terça-feira, 8 de julho de 2014

A Copa que não pertenceu ao Brasil

Jeferson Bernardes / Vipcomm
O atropelamento no Mineirão serviu para constatar que a Copa 2014 não pertenceu à seleção do Brasil.

É uma Copa que o mundo inteiro está curtindo pelo número de gols, pelo futebol ofensivo, as boas novidades, os times brigadores que eliminaram times tradicionais que vieram jogar pelo nome.

O futebol do Brasil não se encaixa nesse contexto. Não se acertou no ataque, não tinha velocidade, não apresentou novidade e não foi brigador.

Aí vem aquela frase tão falada nos últimos meses: "Imagina na Copa".

O hino nacional cantado à capela não pode ser a arma mais forte de um time de futebol. É muito bonito mas não ganha jogo. Muito menos se o pessoal chorar antes mesmo da bola rolar.

Vamos dar a mão a palmatória: Felipão é defenestrado hoje mas teve um ano tranquilo, sem muitos questionamentos. Tudo porque ganhou a Copa das Confederações, competição que (adivinhem), não tinha nenhum dos três semifinalistas classificados neste ano além do Brasil. Uruguai, Itália e Espanha não foram longe.

Aquela competição do ano passado enganou de novo, assim como aconteceu na África do Sul. Um título superestimado que trouxe uma tranquilidade enganosa. E todos, repito, todos, se não caíram nessa onda, não tinham base para provocar uma grande mudança. Mas poderiam exigir uma evolução, já que na Copa do Mundo mais que oito equipes, realmente envolvidas no torneio.

Felipão apareceu na Seleção porque a cúpula da CBF queria dar uma resposta à demissão de Mano Menezes com aquela comissão técnica campeã em 2002, mesmo que muita coisa tenha mudado no futebol mais de uma década depois. Veio o velho esquema do camisa 9 plantado, que mostrou ser ineficaz na Copa. Depois de encaminhar o Palmeiras rumo ao rebaixamento, ganhou a seleção do Brasil como prêmio. Enquanto isso, na Alemanha, uma profunda e moderna reestruturação estava se encaminhando, com resultados promissores. Ainda em 2010, se falava que "A Alemanha é a seleção do futuro". Não sei se serão campeões, mas o trabalho lá realizado é algo de se parabenizar.

Em uma festa tão bonita, com jogos tão legais, dá pra dizer tranquilamente que o país só emprestou a casa. A Copa em si não pertenceu ao Brasil.


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