quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Chegou a tua hora, Joinville

Assessoria JEC
São Luís, 4 de novembro de 2014.

Chegou o dia do Joinville ir para a Série A do Brasileiro.

A hora do torcedor tricolor se livrar de um peso carregado desde o ano passado, quando o time tropeçou nas suas próprias pernas dentro de casa e deixou escapar um acesso até mais fácil que o deste ano.

Lições a serem aprendidas, com uma nova organização, e um treinador que trouxe todo o seu conhecimento com muita humildade. Muito desse time vencedor tem a cara de Hemerson Maria, que por muito pouco não conquistou o título estadual e seguiu o seu trabalho na Série B com competência, inclusive para passar por um pequeno princípio de crise. Mas os números não falham: em 34 rodadas até aqui, o JEC só ficou fora do G4 em uma, e após perder para a forte Ponte Preta em Campinas.

O técnico passou por dois grandes problemas: resolver dificuldades que ele mesmo admitiu ter no time no meio do campeonato, e a perda súbita de Jael.  Deu jeito, com a ajuda de atletas que cresceram dentro do time e trouxeram, além de qualidade, uma tremenda confiabilidade. Edigar Júnio trouxe pra si a responsabilidade do ataque. Anselmo se tornou o companheiro ideal na marcação do meio, ao lado do competente Naldo. Rogério veio desacreditado do Criciúma e mostrou um crescimento absurdo na reta final, se transformando em outra arma perigosa. Na zaga, Guti veio com a confiança do técnico. Assumiu a posição e fechou uma ótima dupla com Bruno Aguiar. E no banco, tem Fabinho e Felipe Souto para entrar em qualquer momento para manter ou aumentar o ritmo.

E o jogo contra o Sampaio Correa foi bem um retrato disso. Um time organizado, com padrão tático bem definido, que botou sua proposta desde o primeiro minuto. Aproveitou os espaços do contra-ataque e fez 2 a 0 no primeiro tempo. O time da casa, que é valente, arriscou tudo o que podia para tentar um empate. Conseguiu fazer um. Foi sofrido, digno de um grande drama. Era o time desesperado contra um que rezava para que o jogo acabasse. Cinco minutos a mais de espera. Deu tudo certo.

Nereu Martinelli prometeu esse acesso. Sabe que o trabalho foi grande para montar esse elenco. Admitiu que precisava de ajuda. César Sampaio tem muita participação nisso tudo, por trazer o seu conhecimento para deixar a máquina em condições de Hemerson Maria pilotar para a Série A.

É a sua hora de festejar, torcedor tricolor. O acesso é dedicado a você que acreditou e que agora poderá ver seu time na elite.

Ah, o campeonato não terminou. Agora, é a luta pelo título. Quem conquistou o acesso com quatro rodadas de antecedência não pode baixar a guarda. Mas como o jogo contra a Ponte é só no dia 15, dá pra fazer uma boa festa antes de voltar a campo.

Nesta quarta, Joinville vai receber seus herois de braços abertos.




domingo, 2 de novembro de 2014

Sem esforço para ter sorte melhor, sem resultado

Fernando Ribeiro / Criciúma EC
A rodada importante da Série A termina com três derrotas dos catarinenses. Na hora em que os clubes precisam dar aquela entrega a mais, correr mais pelo adversário e buscar o resultado, o pessoal tá falhando.

O Criciúma parece já ter assinado a passagem de ida para a Série B. Não apenas pelo resultado, mas pela mesma pasmaceira do futebol contra o São Paulo. Duas coisas precisam ser mencionadas. Primeiro, a informação de que o presidente prometeu pagar R$ 1 milhão ao grupo caso o time fuja do rebaixamento. E depois, que Toninho Cecílio veio de graça para o Tigre. Só vai ganhar alguma coisa se conseguir subir. É ou não é pra ficar indignado com tanta coisa pitoresca?

O São Paulo poderia ter goleado. Não o fez por incompetência ou por estar pensando na longa viagem ao Equador que viria depois. O cenário em nada mudou: continua o time sem alma, que não parece profundamente empenhado em ao menos tentar uma virada improvável. Parece um caso perdido. O único time que conseguiu escapar do rebaixamento vindo da lanterna a essa altura do campeonato foi o Fluminense, em 2009. E quem lembra do que aconteceu naquele ano, sabe do que é preciso para se alcançar o objetivo. E grande parte da torcida não acredita mais. Uma pena.

Sinal de alerta mais forte para Figueirense e Chapecoense, com tônicas bem semelhantes. Tirando o começo da partida, o que os dois fizeram de concreto para ter sorte melhor na partida?

Peu Ricardo / Lance / ND
O Sport venceu o Figueira com um pênalti à brasileira, bem Mandrake, numa bela encenação do Ibson. Argel reclamou um monte, mas faço essa pergunta pra ele: o que o time fez no resto do jogo? Grupo passivo em campo, assistindo o adversário, que não vive uma das melhores fases, fazer catimba adoidado e controlar o tempo. Antes de reclamar do lance que deu o gol, melhor olhar pro próprio umbigo. O time alvinegro terá pela frente confrontos-chave contra adversários diretos (Chapecoense, Botafogo e Vitória), e três carnes de pescoço (Galo, Internacional e São Paulo). Tem que esquecer o que passou. Argel tem que tentar colocar o time em campo com uma motivação igual ou melhor ao jogo contra o Cruzeiro, onde encarou de igual pra igual o líder do campeonato.

No Maracanã, a Chapecoense conseguiu segurar o Flamengo no primeiro tempo. Mas Jorginho preferiu se defender, e bem mal.  Dois volantes e quatro atacantes que abriram um espaço tremendo na defesa. Tomou até gol do Anderson Pico, ex-jogador em atividade. Com as laterais abertas, o desfalcado rubro-negro fez 3 com facilidade.

No receituário do time que quer sair de uma situação de desespero próximo da zona de rebaixamento, estão os termos "ousar" e "ser responsável". Tem gente que precisa colocar esses termos no vocabulário.

Tudo continua embolado lá atrás. Dá tempo. Problema é ter atitude.