domingo, 26 de julho de 2015

A queda de Adilson Batista, em dois momentos

Fabrício Porto / Notícias do Dia
Se fosse uma peça de teatro, daria para dividir a passagem de Adilson Batista pelo Joinville em dois atos. Um passa diretamente pelos resultados conquistados em campo, e outro pelo efeito que ele causou dentro do plantel tricolor.

No campo seu aproveitamento foi de 26,6%, com duas vitórias, contra Goiás e Figueirense. O time mostrou uma inconstância, e o que aparecia como acerto não se repetia no jogo seguinte. Na partida contra o Santos, ele apostou em um esquema que lhe rendeu a vitória em Florianópolis. Até aí tudo bem, até porque o time mostrou uma singela evolução no empate com a Ponte Preta. Deu tudo errado na Vila. Nenhum chute a gol. Um time desnorteado em campo, que pareceu ter regredido não só à estaca zero, mas abaixo dela. Não houve o estabelecimento de uma sequência, que pudesse trazer um progresso. A conta é simples. Em uma partida, Marcelinho Paraíba nem era relacionado. No jogo seguinte era titular. Só para citar um caso.

Além disso, Adilson recebeu carta branca e acabou mudando profundamente o elenco. Sabidamente, e ele declarou isso mais de uma vez em entrevistas, ele não gosta de ter um esquema tático com o tal "homem de referência". Essa foi a deixa para Jael ir embora. Depois foi Rafael Costa, depois Sueliton, o melhor lateral do time, rumo ao Figueirense. Na lista também tem Bruno Aguiar, afastado, Tripodi, que nem foi usado, e Paraíba, outro que em dado momento não caiu nas graças do treinador.

Mais do que maus resultados, Adilson foi um tornado que devastou o plantel do Joinville. O novo técnico terá trabalho dobrado para reconstruir a casa, pegar os jogadores que estão lá e tentar fazer um time competitivo, contando ainda com um mercado que não é péssimo nessa época do ano. Agora, só milagre salva.

Vamos aguardar a escolha de Nereu Martinelli.





Três derrotas catarinenses. Só a Chapecoense se salvou

Assessoria JEC
O final de semana catarinense no Brasileirão só teve a Chapecoense confirmando a vitória dentro de casa, garantindo uma classificação tranquila na tabela, com 22 pontos conquistados. Numa conta rápida, o time de Vinicius Eutrópio chegou à metade dos pontos necessários para ficar na Série A antes do final do turno. É o único time que consegue manter uma certa constância, mesmo que os jogos fora de casa, as vezes, não repitam as atuações na Arena Condá. Mas no balanço das rodadas, o time está bem, e isso é que importa. É um time maduro e que não demonstra fraqueza. Bateu o forte Fluminense em casa, e isso é muita coisa.

O mesmo, obviamente, não dá pra falar do Joinville. Havia gostado da escalação de Adilson Batista para enfrentar o Santos, mas não esperava tamanha falta de entrega do time. Desnorteado em campo, o Peixe não demorou para fazer 2 a 0 e passar à condição de administrar a partida. Chutes certos a gol? Nenhum. O time que mostrou uma certa evolução contra a Ponte Preta parece ter voltado à estaca zero, ou até abaixo dela. Algo acontece além do campo. Você vê um time em condição difícil, que não mostra aquela garra ou "sangue no olho" para sair dela. O reflexo está nos discursos após o fim do jogo. Dorival Junior agradece. Vencer essa partida foi que nem tirar doce de criança.

Avaí e Figueirense entram numa desconfortável região de risco depois de ontem. O Leão me pareceu sem confiança necessária para enfrentar o Atlético-PR. Estava, após o gol de empate, em uma condição melhor que o adversário, com total possibilidade de virada. Tomou o gol e poderia salvar a noite não fosse a insubordinação de Juninho, querendo ser o heroi na cobrança do pênalti. Assim como aquele lance contra o Sport, novamente o time perde em casa um ponto importante que poderá fazer falta. Terá em Joinville a chance dar uma escapada. Em BH, o Figueira conseguiu jogar no mano-a-mano com o Atlético. Mas o gol, detalhe que decide a partida, acabou indo para o time da casa. Mesmo assim, o alvinegro chega ao quarto jogo sem vitória e começa a namorar o Z4. Argel terá na Ponte Preta, time que vem em decrescente no Brasileirão, a chance de ganhar ar. Ambos não podem nem pensar em empate na próxima rodada.