sábado, 19 de abril de 2014

Lições e reações da primeira rodada

Começou o Brasileirão e a corneta já está ligada. Mas não dá pra tirar avaliação alguma de um time em cima da primeira rodada. Uma coisa é certa, e a frase é bem velha: o estadual não serve como parâmetro para absolutamente nada no brasileiro. Quanto antes o time riscar do mapa e virar a página, melhor.

Paulo Sérgio / Lancepress / ND
O Figueirense tomou o tipo de derrota que serve como o aviso de "acabou a festa, agora o buraco é mais embaixo". Perder para o Fluminense no Maracanã com um bom público não é o fim do mundo, mas tomar de três... aí já começam as teorias. O campeão catarinense pode jogar muito mais do que apresentou no Rio. Vinícius Eutrópio sabe disso e terá tempo para arrumar a casa para dar uma resposta no próximo jogo.

Mesma coisa dá pra dizer do Avaí, que tomou um sacode do América de Natal, que não mostrou nada de excepcional em campo. Pingo tinha uma missão fácil no hexagonal do estadual, que era segurar o time na primeira divisão. Organizou o time, cumpriu a meta e agora entra na brincadeira mais séria. O seu potencial vai ser efetivamente testado no Brasileirão, onde o Leão precisa brigar pela parte de cima mais do que nunca, sob pena de ver outra crise aparecer por lá. Assim como o seu rival, a oportunidade da resposta é na próxima rodada, em casa, contra o Bragantino.

Por fim, a Chapecoense, que para pouco mais de 7 mil torcedores, empatou sem gols com o Coritiba. Aqui, a situação é um pouco diferente. A ansiedade pesou. Só se falava no momento histórico que foi a estreia de Chapecó na Série A. Essa expectativa passou para o time em campo, e parece que a perna pesou. O Coritiba, bem ao estilo Celso Roth, não estava muito a fim de jogo, e o placar foi justo. O batismo foi realizado, e agora é encarar o campeonato com todas as forças. Contra o Sport, em Recife, é uma boa chance para apresentar boas credenciais.

E pra encerrar o final de semana, a CBF cassou a liminar que causou o rolo no jogo do JEC com a Portuguesa na sexta a noite. Um pouco tarde, né? Agora é aguardar o STJD.


Para Luciano do Valle

Acho que eu nunca contei a minha história aqui. Quando moleque, tinha uns 4 ou 5 anos de idade, num aparelho "Solid State" da Philco, consegui gravar algumas narrações de brincadeirinha. Mal imaginava que anos depois isso iria virar a minha profissão.

Quem me conhece sabe que eu assisto até curling. O Luciano do Valle tem grande culpa nisso. Foi no seu "Show do Esporte" que eu passava os domingos da infância vidrado, assistindo a sinuca do Rui Chapéu, o Emerson na Fórmula Indy, o Jordan na NBA e os meus primeiros touchdowns na NFL.

Dá um sentimento de perda, parece que perdi um parente. É uma pessoa que influenciou na minha formação enquanto profissional, que começou em 98 lá  na Rádio Araguaia, um ano depois no jornal Município e daí pra frente na televisão.

Tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente no ano passado em Joinville, no jogo do Santos contra o JEC. Uma pessoa muito solícita e que me cumprimentou com muita simpatia.

Sei que ele não vai ler, mas deixo aqui no Blog meu agradecimento ao Luciano por me ajudar a colocar nessa profissão que eu adoro, mesmo com todos os problemas conhecidos do nosso esporte.

A cobertura da Copa no Brasil não será a mesma.


sexta-feira, 18 de abril de 2014

Palhaçada em Joinville. E o torcedor feito de idiota mais uma vez

Carlos Junior / Notícias do Dia
Primeiro que Sexta-feira Santa não é dia pra jogo. Mas vamos lá. Muitos torcedores se prepararam, saíram de casa, pagaram (caro) ingresso para ver um jogo de futebol. Viram 17 minutos e foram embora, todos P da vida e tomando um tapa na cara dessa bisonhice do futebol brasileiro.

