quinta-feira, 28 de maio de 2015

Chegou a hora de acertar as contas

* Publicado no jornal "Notícias do Dia" de 28/05/2015


O futebol mundial vai lembrar do 26 de maio, o dia que marcou as prisões de importantes nomes da Fifa, escancarando a operação em que os "tiras" do FBI mostraram que não estão para brincadeira e que vão fundo nas investigações que pretendem passar a limpo tudo de errado que aconteceu nesses últimos anos, em negócios escusos que renderam milhões de dólares a dirigentes do maior esporte do planeta.

Não é a primeira vez que se fala em investigação sobre a Fifa, mas dessa vez, com a presença dos especialistas americanos com colaboração do ministério público suíço, há a esperança que algo de concreto vá acontecer. Lá nos Estados Unidos as leis anticorrupção são duras, e a leva de prisões de ontem pode levar a outras revelações e mais gente indo em cana.
A imagem da entidade máxima do futebol, que já foi bem prejudicada na Copa do Mundo e ganhou maior dano com a polêmica escolha de Rússia e Catar para 2018 e 2022, caminha para ruir de vez. As empresas patrocinadores estão preocupadas com o prejuízo que isso pode causar. A primeira atitude da Fifa foi "banir" os responsáveis, jogando-os aos tubarões como se eles fossem os únicos culpados, e seguir tudo normalmente, inclusive as eleições marcadas para amanhã.
Aqui no Brasil, enquanto Romário conseguiu assinaturas para levantar uma CPI em Brasília, a CBF soltou um comunicado bem chinfrim se isentando dos problemas, atribuindo a crise à antiga gestão. Só que José Maria Marin continua lá, como um dos vice-presidentes e dando seu nome à sede da Confederação. Com as denúncias respingando até em competições nacionais, abre-se mais uma vez a portas para uma revolução interna. Delfim Peixoto, outro dos vices de Del Nero, partiu para a defesa e disse que tudo isso é uma estratégia americana para ocupar a Fifa. Olha presidente, se isso acontecesse não seria tão ruim. Se conseguisem implantar metade da organização das suas ligas nacionais já seria ótimo.
Uma vez, Joseph Blatter declarou que os Estados Unidos poderiam revolucionar o futebol no mundo. É, parece que ele está certo. 

terça-feira, 26 de maio de 2015

A importância de uma boa arrancada

* Publicado no jornal "Notícias do Dia" de 26/05/2015

A frase já é conhecida: uma vitória na primeira rodada vale os mesmos três pontos da última. Em cima dessa máxima, e em um campeonato que até agora não mostrou grandes jogos nem super times, conseguir pontuar em cima daqueles times grandes que vão se ajeitar com o andar da temporada é muito importante. A Chapecoense cumpriu bem a tarefa até aqui, vencendo os dois jogos que teve em casa, sendo o último contra o Santos, campeão paulista e com plenas condições de brigar por uma vaga na Libertadores. O que não quer dizer que Vinícius Eutrópio tem um time perfeito em mãos. Há muito trabalho pela frente.

O Avaí já tinha feito um bom jogo contra o Santos, e contra o Flamengo voltou a mostrar sinais da sua evolução. Venceu com um gol irregular, mas conquistou três pontos muito bem-vindos sobre outro time grande que vai levar um tempo para tentar se arrumar. Já o Figueira não mostrou brilho algum contra o Grêmio, repetindo o jogo contra o Vasco no Scarpelli, quando o time continuou deixando muito a desejar do meio para frente. Esse problema da armação precisa ser solucionado o quanto antes. Um clube que disputa o melhor campeonato do país não pode ficar tanto tempo assim sem uma solução convincente no meio-campo.

O Joinville é a grande decepção até aqui. Não marca um gol há seis partidas, somando o estadual e o brasileiro. Pior: parece que ainda não percebeu que está na Série A. Um time sem alma, que parece assustado em algumas situações e que não produz nenhuma jogada coletiva no ataque mesmo com a presença de Marcelinho Paraíba, que não disse até agora a que veio.

Ainda há um longo caminho pela frente, com tempo suficiente para que todos se recuperem. Mas é bem melhor um time conseguir pontos importantes para fugir da degola conquistando bons resultados no início do campeonato do que passar pela estafante pressão da reta final, onde os jogos ganham um caráter decisivo muito maior. Por enquanto, só o torcedor de Chapecó terá dias um pouco mais tranquilos. E outra prova de que o Brasileirão ainda não esquentou é que apenas dois jogos tiveram vitórias dos visitantes.