quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Feijão com arroz para escapar do rebaixamento

Fernando Ribeiro / Criciúma EC
Umas 10 mil pessoas foram ao Majestoso acreditando numa vitória do Criciúma sobre o vice-líder Atlético-PR que, mesmo desfalcado, é um time a se respeitar. E quem foi ver o jogo, tratou de empurrar o time pra cima do adversário, sem o coro de vaias de outras jornadas.

É fato, e todos sabem, que o Tigre não tem lá o melhor dos times. Já vem há tempos sendo considerado favorito ao rebaixamento. Mas Argel achou um jeito, o tal do "feijão com arroz" que fez esse elenco render um pouco mais, e que juntando com outros times que estão em queda livre no campeonato, abre uma brecha para que o time continue mais um ano na Série A.

A questão aqui é superação. Argel montou um time motivado até o último fio de cabelo, que entrou em campo compacto em duas linhas no meio, fechando os espaços e pressionando o Atlético. Contando com o apoio do torcedor, veio a receita de uma vitória importantíssima. Com a defesa bem estabelecida veio a tranquilidade para o time buscar a vitória. O ataque perdeu força no final do jogo, é verdade, mas o estrago já estava feito.

Enquanto times como Vasco, Flu e Bahia vivem com a autoestima baixa e revolta da torcida, o Tigre vai no outro sentido e busca crescer em um momento importante. O caminho é bem complicado, com jogos difíceis pela frente. Mas vendo o jogo contra o Atlético, vi uma boa luz no fim do túnel. Há uma chance grande de um crime acontecer na próxima rodada, lá no Couto Pereira.

Olha que dá. Fechando o meio, com sangue nos olhos e muita concentração, dá pra salvar a temporada.


quarta-feira, 13 de novembro de 2013

A Chapecoense é "A"

Aguante / Chapecoense
Curitiba, 12 de novembro de 2013.

Eu fico aqui pensando como deve estar o meu amigo e futuro jornalista Gilberto, o Giba, lá de Chapecó. Ele está produzindo um grande documentário sobre a história da sua Chapecoense como trabalho de conclusão de curso, e o time dá o passo mais importante da sua história justo no dia do seu aniversário. Assim como o Giba, milhares de torcedores lá no Oeste do Estado dão um grito de "ufa" e agora podem dizer que estão na Série A do Brasileiro.

Uma vitória suada contra o forte Paraná com gol de Bruno Rangel, uma figurinha conhecida em Santa Catarina que nunca teve grande destaque, mas que apareceu como um furacão em 2013, se tornando o maior artilheiro da história da Série B em um ano, passando os 27 gols de Zé Carlos no ano passado, algo que muitos achavam quase impossível de acontecer.

E a Chapecoense mostrou que o impossível para ela, não existe. O time que era chamado com o prefixo "o" pela grande imprensa, de uma cidade que uma grande emissora chamou de "Xapecó" surpreendeu a todos, com um time sem grandes craques, mas com uma união surpreendente. A receita deu certo: uma base construída lá atrás na Série C, que foi aprimorada no catarinense e que deu um caldo saboroso na B. Do veterano goleiro Nivaldo até Rangel, passando pelo competente Rafael Lima, o guerreiro Vanderson até chegar à qualidade de Athos, o time verde soube ler o livro de receitas da Série B. Fez o que tinha que fazer: usou do seu entrosamento para arrancar com o pé no fundo lá em maio, mostrou seu diferencial em jogos-chave e só teve que administrar no returno. O time patinou um pouco nos últimos tempos, é verdade. Mas quem não ficaria ansioso ao ver que tudo estava certo e a Série A estaria logo ali, a poucos pontos de distância?

No último parágrafo escrevi que o time não tinha grandes craques. Deixa eu consertar aqui, tem sim. Quatro. O que o presidente Sandro Pallaoro e o trio formado por Maringá, Maurinho e Cadu fizeram é algo para virar um case de estudo. Contratações feitas com um índice absurdo de acerto, coisa que não é a primeira vez que acontece, e deram ao técnico Gilmar Dal Pozzo a condição de montar um grande time. Com vários jogadores que nunca apareceram com grande destaque, saiu um time que chocou o país. Eu, nas minhas viagens Brasil afora com o JEC na B, fui perguntado mais de uma vez sobre de onde vieram Rangel, Fabinho Alves, Rafael Lima e Athos. Estavam há tempos no mercado, mas sem talvez uma grande chance ou um olho clínico que visse sua qualidade. Olha no que deu.