Mais um espetáculo deprimente, na primeira rodada da Série B.

Do nada, com a bola rolando, aparece uma cópia de uma liminar destinada ao presidente da CBF e o jogo para. A Portuguesa, que tinha o discurso de ir pro jogo e só não entrar em campo caso a confederação cancelasse a rodada, do nada mudou de ideia.

Foto: Juliano Schmidt
É muito estranho. Não teve oficial de justiça, nem nada. No começo do jogo, foi entregue (por alguém que não assinou súmula e não poderia estar ali, esse de verde da foto) a liminar na mão do delegado Laudir Zermiani, que comunicou o árbitro e parou tudo. Ao consultar a CBF, foi dada a ordem para voltar. A Lusa não quis. Argel disse que estava acatando ordens. O presidente Ilídio Lico se disse pressionado. Torcedor feito de palhaço, em rede nacional.

Nada me tira que isso estava premeditado. Para não tomar um WO, o que seria pior, a Portuguesa alegaria que teve que sair de campo por causa de ordem judicial, que apareceu subitamente depois do apito inicial. Interessante.

A CBF tem sua culpa também, por dar de ombro para a liminar que o torcedor conseguiu. Poderia ter adiado o jogo. Soltou uma nota depois do jogo dizendo que não havia competência daquela vara, mas aí vamos pro jogo do diz-que-diz.

Ano de Copa, Brasil na vitrine, palhaçada em cima de palhaçada. Credibilidade arranhada de uma gestão idolatrada pelos próprios clubes, responsáveis pela paixão do torcedor, o cliente final do esporte, que é desmoralizado dia após dia.

Um clima de insegurança se instaura em um campeonato que apenas está começando. Qual será o próximo capítulo? E o JEC, que nada tem a ver com a história, terá que jogar de novo contra a Portuguesa ou o STJD bancará o WO?

Viajei 120 km hoje para transmitir 17 minutos de futebol. Não importa de quem é a culpa. Assim como o torcedor, também me sinto um tremendo trouxa em acreditar em um produto forte tão mal administrado. O que estão fazendo com o futebol brasileiro?


Presidente confirma Guarani de Palhoça na Série D

O presidente do Guarani de Palhoça, Amaro Junior, declarou pela rede social que recebeu ligação da CBF confirmando uma vaga na Série D ao Bugre. Abaixo:


Agora fica a dúvida: qual vaga o Guarani ganhou? A do Metropolitano, o que poderia dizer que realmente o time conquistou uma vaga na Série C com a punição do Betim/Ipatinga, ou a do Marcílio Dias, que chegou a ser confirmado pela FCF com a melhor campanha do hexagonal?

Vamos ficar ligados.


quinta-feira, 17 de abril de 2014

Futurologia curiosa

O Campeonato Brasileiro começa nesse final de semana, e muita gente vem com o exercício da futurologia.

Hoje, um desses portais de esporte "previu" que os três catarinenses são favoritos ao rebaixamento, junto com o Sport. Foi usado um critério que leva em conta, entre outros fatores, retrospecto e finanças.

Como se um time barato não pudesse chegar longe e um que subiu não tivesse possibilidade de brigar pela turma de cima.

Existe uma grande diferença entre "favorito ao rebaixamento" e "briga para não cair". Não é novidade que Figueirense, Criciúma e Chapecoense vão, num primeiro momento, brigar pelos 43 ou 44 pontos para depois tentar algo a mais. Mas tem mais gente pra entrar nessa lista, dos que precisam tomar cuidado, como o Sport, Vitória, o Goiás (que contratou o pior técnico do Brasil) e o Coritiba. Sem contar que todo ano um grande se complica.

