sábado, 21 de setembro de 2013

Alerta para a Chapecoense e pequena esperança para o Figueira

Tribuna do Norte
Sábado de sentimentos antagônicos. Enquanto faltou futebol e entrega da Chapecoense para vencer o lanterna ABC em Natal, o Figueirense buscou energia lá do fundo para vencer o Paraná e ter ainda um pouco de esperança.

No Frasqueirão, o time de Gilmar Dal Pozzo simplesmente não jogou futebol. Assistiu o fraco adversário jogar bola, sem oferecer resistência. De quebra, perdeu mais um goleiro por lesão e terá que ir ao mercado buscar outro para o restante do campeonato. Pra resumir um pouco mais: o futebol que sobrou naquela goleada contra o São Caetano faltou, e muito, em Natal. O raciocínio é simples: enquanto os outros times da briga pelo acesso marcarão pontos contra o lanterna, a Chape passou zerada nesse quesito. A gordura ainda existe, mas não dá pra tratar o acesso como algo que vai acontecer ao natural. O futebol verde simplesmente inexistiu lá na Ponta Negra.

Marco Santiago / Notícias do Dia
Já o Figueirense deu sinais que poderá dar um caldo ainda nesse ano, ainda que a distância para o grupo de acesso seja bem grande. Não foi um partidaço, mas vencer um time do G4 dá um bom estímulo para o torcedor, que foi em número pequeno pro estádio. A esperar se o meio-campo alvinegro vai ganhar corpo, o ataque vai voltar a funcionar como no início do campeonato e a cozinha lá atrás vai se acertar. O alvinegro ainda é zebra, mas vai que os resultados aparecem e pode rolar uma graça lá no final. Vai saber.



Avaí soube ler os defeitos do JEC para vencer na Arena

Luciano Moraes / Notícias do Dia
Apenas jogar bem não basta para vencer uma partida. Saber analisar os defeitos do adversário e investir naquele caminho é, por muitas vezes, uma saída inteligente. E esse foi o caminho que o Avaí trilhou para bater o Joinville na Arena. Encontrou as falhas, jogou por ali e fez 2 a 0, sobrevivendo na luta pelo acesso.

Os erros que ajudaram o Avaí a vencer vem da inexplicável cabeça de Ricardo Drubscky, técnico do Joinville. Eu não entendo: o time vem rendendo bem, conquistando pontos sem dar espetáculo e, do nada, ele inventa Ricardinho, jogador cujo futebol está bem aquém do esperado, como titular. Em 34 minutos, ele viu o tamanho da lambança que fez e queimou uma troca, colocando Liguera. E teve o lance do pênalti, que mudou o jogo. Todo mundo sabe que o batedor oficial do time é Marcelo Costa. Drubscky deixou Lima bater e a bola foi na trave.

Aí, o Avaí foi achando espaço, principalmente na direita, onde Eduardo deixava muito espaço nas suas costas. Sem uma marcação eficiente, Héracles deitou e rolou por ali, deixando a zaga em situação complicada. Some-se aí os erros de Sandro, e o Leão fez 2 a 0. Liguera fez um gol no final, mas tarde demais em uma noite em que tudo deu certo para um, e muito errado para outro.

Lições do jogo: para o Joinville, fica o recado para o treinador que o importante em uma boa campanha é a sequência. Não é a primeira vez que ele tira coelho da cartola na escalação inicial que não dá certo. A gordura do tricolor acabou, e o time vai precisar, de novo, buscar pontos fora de casa, preferencialmente na semana que vem, contra Sport e Chapecoense.

Já o Avaí ganha uma boa vitamina para ainda sonhar com a Série A. Vencer o JEC, sem Marquinhos, debaixo daquela chuva, dentro da Arena, não é pouca coisa. Ainda que os próximos jogos não acontecerão naquela situação, a motivação dessa vitória é enorme.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Terça de rodada-aperitivo do JEC x Avaí de sexta-feira

Tribuna do Norte
Já que os aeroportos e cartolas não quiseram que Chapecoense e Figueirense se enfrentassem no Condá, Joinville e Avaí, times que vão se enfrentar com casa cheia na Arena sexta-feira jogaram, e cada um com um sentimento. Enquanto um toma goleada em casa, outro volta do nordeste satisfeito com os quatro pontos trazidos no bagageiro do avião.

Começo com o Joinville em Goianinha. Tipo do jogo que as circunstâncias ajudaram o JEC e, por pouco, não resultaram em vitória. O time não se encontrou no primeiro tempo. Errando muitos passes, o Joinville deixou o América-RN gostar do jogo e fazer um gol, em falha de marcação que deixou Mazinho sozinho para fazer 1 a 0. Esperava-se uma reviravolta no segundo tempo, mas o time pouco mudou. Para segurar o resultado, Pintado colocou mais um zagueiro, enquanto Ricardo Drubscky se atirou para o ataque. Logo depois, em uma falta pela esquerda, Diego Jussani aproveitou um rebote para empatar, e como o Mecão não tinha mais força, o JEC quase conseguiu virar, tendo um gol anulado que até agora me dá dúvida.

