sexta-feira, 27 de maio de 2016

JEC não fez bom negócio por Agenor

Quando surgiu a informação da nova investida do Sport Recife sobre o goleiro Agenor, do JEC, tentei imaginar qual o tamanho da proposta por um atleta que tem uma multa rescisória de R$ 5 milhões. O time de Pernambuco tem um orçamento polpudo, mas não sei se seria negócio pra eles gastar esse caminhão de dinheiro por um goleiro, posição que há sim uma oferta interessante no mercado.

Mas o Joinville resolveu facilitar as coisas de uma forma surpreendente. Cedeu o goleiro ao Sport por um valor, podemos dizer, simbólico. Primeiro, o presidente Jony Stassum abateu o valor da multa em mais da metade. Vendeu 50% dos direitos dele por apenas R$ 1,1 milhão, recebendo R$ 550 mil à vista e a outra parte somente em março do ano que vem.

Com todo o respeito, mas ninguém em sã consciência, ainda mais com um contrato com multa alta na mão, faria algo assim. Pois é, o JEC fez, liberando um importante jogador por pouco mais de 10% do valor da quebra de contrato.

O JEC não está quebrado. Entrou dinheiro da transferência internacional de Ramires, das saídas de Guti e Anselmo e também tem as luvas pagas pelo Esporte Interativo. Não vejo uma situação de desespero para se livrar do jogador, ainda mais na situação que o clube se encontra, de uma forma assim, tão fácil.

E assim, a diretoria tricolor vai desmanchando o time. Bruno Aguiar tem proposta do América-MG e também pode ir embora.

Não dá pra entender essa lógica.  A Chapecoense, por exemplo, pensa bem diferente na hora de negociar. Ano passado, Camilo estava acertado com o Botafogo e o clube não abriu mão da multa. Ele só saiu para o mundo árabe quando o dinheiro pedido pingou na conta.



Empates e arbitragem

* Publicado no jornal "Notícias do Dia" de 26/05/2016
Ninguém gosta de ter que tocar de novo no assunto, mas a arbitragem acabou sendo decisiva para os catarinenses ontem à noite. O Figueirense tem toda razão em reclamar de dois pênaltis não marcados no segundo tempo do jogo contra o Santos. A Chapecoense, que vencia o Flamengo, foi prejudicada em um lance bisonho, penal inexistente, na cara do árbitro.
O Figueira achou um gol no final do jogo contra o Santos, mas é importante ressaltar que o time ficou a desejar e muito no seu conjunto. O adversário chegou a ter 67% da posse de bola no primeiro tempo. Conseguiu sair na frente com o gol de Rafael Moura e poderia ir para o intervalo na frente com a possibilidade de desenhar um outro cenário para a etapa final, mas um erro infantil de Ferrugem colocou tudo a perder. O Peixe voltou melhor para o segundo tempo, virou o jogo e deu a abertura para o Figueira depois da expulsão de Gustavo Henrique. Com um a mais em campo, faltou saber aproveitar a chance.
Ermel veio do banco para garantir um ponto com um belo gol e evitar prejuízo maior. O garoto não vai salvar sempre, mas não pode ficar de fora do time titular, até pela fase que vive. É bom considerar que o time de Vinícius Eutrópio já perdeu quatro pontos dentro do Scarpelli, desobedecendo aquela cartilha de quem não quer ter sofrimento lá na reta final. O "time em formação" batizado pelo treinador vai ter que buscar pontos fora para cobrir o prejuízo. E é bom que comece a reagir o quanto antes.
Enquanto isso, a Chapecoense foi valente em Volta Redonda e só não venceu graças a um pênalti inexistente nos acréscimos. Sem se retrair e buscando o jogo contra o Flamengo, o time de Guto Ferreira fez um jogo equilibrado e cresceu demais após a expulsão de Everton. Passou a frente num golaço de Hyoran e teve pelo menos duas chances claras de matar a partida em contra-ataques. Acabou prejudicado pelo árbitro (de novo, contra o Inter aconteceu a mesma coisa). Mas a impressão é boa. Assim como em 2015, o Verdão do Oeste vai mostrando suas garras nas rodadas iniciais, sabendo o que faz em campo.
Mas não dá pra aceitar o que a arbitragem fez. Não eram lances difíceis. Acabaram interferindo e muito nas partidas.

domingo, 22 de maio de 2016

Chape aproveita e Figueira desperdiça, mas não pode reclamar

O Brasileirão começou a mostrar as características do seu equilíbrio: nenhum time venceu os dois primeiros jogos, o que coloca na liderança aqueles que venceram um jogo e empataram outro. A Chapecoense está lá, o Figueirense poderia estar.

Isso porque não tem como não lamentar quem sai na frente com um 2 a 0 e deixa empatar. Tá certo que empatar com o Cruzeiro no Mineirão não é mau negócio, mas da forma como foi, e com uma falha de cobertura no segundo gol, fica aquele gosto de "poderia ser melhor" para o Figueirense. Pelo menos a impressão deixada foi boa. Definir quem é quem no Brasileirão leva mais um tempo, mas os dois gols de Rafael Moura mostram que o time alvinegro está em uma situação de equilíbrio com o resto. Há tempo para subir de patamar, até porque a temporada é longa

Já a Chapecoense teve que ralar debaixo de chuva e frio (e um gramado preocupante) para virar pra cima do América-MG. Ainda que o time de BH tenha perdido os dois jogos, ele não é bobo. O time teve Bruno Rangel em excelente tarde (quase fez o terceiro para pedir música) e acabou "confirmando o serviço" para vencer em casa. Até agora, tudo certo, com um empate em Porto Alegre usando de forte marcação e a vitória sobre um adversário direto.

Início de Brasileirão tranquilo para os dois. Crise passa longe. Enquanto isso, tem outros desesperados no mercado.