É interessante ver, nesses exercícios de futurologia, como o Internacional é supervalorizado. Ano passado, todo mundo viu o que aconteceu. O ano é longo, e até dezembro, muita água tem pra passar debaixo da ponte.

Os três times catarinenses entram na primeira parte do Brasileirão sem desespero. O Figueira foi campeão catarinense, o Criciúma contratou a rodo e tem um bom técnico, e a Chapecoense começou a se organizar no hexagonal. E partindo do princípio que o Estadual não serve muito como efeito de comparação, toda teoria nesse momento pode virar uma baita furada.



quarta-feira, 16 de abril de 2014

O sistema "fail" da CBF que dá rolo no Brasileirão

Mais uma vez, a falta de um sistema online confiável, em uma logística muito complexa de registro de contratos, "dá pau". Aí o Icasa se vê no direito e pode bagunçar tudo na justiça comum.

Não é caso novo. O Joinville conseguiu subir para a Série C aproveitando-se da mesma brecha. Mas naquele caso, o tricolor agiu dentro do prazo e conseguiu o acesso no STJD.

Logo, já se sabia que o sistema era falho. Bem falho. O caso de Héverton na Lusa e André Santos no Flamengo é outro pra se pensar. Em plena era da informática, não existe uma súmula online que diga, na hora, que o jogador não pode atuar. Fica por conta e risco do clube. Parece jogo de empurra-empurra, coisa varzeana.

O Icasa descobriu bem tarde o problema do Figueirense no sistema da CBF. Se o Figueira está certo que não agiu errado, correu um sério risco por causa de um erro que não foi seu.

E nisso aí a CBF vem com discurso de modernidade.

O Icasa quer entrar na Série A sem rebaixar ninguém. A CBF já fez isso no ano passado, enfiando 21 times na Série C (a circunstância é um pouco diferente, mas tudo começou com um acordo extra-judicial muito mal feito). Já pensou 40 rodadas no Brasileirão com uma folga por rodada? Não digo mais nada.

Acredito que a liminar vá cair e o bonde vai seguir normalmente.

O problema é imaginar que um dia o tal do sistema vá dar errado de novo, e podendo prejudicar alguém. Não dá pra copiar o sistema europeu?


domingo, 13 de abril de 2014

Sangue nos olhos, o detalhe e o título alvinegro

Eduardo Valente / Notícias do Dia
Em um jogo tenso e equilibrado, não há espaço para fraqueza.

Foram 45 minutos de um grande fraquejo do Joinville. Do outro lado, havia um time "pilhado" do Figueirense, que não pensou em dar botinada e jogou bola com sangue nos olhos. E enfrentou um adversário que estava com o futebol em algum lugar, menos no Scarpelli, no primeiro tempo. Afinal, onde estava o JEC que chegou na final?

Um jogo que pode ir pra história até do futebol mundial por ter um pênalti marcado aos 10 segundos de jogo, em uma entregada de Murilo Um gol que mudou todo o esquema montado por Hemerson Maria, que optou em mudar a proposta do jogo de ida, ao invés de apenas substituir Jael. Aí, perdendo no começo de jogo, e com Murilo sem ritmo, o tricolor não botou a cabeça e o futebol no lugar e foi presa fácil.

Um lance polêmico no segundo gol, é verdade. Vai servir pro torcedor do JEC reclamar pra sempre. Mas o time fez por merecer coisa melhor no primeiro tempo?

No segundo, o Figueira tratou de segurar. O JEC voltou a ser o time do primeiro jogo, pressionou, descontou e quase empatou numa defesaça de Volpi em um lance de Francis. Não havia mais tempo. O Figueirense é campeão com a vantagem da melhor campanha do quadrangular e por jogar ligado durante todos os noventa e poucos minutos do jogo. Em uma partida como essa, não há espaço para fraquezas. Vinicius Eutrópio fez o time entrar com uma garra incrível.

