sexta-feira, 11 de abril de 2014

Vai com Deus, "Seu" Rubens

"Oi amiguinho, é Rubens Fachini..."

Era assim que ele dizia quando eu atendia o telefone.

O Seu Rubens foi um cara espetacular. A cara dos Jogos Abertos, a bandeira do Esporte Amador de Santa Catarina. Flamenguista roxo (sempre usava camisas com a marca do Zico). Chegou a ser locutor de rádio (dos bons, já me disseram) e presidente do Brusque.

E se hoje os Jogos Abertos existem e sobrevivem, muito se deve a ele. Com todo respeito, ele era bem chato. Ia falar com o governador para pedir ajuda para que os JASC não caíssem no ostracismo. Organizou as cerimônias e o traslado do fogo simbólico de Brusque até a cidade-sede tirando dinheiro do bolso. Chegou a mandar uma carta-desabafo para o então secretário César Souza Jr. reclamando do abandono. Não gostava de homenagens. Ano passado, recebeu a surpresa de que seria condecorado e foi às lágrimas.

Lutador. Tinha câncer. Tomava vários remédios e não se deixava derrubar.

Quem me conhece, sabe como eu sou fã de Jogos Abertos. Defendo com unhas e dentes o ideal que o seu Rubens e o saudoso Arthur Schlösser criaram lá em 1960. É a maior festa do esporte amador do Estado. A oportunidade de atletas do extremo-oeste terem integração com participantes de olimpíadas em dez dias de overdose esportiva lá no mês de novembro. Por várias vezes ele me mostrou preocupação com o que acontecia, desde o esvaziamento do interesse da mídia até os rumos que o esporte aqui da terrinha tomava, uns anos atrás.

Há uns 10 anos, sentado em uma mesa do restaurante Tapioca lá em Timbó, no meio dos Jasc, eu disse pra um grupo de amigos da imprensa: "o dia que o seu Rubens ir embora, os Jogos Abertos correm risco". É missão nossa, da comunidade esportiva desse Estado, lutar para que o ideal não se acabe.

E nesse momento, Arthur Schlosser deve estar recebendo o seu amigo Rubens lá no céu com um forte abraço. Abraço de amigos que não se veem a muito tempo, e que serão eternamente reverenciados aqui embaixo na Terra.

Vai com deus Seu Rubens. Vai com Deus, amigo.


Top 10 dos Micos do Catarinense 2014

O Chevetão 14 está acabando neste domingo, com uma lista de fatos absurdos que supera o número de 10 estipulados nessa lista. Como novos fatos bisonhos acontecem a cada semana, a lista sofreu alterações de última hora mas está aí.

São fatos bizarros e preocupantes, do "melhor catarinense de todos os tempos" apregoado pela Federação. Cá entre nós, passou longe.

Vamos a lista! Espero que gostem.

10 - Paulo Turra - Depois de apostar no ex-auxiliar Emerson Nunes para o comando técnico, a diretoria do Avaí viu o tamanho da besteira que estava fazendo. Tinha a chance de contratar alguém experiente para arrumar a casa, e acabou trazendo Turra, que conseguiu fazer pior. Primeiro, pipocou legal ao não querer comandar o time no primeiro jogo depois de ser anunciado, o clássico no Scarpelli. Assistiu dos camarotes o time treinado pelo ex-auxiliar Raul Cabral vencer o jogo. Quando assumiu, foi um vexame só. Perdeu três jogos seguidos e foi demitido. Pra fechar com chave de ouro sua passagem pela capital, organizou uma entrevista coletiva em um hotel da cidade para contar sua versão da saída do clube. Quase ninguém foi. Até agora eu só soube de um repórter que apareceu lá.

9 - No Sesi ninguém entra! - Essa eu presenciei. Brusque e Atlético de Ibirama se enfrentariam em uma quente quarta-feira em Blumenau. Quando o pessoal chegou para trabalhar, deu de cara com o portão fechado. Até o trio de arbitragem foi expulso pelos vigias do Sesi, que brigavam até com quem fazia as imagens. Resultado: os torcedores viajaram para ver o jogo e deram de cara com o cadeado trancando a entrada do estádio, que foi barrado pelo Sesi por causa de dúvidas envolvendo a liberação do campo. No dia seguinte, o Metropolitano teve que mudar às pressas sua partida contra o Joinville para o estádio do Marcílio Dias.  Sinistro.

