terça-feira, 6 de outubro de 2015

A luta pela viabilidade da "Primeira Liga"

Os dirigentes da Liga Sul-Minas-Rio pressionam e tentam viabilizar o seu campeonato. Foram para a CBF, onde teoricamente foram bem recebidos. Teoricamente, pois existem federações que não aceitam bem a ideia.

Mas me parece evidente que esses cartolas diminuíram a pedida. Não vai ser mais um campeonato para se sobressair aos estaduais. Tem mais cara de um pequeno torneio de verão. Claro que, com o menor número de datas, a pedida financeira diminui. É o tal do semear agora para colher depois.

A proposta da agora denominada Primeira Liga, um nome que me agrada por ser um possível início de uma "Premier League" brasileira, é tentar se encaixar no já apertado campeonato nacional. São seis datas de fevereiro a abril. Imagino que seriam retiradas da primeira e segunda fases da Copa do Brasil, quando elas se desdobram em mais que dois dias para ida e volta. Não haveria folga para os clubes, já preocupados com Estadual, Copa do Brasil ou Libertadores. Mas é o que dá.

Nesse esquema proposto, não há motivo aparente para largar o Estadual, que é bom lembrar que ainda é classificatório para a Copa do Brasil, principalmente pra quem não tem ranqueamento pra pleitear uma das dez vagas do ranking. A Primeira Liga será um torneio a ser disputado em paralelo, o que resolve dois problemas: abre uma brecha para que as Federações não torçam tanto assim o nariz e não cria dividida com televisão, que já paga para as transmissões do Estadual. Se dão ou não audiência, não importa. Está pago e a TV quer receber produto.

Surgiu a informação da intenção da Record em transmitir esse torneio. A sacada é interessante: abre espaço em uma competição nova que pode ficar maior. Eu acredito que se a Rede Globo quiser, ao menos igualando a proposta, leva, até porque nossos clubes não confiam no seu taco e são reféns de interesses televisivos, vide o que os nossos dirigentes de Santa Catarina fazem com os direitos do Estadual. Aqui não se ouve falar em divisão de direitos em pacotes. Num futuro distante, talvez a gente veja isso funcionar.

A Liga vai tentar vender os naming rights desse torneio, aqueles que a TV vai inventar outro para não falar da marca (e os clubes vão aceitar isso).

Basicamente, a questão é essa: fazer algo pequeno que possa ser grande lá na frente.

Mas até que tudo se estabeleça, há coisas a resolver como a arbitragem, atrelada ao mau comando da CBF, e os critérios de classificação. Usar ranking da CBF é eternizar os participantes, até porque esse critério não leva em consideração os resultados do Estadual. É necessário um critério técnico, assim como na Copa do Nordeste. Mas como estamos falando em uma "competição piloto", espero que possa ser consertado.

Ainda existem alguns desafios para que a Liga vingue. Mas há uma grande vontade para que a coisa aconteça.




domingo, 4 de outubro de 2015

As vitórias incríveis de Chape e Figueira e o "quase" avaiano

Lancenet / Notícias do Dia
As torcidas de Chapecoense e Figueirense vão levar as histórias desse final de semana adiante por um bom tempo. Enquanto o alvinegro passou por cima do Goiás e da arbitragem para conseguir uma virada importantíssima, a Chape deu mais um sacode em time grande. Depois do Inter no ano passado, agora o Palmeiras vai carregar o rótulo de ser vítima do Verdão do Oeste em Chapecó.

O Avaí poderia ter se juntado a esse clube, tendo tudo para vencer o Vasco. A triste exceção é o JEC, uma caricatura de time que entrou em campo para não perder do Flamengo.

A Chapecoense triturou o Palmeiras jogando bem, algo que preocupava tanto depois de um bom primeiro turno. Foi aplicado, teve sangue nos olhos, apertou o adversário, mostrou uma outra vibe em campo. Até William Barbio, jogador que nunca teve destaque, jogou muito! O resultado foi consequência da retomada dessa força, em muito conquistada depois da classificação para a próxima fase da sul-americana. A moral está elevada, o time saiu da zona de rebaixamento e a auto-estima de time e torcida ganharam novos ares. Que continue assim.

Aliás, a vitória veio em uma partida que teve até jogador chamado de volta do vestiário depois de expulsão. Quem sabe, se fossem 11 contra 10, a vitória poderia ser maior. E tem mais: a Chape mostrou que pode enfrentar o River Plate de igual pra igual, com chance real de classificação.


Carlos Costa / Lance / Notícias do Dia
Em Goiânia, o Figueira passou por cima da arbitragem e venceu o Goiás com um espírito de Argel. Foi uma espécie de volta ao tempo, quando o time apertou o time da casa, conseguiu a virada, tomou o empate numa infelicidade de Leandro Silva e buscou a vitória. Esse é o espírito. Não deu pra sair da zona de rebaixamento, mas a saída está próxima. Terá pela frente um jogo em casa contra o Flamengo e fora contra o JEC para conseguir isso. Não dá pra dizer que o time mudou pra melhor por causa de uma partida. Mas é um indício, um sinal que há um caminho. A vitória em Goiânia diz muito.


Na Ressacada, o Avaí foi mais time que o Vasco. Mais uma vez teve interferência da arbitragem, mas o Leão teve tudo para fazer mais, incluindo um pênalti perdido. No fim o time continua fora do Z4 e segurou um concorrente lá atrás. Que esses dois pontos não façam falta no final.

E no Maracanã, o Joinville começa seu tour de despedida da Série A. Um time de alta mediocridade em campo, que entrou em campo apenas e tão somente para se defender. Muitos erros de passe e domínio total da posse de bola do Flamengo, que não fez nenhum partidaço: precisou de uma bola parada para chegar ao gol e um toque no braço de Gabriel para ampliar. Aí vem a pergunta: o tricolor fez algo pra ter um final diferente na partida? Não. Então não tem motivo pra reclamar. Faltou futebol e a confirmação matemática do rebaixamento é questão de tempo. O clube que trouxe um caminhão de jogadores para o ataque não consegue montar um em campo que preste. Aí tem que cair mesmo.