quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

A indústria do mando de campo

* Publicado no Jornal Notícias do Dia de 04/12/14

Dia desses, um torcedor indignado do Criciúma me mandou uma mensagem. Ele tinha comprado um pacote de viagem para passar o final de semana no Rio de Janeiro, que terminaria com o jogo do seu time contra o Flamengo no Maracanã. Dias depois, a decepção. O rubro-negro resolveu atender a uma tentadora proposta e levou a partida para São Luís, no Maranhão. É apenas um dos casos que aconteceram aos montes nesse Campeonato Brasileiro, agora turbinado pelas arenas da Copa, que não tem time para levar público e estão desesperadas para faturar algum.

Virou bagunça. Isso já acontecia em anos anteriores, mas não como agora. O torcedor local, aquele que paga o seu plano de sócio mensalmente para ver o seu time jogando em casa, é seriamente prejudicado por esses acordos comerciais que prejudicam o campeonato em si, com mudanças de logística que fazem com que um time que jogaria perto ter que ir pra bem longe. O Corinthians é um caso desses. Foi arrastado até Manaus para enfrentar o Botafogo e pegou o Goiás em Belém do Pará. Quem é visitante paga o pato. 

O Figueirense fez das tripas coração para jogar em Chapecó contra o Internacional, se sujeitando até a enfrentar uma cansativa viagem de ônibus até o Oeste. Aí eu pergunto: o torcedor alvinegro, aquele que contribui com o clube e pegou junto durante o ano, não merece um jogo festivo no Scarpelli para comemorar a permanência na Série A? A diretoria alvinegra tentou até o último instante evitar isso. No fim, pelos problemas de logística, Floripa receberá a partida como uma indigesta segunda opção. O Inter levaria uma vantagem técnica, pois estaria jogando perante uma maioria colorada em uma partida que vale vaga na fase de grupos da Libertadores.

Esse comércio de mandos precisa acabar. Daqui a pouco um time pequeno pode acabar subindo para a Série A e não ter sede definida, pernambulando por onde tiver interesse. A sugestão é que os clubes informem à CBF no início do campeonato no máximo dois estádios que servirão para mandarem suas partidas e um alternativo para perdas de mando. Assim fica mais justo.




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