quinta-feira, 21 de abril de 2016

Dinheiro no cofre

*Publicado no jornal "Notícias do Dia" de 21/04/2016

Com o anúncio do Figueirense nesta semana, todos os cinco grandes clubes catarinenses fecharam a adesão ao contrato de televisionamento fechado para o Campeonato Brasileiro a partir de 2019. Ainda que exista um longo tempo até lá, sem garantia nenhuma de que eles estejam na primeira divisão, o objetivo dessa ação um tanto quanto antecipada é garantir poder para negociar nesses próximos três anos. Os clubes, em sua maioria, nem pensaram em esperar até lá e procurar negócios melhores. Querem o dinheiro das luvas, muito bem-vindos nessa altura da temporada, que caem a vista nos cofres.

Dúvidas surgiram sobre essa "divisão" da preferência dos clubes, e qual a consequência isso trará ao torcedor. A lei exige que, para que uma partida seja transmitida, os dois clubes envolvidos tenham contrato com a mesma empresa. Um jogo entre Joinville e Avaí, por exemplo, não teria transmissão pela TV fechada no Brasileirão-19, mas poderia ter normalmente pela TV aberta ou pelo Pay-per-view, cujos contratos são diferentes.

O que os conglomerados querem com essa antecipação é garantir o seu espaço no campeonato e, nesse período, tentar mudar a lei, copiando um modelo europeu onde os direitos de um jogo pertencem unicamente ao mandante, não interessando qual o adversário. Fora isso, também há a possibilidade de um acordo que una as duas empresas, algo que seria uma vitória para o grupo Turner, que entrou na briga e agitou os bastidores com cifras que fizeram os olhos dos dirigentes brilharem e a concorrência se mexer.

O modelo do campeonato inglês, que não tem exclusividade e garante uma divisão justa para todos baseando-se na audiência e nos resultados dentro de campo, é sem dúvida o melhor e o mais rentável. Mas é inimaginável pensar isso no Brasil, onde existe uma grande discrepância de valores e onde muitos clubes vivem de adiantamentos e dos gordos cheques das luvas para se manter em funcionamento. E com a assinatura desses novos acordos, somando com os que já existem na TV aberta, o sonho para que essa divisão seja mais justa será empurrado mais alguns anos para a frente.

Nenhum comentário:

Postar um comentário