8 - As tabelas - O Departamento técnico da Federação gosta de brincar com o torcedor. Além de marcar a sétima rodada da fase de classificação antes da sexta, fazendo que, por exemplo, o Avaí jogasse três partidas seguidas em casa, fez lambança pior no quadrangular: trouxe o jogo Metropolitano x Joinville, pela última rodada, de domingo para sábado, de sábado para domingo a noite, para depois voltar ao horário original das 16h que deveria acontecer, por ser partida da última rodada. Não é a primeira vez que a turma lá se enrola todo com os horários dos jogos. É fácil ficar colocando culpa na TV...

7 - Carooooona! - Aconteceu com a Chapecoense, que agora é time de Série A. O time se deslocava de São Carlos para o Aeroporto de Chapecó quando, de repente, o ônibus que levava o time quebrou no meio da estrada, em uma área que não tem sinal de celular. O técnico Gilmar Dal Pozzo fez sinal para um outro ônibus que por ali passava, que levou os jogadores até um frigorífico da Sadia. Chegaram a tempo de pegar o voo. Detalhe: naquele mesmo dia, o clube inauguraria o seu novo busão.




6 - "Sua Gostosa!!" - Celso Teixeira, técnico do Juventus, ficou conhecido no Criciúma por deixar o clube de maca, após tomar um engradado de refrigerante nas costas em uma partida no Heriberto Hulse. Conhecido como "Menino Maluquinho" no meio do futebol, virou manchete nacional por "elogiar" a assistente Maíra Labes (logo a sobrinha do presidente e da FCF) ao ser expulsa de campo: "Eu vou sair, sua gostosa", teria dito o treinador. Mas se bem que a foto mostra que... bom, deixa pra lá.


5 - Não tem bola pra treinar - A FCF, que tem um contrato de anos com a Penalty para o fornecimento de bolas, sacaneou legal com os times do Campeonato. Recebeu uma remessa pequena que só usava para as partidas (e recolhia depois) e não distribuiu para os clubes, que simplesmente não encontravam bola para vender. Resultado: teve time que fez toda a pré-temporada com a bola do ano passado. Aliás, não sei porque os clubes até hoje não resolveram vender os direitos da bola do campeonato e não ter essa corrida pra encontrar a oficial do ano.

4 - Caminhão-arquibancada em Brusque - Essa eu também vi. O jogo era Brusque 1x1 Joinville, pela primeira fase. Estádio Augusto Bauer lotado e sem lugar pra ver o jogo em um bom ângulo. Não para um grupo de torcedores, que não se sabe como conseguiram entrar no Estádio com um caminhão caçamba e posicionar o "camarote móvel" estrategicamente atrás do gol. Acabou virando atração, coisa que eu vi muito em jogos amadores pelo interior.

3 - Pirão com sereno - O que o volante Pirão, então na Chapecoense, conseguiu fazer é algo de ir pros livros. Depois  de uma noitada no agitado borbulhamento de Chapecó, o jogador conseguiu dormir dentro do seu carro no início da manhã, em frente à entrada da garagem do prédio em que morava. Depois desse ato ninja, acabou demitido no dia seguinte. Com certeza, ele não esquecerá tão cedo as baladas do Oeste.



2 - Jabá Totalflex - O atacante do Juventus é mais uma vítima do sereno. Fez barba, cabelo e bigode, desde arruaça no centro da cidade, depois de ir pro boteco antes do treino, segundo relato da Polícia. Detalhe: as 10 horas da manhã. Diante do ato de indisciplina, a Diretoria do Juventus decidiu não demiti-lo. Afinal, mesmo jogando com dois combustíveis ele manteve o bom rendimento.