Além do primeiro tempo ridículo, o torcedor do Joinville também pode reclamar do jogo de Blumenau contra o eliminado Metrô no quadrangular, onde o time tinha a chance de ter a vantagem dos resultados iguais e da final em casa. Viesse a vitória, a história podia ser outra. Como o time não conseguiu fazer o seu dever, foi a final com desvantagem, sem conseguir superar o cascudo time do Figueirense.

Se diz aquela máxima que o futebol é detalhe, foi ele que deu o título pro Figueirense. Para quem fosse, seria justo. Parabéns aos alvinegros.


Mais uma mancha no "melhor campeonato de todos os tempos"

Agressão ao cinegrafista Fabiano Correia
Voltei de Florianópolis ouvindo Marcílio Dias x Ibirama. Pouco me importei com o que acontecia com o Brusque. Vou falar sobre isso no final do texto.

Recebi mensagem de um torcedor marcilista, que me disse que "pra você ter uma ideia, a revolta do torcedor marcilista era a mesma do pessoal do Brusque ano passado. O que esse árbitro fez não existe".

Torcedor não é bobo. As imagens estão aí. O comentarista da Rádio que eu ouvia dizia: "esse jogo está muito esquisito". E torcedor revoltado vira uma bomba relógio. Descarrega sua emoção na hora. Conheço muita gente que é calma no dia-a-dia mas vira bicho numa arquibancada. Como algo estranho acontecia no jogo, com uma atuação abaixo da crítica do Marcílio e uma arbitragem polêmica de um desconhecido árbitro chamado William Steffens, que expulsou jogadores marcilistas a esmo, marcou um pênalti inexistente, deixou o campo, voltou, não marcou um pênalti para o Marcílio e terminou o jogo aos 40 minutos. Aí o caldo ferveu.

Duas vítimas do sábado. Uma foi o presidente da Federação, que resolveu ir embora no meio da confusão. Ainda que eu tenha minhas convicções de que a gestão do futebol catarinense precisa tomar outro caminho, nada justifica o que aconteceu. Não é assim que vai se resolver alguma coisa, ainda mais contra uma pessoa idosa, ponto. A Polícia agiu com rapidez.

Rapidez que não aconteceu para achar o responsável pela agressão ao companheiro Fabiano Correia, da RICTV Itajaí, que tomou uma garrafada. Só quem já passou por isso, e quem me conhece sabe que eu não sou muito de tocar no que aconteceu comigo em 2010, sabe o tamanho da revolta. Jornalista esportivo abandona o seu final de semana pra viajar pelo Brasil, as vezes perde datas importantes pra transmitir futebol. E acaba tomando bordoada. Solução pra isso? Nenhuma. Ninguém é punido como deve.

Vamos falar do Brusque, que caiu. Prejudicado? Sim. Mas era um prejuízo totalmente evitável. O time poderia ter evitado, nas nove rodadas anteriores, ter que depender do último jogo para não cair. Após perder de 3 a 1 para o péssimo time do Ibirama, passou a precisar de um resultado. E quando o time entra nessa situação, tudo pode acontecer. Não vi o jogo em Itajaí, mas pela revolta, logo quem, dos torcedores da casa, dá pra dizer que algo estranho aconteceu.

Mas isso faz parte. O time que teve três treinadores no hexagonal poderia fazer melhor. Com um elenco rachado, com jogadores sem comprometimento, o caminho estava traçado. A queda de rendimento era flagrante. Eu não sei qual será o futuro do futebol brusquense, já que o time só voltará a campo na metade do ano que vem. Mas deixa a mensagem de que o clube precisará ter mais profissionalismo, pois não soube administrar um racha no elenco que era flagrante. Nem Joceli, nem Lio resolveram. E não sei se o Guardiola resolveria.

É triste, mas é a realidade, para tristeza do torcedor brusquense. E uma ironia: o torcedor que gritou "eliminado" pro JEC no Augusto Bauer, hoje vê o time rebaixado pro Chevettinho 2015 e o tricolor na final. Coisas do futebol.