Aquele rebaixamento que não aconteceu no Estadual mudou muita coisa na Chapecoense, e anos depois, se vê que aquilo foi a melhor coisa que ocorreu para o clube. Outro dia lá na Efapi, o Badá me contou como funciona a administração do clube. Não é uma administração linear. Há um grupo de pessoas influentes de Chapecó que cerca a diretoria, para garantir que nada saia da rota. E com um apoio firme da comunidade como um todo, que a Associação Chapecoense de Futebol, que esteve perto de quebrar na década passada, chegando até a trocar de cores e de nome, hoje é uma instituição saneada, e que já planeja inclusive destinar boa parte da grana que virá da televisão em 2014 para a sua própria estruturação. Outros clubes pensariam em torrar tudo em contratações.

Não sei se a Chapecoense vai fazer bonito em 2014 e continuar mais um ano na A. Eu tenho a certeza de que saco de pancadas, o time não será. Lá na elite, o papo é outro. Mas assim como esse time surpreendeu o Brasil neste ano, eu não duvido que esse índio valente acabe flechando bicho grande no ano da Copa.

Parabéns, pessoal de Chapecó. Vocês merecem e deram uma aula de como se monta um time sem pagar o absurdo para atletas que não resolvem.

Aproveitem a Série A.

A de "A Chapecoense".



domingo, 10 de novembro de 2013

Instabilidade e imprevisibilidade na Série B embolam a tabela e ressucitam o Figueirense

Luiz Henrique / Figueirense FC
Na Série B, não dá pra projetar nada. Desisti de fazer prognóstico de quantos pontos cada time pode chegar para buscar o acesso. Não tem lógica. Só nessa rodada, o Avaí perdeu para o lanterna, o Icasa para o ABC que briga para não cair, o Paraná toma uma improvável virada em Varginha, o Sport foi goleado pelo Ceará e o América-MG empatou com o São Caetano, virtualmente rebaixado. Aí aconteceram os resultados normais, como as vitórias de Palmeiras e Figueirense, e veja o resultado: oito times brigam por duas vagas restantes, faltando quatro rodadas.

Garantia de que tudo vai se decidir na última rodada.

As vezes parece que ninguém quer fincar pé no G4 pra subir. São varios times que tiveram muitas oportunidades de acumular uma gordura e ficar longe dessa briga de foice de times desesperados pelo acesso. E aí teve gente que já estava entregando os pontos, ganhou um jogo importante, viu que ninguém se distanciou, e com uma vitória em casa, tá junto no bolo. Seu nome: Figueirense

O Figueira parece um daqueles bichos do filme "Gremlins": aparentemente inofensivo, mas que pode virar um monstrinho se não for bem observado. Um time que pouquíssimos, pra não dizer que nenhum torcedor acreditava em alguma coisa ainda nesse ano, pedindo apenas que vencessem o clássico pela honra e para melar a campanha do rival. Essa honra virou goleada, a torcida voltou a pegar junto, veio a vitória contra o Guará, e o time retorna à briga empatando em pontos com JEC e América-MG, a um pontinho do G4.

E esse monstrinho é perigoso: a tabela do Figueira não é complicada. Todos jogos restantes são contra times da zona de rebaixamento, brigam para não cair ou que não tem mais pretensões daqui pra frente. Ainda que não dê pra palpitar em um campeonato tão maluco, há uma chance real do alvinegro fazer, pelo menos, dez pontos.

O JEC está na mesma situação, mas com dois complicadores: depois de pegar Oeste e São Caetano, terá os confrontos contra América-MG e Ceará, com a obrigação de vencer. E o Avaí pode ver os adversários o atropelarem caso tropece de novo terça, contra o Ceará, adversário diretíssimo.