1- Carlos Berkenblind - Em homenagem à arbitragem catarinense, que decepcionou neste ano, o número 1 vai para o erro de arbitragem mais bisonho da década em Santa Catarina. O bandeirinha Carlos Berkenbrock (ou seria Berken"blind"?) simplesmente não viu o impedimento de Paulo Bauer no jogo contra o Metropolitano. E não era coisa de centímetros. Era de metro, mesmo. Uma vergonha injustificável.
E para fechar a lista com chave de ouro, o instituto Mapa o indicou como um dos melhores asisstentes do Estadual. Só pode ser piada, né?



quinta-feira, 10 de abril de 2014

"Tão nem aí" para a Copa do Brasil

Já que não existe nada em regulamento que evite jogos da Copa do Brasil em meio as duas finais do Estadual, Figueirense e Joinville foram pros seus confrontos pensando lá no domingo.

E foi complicado.

O Figueira saiu atrás e teve que conseguiur virar na base do desespero para cima do tal do Plácido de Castro. A eliminação passou perto, o que seria um vexame histórico, não importando quem estivesse em campo. Só mais um pitaco: é realmente sério que o alvinegro vai para a Série A com um goleiro fraco como Neneca na reserva de Volpi? Só pra constar

Já aqui em Novo Hamburgo, os titulares do JEC que entraram em campo contra o Noia pouco fizeram, e quem tinha uma chance decepcionou também. Perderam com um jogador a mais por praticamente todo o segundo tempo. Ainda tem o jogo de volta na Arena, lá no dia 22, mas o que poderia ser uma classificação simples contra um adversário que não mostrou nada de extraordinárrio virou um confronto em casa com obrigação de vitória por dois gols. Tá certo que o time titular vai voltar, mas a vantagem dos primeiros 90 minutos é do time de Itamar Schulle, que também acabou expulso.

Compromissos cumpridos, agora é foco na final.


segunda-feira, 7 de abril de 2014

Os ingredientes da grande decisão de domingo


Carlos Junior / Noticias do Dia
O Joinville conquistou a vantagem do empate na decisão de domingo com a vitória em um jogo quente, o que já vinha se anunciando desde a partida entre os dois ainda no quadrangular, em Floripa.

Venceu quem tinha vontade de ganhar. Por mais que Vinicius Eutrópio tenha dito o contrário, não vi em nenhum momento o Figueira partindo pra cima. Jogou no erro do adversário e só subia na boa.

Jogo complicado para a arbitragem. Bráulio Machado se perdeu, faltou muito jogo de cintura. Wellington Saci, que é o personagem do confronto por ser um ex-jogador alvinegro e ter saído de lá em um clima nada bom, foi o foco das provocações. Aliás, provocação dos dois lados foi o que não faltou. Decisão é assim, jogo pra quem tem futebol e controle emocional, que faltou muito ao Figueira desde aquela partida do quadrangular. Tem que ter menos mimimi e mais futebol.

Faltam noventa minutos, e não tem muito segredo no que vai acontecer: o Joinville, que não terá Jael mas contará com a volta do zagueiro Rafael, vai apostar na pressão alvinegra para enfiar um contra-ataque e complicar mais a vida do time da casa. Foi assim que o time jogou nas duas últimas vitórias em Florianópolis, ano passado na Série B e no quadrangular. Sem Jael, Hemerson Maria apostará em Francis ou Fernando Viana, opções que dão mais rapidez ao time. Duvido muito que o técnico tricolor faça um retrancão. Tem um time equilibrado na defesa (que começou a se ajustar depois dos 3 a 0 sofridos na primeira fase), e uma rápida saída pelas laterais.

Já o Figueira, que não mostrou brilho algum em Joinville, vai apostar nas bolas de Marcos Assunção para ver no que dá. O meio-campo alvinegro ficou preso na forte marcação do volante Naldo e pouco trabalhou. Dá pra dizer que foi uma boa para Eutrópio ter perdido o jogo com apenas um gol de diferença. Tem uma semana para tentar arrumar a receita para evitar o segundo título seguido de Hemerson Maria dentro do Scarpelli.