segunda-feira, 20 de março de 2017

O futebol às dez da manhã e as interferências da TV

Dia desses, conversei com o Rodrigo Rodrigues, gerente de futebol do Brusque, sobre a programação do time para um jogo marcado para as dez da manhã de um domingo. Segundo ele, os atletas precisam acordar pelas 6:30 e estar no saguão do hotel, com café tomado, as 7:30. Os atletas sentem. O torcedor sente. Tem quem gosta, mas não é o ideal.

Mesmo fora do horário de verão, os jogos nem foram passados para as 11. Há uma explicação técnica para isso, que foge de qualquer tentativa de colocar mais público no Estadual (que anda com uma média beeem complicada): o Premiere possui um certo número de canais disponíveis, e precisa se virar pra encaixar todos os estaduais neles de forma que não faltem espaço na grade das operadoras. Um se ferra, adivinha quem? Sim, o Catarinense. Nenhum jogo do Goiano, Carioca, Gaúcho ou Mineiro é deslocado para esse horário. O Paulistão até tem jogos pela manhã, mas a verba recebida lá é muito mais vantajosa.

Vamos voltar ao assunto negociação. Ou os clubes começam a apertar o cerco e tratam de contratos vantajosos com a televisão e essa zorra de horários, ou não veremos a coisa crescer. Os regulamentos precisam estabelecer faixas de horários, e a televisão, que não joga partidas do Grêmio ou Inter para as dez da manhã, que encontre um jeito.

O Joinville, que teve que se mexer para evitar uma partida contra a Chapecoense para uma manhã de sábado, dia útil, terá que enfrentar o Criciúma, um jogo importantíssimo para o campeonato, as 18h de uma quinta-feira, quando poderia jogar na noite de quarta, uma vez que entrará com time reserva contra o Cruzeiro amanhã pela Primeira Liga. No final de semana, jogará as 10 da manhã de domingo em Blumenau contra o Metropolitano.

É ano de vencimento de contrato. Cabe aos torcedores de todos os dez clubes da primeira divisão fazerem uma cobrança forte nos dirigentes para que o futebol seja um produto valorizado. Afinal, hoje uma Chapecoense, que disputa Libertadores da América, ganha menos de cota que um pequeno clube do interior gaúcho.

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