quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Um grande quadrangular vem aí

Carlos Junior / Notícias do Dia
Terminou a primeira fase do Estadual. O temido tiro curto de um mês que virou terror dos times grandes acabou levando três deles para a briga pelo título. Os outros dois, um pela demora na arrancada e outra por fraco futebol mesmo, vão ter que se manter na primeira em um hexagonal sem TV e feito pra dar prejuízo. Definido o quadrangular, onde quem teve competência e um pouco de sorte se estabeleceu. Serão seis rodadas para definir os dois finalistas.

Enquanto Criciúma e Joinville pavimentaram seu caminho com sólidas vitórias sobre Atlético e Marcílio Dias, o torcedor do Figueirense rezou para que o bombardeio do Brusque em Chapecó no final do jogo terminasse o quanto antes. Com o apito final veio o alívio de um time que alternou altos e baixos em toda a primeira fase.

Brusque e Chapecoense, aliás, que vão para o hexagonal pelas falhas nos detalhes que fizeram a diferença. Enquanto a Chape perdeu para o Juventus na primeira rodada e teve uma péssima arrancada, o Brusque de Pingo viu importantes pontos escaparem. Ao meu ver, o empate sem gols com o Marcílio em casa fez a diferença. Pontos como mandante não podem ser assim desperdiçados.

No quadrangular, há de se respeitar os quatro, sem decretar favorito. O Metropolitano é a melhor campanha, enquanto o JEC de Hemerson Maria é um time arrumado, e me encheu os olhos ontem com um ataque avassalador, agora sob o comando de Jael. O Figueirense tem a bola parada forte e uma estrutura de Série A, enquanto o Criciúma agora contará um um técnico de verdade.

Todo mundo volta ao zero. Seis rodadas. E mais uma vez os detalhes farão a diferença.


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Como funciona uma transmissão de futebol no rádio

Esse post foi sugerido por dois leitores aqui do Blog. Sugestão aceita. Aqui, neste post, vou explicar da forma mais básica possível como funciona uma transmissão de futebol no rádio.

Com o evoluir da tecnologia, os aparelhos diminuiram de tamanho e hoje, não existem mais aqueles repórteres que carregam metros e mais metros de fio. Tudo acontece com aparelhos portáteis, que facilitam muito o trabalho e as vezes causam uma confusão de frequências que deixa muita gente maluca nos estádios.

Tipos de transmissão: Nas emissoras de Santa Catarina, existem dois tipos: a mais tradicional e usada, que é o circuito de 4 fios, e a tecnologia que vem crescendo no Estado, com um número cada vez maior de emissoras que investem alto para usar o chamado Codec. É fácil para identificar. No primeiro tipo você ouve um "som de telefone", sem tanta clareza. No outro, o som é totalmente digital, não importa o local do mundo que você esteja. Em ambos os casos, você precisa ter uma linha telefônica. A Oi é a fornecedora do serviço. Você envia um email para eles até 3 dias antes do jogo, informando a data do jogo, o endereço do estádio e o horário que quer a linha. A cobrança vem pela conta telefônica. Quanto maior a distância, mais caro (imagine o valor de uma ligação de 3 ou 4 horas).

Na transmissão por circuito de 4 fios, as emissoras encontram dois fios de telefone iguais os da foto na cabine, geralmente identificados pelas siglas TX (transmissão, onde você envia seu sinal) e RX (retorno, para você ouvir o som da sua emissora). A operadora de telefonia se responsabiliza em fazer a conexão do seu áudio até a central da emissora. Para isso, funcionários ficam dentro dos chamados "DGs" para fazer a ponte entre as cidades e verificar se não vai haver algum ruído entre as conexões e se tudo funciona perfeitamente. Rádios locais podem usar apenas o fio de transmissão, já que recebem o retorno direto pelas ondas do rádio. A conexão é muito simples, ligada diretamente na mesa de som. É o sistema mais antigo, mas o que tem pior qualidade de áudio. Pelo custo alto do sistema Codec, os 4 fios são os mais difundidos. Mas é um sistema que tende a desaparecer, pelo barateamento e simplicidade do sistema mais moderno, além das emissoras que utilizam telefonia celular ou até o Skype para transmitir um evento.

O sistema mais moderno, que é usado por aproximadamente 20 emissoras em todo o Estado, é o Codec. Lembra daqueles modems discados antigos, que fazem aquele ruído característico de conexão com a internet? É bem parecido. O Codec, que existe em várias marcas (eu uso na Mais FM o Tieline Commander, esse modelo da foto), utiliza apenas e tão somente uma linha discada comum, igual a que você tem em casa. A única exigência técnica é que ela não passe por uma central telefônica. A mecânica é simples: no estádio, é usado um aparelho igual ao da foto. Na emissora, um aparelho semelhante é usado, conectado a uma linha telefônica. Basta ligar o aparelho, discar para o número da outra ponta e o Codec trata de "conversar" com o seu irmão para determinar a melhor qualidade de conexão, que alcança um máximo de 28,8 Kbps. Como a qualidade das linhas telefônicas do Brasil não são isso tudo, são aceitas conexões de 21,6 e até 24 Kbps. O aparelho faz isso sozinho. A Operadora telefônica não precisa ter uma grande estrutura por trás. Basta a linha discada funcionar sem ruído. Nessa tecnologia, você transmite de qualquer lugar do planeta com qualidade digital com uma simples linha discada. Há também a opção de plugar um cabo de rede no aparelho e fazer a mesma transmissão por um canal de Internet. Sem estresse ou apuro. Mas o Codec é bem mais caro.

