terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Apito importado

*Publicado no jornal "Notícias do Dia" de 16/12/14
A Federação Catarinense de Futebol fez um upgrade na arbitragem do próximo Campeonato Estadual, agora contando com dois homens do apito que levam o brasão da Fifa no peito. Além de Héber Roberto Lopes, agora chega a qualidade de Sandro Meira Ricci, que carrega uma Copa do Mundo no currículo. A importação ajuda a cobrir um grande problema com a arbitragem catarinense, questionada por clubes e torcedores e ausente de boas revelações. Para 2015, o quadro terá uma importante perda, com a aposentadoria de Paulo Henrique Bezerra, que completou 45 anos de idade.
Faz tempo que Santa Catarina não produz um árbitro Fifa. Para ser exato, já se passaram 17 anos desde que Dalmo Bozzano encerrou sua carreira no quadro internacional. Com forte apoio da FCF, Célio Amorim chegou perto, mas perdeu o status de aspirante depois de seguidos erros no Campeonato Brasileiro. Da lista atual de árbitros que apitam com frequência no Estadual, a maioria já tem um bom tempo de estrada. Bráulio Machado aparece, atualmente, como o mais qualificado.
Em grandes centros como São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul não há a importação desenfreada como acontece em Santa Catarina, que também já contou com o mineiro Márcio Rezende de Freitas e o carioca Wagner Tardelli nos seus quadros. A política aqui não indica ser de estimular a prata da casa. E quem quer mesmo seguir em frente e não encontra chance no Estado busca outro caminho, como aconteceu com o lageano Alisson Furtado, 27 anos, que encontrou na Federação do Tocantins as oportunidades que não obteve por aqui. Ele tem o escudo da CBF e trabalhou na Série B deste ano.
O Campeonato Catarinense do ano passado foi marcado por vários erros de arbitragem que forçaram até uma reunião com o presidente para um puxão de orelha geral. Alguma coisa precisa ser feita para que a arbitragem catarinense tenha o mesmo nível de Série A dos quatro clubes que jogarão o Brasileiro no ano que vem. Só trazer árbitros de fora não resolve o problema. É necessário dar oportunidade, investir e qualificar a turma daqui.

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