sábado, 23 de maio de 2015

JEC precisa perceber que não está na Série A para turismo

Assessoria JEC
O Joinville foi completamente dominado por um São Paulo que, vamos falar a verdade, não forçou e nem jogou pra tanto. Mas o time de Hemerson Maria chega ao sexto jogo seguido sem marcar gol criando uma preocupação enorme nesse início de Série A.

O time toca, toca, toca, mas não cria jogadas de perigo. É um time "meio" organizado, mas que é muito pobre no setor ofensivo. Os gols não vem, e o time vai ficar mais uma rodada na zona do rebaixamento.

Tem coisas que não entendo: Sueliton foi eleito um dos melhores do estadual, e o técnico aposta em Mário Sérgio, um jogador que não mostrou nada de excepcional. Em uma falta perigosa, ele abre mão de Marcelinho Paraíba para que o zagueiro Bruno Aguiar chute a gol.

Enfim, o Joinville precisa tomar noção que está na Série A e precisa ir pro combate contra os adversários, buscando aquele brio da última Série B. Ter consciência para ocupar os espaços, ter a posse de bola e criar as jogadas. Uma coisa é perder para um grande adversário com luta, trocando chumbo e criando jogadas. Outra bem diferente é assistir o outro time jogar.

Sábado que vem tem a "segunda estreia" em casa, agora com público, contra o Atlético-PR. A torcida estará lá pra cobrar. E ela vai exigir uma reação. Hemerson Maria terá que fazer uma correção de rota.


sexta-feira, 22 de maio de 2015

Video: soldado que invadiu estúdio da RCE, 29 anos depois

Recomendo muito que assistam essa matéria, que conta um capítulo da história da TV em Santa Catarina. Voltei no tempo ao ver de novo as imagens do PM que invadiu o estúdio da RCE em Floripa (hoje é a Record News), talvez uma das lembranças "futebolísticas" da minha infância, quando eu digeria tudo o que era relacionado a futebol. A reportagem encontrou o soldado da PM quase 30 anos depois e levou ele de volta ao estúdio no Morro da Cruz. Sensacional.


quarta-feira, 20 de maio de 2015

A experiência de um jogo com portões fechados

Lá fui eu pra Joinville com uma missão diferente. Transmitir um jogo, no estádio, que não teria torcida. Já fiz dezenas de jogos no chamado "tubo", quando a gente narra em cima da imagem da TV com o repórter no estádio, as vezes nem isso. Nesse caso, as emissoras põem uma trilha com o som de torcida. Isso ajuda a dar um clima pra transmissão.

Sabia que não ia ter isso. Era um jogo importante, do Joinville contra o milionário time do Palmeiras, a estreia do time em casa na Série A. Certamente o estádio estaria lotado se pudesse ter público. Mas como no jogo com a Ponte Preta o rapaz do sistema de som teve uma tremenda infelicidade... torcida do lado de fora.

Sem trânsito algum, cheguei no estádio, e lá estava o guindaste com a ideia maluca de transmitir um audio com 5 ou 6 segundos de delay do mercado para dentro da Arena. Imagina só, um gol acontecer e o grito da torcida só vir depois de um tempo. O Delfim vetou e o guindaste foi embora. Alguém pagou essa conta.

A gente sempre é dos primeiros a chegar e um dos últimos a sair do estádio. Estamos acostumados a ver as arquibancadas enchendo e esvaziando. Dessa vez foi tudo em silêncio. Chegava a hora do jogo e tudo o que eu via era o pessoal da imprensa escrita ligando seus notebooks na minha frente. Os times entraram em campo num "silêncio ensurdecedor", como escreveu Nelson Rodrigues. Um negócio frio que todos olhavam com um misto de ironia e vergonha. Um jogo importante daqueles para algumas pessoas que estavam lá pra trabalhar.

E vamos ao jogo. Durante a narração você tem que sentir o clima da torcida, seja num contra-ataque engatado ou naquele "uuuuu" de um gol perdido. Não tinha nada, só o som do pessoal conversando em campo como uma pelada de domingo de manhã. Pensei a semana toda em como transmitir aquilo. Decidi "imaginar" uma trilha de torcida roncando no retorno, pra ver se dava pra manter o ritmo.

Foi difícil, saí de lá mais cansado que de costume. Manter o embalo em um clima que nada conspira a favor é complicado. Em um jogo fora de casa, por exemplo, há aquela coisa do time visitante que pressiona para calar a maioria dos torcedores. Ali não tinha ninguém pra calar, nem pra comemorar.

O jogo não teve gol. Aliás, não sei o que é narrar gol do JEC já faz um tempo. Os últimos 4 que eu fiz o tricolor passou em branco. Mas espero nunca mais ter que fazer um jogo sem torcida. É como se você tivesse falando para ninguém, ainda que o rádio e a internet te levem pra todos os cantos do mundo. Em outros tempos, a gente sabia a audiência da rádio pelo "chicote", a vinheta do tempo. Os rádios portáteis tinham altofalantes colados no ouvido e ecoavam no estádio. Os fones reduziram isso, mas você tinha na cabeça que alguém estava ali, sentado, te ouvindo e inserindo tua voz na emoção do jogo. No domingo não tinha ninguém na Arena que sempre tem bons públicos.

Pode até ter parecido simples, mas não foi. Vai pra minha história e de todos que lá foram trabalhar. Público de treino em um jogo importantíssimo. Foi futebol sem um dos seus ingredientes mais importantes, onde foi provado que sem ela, a torcida, o jogo fica sem graça.


segunda-feira, 18 de maio de 2015

"Ah, jogou bem mas poderia conseguir algo melhor..."

Rodada em que os quatro catarinenses não marcaram gol, e apenas dois pontos foram conquistados, nos empates de Figueirense e Joinville em casa. É muito cedo pra tirar alguma conclusão que possa dizer "olha, o time tem que contratar 4 ou 5 se não cai".

Hoje vou na contramão do pessimismo. Só não vi o jogo do Avaí, pois transmitia o jogo do JEC que acontecia ao mesmo tempo. Senti nas três outras partidas aquele sentimento do "time que tá arrumadinho, mas falta uma coisa a mais". Nenhum deles dá pra chamar de tragédia.

Chapecoense perdeu para o Corinthians com placar magro. O Figueirense empatou com o Vasco dominando no segundo tempo enquanto que o Joinville, bem arrumado na marcação, poderia até ter batido o poderoso Palmeiras se tivesse um pouco mais de poder ofensivo.

E vejam só, o Cruzeiro é o lanterna. O que não quer dizer absolutamente nada. Com duas semanas de Série A, dá pra ver claramente qual o caminho que precisa ser trilhado para uma melhora, e parece que uma coisa vale para todos eles: o ataque precisa ser observado com maior atenção.

E outra coisa que merece ser ressaltada é que não vi até agora nenhum time de encher os olhos. O que dá condição para que todos sejam batidos a essa altura.

Segue o bonde que no final de semana tem a terceira rodada. O Joinville mostrou evolução e um time mais solto, a Chapecoense continua arrumadinha mas precisa ser mais ousada, embora tenha vencido na estreia. Já o Figueira estreou seu time titular contra um Vasco que não mostrou nada demais. De Inter x Avaí nada posso falar, mas vi a chance de gol que Anderson Lopes perdeu. Aí ele pede pra ser criticado.