No Estádio:


Transmissão: Uma mesa de som ou maleta de transmissão é usada para que os microfones sejam plugados. Ali, são regulados os volumes. Dali, o sinal sai para a linha 4 fios ou para dentro do Codec, que enviará o áudio para a rádio. Não tem muito segredo. Os microfones sem fio trabalham com um grande número de frequências, para que não apareça o problema de mais emissoras usarem o mesmo espaço no espectro. Entrou outra rádio em cima, é só trocar. Simples.


Retorno: Aqui tem uma polêmica maior. O som que volta das emissoras, via Codec ou 4 fios, é ligado em um pequeno transmissor, que vai enviar o áudio para o pessoal que está trabalhando. Existem dois tipos: o transmissor de FM (foto), que joga esse sinal em uma frequência que não é sintonizada na cidade do jogo (por isso que você pode ter sintonizado alguma vez uma "rádio de fora" no estádio), ou o que eu uso, em um aparelho que faz o mesmo serviço, mas joga o áudio em uma frequencia VHF (abaixo dos 88 MHz, inicio do FM), ou em UHF (lá pros 700 Mhz), que não são sintonizados por rádios de pilha comuns, apenas em receptores próprios.

Como tem gente que usa o retorno em FM, ele pode acabar atrapalhando emissoras normais que transmitem em frequência próxima ou com sinal mais fraco. Já vi muita confusão rolar por causa disso pelos estádios da vida. Também conheço casos de emissoras AM que ligam o transmissor em FM no estádio para que os ouvintes possam acompanhar os jogos em celulares, que não possuem rádio em AM. Muitos acham controverso, mas isso acontece bastante.

De resto, é só trabalhar. Antigamente, repórteres usavam rolos enormes de cabos de microfone e retorno para poderem transmitir, o que dava aquela cena dos jogadores puxando fios para bater um escanteio. Hoje facilitou bastante.

Agora que você já tem uma noção de como funciona uma transmissão, saiba que todos nós do rádio fazemos nosso trabalho com muito amor. Além de radialista, a gente tem que saber um pouco de eletrônica, telefonia e técnico de som. É uma cachaça.


domingo, 23 de fevereiro de 2014

Só o Metrô está dentro. Quatro jogos vão resolver três vagas. Como ficou a briga

Eduardo Valente / ND
O Metropolitano é o primeiro time a carimbar sua vaga no quadrangular final. Ganhou em Ibirama, chegou a 15 pontos e 5 vitórias e não pode mais cair fora do G4.

Dali pra baixo, tudo pode acontecer. Seis times para três vagas, sendo que três desses tem 12 pontos, o que garante que, pelo menos, uma das vagas será definida no saldo de gols. Cada detalhe, cada pontinho perdido lá atrás, aquele gol desperdiçado, fez falta. Um bolo que só será definido perto da meia-noite de quinta-feira.

Na rodada, destaque para a Chapecoense, que virou na Ressacada para ficar vivo na briga e o quase-tropeço do Criciúma, que teve muita dificuldade pra segurar o empate contra o Juventus. Em Itajaí, Marcílio Dias e Figueirense fizeram uma senhora pelada, num zero a zero merecido para os dois times.

Dos cinco jogos da quarta, só Metropolitano x Avaí não tem influência nenhuma. Os outros quatro serão brigas de foice, onde o radinho de pilha será um ingrediente importante no drama da luta pelo quadrangular.

A briga para a última rodada ficou assim:

Metropolitano (15 pts, 5v) : Classificado

Brusque (14 pts, 4v, 7 de saldo): precisa de um empate em Chapecó. Tem grande vantagem no saldo, o Joinville teria que bater o Marcílio por 5 de diferença.

Criciúma (13 pts): vitória classifica

Figueirense (12 pts, 3v, saldo 3): precisa vencer o Juventus e o JEC não fazer um gol a mais de diferença no Marcílio. Caso isso aconteça, derrota do Brusque ou o Criciúma não vencer.

Joinville (12 pts, 3v, saldo 2): Vencer o Marcílio e torce por derrota do Brusque, empate ou derrota do Criciúma, ou vencer com um gol a mais de diferença do Figueirense, se ele vencer o Juventus.

Chapecoense (12 pts, 3v, saldo 1): vencer o Brusque e torcer para que Figueirense, Criciúma e Joinville, dois desses, não vençam, ou tirar um gol de diferença no saldo do JEC ou dois do Figueirense.

Marcílio Dias (10 pts): Tem que vencer o Joinville e contar com derrotas de Figueirense e Chapecoense.