sábado, 19 de novembro de 2016

Avaí na Série A: um acesso que vale livro com muitos personagens

Ah sim, esse acesso vale livro. Ou um documentário. No mínimo uma reportagem bem extensa.

Vamos voltar um pouco no tempo? A contratação do "estagiário" Marcelo Gonçalves. A renúncia de Nilton Macedo Machado. A campanha vergonhosa no Estadual. Atraso de salários. Protestos fortes. Era uma temporada que dava medo.

Com 23 pontos, o Avaí terminava o primeiro turno na 15a. colocação, com oito derrotas em 19 jogos. Atrás até do Oeste de Itápolis. 16 pontos atrás do Vasco. Levante a mão quem (realmente) acreditava que o time chegaria à última rodada em segundo, com o acesso garantido.

Aconteceu, em um jogo casca grossa. O Leão pegou um bom time do Londrina, que teve seu segundo melhor público na Série B e que ficou perto do acesso. Jogo nervoso que foi vencido com a estrela de Diego Jardel, que em determinado chegou a ser afastado do elenco, lembra?

 A reviravolta histórica, talvez única, tem muitos personagens. Vai desde o goleiro Renan, o melhor do Estado (que veio depois da negativa de Ivan, lembra?), que salvou a pele do time inúmeras vezes, nas horas boas e ruins, passando pela liderança de Marquinhos, que ajudou a segurar a barra do elenco com os problemas financeiros e indo para o sacrifício ao campo para fazer o que sabe, bem feito, até a chegada de Claudinei Oliveira, que conseguiu fazer o time jogar bem e tirar o máximo do grupo de atletas, muitos com atuações discretas em outros clubes, que viraram peças importantes que chamarão a atenção do mercado.



Mérito também para Joceli dos Santos, um cara espetacular, com história no clube, que assumiu o barco pegando fogo em uma crise enorme para fazer o time ser vencedor. Mostrou também que o fator "da casa" não pode ser desprezado. Tantos vieram de fora cheio de nome e com resultado zero (como Gonçalves, o ex-zagueiro que muito falou e pouco fez), e a melhor pessoa estava ali, pertinho. Também é uma vitória do presidente Battistotti, que assumiu o clube depois da renúncia de Nilton Machado sob uma grande desconfiança de que não daria conta do recado. Eu fui um deles. Me penitencio e o parabenizo por aqui e, se um dia for possível, farei isso pessoalmente.

Teclo desde Florianópolis, onde vim passar o final de semana, e vi o torcedor avaiano voltar a sorrir, depois de tanta pancada. Foguetório, carreata, camisas na rua... o clima é outro. O que vai ser da Série A no ano que vem não sabemos, há muito o que fazer, principalmente para organizar o orçamento, pagar o que é devido e, principalmente, se manter no topo em 2017.

O segundo semestre mostrou que o caminho avaiano foi corrigido. Agora é hora de comemorar. Semana que vem dá pra começar o planejamento.

Parabéns Avaí. Uma volta por cima sem igual. Um acesso brilhante.