sábado, 26 de março de 2016

Chape, na superação, conquista um ponto improvável, enquanto o JEC vence sem jogar bem

Sidney Silva / Brusque FC
A Chapecoense conseguiu um senhor feito, e precisa ser elogiado por isso. Buscou forças depois de tomar 3 a 0 do Brusque no primeiro tempo para conseguir o empate e, assim, permanecer invicto. E vamos concordar: o Bruscão foi a Chapecó para não perder. Sem atacante no time titular, o time achou espaço para fazer três gols.

Errou na estratégia do segundo tempo? Sem dúvida, controlava bem o campo e criava chances. Mas acabou recuando, permitiu a pressão, cometeu um pênalti logo no começo do segundo tempo e abriu espaço para a reação. Mas para quem foi para o Oeste buscando um ponto, não foi tão mal negócio assim. Times grandes que foram pra lá voltaram derrotados.

O time de Guto Ferreira manteve a invencibilidade mas deu a chance para que o Joinville empatasse com seu time na liderança do returno, em um jogo péssimo na Ressacada.

Petra Mafalda / Mafalda Press / Notícias do Dia
Partida sem ousadia, de dois times quadrados, sem se encontrar em campo. Pode até ser contraditório, mas veja esse time do Joinville, onde Hemerson Maria troca suas peças do ataque buscando um mínimo de qualidade. Venceu, em uma bola pela direita que teve o gol de Felipe Alves em uma má saída de Renan, e garantiu os três pontos tendo dois jogos em casa pela frente antes da possível decisão em Chapecó.

É fato que o JEC ainda não me inspira confiança, principalmente no seu ataque. Mas se vencer as duas próximas rodadas e arrumar o time até chegar ao jogo no Oeste, teremos chance de ver uma decisão antecipada do returno. E não esqueçamos do Criciúma, que se vencer o Figueirense vai encostar e tentar encostar nessa briga, ainda que dependa de tropeços.





Sem chance para erros

* Publicado no jornal "Notícias do Dia" em 24/03/2016

Faltam cinco rodadas para terminar o returno do estadual. Há dois clubes dispostos a evitar o título antecipado da Chapecoense, time que não baixou o ritmo, muito pelo contrário, depois do título da primeira fase. O campeonato poderá, a cada rodada, ter o risco de ser decidido com antecedência, o que diminuirá a graça dos últimos jogos, com confrontos que pouco ou nada valerão. A briga mais quente poderá ser a do rebaixamento, com o Camboriú se aproximando de Metropolitano e Internacional e o Guarani praticamente eliminado. Até a briga pela Série D esfriou, depois que a CBF resolveu inchar ainda mais o campeonato, dando uma vaga a mais para o Estado. Agora, quem não cair vai jogar o Brasileiro.

Me chama a atenção como vem crescendo o volume de jogo da invicta Chapecoense. Dá a impressão de que pode entrar no Brasileiro para fazer bons resultados no seu início para não passar por drama lá no fim da temporada. Quem quiser derrubá-lo vai precisar fazer partidas praticamente perfeitas. Há um cenário desenhado para que o campeonato termine duas semanas antes do previsto. Será que o Joinville ou o Criciúma terão essa competência? Neste final de semana, ambos terão desafios interessantes: o JEC irá à Ressacada com a obrigação de vencer o combalido Avaí e sua enorme sequência de derrotas, enquanto o Criciúma receberá um Figueirense passando por um lento processo de reestruturação. Ambos não podem bobear, pois a Chape enfrenta o desfalcado Brusque em casa com grande chance de chegar aos 15 pontos.

Luvas nos cofres
A briga das duas emissoras de TV fechada pelos direitos do campeonato brasileiro a partir de 2019 tem esquentado e também trazido a salvação para a temporada de muitos clubes. Um caso é o do Avaí, que ao anunciar o fechamento do contrato de transmissão nesta semana, viu surgir um alívio momentâneo do problema financeiro, sabendo que uma boa verba das luvas irá pousar na conta do clube. Quem está com as contas em dia até pode esperar mais para a frente até escolher que caminho seguir. Pode até sair negócio melhor.

terça-feira, 22 de março de 2016

Seduzidos pelas gordas luvas da TV

O placar oficial em Santa Catarina da disputa pelos direitos em TV Fechada do Brasileirão está empatado. Hoje, o Avaí anunciou que fechou com a Globo/Sportv. Semana passada, o Joinville bateu o martelo com o Esporte Interativo. Segundo informou a Folha de São Paulo na edição do final de semana, a Chapecoense seguirá o caminho avaiano, enquanto Figueirense e Criciúma mudarão de lado e migrarão para o EI junto com o JEC.

Só clubes maiores e bem estruturados podem, se assim quiserem, esperar até 2018 para decidir com quem assinam apenas para a TV Fechada (Pay per view e TV Aberta são contratos diferentes). O resto pode até dar desculpas de audiência e exposição, mas a verdade é uma só: o dinheiro das luvas. Segundo informações, a grana oferecida pela Globo ao Avaí era melhor. Martelo batido e cheque na conta.

A estratégia do EI é de guerra. Resolveu procurar os clubes com muita antecedência, inclusive aqueles da Série B que não se sabe se estarão na elite em 2019. O objetivo é apostar para garantir espaço lá. E ainda há no caminho o desafio de mudar a Lei Pelé, que exige que os dois times de uma partida estejam "assinados com a mesma empresa" para ter o jogo exibido.

Li argumentos dos mais diferentes. Qualidade de imagem? Ambos são HD. Produção? Ambos usam as mesmas produtoras independentes para produção das partidas. Distribuição? Faltam algumas operadoras para todo mundo ter a mesma base.

Sigo muito o exemplo da FOX, quando conquistou os direitos da NFL. Havia medo de que o produto desvalorizasse com a venda do campeonato para a quarta emissora em audiência no país. Aconteceu o contrário.

Ainda que eu não concorde com o modo de venda dos direitos, quem negocia agora pode ter a solução dos seus problemas.

Poderiam ser feitos pacotes de jogos, horários diferentes, mais emissoras dentro, como é na Inglaterra e na NFL, onde três emissoras abertas hoje transmitem as partidas.

Mas essa foi a opção, com a sedução das gordas luvas. Quem está com a corda no pescoço está com os olhos brilhando.

Ah, só pra lembrar: o contrato de TV do Campeonato Catarinense, vence no ano que vem. A Associação de Clubes, que tem tradição de negociar mal o televisionamento do seu torneio, com direito a quebrar contrato em 2009 e permitir transmissão para a praça em 2013, tem a chance de, mais uma vez, tentar se valorizar.