sábado, 12 de julho de 2014

Acabou o papelão, graças a Deus

Celio Messias / Vipcomm
A surra holandesa em Brasília teve uma cara de "já que deu tudo errado, vamos esculhambar de vez". Felipão mexeu o time sem treinar, colocou jogadores só pra terem um "gostinho de Copa" contra um time que não jogou em ritmo de decisão, mas com seriedade e a missão de jogar o que sabem.

São dez gols em dois jogos. A decepção aumentou mais com o futebol brasileiro que tomou uma aula de duas escolas europeias. E não sei como seria se o time enfrentasse a Argentina.

OK, foram dois erros de arbitragem no primeiro tempo. O resultado era o de menos, pra ser sincero. Queria que o time mostrasse um mínimo de vontade de tentar remediar a irremediável surra tomada no Mineirão. Não mostrou vontade alguma, um desrespeito aos milhões de torcedores que perderam o sono e até agora querem saber o que aconteceu na terça.

E parece que não foi simplesmente um apagão, não. Foi falta de futebol.

Não há muito o que dizer, daqui a pouco aparece uma outra cartinha da "Dona Lúcia" dizendo que está tudo bem e que futebol é assim.

Tanto se falou que "é hora de reestruturar". Isso já ouvi várias vezes, e esse é mais um aviso. Com esses gestores que estão aí na CBF, é difícil de acreditar que algo mude.

O jeito é rezar, torcer para que alguma luz apareça. Tem muito tempo até lá. Graças a Deus acabou esse papelão protagonizado pela seleção frente aos seus torcedores.



quinta-feira, 10 de julho de 2014

Minha casa nova no rádio em Joinville

A Copa está acabando, e na terça recomeça o Campeonato Brasileiro da Série B.

Como muita gente deve saber, até a parada para a Copa trabalhei na cobertura dos jogos do Joinville para a Rádio 103 FM, uma casa muito legal, onde fiz muitos amigos. Nessa parada do Brasileirão, a direção da emissora resolveu terceirizar o departamento de esportes para um novo grupo.

Recebi e prontamente aceitei o convite para um novo desafio, agora na Rádio Clube 1590 AM, outra tradicional emissora joinvilense. Ao lado de uma equipe competente, que também tem o narrador Cesar Junior, os comentaristas Nardela e Aurélio Ramos, os repórteres Marcelo Santos e Juliano Schmidt e o plantão Gerson Machado, vamos trazer a melhor cobertura do tricolor na Série B.

Minha estreia no novo prefixo está marcada para o dia 18, uma sexta-feira, quando o JEC estará em Natal para enfrentar o ABC. No primeiro jogo pós-Copa, contra o Ceará, o comando da jornada será do César Junior.

Conto com a audiência de todos!


terça-feira, 8 de julho de 2014

A Copa que não pertenceu ao Brasil

Jeferson Bernardes / Vipcomm
O atropelamento no Mineirão serviu para constatar que a Copa 2014 não pertenceu à seleção do Brasil.

É uma Copa que o mundo inteiro está curtindo pelo número de gols, pelo futebol ofensivo, as boas novidades, os times brigadores que eliminaram times tradicionais que vieram jogar pelo nome.

O futebol do Brasil não se encaixa nesse contexto. Não se acertou no ataque, não tinha velocidade, não apresentou novidade e não foi brigador.

Aí vem aquela frase tão falada nos últimos meses: "Imagina na Copa".

O hino nacional cantado à capela não pode ser a arma mais forte de um time de futebol. É muito bonito mas não ganha jogo. Muito menos se o pessoal chorar antes mesmo da bola rolar.

Vamos dar a mão a palmatória: Felipão é defenestrado hoje mas teve um ano tranquilo, sem muitos questionamentos. Tudo porque ganhou a Copa das Confederações, competição que (adivinhem), não tinha nenhum dos três semifinalistas classificados neste ano além do Brasil. Uruguai, Itália e Espanha não foram longe.