Mas considerando os quatro pontos trazidos dos dois jogos do Nordeste, tá ótimo. O time tem duas partidas em casa, contra Avaí e Guaratinguetá, onde pode subir e se estabilizar no G4. O jogo de sexta é o mais importante, pois pode brecar de vez uma subida do adversário.

Subida que ficou mais complicada na Ressacada. O Avaí pegou o líder, saiu na frente, mas acabou tomando quatro. Vi pouco do jogo, mas o Leão esbarrou em um time do G4 sem oferecer muita resistência. Faltou perna e qualidade, e o Palmeiras tem um tal de Valdivia que desequilibra. Uma coisa é bater times da parte de baixo. Outra é passar por times que estão na turma de acesso e, logo, são os reais adversários a bater.

Por isso que o jogaço de sexta na Arena é importante pros dois times. Um quer se manter no topo e na sequência de bons resultados. Outro quer recuperar terreno e mostrar que ainda dá pra sonhar com o acesso.


segunda-feira, 16 de setembro de 2013

O "Fator Aeroporto" que mexe na Série B

Aeroporto de Chapecó hoje a tarde / Foto: Renan Agnolin
E mais uma vez, o fechamento do Aeroporto Serafim Bertaso, de Chapecó, mexe com a tabela da Série B do Brasileiro.

O Figueirense, que por várias e várias vezes encarou a BR-282 para jogar no Índio Condá, não conseguiu descer no Oeste hoje, não quis ir de ônibus, reclamou para a CBF, e conseguiu o que queria: jogou a partida para 22 de outubro, daqui a mais de um mês.

Muda muita coisa: até lá os times estarão em outro momento. Enquanto a Chapecoense poderá carimbar o acesso nesta partida atrasada, o Figueirense poderá já estar em ritmo de férias ou brigando por alguma coisa. A Chape queria a partida na quarta, e perdeu a queda de braço.

Em todos os campeonatos da CBF, é o único caso em que rodadas são transferidas por causa de fechamento de aeroporto. A própria Chapecoense, na primeira rodada, teve que ir de ônibus até Curitiba para embarcar rumo a Varginha. Com os adversários, o tratamento é diferente. Isso precisa ser de alguma forma revisto para não acontecerem tantas alterações de tabela. Eu mesmo já fui vítima do aeroporto fechado, cheguei a sobrevoar a cidade, voltei e peguei o ônibus em Florianópolis. A Prefeitura Municipal, que administra o local, precisa ver alguma maneira de instalar aparelhos que permitam o pouso com menor visibilidade.

E pensando em Série A em 2014, esse problema terá que ser solucionado, pois a exigência de horários, com calendários bem mais apertados, é muito maior. E a CBF precisa apertar a marcação: se não tiver teto, o jeito é o voo rasteiro. Se durante décadas os times que iam a Chapecó fizeram isso, porque não podem fazer o mesmo agora?


Video: Por que falta muito pro futebol catarinense evoluir

Meia-noite, chegando em casa do trabalho depois de editar umas imagens.

Mas não são imagens de gols, comemorações ou da emoção do futebol. São cenas de erros de arbitragem, revolta e sinais de que falta muito pro futebol de Santa Catarina evoluir.

Graças à organização individual dos clubes do Brasileirão, eles vão bem, sem dúvida. Representam bem o Estado sem precisar se agarrar à estrutura corroída e falha de quem gerencia o futebol por aqui. E não me venha dizer o contrário. Esses clubes das Séries A e B "matarão as saudades" dos problemas locais ano que vem, quando voltarem ao Campeonato Catarinense.

As divisões de baixo do Estadual já tiveram jornalista agredido (que acabou demitido do seu trabalho depois), invasão de campo, gramado com 15cm de água e até time tomando 14 gols em um jogo. Mas nada se compara ao que aconteceu em Brusque neste domingo. Por causa de um pênalti escandaloso marcado pelo árbitro Edson da Silva, uma série de acontecimentos aconteceu no renovado Estádio Augusto Bauer, no clássico Brusque x Marcílio Dias que, diga-se de passagem, corria na paz e sem maiores problemas, com o time da casa jogando bem, vencendo por 2 a 0, até dois pênaltis e duas expulsões serem assinaladas. O árbitro estragou tudo. O vídeo está abaixo. Teve bombona voando no campo, dirigente tomando bordoada de PM e até o proprietário das lojas Havan querendo que o time saísse de campo. O clube vai ser punido (e tem que ser, teve invasão e tudo). Mas o árbitro vai tomar uma geladeirinha e ser tratado como um "talento" por quem é responsável pela preocupante falta de preparo e boa renovação na arbitragem catarinense.

Confesso que, ao sair da TV e escrever esse texto, pensei: "tô de saco cheio". Mas sou teimoso e não desisto. Um dia esse nosso futebol vai melhorar. Quando, eu não sei. Espero estar vivo pra ver árbitros preparados, bons jogos e um mínimo de organização.

Editei em HD uns minutos do que aconteceu ontem. Divirtam-se e boa noite.