para achar a resposta disso, eu vou levar o papo até Goiânia. Estive lá duas vezes, e tive uma contestação: as torcidas de Vila Nova (da Série C) e do Goiás são infinitamente maiores que a do Atlético-GO, que não consegue levar grandes públicos ao Serra Dourada, exceto jogos contra times grandes. Neste ano, o time tem uma terrível média de 1.800 torcedores naquele lindo e gigante estádio. Mesmo com uma torcida pequena, o time ficou alguns anos na Série A.

Claro que a praça é bem maior, mas eu não vi torcedor do Dragão na rua lá em Goiânia (e olha que eu procurei). Aí vem a primeira constatação: torcida gigante não diz muita coisa. Além do mais, a Chapecoense tem feito um trabalho muito importante em toda a região Oeste para trazer torcedores que sejam consumidores, e pelo que constatei, estão consumindo itens licenciados, que rendem royalties ao clube. Além do mais, Chapecó, a cidade sede, tem uma população bem parecida com a de Criciúma, só pra citar um exemplo.

Agora, olhando de forma mais ampla o mercado, e voltando às comparações: Chapecó tem aproximadamente 200 mil habitantes, em uma região de, pelo menos, 500 mil pessoas, entre torcedores e público que tem o potencial de aderir à causa verde. Enquanto isso, Campinas, com seu um milhão de habitantes, tem dois times, que sofrem com a grande concorrência dos times grandes da capital. A Ponte Preta está na Série A, mas o Guarani, que já foi campeão brasileiro, caiu para a Série C e vive uma crise sem precedentes com abandono de torcedores.

Se a Chapecoense tem uma torcida equivalente à do Atlético-GO, uma gestão bem mais eficiente que um ex-campeão brasileiro que divide a torcida com um rival na cidade e um mercado promissor, a resposta da pergunta é: sim, a Chapecoense tem torcida suficiente em um ambiente que lhe permite crescer ainda mais.

Ainda falta falar em estrutura, montagem de time de futebol e dinheiro. Nos próximos posts.


quarta-feira, 28 de agosto de 2013

JEC e Chapecoense vencem e convencem. E o Figueirense tem Neneca

Superesportes.com.br 
Três catarinenses jogaram fora de casa nesta terça, e dois venceram. Bom desempenho, e ainda mais com duas vitórias convincentes.

Começando com o jogo que vi. O Joinville mostrou mais volume de jogo que o América-MG e mereceu a vitória no Independência, com dois gols de oportunismo de Lima, atacante que conhece do assunto e sabe se posicionar como poucos. Um time que venceu com uma escalação bem diferente, com Ricardo Drubscky reforçando a marcação com Marcos Winicius no meio e Bruno Costa, um zagueiro, deslocado pra lateral esquerda. Com a bola rolando, deu pra entender a tática: buscar um equilíbrio defensivo no time, para que a turma da frente não se preocupasse em voltar. Os buracos das laterais acabaram fechados, e a dupla Wellington Bruno - Marcelo Costa pode trabalhar em paz. Aí Lima deu um jeito de garantir a vitória no segundo tempo.

Constatações interessantes que trazem esperanças ao torcedor tricolor: a zaga não toma gols há três jogos (Diego Jussani parece estar recuperando o futebol perdido), Lima está em boa fase, com Edigar Junio sendo, finalmente, um bom companheiro de frente, e a tabela traz a esperança do time entrar com tudo no G4 nas cinco próximas rodadas, onde só enfrenta times da parte de baixo da tabela. O JEC ainda não é uma maravilha, não se compara aos líderes. Mas achou um caminho, e está encontrando opções. Vai achando uma sequência para tentar o bote no sprint final.

Em Natal, a Chapecoense fez o que lhe era esperado. Contra um time desesperado, não se apequenou e venceu por 1 a 0, gol de André Paulino. Chama a atenção o fato do time manter o poder de fogo sem Bruno Rangel e Athos, com várias opções de jogadas. Como disse um tempo atrás, agora o time de Gilmar Dal Pozzo tem que partir pra cima dos outros como um time grande e temido. E contra times fracos, tem que patrolar. E o resultado derrubou Argel Fucks, que ficou apenas alguns dias em Natal. E como o Mecão contratou Pintado como seu substituto imediato, parece que o caminho é para a Série C.

Por fim, o Figueirense, que perdeu para o ASA. Sem analisar o jogo todo, me fica uma dúvida: o que o Figueira quer com um goleiro como Neneca, que nunca foi destaque em lugar nenhum, dispensando os serviços de Wilson (pegando muito no Vitória), Ricardo (mandado pro Icasa) e Volpi? Ele é a melhor opção hoje? Em Arapiraca, mostrou que não, falhando e ajudando no resultado. Contra times assim, não se perde ponto. Pode fazer falta lá na frente. E parabéns pra quem contratou um goleiro de tão baixa qualidade.


domingo, 25 de agosto de 2013

Novos técnicos, novos reinícios?

Luiz Henrique / Figueirense FC
Tanto Criciúma quanto Figueirense venceram seus jogos de sábado a noite sob a esperança de um novo reinício depois da saída dos seus treinadores. Ainda que o Tigre tenha um interino, o ambiente visivelmente mais leve colaborou para as duas vitórias.

O Figueirense, perante o pior público dos últimos anos no Scarpelli (1.821 torcedores) só precisou do primeiro tempo para vencer o fraco Oeste. Numa noite que tinha tudo pra ser complicada por causa dos protestos e do recente episódio de agressão relatado neste Blog no post anterior, o time patrolou o adversário em 45 minutos, com grande atuação de Tchô (um dos agredidos), e gols de Rafael Costa e Ricardo Bueno. Nada mal para aliviar o ambiente nesse início de era Vinicius Eutrópio, que terá problemas para pegar o ASA, com vários desfalques.

E a vitória veio em hora boa. Palmeiras, Chapecoense e Sport perderam, e a parte de cima embolou um pouquinho. Uma arrancada se baseia numa boa sequência. A primeira vitória foi pra aliviar, agora é construir um time confiável.

Já o Criciúma bateu o Coritiba também construindo o placar no primeiro tempo, com direito a gol de bicicleta e um de Suéliton, aquele que era craque no estadual e virou alvo da torcida no Brasileiro. Tá certo que o Coxa, chegou ao quinto jogo sem vencer, mas o Tigre conquistou uma vitória que satisfez o torcedor que estava revoltado, dando um clima um pouco melhor para o novo técnico que chegar. Falta um longo caminho para a fuga do rebaixamento, até porque o time perdeu muitos pontos em casa, mas é possível chegar ao milagre que o presidente Angeloni mencionou nesta semana. Tem que ter fé e muito trabalho.