sexta-feira, 4 de outubro de 2013

O regulamento-monstro criado pelos clubes para o Catarinense 2014

Num primeiro observar, o novo regulamento do Campeonato Catarinense proposto por metade dos clubes soa como interessante, como um bichinho bonitinho e diferente. Mas analisando a fundo os seus caminhos tortuosos, pode surgir um monstrengo capaz de fazer muito time reclamar. Se antes tínhamos uma fórmula que não dava ao campeão de dois turnos o título, agora temos um campeonato que o primeiro, segundo e o quinto colocados vão pra Copa do Brasil.

Regulamento pensado pelos clubes, que escancararam que estão rachados, sem pensar nas consequências futuras. Vamos dar uma observada? Abaixo, algumas possibilidades:

- Fase de classificação, iniciando em 26 de janeiro, com os dez clubes jogando em turno único: para aumentar um pouco a pré-temporada, os clubes grandes inventaram esse turno único, que dá a cinco deles a vantagem de fazer (e faturar) com um jogo a mais dentro de casa. Só se sabe que o Figueirense receberá (e faturará sozinho) o clássico contra o Avaí, por exemplo. Não se sabe quem o JEC vai receber ou onde o Criciúma jogará fora de casa, por exemplo. Como as tabelas do Estadual são dirigidas e não sorteadas, aparece aí o primeiro problema.

Seguindo: é sabido que os clubes pequenos iniciam suas pré-temporadas em novembro e, por consequência, entram no Estadual em melhor condição técnica e física. Duas semanas, por exemplo, já representam quase metade da fase de classificação. Voltamos à tabela, onde a montagem dela pode influenciar: pegar os clássicos primeiro pode ser melhor do que os pequenos mais bem preparados, vide a Chapecoense no ano passado. Sem um returno para recuperação, pode ter time grande entrando em crise já na quarta ou quinta rodada. A chance de um pequeno surpreender é grande. E como classificam-se quatro, um grande obrigatoriamente vai morrer em um mês e meio. E se um pequeno surpreender, vai ter mais gente indo pro limbo do hexagonal da morte criado para dar prejuízo.

- Hexagonal da Morte, com os classificados de 5o. a 10o. lugares da primeira fase, disputando as duas vagas de rebaixamento mais uma na Copa do Brasil: primeiro, que o Catarinense vai ser o único estadual que vai dar uma vaga na segunda competição mais importante do país ao quinto colocado em desfavor do terceiro e quarto. Vamos supor que Avaí, Figueirense ou até o Criciúma não se classifiquem às finais. Qual o interesse que eles teriam no hexagonal: nenhum, a não ser fazer pontos para evitar o rebaixamento, já que eles tem presença assegurada na Copa do Brasil via ranking. Os clubes também estipularam que o hexagonal da morte dará uma vaga na Série D. Mas, e se um pequeno for para o quadrangular final e se torne o melhor classificado, não entra? Mais um ponto controverso.

Um hexagonal desse tipo, ofuscado por um movimentado quadrangular final no mês de março, tem tudo para trazer prejuízo. Imagine, por exemplo, o Avaí recebendo em um sábado a tarde o Juventus por essa fase. Qual o público interessado ou o prejuízo publicado no borderô da partida? Não é uma vaguinha na Copa do Brasil que vai dar à essa fase todo o frisson da fase final. Além do mais, vai ter o desinteresse natural da imprensa, e vai saber se o Pay-per-view vai se interessar em mostrar uma fase tão sem atrativo, com tanta coisa melhor Brasil afora. As marcas que pagam para expor suas marcas vão reclamar.

Outro ponto que me aparece de forma bem clara é que a Associação de Clubes está declaradamente rachada, ou ela inexiste como defensora dos direitos e da igualdade dos clubes. Não adianta vir com discurso de "unidos e irmanados". Ao se dividirem em dois grupos pelo regulamento, eles já declararam que não falam a mesma língua. Cada grupo olhou para o seu nariz, sem calcular os riscos de um torneio deficitário e não olharam para o cenário do Estado como um todo. Se fossem unidos, chegariam com uma proposta comum. Os grandes venceram pelo voto qualificado.