Aquela competição do ano passado enganou de novo, assim como aconteceu na África do Sul. Um título superestimado que trouxe uma tranquilidade enganosa. E todos, repito, todos, se não caíram nessa onda, não tinham base para provocar uma grande mudança. Mas poderiam exigir uma evolução, já que na Copa do Mundo mais que oito equipes, realmente envolvidas no torneio.

Felipão apareceu na Seleção porque a cúpula da CBF queria dar uma resposta à demissão de Mano Menezes com aquela comissão técnica campeã em 2002, mesmo que muita coisa tenha mudado no futebol mais de uma década depois. Veio o velho esquema do camisa 9 plantado, que mostrou ser ineficaz na Copa. Depois de encaminhar o Palmeiras rumo ao rebaixamento, ganhou a seleção do Brasil como prêmio. Enquanto isso, na Alemanha, uma profunda e moderna reestruturação estava se encaminhando, com resultados promissores. Ainda em 2010, se falava que "A Alemanha é a seleção do futuro". Não sei se serão campeões, mas o trabalho lá realizado é algo de se parabenizar.

Em uma festa tão bonita, com jogos tão legais, dá pra dizer tranquilamente que o país só emprestou a casa. A Copa em si não pertenceu ao Brasil.


A realidade e a revolta da humilhante eliminação

Jefferson Bernardes / Vipcomm

Eu já chorei pela seleção. Era moleque lá em 90, naquele gol do Caniggia.

Vinte e quatro anos depois, sentei pra assistir o jogo sabendo que se o Brasil perdesse, iria ser justo. Afinal, são quatro camisas tradicionais, não existe zebra entre elas.

Mas nunca se viu no futebol mundial um apagão como esse da seleção do Felipão. Um primeiro tempo com um massacre alemão na Pampulha. O mundo repercutirá e lembrará desse 8 de julho em Belo Horizonte.

Não é falar de despreparo técnico. O time não estava com a cabeça no jogo. Escrevi essa semana que as semifinais eram "a hora de separar os meninos dos homens". Temos a resposta. Vemos um time bem armado, pragmático, que colocou sua proposta em campo contra um time que se assustou ao tomar um gol. Sim, um time experiente, com estrelas internacionais, tremeu na base ao tomar 1 a 0. Não boto isso na conta da ausência de Neymar e Thiago Silva. Tem gente ali com qualidade individual suficiente para substituí-los. Era só o técnico armar bem o time e os jogadores corresponderam.

Felipão apresentou uma proposta que sequer foi testada. Quando o castelo caiu virou pelada. Ele ficou lá, parado, assistindo o seu time ser destruído. Teve até direito a dois gols no segundo tempo, pra fechar uma outra marca histórica: a maior goleada já sofrida em 100 anos de história da seleção brasileira.

O Brasil está com um misto de revolta e tristeza. Assistiu ao segundo tempo tentando saber o que aconteceu. Quem acompanha futebol sabe que é em momentos decisivos que aparecem aqueles que se superam e fazem a diferença. Atônitos, aplaudiram os alemães no sétimo gol.

A eliminação esteve próxima na bola na trave de Pinilla nas oitavas. Contra a Colômbia o estresse foi menor, mas sem convencer plenamente. Chegou a Alemanha e todos viram o que aconteceu.

A Copa é competição de excelência. Tem que trabalhar duro, com seriedade. Preservar a necessidade do time trabalhar, sem auê nem puxação de saco. O exemplo alemão é algo pra ser seguido.

Jogadores serão marcados para sempre em uma data negra para o futebol brasileiro, que será lembrada pelas próximas gerações, e tudo gravado em alta definição. Termina um ciclo de uma seleção que não pode reclamar que não foi empurrada pelo seu torcedor, mas que botou tudo a perder em uma fraqueza que se um time de terceira divisão do catarinense não pode ter.

O jogo da vergonha que será lembrado pra sempre.