sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Ministério Público quer sustentar o insustentável

Mais uma vez, o Ministério Público de Santa Catarina publicou um comunicado hoje, fazendo um "FAQ", tipo de perguntas e respostas, voltado ao público que não entende o "juridiquês", sobre o caso da Arena Joinville.

Depois de tudo o que já passou na imprensa, o comando do MP ainda sustenta uma história que não procede.

Muito simples.

O texto inicial do comunicado feito para o público (clique aqui) diz: "O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) reafirma à sociedade que não fez nenhuma recomendação, orientação ou determinação que pudesse impedir a Polícia Militar de atuar no interior do estádio Arena Joinville ou em qualquer outro estádio de Santa Catarina".

Segundo o dicionário, recomendar é "Dar a alguém alguma incumbência, alguma ordem: . Aconselhar, Pedir proteção, Indicar, Transmitir cumprimentos., Tornar-se digno de respeito".

Muito bem. No documento da Ação Civil Pública, que está na íntegra abaixo, e que foi amplamente divulgada pela imprensa hoje, dá clareza à recomendação que o MP faz à Justiça:



Se isso aí não é recomendar a proibição de policiamento, eu faltei nessa aula de português e não sei o significado da palavra. O MP me respondeu (no fim deste post) que o objetivo era evitar o tal do "desvio de finalidade". Mas se a Polícia Militar é a única que tem a capacidade de administrar uma situação dessa, como que fica? Com seguranças engravatados sem cacetete, nem escudo, tampouco bombas de efeito moral e preparação para tumultos?

Uma falha de comunicação? Talvez, já que o juiz não tinha baixado uma determinação. Mas, comprovadamente, o MP não quer o policiamento dentro do estádio. É só ler a ação abaixo.

E o Secretário de Segurança Pública, César Grubba, já declarou que os jogos no ano que vem acontecerão, todos, com policiamento em campo.

Diante de tanta coisa, acho bom o Ministério Público mudar o discurso, que o atual caiu. Realmente o promotor não ordenou, já que o juiz não deu o OK na ação, mas que recomendou, e com argumentos fortes, isso não resta dúvida.



Atualização das 15:55: Recebi resposta do MPSC. O texto é o que segue:

mpscnoticias
olá @rodrigoblog, obrigado por suas críticas. Mas, a interpretação do jornal sobre a ACP está errada. Explicaremos no próximo tweet.
13/12/13 15:49

na ACP não solicitamos a ausência da PM. Pedimos apenas que não seja desviada a sua finalidade de dar segurança ao torcedor.


quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Deu a lógica na Copa SC: JEC na Copa do Brasil, Metrô na Série D

Divulgação / JEC
Não será preciso definir na última rodada o campeão da Copa Santa Catarina. Após vencer o Guarani por 2 a 0 em Palhoça, o Joinville garantiu mais um título da competição com uma rodada de antecedência, já que o Metropolitano empatou sem gols com o Canoinhas no Planalto Norte.

Com isso, o JEC vai mais uma vez para a Copa do Brasil enquanto que o Metropolitano, que também carimbou o vice-campeonato, garante uma vaga na Série D do Brasileiro em 2014. Todo mundo feliz, em um quadrangular que Guarani e Canoinhas estavam um degrau abaixo. Sem outros concorrentes de peso, ficou fácil.

Ambos ganham opções novas de calendário: o Joinville terá boas arrecadações na Copa do Brasil, enquanto que o Metrô já pode se planejar pensando no ano inteiro, e não só no Estadual.

E acabou a moleza: ano que vem não tem Copinha. Quem não tiver calendário, fecha as portas até abril do ano que vem e só volta em 2015.


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

A mensagem do torcedor

Em meio a um começo de semana pesado por causa das últimas ocorrências na Arena Joinville, duas iniciativas de torcedores chamam a atenção. Uma, para recuperar a imagem da cidade e outra, para provocar o adversário, de forma bastante inusitada.

Em Joinville, torcedores do JEC criaram uma campanha chamada "#issoéArena e #issoéJoinville". A campanha é simples e bem inteligente: inundar as redes sociais com imagens da Arena Joinville lotada em jogos do tricolor, mostrando que o estádio é um lugar do bem, que infelizmente foi alvo dos bandidos de Atlético-PR e Vasco no último domingo. A Arena hoje é assunto nacional pelos acontecimentos e pela vontade desenfreada do promotor de justiça que quer fechar o local. O JEC, que nada tem a ver com a história, pode ter o seu local de jogo interditado, mas o torcedor busca mostrar que o estádio está acima da ação dos brigões mal-intencionados. Parabéns pra quem teve a ideia.

Já em Floripa, a cidade acordou com um outdoor muito bem humorado no acesso à ilha. Torcedores do Figueirense provocam o rival fazendo alusão aos 4 a 0 na Ressacada que marcaram a recuperação do alvinegro na Série B, que conseguiu dias depois o acesso à Série A. Provocativo demais? Não achei. Em 2007, torcedores avaianos fizeram brincadeira similar com o título do Fluminense da Copa do Brasil dentro do Orlando Scarpelli. Desse tipo aí, pode.



segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Site é criado para identificar os brigões da Arena Joinville

Criação de um empresário do ramo de webdesign de Curitiba nesta segunda-feira, o site identificarbrigoes.com.br é uma ferramenta a mais para localizar e identificar aqueles que participaram da tragédia da Arena Joinville.

