terça-feira, 8 de dezembro de 2015

A menos de dois meses do campeonato, sai Ibirama, entra Guarani

A desistência do Atlético de Ibirama pela segunda vez mostra aquele lado sombrio do futebol catarinense, onde nem tudo são flores fora das séries A e B.

Uma irreponsabilidade sem tamanho. O time vai, participa da reunião, decide sobre o campeonato, sai na tabela e resolve cair fora, jogando a bomba em outro clube, que vai ter que se virar para montar time, arrumar o estádio e achar dinheiro.

Na minha opinião, a FCF errou. Deveria ter subido o Tubarão, e eu explico o porque. Quando aconteceu aquele problema com a Chapecoense em 2010, o campeonato não havia encerrado. A licença do Ibirama veio antes da decisão e, alegando isso, a FCF jogou o Atlético para a lanterna e segurou a Chape na primeira divisão. No mesmo ano, o Próspera desistiu de participar da segunda divisão. A Federação chamou o Guarani, vice-campeão da terceira do ano anterior. Que coincidência.

Em 2014, outro caso semelhante na segundona. Alegando falta de recursos, o Imbituba anunciou desistência. A FCF, então, chamou o Blumenau, vice da terceira do ano anterior. Como se vê, o pessoal lá mudou de ideia.

Enfim, será o Guarani e está decidido. Terá que correr contra o tempo para se preparar para o campeonato. Sinceramente, não sei se esse acesso relâmpago é tão bom negócio assim. Penso que não foi tão ruim para o Tubarão, que perde um concorrente forte na segundona (deverá subir o novato NEC Litoral, de Itajaí) e poderá se planejar tranquilamente para subir em boa condição em 2017, onde entra como um dos favoritos.

Essas coisas que eu não consigo entender. Os clubes possuem uma associação, onde deveriam resolver todas as questões inerentes ao campeonato e até buscar estabelecer padrões de qualidade. Não se acertam e aí acontece uma coisa dessas que, mais uma vez, vai pro noticiário nacional para manchar o coitado do campeonato estadual, que foi decidido no segundo semestre depois de uma novela no tribunal.

Agora, espero que o Atlético de Ibirama seja severamente punido pelo que fez. Pela segunda vez, resolve bagunçar o campeonato.



A carta do Delfim

Como em uma campanha política, o presidente da FCF soltou uma carta à imprensa ontem bradando aos quatro ventos que é a solução para o futebol nacional. Falou em formalizar a Liga, não fixar o seu próprio salário, enfim.... vendeu a sua proposta.

Aqui temos uma briga de pessoas que se eternizam no comando do futebol e não dão brechas pra outras pessoas. Delfim, e quem é catarinense sabe, não representa solução nem modernidade. Está brigado com Del Nero, ajudou a formalizar a Primeira Liga (que pode nem sair no ano que vem) e, na condição de dissidente, faz o discurso da mudança, coisa que não praticou nas três décadas à frente da Federação Catarinense. Tudo o que o Estado construiu nesses anos é mérito dos clubes, esses sim guerreiros que lidam com as dificuldades para serem grandes no futebol nacional.

Mas, mesmo assim, quero que ele assuma a CBF. Aí ele terá que renunciar ao comando da FCF e assumirá um homem ligado aos clubes, que é Rubens Angelotti, por um bom tempo braço-direito de Antenor Angeloni no Criciúma. Foi indicado pelos clubes, e é a chance de fazer a Federação funcionar fazendo uma grande mudança por lá. Quem sabe, constituindo uma Liga Catarinense para gerir o produto local.

Por outro lado, o clubes do Brasil tem mais uma oportunidade de mostrar quem manda, apesar de que o indicativo é de subordinação. Ontem, os clubes paulistas já soltaram o discurso de apoio a Del Nero, o que dá sinal que eles não vão se rebelar.

E o futebol vai seguir do mesmo jeito.

Com essa composição atual do futebol nacional, não vai mudar absolutamente nada.


segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Festa de um, tristeza de outro

* Publicado no "Notícias do Dia" de 07/12/2015

Coube a Marcão, o talismã, sair do banco de reservas para fazer o gol que manteve o Figueirense na Série A. Teve festa, mas não é um gol de título. O time passou raspando, teve muitos problemas durante o campeonato e uma escolha equivocada de treinador depois da saída de Argel. Tudo ficou para a última rodada. O alvinegro teve dificuldades, mas fez a sua parte contra um Fluminense misto, mas que não amoleceu a partida.

Contou com o insucesso do Avaí, que não mostrou em São Paulo nada muito diferente das últimas partidas. Chegou a estar na frente, mas esbarrou na maior qualidade do adversário. Acabou rebaixado nos pontos desperdiçados pelo caminho. 2016 promete ser um ano muito duro para o Leão, já que o orçamento é bem menor na Série B e o clube tem as sérias dificuldades financeiras. Fosse no meio do campeonato, o empate em Itaquera seria até bom. Mas pela circustância da rodada final do campeonato, acabou sendo fatal.

O torcedor alvinegro festeja a manutenção na elite e a desgraça do rival, mas amanhã a vida continua e as dificuldades continuarão grandes, como desabafou o presidente Wilfredo Brillinger diante das dificuldades financeiras. Ficam as lições para a próxima temporada. O Figueira terá que mostrar competência para fazer melhores escolhas dentro do seu orçamento, agora como único representante do futebol de Florianópolis na elite. Já o Avaí deverá usar de muita sabedoria nesse momento complicado nos seus bastidores para reconstruir o seu caminho.