sábado, 3 de maio de 2014

Joinville vence e vai "engordando". E mais uma noite de luto no futebol

Quase nove mil pessoas assistiram e se preocuparam com o Joinville na Arena contra o Icasa. Não é uma preocupação com a situação do time, muito pelo contrário. Com duas vitórias seguidas e uma que deve vir no tapetão na semana que vem depois do papelão da Portuguesa, o time já começa a acumular a gordurinha do bem, aquela que todo mundo quer ter.

Carlos Junior / Notícias do Dia
A preocupação da torcida é que o jogo estava tão, mas tão fácil que o time se complicou no final com um jogador a mais em campo. Novela que já apareceu outras vezes, mas que dessa vez não teve um final triste.

Noite que o time teve a estreia de Hugo, que não comprometeu, e onde Hemerson Maria começa o desafio de achar um substituto para Wellington Saci.

Ouvi vaias no final do jogo. Acho que as maiores foram para o atacante Francis, que entrou no segundo tempo e não acertou um passe. No fim, a irritação sobre o time que não fazia aquele gol para sacramentar a vitória e tomava pressão do time do Ceará mesmo depois da expulsão de Elanardo. Isso passou para o resto do time.

Menos mal que a vitória veio, e semana que vem tem jogo complicado contra o Náutico. Para subir não é necessário jogar por música. Tem que marcar ponto, e isso o JEC está fazendo. Passa pra próxima. Bom lembrar que um dos motivos que a Chapecoense conquistou o acesso ano passado foi o grande número de vitórias no início do campeonato.

E mais uma noite de luto no futebol do país da Copa. Um torcedor idiota do Santa Cruz teve a ideia de ir no banheiro para arrancar uma privada (depredando patrimônio do clube) para atirar do anel superior do Arruda para atingir torcedores adversários. Sem palavras para descrever essa coisa feita por um ser que não pode ser humano, e que não foi e não será identificado pelas autoridades. Um torcedor do Sport, que mesmo adversário tinha o direito de ir lá ver o jogo, acabou morrendo, e a polícia já falou que vai ser complicado investigar.

A punição desportiva será dura contra o Santa, não há dúvida. Mas isso não muda a situação de caos que o Brasil vive com suas torcidas. Lendo os jornais de Pernambuco, percebe-se que lá os confrontos estão fora de controle. Culpa de um sistema que não consegue uma ferramenta eficiente de combate aos bandidos travestidos de torcedores. Tudo isso a 40 dias da Copa do Mundo no país.


quarta-feira, 30 de abril de 2014

A falta de planejamento que assusta. Caio se foi ontem, e hoje Eutrópio

Flavio Tin / Notícias do Dia
As vezes me dá a impressão que tem gente que desaprendeu com todas as lições que o futebol dá todos os dias.

Criciúma e Figueirense faltaram nas aulas. Os seus dirigentes não souberam planejar e, com a bandeira do ultraimediatismo, demitiram seus treinadores. Os casos de Caio Júnior e Vinicius Eutrópio são diferentes, mas com uma mesma base: o baixo nível do Estadual e a necessidade de uma melhora de qualidade. Não duraram duas rodadas.

Caio pegou o barco do Tigre em chamas após todas as lambanças que o pseudo-técnico Ricardo Drubscky fez no time. O seu projeto tinha um prazo maior, com a remontagem de um elenco que não convenceu e que era uma desorganização só. Perdeu um jogo para o Palmeiras com interferência direta da arbitragem e para o Goiás, em uma bobeada no fim do jogo.

Nada disso adiantou para a diretoria do futebol do Criciúma, que não tem uma gestão profissional. O presidente deveria aproveitar para trocar todo o departamento. Seria melhor.

E aí vem o substituto: Wagner Lopes, que como jogador atuou pela seleção japonesa, cuja experiência como técnico no Brasil se restringe ao interior paulista (aliás, o clube parece ter uma paixão pelo Botafogo de Ribeirão Preto). Vem a pergunta: Caio veio com o discurso de ser um técnico experiente para tocar o projeto da Série A. OK. E o que dizer agora da aposta em Wagner, que tem um currículo limitado e nunca treinou na primeira divisão? O que credencia ele para ser o "salvador da pátria" nesse momento?