Estou aqui passando pra frente o endereço do site e peço que todos também divulguem. Vamos ajudar a encontrar esse pessoal travestido de torcedor.

O site é www.identificarbrigoes.com.br . Clique para acessar.




O que eu vi na Arena Joinville

O que era pra ser mais um dia de trabalho em Joinville virou algo que nunca vou esquecer. Como me disse o Polidoro Junior no telefone, uma coisa é ver pela TV, outra bem diferente é estar lá, vendo ao vivo.

Cabeça fria, 115 quilômetros depois, dá pra contar o que eu vi. Agora ninguém quer ser o pai da criança, e pelo jeito não vai ter exame que ache o DNA da responsabilidade. Algo absurdo, terrível, chocante, que faz a gente pensar o porquê disso tudo.

Vamos aos pontos: chegando na Arena, vi as primeiras confusões que diziam que não seria um jogo normal. Os torcedores vascaínos (muitos que tem pouquíssimas oportunidades de ver seu time ao vivo no estádio) não sabiam que o acesso para eles era do outro lado. Teve tapa, cusparada e muita ofensa. Sim, eu vi tudo isso.

Chegando no estádio, no credenciamento, a moça que me deu a identificação me disse: "o cara da Rádio Globo passou aqui e me falou: se o Vasco for rebaixado, se escondam!"

Na estrada, voltando, fiquei zapeando as rádios do Rio. Com o fato consumado, a tese de tragédia anunciada é até natural de ser declarada. Mas vamos ao que eu vi e entendi: durante a semana, era sabido que a Polícia Militar não entraria no estádio (veja aqui), por causa de uma ação do Ministério Público que achava que o serviço (que é pago) não poderia ser dado em eventos particulares. Nesse momento, a PM soltou um comunicado dizendo que atendia ação civil pública do Ministério Público que, por sua vez, disse via twitter que não pediu nada. Jogo de empurra que não vai ter fim.

O "super cordão de isolamento"
Voltamos ao jogo. Vem cá, quem é o ser humano dotado de desinteligência que achou que duas cordinhas com 4 seguranças ia impedir um tumulto de duas torcidas que se estranharam lá fora? A foto que eu tirei antes do jogo diz tudo: alguns homens de laranja, desarmados, inertes, eram os responsáveis pela separação. Primeiro ponto, se a PM foi descartada e essa ordem foi aceita, o planejamento da segurança foi absurdamente mal feito.

Sim, eu vi: lá pelos 17 minutos, ambas as torcidas pularam a cordinha e foram se encontrar na curva do placar. Os homens de laranja não tinham o que fazer, e o pau comeu até a Polícia Militar entrar em ação e sentar a borracha com bombas de efeito moral. Aí, os machões fugiram, mas o estrago já estava feito. Uma briga que era tramada pela internet e que provocou revolta até daqueles torcedores atleticanos que nada tinham a ver com organizadas. Sim, eu vi isso. E se você ver as fotos que giram por aí, é facil distinguir: onde tem arquibancada azul, é área dos vascaínos.

Errou também o árbitro, que não perguntou onde cargas d'água estava o policiamento. Sim, porque de polícia a torcida tem medo. Seguranças de gravata serão atropelados. E as cenas do que aconteceu, todo mundo viu e não preciso ficar explicando. Era sabido que a Polícia não ia entrar, logo, o Atlético sabia a bucha que tinha na mão. A FELEJ, órgão da Prefeitura de Joinville que administra o estádio, tinha o contrato na mão que previa as responsabilidades do mandante. Eu vi o contrato, que dava a responsabilidade pela segurança e danos ao mandante. Num primeiro momento, me parece que eles estão isentos.

Vamos à briga de MP e PM: em quase todo o país, quem dá esse tipo de segurança é a Polícia Militar. O Ministério Público catarinense pensou diferente, e criou uma bomba relógio. Repito: o serviço da PM é pago, o pessoal não vai lá de graça. E sem querer aqui discutir se eles fazem bem ou mal seu serviço, eles tem treinamento e armas pra isso. A turminha de laranja não tem. Estádio não é balada.

E também tem outra coisa. Sim, eu vi: a Arena Joinville tem um setor isolado para torcida visitante, com duas cercas. Para vender mais ingressos, o Atlético abriu mais dois setores da Arena para os vascaínos, sem nenhum tipo de proteção extra, além das cordas e dos homens de laranja. Sem comentários.

Tragédia que infelizmente levou o nome de Joinville para o mundo da pior forma possível. E eu, por dever do trabalho, estive lá vendo tudo isso. Se eu acredito em justiça nesse caso? Sinceramente, não. Mas eu não desisto. As vezes dá vontade de largar futebol por causa dessas coisas, mas ainda acredito que, um dia, as coisas podem mudar.