Quem falhar no início do ano, onde erros são normais, pode jogar fora o seu semestre e ter um grande prejuízo.

Isso aí o monstrinho ainda não aprendeu a falar. Quem desenhou esse regulamento sem medir os prós e contras é um gênio, só que não.

Guarde esse post que lá pra março, abril, a gente vê o que aconteceu. Abram alas para o Chevetão 2014.


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Série B: chegando a hora do Sprint Final, dupla da capital acelera, e o JEC freia

Na rodada cheia de terça da Série B, o Avaí, com um gol no finalzinho contra o São Caetano, e o Figueira, que foi a Varginha trazendo uma importante vitória contra o Boa, ganham um importante terreno para se aproximar do G4 nas rodadas finais.

O Avaí já vai rondando, um ponto atrás do Joinville, que perdeu para o Sport e queimou toda a gordura construída com muito suor em uma série de vitórias. É o único time catarinense que perde terreno no momento que não pode, culpa de sua confusa defesa.

Trabalhei em Recife, em Sport x JEC. Jogo contra time favorito ao acesso, e até que o Joinville deu um suor, saindo na frente e o treinador abrindo mão dos três volantes, acreditando na vitória. Mas acontece que a defesa não deu conta do tranco, com duas enormes falhas e uma virada tomada de um time que vinha sendo vaiado pela torcida. Ricardo Drubscky tem alguns problemas: nas laterais, ainda acredita que Eduardo e Bruno Costa são as melhores opções, com Thiago Feltri pedindo espaço no banco. Na zaga, Sandro e Jussani não se entendem, com João Paulo e Rafael disponíveis e pedindo sua chance. O JEC tem um jogo difícil contra a Chapecoense fora no sábado e, se perder, pode ser ultrapassado e ver seu projeto ser ainda mais ameaçado. Elenco o time tem, mas o técnico precisa largar um pouco da teimosia.

Na próxima rodada tem clássico em Chapecó, enquanto o Figueirense tem um time fraco em casa e o Avaí tem um jogão contra o Paraná em Curitiba. O campeonato vai afunilando, e quem quer se candidatar ao acesso precisa começar a preparar as credenciais para a reta final.

domingo, 29 de setembro de 2013

O Tigre quer se manter na Série A com uma defesa de C?

Fernando Ribeiro / Criciúma EC
É coro nacional: como que o Criciúma conseguiu tomar goleada do Flamengo, que moribundeia desesperadamente tentando se manter na Série A? É só olhar a defesa do time. ´

É desesperador. Jogadores da turma de trás não marcam, não jogam, e tomam gols de pelada. Nível abaixo da Série B. Me pergunto para que serviu o tal do treino noturno que Argel deu essa semana. Para não dar um mínimo de organização?

Tony assistiu o jogo, Leonardo foi o "menos pior", Fábio Ferreira totalmente deslocado em campo, Marlon fazendo talvez o pior jogo dos últimos tempos. E não para por aí, porque Amaral e Leandro Brasília assistiram o meio-campo rubro-negro, que não é essas coisas, jogar e fazer o que queria.

O pouco que o Criciúma conseguiu jogar veio do ataque, que ainda conseguiu jogar em cima da defesa flamenguista, que também não é boa, criando chances. Lins trouxe a responsabilidade para si e foi o único com entrega e lucidez no time, lutando para buscar oportunidades de gol e tendo infelicidade nas finalizações. Do seu lado, Wellington Paulista pouco fez e Daniel Carvalho foi segurado pela sua lentidão.

Pra resumir: a defesa é péssima,o meio não trabalha e o ataque sobrevive em cima do esforço individual de um jogador que se mata para criar alguma jogada de gol. Esse, infelizmente, é o reflexo de um Criciúma que caminha para a Série B, com um técnico que não tem as palavras "calma", "compactação" e "humildade" no seu vocabulário. Mas se o presidente Antenor acha que desse jeito o time vai escapar da degola, resta rezar e torcer, muito.

Vejo o time jogando e não encontro uma saída a curto prazo. É muita bagunça e pouco tempo pra arrumar.