terça-feira, 8 de julho de 2014

A realidade e a revolta da humilhante eliminação

Jefferson Bernardes / Vipcomm

Eu já chorei pela seleção. Era moleque lá em 90, naquele gol do Caniggia.

Vinte e quatro anos depois, sentei pra assistir o jogo sabendo que se o Brasil perdesse, iria ser justo. Afinal, são quatro camisas tradicionais, não existe zebra entre elas.

Mas nunca se viu no futebol mundial um apagão como esse da seleção do Felipão. Um primeiro tempo com um massacre alemão na Pampulha. O mundo repercutirá e lembrará desse 8 de julho em Belo Horizonte.

Não é falar de despreparo técnico. O time não estava com a cabeça no jogo. Escrevi essa semana que as semifinais eram "a hora de separar os meninos dos homens". Temos a resposta. Vemos um time bem armado, pragmático, que colocou sua proposta em campo contra um time que se assustou ao tomar um gol. Sim, um time experiente, com estrelas internacionais, tremeu na base ao tomar 1 a 0. Não boto isso na conta da ausência de Neymar e Thiago Silva. Tem gente ali com qualidade individual suficiente para substituí-los. Era só o técnico armar bem o time e os jogadores corresponderam.

Felipão apresentou uma proposta que sequer foi testada. Quando o castelo caiu virou pelada. Ele ficou lá, parado, assistindo o seu time ser destruído. Teve até direito a dois gols no segundo tempo, pra fechar uma outra marca histórica: a maior goleada já sofrida em 100 anos de história da seleção brasileira.

O Brasil está com um misto de revolta e tristeza. Assistiu ao segundo tempo tentando saber o que aconteceu. Quem acompanha futebol sabe que é em momentos decisivos que aparecem aqueles que se superam e fazem a diferença. Atônitos, aplaudiram os alemães no sétimo gol.

A eliminação esteve próxima na bola na trave de Pinilla nas oitavas. Contra a Colômbia o estresse foi menor, mas sem convencer plenamente. Chegou a Alemanha e todos viram o que aconteceu.

A Copa é competição de excelência. Tem que trabalhar duro, com seriedade. Preservar a necessidade do time trabalhar, sem auê nem puxação de saco. O exemplo alemão é algo pra ser seguido.

Jogadores serão marcados para sempre em uma data negra para o futebol brasileiro, que será lembrada pelas próximas gerações, e tudo gravado em alta definição. Termina um ciclo de uma seleção que não pode reclamar que não foi empurrada pelo seu torcedor, mas que botou tudo a perder em uma fraqueza que se um time de terceira divisão do catarinense não pode ter.

O jogo da vergonha que será lembrado pra sempre.




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