E nesta quarta, veio a demisão de Vinícius Eutrópio. Há exatos 17 dias, era carregado pela torcida como campeão estadual. Pegou uma bomba de time de Adilson Batista, organizou com o que tinha nas mãos, e conquistou o acesso. Duas derrotas no início do Brasileiro, e tchau pra ele.

Eutrópio reclamou por reforços. Precisa de mais qualidade no elenco, e isso estamos vendo com o mau início dos catarinenses nas duas Séries do Brasileiro. O Estadual foi uma enganação no nível técnico, e todo mundo precisa melhorar. Reclamou de ter jogado sem torcida em Barueri contra o Bahia, e estava certo.

Os dirigentes, que não consideram isso, resolveram limar o técnico. Fala-se em Guto Ferreira, que vem de uma temporada conturbada na Portuguesa e que, assim como Wagner Lopes, não possui nenhuma credencial que diga que ele possa ser "o cara" para resolver a situação.

E pode anotar: Eutrópio vai treinar um time grande logo logo. Foi vítima da má gestão imediatista e com visão nada profissional do nosso futebol. O problema não era ele.


segunda-feira, 28 de abril de 2014

Chapecoense proíbe os "mistos" na arquibancada

Uma historinha rápida que eu presenciei. Abril de 2000, Chapecoense e Brusque jogavam no Regional Índio Condá. Jogo modorrento, chato, e a torcida pegando no sono na arquibancada. No intervalo da partida, crianças de escolinhas da cidade fizeram um jogo usando camisas do Grêmio e do Internacional. Deu briga na descoberta.

14 anos depois, tudo mudou em Chapecó. O time está na Série A e a direção faz de tudo para afastar de vez a figura do torcedor que vai ao estádio com camisas de outros clubes. No comunicado divulgado hoje, o clube avisa aos seus associados que não permitirá o acesso de quem usar camisas de outros clubes. Quem quiser, que vá para o setor visitante.

Embora o aviso já esteja valendo para o jogo deste domingo contra o Corinthians, o recado vale para a partida do Dia das Mães, contra o Grêmio. Será a primeira oportunidade de um jogo do Brasileirão entre o time da cidade contra aquele que, junto com o Inter, atraiu as atenções da região até pouco tempo atrás.




domingo, 27 de abril de 2014

Feridas expostas

Fernando Ribeiro / Criciúma EC
Passadas duas rodadas do Brasileirão, e aí somando as duas séries, somente uma vitória catarinense em nove jogos.

Baita nível técnico do Campeonato Catarinense, o Chevetão. Depois da segunda rodada, virou ordem urgente: apaga tudo que aconteceu até aqui, faça uma autoanálise e corra pro mercado, que está complicado até que se abra a janela do exterior no meio do ano. Neste domingo, três partidas horrendas, que me fizeram passear de canal em canal pra achar a "menos pior".

A Chapecoense pegou o time verde do Sport, rendeu pouco, até teve chance de empatar, mas esbarrou na falta de qualidade do seu ataque. Pergunta direta para Gilmar Dal Pozzo: o que você vê de tanta qualidade assim em Bergson, jogador que o Grêmio faz de tudo pra se livrar? Só Régis trabalhou na frente, e sem poder ofensivo, não dava pra chegar no gol do adversário, que não era tudo isso.

Em Barueri, para 700 e poucas testemunhas, o Figueirense voltou a mostrar o mesmo futebol decepcionante da estreia contra o Flu e perdeu para o Bahia. Aqui, duas considerações: além do triste rendimento físico e técnico de um time que não conseguiu se impor sobre o adversário, teve a escolha absurda e infeliz de mandar o jogo em São Paulo, esperando fazer uma boa grana. Não fez, vai ter prejuízo e despertou até a revolta do técnico Vinicius Eutrópio. Ora, se em Santa Catarina existem outras opções, porque não jogar perto do torcedor? Não, preferiram usar do seu mando de campo em São Paulo tentando trazer torcedores do Bahia. Isso não é pensar pequeno?

E por fim, teve o Criciúma lá em Itumbiara. Jogo muito fraco, sem inspiração dos dois lados. Até que apareceu uma falha da zaga do Tigre que acabou no gol do Goiás. Caio Junior está certo em dizer que muita coisa há por acontecer ainda em um time que foi remontado do estadual pra cá. Só que arrumar a casa com o bonde andando é algo complicado e que o torcedor pode não ter paciência.

Para sorte deles, vai ter a parada para a Copa. O nível tá bem complicado.